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10. Capítulo 10


Fic: A Aventura


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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    — Coloque-me no chão! — gritou. — Harry, você não pode fazer isso! Coloque-me no chão!


Ele continuou andando.


O sangue subiu-lhe à cabeça, fazendo-a sentir-se estúpida.


— Não estou brincando, Harry! — Ela agarrou-se em sua camisa para evitar o balanço causado pelos seus passos. — Coloque-me no chão!


O braço a prendia pelos joelhos. Ele a segurava com firmeza e, ao mesmo tempo, evitava que ela o chutasse. Não que ela fosse agir assim. De repente começou a se sentir muito aborrecida: aborrecida pelo defeito no avião, aborrecida por não poderem pedir ajuda, aborrecida por Harry estar zangado, aborrecida por ter dito aquelas coisas horríveis. Estava aborrecida também por causa do bebê, pois estava determinada a não expô-lo ao perigo, mas o fizera. Era sua culpa, tudo sua culpa. Se não tivesse mentido para Harry, ele não a teria convidado para viajar para o sul e se não a tivesse convidado, não estariam isolados numa ilha deserta sem perspectivas de resgate.


Sentindo-se tonta e deprimida, começou a chorar. Pressionou o rosto contra as costas dele. — Por favor, Harry, me desculpe. As palavras saíam inaudíveis de sua boca. Ele se curvou e deixou-a escorregar do ombro. Quando viu as lágrimas, praguejou. Levantou-a nos braços e enquanto ela comprimia o rosto em seu pescoço, carregou-a até o ponto onde começava um gramado. Palmeiras cresciam no local, curvando-se para cima, criando guarda-sóis formados pelas folhagens nos topos, espalhando-se por uma larga extensão de praias convidativas. Spencer recostou-se numa árvore, sentando Hermione entre suas pernas. Manteve um braço em torno dela, mantendo-a próxima.


— Não chore por minha causa, meu anjo — disse numa voz melancólica. — Não suporto ver você chorar. Juro preferir ouvir o canto de um bando de caçadores de cabeças a ouvir seu pranto. Quietinha. Calma, Hermione. Psiu. Já vi você me olhando duas vezes com olhos lacrimejantes: primeiro quando achou que eu não doaria meu esperma, depois quando eu lhe disse que daria e nas duas vezes a visão dessas lágrimas me emocionaram. Agora você está soluçando. Droga! Eu é quem devia estar chateado. Afinal, eu fui xingado de todo tipo de nomes.


— Eu sei. — Ela limpou as lágrimas. — Lamento. Eu não deveria ter me descontrolado. Agi mal. — Os olhos estavam novamente encharcados. Apertou o rosto na camisa dele para que ele não tivesse que vê-la chorar.


Ainda melancólico, Harry disse:


— Não há motivo para ficar chateada. Não estamos em perigo.


— Estamos abandonados numa ilha deserta.


— Estamos provavelmente a menos de160 quilômetrosde Miami.


— Mas não podemos chegar lá.


— E daí? Estamos a salvo, temos suprimentos.


— Mas por quanto tempo? Ah, Harry, se não fosse por mim, você não estaria aqui.


— De onde tirou essa idéia? Eu estavaem Nova York. Teriaque voltar para casa.


— Mas teria ignorado aquele mostrador e chegado em casa sem problemas. O sistema elétrico só queimou quando pousamos. O avião estava voando bem até então. Você apenas pousou para me provar como era cauteloso. — Quando ele não disse nada, ela perguntou: — Não é verdade?


— É, mas isso são águas passadas. Não estou chateado por estarmos aqui, Hermione.


— Mas podemos ficar aqui para sempre. — Começou a imaginar o parto naquela praia, sem saber o que fazer. Havia sido treinada para ser uma mulher de negócios e não uma dona de casa. Havia lido inúmeros livros sobre a gravidez, mas não sobre o parto. Não tinha ido ao médico desde que a menstruação não viera. Certamente não tinha começado as aulas para o parto ainda.


— Não vamos ficar aqui para sempre — repreendeu-a.


— Como pode ter tanta certeza?


— Porque conheço essas ilhas. Aviões fazem essa rota todo tempo. Transatlânticos também. As empresas de turismo usam praias como essa para piqueniques.


— Durante a estação de furacões? — perguntou cética.


— Durante toda a estação se estiverem ganhando direito. Tudo bem, se houver possibilidade de furacões, não. Mas o serviço de meteorologia não previu furacões essa semana, então alguém vai nos encontrar.


— Antes que a comida acabe?


— Não vamos ficar sem comida. Além de bananas e peixes, temos mantimentos de sobra.


— Bananas?


— Na floresta. E tenho uma vara de pescar novinha em folha no avião.


Hermione supôs que um bebê devia gostar de bananas, mas não havia chance de gostar de peixes. Ela mesma odiara peixe durante os primeiros 23 anos de vida. É claro, tinha planejado amamentar o bebê bastante tempo e como ela gostava tanto de bananas quanto de peixe, talvez não precisasse colocar em pauta morte por inanição. Mas outros assuntos sim.


— E meus conhecidos? — perguntou. — Vão achar que sofremos um acidente de avião. Pode imaginar como Caroline e seus pais vão se sentir? E o pessoal da minha empresa? Vão providenciar velório, mandar rezar missas. — Ela gemeu. — Vai ser horrível.


Ele deu-lhe um abraço.


— Não se antecipe, meu anjo. O pessoal do escritório espera sua volta daqui a duas semanas, portanto só então começariam a se preocupar. Quanto à minha família, estão acostumados a ficar sem notícias bem mais tempo. Já desapareci antes e apareci são e salvo vezes demais para alguém pensar duas vezes a respeito, especialmente minha família. Caroline sabe que você está comigo. — Hermione tinha lhe contado que eles passariam algum tempo juntos. — Ela vai supor que eu fiz exatamente o que eu fiz: parei numa ilha deserta para ter você só para mim por duas semanas.


Hermione enxugou os olhos na camisa dele.


— Queria que não dissesse coisas assim.


— Por que não?


— Por que são meigas. E você não faz o gênero meigo. Você é tido como um valentão insolente.


Ele afrouxou o abraço.


— Lamento desapontá-la, meu anjo. Ei, por que não vem explorar a ilha comigo? Quero ver onde estamos metidos. E então, me acompanha?


Ela levantou os olhos. Se Harry estava preocupado em voltar à civilização, não havia a menor evidência no rosto. Ele dava a impressão de ter parado na ilha para uma tarde de aventura. Mas, afinal, aventura era seu meio de vida. Era bom nisso. Adorava isso. Para agradá-lo, concordou. Ele enxugou as últimas marcas de lágrimas de seu rosto e sorriu:


— Essa é a minha garota. — Ajudando-a a levantar-se, levou-a até a praia.


Passaram pelo avião com o motor aberto onde ele esteve trabalhando. Passaram uma dúzia de palmeiras iguais àquela onde tinham se sentado à sombra. Harry parava, vez por outra, para espiar buscando uma vegetação cerrada, mas só quando chegaram ao final da praia encontraram a floresta.


Hermione esperava uma floresta linda, daquelas de tirar a respiração, como deveria ser, raciocinou, se estavam numa ilha selvagem. Mas essa não era bonita. Não tinha nem certeza de poder chamá-la de floresta. O matagal era mais ou menos da altura de Harry e indescritível. Além das palmeiras, parecia estarem Rhode Island.


Enquanto avançavam para o interior, entretanto, as coisas começaram a mudar de figura. O caminho começou a tornar-se mais íngreme. As árvores tornaram-se mais verdes e quase tocavam o céu. Embora Harry segurasse sua mão, Hermione manteve o olhar atento com receio de pisar em algo onde pudesse tropeçar com facilidade. Também ficou atenta a cobras e outros seres rastejantes que poderiam lhe tirar o sono. Quando Harry notou a maneira vigilante com que andava e quis saber o que estava acontecendo, ela contou-lhe sobre seus medos. Ele lhe garantiu que não havia cobras e, se houvesse alguns lagartos, seriam inofensivos. Como para provar o que dizia, indicou uma cauda de uma dessas criaturas que ele jurava terem mais medo deles do que vice-versa. Hermione não tinha tanta certeza, mas não contestou.


Continuaram caminhando. Os tênis faziam pouco barulho no chão da floresta comparado ao zumbido dos insetos e ao grito ocasional de um pássaro. Harry apontou várias espécies de vegetação, mas ele parecia estar ouvindo alguma coisa. Quando chegaram a uma clareira, ele abriu um sorriso. Com ar de vitória, exclamou:


— Achei ter sentido o cheiro de água. — E estava certo: um riacho estreito atravessava a clareira.


— Sentiu o cheiro?


— É inconfundível. — Ajoelhou junto ao riacho e bebeu a água com as mãos. Com os olhos, convidou Hermione a fazer o mesmo.


Ela estava sedenta e morrendo de calor. Ajoelhando-se, bebeu a água clara e fresca e lavou o rosto, nuca, pescoço e pulsos. Que delícia!


Harry a olhou.


— Está calor aqui. O ar não se move tanto quanto na praia. Quer voltar?


— Não se você quiser explorar mais. — Ela se recusava a fazer com que ele interrompesse a caminhada e, na verdade, sentia-se bem andando. Preferia andar a voar. Nesse dia em especial, andar a fazia relaxar da tensão do vôo e do pouso forçado.


Mas Harry parecia inclinado a voltar.


— Posso continuar a exploração outro dia. Estou com fome.


— Você sempre está com fome — disse, mas olhando para o corpo magro através das roupas, lembrando-se da sensação de seu corpo nu no escuro, duvidou que ele tivesse um grama de gordura.


— Você não está?


— Nem sempre.


— E agora?


— Um pouquinho. — Na verdade, bem mais do que um pouquinho. Estava faminta. Será que já era resultado da gravidez? Esperava que não. O suprimento de comida era limitado. Apesar da declaração de Harry sobre a quantidade ilimitada de bananas e peixe, ela precisava prestar atenção ao que comia. Se comesse moderadamente e fizesse uma dieta balanceada, o bebê estaria bem.


A volta para a praia pareceu mais curta. O fato de ser uma descida ajudou, assim como a brisa soprando com mais freqüência enquanto se aproximavam da água, diminuindo o efeito do calor.


Harry declarou-se o cozinheiro. Alegando que algumas das comidas que trouxera estragariam em pouco tempo, preparou dois enormes sanduíches de queijo com presunto — com croissants de uma padaria de Manhattam. De sobremesa, um bolo de chocolate surgiu do isopor, onde também estavam latinhas de cerveja e água Evian.


— Nossa! — disse Hermione, examinando o conteúdo do isopor. — Quando você acampa, o faz em alto estilo. — E realmente o fizeram em alto estilo. Comeram numa grande toalha de praia debaixo da sombra de um agrupamento de palmeiras cujas folhagens balançavam ao vento. O som era tão relaxante quanto o das ondas batendo. Fechando os olhos e escutando, Hermione quase podia esquecer que estava presa numa ilha deserta por tempo indeterminado.


Quase. Mas não sempre. A cada vez que se lembrava, sentia um renovado desconforto. Uma coisa seria estar ali por três dias ou mesmo uma semana. Podia conviver com a idéia. Mas indefinidamente? Esse era um pensamento assustador.


Harry, aparentemente, não compartilhava o mesmo medo. Findo o almoço, esticou-se, recostou as costas com o ombro tocando-lhe a coxa, cruzou as mãos no peito, entrelaçou os tornozelos e adormeceu. Parecia absolutamente calmo, totalmente relaxado e obviamente contente.


Enquanto ele dormia, Hermione o observou, o que não tivera ocasião de fazer antes. Admirou-lhe os pés descalços. O olhar subiu pelas compridas e cabeludas pernas até os shorts ajustados nos quadris estreitos de uma forma que deixava seu sexo pronunciado. Ficou com os olhos grudados naquele ponto por um bom tempo até se desviarem para a camiseta mostrando o peito largo, o pescoço e finalmente o rosto. Uma ligeira sombra começava a aparecer em seu queixo. Será que ele ia fazer a barba enquanto estivessem na ilha? Será que ia se banhar no oceano? Será que pediria que ela lhe cortasse o cabelo quando ele crescesse e ficasse desgrenhado?


Mas, droga, ela não era barbeiro, assim como não era dona de casa. Nunca tinha sido bandeirante.


Nunca acampara. Quando se tratava de atividades ao ar livre, tinha entusiasmo, mas pouca experiência. Nesse contexto, o que a esperava nos próximos dias, talvez semanas ou meses, era amedrontador.


Ficou irritada por Harry não compartilhar desse medo. Ele simplesmente almoçara e adormecera como se não tivesse nada melhor a fazer. Mas tinha! Podia começar a trabalhar de imediato no avião. Está certo ter dito faltarem as peças para consertá-lo, mas talvez pudesse dar um jeitinho e algo começasse a funcionar. Podia ao menos tentar.


E se não quisesse trabalhar no motor, podia fazer um inventário dos mantimentos com o propósito de racioná-los. Uma coisa era comer sanduíches enormes e bolo de chocolate no primeiro dia de isolamento, nem que fosse com o intuito de levantar o ânimo. Mas se continuassem a comer sem se preocupar com os dias por vir, poderiam se arrepender, amargamente, depois de duas ou três semanas.


E se não quisesse fazer o inventário, podia construir um abrigo. O avião podia servir como proteção durante uma chuva, mas não podiam dormir nele. Não tinha espaço para se esticarem. Para um período prolongado, precisavam de mais conforto. Ela poderia tomar as providências, se tivesse idéia do que fazer, mas não tinha. Executar tarefas pesadas era a especialidade de Harry, não sua. Mas Harry dormia a sono solto como uma criança e ela não podia acordá-lo.


Então ela continuou a meditar. Olhou a fisionomia serena e se perguntou como um homem podia aceitar como tanta displicência seu destino. Desviou o olhar para o mar e perscrutou o horizonte. Ele havia comentado, que transatlânticos passavam por ali. Barcos de turistas paravam para piqueniques. Mas não via nada que lembrasse nem remotamente um barco e quanto a aviões passando no céu, o céu estava muito azul e vazio. Ocorreu-lhe que desde o momento do pouso, há quase três horas, não tinha ouvido um único barulho de outro avião. Aviões passavam por ali toda hora... E Harry dormia.


Precisando fazer algo, Hermione levantou-se e passeou pela areia, até chegar à grama, onde encontrou pedaços de madeira trazidos pela correnteza. Juntou-os até os braços ficarem cheios e carregou-os, aos poucos, até arrumar uma pilha na parte mais alta da areia perto do avião, onde a maré não subiria. Precisariam de uma fogueira, caso um barco ou um avião passasse do anoitecer ao alvorecer. Mesmo quem nunca acampara na vida sabia disso. Harry tinha fósforos. Agora eles tinham madeira.


Lançando olhares intermitentes em direção a Harry, ela se imbuiu de uma eficiência fanática. Foi e voltou até juntar uma quantidade razoável de madeira, mas então se lembrou que em caso de chuva, a madeira ficaria molhada e inutilizada. Reiniciou a operação, formando uma pilha, dessa vez meio desorganizada, debaixo do avião. A esta altura, os shorts e camisa estavam sujos, o esmalte de duas unhas descascara, o cabelo tinha se soltado dos grampos e suavaem bicas. Mas, pelo menos, alguém fizera alguma coisa prática, pensou. Neste momento a voz ruidosa de Harry quebrou a paz da ilha.


— O que está fazendo? — Ele estava se levantando e parecia furioso. — Só porque o sistema elétrico está ruim, não significa que tudo está ruim. Que diabos vai conseguir queimando tudo?


— Não estou queimando — retrucou Hermione — embora devesse depois de todo o ocorrido. Estava juntando madeira e esse pareceu o único lugar seguro para guardá-la e evitar estragos se chover. Se algo passar por perto, vamos precisar de um sinal de fogo.


Sua raiva desvaneceu-se no ato. Ele passou a mão pelo rosto, como se estivesse despertando, e depois no cabelo.


— Bem pensado. — Ele a analisou com atenção e um ligeiro sorriso. — Bem pensado mesmo. Estou orgulhoso de você, Hermione.


Ela não apreciou o sorriso. Sugeria surpresa por ela ter uma cabeça em cima dos ombros e foi a atitude mais chauvinista que já vira nele.


Estendeu a mão em direção à toalha.


— Você come até se empanturrar e cai num sono tão profundo que seria preciso um exército para acordá-lo. Nesse meio-tempo, nosso resgate poderia ter passado e ido embora.


Ele deixou escapar um suspiro.


— Ei, você está agitadinha de novo?


— Alguém tem que estar, ou jamais sairemos daqui.


— Pra que a pressa?


Ela apontou na direção onde supunha ser a casa dele, apesar de não poder dizer nem para que lado ficava o norte. — Tenho uma vida. Coisas a fazer. Não posso passar os próximos anos de minha vida comendo peixe e bananas numa ilha tropical.


Ele soltou um suspiro aborrecido.


— Não é tropical. Não estamos nem no Caribe. Isso é o Atlântico.


Ele levantou uma sobrancelha.


— As pessoas são resgatadas do Atlântico com mais freqüência do que do Caribe?


— Pare com isso, Hermione.


— Quero ser resgatada — afirmou. — Não sou uma aventureira como você. Não estou acostumada a viver em situações precárias. Você adora o mistério das aventuras, o desafio, mas eu não. Gosto de segurança. Gosto de estabilidade. Gosto de saber onde estarei daqui a um mês. — Ela sacudiu a cabeça com lentidão.


— Não posso aceitar situações como essa sem me estressar, como você pode. Não posso simplesmente me virar pro lado, dormir e esperar pela sorte. Tenho que fazer alguma coisa.


Ele curvou a cabeça até os olhos estarem no mesmo nível e disse exasperado:


— Mas não há nada a fazer.


— Podemos acender uma fogueira.


— Não à luz do dia. Além do mais, tenho uma pistola sinalizadora no avião. Um único tiro basta para alertar alguém passando por perto.


Ela ficou parada por um segundo.


— Você tem uma pistola sinalizadora. Eu passei metade da tarde juntando madeira para uma fogueira e você tem uma pistola sinalizadora. Mas isso é fantástico! — Virando-lhe as costas, pisou a toalha. — Você podia ter me dito. — Atirou-se no chão, exausta, recostando-se na palmeira.


Ele a seguiu.


— Você não perguntou.


— E como podia? Você foi dormir.


— Bem, estava cansado. Você acha que é a única a ficar tensa? Pode ser... — quem sabe?... que pousar tenha sido difícil para mim também.


Hermione não estava com disposição para ficar com peninha dele.


— Não acredito. Você se excita diante do perigo, Pelos dez anos que perdi durante o pouso, você provavelmente ganhou cinco.


— Se é verdade, você os está tirando bem rápido. Pelo amor de Deus, Hermione, se acalme — murmurou e começou a desabotoar a camisa. — Isso não é o fim do mundo.


Os olhos pousaram em seu peito.


— O que está fazendo?


— Vou nadar. Caso não tenha notado, está calor.


— E você trabalhou a valer...


— Não trabalho a valer a não ser que haja uma boa razão e não há. Não aqui. Não agora. — Jogou a camisa de lado. — Temos mantimentos, abrigo e todo o tempo do mundo. — Ele desabotoou os shorts. — Se quer se manter ocupada, cuidando das tarefas domésticas, fique à vontade. — Ele tirou os shorts e a cueca. — Só não me peça para ajudar. — Completamente nu e com a maior desinibição, colocou as mãos nos quadris. — Eu serei o primeiro a preparar uma refeição ou preparar um plano ou cavar uma latrina, mas me recuso a sair em busca de outros afazeres. Não preciso de rotina. Não preciso de obrigações para me manter feliz. Se estou confinado aqui, pretendo aproveitar ao máximo. Tenho a intenção de me divertir.


Hermione engoliu em seco e se mexeu pouco à vontade. Desesperada, tentava manter os olhos acima da linha do pescoço dele, mas estava bastante consciente do que estava abaixo. Já tinha tocado ali. Conhecia a textura do pêlo e a firmeza da carne quando excitado.


— Vá em frente — ele provocou. — Pode olhar. Não sou tímido.


— É óbvio que não — disse, mas manteve os olhos nos dele. O que viu era quase tão desconcertante quanto o que estava vendo abaixo da linha da cintura. Aqueles olhos verdes faiscavam. De repente tinham se tornado debochados, mandavam sinais de perigo e estavam se aproximando. Com movimentos sinuosos, se aproximou, curvou-se e colocou as mãos nos quadris dela.


A respiração dele era suave em seu rosto.


— Desafio você. Desafio você a olhar para mim. — Ele permaneceu abaixado daquele jeito, deixando os lábios brincar com sua orelha.


Incapaz de resistir, ela olhou-lhe o corpo. O peito apertou, diante da visão. Ele era grande e atrevido, suspenso de forma tão maravilhosa que parecia esculpido por um mestre — como de fato tinha sido, meditou. Tentando resistir ao desejo incontrolável de tocá-lo, pressionou as mãos no tronco da palmeira.


Lentamente ele se esticou e deu um passo atrás. Ela continuou olhando, curiosa, fascinada, impressionada, excitada.


— Desafio você Hermione — veio a voz baixa — Desafio você a tirar a roupa e nadar comigo. — Os olhos voaram até seu rosto e tudo que viu reforçou o desafio. — Desafio você a me deixar vê-la nua.


O coração batia baixinho e rápido, um animalzinho preso entre o perigo e o desejo. Voltou a engolirem seco. Osolhos se arregalaram.


Depois ele deu uma piscadela sedutora, característica de um gato, se virou e caminhou para a água dizendo, com calma, por cima do ombro: — Sabe onde me encontrar. Ela ficou sentada olhando-o trêmula. Já o vira nu de costas antes, mas não com o sol batendo na pele bronzeada e não com o brilho da água realçando o porte alto e majestoso. Aquela figura deslumbrante tirou-lhe a respiração.


Numa tentativa de restaurá-la, inclinou-se para a frente e abraçou os joelhos. Dessa posição o viu entrar na água. Ele caminhou nas águas até as ondas alcançaram-lhe as coxas, depois mergulhou e começou a nadar vigorosamente.


Ele tinha razão. Odiava admitir, porque o sucesso alcançado em sua vida era fruto de uma profunda análise da situação, seguida de ação, mas agir estava fora de cogitação. Se Harry se julgasse capaz de dar um jeito no motor para resolver o problema, o faria. Ela acreditava que ele conhecia o avião nos mínimos detalhes. Se ele disse estarem com as mãos atadas até receberem as peças, era verdade.


Então o que tinham a fazer nesse meio-tempo? Não muito. Podiam sentar e se desesperar diante da situação ou aproveitar. Afastando os olhos da cabeça escura e dos braços movendo-se sincronizados na água, ela examinou a paisagem. A ilha era linda. Embora não tivesse uma vegetação viçosa como algumas das que visitara, tinha seus atrativos naturais. Era calma e quieta. A areia era macia e branca, a água de um turquesa translúcido. O ar era puro, a brisa refrescante. Se tivesse desejado um cenário especial onde pudesse estar com Harry, não podia imaginar outro melhor.


O perigo estava presente, o mesmo desde o dia em que Harry anunciara estar de acordo em ser o pai de seu filho. Hermione sempre sentira uma ligeira atração por ele. Desde a primeira noite passada juntos, ela temera que a atração pudesse se transformar em algo mais profundo. Acontecera — e tanto que ela, sempre tão sincera, mentira para poder passar mais tempo com ele.


Devia desperdiçar a mentira? Devia jogar fora o tempo que dispunha com ele se preocupando em voltar para a civilização? Ou deveria confiar inteiramente nele e acreditar em suas palavras, de que voltariam e poderiam se divertir naquele lugar?


Ela podia acabar amando-o ainda mais. Esse era o perigo que corria. Se acontecesse, o sofrimento seria ainda pior quando o tempo na ilha chegasse ao fim e cada um seguisse seu caminho. Mas se acontecesse, teria lembranças — lembranças que um dia passaria para o filho sobre a atmosfera na qual ele havia sido concebido.


 


Voltou a olhar para o mar. Harry estava nadando de peito, em linha paralela à beira da praia. Enquanto olhava, ele virou de costas. Um braço musculoso seguiu o outro num ritmo seguro. Ele estava obviamente relaxado e se divertindo. Ela também queria ficar relaxada. Queria se divertir. Se o máximo que poderia ter eram lembranças, droga, então era isso que queria.


Colocando-se de pé, começou a se despir. Colocou as roupas numa pilha arrumadinha, pensando nos hábitos difíceis de serem quebrados, como a organização e o pudor. Harry voltara a nadar crawl, então não podia vê-la. Ainda assim, o toque da brisa em sua pele desnuda a fez ter consciência de sua nudez, assim como o beijo do sol nas curvas virgens quando se dirigiu para o mar. Andou a passos mais rápidos do que os de Harry, procurando a proteção das ondas. A água estava quente como a de uma banheira. Mergulhou. Virou a cabeça para trás e o cabelo afastou-se da testa e desceu-lhe pelos ombros, perdendo os poucos grampos que ainda trazia. Foi andando até ver Harry. Ele nadava em sua direção, a cabeça acima da água, os braços mais embaixo. As ondas o ajudaram. Ele mantinha os olhos nela.


Ela continuou a caminhar na água. Quando ele estava à distância de um braço, colocou os pés no fundo e ficou de pé. Quando eles ficaram frente a frente, os olhos deles fizeram uma pergunta silenciosa, depois baixaram até a superfície da água procurando a resposta. Hermione só precisava olhar através das ondas para o pêlo visível no meio do peito para saber o que ele estava vendo.


Batendo as pernas, ele chegou mais perto e percorreu-lhe os braços até as costas e o bumbum. Ao perceber que ela não estava usando nem a parte de baixo do biquíni, os olhos verdes pareciam ter adquirido vida. Ela manteve-se ligada neles, tomando a coragem necessária.


— Segure-se em meus ombros — pediu. Ao mesmo tempo, puxou-lhe os quadris para a superfície. Quando ela estava encaixada nele, ele começou a nadar de peito vigorosamente, fazendo com que ela oscilasse para trás. Nem uma vez os olhos dele abandonaram os seus.


Soube no mesmo instante que ele podia ficarem pé. Elecolocou o pé na areia, voltou a bater os braços e pernas e nadou afastando-se um pouco mais da praia até que a água batesse no meio de seu peito. Quando as pernas dela começaram a afundar, ele a puxou contra si.


Ela colocou os braços em volta de seu pescoço e fechou os olhos. Era isso que queria — a proximidade, a sensação do corpo dele contra o seu, a força dos braços dele à sua volta. Sentiu-se segura e apreciada. Sentiu-se desejada pelo que era, totalmente sem adornos.


Ele continuou a caminhar até que a água batia-lhe na cintura. Tirou-lhe os braços do pescoço e a colocou de pé. O olhar recaiu-lhe sobre os seios, que flutuavam logo acima da linha da água. O rosto dele tornou-se inflamado de desejo.


Ele não disse uma única palavra. Não precisava. Os olhos a tocavam com uma reverência que lhe deu coragem para deixá-lo olhar à vontade e quando a coragem se foi, o prazer a substituiu. Isso a surpreendeu. Ela não esperava sentir tanto prazer diante do olhar dele. Não esperava sentir-se orgulhosa e excitada, mas era como se sentia.


Retirando as mãos da água, ele tocou-lhe os seios com as pontas dos dedos. Circundou-os, depois os segurou deixando os polegares livres. Eles beliscaram a pele molhada; primeiro nas laterais do seio, depois, progressivamente, chegando para o centro até que, quando Hermione estava prestes a enlouquecer de frustração, cobriram-lhe os mamilos.


Ela nem mesmo tentou conter o som de prazer emitido. Harry a olhava como se ela fosse uma mulher. A tocava como se ela fosse uma mulher. O fato de gemer era normal e aceitável, até mesmo desejável, se a expressão de satisfação no rosto dele significasse alguma coisa.


Segurando-a pelos quadris, ele a fez andar de costas em direção à beira do mar até que a água não mais lhe tocou primeiro as costelas, depois a cintura e depois o umbigo. Ele parou para olhar seu corpo fora d'água. Abriu os dedos, movendo as palmas das mãos. Continuou empurrando-a um pouco mais até que suas coxas emergiram, e ficou parado um tempo enorme com o olhar preso em seu corpo. Depois, num ritmo lento, acariciando-a com o olhar, sem parar, percorreu-lhe o corpo até os olhos unirem-se aos seus.


— Nunca mais se esconda de mim, Hermione. Você é bonita demais para fazer esse jogo.


Ela não podia falar, não podia tirar os olhos do rosto dele. O olhar era tudo com que sempre sonhara e embora não se iludisse acreditando que iria durar mais do que a permanência na ilha, ela se entregou ao prazer. Isso lhe deu confiança para ficar na ponta dos pés e dar-lhe um beijo demorado e intenso, daqueles que nunca gostara com os outros homens, e que nunca fora capaz de retribuir.


Ele a compensou mergulhando, ficando de joelhos e trazendo-a para o colo. Ela o sentiu crescer dentro dela para encher o vazio pulsante que a consumia e ali, com o oceano batendo de leve em suas pernas, ele a amou como ela nunca sonhara em ser amada. Ela o tocou e se ofereceu a seu toque. Ela abriu a boca para ele, abriu o corpo para ele. Entregou-se por inteiro e quando ambos atingiram o clímax, quando os gemidos fogosos tinham diminuído e se transformado em gemidos de satisfação, ela soube ter tomado a decisão acertada.


Pelo tempo que passassem na ilha, pertenceria a Harry. Ele era a fantasia que nunca ousara alimentar, e mesmo se, ao final, só restasse a dor, no momento se entregaria ao prazer. Devia isso a Harry como um agradecimento por ter lhe dado um filho. Ela devia isso à criança, como uma fonte de memória do pai, para aquecer as longas noites de inverno. Entretanto, mais do que tudo, devia isso a si própria. Era uma mulher. Dar à luz um filho seria uma fonte de realização. Estar com Harry era outra.
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SIM, ESTOU VIVA! Mas podem me matar, sumir com meu corpo, fazerem o que quiserem. Mil desculpas pela demora e o sumiço, alguns problemas geraram falta de tempo e preguiça... Mas eu não esqueci da fic e estamos na reta final. E desculpem qualquer erro. Beijo! 

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Comentários: 1

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Enviado por Laauras em 02/10/2013

Ainda bem que voltou, estava com saudades da história! Amei a att, sabia que esses dois iam tocar fogo na ilha! Eles se amam, só falta um empurrãozinho!
Bjão, esperando que a próxima att venha mais rápido que a velocidade da luz! 

Nota: 5

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