Harry estava longe de se sentir entediado. Estava curioso e interessado, e bastante excitado. Entretanto, não era culpa dele. Era dela. Havia lido o segundo livro de Gina, A prisioneira do pirata, e ficara chocado com quanto gostara daquilo. Era mesmo o gênero capa e espada, com drama em alto-mar e uma poção de "cenas picantes”. Qualquer mulher que escrevia aquilo tinha de ser um furacão na cama. Gininha. Gina Weasley. A garota de óculos de lentes grossas que costumava segui-lo por todo canto e o amolava demais se transformara numa mulher tão interessante e intrigante quanto bonita.
Quem podia imaginar?
Depois daquele banho frio, iria procurá-la e perguntar se queria fugir da festa e "almojantar" com ele em algum lugar no centro Um lugar público, onde ele não iria se sentir tentado a beijá-la, como no dia anterior. Ela, porém, começou a falar sobre homens devorando mulheres como se fossem caixas de flocos de milho, e isso o fez imaginar se ela tinha esse sabor mágico, e ali estavam ambos. Fechados dentro da despesa.
- Então por que você está me perseguindo aqui?
Ele deslizou as mãos pelos braços dela, até os ombros do suéter de pelúcia. A altura dos sapatos de Gina levara seus lábios pouco abaixo dos dele.
- Lembra-se de quando a gente se escondeu aqui e se entupiu com os biscoitos que as bandeirantes vendiam? Acho que eu comi uma caixa inteira de biscoitos de chocolate.
Ela engoliu com dificuldade. Os olhos de um azul espetacular o encaravam. Ela piscou.
- Você me seguiu até aqui pra falar de quando a gente comia biscoitos?
As mãos dele alisaram-na desde os braços aos ombros, até os lados do pescoço, que estava quente. Por baixo dos polegares de Harry, a pulsação de Gina acelerou.
- Não - inclinou o queixo e baixou o rosto pouco acima do dela. - Quero falar sobre devorar você como uma caixa de flocos de milho - continuou a olhá-la nos olhos, e dizia. - Sobre todas as coisas que eu quero fazer com você. Então, a gente pode falar das coisas que eu quero que você faça em mim - todas as coisas que já havia imaginado que ela faria a ele.
Gina ergueu as mãos até o tórax dele. Harry achou que ela fosse empurrá-lo. Em vez disso, respondeu:
- A gente não pode fazer isso. Alguém pode entrar. Harry ficou divagando se ela percebia que a única objeção dela era que pudessem ser apanhados. Sorriu. O batom vermelho o havia deixado louco, e ele resvalava sua boca na dela.
- Não, se a gente não fizer barulho - beijou-lhe os lábios ligeiramente. - Você não quer que Molly entre e nos pegue aqui. Ela ia ficar aterrorizada em encontrar você aqui, beijando o filho do jardineiro.
- Mas eu não estou beijando você.
Ele deu uma risadinha silenciosa:
-Ainda não.
Gina respirou fundo e prendeu o fôlego:
- Seu pai pode pegar a gente aqui.
Harry roçou-lhe o polegar na pele suave do maxilar, enquanto continuava a instigar-lhe a boca:
- Ele está tirando uma daquelas sonecas de vinte minutos que, em geral, duram uma hora. Nem vai saber.
- Por que eu deixo você fazer isso comigo?
- Porque a sensação é boa.
Ela engoliu e sua garganta se mexeu debaixo das mãos dele.
- Muitas coisas são boas.
- Não a esse ponto - os dedos dela circulavam pelo suéter dele. - Gina, você tem de reconhecer que gosta disso tanto quanto eu.
- É só porque já faz um tempo.
- Desde quê? .
- Desde que eu não tinha essa sensação.
Também já fazia um tempo para ele. Muito tempo desde que pensara em uma mulher tanto quanto pensava em Gina. Em especial, desde que nem transava com ela. Inclinou-lhe o rosto mais um pouco e, à medida que sua boca tocava de leve a dela, ele esperava. Esperava pelo último doce momento de hesitação. O momento pouco antes de ela perder a batalha contra si mesma e se fundir a ele. Quando deixaria de ser a Gina perfeita. Sem ficar mais se escondendo atrás de sorrisos afáveis e de um autocontrole rigoroso. O momento pouco antes de se tornar, ao mesmo tempo, suave e apaixonada.
Sentia-lhe o nó da respiração e a pressão das pontas dos dedos na costura de seu suéter um segundo antes que as mãos dela deslizassem pelo seu tórax, deixando um rastro de fogo na parte de trás de seu pescoço. Os lábios dela afastaram-se em um quase imperceptível ahh, e ela era dele. Fazer aquilo com o consentimento dela o excitava quase tanto quanto os dedos deslizando pela parte de trás de seus cabelos. O desejo subia da carne de suas costas e de seu tórax e deixava o interesse em suas calças tão duro quanto rocha.
Harry manteve os beijos suaves, saboreando lentamente um quê de menta em seu hálito e sentia-lhe o calor suave da boca. Deixou-a escolher o ritmo e marcou-a com um beijo úmido e quente, tão intenso quanto doce. Sentiu a paixão dela crescer e se formar. Sentiu no toque e ouviu no gemidinho que vinha da garganta dela.
Gina recuou, a respiração acelerada, os olhos bem abertos e dilatados. As mãos prenderam-lhe nos ombros e ela disse, quase acima de um sussurro:
- Por que eu sempre deixo acontecer?
A frustração rasgava em seu tórax e entre suas pernas. Sua respiração era pouco mais calma que a dela.
- Já falamos sobre isso.
- Eu sei, mas por que com você? - lambeu os lábios úmidos. - Com tantos outros homens no mundo?
Ele puxou-a contra si até que pressionar os seios dela contra seu suéter.
- Acho que é porque, comigo, você se sente melhor.
Já não era mais hora de conversar. Harry baixou a boca mais uma vez. Não havia mais hesitação em Gina. Apenas paixão, uma paixão quente, fluida, e cada parte tão necessitada quanto si própria.
A mão dele se pôs naquelas nádegas redondas, e um joelho se pôs entre os dela. Harry colocou Gina contra a ponta intumescida de sua ereção, transformando seu desejo em algo ardente, cobiçoso, que não conseguia controlar.
O beijo dela tornou-se mais molhado e mais faminto, e Harry deu a Gina aquilo de que ela necessitava. Tinha se enganado sobre ele. Não queria uma mulher que se submetesse. Embora não houvesse nada errado com agitar o mundo dele na cama. Ou fora da cama. Ou na despensa. Naquele instante, ela estava fazendo um ótimo trabalho. A mão de Harry deslizou do traseiro até a cintura de Gina e os dedos escorregaram por sobre a parte de baixo do suéter. Tinha a pele macia, e ele fazia círculos no estômago dela com o polegar. Ela pressionou-se contra sua ereção e ele sentiu o impulso de baixar-lhe as calças e transar ali mesmo. No piso da despensa, onde qualquer um poderia aparecer, satisfazendo sua lascívia entre as coxas macias dela e aliviando o fio da navalha do desejo que se contorcia em seu estômago e adicionava uma fatia de sofrimento ao prazer.
Harry ergueu uma das mãos até o botão de cima do suéter dela e puxou-o. A roupa rasgou-se, e ele continuou a beijá-la de um jeito insensato, enquanto descia a mão até os botões seguintes. A última coisa que queria era que ela o interrompesse. Haveria tempo para pararem, depois.
Naquele instante, ele queria só mais um pouco. Mais cinco botões e sua mão deslizou entre as bordas do suéter, e ele tocou-lhe os seios com as mãos em concha. Pela renda do sutiã, o mamilo intumescido encostou-lhe na palma mão.
Gina recuou e baixou os olhos assustados até a mão dele.
- Você desabotoou meu suéter.
Com o polegar, ele alisou o mamilo dela. Gina fechou os olhos e a respiração trancou-se em seu tórax.
- Eu quero você - sussurrou ele.
Ela o fitou, o desejo e o controle em visível conflito naqueles olhos azuis.
- Não dá.
- Eu sei - através dos conjuntinhos de renda, ele sentia partes da carne quente dela que o instigavam. - Vamos parar.
Gina balançou a cabeça, embora não retirasse a mão dele.
- É melhor parar agora. Essa porta não tranca. Alguém pode entrar.
Verdade. Normalmente, isso o teria feito parar. Hoje, não. Com as duas mãos, ele abriu ainda mais as pontas do suéter dela e baixou os olhos:
- Desde aquela noite no Double Tree - dizia – eu venho pensando nisto. Em tirar sua roupa e tocar em você - olhou o meio dos seios dela e os bicos rijos pressionando a fita vermelha do sutiã. - Em olhar novamente a pequena Gina.
- Não sou mais pequena - sussurrou.
- É. Eu sei - disse, fazendo deslizar três dedos por cima da alça no ombro. - Eu gosto disso. Você devia usar vermelho sempre - sobre a seda e a fita, seus dedos escorregaram até o arco vermelho aconchegado entre seus seios. Inclinou-se adiante e beijou-lhe um dos lados do pescoço, enquanto as mãos abriram o pequenino fecho oculto acima do arco. O sutiã soltou-se e Harry baixou-o, juntamente com o suéter, ao longo dos braços de Gina.
- Mas você fica melhor sem roupa hoje em dia - os seios brancos e volumosos eram bem redondos, com mamilos pequeninos, rosa-escuros, rijos e prontos, que lhe eram oferecidos como uma sobremesa. Harry baixou a cabeça e beijou-lhe o vão do pescoço, entre os seios, e o lado de um deles. Olhou-a no rosto enquanto abria a boca e tocava a língua na ponta do mamilo áspero, que rolou por baixo de sua língua, e Gina trouxe as mãos para os lados do rosto dele, curvando as costas para trás. As narinas abriram-se, enquanto ela o observava através de olhos azuis que a paixão tornava líquidos e brilhantes.
Harry levou as mãos até as costas dela, segurando Gina enquanto abria a boca ávida e sugava por dentro. A língua brincava com as texturas rígidas e macias da carne dela, enquanto a lâmina afiada do desejo puxava com força, torcia e torturava.
- Pára! - sussurrou ela, empurrando-o.
Ele a fitou, confuso e inebriado com o sabor daquela pele que ainda durava em sua boca. Parar? Nem tinha começado!
Do lado de fora da porta fechada, alguém girava a torneira da pia.
- Acho que é James - sussurrou Gina.
Apertou-lhe mais ainda as costas enquanto ouvia a voz abafada do pai através da porta. A última coisa que queria era parar, mas não estava a fim que o pai os encontrasse.
- Vamos para a casa dos fundos comigo - disse-lhe, próximo ao ouvido.
Ela balançou a cabeça e afastou-o de seu abraço. O som da água foi interrompido e ele reconheceu as pisadas do pai, sumindo na direção da sala de jantar.
Harry corria os dedos pelos cabelos, enquanto a frustração machucava-o por dentro.
- Sua casa é grande. Com certeza tem muitos quartos para a gente terminar o que começou.
Gina balançou a cabeça outra vez enquanto apanhava o sutiã e fechava a fita vermelha sobre os seios. O rabo de cavalo ruivo roçava-lhe os ombros:
- Eu devia saber que você ia levar as coisas longe demais.
A frustração batia-lhe no cérebro, latejando a virilha. Que diabos, ele queria acabar o que tinham começado. Na casa dos fundos. Na casa dela. Atrás do carro. Estava pouco se lixando.
- Menos de um minuto atrás você não estava reclamando.
Ela ergueu o olhar e depois baixou, prendendo o arco entre os seios.
- E dava? Você é muito rápido.
Agora ela estava deixando-o furioso. Como naquela manhã no Double Tree:
- Você estava me acompanhando em tudo o que eu estava fazendo com você. Se James não tivesse entrado na cozinha, você ainda ia estar gemendo nas minhas orelhas. Mais cinco minutos e estaria totalmente nua.
- Eu não estava gemendo - juntou as pontas do suéter. - E pára de se iludir. Eu não ia deixar você tirar mais nenhuma peça de roupa minha.
- E não minta pra você mesma. Você ia deixar eu fazer o que eu quisesse - lutou contra o impulso de agarrá-la e beijá-la até que lhe implorasse por mais. - A próxima vez que você deixar eu tirar sua roupa, eu vou até o fim.
- Não vai ter próxima vez - as mãos agitavam-se ao abotoar o suéter. - A coisa saiu do controle antes que eu pudesse impedir.
- Tá legal. Você não é uma garota que mal sabia onde isso ia parar. Da próxima vez, eu vou terminar o trabalho que o seu ex-noivo nem fez.
Ela respirou fundo e o encarou. Seus olhos estreitaram e, mais uma vez, ela era a velha Gina. Perfeitamente trajada e controlada.
- Isso foi maldoso.
Ele se sentiu maldoso.
- Você não sabe nada da minha vida com Draco.
Não, mas podia adivinhar. Mais uma vez, o som das passadas voltou à cozinha, e Harry inclinou-se para frente e disse, pouco acima de um sussurro:
- Vou lhe dar um aviso. Se eu enterrar minha cara nesses seios de novo, vou lhe dar o que você está sentindo tanta falta!
- Você não tem a menor idéia do que eu sinto falta. Fica longe de mim! - disse, e saiu do local como um furacão, batendo a porta atrás.
Ele adoraria ter feito o mesmo, mas havia um problema em suas calças que doía e comprimia-lhe o zíper. Ouviu a voz do pai pela porta:
- Você viu Harry?
Ele esperou que ela fosse entregá-lo na mesma hora. Como fizera, anos atrás, quando ficava nervosa com ele. Procurou em volta por algo que cobrisse sua óbvia ereção.
- Não - respondeu Gina - Não, não o vi. Você olhou na casa dos fundos?
- Verifiquei. Ele não está lá.
- Bom, com certeza ele deve estar por perto.
n/a: James atrapalhando outra vez... Bjus e até logo!!!!