O resto da festa foi uma competição. Só que não surtiu nenhum efeito; nem em mim nem em Potter. Tudo bem, não vou mentir. Senti algo que eu não deveria sentir ao ver Potter beijar aquela loura. Mas não mais nada. Eu já havia traído Severus por uma noite.
Antes da festa terminar, Florencio Valentin apareceu. Eu e James tivemos que fazer uma trégua para ver o que Alice faria. Eu conhecia Alice e sabia que esta não seria parcial.
E eu estava certa.
Mais uma vez, eu ganhei do Potter. E me sentia feliz por aquilo; mesmo que ele tenha dito que ninguém havia ganho a aposta, ainda. Que ainda estava tudo igual, embora Potter tenha ganho nos últimos minutos. Quando Potter me perguntou se eu havia desistido, eu apenas o ignorei.
O que era mais engraçado, é que as brigas só acontecem quando a festa já está no final. Depois de ver Florencio pratir de cara emburrada, deu tempo de presenciar mais uma briga. Parecia que Black queria levar Lene para a casa dele e que minha amiga deu-lhe um tapa naquele rosto bonito e arrogante. Eu ri com a cena.
Quando todas aquelas brigas cessaram, finalmente a festa acabou. E eu pude, finalmente, ir para minha casa.
– Ei, Lily – Alice me chamou e olhei para trás. – Fico feliz que tenha vindo. E desculpe as brigas e o meu irmão.
– Não precisa se desculpar, Alice – sorri. – Para falar a verdade, eu me diverti muito.
– É, eu vi – ela estreitou os olhos, mas sorriu. – Você e o James estavam disputando alguma coisa?
Dei de ombros, preferindo omitir a parte que eu assinei um contrato de uma aposta com o seu irmão. Isso não era mentir, certo? Quanto menos pessoas souberem dessa aposta ridícula, melhor.
Tudo pela pulseira. Tudo pela pulseira.
– Evans!
Fechei os olhos, fazendo uma careta. Ele estava vindo na nossa direção e eu tive de esperá-lo. Deus, no que eu fui me meter? Aquilo não ia acabar bem.
Alice olhou para mim e depois para o irmão, que já estava perto de nós duas, desconfiada. Ela se parecia tanto com o Potter!
– Na minha casa ou na sua? – perguntou ele ignorando a presença da irmã boquiaberta.
– O quê? – indaguei em resposta.
– Você sabe – ele fez uma expressão estranha. Contudo, eu consegui entender o que ele quis dizer. Então ele não havia contado para a irmã? Hum...
– Não sei, não. Pode me explicar melhor? – provoquei.
Potter estreitou os olhos até ficarem duas fendas, sabendo da minha provocação e da minha intenção. Para minha surpresa, ele sorriu maliciosamente.
– Nós sabemos isso amanhã, então – ele ainda sorria, me deixando com medo. – Agora vamos, Alice. Antes que alguém veja o quanto você está nua com isso que você chama de vestido.
Alice revirou os olhos e perguntou:
– O que vocês estão tramando?
Antes que eu pudesse abrir a boca para falar, Potter respondeu, cortando o assunto.
– Não é da sua conta, Alice. – Até amanhã, Evans.
– Amanhã é domingo – estranhei. Eu só o via na segunda.
– Até amanhã, Evans – repetiu Potter, arrastando Alice pelo braço para longe de mim, me diexando paralisada.
O que ele ia aprontar dessa vez? Aquilo não podia ser um bom sinal.
(…)
A campainha ticava sem parar, me fazendo acordar na mesma hora. Quem seria o infeliz que estava fazendo aquilo? Não era Marlene; ela sabia onde ficava a minha chave... Suspirei e me levantei lentamente enquanto a campainha ainda tocava.
Estranhei o fato de Lene não estava ali, já que tomávamos café da manhã sempre juntas. Esqueci aquilo por alguns momentos, pois o toque da minha campainha já estava me enlouquecendo. E depois, Lene devia ter os seus motivos para não dar as caras aqui hoje.
Abri a porta, esfregando os olhos.
E quase tive um ataque cardíaco.
James Potter estava parado ali, com as malas nas mãos, me olhando de cima a baixo. Eu estava tão irritada que nem havia mudado de roupa. Eu ainda usava minha camisola rosa, transparente. Cobri o o meu corpo com as mãos.
– O que você está fazendo aqui, seu maluco? – sibilei com raiva.
– Bom dia, ruiva – ele ignorou a minha pergunta e entrou na minha casa. – Eu não sabia que estava dormindo. Pensei que você sempre acordasse cedo.
Eu o segui até a sala, de braços cruzados. Ele já havia se instalado do meu sofá e colocado os pés em cima da minha mesinha de cetro.
Empurrei os pés dele para fora da mesinha e fiquei na sua frente, olhando em seus olhos.
– Hoje é domingo – falei ainda irritada. – O que você está fazendo aqui, Potter? É minha casa!
Ele revirou os olhos e me encarou.
– Faz parte do contrato, Evans. Lembra? Aquele pedaço de papel que você assinou ontem?
– É óbvio que eu me lembro. – Como eu poderia esquecer? – Mas quem disse que eu queria que fosse na minha casa?
Potter deu de ombros e levantou-se do meu sofá para ir até a minha cozinha e abrir os armários, a minha geladeira e o que mais tinha ali. Aquilo estava me irritando ainda mais; e me deixou com mais raiva quando ele ia abrir o armário onde eu guardava os meus... doces.
Fechei a porta antes que ele visse o que tinha ali dentro, segurando sua mão.
– Você é mesmo abusada ou finge ser um? – perguntei enquanto seus olhos me varriam. Larguei sua mão quente e macia e o arrastei novamente para a sala.
– É melhor você vestir uma roupa adequada, por mais que eu goste de você assim. Mas Sirius está vindo aí com o resto da bagagem e eu não quero que ele a veja desse jeito – avisou-me Potter ignorando, mais uma vez, a minha pergunta. Fiquei corada.
– Vai trazer a sua casa inteira? – desdenhei revirando os olhos.
– Se eu pudesse, sim – respondeu ele, sentando-se novamente em meu sofá.
Eu o olhei por mais algum tempo, ainda irritada. E eu poderia olhá-lo o dia inteiro (mesmo que isso fosse contra todas as regras), mas, se o Black estava mesmo vindo para cá, era melhor eu ir colocar uma roupa decente.
Bufei e cheguei mais perto dele. Este me olhou com as sobrancelhas erguidas.
– Eu vou me trocar e quando eu voltar, quero ver tudo em seu devido lugar. Entendeu, Potter? – Meus olhos estavam fixos nos dele para que ele soubesse que eu estava falando sério.
– Sim, a senhora é quem manda – e sorriu.
Revirei os olhos, balançando a cabeça e subi as escadas. Como eu iria vencer aquela bendita aposta, com ele em minha casa? Ele era totalmente o oposto de mim e, ainda assim, conseguia me desconcentrar com apenas um olhar malicioso, brincalhão e arrogante. Às vezes eu me perguntava como ele conseguia ser tão... versátil.
Abri o armário com força desnecessária e escolhi uma roupa de ficar em casa: uma bermuda jeans e uma blusa de manga comprida branca. Desci novamente e o ouvi falando com alguém... Ou com mais de uma pessoa. Me dirigi, então, para o hall da casa, encontrando Sirius Black e Remus Lupin parados ali.
Sirius, como sempre, estava com a mesma arrogância. Ao contrário de Remus, que tinha a expressão reprovadora. Quando me viu ali, abriu um sorriso sem graça, como se pedisse desculpas pelos amigos.
– Olá, Remus – cumprimentei sorrindo. Dos três amigos, Remus era o mais sensato, mas também que mais parecia cansado.
– Oi, Lily. Eu tentei impedi-los – disse ele.
– Sei que não foi sua culpa, Remus. O único culpado aqui é o Potter.
– Ei! – exclamou James indignado. Eu o ignorei.
– Lily está fazendo o café da manhã e não me convidou...? – Lene parou e nos olhou. Imediatamente, sua expressão se fechou. – Ah, são vocês.
– Bom dia, Lene – sorriu Black com todo o seu carisma.
– Para você é Mckinnon – retrucou minha amiga. – Deixa-me adivinhar, está semudando, Potter?
– Acertou na mosca – respondeu James com uma piscadela e sorrindo, fazendo Lene revirar os olhos.
– Amiga, posso falar com você um minutinho? – perguntou Marlene, sem olhar para mim. – A sós?
– Claro – respondi, olhando significativamente para Potter e Black.
– Me ajudem a colocar as malas lá dentro – pediu Potter para os amigos. Antes que eles desaparecessem, eu gritei:
– Nada de subir, Potter!
– Você é muito chata, Evans! – gritou ele em resposta, enquanto eu fechava a porta atrás de mim.
Eu olhei para a minha amiga, que já havia mudado sua expressão. Ela me olhava de um jeito estranho... uma mistura de diversão e irritação. Da mesma forma que ela, às vezes, eu não conseguia entendê-la.
Lene mudou o peso de uma perna para a outra e olhou para a porta fechada. Depois seu olhar voltou a se concentrar em mim, com um sorriso formando-se em seus lábios.
– Por mais que eu esteja... irritada com essa ideia de gerico de James, não posso fingir que ele é um pedaço de mal caminho, Lily – disse ela, surpreendendo-me. – Assim não vai ser fácil para você ganhar essa aposta... Ele na sua casa, sem camisa... – Ela não completou a frase, deixando que e mesma preenchesse as lacunas.
– Fica quieta, Mckinnon – a repreendi, tentando não sorrir e não imaginar. – E o Black?
Ela fez uma careta.
– Ele é um imbecil – respondeu Lene. – Pare de mudar de assunto, Lily. Acho que não vou tomar mais café da manhã com você.
– Por que não?
– Eu não quero... atrapalhá-los – ela piscou para mim. – Você sabe que eu não sou dessas.
– Pelo amor de Deus, Lene! Eu tenho namorado – sussurrei para que ninguém nos ouvisse.
Lene chegou mais perto de mim.
– Parece que isso não está contando mais, querida amiga – sussurrou Lene. – Ele já está aqui e não tem como voltar atrás. A única coisa que você pode fazer, é rezar para aquele esquisito não voltar antes de você ganhar essa aposta.
– E se eu perder? – confessei, com medo.
– Bem, aí muda tudo, não?
Nessa hora, escutamos uma barulho de vidro se quebrando, vindo de dentro da minha casa. Fechei os olhos, tentando me acalmar.
É... essa mudança não ia dar certo, afinal.
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Lana Sodré: A Lily não é duro na queda! Ela mostrou para o Potter que, com ela, não se brinca UAHSUIASHIHSAIHAS. Será que a Lene vai fazer isso mesmo? Hum... acho que a resposta está nesse capítulo! Bem, o que ele vai ganhar? Isso é segredo hahaha que não será revelado até o fim da fanfic kkkkk. O capítulo já diz tudo aonde vai ser a infernização IUHAISHASIHAS. Que bom que você está gostando *------------* me faz muuito feliz! E obrigada por estar sempre comentando, hermosa!