Capítulo Quatro
– Maldosa -
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– Ginny, acorde.
– Hum hum – Murmurou a ruiva enquanto pegava as cobertas de sua cama e jogava por sua cabeça.
– Ginny... – Uma segunda voz disse soando suplicante – Por favor, levante!
Mais recebeu como resposta um travesseiro jogado pela ruiva.
– Oh my...
– Você não me deixa escolha, sua ruiva preguiçosa! – E um segundo depois Ginny sentiu um jato de água ser jogado em cima dela.
– Hermione! – Gritou irritada e levantando da cama em um pulo, observando que Hermione ainda tinha em mãos a varinha. Droga, por que sua amiga tinha que ser tão boa em feitiços não-verbais?
– Bom dia para você também, Ginny. É bom saber que você acordou disposta em ajudar uma gordinha de longos cabelos loiros a escolher os futuros móveis de sua casa. – Hermione disse aguada.
– Eu te odeio. – Ginny espremia os cabelos ruivos e fuzilava a amiga com raiva.
– Devo dizer que não concordei com isso. – Luna apontou a varinha para a cama de Ginny e a secou – Mas você não nos deixou escolhas.
– Sim, você sua bondade fingida, Lovegood.
Luna abriu a boca em um ‘o’.
– Assim você me magoa, Weasley.
– Ginny, vá tomar um banho e trocar de roupa. Temos horário marcado com Hannah e você já está mais do que atrasada. Melhor, está nos atrasando. Alias, como você sempre fez. – Hermione foi até o espelho do enorme quarto de Ginny e inclinou a cabeça enquanto alisava os cabelos morenos.
– Hermione, às vezes eu te acho tão má. – Ela olhou para a amiga com ressentimento.
– Como se você fosse diferente de mim nesse aspecto. – Hermione ajeitou os óculos escuros em sua cabeça. Ginny apenas revirou os olhos.
– E por que mesmo eu tenho que ir a esse maldito encontro? – Ginny perguntou, abrindo seu closet e desaparecendo no meio de suas roupas.
– Porque, assim como nós, você cometeu o grave erro de aceitar ser a madrinha de casamento de uma coleguinha de escola. – Luna disse puxando a ruiva de dentro do closet e levando-a até o banheiro – Agora tome um banho e escove os dentes. Você está com mau hálito.
– EU ODEIO VOCÊS! – Ginny gritou de dentro do banheiro.
Hermione riu.
– Então, Ginny, como foi o reencontro com o Harry? – Hermione perguntou com uma voz arrastada e maliciosa o que fez Luna pensar, por um segundo, que ela tinha perguntado de propósito e cheia de maldade.
Escutaram um barulho dentro do banheiro e riram ao pensar que Ginny pudesse ter deixado cair o shampoo ou sabonete.
– Hã... Foi normal.
– Normal? – Perguntou Hermione sem acreditar – Você passou exatos oito anos evitando o Harry, saiu de casa e passou a evitar sua própria família só por saber que ele estaria sempre presente n’Toca, ao lado de seu irmão, e agora você diz que o encontro foi normal? Fale a verdade, Ginny Weasley.
– Ok, Hermione! Foi péssimo! Estranho, passei a maior vergonha da minha vida quando caí aos pés dele depois de ter escorregado na minha própria bebida e quase o beijei quando ele me abraçou. E, mais uma vez, terminei chorando no banheiro, como tantas outras vezes. – Ginny saiu do banheiro enrolada na sua toalha e com os cabelos ruivos molhados grudados em suas costas – Era isso que você queria ouvir?
Luna olhou para Hermione com frieza. Por que ela insistia em fazer aquilo? Ela sabia que Ginny ainda amava Harry Potter e sofrera muitos por todos esse anos, mas, mesmo assim, insistia em enfiar o dedo na ferida da amiga.
– Não me olhe assim, Luna. Não é como se eu quisesse ver Ginny sofrendo. – Hermione disse com a voz dura e ríspida – Ela só precisa entender de uma vez por todas que não vai adiantar se esconder em seu mundo de vidro, evitar sua família saindo de casa ou sempre evitando encontrar com o Harry nos corredores do ministério da magia. Ela tem que encarar seus problemas de frente, com uma mulher de verdade.
– Claro, por que ajuda muito quando você a coloca para baixo desse jeito. – Luna disse irritada.
– Bem, se isso ajudar a admitir seus sentimentos e não esconde-los debaixo de um tapete como se fosse sujeira, sim, eu irei coloca-la para baixo quantas vezes for preciso. – Ela falou decidida – Por que é isso que as amigas fazem, Luna. Elas precisam jogar na cara uma das outras quando estão agindo errado mesmo que isso machuque, porque amiga não é aquela que só está presente nos momentos bons, mas as que estão presentes nos momentos ruins também.
– Não fale como se eu fosse uma péssima amiga, Granger. – Luna olhou para Hermione com um olhar raivoso – E se for assim que uma amiga deve agir, me diga então como foi o seu encontro com Malfoy. Por que pelo o que vi, você estava bem alteradinha por estar tão próxima a ele. O que foi? Você ficou com raiva por que ele não te jogou na parede e te devorou ali mesmo, na frente de todos?
Hermione não deixou transparecer o abalo que as palavras de sua amiga lhe causaram e talvez foi por isso que usou sua voz mais perversa quando olhou para Luna.
– Bem, pelo o menos o Malfoy pensou em me jogar na parede, diferente do Ron, que ainda tem por você o mesmo amor fraternal que sempre teve em Hogwarts e não te olha como mulher. Para ele, Luna, você não passa da amiguinha bobinha e idiota de sua irmã mais nova.
Hermione soube que tinha atingindo Luna no peito quando lágrimas brotaram dos olhos de sua amiga e se sentiu tão mal que teve nojo de si mesma.
– PAREM! – Gritou Ginny e as duas olharam para a ruiva – Olhem só para nós três! Brigando por causa de segredos que sempre ajudamos umas as outras a superar. Luna, não precisa me defender por que no fim das contas tanto eu quanto você sabemos que a Hermione está certa. E Hermione, eu realmente não acredito que você disse essas coisas a Luna. Você, mas do que eu, sabe que Luna sempre sofreu por amar Ron, afinal era você que sempre estava ao lado dela dizendo que tudo iria ficar bem.
Hermione olhou para a loira que estava secando os olhos com as mãos.
– Desculpe-me, Luna. – Ela foi até a amiga e a abraçou – Eu não devia ter dito essas coisas...
– Eu sei. Eu também não deveria ter dito o que disse sobre você e Malfoy. – Ela se separou da amiga – E claro, tudo isso é culpa da Hannah. Se ela não tivesse nos obrigados a aceitar o seu convite de madrinha de casamento e ter planejado essa porcaria de noivado, talvez não teríamos encontrado essas pessoas que tanto lutamos por esses anos a afastar de nossas vidas. Ai, que raiva. Tudo por que a gordinha resolveu casar!
– Bom, pelo menos a Hermione está certa: Não adianta fugir. – Ginny falou enquanto ia colocar uma roupa.
~~*~~*~~
Assim que entraram na grande loja de movéis de Srta. Abercrombie encontraram Hannah olhando alguns catálogos.
–Garotas! – Exclamou com uma voz fina e alta. – Estou tão feliz por vocês terem vindo! Estou tão feliz por vocês terem aceitado serem minhas madrinhas e estarem me acompanhando nesse sonho tão...
– Menos, Hannah. – Ginny cortou azeda e se não fosse pelos óculos escuros que usava, Hannah teria visto o olhar de tédio da ruiva – Já entendemos que você está feliz por nos ter ao seu lado nesse grande passo da sua vida, não precisa continuar com essa babação... – Hermione empurrou a amiga e ela segurou a língua.
– O que a Ginny quer dizer, Hannah, é que temos muitas tarefas para fazer em nossos trabalhos e que agradeceríamos se você agilizasse as coisas por aqui. – Luna disse tentando fazer com que Hannah não ficasse magoada pela atitude de Ginny.
– Ah! Já tinha até me esquecido. – Ela correu até a sua bolsa e tirou de dentro um envelope e o entregou a Luna – Gostaria que você publicasse um artigo sobre o meu casamento com o Neville no profeta diário. Na coluna de casamento ou, se você puder mexer os seus pauzinhos, na primeira página. Eu ficaria muito feliz se você pudesse fazer esse pequeno favor para mim.
Luna engasgou.
– Ah... Claro, Hannah. Verei o que posso fazer. – Luna guardou o envelope em sua bolsa.
Depois de uma hora escolhendo os móveis e outros elementos necessários para uma casa de recém-casados, Hannah se despediu das amigas e marcando um próximo encontro em três dias para a primeira prova do vestido de noiva e das madrinhas.
Ginny tinha que assinar uns documentos em seu escritório, então aparataram no Ministério da Magia e foram direto para a sala da amiga.
– Hmm... Acho sua sala tão elegante. – Hermione disse enquanto jogava sua bolsa no sofá de couro presente na sala – Você tem muito bom gosto, Ginny.
– Agradeço o elogio, Hermione. – Ginny estava sentada em sua refinada cadeira e assinando uns papéis que estavam sobre a luxuosa mesa de mogno – Mas, não aguento segurar essa curiosidade sobre o que tem escrito naquele envelope que a Hannah lhe deu, Luna. Abra-o!
– Não sei se isso é certo...
– Deixe de frescuras, Luna – Hermione foi até a bolsa da amiga e retirou o envelope - Iremos saber de todo jeito. Você não pretende publica-lo no profeta?
– Pretendo, mas...
– Então não há nada de mais. O que tem escrito aí, Mione? – Perguntou Ginny.
– Nada de criativo. É tão típico de Hannah. Totalmente elaborado como os outros artigos de casamentos. Um completo lixo. – Hermione devolveu o papel para o envelope e o jogou de lado.
Ginny correu até o envelope e o balançou no ar.
– Acho que talvez devêssemos dar uma melhoradinha.
– O que você quer dizer com isso? – Perguntou Luna e arregalou os olhos ao perceber o que amiga queria fazer – Você não pode fazer isso...
– Posso sim. – Ginny ergueu o papel e começou a andar de um lado para o outro - Acho que devemos acrescentar que a noiva é um saquinho de carne e que é um milagre que ela tenha conseguido um noivo.
– Um noivo tolo, mas não escreva isso aí. Neville não tem nada haver com essa história. – Hermione levou uma mão ao queixo pensativa – Acrescente aí que seria uma boa ideia os convidados chegarem cedo ou não sobrará nenhum salgadinho para eles. Sabe, a noiva é boa em comer. – Riu a morena – Temos fotos também?
– Me dá isso aqui! – Luna puxou o papel das mãos de Ginny e começou a rabiscar algo.
– O que você está escrevendo? – Perguntou Hermione.
– Que a noiva será a grande bola branca e não o bolo no centro do salão. Sabe como é, só um lembrete para os desavisados.
As três riram juntas e quase não ouviram a batida na porta da sala de Ginny. Era Evelline, sua secretária.
– Senhorita Weasley, acaba de chegar uma coruja de seu irmão com esse pergaminho para a senhorita. – Ela entregou a Ginny e saiu.
Ginny soltou um gemido de lamento.
– O que ele quer? – Luna inclinou-se sobre a amiga para ler o que havia escrito no recado de Ron.
– Ele está me convidando para um jantar amanhã à noite n’toca. Não sei se quero ir, tenho tanto trabalho...
– Não me venha com essas desculpas esfarrapadas Ginny Weasley. Não aguento mais te ver fugindo de sua família. Se for preciso, bem, eu e Luna acompanhamos você, mas você irá para esse jantar! – Hermione falou decidida.