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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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27. Relationships


Fic: The darkness Within


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo Vinte e Sete: Relacionamentos

Após seu duelo com os Daywalker, Harry percebeu o quão popular ficou. O garoto tentou ficar afastado dos outros alunos, mas viu que isso era muito difícil. Ele estava constantemente sendo abordado por alunos que o elogiavam ou que o perturbavam com perguntas sobre como ele conseguira lutar com os vampiros. As garotas eram as piores. Elas lhe lançavam olhares amorosos e de admiração. Harry queria apenas que elas desaparecessem.

Damien estava amando a atenção que Harry estava obtendo e ficava constantemente ao lado do irmão. Os únicos alunos que não estavam felizes com essa atenção eram os Slytherins. Draco tinha que manter as aparências, se alguém percebesse que ele e Harry eram amigos, causaria uma enorme confusão. Gryffindors e Slytherins eram inimigos desde os primórdios, não seria nada bom se alguém descobrisse a verdade sobre Draco e Harry. Os únicos que sabiam sobre essa bizarra amizade eram Damien, Ron, Hermione e Ginny. Eles sabiam muito bem que não deveriam contar a ninguém, portanto o segredo estava a salvo.

Em uma noite, após o jantar, Harry estava indo para seu dormitório acompanhado por Damien, Ron, Hermion e Ginny. Ele estava tão ocupado falando com o irmão que não reparou no grupo de Slytherins que descia as escadas, assim que o garoto começou a subir, um dos integrantes da casa da serpente esbarrou nele de propósito. O ombro ossudo do Slytherin bateu bem no ombro machucado de Harry, ele grunhiu ao sentir a dor perpassá-lo. O moreno instantaneamente segurou seu ombro com uma das mãos enquanto a outra agarrou a garganta do menino Slytherin. Damien, Ron, Hermione e Ginny pegaram suas varinhas e apontaram para o grupo da outra casa, que fizeram o mesmo gesto.

Os olhos de Harry brilharam antes que ele reconhecesse o menino. Seu sobrenome era Nott. O moreno conhecia o pai dele, o homem participava do círculo interno de Voldemort. Essa informação não serviu para acalmá-lo, o Comensal com o qual ele tinha mais problemas era Nott. O menino Slytherin não teve tempo para pegar sua varinha e estava morrendo de medo por causa da situação. Harry lançou um olhar gélido para Nott antes de empurra-lo. Ele não ia arranjar confusão, não valia a pena.

Damien, entretanto, estava gritando com os Slytherins por causa do abuso.

“Seus malditos! Vocês não podem nem mesmo andar por aí sem causar problemas?”

“Desapareçam antes que eu retire pontos de vocês por perturbarem a paz!” Ron adicionou.

Os Slytherins estavam quase respondendo quando viram James se aproximando. Eles rapidamente começaram a ir embora, mas ainda assim, sussurrando impropérios e ameaças para os Gryffindors. Harry nem mesmo se importou com as ameaças, ele iria lidar com elas depois. O garoto tirou a mão de seu ombro e xingou ao ver o sangue escorrendo pelos seus dedos.

“Merda!” Ele murmurou ao perceber a mancha negra sujando suas vestes. Eles tentou afastar-se dos outros rapidamente, antes que os quatro percebessem. Ginny já havia visto o sangue e correu até ele.

“Merlin! Harry, você está bem?” Ela parecia estar sem palavras enquanto olhava o sangue escorrendo.

“Eu estou bem.” Harry respondeu e virou-se para ir em direção ao dormitório. Ele mesmo iria curar a ferida. De qualquer modo, Damien o segurou firme para ver o estrago que foi feito.

“Harry! Você precisa ver Madame Pomfrey. Venha!” Damien tentou puxar Harry na direção da enfermaria, mas o sextanista o parou.

“Eu estou bem! Damien, me deixe. Eu ficarei bem assim que conseguir ir para o meu quarto.” Harry desviou-se de Damien e gemeu de dor.

Bem nesse momento James chegou e ficou confuso ao ver a expressão preocupada de todos.

“Hey caras, qual é o problema?” Ele olhou Damien e logo depois seus olhos viajaram até Harry e suas vestes sujas de sangue.

“Harry! O que aconteceu?” James perguntou e instantaneamente encaminhou-se para o lado dele.

Harry balançou a cabeça e respondeu.

“Nada.”

“Isso não parece 'nada', venha comigo. Nós vamos até a enfermaria.”

James tentou pegar o braço de Harry e leva-lo até a enfermaria, mas o garoto desviou-se.

“Deixe-me em paz Potter, eu não preciso da sua ajuda!” Harry saiu andando antes que mais alguém o parasse.

James parou na escada, completamente perdido pensando no por quê do comportamento de Harry. 'Por que ele me odeia tanto, que nem consegue ao menos deixar que eu o toque?' O auror parecia triste ao olhar para os outro quatro adolescentes. Os garotos começaram a ir embora, assegurando de que iam fazer Harry ficar melhor.

Harry estava em seu dormitório, ele havia retirado suas vestes escolares e estava sentado em sua cama rodeado por suprimentos para limpar e fechar sua ferida. Ele havia sido mordido faziam apenas quatro dias e Harry amaldiçoava o Slytherin por tê-lo atacado. O moreno tinha apenas tirado suas vestes, quando a porta abriu e Ron, Damien, Ginny e Hermione entraram.

“Hey! Eu achei que tinha trancado a porta.” Harry disse imediatamente.

Harry viu Hermione e Ginny corarem quando perceberam que ele estava sem camisa. Ron e Damien também o olhavam, mas encaravam a ferida em seu ombro.

“Você trancou, mas foi com isso.” Damien respondeu e apontou para a varinha de Harry.

Harry desviou seu olhar de Damien e percebeu que as duas garotas ainda o observavam. O garoto sorriu de lado por causa dos olhares. Elas não conseguiam desviar o olhar do peitoral dele. Somente quando Ron percebeu e gentilmente levantou a sobrancelha para Hermione e lançou um olhar fraternal para Ginny, as meninas desviaram o olhar.

“O que vocês querem?” Harry perguntou e continuou limpando sua ferida.

“Ajudar.” Ron disse enquanto sentava-se em frente ao garoto. Harry lançou-lhe um olhar estranho sugerindo que tal idéia era rídicula.

“Eu não preciso de ajuda.” Harry disse retirando o pedaço de algodão que estava impedindo a ferida de sangrar. Não importava quantas vezes ele olhasse, seu machucado continuava sangrando. O garoto estava começando a ficar um pouco preocupado. O antídoto que Lily fez para o Haketen iria para o fluxo de sangue, mas por alguma razão a ferida sangrava como se ainda estivesse fresca.

Harry colocou outro algodão na ferida tentando parar o sangramento. Aquilo tinha que diminuir um pouco antes que ele se vestisse. O garoto nem mesmo percebeu os olhares de preocupação que recebia dos quatro adolescentes.

Harry retirou o algodão e o viu cheio de sangue. 'Isso não é bom.' Pensou consigo.

“Hum Harry, você não acha que deveria ir para a enfermaria? Isso realmente não deveria estar assim.” Ginny disse olhando os algodões cheio de sangue.

Harry a ignorou e colocou um terceiro algodão em seu ombro, gemendo ao colocar mais pressão no aperto para ajudar a estancar o sangue.

Hermione aproximou-se e tentou olhar a ferida de perto.

“Você já tentou 'Episkey' nisso aí?” Ela perguntou baixinho.

Harry abriu a boca para responder com uma coisa bem sarcástica, mas parou quando percebeu que nem havia pensado em usar um feitiço tão simples como esse. Ele não achava que iria funcionar de qualquer jeito. Isso era uma mordida de Daywalker, não iria curar com um feitiço tão simples.

“Não.” Harry respondeu retirando o terceiro algodão e examinando sua ferida.

Hermione respirou fundo e aproximou-se dele. Ela pegou sua varinha e apontou para a ferida, Harry ficou tenso.

“O que você está fazendo?” Ele perguntou a Hermione enquanto encarava sua varinha.

“Se você não tentou, como sabe que não vai dar certo?” Hermione perguntou apontando a varinha para a mordida.

“Harry, você nos ajudou, deixe-nos ajudá-lo também.” Ron disse enquanto Hermione continuava apontando sua varinha para o moreno.

“Eu não ajudei vocês! Eu nem mesmo me importaria se vocês fossem machucados pelos Daywalkers.” Harry queria dizer isso desde o ataque, mas nunca teve a chance.

Os quatro Gryffindors olharam-se, eles não sabiam como lidar com essa revelação. Hermione foi a primeira a falar.

“Querendo ou não, você nos salvou. Não interessa se foi direta ou indiretamente.” Hermione disse. Ela apontou novamente sua varinha e falou baixinho.

“Episkey”

A ferida parou de sangrar e uma sensação engraçada espalhou-se pelo ombro de Harry. O garoto olhou a mordida e viu que o sangue estava coagulando, logo depois olhou Hermione com uma expressão surpresa. Ele não achava que um feitiço simples pudesse lhe ajudar.

“Eu não sabia que isso poderia funcionar.” Ele disse baixinho.

“Às vezes são as coisas simples que podem ajudar. Você apenas tem que estar pronto para aceitá-las.” Hermione respondeu suavemente.

Harry desviou o olhar dela, ele queria ficar sozinho. Tudo era mais fácil quando não tinha ninguém sendo legal perto dele. Com toda a atenção que ele estava recebendo, ficava difícil manter uma distância deles. Damien era diferente, Harry constatou, já que o menino era o único que não o julgava. Damien era o único que não tentava mudá-lo e o aceitava como o Príncipe Negro e nunca pedia para que ele explicasse seus atos. Porém, Harry não entendia por que os outros, que sabiam sua verdadeira identidade, eram legais ao seu redor. O garoto não conseguia lidar com aquilo. Especialmente com Hermione, por quem logo no primeiro dia, ele estabeleceu um certo preconceito. O moreno sabia que a garota era inteligente, mas nunca admitiria isso em voz alta.

Harry nem mesmo foi contra os outros Gryffindors o ajudarem. Ron fechou a ferida, logo após Ginny ter limpado. Damien disse que Ron queria ser um medi-bruxo¹ e pelo que Harry pode ver, o ruivo seria bom na profissão. Depois que o moreno estava vestido com uma camisa, ele sentou e assistiu os outros conversarem sobre as coisas que estavam acontecendo em Hogwarts.

Harry nunca havia prestado atenção em Ron e Hermione, mas estando lá sentado os observando, fê-lo ver o quão próximos os dois eram.

Harry girou seu anel preto e prata sem nem mesmo perceber. Damien observou esse gesto inúmeras vezes. O menino mais novo achou o anel bem interessante, ele parecia... vivo.

“Anel legal, Harry.” Damien comentou.

Harry olhou para Damien surpreso e então olhou seu anel, um olhar bizarro de afeição apareceu em sua iris esmeralda.

“Yeah, ele é legal. Me mantém são às vezes.” Harry disse mais para si mesmo. O garoto olhou para Damien e lançou-lhe um sorriso triste. O terceiranista fez uma nota mental para perguntar a Harry sobre o anel.

“Hum Harry, eu queria ter te perguntado isso antes...” Damien olhou seus outros três amigos desconfortávelmnete, mas continuou falando. “...hum... a partir do momento em que você foi mordido... hum... isso significa que você... que você vai virar um deles?” Damien perguntou.

Harry apenas olhou por um segundo antes dele, Ron e Hermione caírem na gargalhada. Ginny e Damien olharam-se confusos. Por que eles estavam rindo tanto por causa dessa pergunta?

“Oh Damy! Eu não acredito que você estava pensando nisso.” Riu Hermione enquanto Ron tentava respirar. Harry conseguiu parar de rir e virou-se para os outros dois que haviam rido também.

“Não Damien, eu não vou virar um Daywalker, ou um vampiro.” Harry adicionou ao ver o menino mais novo abrir a boca para perguntar outra coisa.

Damien fechou sua boca novamente e não conseguiu segurar o sorriso aliviado. Harry percebeu e perguntou.

“Seu eu virasse, que diferença isso faria para você?” Harry apenas quis mostrar que ele não vive com o menino, portanto qual seria a diferença de ele virar um vampiro ou não. O sextanista não esperava receber uma resposta.

“Nenhuma diferença, você ainda seria o Harry.”

Harry não sabia como responder, portanto lançou ao irmão um olhar divertido. Ele sabia que Damien estava mentindo, como isso não iria afetar em nada? O pai de Harry sempre lhe disse que ser uma raça misturada era pior que ser um sangue-ruim. Aqueles de raça misturada era utilizados apenas na frente de uma batalha e depois eram descartados. O moreno mentalmente tremeu só de pensar que poderia ter virado isso.

Harry percebeu os olhares de Ginny várias vezes, mas tentou ignora-la o máximo possível. As duas garotas e Damien saíram de lá e foram para seus respectivos dormitórios, deixando Ron sozinho com Harry.

“Me fala se você precisar de ajuda para se trocar.” Ron disse e deitou em sua cama.

“OK.” Harry respondeu, sem saber o que mais dizer.

Assim que o sono chegou, o moreno pensou no que diabos havia se metido.

xxx

O Primeiro dia de Dezembro chegou e com ele a notícia sobre o Baile de Natal. Harry nem prestou atenção nisso. Ele esperava que os escudos enfraquecessem rápido e então voltaria para casa. O Baile seria dia 20 de dezembro, um dia antes que Hogwarts entrasse no feriado de Natal.

Harry estava tomando café em uma manhã, rodeado pelos Gryffindors usuais, Damien, Ron, Hermione, Ginny e para o seu desconforto Neville, quando o mar de corujas chegaram trazendo notícias para o Salão. O moreno nem mesmo se preocupou em olhar, quem iria escrever para ele? Portanto quando a coruja marrom parou a sua frente, o garoto achou que era um engano. Harry a ignorou achando que o bichinho acharia seu verdadeiro remetente. Outra coruja chegou e lançou-se contra seu copo de suco de abóbora. O moreno olhou para elas e logo depois à sua volta e viu uma coruja similar na frente de Damien. O terceiranista o olhava estranhamente, mas todo mundo estava muito ocupado com o seu correio para notar alguma coisa.

Harry pegou o pequeno pergaminho enrrolado na perna da coruja. O garoto viu seu nome escrito em uma caligrafia bem pequena e próximo a ele estava a insígnia de Hogwarts, ele ficou confuso, a carta parecia vir de Hogwarts para Hogwarts. O que era tudo isso? Antes que ele pudesse ter chance de abrir a outra carta, uma enxurrada de corujas pousaram a sua volta deixando-o mais confuso ainda. Damien olhou seu irmão e aquele monte de corujas, logo depois o resto dos Gryffindors notaram a situação e começaram a cochichar e rir. Pouco tempo depois outras seis corujas chegaram. O garoto de olhos esmeralda estava totalmente confuso. Todas as corujas eram marrons e pelo que ele pode notar a insígnia de Hogwarts estava ao lado de seu nome em todas as cartas. Harry olhou Damien e viu o menino com lágrimas nos olhos, causadas pelo riso. O terceiranista e Ron estvam rindo por causa da confusão de Harry.

“O que?” Harry gritou com Damien.

“Bem Harry, você é popular.” Damien disse antes que ele e Ron caíssem na risada novamente. Hermione e Ginny estavam lutando contra a risada também. Com tudo isso, todos os Gryffindors já estavam observando as corujas em volta de Harry.

“O que é isso?” Harry perguntou enquanto tirava os pergaminhos das corujas para que elas pudessem ir embora sem causar mais vergonha a ele.

“São convites!” Damien disse tentando controlar sua risada.

“Convites? Pra quê?” Harry perguntou.

“Para o Baile de Natal! O que mais seria? Olhe, é assim que as coisas são feitas em Hogwarts. Se você quer convidar alguém para o Baile de Natal, mas não quer perguntar pessoalmente, você manda um convite de Hogwarts. Por isso que tem a insígnia do colégio em cada uma delas. Viu?”

Damien apontou para vários outros alunos que estavam com corujas na frente. Harry olhou e percebeu que a maioria tinha uma ou duas, alguns tinham três, mas ele no mínimo tinha umas doze. O garoto olhou para a variedade de pergaminhos em cima da mesa e pegou um para abrir. Dentro dele havia um convite para o Baile de Natal mandado por alguém com o nome de Veronica Hann.

Harry viu os alunos o olhando. Alguns tinham bochechas vermelhas de vergonha, outros riam nervosamente. O moreno rapidamente tirou todos os pergaminhos das corujas e deixou-os em cima da mesa, ele não tinha a mínima intenção de abri-los, nem mesmo se importava se os convites ficariam no Salão Principal. Harry conseguia sentir-se corando e lançou um olhar gelado para Damien que fez o menino para de rir na hora. Assim que as doze corujas saíram, outras oito chegaram. Todas pararam na sua frente e começaram a brigar para ver quem entregaria primeiro.

“Maldição!!” Harry murmurou enquanto tentava sair de perto das corujas.

Damien e Ron começaram a tirar os pergaminhos das corujas, assim Harry poderia ser poupado. Nesse momento o Salão inteiro já olhava para o moreno. Alguns dos garotos o olhavam admirados, enquanto outros olhavam invejosos. Draco estava adorando a vergonha de Harry. Ele sabia que a maioria das garotas de Hogwarts gostavam de seu melhor amigo, mas por causa de sua frieza elas não conseguiam encara-lo. O loiro esperava que Harry recebesse algumas corujas, assim como ele, mas seu amigo possivelmente ultrapassou o record de convites.

Harry rapidamente levantou e saiu do Salão, ele viu muitas garotas com faces coradas lançando-lhe olhares envergonhados. O garoto sabia que elas eram possivelmente as culpadas pelos convites. Damien logo juntou-se ao irmão, ele havia pego todos os convites deixados no Salão e colocava-os em sua mochila.

“O que você está fazendo? Jogue-os fora!” Harry gritou com Damien.

Damien apenas riu e respondeu.

“De jeito nenhum! Isso vai ser divertido. Se você não quer saber quem são suas admiradoras, tudo bem, mas eu quero ver quem são as suícidas que estão te convidando para sair.”

Harry apenas olhou o irmão gelidamente, mas deixou-o colocar os convites dentro da mochila. O garoto sabia que era popular entre as meninas, mas nunca esperou algo como isso. Nada disso importava de qualquer jeito. Ele não ia para o Baile de Natal e esperava sair de Hogwarts dali a três semanas.

Como se os convites já não fossem vergonhosos o bastante, Harry começou a ser abordado por garotas pedindo para ir ao Baile com ele. Ele não foi nem um pouco cuidadoso para não ser rude e disse para que todas desaparecerem e para deixarem-no em paz, mas por alguma razão isso só fazia com que elas ficassem mais interessadas. Harry ouviu uma garota comentar que ele estava 'fazendo-se de difícil'. O garoto acabou fugindo de todas elas.

Foi bem na hora em que um monte de meninas estavam saindo do Salão Principal que Harry trombou em Neville. O Salvador do Mundo Mágico estava sentado no lago, aparentemente esperando por Seamus. Harry foi tão taxativo para fugir das meninas que nem mesmo o viu sentado lá.

Harry tropeçou nele e quase caiu em cima do garoto, mas conseguiu se segurar.

“Você está bem?” Neville perguntou a Harry quando este conseguiu se equilibrar.

“Yeah, desculpe, eu não te vi aí.” Harry falou antes de perceber com quem.

“Tudo bem.” Neville sorriu para a expressão desconcertante de Harry. O moreno de olhos verdes tentou não demonstrar seu desconforto, mas não conseguiu.

“Harry, você está bem? Você parece um pouco... preocupado.” Neville não percebeu que ele era a razão da 'estranheza' de Harry.

“É só que... Eu tive um longo dia.” Harry respondeu já se afastando.

Harry achou uma boa coisa ter conseguido se desviar do garoto salvador. Afinal, o garoto era a cópia de sua mãe. O mesmo rosto redondo e os mesmos olhos brilhnates. Ele queria desesperadamente ir embora e esquecer-se disso. De qualquer modo, Neville conseguiu encurralá-lo.

“Harry, posso ter uma palavrinha com você?”

Harry tremeu, o que será que Neville queria falar com ele?

“Hum, claro.” Harry relutantemente sentou ao lado do outro e mentalmente abraçou a si mesmo.

“Eu só queria saber se está tudo bem, sabe, entre nós.”

Harry olhou Neville surpreso.

“Por que você perguntou isso?” Harry replicou.

“Eu não sei, você parece ser meio frio comigo. Eu sei que você é reservado e tudo isso, mas eu não sei... Tenho um pressentimento de que você não se sente confortável comigo.”

'Merlin.' Pensou Harry. 'Será que ele realmente precisa de que todo mundo seja seu amigo?'

“Por que eu ficaria desconfotável perto de você? Eu nem mesmo te conheço. Eu não falo com você porque a gente não tem nada em comum.” Harry respondeu.

'Você e o resto da população de Hogwarts.' Harry adicionou para si mesmo.

“Eu acho que você e eu temos muito em comum.” Neville disse baixinho e Harry sentiu algo ao escutar a frieza na voz dele.

“O que?” Harry perguntou sem conseguir manter a curiosidade fora de sua voz.

“Meus pais, Harry” Neville disse simplesmente.

Harry sentiu como se seu corpo fosse congelado. Seu coração pulou loucamente dentro de seu peito. Então Neville descobriu! Bom, era apenas uma questão de tempo, mas ele realmente queria que o menino ainda não tivesse descoberto.

“O que você quer dizer?” Harry perguntou o mais baixo que pode.

“Nós dois perdemos nossos pais por causa de uma única pessoa. Digo, você não os perdeu na verdade, mas passou uma boa parte de sua vida longe deles.” Neville respondeu.

Harry soltou um suspiro de alívio. Neville estava se referindo sobre o desaparecimento dele. O menino e o resto de Hogwarts pensavam que o moreno de olhos verdes tinha sido mandado para longe, por causa das ameças de Voldemort.

“Oh, claro.” Harry respondeu em tom de lamento.

“Nossas vidas foram afetadas por Voldemort. Ele é o responsável por você ter ficado afastado de seus pais e de sua família e ele é o responsável por eu ter perdido meus pais.” Neville parou de falar por um momento, envergonhado de seus palavras.

Harry sentiu seu sangue ferver com essas palavras. O que Neville diria se ele contasse que Lorde Voldemort não foi o responsável pelas mortes dos seus pais? Que foi ele o culpado de tirá-lo do convivio dos pais e que o forçou a viver com sua avó?

Harry desviou o olhar do menino e tentou normalizar as batidas de seu coração.

“Desculpa, eu não quis dizer isso desse jeito.” Neville desculpou-se.

“Não, não se desculpe.” Harry queria dizer mais algumas coisa, mas ele não conseguiria comfotá-lo por sua perda. Especialmente porque o responsável era ele.

Harry viu Seamus aproximar-se e mentalmente agradeceu pela atenção de Neville ser guiada para outro lado. O garoto rapidamante saiu de lá, amaldiçoando Dumbledore por sua manipulação.

xxx

Angelina fez o time de Gryffindor treinar para o grande jogo contra Hufflepuff. Harry estava achando difícil se concentrar, já que ele não queria jogar. O garoto disse a Damien que sabotou o primeiro jogo para que ele o mandasse sair do time. De qualquer modo o terceiranista respondeu que já sabia que ele deixou Slytherin ganhar, já que Draco nunca pegaria o pomo jogando contra ele. Damien disse a Harry que todas as disputas entre Gryffindor e Slytherin eram esquecidas e que ele deveria se concentrar no jogo que estava por vir.

Harry decidiu que iria jogar de verdade dessa vez. Ele queria que Slytherin ganhasse a partida contra Gryffindor, mas agora que a partida era contra Hufflepuff, ele queria ganhar. Portanto Harry prestou atenção em Angelina, não que ele precisasse. Tudo o que ele tinha que fazer era eperar até que Gryffindor estivesse 7 gols na frente para capturar o pomo.

Chegou o dia da partida e mesmo o frio congelante de Dezembro não ajudou a diminuir a temperatura do time de Gryffindor. Todo mundo estava tão preocupado que ficavam gritando e discutindo uns com os outros. Os gêmeos Weasleys ficavam ameçando qualquer um que ousasse discutir com eles com seus bastões de batedores. No final das contas Harry teve que bater na cabeça deles para fazê-los calarem a boca. Mesmo os gêmeos eram espertos o suficiente para não ir contra Harry.

Depois que todo mundo havia se acalmado, Angelina, saiu com o time para o campo congelado de Quadribol. Harry tentou não prestar atenção na torcida que gritava seu nome, ao invés disso, focou-se nos times que se cumprimentavam. O apanhador de Hufflepuff era um sextanista chamado Paul Pedersen. Ele era um pouco maior e definitivamente mais musculoso. Normalmente apanhadores eram melhores se fossem menores e menos musculosos, já que essas características ajudavam na velocidade e na hora das curvas fechadas. De qualquer modo, com esse clima Paul tinha uma vantagem grande, ele seria dificilmente desviado pelo vento forte.

O apito foi soado e Harry saiu voando pelo céu. O jogo começou bem ruim para o lado dos Gryffindors. Hufflepuff havia feito dois gols na primeira meia hora, fazendo a pontuação de 20-0. Harry já tinha visto o pomo umas duas vezes, mas ele lembrou que Gryffindor precisava estar com sete gols na frente, para poder pegar a bolinha dourada. A pior parte era manter Paul longe do pomo. O moreno ficava voando pelo campo e de vez em quando disparava para o lado contrário da bolinha, fazendo o outro apanhador ficar distraído. Felizmente Gryffindor começou a jogar e em uma hora o placar já estava 50-20 a favor deles. Harry começou a prestar atenção no jogo, esperando os sete gols de vantagem, para que pudesse pegar o pomo. Seus olhos ficavam seguindo a bolinha dourada discretamente.

Finalmente o time de Gryffindor atingiu a pontuação que queria. Eles conseguiram fazer nove gols e Ron conseguiu com sucesso bloquear as tentativas de ataque do time de Hufflepuff, isso queria dizer que o placar estava 90-20. Era isso! Harry podia pegar o pomo, eles já estavam com sete pontos de vantagem.

Harry voou atrás do pomo. Eles já estavam jogando por aproximadamente duas horas naquele clima horroroso, o moreno queria que isso acabasse agora. Ele foi até a bolinha dourada, Paul o seguindo bem de perto. Harry não estava preocupado com o outro apanhador, não tinha chance de Paul competir com ele.

Harry estava quase pegando o pomo quando sua cicatriz começou a doer. Ele quase caiu da vassoura, mas conseguiu se equilibrar. Uma de suas mãos estava segurando a vassoura enquanto a outra apertava a sua testa.

'Agora não, por favor, agora não.' Harry implorou enquanto tentava mandar a dor embora.

O resto dos Gryffindors perceberam que Harry estava com problemas, mas apenas dois deles reconheceram o que era. Damien e Ron olharam-se em pânico. O que ia acontecer agora? Damien tentou chegar até Angelina para pedir um tempo, ele sabia que o irmão provavelmente iria cair da vassoura se não fosse ajudado logo. Porém Angelina tinha acabado de pegar a goles e estava indo fazer outro gol. Damien sabia que não deveria sair do campo no meio do jogo, mas ele não tinha escolha.

O terceiranista voou até a juíza, Madame Hooch, que estava no chão assisitindo o jogo. Damien voou rapidamente até ela.

“Sr. Potter! O que você acha...?” Madame Hooch começou, mas foi cortada.

“Madame Hooch! Madame Hooch, você... você tem que parar o jogo! Harry! Harry não pode jogar agora.” Damien sabia que não estava fazendo sentido, mas ele não tinha tempo para explicar o que havia de errado com o irmão, ele apenas queria que o jogo parasse. Madame Hooch olhou-o confusa e então observou Harry, o garoto estava obviamente com dor, já que apertava sua testa com uma mão e se equilibrava com a outra.

Antes que Madame Hooch conseguisse pedir tempo ela viu, inesperadamente, Harry voar rápido de novo, parecia que o garoto conseguira livrar-se do que quer que estivesse lhe impedindo de jogar. A juíza tinha o apito em uma mão e estava pronta para usá-lo, se o garoto tivesse qualquer tipo de desconforto.

Harry sentia como se sua cabeça fosse se dividir. A dor era tão intensa que seus olhos estavam quase se fechando como reflexo para que a dor fosse embora. Por um momento ele abriu bem os olhos e viu Paul voando atrás do pomo. Harry voou mais rápido, ele não iria perder, não agora quando já estava tão próximo de ganhar.

Dentro de alguns segundos Harry estava voando próximo a Paul. O apanhador de Hufflepuff o viu e começou a tentar aumentar a velocidade. O pomo de ouro estava bem em frente e voava muito rápido. Harry sentiu a dor latejar mais uma vez e apertou os lábios para não gritar. Ele observou com sua vista já embaçada o braço de Paul esticar-se para pegar o pomo. O moreno não tinha outra chance, ele não ia perder para o Hufflepuff. Com seus reflexos rápidos, Harry puxou o pomo dos dedos esticados do outro apanhador. Esse ato fez com que ele perdesse o equilíbrio e caísse de sua vassoura. Felizmente, o garoto estava voando bem próximo ao chão, portanto não iria cair com tanta força. Ele bateu no chão e gritou em agonia pela dor que sentiu em suas costas. Harry apertou sua cicatriz, dessa vez a dor era tanta que ele nem se lembrava de tê-la sentido antes, parecia que algo muito quente a pressionava.

Harry nem escutou direito a torcida dar vivas. Ele sentiu a bolinha em sua mão lutando para se soltar, antes de ser encoberto pela escuridão.

xxx

Harry abriu os olhos e viu o teto branco. Quantas vezes mais ele iria acordar na enfermaria? O garoto sentou-se na cama e percebeu que acordou sozinho, de novo. Não que isso o incomodasse, ele esteve sozinho durante quase toda sua vida. Harry suspirou e levantou-se, gemendo por causa de sua dor de cabeça. Ele odiava essas estúpidas dores de cabeça.

Assim que ele se levantou, a porta abriu e Damien entrou. O menino ainda estava com suas vestes de Quadribol e parecia extremamente pálido. Harry sorriu por causa da expressão de surpresa do terceiranista.

“Harry? O que você está fazendo? Você não deveria se levantar, você caiu de uma altura considerável. Volte para a cama antes que Madame Pomfrey te veja.”

Harry riu por causa da expressão de horror na face de Damien ao citar o nome de Poppy.

“O que aconteceu?” Harry perguntou sentando-se novamente na cama.

“Bem, você meio que desmaiou.” Damien disse olhando um pouco preocupado para Harry.

Harry rolou os olhos.

“Sério, eu meio que já sabia disso. Eu quis dizer o que aconteceu depois disso. Nós ganhamos a partida?” Harry perguntou, esperando não ter sofrido em vão.

“É nós ganhamos.” Damien disse e um sorriso insano apareceu em sua face.

“Todos de Gryffindor estão loucos de alegria! Gryffindor tem a chance de ganhar a copa agora, a pontuação final ficou em 250-20. Angie pontuou antes que você pegasse o pomo.

Harry sorriu por causa da afobação de Damien. Ele esperava sinceramente que seu irmão ganhasse a copa de Quadribol esse ano, mas ao mesmo tempo rezava para não estar mais em Hogwarts para ver a partida final.

Harry e Damien conversaram sobre o jogo até que Poppy entrasse. Depois de um check-up e por causa do pedido dos garotos, ela deixou Harry voltar para a torre de Gryffindor. Assim que o moreno de olhos verdes entrou no salão comunal, todo mundo deu vivas e muitos bateram em suas costas em sinal de 'muito bem'. O garoto olhou em volta e não soube como agir. Ele não gostava das pessoas o tocando e lutou contra todos para chegar até as escadas que iam ao seu dormitório, quando Ron pegou no seu ombro. Harry virou-se e o olhou.

“Você tem uma visita.” Ron sussurrou para Harry. O garoto franziu a testa e olhou em volta.

“Não aqui dentro, ele está lá fora esperando por você.” Ron disse e virou-se para ir embora.

Harry moveu-se entre a multidão em direção à saída. Viu Damien o olhando e fez um gesto mostrando que já voltava, ele não queria que o menino o seguisse. Assim que ele saiu, respirou aliviado. Aquele barulhão que as pessoas estavam fazendo fez com que sua dor de cabeça piorasse.

“Qual é o problema? Não está aproveitando a celebração?” Uma voz fria falou.

Harry olhou em volta e viu o Slytherin loiro parado no corredor. Ele rapidamente checou se havia alguém por lá e andou até Draco com uma careta na face.

“Eu pensei que tinha sido claro Malfoy, você não deveria vir até mim desse jeito!” Harry sibilou.

Draco apenas sorriu e voltou para as sombras. Harry aproximou-se, já que desse jeito se alguém aparecesse, somente veriam o moreno e mais ninguém.

“Você vai querer ouvir isso Harry, acredite em mim.” Draco disse baixinho, mas com uma voz bem afobada.

“O que é?” Harry disse. Ele não queria ser pego com Malfoy. Isso arruinaria tudo.

“Está feito, eles conseguiram. Agora é só uma questão de três, talvez quatro dias, para enfraquecer-los. Você estará de volta em uma semana.”

Harry parou. Os escudos! Eles finalmente conseguiram. Agora tudo o que Harry tinha que fazer era esperar que os escudos estivessem bem fracos para que os Comensais entrassem pelos portões de Hogwarts. Depois de tudo o que ele passou, finalmente poderia voltar para casa. Harry sentiu seu coração bater como um louco. Depois de quase quatro meses, ele iria ver seu pai novamente. O moreno aproximou-se da figura escondida.

“Você tem certeza disso?” Harry perguntou murmurando. Ele não podia cometer nenhum engano.

“Sim! Eu recebi essa mensagem do meu pai. Foi entregue direto no salão comunal. Ele irá dizer o dia e a hora exata para que você possa estar preparado.” Draco respondeu em um sussurro afobado.

Harry entendeu a dor em sua cicatriz. 'Deve ter sido quando meu pai descobriu sobre os escudos. Ele devia estar feliz quando eu comecei a sentir a dor e depois deve ter sido a raiva por ter que esperar alguns dias para o meu resgate.'

Harry olhou para as sombras que escondiam Draco.

“Obrigado.” Harry sussurrou.

Draco pareceu entrar em choque. Harry nunca havia lhe agradecido por algo.

“D-de nada.” Draco respondeu.

Harry virou-se para voltar ao salão. Três ou quatro dias! Isso era o restava para ele ir embora de Hogwarts. 'Esse também é o tempo que eu tenho para lidar com James Potter.' Pensou consigo. Bem no momento em que estava voltando para o salão, Harry ouviu o portal da Mulher Gorda abrindo e som de passos pesados. O garoto viu a pessoa que havia entrado em Hogwarts e sorriu.

“Perfeito.” Harry murmurou para si ao ver Sirius Black entrando no quarto dos Potters.

'Mato dois coelhos com uma cajadada só' Harry pensou já entrando no salão comunal.

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