27
O Espelho de duas faces.
-Esse é o espelho da razão – a voz da prof.Amires cortou o ar literalmente. – E esse é seu irmão, o espelho do coração.
Estava de pé em frente a sua sala de alunos. A seu lado um espelho duplo, que aparentemente era seu xodó.
Todos os alunos estavam de pé, as mesas arrastadas para o fundo da sala.
-Alguém sabe para que servem?
Hermione ergueu a mão rápida. A professora fez que não viu. Obviamente ela mesma queria falar sobre isso.
-O espelho da razão mostra o que está em nossa consciência. Nossas verdades mais básicas. O que temos por certo e errado. Enquanto o espelho do coração nos mostra o que temos no coração. Nossos verdadeiros sentimentos. Nossos sentidos mais profundos. A muitos anos eles foram separados, a Razão esteve no Ministério da Magia, logo na entrada e o Coração esteve aqui na escola, na sala do diretor.
Mas hoje eles vivem juntos, em harmonia. Bem, - tomou ar – Vamos ver como funciona. Um pergunta bem simples: quem você gosta, sr.Neville?
Neville levou um susto e pôs a mão sobre o coração.
-C-Como professora?
-Eu perguntei, meu querido, como se chama sua namoradinha. Deve Ter uma não é? – sorriu amável.
-É-É...bem...eu...
-Não precisa dizer nada. Nas aulas de magia não há lugar para constrangimentos. Estamos aqui para apreender. Alguém aqui se oferece?
Como era de se esperar, Hermione ergueu a mão. Mas novamente foi rejeitada.
-Oh, perfeito, sr.Malfoy, venha aqui.
Decepcionada, Hermione não quis olhar pra ele. Quieta ao lado de Gina, bem longe de Rony e Harry ela queria muito participar.
-Vamos descobrir sua lógica e seu coração, sr.Malfoy.
-Eu nem sabia que ele tinha um. – disse rony alto o bastante para Malfoy virar-se na sua direção sorrindo debochado e ganhar uma cotovelada de Harry.
-Aqui, fique de frente para o Espelho da Razão e diga o nome de sua namoradinha.
-No momento não estou ficando com ninguém... – disse entre dentes.
Levou um segundo para ela entender a gíria “ficando” e então suspirou.
-Tudo bem, comecemos novamente. Olhe para o espelho, sr.Malfoy e diga: revele-esse-berre.
Tão logo as palavras saíram da boca dele nevoas dançaram pela frente do espelho. Então a imagem clara do que parecia ser umas cem meninas. Todas girando em torno de si numa gigantesca cirandinha. Conforme o giro tornava-se mais rápido, algumas iam desaparecendo. Gina, Hermione, Luna e varias e varias outras, até restarem três: Pat, da Lufa Lufa, Ana da Sonserina e Erberta também da sonserina.
Por fim, Ana prevaleceu enquanto as demais sumiram lentamente.
-Isso! – a prof. Disse empolgada – Essa é a menina da sua razão, sr.Malfoy.
ele corou ligeiramente. – Me diga o que vê, olhando-a?
-O que eu vejo? – virou a cabeça para trás e encontros os olhos tímidos da menina – Uma garota loura, bonita, de família tradicional, rica. Não é boba e já sabe namorar. Seu pai ocupa um dos cargos mais respeitados no Ministério da Magia.
-É isso que vê na menina? – Prof.Amires suspirou – Vamos então ao seu coração. – puxou-o para que ficasse de frente ao outro espelho.
-Não é a mesma coisa? – ele perguntou desconfiado.
-Quem sabe? Vejamos se a sua razão concorda com o seu coração, sr.Malfoy.
segurou-o pelos ombros e ele repetiu a mesma ordem:
- revele-esse-berre!
Desta vez as mesmas meninas de antes apareceram entre nevoas claras e um leve perfume inundou a sala. Lentamente algumas foram sumindo numa ordem diferente das anteriores. Restaram apenas umas poucas. Imagens confusas começaram a aparecer quando restaram apenas cinco. No fundo da sala todos ouviram o sussurro indignado de Hermione:
-O que eu ainda estou fazendo ali???
Ela, Gina, Parvati, Fler e Pat.
As imagens mudaram rapidamente e misturaram-se umas as outras, sumindo a face de Gina e Fler. As imagens ficaram mais definidas. O sorriso aberto e alegre de Parvati, Pat corada olhando para Rony, um punho fechado vindo diretamente na face de Malfoy. Outro giro e Parvati desapareceu. Pernas delicadas descendo por entre as pedras do lago da lula gigante, cabelos louros caindo sobre as águas num mergulho gracioso de Pat, Hermione descendo as escadas com Krum, deslizando sobre o salão de festas. Outro giro mais rápido e as imagens ficaram mais rápidas e rápidas. Novamente o soco, o sorriso de Pat, a nuvem de flores, o olhar intenso de rony e Hermione, o sorriso de Pat, as mãos de Behl e Hermione, o olhos azuis de Pat e sua alegria, Hermione abraçada a Gina. Outro giro cada vez mais forte e as nevoas pararam de repente.
Draco tinha os olhos arregalados. Toda a sala suspendera a respiração. Um toque alto chamou a atenção de todos. Era uma sineta.
-É o prof.Heldor! – disse Neville reconhecendo o toque da sineta que ele usava para chamar seus alunos atrasados.
Mas ninguém queria sair dali antes do espelho revelar seu segredo.
-Vamos, vamos todos vocês! Continuamos na aula que vem! – Prof.amires virou ambos os espelhos em direção a parede e abriu a porta para que saíssem. Pesadamente todos saíram.
No corredor, Draco foi o último a sair, fugindo das piadinhas, mas a tempo de ouvir o sussurro de Gina para Hermione:
-Ainda bem que eu não fiquei muito tempo nos sonhos dele! O que Harry diria??? Coitada de você, parece que vai dividir o grande prêmio com a Pat. – ironizou.
-Quer saber? – disse Hermione – Quero apenas que esse ano acabe logo e eu possa ir pra casa de uma vez! Não agüento mais!
Apressada passou direto pela porta da sala de aula. Gina suspirou e entrou, Rony a sua frente de cabeça baixa.
Uma semana se passou sem que nada de anormal acontecesse. Rony e Hermione não se falavam, mas isso não era uma novidade. Estavam sempre discutindo. Por outro lado, Harry duvidava que conseguissem fazer as passes.
Rony terminou seu jantar. Estava comendo pouco e sempre terminava antes e todo mundo.
Olhou em volta a tempo de ver Gina entrar na sala de refeições. Estava tensa.
-O que foi? – perguntou a irmã, quando sentou-se ao lado de Harry.
-Estava na enfermaria. – disse como se contasse um segredo. – Parvati e Padma vão ir pra casa hoje a noite. Seus pais vão busca-la. Parece que ninguém consegue reverter o feitiço que Mione usou. É um feitiço de “praga”. Para ser desfeito precisa ser conjurado ao contrário por quem o fez. Mas ela se recusa!
-Elas não vão mais falar? – Harry estava surpreso.
-Vão... mas o efeito pode durar semanas e elas preferem ir pra casa enquanto isso não acontece. Prof.Minerva está furiosa! Precisavam Ter visto. Nunca a vi gritar, mas desta vez ela tremeu os pilares da enfermaria. – serviu-se de uma colher de ervilhas e suspirou desanimada – Mione está enrascada.
-Vão puni-la por isso?
-O que você acha, Harry? Os pais daquelas fofoqueiras estão exigindo que ela seja suspensa até as férias de verão. Mione vai morrer de desgosto.
Rony deu de ombros fazendo cara de “e daí?” e tomou mais suco.
A noite, Parvati e Palma desceram as escadas do dormitório de cabeça baixa e olhando para todos com ressentimentos. De pé em frente a porta da sala comunal prof.Minerva séria e austera a espera das duas com suas malas. Os alunos da grifinólia as observavam com uma certa satisfação.
Gina, Harry e Rony estavam de pé, próximos a lareira. Gina fungou.
-Que foi, Gina? Você nem gosta das duas! – repreendeu Rony.
-Cala a boca! – disse baixinho, dando-lhe uma cotovelada. – Você ainda vai Ter o que merece, rony, ah, vai!
As duas irmãs saíram rápidas da sala comunal, mas prof.Minerva continuou de pé esperando.
Logo Mione veio arrastando o malão com postura arrogante e nem olhou pra eles.
Todos saíram e as portas de fecharam.
-Pobre, Mione! Ficar dois meses longe! Ela vai morrer de tristeza! – disse gina, quase chorando de novo.
-Ela mereceu! Porque não pede pro namorado interferir?
-Rony...você me enoja, sabia???
-Eu enojo você? A sua amiga apronta e eu sou o errado? – pergunta horrorizado.
-Ouça bem o que vou dizer, Rony, porque é possível, que eu me arrependa disso depois. A Hermione é uma menina maravilhosa, que sempre defendeu você. Mesmo quando tem atitudes idiotas, ela sempre defende você! Ano passado, ela só foi ao baile com o Krum, para que você visse que estava errado ao insinuar que ninguém a levaria! Com Behl, ela apenas ficou lisonjeada em Ter uma pessoa tão legal a fim dela. Mas você pode entender isso? Nãããõooooo! Está muito ocupado com seu próprio umbigo!
O estúpido do Malfoy ficou atrás dela, para atazanar a vida dela, mas você nem quis saber? Pra que, não é? Mione estava levando tão a sério a trégua com você, Rony, que não sei como pode fazer isso, com ela! – seu rosto estava vermelho – Mas quer saber? Eu escrevi pra mamãe hoje de manhã.
-Você não fez isso! – gritou indignado.
-Fiz sim! E aposto que você não tem a mínima consciência para saber porque! Você está doente, Rony. Esse seu ciúme é obsessivo. É doentio. Mas quero mais é que se dane! O que me preocupa é minha amiga passar esses meses sozinha, longe da escola que ama, magoada! Achei que seus pais, por serem trouxas talvez não possam entender a exatidão da tristeza dela! E sei que mamãe vai saber conversar com ela. E você...é um idiota!
-Espera aí, Gina, você não pode falar assim comigo!
-Porque não? Se você não demonstra respeito e confiança para com seus amigos, porque devo demonstrar isso a você?
Com essa pergunta, Gina saiu da vista de todos.
Rony virou-se para Harry buscando apoio, mas dessa vez era demais. Demais mesmo.
Sozinho, Rony olhou para o chão. Será que essa sensação de sempre fazer a coisa errada nunca ia passar?
Rony esperara durante toda a semana pelo berrante que sua mãe deveria Ter mandado. Isso, ou sua presença repentina em algum corredor pronta a mastigar seus cérebro e cuspir fora. Mas nada. Nem um sussurro.
Talvez devesse escrever para ela, mas seria perigoso. Poderia interpretar como uma provocação e não desejava enfrentar a ira de Molly Wesley sem ajuda dos irmãos, que atualmente viravam a cara para ele.
Até mesmo Harry não ria mais de suas piadas. Até Neville o evitava!
Todas as desculpas prováveis para esse silêncio todo, haviam se esgotado. E agora ele estava com medo. Realmente, com medo.
Sabia que era provável que Hermione arquitetasse uma vingança contra ele. Mas agora temia que ela e sua mãe se juntassem. Seria terrível.
Rony atravessou o pátio, até chegar a cabana de Hagrid. Estava anoitecendo, mas ele precisava sair um pouco. E com Harry sempre pelos cantos escuros com Gina, ficava difícil arrumar desculpas para ele ir junto.
Quem sabe Hagrid já houvesse voltado? Ao menos teria companhia. Alguém que não o tratasse como se fosse um monstro ingrato que era.
Bateu a porta e não houve resposta. Insistiu e nada. Maravilha! Rony chutou uma pedra e sentiu o pé latejar de dor.
-Droga de vida! – resmungou sentando no degrau da escadinha da casa. Baixou a cabeça, e não conteve a vontade de chorar. Como um bebezão, pensou amargo. Harry e Gina o recriminavam. Até aí tudo bem, ele foi um idiota mesmo. Mas estar a três semanas longe de Hermione, sabendo que era indiretamente o responsável por sua suspensão, era demais pra ele.
Ainda lembrava-se com clareza das palavras de Gina quando o chamara de doente. Sim, tinha um ciúme doentio. Mas não era tão incomum assim, era? Seu pai tinha ciúmes de sua mãe. Já presenciara ótimos espetáculos por causa disso. Gui e Carlinhos sempre tiveram feias brigas com as namoradas por isso. Então qual o problema?
-O problema – respondeu em voz alta para si mesmo – é que você passa dos limites. Você a destrata, a fere, a machuca. Você é um monstro, Ronald Wesley! Um estúpido!
A vontade de chorar cresceu ainda mais, porém Rony conteve as lágrimas e levantou. Não podia passar a noite ali, ou se preocupariam com sua falta. Mesmo que todos o odiassem, ainda assim se preocupariam.
Virou-se para ir embora quando ouviu um barulho perto das árvores, atrás da casa de Hagrid.
-Tem alguém aí? – perguntou alto para a escuridão a sua volta.
Não ouve respostas. O som voltou mais forte. Era uma espécie de choro. Parecia a Murta que geme, mas ela não saia do castelo por nada!
Curioso se aproximou daquele som agonizante. Foi entrando na floresta proibida sem perceber.
Quando deu por si, o som havia parado e Rony estava de pé numa clareira, entre as inúmeras árvores. Já estivera naquela floresta algumas vezes, mas nunca sozinho. E não tão tarde a noite.
-Quem é que está aí? – gritou para o vazio.
Um arrepio o percorreu de alto a baixo. Sentia alguém se aproximando, embora não houvesse passos. Sentia uma respiração forte e pesada, como se esse alguém estivesse arfante. O vento a seu redor parecia Ter parado totalmente.
Tudo a sua volta parecia estar adormecido. A copa das árvores não se moviam, os animais não mexiam-se e nem mesmo as folhas secas sobre o solo quebravam-se sob o peso dos seus passos.
O medo cresceu dentro de si. Se ao menos estivesse com sua varinha, conjuraria um feitiço para iluminar o local.
Passo por passo, Rony tentou sair dali, afastar-se daquela clareira enfeitiçada. Mas antes que pudesse dar um passo sequer, uma imagem apareceu a sua frente. Uma espécie de fumaça acinzentada e densa. Rony gelou. Tentou gritar quando dois olhos amarelos e brilhantes o olharam de volta, mas alguma coisa o paralisara no lugar.
Sem poder gritar ou correr, Rony sentiu seu corpo ser envolvido por aquele ser e lentamente perdeu a consciência, caindo para a terra úmida do orvalho da noite. A criatura desaparecendo entre as nuvens da noite. Ao longe uma coruja piou alto e as nuvens da noite rapidamente cobriram toda a clareira, barrando com seu véu noturno o acesso de qualquer um...
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