Capitulo 29
Esperemos que a paz dure...
Harry acordou sentindo um cheiro doce de flores. Lembrou-se rapidamente de um leve perfume, que sempre estava em seus sonhos. Um misto de lírios e rosas. Graças a seu padrinho, Sirius, descobrira que esse era exatamente o perfume que sua mãe sempre usava. Talvez por isso em seus sonhos, essa flagrância vinha acalma-lo, como uma tenra lembrança de seu subconsciente.
Mas hoje era outro cheiro. Outras flores. Talvez margaridas. Torceu o nariz lembrando que eram as flores preferidas de sua amarga tia. Que horror acordar pensando nela!
Desconfiado abriu os olhos e catou os óculos na mesinha de cabeceira.
A dois dias Rony saíram da ala hospitalar e amanha Rony voltaria as aulas. Seria um dia e tanto, já que desde sua espetacular ajuda a Rony, Hermione voltara as aulas liberada de sua suspensão.
-Rony, o que é isso?
Rony estava vestindo a blusa de lã azul marinho que era de Harry e o olhou como se pedisse desculpas.
-Não quero usar nada vermelho hoje.
Harry deu de ombros e apontou o motivo de seu assombro. Rony avermelhou rapidamente e Harry sorriu. Não precisava ser um gênio para suspeitar. Sobre a cama de Rony havia um desajeitado buquê de flores, obviamente roubadas do jardim de herbologia, amarradas por um laço verde.
-São pra Hermione. Q-quero pedir desculpas e agradecer pelo que ela fez por mim... – baixou a cabeça. – Acha que ela vai gostar?
Harry não sabia. Realmente não tinha nem idéia. Rony interpretou sua expressão de forma errada.
-Eu sabia! Ela não gosta de flores não é???
-Gosta...quero dizer, deve gostar...toda garota gosta!
-A Gina detesta. – confessou, sentando na beira da cama. Harry sentou bem mais interessado na conversa – Uma vez, no aniversario dela de nove anos, eu coloquei uma rã encantada dentro do bolo sem a mamãe ver e quando ela foi apagar as velhinhas a rã pulou bem na cara dela...e foi bolo para todo lado – riu lembrando da cena. Harry riu também,apesar de achar crueldade, sabia que era a forma deslocada que irmãos achavam de demonstrar carinho, querendo chamar a atenção uns dos outros. Ainda mais numa família de nove pessoas. – Ela ficou furiosa! E arrasada também. Daí eu dei um arranjo de flores que eu mesmo plantei. Sabe o que ela fez com as flores?
-Não – disse rindo da cara dele.
-Transformou em cobras e quase me picaram. Mamãe ficou furiosa! Achei que ia matar nos dois de uma vez só com aquelas cobras! Não sei o que me deu mais medo, os gritos dela ou as cobras em cima de mim...
Harry gargalhava de sua expressão. Rony o olhava horrorizado por ele estar rindo. Obviamente não achava nada tão engraçado assim!
-Que flores são essas, Rony?
-São Amacias. Peguei no jardim da professora de herbologia. Ela disse que toda garota iria adorar. Vê, são brancas, com a pele da Mione e tem essas manchinhas marrons nas pontas, igualzinhas aos cabelos dela e se olhar bem, vai perceber que a textura das pétalas lembra o toque dela quando está brava e...
Harry o olhava verdadeiramente horrorizado. Aquela expressão de garotos revoltados diante de outros apaixonados e falando bobagens.
-Acho melhor não dizer isso pra ela, né? – rony perguntou sem jeito.
-Pode apostar...é melhor só pedir desculpas, rony.
Harry o viu terminar de se arrumar e enquanto ele mesmo se arrumava, deu umas olhadas bem estranhas pras flores. Não as achava tão bonitas assim, na verdade, não eram brancas mais sim uma cor meio...estranha. como a face de alguém doente. Achou melhor não dizer nada, já que não era muito fã de Herbologia.
Os dois desceram para a sala comunal e Rony escondeu as flores atrás de si. Harry o sentiu gelar quando viu a irmã e Hermione sentadas perto da lareira.
Era Domingo. Se por um lado era bom, por outro poderia ser terrível, se a tentativa de reconciliação de Rony e Hermione fracasse novamente.
Harry sentou ao lado de Gina que olhou dele pro irmão com uma expressão curiosa. Hermione baixou a cabeça fingindo ler seu livro, quando Rony se aproximou.
-Como você está se sentindo, rony? Melhorou? – Gina perguntou.
-Ah...sim...estou bem melhor! – gaguejou.
Isso fez Mione olhar pra ele, e então rapidamente desviar os olhos.
-O que você está escondendo aí atrás, Rony?
Era nessas horas que Harry queria cortar a língua de Gina. Se por um lado ela era um doce, por outro poderia ser bem cruel.
-É...É-É uma c-coisa pra H-Hermione. – desembuchou.
Ela o olhou desconfiada e então falou com ele pela primeira vez desde a enfermaria.
-Uma coisa pra mim? Preciso buscar minha varinha?
Gina abriu a boca para protestar, mas Harry a abraçou pelos ombros, calando sua insana vontade de se meter.
-N-Não...
ele pareceu engasgar e então tirou a mão de trás das costas estendendo o arranjo de flores pra ela, dizendo tão rápido, que poderia Ter engolido a própria língua que nem notaria: - EuqueriapedirdesculpasporserumidiotacompletoedizerqueéamelhoramigaquealguémpoderiaTereeuconfiomuitomuitomesmoemvoce!
Ela corou mas não amoleceu.
-Desculpe, mas não entendi uma palavra sequer do que você disse.
Rony engoliu em seco, pior que dizer era repetir. Respirando fundo ele falou novamente dizendo cada palavra pausadamente:
-Eu queria pedir desculpas por ser um idiota completo e dizer que é a melhor amiga que alguém poderia Ter e eu confio muito, muito mesmo em você.
-Ah, então foi isso que você disse! – fez pouco caso.
-Hermione, por favor, a sala tá lotada, eu to implorando: me perdoa. – Rony estava quase chorando – quer que eu me ajoelhe?
-Não, eu não quero, mas deveria querer! – disse ainda sem fazer menção de pegar as flores.
-Eu nunca deveria Ter duvidado de você, nem Ter te ofendido. É claro que não iria querer nada com o escroto do Malfoy! nem com o outro sonserino! – disse direto, sem tomar fôlego – E mesmo que quisesse, eu não tenho nada a ver com isso, e mesmo que achasse Ter – olhou de esguelha para Gina como se quisesse saber se seu discurso agradava a ela também – eu deveria Ter conversado com você, e não te agredido e magoado. Eu sinto muito. E não só por que salvou minha vida. Você sabe disso não sabe? Eu nunca quero brigar com você, eu juro!
Hermione suspirou alto e em bom som, como se não acreditasse no que iria dizer:
-Eu acredito em você, Rony. Sei que não queria agir como agiu.
-Sabe? – sorriu desconcertado. – então você me perdoa? – estendeu novamente o arranjo pra ela.
Hermione levantou esquecendo o livro e pegou as flores.
-Ok, eu perdôo. Mas...
rony ia comemorar quando escutou o “mas”. Essa expressão era terrível quando vinda da boca de Hermione.
-Você também precisa me desculpar, Rony. – vendo que ele nem ninguém entendera sua lógica, sorriu – Eu tentei esconder coisas de você, pra ver se a gente não brigava mais, quando deveria ter dito a verdade antes que outros fizessem. Foi por isso que brigamos de novo. A gente tentou esconder sentimentos um do outro, e fizemos bobagem de novo!
Levou as flores ao nariz sentindo seu cheiro e as afastou rápido do rosto sorrindo estranho.
-Amigos de novo? – Rony estendeu a mão em sua direção.
Hermione ignorou seu gesto e antes que prevesse abraçou-o com força, segurando as flores nas costas dele. Rony sorriu de orelha a orelha, fechando os olhos. Levou um minuto para se soltarem e sorrirem constrangidos.
-Bem...- disse Rony sem graça – Acho que vou por minhas lições em dia...
-Eu também tenho que copiar muita coisa atrasada! – ela disse empolgada com essa idéia. – Você me empresta suas anotações?
-Claro, o que não tiver, o Harry deve ter. vem!
Os dois foram para o dormitório dos garotos e deixaram Gina e Harry sozinhos. Hermione sem querer deixou as flores sobre o sofá na sua saída.
Gina riu finalmente.
-Nossa, o que foi isso? Um furacão? – brincou referindo-se as surpreendentes passes dos dois.
-E nem houve gritos! – concordou Harry.
Ainda riam, quando Neville apareceu resmungando na sala.
-O que foi? – Harry perguntou.
-O Rony me expulsou do quarto! Vai mostrar as anotações pra Hermione. – disse magoado – E precisa fazer isso sozinho com ela??? – olhou para Gina e Harry e arregalou os olhos apavorado – O que isso está fazendo aqui?
-O que? Isso? – Harry pegou as flores.
-Não toca nisso, Harry!
-Porque não?
-São flores de Amacias! Você não sabia? São flores de enterro. Se não tomar cuidado elas sugam seu cérebro! -disse indignado, enquanto as pegava com mãos delicadas e levava até uma lata de lixo e as jogava ali. Para surpresa de Harry e Gina espécies de cipós apareceram pelas bordas e subiram, enroscando-se nos pés de Neville que com a varinha nas mãos disse:
-Morrea!
Um suave “ploc” e as flores se aquietaram e sumiram. Neville suspirou.
-O que isso estava fazendo aqui dentro???
-Nem queira saber... – disse Gina rindo.
Inconformado, Neville foi jogar com Simas do outro lado da sala. Harry olhou para a namorada e sussurrou.
-Você acha que Hermione sabia?
-Você duvida?
Eles entrelaçaram as mãos e esqueceram o assunto pelas próximas horas.
Harry estava esquecido de todas seus problemas, deitado no sofá. Com, a cabeça no colo da recente descoberta do seu coração: Gina.
Curioso estar verdadeiramente apaixonado...
-Hei! Aconteceu alguma coisa?
A voz de Gina o fez abrir os olhos e sentar-se. Ela olhava para uma Hermione muito vermelha que tentava atravessar a sala comunal sem ser percebida em direção as escadas.
Ela maneou a cabeça negando.
-Vocês brigaram de novo? – Gina parecia bem decepcionada.
-N-Não...Eu estou cansada...chega de estudar por hoje. V-vou pro quarto d-dormir um p-pouco...
ela apressou-se a sumir da vista dos dois.
-Será que eles brigaram outra vez?
-Só tem um jeito de saber, gina.
Em mutuo acordo, ambos trocaram um suave selinho de boa noite e cada qual marchou para seu dormitório. Tinham uma árdua tarefa: arrancar a verdade daqueles cabeças duras.
No quarto, Rony estava sentado na cama entre os livros bagunçados sobre o lençol. Tinha uma expressão estranha e não o viu se aproximar:
-Rony? RONY? – gritou quando não recebeu resposta.
-O QUE FOI, HARRY? ENLOUQUECEU??? – ele pulou de susto.
-Eu não. Mas você... – deu de ombros – Porque Hermione saiu daqui quase correndo? O que você fez dessa vez?
-Eu não fiz nada! – disse indignado.
-Então o que foi? – sentou na frente da cama dele, esperando.
-Foi uma coisa que falamos. É meio estranho. – disse sem graça.
-Pode falar, eu não vou rir, eu juro – sorriu prevendo o que viria.
-Hermione me disse que tem um plano pra se vingar do Malfoy.
-Isso? Isso é a razão dessa sua cara? – perguntou decepcionado.
-Tem mais. Ela quer minha ajuda e sua, mas eu não sei o que dizer. Fiquei em silencio e ela pediu pra dar uma resposta amanha.
-O que exatamente ela quer fazer? – estava começando a ficar curioso.
-Ela quer que eu brigue com ela na frente de todo mundo no almoço amanha.
-Tá, qual a novidade?
Rony o olhou bravo com o comentário, enquanto Harry ria.
-Ela quer mostrar pro Malfoy que ainda estamos brigados. Daí ela vai se aproximar dele.
-Como assim?
-Sabe, a coisa do espelho? Ela acha que ele gosta mais dela do que da Pat, porque no outro dia...bem, ele parecia bem interessado lá na biblioteca...
Harry esperou que ele continuasse, sem deixar de notar que ambos haviam evoluído bastante e até conversaram sobre aqueles assuntos delicados para eles, e isso, sem quebrarem nada a sua volta!
-...Hermione quer que ele se aproveite do fato dela estar frágil, como ela sabe que ele é capaz de fazer, e quando ele tiver admitido que gosta dela, ela vai dar o fora nele na frente de todo mundo.
Harry parou para pensar um minuto. Não deixava de ser um ótimo plano. Draco Malfoy, em sua infinita arrogância, jamais poderia superar o fato de ser rejeitado por uma pessoa que considerava inferior e ainda por cima sua inimiga. Por outro lado ele se vingaria e seria uma vingança proporcional.
-É uma boa idéia, sabe...Mas a Hermione não sabe bem onde esta se metendo, Harry. – disse suspirando – Malfoy não é como Vitor Krum, que a respeitava, ou como os outros garotos que já a cortejaram. Ele é sórdido e mau. O que você acha que ele fará na primeira oportunidade a sos com ela, tendo admitido que gosta dela?
-Nem quero pensar nisso – revelou sincero.
-Por outro lado se eu não concordar, ela vai achar que estou indo contar tudo aquilo que prometi me regenerar. Então, so me resta concordar e você também.
-É o jeito, não é? – deu de ombros – Mas acho que devemos ficar de olhos sem ela saber, Rony. Não seria nada divertido se ele se aproveitasse da Mione. – naquele momento era fácil para Harry entender a super proteção de Rony com a irmã. Não era um sentimento agradável imaginar um patife qualquer magoando sua melhor amiga, irmã por laços de amizade. – Ela saiu daqui nervosa só por causa disso? – resolveu jogar verde com Rony.
- Na verdade, foi algo que eu disse... – suspirou – Disse sem querer que talvez Malfoy fosse querer beija-la...
-E?
-...Que seria difícil ver algo assim...
-Ah... – agora dava para entender o nervosismo de Hermione. Rony dizendo algo assim, era o mesmo que o próprio Snape admitindo que gostava de alguém.
-Bem...então amanha será o grande dia. – desconversou.
Rony nem respondeu. Estava perdido em pensamentos e para Harry, era o suficiente o que especulara. Foi dormir com um sorriso no rosto, imaginado a cara do idiota do Malfoy se o plano desse certo.
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