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12. Epílogo


Fic: Just a Memory


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Epílogo

“And you’re still here, in my head, And you’re still here, you never leave my heart.” (Rufio – Just a Memory)


--- Vamos, você sabe fazer bem melhor que isso! --- berrou ele, sua voz ecoando pela sala cavernosa.


O segundo jato de luz o atingiu bem no peito.


Sua expressão de surpresa ainda não desaparecera de seu rosto, mas seus olhos se arregalaram de choque.


Harry soltou Neville, embora nem tivesse consciência do que fazia. Estava novamente descendo os degraus aos saltos, ao mesmo tempo em que Dumbledore também se voltava para o estrado.


Sirius pareceu levar uma eternidade para cair: seu corpo descreveu um arco gracioso e ele mergulhou de costas no véu esfarrapado que pendia do arco.


Harry viu a expressão de medo e surpresa no rosto devastado e outrora bonito do seu padrinho quando ele atravessou o arco e desapareceu além do véu, que esvoaçou por um momento como se soprado por um vento forte, depois retomou a posição inicial...




--- Por hora, você está a salvo. --- disse Voldemort, logo depois de aparatar do Departamento de Mistérios, segurando a mulher.


--- Milorde... Eu...


--- Cuidarei de você mais tarde, Bellatriz. --- vociferou ele, saindo do quarto em que os dois se encontravam.


Bella deixou-se cair na cama.


Não queria nem pensar no futuro que a aguardava. Podia ser o braço direito do Lord, mas sabia que ele não perdoava falhas. E ela falhara.


Tanto ela, quanto os outros Comensais que estavam no Ministério. Mas, pelo que pode constatar, foi a única a que foi salva. Já era um começo.


Exausta, adormeceu...


[...]


--- O que você fez com a sua vida, Bellatriz?


As palavras de Sirius em seu sonho fizeram com que ela acordasse, assustada, sentando na cama bruscamente.


Elas a acordaram. As mesmas palavras que ela conseguia ouvir no fundinho de sua cabeça cada vez que torturava alguém, cada vez que tirava a vida de um inocente.


Não podia dizer que elas ainda causavam o mesmo efeito que na época que foram ditas, mas sem dúvida a incomodavam. Ela se tornara uma mulher fria, sem sentimentos. Abrira mão deles no mesmo momento em que se separou de Sirius. Mas isso não impedia que as palavras do primo a condenassem, sempre.


Fora obrigada a aceitar seu destino.


“Se você não pode contra eles, junte-se a eles”, não é o que dizem? Foi o que ela fez.


--- Não, chega! Você não vai mais me atormentar Sirius, você não podemais me atormentar! --- falou, levando as mãos à cabeça e a sacudindo, como que para afugentar tais pensamentos.


“Errado, priminha.”


As palavras ecoaram em sua mente, com a voz de Sirius.


--- Me deixe em paz... Você... Você morreu!


“Verdade, e foi você que me matou!”


Só podia estar enlouquecendo.


--- Pare! Eu estou livre, finalmente!


“Errado de novo, Bellinha. Eu sempre estarei com você.”


Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto, e, por um mísero momento, sentiu-se como a antiga Bellatriz. A garota praticamente inocente, que amava Sirius, a Bella que ainda era viva.


Sirius se fora, e se fora sem saber a verdade...


Largo Grimmauld - Férias, 1976.


Bella entrou na Mansão Black, largou sua mala no chão, escorada em uma poltrona para que os elfos levassem-na para cima depois, e seguiu direto para o quarto do primo.


--- Sirius? --- murmurou ela, ao entrar, sorridente.


Estava esperando por esse momento há tanto tempo, finalmente poderia revê-lo!


--- Eu teria mais cuidado se fosse você, Bella. --- Ela virou-se e encarou a irmã mais velha, sentada em uma poltrona --- Ele ainda não chegou.


As duas ouviram a porta abrir, virando-se em seguida. Bella já possuía novamente um enorme sorriso no rosto, agora sim reveria aquele que tanto amava.


--- Ah, aí está você Bellinha! --- A felicidade dela se dissipou no mesmo momento que percebeu que não era Sirius, e sim Rodolfo.


Justo quem ela não queria encontrar, droga.


--- O que você está fazendo... Aqui? --- ele perguntou, correndo os olhos pelo quarto com uma cara nada amigável.


--- Nada! --- ela apressou-se em dizer. --- Apenas conversando com Andy.


--- Hm, certo. Vamos logo, sua família e eu temos uma surpresa para você! --- disse ele, puxando-a pelo braço.


Deixou-se levar, sem entender, e viu que a irmã caminhava junto dos dois.


Desceram pelas escadas da Mansão, chegando à sala de estar, onde se encontravam sua tia Hildegar, os Malfoy e seu filho, Lúcio, e os pais de Rodolfo.


--- Bem, acho que já estão todos aqui. --- falou um homem que ela não conhecia. --- Vamos!


--- Mas... Para onde nós estamos indo? --- disse Bella, enquanto Rodolfo praticamente a arrastava. --- Para onde vocês estão me levando?


Como podiam simplesmente arrastá-la para longe da mansão no dia em que ela mais queria estar lá?


Ninguém respondeu, pareciam nem escutar a caçula dos Black.


--- NÃO! Andy, não deixe que eles me levem, por favor... --- murmurou, com lágrimas já escorrendo por seu rosto, ao passar pela irmã.


De novo, ninguém lhe deu atenção.


--- Desculpe... --- a outra murmurou, tristemente.


--- Certo, no três. --- disse o mesmo homem de antes, enquanto todos se reuniam em torno de uma chaleira antiga.


A garota olhava para tudo, incrédula, pensando num jeito de escapar o mais rápido possível.


--- Encoste, Bella! --- disse Rodolfo, colocando a mão dela sobre a chave de portal.


--- 1... 2... 3!


Em poucos segundos, já estavam de volta ao chão. Bella se recompôs, olhando em volta. Não conhecia aquele lugar. Era... Sombrio demais. Até as árvores pareciam tristes, sem vida.


“Merlin, alguém me ajude”, suplicou, por pensamento.“Sirius... Onde você está?”


Pode observar uma grande casa, de aparência abandonada, um pouco à frente. Sem dúvida era para lá que eles iriam. Rodolfo ainda a conduzia, praticamente arrastando-a.


Então entraram.


“Aparentemente vazia”, pensou ela, mesmo sabendo que logo encontrariam... Alguém.


Conhecia muito bem a reputação dos Black e das outras duas famílias. Para estarem ali, naquela casa praticamente mal-assombrado, algum pretexto tinham que ter.


E um pretexto muito ruim, ela tinha certeza.


--- A partir daqui, irão sozinhos. --- falou o homem.


Então Lúcio, Rodolfo, e Bella, a última sendo arrastada, entraram, deixando para trás a Sra. Black, os Malfoy e os Lestrange.


Atravessaram uma pesada porta de pedra, entrando em um cômodo circular. Nele se encontravam vários homens encapuzados, olhando para os jovens que acabaram de entrar.


“Comensais da Morte”,ela identificou.


Não havia ninguém, naqueles tempos, que nunca tivesse pelo menos ouvido falar neles.


“Socorro”


Ouviam-se vários murmúrios vindos dos comensais, mas Bella não conseguia distinguir o que eles falavam. Porém, todos cessaram quase que instantaneamente quando uma outra porta se abriu.


E lá estava ele.


Voldemort.


Bellatriz estremeceu ao vê-lo.


--- Certo. São só eles? --- perguntou Voldemort, dirigindo-se ao comensal mais próximo, no que este confirmou com a cabeça. --- Pois bem, jovens, prestes a se tornarem meus seguidores...


“Nunca!”, pensou Bella.


--- Ah, vocês vão sim. --- falou ele, seu olhar demorando-se um pouco mais na garota do que nos outros. --- Agora, Nott?


--- Sim, Milorde?


--- Conduza-os, um por um, para... A sala.


O comensal então puxou Lúcio pelo braço. Este sorria de orelha a orelha.


Bella olhava para tudo, desesperada. Não podia ser verdade, ela não queria se tornar uma Comensal da Morte. Não mais.


Mas quem ali poderia ajudá-la?


Ninguém.


O único que se preocupara alguma vez em ajudá-la, fora Sirius. E ele não estava ali para ela agora. Seu desespero crescia cada vez mais: estava perdida.


Minutos depois, Lúcio estava de volta, mais feliz impossível. E depois dele, Rodolfo fez o mesmo.


--- Agora me traga a garota --- escutou Voldemort murmurar ao comensal.


“Não, por favor... Não!”


Sentiu o homem tocar-lhe o braço, e conduzi-la para a sala onde se encontrava seu futuro mestre. Não tentou nem resistir, seria totalmente inútil.


As portas se fecharam atrás dela. Olhou em volta, a sala era tão sombria quanto o resto da casa. E o pior, estava sozinha.


Sozinha, a não ser por Voldemort.


--- Pois então, Bellinha... Pronta para se tornar minha seguidora?


Bellinha? Desde quando ele tinha intimidade para chamá-la assim?


--- NUNCA! --- gritou.


Não ia deixar que a escravizassem. Ela não queria mais essa vida, não precisava mais disso.


Ela tinha Sirius.


--- Será mesmo? --- ele falou, irônico.


A garota não conseguiu distinguir se a pergunta se referia a ela se tornar comensal, ou se era sobre Sirius. Mas como ele podia saber do primo?


--- Suas maldições não funcionarão comigo. Eu resisto a Imperius melhor do que ninguém, pode acreditar. --- falou ela, segura de si.


--- Ah não, eu nem cogitei fazer isso. Há outros meios melhores de conseguir o que se quer... Persuasão, por exemplo.


--- Nada que você possa me oferecer me interessa!


Ela não ia se entregar, pelo menos não tão fácil.


--- Ora, Bella, não dificulte as coisas. Eu olho em sua mente, e tudo que vejo é o rosto de seu primo.


Ela paralisou. Então ele realmente sabia.


--- Sirius, não é? Sim, ele daria um ótimo comensal. Pena.


--- Conte para eles, pode contar para todos. Eu não me importo! --- disse, rindo.


Já não tinha mais nada a perder.


--- E o que eu ganharia contando? Nada. Você ainda tem muito o que aprender, Bellinha.


De repente, passou a ouvir a voz de Voldemort dentro de sua mente.


”Onde está seu tão amado primo agora que você precisa tanto dele? Você realmente acha que ele se preocupa com você?”


--- PARE! Pare com isso agora!


Ele não ia envenená-la com aquelas palavras, não ia mesmo. Ela confiava em Sirius, mais do que em qualquer outra pessoa no mundo. Mais do que até nela mesmo.


“Você não tem escolha. Ele não virá salvá-la.”


Bella ajoelhou-se no chão. Sem forças.


Não queria acreditar, mas Voldemort tinha razão.


Sirius não fazia a mínima idéia de onde ela estava, provavelmente diriam a ele que ela ainda não havia chegado, e ele ficaria esperando-a na Mansão.


Estava realmente perdida.


--- Eu... Não vou... Servir... A você! --- disse ela, levantando-se.


--- Veremos. --- ele riu. Um riso desumano. --- Cruccio!


Ela sentiu como se cada minúscula partícula de seu corpo se contorcesse de dor. Gritou.


Até que ele baixou a varinha, cessando a maldição.


--- Dói, não é? --- perguntou, com um sorriso malicioso.


--- Não seja cínico, você sabe que sim.


Sabia que era loucura afrontá-lo dessa maneira, mas não se importava com o que pudesse acontecer a si.


--- E o que você acha de fazermos isso com seu priminho?


Pronto, ele havia descoberto seu ponto fraco. Não se importava com nada que fizessem com ela, mas não deixaria que encostassem um dedo em Sirius.


--- NÃO! Deixe-o em paz! --- exclamou, desesperada.


Ele a olhou, rindo.


--- Você já tem a mim. --- disse, com os olhos marejando.


--- Então Bella, você jura lealdade eterna ao Lorde das Trevas?


Agora as lágrimas já corriam soltas por seu rosto, quando ela murmurou um fraco


“sim.”


Ele a puxou, e de repente ela sentiu um calor intenso no braço. Estava de olhos fechados, não tinha coragem de olhar.


Mas quando abriu, lá estava ela.


A Marca Negra.


Agora já não tinha mais volta, não havia mais nada a ser feito.


--- Assim está muito melhor, Bellinha. --- disse, fazendo sinais de aprovação com a cabeça.


Sentiu o homem percorrer seus ombros com as mãos, baixando as alças de sua blusa.


--- NÃO SE ATREVA A TOCAR EM MIM! --- gritou, desvencilhando-se dos braços dele.


--- Certo, resolvemos isso depois. --- ele possuía novamente um sorriso desumano. --- Pode ficar aí, se quiser.


E então ele saiu da sala, fechando as portas.


Bella deixou-se cair no chão, derrotada.


“Sirius...”


Levantou-se, indo sentar na poltrona em frente ao espelho. Mas o que ela viu, não foi a Bella jovem de outrora, a mesma da lembrança, e sim uma mulher completamente diferente. Completamente... Vazia. Sua beleza se esvaíra com o passar dos anos, até o brilho de seus olhos havia se apagado, e ela tornara-se simplesmente, fria.


Embora jamais houvesse admitido para ninguém, nem mesmo para si mesma, o que sempre lhe deu forças para viver fora aquela memória. Apenas uma memória, mas a memória dele.


Porém, agora estava tudo acabado.


Sirius morrera, e ela também...

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