No dia 24 de dezembro, o Shopping Towne Square de Boise estava repleto de pessoas que deixaram suas compras para a última hora. A música natalina ambiental seguia o ritmo das campainhas dos caixas-registradores. Grupos de adolescentes pairavam sobre os corrimãos do segundo andar, chamando os amigos embaixo, enquanto as mães conduziam carrinhos de bebê em meio à confusão.
Na entrada da livraria Walden's Books, Gina estava sentada e rodeada por uma pilha de livros de sua obra mais recente, Vencida pelo Amor, e se achava parcialmente escondida por um pôster enorme, em um cavalete, de uma heroína de seios grandes com seu herói sem camisa. Para os autógrafos, Gina vestira seu tailleur preto de botões e uma blusa de seda esmeralda. Trajava meias pretas e sapatos de saltos de dez centímetros. O cabelo estava cacheado até os ombros. Parecia bem-sucedida e sofisticada. Em uma das mãos, segurava sua caneta de ouro. Dez minutos apenas de sua sessão de autógrafos de duas horas, e ela vendera quinze livros. Nada mau para dezembro. Era hora de relaxar e sossegar. Um leve sorriso erguia-lhe os lábios vermelhos, assim que bateu os olhos no livro aberto, escondido em seu colo: Redneck Haiku, Edição Dupla.
- E aí, Cinderela?
Gina tirou os olhos de cima de um haikai sobre o casamento de Bubba e vislumbrou uma braguilha desbotada com botões em um par de jeans surrados. Reconheceu aqueles jeans e aquela voz, e sabia de onde ambos vinham antes de passar os olhos pela jaqueta de poliéster aberta, pela camisa azul e por aquele sorriso familiar de olhos verde-escuros.
- O que você está fazendo aqui? - soubera que Harry tinha voltado à cidade para o Natal. Estava sendo aguardado, com James, na casa de sua mãe, para o jantar do dia seguinte à noite, mas era um choque vê-lo em pé do outro lado de sua mesinha. A resposta dele foi um choque ainda maior:
- Vim comprar seu livro para dar ao meu pai de Natal.
Ao vê-lo, uma sensaçãozinha conhecida mexeu-lhe com o estômago. Embora não amasse Harry, gostava dele. Como não gostar de um homem que enfrentou as compras de Natal para adquirir um livro de romances para o pai?
- Você poderia ter telefonado e eu levaria um para você.
Dentro do poliéster escuro, ele encolheu os ombros:
- Vir até aqui não tem nada de mais.
O que era uma mentira da grossa. Nenhuma pessoa em sã consciência estava no shopping, a menos que por uma necessidade real.
- Apanhei a litogravura de James esta manhã – gostava dele tanto quanto se sentia fisicamente atraída. A mesma atração que sentia por trufas Godiva. Não lhe faziam bem e eram viciantes. Se pegasse uma, teria de comer a caixa inteira. Mais tarde iria se arrepender, mas não havia como negar quanto ela queria mergulhar ali e se empanturrar.
O sorriso dele marcou-lhe os cantos dos seus olhos:
- Você viajou no lance do embrulho?
Gina riu e relaxou:
- Não desta vez - e não havia como negar a si mesma o quanto queria romper os limites com Harry. - Ainda não embrulhei - talvez começar no alto de sua cabeça escura e ir descendo até o abdome rijo que, sabia, escondiam-se abaixo daquela camisa de flanela.
- Então?
- Então o quê?
- Você vai me convidar para ir à sua casa ver esse embrulho? Ou vou ter de me convidar de novo?
Ela fechou o livro sobre as coxas e olhou no relógio. Quase seis.
- Vai fazer alguma coisa à véspera de Natal?
-Não.
Apanhou um exemplar de Vencida pelo amor e abriu-o na página inicial:
- Já acabei aqui. Por que você não aparece e o vê antes de eu embrulhar? - escreveu uma linda mensagem de Feliz Natal a James e assinou. - Ou você pode embrulhar. Entregou o livro, e as pontas de seus dedos tocaram as dele sobre a heroína de seios fartos na capa.
- Xi, eu para embrulhar sou um lixo. Você pode ir em frente e lidar com isso.
Gina colocou o livro de haikais sobre a mesa e ergueu-se:
- Sabia que você ia dizer isso.
Harry deu uma risadinha, apontou o livro de capa amarela e vermelha e ergueu uma sobrancelha em dúvida:
- Poesia japonesa?
- Bom, poesia japonesa provinciana, de qualquer modo - enfiou a caneta em sua bolsinha preta de mão. – Cultura nunca é demais para uma garota - afirmou.
- Ah - pegou o livro e folheou-o. - Ouvi em algum lugar que a busca por esforços intelectuais e artísticos é necessária para uma mente saudável.
- E sinal de uma sociedade iluminada. Mesmo uma sociedade provinciana - acrescentou, enquanto caminhavam mais para dentro da Walden's.
A escritora despediu-se depressa do gerente da livraria e deixou Harry esperando na enorme fila dos caixas-registradores. Em uma das mãos ele tinha o livro que ela autografara para James. Na outra, olhava por cima um exemplar de Redneck Haiku.
Deixar o estacionamento do shopping foi um pesadelo. Atravessar a cidade de carro, o que, normalmente, ela fazia em vinte minutos, estendeu-se por mais de uma hora. No instante em que caminhava até a porta, achava-se mais do que pronta para estar em casa. Atirou longe os sapatos e as meias de náilon e pendurou o blazer no closet. Enquanto desabotoava as mangas, a campainha tocou e ela saiu do quarto para a frente da casa. Abriu a porta de entrada e encontrou Harry ali, uma silhueta alta, de ombros largos, na escuridão. Sentiu o olhar dele antes mesmo de ligar a luz da varanda, e os olhos verdes dele encontraram os dela.
- Como você chegou tão depressa? - perguntou, e abriu ainda mais a porta para que ele entrasse.
Em vez disso, ele a admirou por muitas batidas de coração a mais antes de baixar sua atenção à boca, à frente da blusa e do vestido dela, seguindo até os pés descalços. Nuvenzinhas brancas de vapor mantinham-se no ar frio diante de seu rosto.
Gina tremia e cruzou os braços abaixo dos seios.
- Não quer entrar? - disse, achando estranho o fato de ele ficar parado, como se os pés houvessem congelado na varanda.
Harry voltou o olhar ao rosto dela. Pareceu hesitar um momento e, então, entrou. Fechou a porta atrás de si e inclinou-se contra ela. O candelabro acima deles derramava uma luz dourada no cabelo negro e nos ombros.
- Está com fome? Quer que eu peça uma pizza?
- Sim - disse, finalmente. - E não, não quero pizza - inclinou-se para frente, deslizou as mãos pela cintura dela e puxou-a para seu tórax. - Você sabe o que eu quero.
As mãos de Gina deslizaram pela lã macia da jaqueta dele. O modo como a olhava dizia quais suas intenções.
Mesmo assim, ele explicou:
- Desde a noite em que eu a vi ficar só de tanguinha, venho pensando em fazer amor com você de uma porção de jeitos diferentes. Hoje à noite, quando fui à sua sessão de autógrafos, disse a mim mesmo que tinha ido lá só para comprar seu livro para James. Trinta por certo disso é verdade. Os outros setenta por cento são mentira. Vindo para cá eu pensei em todas as tentativas de fazer você tirar a roupa, mas, assim que você abriu a porta, eu notei que não quero tentar fazer você tirar nada. Não somos mais crianças brincando. Quero sua participação plena enquanto eu lhe tiro a roupa.
Parte dela também desejava aquilo. Desejava de verdade. A forma como ele a olhava provocava-lhe um nó de calor na cavidade do estômago. Ambos estavam totalmente vestidos, e Harry ainda trajava sua jaqueta, mas ele a excitara somente pressionando seu corpo e com o som de desejo na voz.
- Só para o caso de você estar confusa sobre o que estou dizendo - continuou ele -, se você não me chutar daqui neste exato momento, nós vamos transar. Que tal amanhã?, disse-lhe a voz interior. O nó em seu estômago respondeu Quem está ligando? A voz da razão sobressaiu suavemente acima do desejo, em um formigamento quente que se espalhou por sua carne:
- É óbvio que eu sinto atração por você, mas não consigo deixar de pensar que a gente vai se arrepender disso. Algumas horas de sexo valem a pena?
- Eu não vou me arrepender, e vou me certificar de que você também não vai. E isso agora não interessa, estamos além do ponto de bala - baixou o rosto e beijou-a no pescoço, logo abaixo da orelha. - Precisamos de uma transa doida e gostosa, e sair de nossos esquemas. Pensei nisso e não existe outra saída.
O hálito dele aqueceu o lado do pescoço dela, e Gina fechou os olhos. Nunca fizera amor sem ser com alguém com quem não tivesse um envolvimento amoroso. Pelo menos não até onde se lembrava.
- Isso funcionou para você no passado?
- Para mim? - beijou-lhe a curva da orelha. - Funcionou.
Quem sabe ele estivesse certo. Talvez ela precisasse fazer aquilo e sair de seus esquemas. Apaixonar-se antes de mais nada, sem dúvida, não tinha funcionado com ela. Estava a fim de sexo. Não de amor.
- Quando foi a última vez que você transou, Gina? - sussurrou ele.
Quando? Putz ... Hã...
- Abril?
- Faz nove meses? Antes de você terminar com Draco, então.
- É. E quando foi a sua última vez?
- Eu vou entender que você está perguntando se com outra pessoa aqui nesta sala - sua risada calma resvalou as faces dela.
- É lógico.
- Duas vezes desde agosto, quando eu passei por uma bateria de testes, de malária até HIV. Nas duas eu usei camisinha - roçou a boca na dela e perguntou. – Pensando em você no chuveiro conta?
- Não - ela devia ter tido fantasias assim com ele uma ou duas vezes. - Foi bom?
- Não tão bom quanto você vai ser.
As mãos de Gina escorregaram até a parte da frente da jaqueta dele, e ela agarrou os dois lados do zíper aberto com os punhos. Seus lábios abriram, e ele a alimentou com um beijo ávido, úmido e devorador, que lhe invadiu a boca e a fez erguer-se nas pontas dos pés.
No brilho suave do candelabro, a língua dele tocava e instigava. A mão percorreu -lhe os cabelos até as costas, trazendo-a para perto, até que a saliência rígida de sua ereção comprimiu-se contra o estômago dela.
Em algum lugar da casa, o aquecedor foi ligado e o ar passou pela ventilação. Queria Harry. Por inteiro. Desejava o modo como ele a tocava, beijava e a fazia sentir, como se não ficasse saciado, e ela iria se preocupar com a repercussão e arrepender-se depois. Um gemido de aprovação veio-lhe da garganta enquanto devolvia os beijos dele, rendendo-se a um desejo maior do que sua capacidade de se controlar. Não que ela quisesse tentar.
O som do gemido dela acionou uma reação repentina, como se ele estivesse aguardando aquilo. Em segundos, suas mãos estavam em todo lugar, tocando-a onde pudesse alcançar. De algum modo ela terminou de costas para a porta e com a blusa no chão. Arrancou a jaqueta de Harry dos ombros, e ele a tirou, aos trancos, pelos braços. Os lábios afastaram-se tempo suficiente para que ela lhe tirasse a camisa por cima da cabeça. Logo ele estava contra a porta novamente, as mãos nos seios dela e os dedos titilando-lhe os mamilos através da seda de seu sutiã. Era uma loucura, um calor igual a nada que ela tivesse experimentado antes. Duas pessoas dando vazão a uma necessidade puramente física e ardente. Um impulso carnal por sexo, e ela não precisava se importar com o que ele estaria pensando dela na manhã seguinte. Não haveria manhã seguinte, e ela podia se render completamente àquilo pela primeira vez na vida.
Harry gemeu do fundo da garganta e recuou. Tinha a respiração pesada ao dizer:
- Gina - o desejo ardia em seus olhos verdes, dizendo a ela exatamente o que ele estava pensando. As mãos foram parar em suas nádegas e ele fincou seu membro incrivelmente rígido contra ela. - Uma vez só talvez não baste.
O corpo de Gina doía em resposta, e ela se inclinou na direção dele. Seus seios esfregavam -se no tórax de Harry.
- Duas vezes?
Balançando a cabeça, ele percorreu a mão até a coxa esquerda dela, erguendo a perna até sua cintura:
- A noite inteira.
Ela inclinou-se para frente e beijou-lhe o pescoço, enquanto as mãos subiam e desciam pelos lados de seu tronco nu.
- Hmmm, então provavelmente eu preciso falar que não tenho um quarto de safadezas.
- Posso dispensar isso, porque eu prefiro transar na cama - levou a outra mão até a coxa e ergueu-a. A saia dobrou-se ao redor da cintura. - Espero que a gente, finalmente, chegue até lá.
Através do tecido macio de seu jeans, a ereção apertava a virilha das calcinhas de renda preta. Harry beijava-a à medida que iam para a sala de estar. A luz que vinha do hall de entrada desenhava padrões retangulares brancos pela escuridão. As mãos dele seguravam as nádegas de Gina à medida que ele a levava ao sofá de espaldar oval coberto com as rendinhas de linho da bisavó. Na luz fraca do quarto, ela baixou os pés até o chão e deslizou a boca até um dos lados do pescoço dele.
- Ligue a luz - pediu ele, e Gina sentiu a vibração pesada daquela voz em seus lábios. – Não vamos fazer no escuro.
Gina tirou os cabelos do rosto enquanto se dirigia, primeiro, até um criado-mudo e, em seguida para o outro lado do quarto para acender duas lâmpadas.
- Está bom assim pra você? - desabotoou as costas de sua saia enquanto caminhava até ele. O tecido de lã em linhas escorregou-lhe pelas pernas, e ela o chutou para um lado, ficando somente com o sutiã preto de náilon e as calcinhas de renda. Há muito os tempos de modéstia haviam passado. Na noite no Double Tree, ela já se despira e ficara apenas de tanguinha. Embora não se lembrasse, ele, sem dúvida, não esquecera e obviamente gostara do que tinha visto. – Ou você prefere mais luz?
Harry observou -a caminhando em sua direção por baixo de suas pálpebras pesadas, seu olhar quente tocando-a em todos os lugares conforme tirava os sapatos.
- Mais? O que você tem aqui?
Uma das sobrancelhas ergueu-se na fronte de Gina, enquanto permitia que o próprio olhar passasse do vão da garganta dele aos músculos definidos do tórax, cobertos por uma pele levemente marrom. Um rastro alegre em tom escuro trouxe seu olhar ao abdome bem trabalhado e ao estômago bronzeado, passou pelo umbigo e pela linha da cintura do jeans:
- Eu não acho que tenha alguma coisa que você já não tenha feito antes - colocou as mãos sobre os ombros dele e percorreu os dedos pelo tórax dele. Os músculos saltaram por baixo de seu toque, e ela deslizou as mãos até o estômago liso dele - Não faço yoga. Nada de posição do cachorro - desceu a mão até a braguilha de botões e alisou o membro rijo e grande, que suas calças não detiveram. - Sinto muito. Comigo, é só sexo sem frescura.
- Estou excitado há meses, você não precisa fazer nada além de deitar ali e respirar - afundou a cabeça e beijou-a no ombro. Desabotoou-lhe o sutiã, que caiu aos pés dela. - Estou feliz por cuidar do resto.
Puxou os cinco botões de metal da braguilha. A seguir, passou a mão por baixo da cueca branca.
- Você não quer que eu faça isso? - envolveu o membro grosso e quente com a mão. Tal como suspeitou na primeira vez em que ele a beijara, Harry se transformara em um garoto crescido.
A resposta veio sufocada:
- Não! Sim!
- Sim ou não? - com a mão livre, enfiou as calças e a cueca para baixo das coxas dele. - Não? - o polegar deslizava pelo nervo grosso de seu pênis. - Sim?
- Sim?
- Sim! - sibilou entre os dentes. Então sua boca buscou a dela e o odor masculino de Harry encheu as narinas dela, e ela sorveu tudo em seus pulmões. Ele cheirava a pele limpa e tinha gosto de sexo. Não havia futuro com Harry. Só aquela noite. Era o bastante.
Ele agarrou-lhe os pulsos e prendeu-os atrás das costas dela, amassando-lhe os seios contra o tórax.
- Merda! - disse, a voz excitada, a respiração rápida. - Devagar, senão eu não agüento. Assim só vai durar cinco segundos.
Ela aceitaria. Cinco segundos com Harry pareciam melhor do que qualquer coisa que já experimentara havia muito tempo.
Harry afastou-se e tirou as calças, a cueca e as meias. Sem as roupas, era um belo homem. Perfeito, a não ser pela cicatriz no joelho, por ter caído da árvore na casa de sua mãe. Quando ele se curvou para apanhar a carteira no bolso de trás do jeans, Gina sentiu um impulso de inclinar-se para frente e mordê-lo.
- Eu imagino que esse adesivo no seu quadril não seja nicotina - disse, enquanto se ajeitava.
- Não. É anticoncepcional.
- Noventa e cinco por cento de certeza de evitar gravidez?
- Noventa e nove.
Tomou-a pela mão e colocou o preservativo na palma:
- Vou deixar você escolher.
Embora o achasse uma delícia de homem, para Gina não havia o que escolher. Rasgou o invólucro de plástico e apanhou o anel de látex lubrificado. Colocou-o por cima da cabeça arredondada do pênis e, vagarosamente, desenrolou-o até a base do órgão.
- Fica sentado, Harry - disse. Quando ele obedeceu, ela baixou a calcinha até as coxas. Ele a viu deslizando pelas pernas e, então, o olhar voltou-se para a virilha dela.
- Você é linda, Gina - aproximou-se dela, que se ajoelhou, afastando as pernas até o ventre dele. Beijou o estômago dela - Linda por inteiro - curvou as mãos abaixo do umbigo e roçou-lhe os dedos entre as pernas. - Principalmente aqui - segurou o membro com uma das mãos e deitou Gina com a outra. Ela gemeu enquanto sentia a cabeça do pênis, suave, rígida e quente. Harry penetrou-a parcialmente, e o corpo dela resistiu à invasão. Estava tão pronta para ele que só existia prazer intenso. Gina colocou as mãos em volta da nuca dele e abaixou-se até estar completamente encaixada. A sensação rasgava-lhe o corpo, do alto da cabeça até as os dedos dos pés. Os olhos se fecharam e ela comprimiu os músculos ao redor de cada centímetro daquela rigidez. Fazia tanto tempo... E ela sentia a glória da satisfação com a virilidade de Harry dentro de si.
Era evidente que ele não estava tão satisfeito. Em um instante ela estava apertando-o, aproveitando o tempo, e no seguinte se encontrava de costas no sofá, encarando-o. Harry tinha um dos pés fixo sobre o chão e ainda estava encaixado profundamente dentro dela.
- Este é o momento no qual você só precisa respirar - afastou-se dela quase completamente, apenas para estocada tão fundo que a fez sentir no colo do útero. - Isso é o bastante pra você? - um gemido profundo partiu de seu peito e o prazer ecoou em Gina. - Ou você quer mais?
Ela dobrou uma das pernas ao redor das costas dele:
- Eu quero mais - sussurrou, enquanto ele começava a se mexer, estabelecendo um ritmo perfeito de prazer. - Isso é tão bom - lambeu os lábios secos. - E se eu parar de respirar e desmaiar?
O rosto pouco acima do dela, Harry respondeu:
- Eu a acordo quando terminar.
O risinho dela se transformou em um lamento prolongado, enquanto ele aumentava o ritmo e cada célula do corpo de Gina se concentrava no órgão latejante dentro dela. Mais rápido, mais rijo e mais intenso. Mais e mais. O hálito pungente dele roçava-lhe a face enquanto a penetrava. Uma sensação de ternura crescente, acariciando-a por dentro de uma só vez. Movimentava-se com ele, devolvendo estocada com estocada. Dentro e fora, dentro e fora. Tomada pelo prazer ardente que não desejava encerrar, não sabia até quando continuariam, até que ele a chamou:
- Gina - a voz áspera, destroçada. - Querida, você vai gozar?
Antes que pudesse responder, ela gritou, à medida que um clímax delicioso se espatifava sobre ela, o calor fluindo-lhe pelo corpo. Não viu nem ouviu nada além do pulsar no peito e na cabeça. Espasmos de líquido quente. Ele a penetrou cada vez mais forte, empurrando-a no sofá da tia-avó até chegar, também, ao êxtase. Pragas explodiram-lhe da garganta e colidiram com o som do intenso prazer masculino, primitivo e possessivo. Com um último impulso, ele deslizou os braços abaixo dos ombros dela, e a pressão esmagava-lhe o tórax.
- Gina - suspirou, em meio a espasmos irregulares e ásperos. - Se eu soubesse que era tão bom com você, eu a teria lançado por cima dos arbustos e feito na primeira vez que a beijei, em setembro...
- Se eu soubesse que ia ser tão bom... - engoliu e umedeceu os lábios com a língua - ... eu talvez deixaria.
Por vários instantes ele permaneceu em silêncio, enquanto beijava um dos lados da cabeça dela, desfrutando o doce calor daquela sensação de vitória.
- Gina?
-Hmm.
- A camisinha estourou.
A sensação explodiu como uma bolha de sabão. Empurrava os ombros dele enquanto sentia o sangue fugir de sua cabeça.
- Quando?
Ele olhou fixamente para seu rosto:
- Uns cinco segundos antes de eu gozar.
- E você não parou?
Harry deixou escapar uma risada e tirou o cabelo dela da testa:
- Eu sei me conter, mas não até esse ponto. Não quando estou sentindo seu orgasmo apertar meu pênis desse jeito - beijou-lhe a ponta do nariz e sorriu. - Juro por Deus, Gina, eu não sabia que ia gozar com tanta força.
- Como é que você pode rir? - empurrou-lhe os ombros, mas os barços em volta dela apertaram-na.
- Porque você está usando aquele adesivinho que tem noventa e nove por cento de eficácia - seu sorriso aumentou ainda mais. - Porque você se sentiu bem, e porque você está saudável, e sabe que eu também estou.
- Como você tem certeza disso?
- Porque eu jamais ia mentir pra você sobre uma coisa tão importante. Confie em mim, Gina, eu não vou magoá-la,
Confiar em Harry? Olhou dentro dos olhos dele. Não havia provocações, escárnio ou truques. Apenas a verdade sincera. Ele afastou-se um pouco então e, lentamente, penetrou-a outra vez.
- Se eu soubesse que existia a mais remota possibilidade de acontecer algo ruim, eu lhe contaria. Acredite.
Acreditar nele, que ainda estava dentro dela?
- Se você estiver mentindo, eu mato você. Juro por Deus que mato.
Harry sorriu como se tivesse acabado de ganhar na loteria.
- Vindo da autora de Vencida pelo amor, isso não é muito romântico.
- As pessoas dão valor demais ao amor e ao romance - correu as mãos pelos ombros dele até os lados da nuca. - Sexo louco e gostoso é muito melhor.
n/a: Se a véspera de Natal foi assim, imaginem como vai ser o Natal... Espero que vocês gostem...