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2. Meu primeiro dia


Fic: The Bet


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Duas semanas se passaram desde meu encontro no corredor com o idiota do James Potter, e a imagem dele andando até mim em seus passos arrogantes ainda estavam fixos em minha memória. Como um adulto que nem ele podia ter uma mente de uma criança de cinco anos? Não devia estar pensando nisso, não devia estar pensando nele, de novo! Os dias passaram voando e o final do verão chegou rápido de mais, era meu primeiro dia como professora de História na escola secundária Frank Longbottom.


 


Então, como queria que tudo ocorresse perfeitamente arrumei o horário do despertador para tocar uma hora antes do que estava acostumada, fui tomar banho ainda com sono, o que não me impedia de ficar nervosa. Será que meus alunos gostariam de mim? Seriam comportados? Ri da minha própria pergunta, crianças naquela idade eram hiperativas... Se desse algo açucarado a elas aí sim, ficariam elétricas e enérgicas fora do comum.


 


Na noite anterior havia separado a roupa que usaria para meu primeiro dia, vesti então uma blusa social branca que combinava com uma saia de cintura alta preta, um sapato preto de salto. Deixei meus cabelos vermelhos soltos, estavam um tanto curtos desde a última vez que os cortara, um pouco abaixo dos ombros. Desci para a cozinha com tempo de sobra, não me surpreendi ao ouvir o barulho da geladeira sendo fechada.


 


 Eu mudei as chaves de lugar... – Falei quando vi minha amiga se sentar à mesa. Lene me olhou fingindo mágoa.





 Você está querendo se livrar de mim! – Disse colocando a mão no coração, fechou os olhos fingindo choro, mas não conseguiu segurar a risada. – Não importa aonde a esconda, Lílian, eu sempre vou achar.


 

 E eu sempre vou estar esperando por você assaltando minha geladeira. – Disse indo ao armário. Marlene e eu éramos amigas desde nossos quatro anos de idade, nunca nos separamos desde então.




 Não precisa se incomodar em cozinhar, Lily, fiz o suficiente para nós duas. – Lene falou orgulhosa de sua habilidade culinária. – Viu como sou a melhor amiga que você pode ter!?




 Obrigada. – Sentei-me ao seu lado para tomar o café da manhã. Só então percebi que estava muito arrumada, porém não falei nada, sabia que ela preferiria me contar com a empolgação que somente Marlene tinha. Passei manteiga nas torradas enquanto ela nos servia de suco de laranja.




 Sinceramente, Lene, não sei porque você vem pra cá... – Comentei mastigando minha torrada. – Sua casa é do lado da minha!




 Minha casa é muito chata. – Lene respondeu. – Preparada para aturar os pestinhas?



 Marlene! – A repreendi. – Isso é sério.


 O quê? – Falou encolhendo os ombros. – É por essa e outras que sou advogada, quando seus aluninhos crescerem e infligirem a lei, poderei dar um castigo de verdade neles... Falando nisso, consegui um emprego!


 


 Sério? – Perguntei a abraçando. – Ah, amiga, isso é ótimo! – Falei realmente feliz por ela.


 


 É, eu consegui. – Ela ergueu a mão direita e eu bati com a minha, em um toque um tanto corriqueiro, aproveitei a deixa para me levantar.


 


 Tenho que ir. – Falei indo até o banheiro ao lado da cozinha para escovar os dentes. – Quero fazer umas coisas na sala, antes das crianças chegarem.


 


 Boa sorte com isso! – Marlene gritou da cozinha.


 


Ri mordendo a escova de dentes, enxaguei a boca. Aproveitei para checar o visual uma última vez no espelho, e nossa... Estava pálida de mais, passei um pouco de maquiagem embora não gostasse muito de usá-la, um blush e um batom rosa claro teriam que ser suficientes. Guardei a necessaire de baixo da pia do banheiro e segui para a sala para pegar uma grande sacola amarela.



 Estou indo, Lene! – Avisei enquanto abria a porta da frente. – Deixe a chave onde encontrou quando sair! – Gritei por cima do ombro.


 


 Tchau, Lily! – Marlene berrou em resposta de algum cômodo da casa. – Se algo acontecer lá é só me ligar...


 


 Não será necessário!


 


– Nunca se sabe... – Podia imaginá-la dando de ombros. – Aproveite para descobrir quem é esse James Potter, e pergunte se ele tem algum amigo! – Revirei os olhos antes de fechar a porta atrás de mim.




Assim que avistei um taxi fiz um sinal para que parasse, dei o endereço da escola para o motorista e esperei que este me levasse até meu destino. Abri a sacola conferindo se estava tudo alí, satisfeita com minhas compras, torci para que as crianças gostassem. A viagem durou breves quinze minutos, paguei a viagem ao taxista e saí do carro. Ainda era cedo, portanto o colégio estava vazio, havia sobrado tempo para fazer o que pretendia. Alguns carros estavam parados nas vagas de professores, com inveja fiz uma anotação mental para comprar um carro assim que tivesse dinheiro suficiente.




Andei pelos corredores desertos, e dei graças por não ver nenhum sinal de James Potter. Como Alice já me enformara onde seria minha sala, não precisei ir ao seu escritório incomodá-la. Frank Longbottom era uma escola particular de ginásio – da quinta à oitava série – havia muitos professores que trabalhavam lá. Era um colégio renomado e respeitados por todos, talvez por ser o melhor da região, não conhecia uma única pessoa que não gostaria de ver seus filhos estudando lá um dia.




Quando finalmente encontrei minha sala, comecei a decorá-la com as coisas que comprara na papelaria, queria tudo adorável para meus alunos. Sorridente ao imaginar como a sala ficaria, subi em uma cadeira para pendurar uma placa acima do quadro negro, não havia calculado muito bem, era alto de mais, estiquei meu corpo ao máximo, sobre os saltos que arranhavam a cadeira, tentei ficar nas pontas dos pés.




Como qualquer um podia imaginar, a não ser eu, perdi o equilíbrio, caindo de costas para o chão, como um reflexo, fechei os olhos aguardando o impacto que não veio. Ao invés disso, senti mãos macias e quentes envolvendo meu corpo. Meu coração bateu forte contra minhas costelas, mas pelo motivo errado...




Os braços fortes me colocaram de volta ao chão, ajeitei-me e olhei envergonhada para trás, encarei a pessoa que menos queria ver: James Potter, o arrogante. Com um placa em uma mão e a outra no bolso da calça de moletom. Engoli em seco, tirando uma mecha que insistia incansavelmente de cair sobre meus olhos.




 Sabe... – Ele falou. – Você não me disse seu nome naquele dia, senhorita Evans, fui obrigado a olhar no registro. – Cruzei os braços indignada quando ele foi a minha mesa. – Deixe que eu coloco. – Ele falou segurando minha placa.




 Não precisa! – Falei tentando pegá-la de volta.




 Mas eu sou mais alto que você, Evans. – Disse enquanto erguia a placa para que eu não a alcançasse, cruzei os braços mais uma vez, irritada.




 Não devia ter mexido em minhas coisas, Potter. – Por que raios estávamos nos chamando pelo sobrenome, eu não sabia, contudo, era inevitável e parecia muito mais natural.




James Potter subiu na cadeira assassina. Emburrada, não quis nem olhar... Quando me virei para dizer poucas e boas para ele, a placa estava no lugar que eu queria, nenhum milímetro mais alto ou mais baixo do que havia imaginado antes.




 Claro que posso, senhorita Evans. – Respondeu com um sorriso maroto. – Sou um professor também.




 Não sei como contrataram você, irritante e abusado como é! – Acusei ainda irritada, porque ele me causava tanta irritação? Ele fingiu estar magoado.




 Irritante e abusado? Eu? – Colocou as mãos no peitoral forte, desceu da cadeira e passou por mim roçando de leve seu braço no meu. Mesmo que meu braço estivesse coberto com a camisa social, pareceu que todos os meus pelos se arrepiaram. – A sala ficou muito bonita. – Não respondi, ele parou já à porta para me olhar. – A propósito, boa sorte com essa turma...




Não sei ao certo se me virei para encará-lo ou então, por que o sinal acabara de tocar, ele me olhava debochado, saiu da sala piscando. O que aquele idiota queria dizer? Imediatamente comecei a suar frio, estava ficando ansiosa. Fiz uma prece rápida quando ouvi as crianças correndo e gritando nos corredores, sentei-me à mesa e aguardei.




Como uma avalanche, três dezenas de pré-adolescentes adentraram a sala, largaram seus materiais em suas carteiras e não se sentaram! Elas não se sentaram! Percebi que não seria fácil lidar com elas, e para piorar, ainda estava nervosa. Tentei me apresentar, tentava a todo custo me sobrepor ao barulho que faziam, contudo, não conseguia nem ao menos me fazer ouvir.




Era como se sentisse meu coração na mão, inocência a minha pensar que meu primeiro dia como professora seria fácil ou até mesmo perfeito. Saí da sala fechando a porta atrás de mim, me apoiando nela, fechei os olhos e respirei fundo, ainda podia escutá-los gritando, o som era ainda pior ouvindo do lado de fora.




Embora soubesse o quão errado aquilo era, me afastei de minha sala para observar a que estava ao lado. Espiei pela janela de vidro e pude ver a turma em silêncio, prestando atenção ao homem alto de cabelos castanhos brilhosos e sedosos que iam até os ombros, ele passava confiança, tinha um ar elegante e ao mesmo tempo arrogante. Vez ou outra, seus alunos riam de alguma coisa engraçada que ele dizia e eu não podia escutar. Fiquei com inveja ao olhar pela janela da minha sala, meus alunos ainda riam, gritavam e corriam, faziam uma festa particular lá dentro.




 Dia difícil? – Indagou uma voz feminina às minhas costas. Surpresa, virei-me para encarar a moça, como me movimentei rápido, dei com as minhas costas na maçanete da porta. Fiz uma careta involuntária por causa da dor que sentira, afinal doeu, e muito.




 Como sabe? – Perguntei suspirando.




Ela se aproximou e deu uma olhadela na sala. Era uma moça bonita, os cabelos castanhos iam até abaixo dos ombros, um tanto ondulados, sua feição era calma e bondosa. Se virou para me encarar, já não havia visto aqueles olhos em algum lugar? Franzi a testa diante da minha falta de memória, contudo, ela não pareceu notar isso.




 Conheço essa turma, esse é o motivo... – Respondeu sorrindo. Me lembrava alguém que eu conhecia, mas não me lembrava quem. – Você é a nova professora de História, não é?




 Sim, sou eu. – Respondi ainda tentando saber quem ela me lembrava.




 Bom, não se preocupe... Tudo bem, sei que estou ficando maluca, já que a outra professora de História se demitiu por causa dessa mesma turma... – Ela comentou pensativa. – Mas essa turma só precisa de um pulso firme. Olhá, vem cá... – Me chamou para mais perto da janela, eu a acompanhei. – Está vendo aquele lá? – Apontou para o único garoto sentando, estava de cabeça baixa e não pude deixar de sentir pena dele, parecia tão triste.




– Quem é ele? – Perguntei demonstrando minha preocupação. – O que aconteceu?




 Aquele lá é Matt Valentin. – Ela disse com tristeza. – Perdeu a mãe há quase um ano e ainda não se recuperou... É triste, sabe!




 Porque está me contando isso? – Perguntei agora mais penalizada do que antes.




 Desculpe, só gostaria que soubesse que eles são bons alunos. Matt sempre foi quieto e estudioso, ele só precisa se lembrar como é isso... Você consegue ensiná-los, é uma boa professora. – Ela sorriu simpaticamente para mim.




 Como sabe tudo isso? – Perguntei olhando novamente para Matt. Ela pareceu surpresa.




 Ah, me esqueci. Desculpe! É que eu sou secretária da diretora. – Ela falou abanando a cabeça. – Prazer, meu nome é Alice Potter. – Estendeu a mão para me cumprimentar.




Tudo estava explicado, era por isso que eu achava que a conhecia de algum lugar! Ela era irmã de Potter, os mesmos olhos castanhos esverdeados, o mesmo sorriso. Como duas pessoas podiam ser tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes? Percebendo que a mão de Alice ainda estava estendida, eu a apertei ainda espantada com a revelação.




 Você é... Você é parente de James Potter? – Não consegui refrear minha língua, Alice riu.




 Vejo que conheceu meu irmão mais velho... – Reparou Alice. – Sou apenas um ano mais nova do que ele.




 Tem o mesmo nome da diretora também. – Constatei rindo.




 Ah é, coincidência, não? Tenho que ir, senhorita Evans. – Alice falou rindo.




 Lily. – Corrigi.




 Boa sorte professora Lily. – Alice saiu de perto e entrou em outra sala no final do corredor. Respirei fundo e abri a porta de minha sala, todos ainda falavam alto, corriam de um lado para o outro. Ao ver aquela cena, me irritei de tal forma, que me ouvi gritando.




 BASTA! – Todos me olharam assustados, mas fiquei satisfeita ao ver que eles pararam. – Sentem-se em seus lugares. – Ordenei a turma que obedeceu, sentando-se em suas respectivas carteiras em silêncio. – Evitei soltar uma suspiro de alívio e encarei a todos eles, impassível. Eles me encaravam, percebi que esperavam. – Meu nome – continuei dizendo. – é Lílian Evans, mas vocês podem me chamar de senhorita Evans ou professora Lily. – Eles ainda me olhavam em silêncio, andei de um lado para o outro observando-os. – Nunca fiquei tão decepcionada em toda a minha vida como estou hoje... Achei que não fossem mais crianças. – Quando terminei de falar, uma garota de cabelos loiros ergueu o braço no ar. Acenei para ela, dando permissão para que falasse.




 Professora Lily, a senhorita disse que não somos mais crianças, mas enfeitou a sala como se achasse isso...




– Se não percebeu, senhorita? – Perguntei pelo seu nome.




 Diana Dans.




 Diana, se olhar atentamente para as placas vai perceber que tudo o que está lá são coisas sobre a História. – Apontei para os balões com alguns feitos na História. – Foi apenas um meio que encontrei para que a aula não ficasse entendiante.




A turma pareceu ter entendido, soltou um sonoro “Ah!” e eu finalmente pude começar a minha aula, fiz com que todos prestassem atenção em mim, sem exceções. Só depois de um tempo percebi que na janela da sala havia mais alguém me observando a ensinar.








 



 


 

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Comentários: 1

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Enviado por Lana Silva em 25/01/2013

Opa, quem tava vendo a Lily dar aula ? Seria o gastoso James Potter ? Ou o mais gastoso ainda Sirius Black só da Lana aqui ? Ahhh poderia ser algum outro professor ou a Alice - não a Potter -. Gostei do capitulo Lai \o/ ficou demais kkkkkkkkkkkkkkkk James sempre segurando a Lily, tá me lembrando Encantada. Toda hora  Gisele caia e o Robert pegava ela ... Bem quero mais urgentemente \o/

bjoos! 

Nota: 5

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