Capitulo 23
O tempo é o relógio da vida.
Os dias estavam nublados e passavam cada vez mais devagar. Harry olhou pela janela o jardim molhado do orvalho da manha e sentiu vontade de sair e andar descalço pela grama. Coisa boba, mas sentia vontade.
-Harry? O que foi?
Gina abraçou-o pela cintura e descansou o rosto nas suas costas.
-Você está triste?
-Não...eu só queria sair um pouco...acho que é isso.
-Não é verdade, Harry. Você está assim desde que ouviu aquela conversa entre Lucios Malfoy e Prof.Minerva. – disse Rony que lia sentado no sofá perto do fogo.
-Eu já disse que não penso mais nisso.
Haviam desistido desse assunto desde que não conseguiram nada. Hermione continuava sem sentir nada e parecia pouco disposta a pesquisar qualquer coisa, quanto mais perder seu tempo ouvindo os dois. Nesse momento, como nos demais ao longa daquela semana, estava sentada no chão, pertinho da lareira, olhando o fogo, e escrevendo algo em uma caderno. Possivelmente seu diário. Prof.Minerva garantira quem no máximo em um semana ela estaria curada.
-Você não pode se culpar por algo que não aconteceu e nem sabe se vai acontecer, Harry! Se pessoas morrem numa guerra contra Voldemort, não será sua responsabilidade. Assim como não foi no passado. O único culpado é ele que escolheu o lado das trevas!
-Eu não quero falar sobre isso, Gina! – afastou-se dela e sentou ao lado de Rony.
-E Sirius? Já respondeu a sua carta?
-Ainda não...ele me disse antes de partir que isso poderia acontecer caso ele não estivesse seguro totalmente.
-Então não tem porque se preocupar ainda. – Gina sentou-se no braço do sofá, bem pertinho de Harry.
Ela sentia que ele a estava afastando desde que ouvira aquela história sobre mortes. Mas não o deixaria fazer isso.
Ficaram em silêncio. Gina manteve as mãos no braço dele tentando um carinho que ele fingia não se importar. Rony rolou os olhos para cima, incapaz de ver a irmã namorando sem se irritar um pouco.
Perto das chamas, Hermione parou de escrever.
Encostou a cabeça contra as almofadas que apoiara contra a poltrona, para não ficar com as costas duras e fechou os olhos. Quando os abriu, havia um sorriso em sua face.
Rony foi o primeiro a notar.
-Mione você está sorrindo?
-Não está vendo, Rony? – fingiu estar chateada.
-Eu não acredito! Você voltou! – disse animado, levantando, assim como Gina e Harry também levantaram eufóricos.
Rony a puxou pela mão, para que ficasse de pé e gina perguntou:
-Está sentindo de novo? Tudo?
-tudinho! Dor nas costas de ficar sentada tanto tempo, raiva de Ter ajudado o Malfoy, alegria de ver você e Harry e ....- virou-se para rony engolindo as palavras que diria. Ele ainda segurava sua mão. Oh, pensou!
Mas ele não soltou, apesar dela corar e ele mesmo avermelhar até o dedinho do pé. Ele não soltou. - ...indignação por terem me deixado de lado esses dias todos!
-Ah, qual é, Mione? Você não queria falar com ninguém!
Hermione não estava chateada e eles sabiam.
-Nossa eu devo Ter perdido muita coisa boa! – disse de repente. – Sabe o que lembrei?
-O que?
-Malfoy não me agradeceu pelo que fiz a ele! – sorriu.
Rony largou sua mão e disse mal humorado.
-É melhor não passar perto dele, ele anda mais nojento que nunca. Vai destratar você de novo!
-E daí? Dessa vez ele sabe que eu o salvei. Ele pode dizer o que quiser pra me ofender! – continuava sorrindo.
-Hermione. – Harry disse de repente - Você ouviu alguma coisa sobre Voldemort enquanto esteve com prof.Minerva...algo sobre mortes?
-Vocês estavam ouvindo escondido não é? – suspirou e sentou no sofá. – Sente-se aqui, Harry.
Ele sentou-se a seu lado. Gina sentou na outra poltrona e Rony ficou de pé.
-Heldor me explicou muitas coisas, Harry, que prof.Minerva se negou a me contar. Ele disse que não poderia me deixar no escuro, sendo que isso poderia me prejudicar ainda mais. Heldor é um telepata com muita força e segundo ele o respeito pela vida humana é o segredo de toda sua força. Para ele qualquer ser é digno de confiança e a ignorância pode trazer mais destruição do que uma informação mal usada. – parou para respirar – Vou dizer exatamente o que ele me contou. Eu sou animago. Há vários tipos de animagos. Alguns são como Prof.Minerva, que escolhe seu animal mestre. Outros possuem o Dom de transformar-se em qualquer animal ou objeto, e outros como eu tem uma animal mestre que manifesta-se em algum momento da vida. O que me diferencia de outros como eu, é que tenho um poder diferente, certos tipos de feitiços, ou telesinese, não podem me afetar. É como se eu canalizasse o feitiço pra mim, e ele se destruísse assim. É estranho. Até Heldor aparecer, achávamos que o fato de Monstros de Tor terem medo de animagos com gato mestre era o bastante para afugentar o ser que anda espreitando a escola. Mas não. Heldor tentou entrar na minha mente e descobriu que eu tinha uma barreira. Essa é a barreira que seres do mal também encontrariam. Mas como dei permissão, minha alma permitiu que ele entrasse no meu subconsciente. Provavelmente incombencia não terá muito efeito sobre mim... Bem, isso é o que faço.
-Uau. – disse rony, num misto de surpresa e admiração.
Hermione baixou a cabeça.
-Tem uma coisa ruim sobre isso. Quando Voldemort abriu mão de ser mortal ele roubou para si uma cálice que continha o elixir da vida eterna. Porém antes que ele bebesse, esse cálice foi roubado e repartido em quatro partes: O Não; O Sim; O querer; e o Poder. Para possuir a eternidade ele teria de encontrar esses quatro elementos. o que seria impossível para qualquer ser, mesmo bruxo, pois esse elixir foi espalhado por uma ave de fênix. Mais precisamente, a ave que o prof.Dumbledore possui. Ele espalhou em lugares diferentes e como é uma ave, não teria a consciência de saber exatamente onde cada uma foi parar. Prof.Minerva acha que parte desse elixir foi derramado sobre a casa dos meus pais, mesmo que sendo trouxas. Segundo Heldor, sou O Querer. Mas ainda há três partes não reveladas. Talvez nunca saibamos onde. Agora que Lucius Malfoy sabe, apesar do feitiço do esquecimento, é só questão de tempo pra Voldemort saber que esse poder pode estar ao alcance dele.
-Mas e o quinto erro de Voldemort? O que seria?
-Não sei. A única coisa que me disse é que você é o quinto erro dele. Mas não me pergunte porque. – disse triste.
-Será que os demais poderes estão aqui na escola?
-Pode ser. O elixir foi espalhado sobre almas jovens, então é possível que tenha outros aqui sim, gina.
-Mas o que cada um faria? – Rony perguntou.
-Eu não sei. Acho que nem prof.Minerva sabe. Talvez nem Heldor.
-Mas temos que descobrir se quisermos vence-lo! – Harry disse inconformado.
-Nós vamos descobrir, Harry. – disse Gina. Sua voz confiante surpreendendo a todos – Talvez não hoje, mas vamos descobrir e destruir Voldemort!
-Vamos sim! Gina tem razão, Harry! – Hermione segurou sua mão mais forte e então soltou, lançando um sorriso para Gina.
-E se não pudermos... – Rony começou – Vamos até o fim tentando!
-É isso aí, rony! – gina ergueu-se. – Voldemort não pode nada contra a força do bem!
Harry sorriu, mais confiante.
-Seus pais deram a vida para acabar com voldemort, e se for preciso cada um de nós fará o mesmo! – disse Hermione – E aqueles que sobreviverem irão sentir orgulho e não tristeza!
-Pois todos nós devemos defender nosso mundo mágico, Harry, e defender o mundo trouxa que sequer sabe do perigo que os ronda. Precisamos encontrar as três partes que faltam e estudar todos os feitiços que pudermos, principalmente defesa contra a arte das trevas. E então, quando ele vier, estaremos prontos para ajudar Dumbledore a manda-lo pro inferno!
-Sim, nós faremos isso. – disse Harry, abrindo um amplo sorriso – Todos aqueles que acreditam no bem farão isso!
-Não precisamos Ter medo, Harry. Temos algo que Voldemort não possui nessa luta. –Gina pegou sua mão e a de rony. Ele pegou a de Hermione, e ela segurou a outra mão de Harry. – Temos o poder da verdadeira amizade. E esse amor é maior que as forças do mal; e sempre será.
Harry tinha um bolo na garganta e não pode dizer nada. Emotiva, Gina jogou-se em seus braços. Lagrimas ameaçando correrem em seu rosto. Hermione fez o mesmo, abraçando os dois ao mesmo tempo e então Rony. Os quatro caíram contra o sofá entre riso, lágrimas e gritinhos de “Aí, você esmagou meu pé”.
Nem perceberam que a sala comunal havia enchido de alunos, vindos de fora que pouco a pouco pararam para vê-los e agora sorriam e assoviavam, concordando com cada promessa de amizade ouvida ali.
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