Capitulo 21
Não me peça ajuda
A noite calma instiga os melhores acontecimentos. Sinto tanto estar preso dentro desse ser libidinoso que quase me perco na ânsia de encontrar outro hospedeiro.
Estive tão próximo a despertar minha alma e retornar como ser completo. Mas algo me impediu. Uma algo que agora, sobre meus novos olhos acinzentados, possuía nome, cor e forma. Uma sombra em meu caminhos.
Atravesso a sala comunal da casa, ao qual um dia habitei, Sonserina e adentro os dormitórios masculinos. Nesse momento dentro desse corpo, sinto-me aprisionado. Há, poucos sonhos destinados a dominação. Inquieto ser que se debate em sua cama, não sabes como me atrai sua pele pálida e seus cabelos claros. Não sabe como seu sangue nobre agita meu ser e cresce minha necessidade. Que sonhos te perturbam? Que agonia te persegue a ponto de deixar sua alma frágil à meu domínio?
Mas não te aflija, terás a paz que deseja. Os sonhos eternos aos quais tua essência jamais há de livrar-se.
O inimigo da luz, jamais deixará as trevas. Com esse pensamento, mergulho de uma alma a outra conduzido pelas chamas do medo e da dor.
É agora meu novo lar. Minha nova chance de retornar mais forte que nunca. De servir aquele que deseja ser meu mestre, mas que jamais dominará meu ser e me fará seu escravo. Irei dominar esse corpo, essa alma e depois, nenhum outro ser poderá impedir-me de crescer e dominar até mesmo meu criador....
Era tarde da noite quando Gina e Mione voltaram da enfermaria. Havia marcas marrons em todo o rosto, braços e pescoço. Ela sentou ao lado de Harry quieta.
-Vai ficar as marcas?
-Por uns dias. O problema é que essa coisa que caiu em mim eram espinhos de uma árvore chamada “Amamau”.
-Nunca ouvi falar. O que é isso?
-É uma árvore que solta pequenos espinhos encantados. Eles não apenas perfuram a pele mas também canalizam todas as emoções de uma pessoa. Seu efeito pode durar semanas. E nesse período a pessoa não sente emoção alguma. Nem alegria, nem raiva, nem dor, ou medo, ou amor. Simplesmente fica insensível a tudo e a todos. – informou Gina.
-Quer dizer então que eu posso dizer o que eu quiser sem irritar a Mione? – brincou Rony.
Ela o olhou e suspirou.
-Pode tentar, Rony. Mas não esqueça que logo o efeito passa.
-E como vamos saber que passou? – Harry perguntou e riu da resposta do amigo:
-Assim que ela começar a gritar comigo de novo...
todos riram, menos Mione que disse:
-Foi engraçado, mas infelizmente.. – deu de ombros.
-Deve ser estranho não sentir nada...nenhuma emoção...
-Ao menos agora eu sei como é ser o Malfoy, Gina.
-Por falar nele, o que vamos fazer? Ele precisa ser punido por isso! – disse Rony.
-E vai; Falamos com o prof.Heldor sobre isso e ele prometeu chamá-lo para uma repreensão amanhã pela manhã. Duas semanas limpando o chão e as escadarias deve deixa-lo mais humilde. – disse Gina.
Harry duvidava que algo deixasse Malfoy mais humano, mas não disse nada. Olhou para Mione que parecia bem apática. Rony olhou para ela também notando o mesmo.
-Você não quer dormir um pouco, Mione? Deve estar cansada.
-Estou mesmo. Mas não quero ficar sozinha no dormitório. – revelou. Ela sentia-se estranha com a ausência de sentimentos. Era algo que não dava para expressar em palavras.
-Eu subiria com você, Hermione, mas prometi a professora Amires ajuda-la com um material para a aula e já estou atrasada! – Gina estava triste.
-Tudo bem...
-Eu posso ir com você se quiser...- Harry sugeriu, recebendo uma almofadada de Gina que o olhou enraivecida.
-Aproxime-se do dormitório feminino, Harry Potter e pode esquecer que tem namorada!
Dizendo isso saiu da sala comunal. Ele encolheu os ombros, orgulhoso de ter despertado ciúmes nela.
-De qualquer forma tenho que falar com prof.Minerva. tenho uma pergunta que está me incomodando!
-Então aproveite que ela está na sala do prof.Heldor agora. Eu e Gina acabamos de vê-la entrar lá.
-Vai ficar bem?
-Vou sim. Eu acho.
-Deita aqui no sofá, Mione. Eu tenho que ler algumas coisas e posso fazer companhia... – as palavras de Rony eram quase um sussurro.
Ela apenas deitou contra as almofadas que ele afofou. Harry se afastou e ante que saísse da sala ela já adormecera e Rony parou de ler deixando o livro esquecido em suas mãos, observando seu sono em silencio.
Harry soube que algo estava errado assim que viu a expressão transtornada de madame Polfrey. Nunca antes a vira fora da enfermaria.
Ela andava rapidamente pelo corredor, obviamente vinda da sala da Prof.Minerva.
Teve uma espécie de susto e veio quase correndo em sua direção.
-Sr.Potter! volte já a sua casa!
-Porque? Eu preciso falar com a prof....
-Você não ouviu, sr.Potter? – uma voz rachada veio do corredor, logo atrás da enfermeira. Era prof.Anelette. – Irei escolta-lo até sua casa. – disse friamente.
-Não é preciso, professora. Eu posso voltar sozinho.
-Faço questão, sr.Potter.
sem argumentos, ele apenas se deixou conduzir, ficando previamente um passo atrás da fria professora de poções. Em pensar que comemorara o fato do Prof.Snape Ter sido substituído, pensou com escárnio. Doce ironia.
Andaram silenciosamente, até chegar em frente ao quadro da mulher gorda que torceu vividamente o nariz ao ver prof.Anelette.
-Oh...Você aqui de novo... – ironizou.
-Orelha torta... – disse a senha daquele ano – Você não ouviu?
Seu olhar penetrante desencorajou a pobre imagem de retrucar. Entraram a Harry quase sorriu. Rony ainda lia seu livro, mas em silencio, observando o sono de Mione que parecia bem descansada.
-Ora...dormindo outra vez, srta.Granger?!
a voz alta a acordou com um sobressalto. Rony levantou-se rápido com uma expressão de quem iria brigar por causa disso, mas se calou acovardado pela expressão dela.
-Professora Anelette... – sussurrou Mione, sentando-se e arrumando os cabelos com as mãos, o melhor possível.
-Vamos, precisa me acompanhar a enfermaria.
-Desculpe, mas acabei de vir de lá...
-Ora, cale-se, srta.Granger. não precisa que lhe diga o porque deve ir a enfermaria!
Irritadíssima, deu-lhe as costas. Seu vestido absurdamente roxo deixou um rastro de perfume forte no ar. Hermione levantou-se neutra. Olhou-os e saiu sem dizer nada.
Antes de chegar a porta de saída, cambaleou e teria caído se Harry não a segurasse pelo braço. Prof. Anelette parou e pela aspereza de sua expressão era claro que esperava uma explicação:
-Fui atacada por espinhos de Amamau. – Mione disse ainda sem expressão.
Torcendo o nariz a professora fez um gesto com a mão, indicando que Harry viesse com eles.
Sempre segurando o braço da amiga foram para a enfermaria. Na sala comunal, Rony sentou-se no sofá chateado por ser excluído novamente.
-Hermione, Hermione! Venha rápido aqui. – prof.Minerva estava mais tensa que nunca. – Você precisa transfigurar-se, querida e rápido!
-Outro ataque? – Harry aproximou-se junto com ela.
-Sim...infelizmente sim... – apontou para a cama, onde apenas pés eram visíveis, pois a cortina estava bloqueando a lado que quem entrasse na enfermaria.
Deram a volta e Harry parou chocado.
-Draco Malfoy? – a voz de Hermione vou o eco de seus pensamentos – O que houve com ele?
-Seus colegas de quarto perceberam que algo estava errado pois ele não acordava essa manha. Então me chamaram. – respondeu madame Polfrey lamuriosa – Foi o mesmo que aconteceu com o outro menino. Sejamos rápidas e ele logo estará melhor. – tentou sorrir.
Prof.Minerva percebeu algo errado em Hermione quando viu que ela nada respondeu.
-O que ouve?
-Eu não posso fazer nada por ele.
-Querida, - segurou sua mão delicadamente – Você está superando o que aconteceu e com a ajuda de Heldor pode transformar-se sem demoras...
-Desculpe, a senhora não me entendeu – soltou a mão de entre as dela. – Eu não posso, simplesmente, porque não quero fazer isso. – deu um passo para longe deles, voltando a olhar a pálida expressão de Malfoy naquela cama.
Até mesmo Harry ficou chocado.
-Como assim? – prof.Anelette trincou o ouvido de todos.
-Eu não me importo que ele passe o resto da vida assim...Para ser sincera, não me importo se ele está vivo ou morto. Eu apenas...não me importo. – disse baixinho, a expressão neutra.
-Oh! Lembrei-me! – ganiu madame Polfrey – é apenas o efeito dos espinhos que lhe tiraram as emoções. Em poucos dias voltara ao normal. – sorriu.
-Foi o próprio Malfoy quem fez o feitiço sobre os espinhos. – disse Harry.
Todos ficaram em silêncio. Por causa de sua própria crueldade Malfoy estava naquela encruzilhada.
-O melhor é que fique essa noite aqui na enfermaria. – decidiu a enfermeira, quebrando o longo silêncio entre eles – Irei tentar algumas poções para tentar trazer-lhe os sentimentos de volta. – afastou-se apressada.
Prof.Minerva parecia extremamente preocupada. Afastou-se também e Harry a seguiu.
-Professora?
-Sim, sr.Potter? – perguntou fingindo segurança.
-O que está errado desta vez? Quero dizer, logo Mione vai poder ajudar ele e...
-Sr.Potter. quanto tempo poderemos esconder de Lucios Malfoy o que se passa com seu filho? – perguntou amarga – Ele denunciara Dumbledore e a srta.Granger por burlar as leis do ministério. Sem falar que estamos falhando em tentar capturar... – calou-se como se fosse dizer além do pretendido.
Deu-lhe as costas e partiu da enfermaria. Ao menos agora Harry tinha uma pista concreta. Estavam tentando capturar aquele ser que estava atacando sonserinos. Então ele poderia ser capturado. Mas porque apenas sonserinos? E porque todos os Grifinolianos eram resguardados, quando na verdade as vitimas eram de outra escola?
Alguma coisa estava muito errada nisso tudo! E iria descobrir o que era!
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