(N/A: curto, muito curto. Mas tá aí...)
Capítulo X – Ela ainda me lembra você
“Cause your presence still lingers here,
And it won´t leave me alone.“ (Evanescence – My Immortal)
Londres, por volta de 1979/1980.
Era noite, estava sentado à uma das mesas, na atual sede da Ordem da Fênix, conversando sobre qualquer coisa com Arthur Weasley, um homem um pouco mais velho, mas que havia se tornado seu amigo.
Tiago e Lílian não estavam por lá, deviam estar aproveitando o pouco que lhe restava da vida de casados, perante aquela guerra. Remo provavelmente estava em alguma missão tentando, inutilmente, trazer alguns lobisomens para o lado deles. E Pedro, bem... Ele andava bastante sumido nos últimos tempos, mas sempre conseguia acabar arranjando uma desculpa para despistar as suspeitas dos outros.
Sirius pensava em tudo isso, até que Arthur interrompeu seus devaneios, o trazendo de volta à realidade.
--- Mas me conte, por que você nunca se casou? --- perguntou, como quem não quer nada, no que ele estremeceu.
Realmente não gostava de ter de responder aquela pergunta, por mais freqüente que ela fosse.
--- Lembro-me da fama que você tinha em Hogwarts... O que aconteceu? --- ele tornou a perguntar, curioso.
O que havia acontecido? Ninguém acreditaria se ele contasse.
“Sabe o que é, tive um caso com a minha prima... Bellatriz, conhece? Suponho que sim, é uma famosa Comensal da Morte. É, meu caro. Eu me apaixonei por uma mulher que se tornou uma Comensal, e ainda por cima não consegui me envolver com mais ninguém depois dela!”
Não gostava de admitir isso, nem para si mesmo. Para os outros então... Só no dia em que Merlin voltasse a Terra. Ou seja: nunca.
--- Er... Acho que ainda não encontrei a mulher certa. --- falou, passando a mão pelos cabelos, num gesto nervoso.
--- Sei... --- Arthur comentou, distraidamente.
Mas não, ele não sabia. Ninguém sabia, nem jamais saberia.
Ninguém, além dos dois.
Foi então que escutaram a porta abrir, e vozes alteradas e apressadas entrando junto com seus respectivos donos.
--- Não devíamos trazê-la para cá, vamos entregá-la para o Ministério antes que nos cause mais algum problema!
Sirius levantou, caminhando até a porta do outro cômodo, para poder ver os recém chegados.
--- Você ouviu Dumbledore, ela deve ficar aqui. --- Minerva McGonnagal disse, firmemente.
Ela.
Por que ele tinha a estranha sensação de saber exatamente de quem eles estavam falando? E não queria nem pensar no fato de sua hipótese poder estar certa.
Quando McGonnagal e outro auror entraram na cozinha, trazendo consigo um corpo inerte em uma maca, qualquer dúvida que ele tinha se dissipou. Parte do braço pendia para fora do lençol branco que a cobria. Ele reconheceu aquela mão, reconheceu aquelas unhas.
E, principalmente, reconheceu aquele perfume. O reconheceria em qualquer lugar, em qualquer circunstância.
--- Black, ainda bem que te encontramos aqui! --- McGonnagal disse, no que ele gelou. --- Precisamos que tome conta dessa aí. --- indicou a pessoa na maca com os olhos.
--- Mas o que... --- tentou falar, desconcertado, enquanto via o outro auror levar o corpo lá para cima.
Aquilo não poderia estar acontecendo. De fato o destino conspirava contra ele.
--- Não temos tempo para discussões, Black. Arthur, venha conosco, precisamos deter alguns comensais, RÁPIDO! --- ralhou, vendo a calma com que o homem se levantava.
--- Certo, certo. Vamos logo então! --- ele disse, postando-se ao lado da bruxa e do outro auror que já havia descido.
--- Mas, McGonnagal... --- Sirius tentou falar, em vão.
--- É sua prima, Black, e está desacordada. Você deve saber como cuidar dela. --- respondeu, ironicamente. --- Estará no primeiro quarto, à esquerda. Não deixe que ela saia, de maneira alguma. Entendeu? --- perguntou, firmemente, no que ele assentiu com a cabeça. --- Agora vamos, não temos tempo!
Dizendo isso, os três saíram pela porta, deixando-o sozinho.
Raiva, era o que Sirius estava sentindo. Queria sair, queria duelar, queria ser útil, mas era designado para ficar ali tomando conta de sua querida priminha.
Na verdade, o que estava lhe incomodando não era ter sido deixado para trás, mas sim o fato de ser ela. Ela, que sempre o assombrara, que o impedira de ser feliz. Quanto tempo fazia que não a via, sem máscara? Anos, provavelmente. Ele já perdera a noção.
Andou de um lado para o outro por alguns minutos, numa tentativa frustrada de pensar no que deveria fazer. Sem pensar noutra alternativa, resolveu subir.
As escadas nunca pareceram tão compridas, e o corredor nunca pareceu tão longo, até o momento em que ele chegou na frente daquela porta. Colocou a mão no trinco, hesitante.
O que estava fazendo?
Desacordada, foi o que lhe disseram. Mas até quando? Sabia que ela estaria desarmada, porém não era isso o que ele temia. “Coragem, homem!” pensou, segundos antes de lançar o feitiço para destrancar a porta, e entrar.
Encontrou a prima deitada na cama, de lado. Os longos cabelos negros contrastando com os lençóis brancos, a mão repousada ao lado da cabeça, no travesseiro. Não conseguiu evitar ver a imagem dela adolescente, deitada em sua cama. Sacudiu a cabeça, afastando aquelas cruéis lembranças.
Tomando consciência de que ela, provavelmente, não acordaria tão cedo, virou-se, pronto para sair do quarto e trancá-lo novamente.
--- Olá, priminho. --- aquela voz pareceu cortá-lo mais eficientemente que um milhão de facas. Era fria, cínica.
Hesitou, antes de virar se para ela. “Ora, vamos... É só a Bellatriz, ela não significa mais nada para você”. Tudo que precisava fazer era girar nos calcanhares para encará-la. E foi o que ele fez.
--- Olá, Bellatriz. --- respondeu, escorando-se na parede e cruzando os braços.
Observou a mulher, ela continuava praticamente a mesma. Os cabelos negros e compridos batendo na altura da cintura, ainda ondulados nas pontas, o rosto pálido, os lábios vermelhos com o típico sorriso cínico, mas os olhos... Os olhos agora possuíam um brilho doentio.
--- Não vai me tirar daqui, Sirius? --- ela disse, num tom ridiculamente infantil.
--- Não, não mesmo. --- retrucou, sério.
Aquela mulher o perturbava.
Não da mesma maneira como antigamente, por sua beleza. Mas a sua presença... Era algo que ele não conseguia suportar. Ela havia se transformado em tudo que ele mais odiava, se transformara no mal.
--- Oh! --- ela disse, levando uma mão aos lábios, fingindo surpresa. --- E pensar que um dia você jurou que me amaria para sempre...
--- A Bellatriz que eu amei não existe mais. --- disse, sem perder o tom sério na voz. --- Tudo que havia de bom nela foi sugado, restando apenas tudo aquilo que eu sempre odiei.
Ela gargalhou.
--- Agora vemos que não foi uma boa escolha, não é mesmo, Bellinha? --- disse, cinicamente --- Tsc, tsc. Voldemort deve estar profundamente decepcionado com você. Você falhou.
--- Não toque no nome do meu mestre! --- ela vociferou, no que ele riu, jogando os cabelos para trás. --- Você é patético.
--- Não tanto quanto você. --- ele respondeu, simplesmente.
--- Você vai se arrepender de ter dito isso. --- vociferou, a raiva era visível em seus olhos.
--- Você está sem varinha, Bellatriz. --- disse, vitorioso. --- Vai fazer o que, chamar por Voldemort? O que você acha que ele vai fazer? Abandonar a batalha para vir aqui, me matar, te levar para casa e cuidar dos seus ferimentos? Francamente.
Ela apenas o observava, com raiva, escorada na parede perto da cama.
--- A Lua... --- disse ele, olhando para fora através da janela --- Ela ainda me lembra você.
--- Ainda me acha bela, priminho? --- a mulher falou, num tom debochado.
--- Não. Fria. --- ele disse, virando-se para encará-la, com um sorriso vitorioso estampado no rosto.
--- Ora, seu... --- vociferou, avançando para ele.
--- Fique onde está. --- ameaçou, apontando a varinha para a mulher, no que ela parou instantaneamente. --- Covarde.
Ela lançou-lhe um olhar mortífero, e continuava profundamente boa nisso.
--- Você sabe que eu poderia matá-la agora, não sabe, Bellatriz? ---Sirius disse, começando a andar de um lado para o outro, mas mantendo a varinha apontada para ela e um sorriso vitorioso no rosto.
--- Você não teria coragem. --- ela debochou, rindo. --- Não desobedeceria ao seu tão amado mestre Dumbledore.
--- Experimente. --- Sirius disse, simplesmente. --- Um movimento em falso e você não vai ter nem tempo de ver a luz verde sair da minha varinha.
--- Oh, quer dizer que você ficou tão bom em maldições imperdoáveis nesse tempo quanto eu? Vejo que, mesmo escolhendo o bem, você se tornou igual a mim, não é? --- ela mantinha aquele sorriso doentio no rosto, suas palavras pareciam ter veneno.
--- Guarde minhas palavras, Bellinha. --- disse, cinicamente. --- Eu nunca serei como você. E quer saber por que? Eu não mato inocentes. Mato comensais da morte, criaturas que se acham tão superiores aos outros para torturar trouxas indefesos e matar mestiços que nunca lhe fizeram nada!
--- Sabe, eu estou realmente cansada do seu discurso moralista, primo. Desde que nós éramos adolescentes você continua falando as mesmas coisas...
--- E quer saber porque eu não te mato agora, priminha? --- disse, irônico e como se não tivesse sido interrompido. --- Simplesmente porque você já está morta.
Ele tinha plena certeza de que conseguiria matá-la se quisesse. Sirius a odiava.
Bellatriz era o símbolo de seu fracasso. Fracassara ao amá-la, fracassara ao não conseguir salvá-la, fracassara ao não conseguir esquecê-la.
E isso ele nunca iria perdoar.
Ouviu passos e vozes do lado de fora, o despertando de seus devaneios.
--- Desfrute de sua solidão, Bellatriz. --- disse, virando-se, colocando a mão no trinco da porta e abrindo-a. --- Você não vale nada.
Dizendo aquilo, saiu, batendo a porta atrás de si e trancando-a.
N/A: demorei, eu sei. Mas estava completamente sem inspiração para escrever esse capítulo...
E agora que já está escrito, tenho que confessar que foi um parto fazê-lo, principalmente porque eu me acostumei a escrever em primeira pessoa, por causa da minha outra fic, Marotos, a História.
Ele realmente não ficou como eu queria que ficasse, além de estar muito curto, mas precisava mostrar a Bellatriz fria, má, depois de todos aqueles anos.
Esse foi o último capítulo da fic, porém ainda temos o epílogo que explica tudo... Ele já está pronto e só espera comentários para ser postado.
Sem mais o que dizer, beijos!