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12. Capítulo 12


Fic: Sem Clima para o Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Gina passava em meio aos diversos membros dos clubes sociais e organizações de caridade, dos quais sua mãe participava, sorrindo e tendo conversas ligeiras. Vários decibéis abaixo do murmúrio das vozes, Bing Crosby cantava The First Noel. Para a festa de Natal daquele ano, Gina prendera um ramo de azevinhos no bolsinho de cima de seu suéter angorá de penugens. O suéter era fechado com botões de pérola na frente, e a parte de baixo chegava-lhe pouco além da linha da cintura de suas calças de lã escuras. Amarrara nos pés sandálias vermelhas de salto alto e colocara o cabelo preto em um rabo de cavalo encoberto simples. Usava pouca maquiagem e o batom vermelho combinava com o suéter. Estava com ótima aparência. Sabia disso. Não tinha motivos para negar. Era muito ruim ter de ficar negando que se vestira tendo um certo repórter em mente. Podia dizer a si mesma que sempre tentara caprichar, o que, em boa parte, era verdade. Só que nunca ficara tão meticulosa com o delineador para olhos, ou aplicara máscara e separara os cílios com tanta perfeição, apenas para ir a uma das festas de sua mãe.


Ignorava o porquê de ter se dado tanto trabalho. Nem sequer gostava de Harry. Bom, nem tanto assim. Decerto não o bastante para chegar a esse nível de preocupação com sua aparência. Pena que tendia a esquecer que não se importava tanto com ele no instante em que os lábios de ambos se tocavam. Ele tinha uma maneira de fazer com que todo pensamento racional se evaporasse. De fazê-la sentir aquele calor interno e querer ser absorvida naquele tórax enorme.


Disse a si mesma que aquilo pouco tinha a ver com Harry e mais com o fato de ele ser um heterossexual saudável. A testosterona grudava na pele dele como uma droga intoxicante, e ele fabricava feromônios para dar overdose em qualquer mulher a cem metros. Depois de Draco, ela estava vulnerável, principalmente a esse tipo de força sexual.


Da última vez que a beijara, tinha toda a intenção de se limitar a ficar ali, distante e sem envolvimento. A melhor forma de desmotivar um homem era permanecer imóvel ao abraço dele. Se James não tivesse entrado na casa dos fundos, não saberia até que ponto ia deixar o barco correr antes de deter Harry.


Ela, porém, o teria impedido, porque não precisava de um homem em sua vida. Então por que o batom vermelho e um suéter de penugem? , indagou uma voz interior. Meses atrás, nem teria parado para perguntar isso a si mesma, que dirá pensar numa resposta. Teve um diálogo superficial com as amigas da mãe enquanto pensava nisso e decidiu que era a velha e sincera vaidade, ampliada pelas inseguranças originárias da infância. De qualquer forma, porém, não importava. O carro alugado dele não estava mais estacionado diante da garagem. Talvez tivesse voltado a Seattle e ela ficava se importando com a aparência em uma casa repleta de amigas da mãe dela.


Uma hora mais tarde, na festa de Natal, e Gina reconhecia que as coisas caminhavam surpreendentemente bem. As fofocas iam das mundanas e reprováveis até as mais suculentas. Do mais novo encarregado de levantar fundos e a qualidade geral e apavorante dos membros mais jovens do clube, ao marido de Lurleen Maddigan, cirurgião cardíaco, que fugiu com Mary Fran Randall, trinta anos, filha do doutor e da senhora Randall. Era compreensível que tanto Lurleen quanto o senhor Randall recusassem o convite à festa naquele ano.


- Lurleen não anda bem desde sua histerectomia - Gina escutava alguém cochichando enquanto levava uma bandeja de prata com canapés até a mesa do jantar.


Gina conhecia a senhora Maddigan há muito tempo e imaginou que ela jamais andava bem. Qualquer uma que fizesse Molly Weasley parecer preguiçosa tinha sérios problemas de controle. Além disso, mentir não era correto, e ser trocada por uma mulher com metade da sua idade deve ter sido humilhante e doloroso. Talvez até mais do que dar de cara com seu noivo e o rapaz da assistência técnica.


- Como vão seus livros, querida? - perguntou Evelyn  Bruce, uma das amigas íntimas de Molly. Gina voltou a atenção à senhora Bruce e lutou contra o ímpeto de observar com o canto dos olhos. Evelyn se negava a acreditar que tinha chegado aos setenta anos, e ainda tingia o cabelo de vermelho. A cor era tão brilhante que a fazia ficar branca como um cadáver e não combinava nada com o tailleur St. John escarlate.


- Vão bem - retrucou Gina. - Obrigada por perguntar. Meu oitavo livro sai neste mês.


- Que maravilha! Sempre achei que alguém deveria escrever um livro sobre a minha vida.


Não é o que todo mundo pensa? O problema é que a maioria das pessoas acha a vida delas mais interessantes do que de fato são.


- Quem sabe eu poderia lhe contar e você escreveria para mim.


Gina deu um sorriso.


- Eu escrevo ficção, senhora Bruce. Tenho certeza de que não ia conseguir contar sua história tão bem quanto a senhora. Com licença - escapou para a cozinha, onde James estava preparando um novo lote de gemada. Uma mistura de canela e cravo da Índia fervidos em fogo brando sobre o fogão, enchendo a casa com os aromas da temporada.


- Posso fazer alguma coisa? - perguntou, enquanto se punha ao lado do velho cavalheiro.


- Vá se divertir.


Pouco provável que isso acontecesse. A velha guarda da Comunidade de Voluntárias não se constituirá exatamente de garotas divertidas. Gina bateu os olhos na janela de trás e viu seu Lexus estacionado próximo ao Town Car de James. Nem sinal do automóvel alugado.


- Harry voltou para casa? - perguntou, apanhando um saca-rolhas.


- Não. Devolvemos o carro. Não precisamos dele, porque Harry pode guiar o Lincoln enquanto estiver aqui


- James fez os ovos brancos mexidos na mistura de gemada. - Ele está sozinho lá na casa dos fundos. Com certeza não vai ligar se você der um pulo para dizer um alô.


A notícia de que Harry ainda estava na cidade provocou um choque elétrico nos nervos dela, e ela apertou a garrafa:


- Ah... não, não, eu não posso deixar você com todo este trabalho.


- Não tem muito o que fazer aqui.


O que era mesmo verdade. A última coisa de que precisava, entretanto, era ficar a sós com Harry. Ele a faria esquecer seu vazio masculino.


Gina agarrou uma garrafa de Chardonnay e enfiou o saca-rolhas.


- As damas sempre podem querer mais vinho - disse.


- Aconteceu alguma coisa entre você e Harry ontem? - perguntou James, enquanto colocava uma tigela de gemada na geladeira e apanhava outra, que preparara antes. - Quando entrei lá na casa, você parecia meio agitada.


- Ah, não - balançou a cabeça e sentiu as faces esquentarem, à medida que se recordava do beijo do dia anterior. Num instante estava saboreando o chocolate quente. No outro, saboreava Harry.


- Tem certeza? Eu me lembro de como ele te deixava toda nervosa quando você era uma menina - James depositou a tigela sobre a bancada e salpicou noz-moscada por cima. - Acho que ele gostava de puxar suas trancinhas só pra ouvir você gritar.


Gina puxou a rolha e deixou que um sorriso satisfeito lhe curvasse os lábios. Hoje em dia ele tinha uma forma totalmente nova de irritá-la.


- Não aconteceu nada. Ele não puxou meu cabelo nem me tapeou para ficar com meu dinheiro - nada disso, só a beijou e a fez querer mais.


James olhou-a bem de perto. Balançou a cabeça.


- Se você tem certeza ...


Deus do céu, ela mentia bem.


- Tenho - agarrou o vinho e foi para a despensa. James deu uma risadinha e chamou por ela: - Ele pode ser um patife.


- É - respondeu Gina, apesar de haver outros termos que se encaixariam melhor. Abriu a porta da despensa para dentro e entrou, acendeu a luz e passou por uma escada e por fileiras de mantimentos enlatados. Em uma estante traseira, apanhou uma caixa de farinha e biscoitos de centeio.


Voltando à sala de jantar, Gina colocou o vinho ao lado das outras garrafas. Tornou a encher uma bandeja de vime vermelha com biscoitos e puxou uma uva verde de seu vinho. Ouviu, vinda da sala de visitas, a risada da mãe acima de um grupo de vozes no vestíbulo próximo à árvore de natal.


- Hoje em dia deixam qualquer um entrar no clube – disse alguém. - Antes de se casar, ela trabalhava no Wal-Mart.


Gina franziu a testa e estourou a uva na boca. Não via nada de errado em trabalhar no Wal-Mart; só nas pessoas que achavam que aquilo era errado.


- Como vai a vida amorosa? - perguntou Berni Lang, perto da peça central com vasos de narcisos.


- No momento, não existe - respondeu Gina.


- Você não estava noiva? Ou era a filha de Prue Williams?


Gina sentiu -se tentada a mentir, mas sabia que Berni não estava enganada. Apenas usava sua falsa ingenuidade como alavanca para fazer um pouco de inquisição insistente.


- Tive um relacionamento breve, mas não deu certo.


- Que coisa chata. Você é uma moça atraente. Não entendo como ainda está solteira - Bernice Lang contava com setenta e poucos anos de idade, um caso brando de osteoporose e um caso grave de velhice feminina. Uma aflição que atingia algumas mulheres com mais de setenta, que acreditavam poder ser tão grosseiras quanto quisessem. - Quantos anos você tem? Se não se importar em me dizer.


É lógico que se importava. Sabia o rumo daquela conversa.


- Nem um pouco. Vou fazer trinta e quatro daqui a uns meses.


- Ah! - ergueu uma taça de vinho até os lábios, mas parou no meio do caminho, como se um pensamento acabasse de lhe ocorrer. – É melhor se apressar, não? Senão seu ovário murcha. Isso aconteceu com a filha de Patrícia Beideman, Linda. Quando ela encontrou um homem, não podia mais ter filhos sem uma placa de Petri - tomou um gole e continuou.


- Tenho um neto pelo qual talvez você se interesse.


E ter você como avó? Pode parar.


- Não estou namorando no momento - disse Gina, e apanhou uma bandeja de canapés. - Se me der licença ... - saiu da sala de jantar antes que fosse vencida pelo impulso de dizer a Berni que o ovário dela não era da conta da velhota.


Gina não acreditava que o relógio biológico começasse a contagem regressiva até uma mulher passar dos trinta e cinco. Estava a salvo por um ano; mesmo assim, seu estômago deu um nó. Imaginou que se tratava do estresse de obrigar-se a ser educada. Nada de ovário murchando. Mas... esse nó estava um tanto baixo para ser no estômago. Talvez?... Maldita Berni! Como se não houvesse pressão suficiente em sua vida. Tinha um prazo de livro aproximando-se da cabeça e, em vez de trabalhar, ficava servindo aperitivos para as amigas de sua mãe.


Levou a bandeja à sala de visitas:


- Canapés?


- Obrigada, querida - disse a mãe, examinando a bandeja. - Esses estão lindos - arrumou os azevinhos no bolso de Gina e disse. - Você está lembrada da senhora Hillard?


- É claro - Gina segurou a bandeja de lado e beijou o ar acima da bochecha de Ava Hillard. - Como vai?


- Bem - Ava apanhou um canapé. - Sua mãe me disse que vai sair um livro novo seu este mês - mordeu o salgadinho e molhou-o com o Chardonnay.


- É.


- Acho isso maravilhoso Não consigo imaginar como seria escrever um livro inteiro - olhou Gina através de um par de óculos finos de casco de tartaruga. - Você deve ser bem criativa.


- Eu tento ser.


- Gina sempre foi uma criança muito criativa - disse a mãe, enquanto rearranjava os canapés, como se não tivessem sido colocados nos ângulos exatos. A antiga Gina agressiva-passiva teria sem querer inclinado a bandeja, e os aperitivos teriam escorregado. A nova Gina limitou-se a sorrir e deixar a mãe fazer o que bem entendesse. Arranjos de canapés não eram nada que a abalassem.


- Adoro ler - Ava era a última esposa de Norris Hillard, o homem mais rico do Estado e o terceiro mais rico do país. - Sua mãe sugeriu que eu lhe pedisse um exemplar do seu livro mais recente.


Sua mãe prometendo brindes era, porém, um tanto irritante.


- Não dou exemplares de graça, mas a senhora pode comprá-los em qualquer livraria da região - olhou para a mãe e sorriu. - Vou esquentar esses aqui - disse, segurando a bandeja - Com licença.


Foi trançando seu caminho através das amigas da mãe, distribuiu alguns canapés e dirigiu-se à cozinha sem perder a elegância ou o sorriso. Esperava encontrar James vadiando por ali. Em vez disso, lá estava Harry, perto da bancada, de costas para a sala observando o quintal. Usava uma camiseta por baixo de um suéter cinza volumoso e suas costumeiras calças cargo. Seu cabelo parecia molhado contra a parte de trás de sua cabeça e do pescoço nu. Ao som dos sapatos sobre o piso de telhas, voltou-se e olhou-a. Seus olhos verdes depararam-se com os dela e sustentaram o olhar, e Gina parou de repente.


- Onde está James? - perguntou, enquanto vários aperitivos deslocavam -se precariamente perto da beira da bandeja.


Harry, sendo Harry, sentia-se à vontade com o vinho tinto de Molly e segurava uma taça perto dos lábios:


- Ele disse que estava descansando.


- Na casa dos fundos?


- É - o olhar de Harry baixou dos olhos de Gina até a boca. Em seguida, seguiu vagarosamente até os azevinhos. Apontou para ela com a taça. - Você fica bem de vermelho.


- Obrigada - caminhou alguns passos adiante e colocou a bandeja na bancada no centro da cozinha. Ele também estava bem vestido, de um jeito totalmente consumível, e ela manteve uma distância proposital. Seu estômago parecia leve e pesado ao mesmo tempo, e ela tentou uma conversa educada - O que você tem feito desde ontem?


- Fiquei lendo a noite toda - bebeu um gole do vinho.


A distância entre ambos permitiu que o estômago dela acalmasse, e Gina respirou aliviada.


- Sobre o quê?


Harry fitou-a através da taça e disse:


- Piratas.


- Piratas de internet?


- Internet? - balançou a cabeça, e um dos cantos de sua boca ergueu em um sorriso. - Não. Alto-mar. Do tipo capa e espada, mesmo.


Os dois primeiros livros dela eram sobre piratas. O primeiro era com o Capitão Jonathan Blackwell, filho bastardo do Duque de Stanhope. No segundo, o protagonista era William Dewhurst, cujo amor por saques pelo Pacífico Sul só perdia para o amor em arrebatar Lady Lydia.Quando fez sua pesquisa para escrever esses livros, aprendeu que a pirataria ainda era um problema. Sem dúvida não tanto quanto há várias centenas de anos, mas era tão violenta quanto.


- Você está escrevendo um artigo sobre pirataria?


- Não. Nada de artigos - andou na direção dela e depositou a taça perto da bandeja de prata, removendo, cedo ou tarde, a distância segura e agradável entre os dois.


- Como vai a festa?


Gina encolheu os ombros:


- Berni Lag me disse que meu ovário está murchando.


Harry limitou-se a olhá-la com seus olhos de um verde profundo, sem a menor idéia do que ela estava falando. Lógico que não. Homens não tinham de se preocupar com relógios biológicos tocando nem óvulos envelhecendo.


- Ela está preocupada porque, se eu não tomar alguma providência, só vou poder ser mãe com uma placa de Petri.


- Ah! - meneou a cabeça para trás e baixou os olhos para o abdome dela. - Isso está perturbando você?


- Não - colocou uma mão sobre o estômago, como se estivesse se protegendo do potente olhar sexual dele. Se existia um homem que podia engravidar com um simples olhar, era Harry Potter. - Ou não estava, pelo menos até hoje. Agora, estou um pouco apavorada.


- Eu não ficaria preocupado, se fosse você - voltou os olhos para o rosto dela. - Você ainda é nova e bonita e vai encontrar alguém que faça um bebê com você.


Ele tinha dito que ela era bonita, e por algum motivo imbecil, aquilo a deixou achando que ia desmaiar e sentindo-se um tanto aquecida e confusa. Tocara naquela garotinha dentro de si, que costumava segui-lo por todo lugar. Tirou os olhos dos dele e baixou a vista até os aperitivos. Tinha ido a cozinha fazer o quê, mesmo?


- Se não encontrar, você pode adotar ou ir atrás de um doador de esperma.


Gina agarrou a bandeja de prata e rumou até a pia.


- Não. Isso pode ser bom para algumas mulheres, mas eu quero um pai para o meu filho.Um pai por tempo integral - falar sobre esperma e doações a fez pensar em produzir bebês da forma antiga. E aquilo a fez pensar em Harry diante dela, só de toalha. - Quero ter mais de um filho e quero um marido para me ajudar a criá-los - removeu a sujeira de cima da pia. - Com certeza, você sabe a importância que um pai tem na vida de um menino.


- Eu sei, mas você sabe que a vida não é perfeita. Mesmo com a melhor das intenções, cinqüenta por cento dos casamentos acabam em divórcio.


Pensar nele com aquela toalha a fez pensar nele sem a toalha.


- Mas cinqüenta por cento não - afirmou, sem pensar no que fizera ao despejar os aperitivos. Assim que os viu caindo no lixo, lembrou-se de que viera à cozinha para esquentá-los, e não jogá-los fora.


- Você quer um conto de fadas.


- Eu quero uma oportunidade em um - diacho.


Tinha ficado horas fazendo os rolinhos de marshmallow. Por uma fração de segundo pensou em tirá-los do lixo. Tinha sido culpa de Harry. Ele parecia ter sugado o ar do recinto e privado o cérebro dela de oxigênio. Enfiou os restos de comida de volta para debaixo da pia e fechou a porta. E agora?


- Você acredita mesmo em "felizes para sempre"?


Gina se voltou e observou-o. Não parecia estar troçando dela, apenas curioso. Será que ela ainda acreditava? Apesar de tudo?


- Acredito - respondeu, cheia de convicção. Talvez não acreditasse mais em um amor perfeito, ou em amor à primeira vista, mas será que ainda acreditava em um amor duradouro? – Eu acredito que duas pessoas podem ser felizes e ter uma vida incrível juntas.


Colocou a bandeja sobre a bancada, próxima a um prato de balas de coco sabor menta no formato de pequeninas árvores de natal. Atirou um dentro da boca e inclinou o traseiro contra a bancada. Tinha cozinhado todos os aperitivos e acabara de jogá-los fora. Olhou para baixo, avistando as unhas dos dedos dos pés, vermelhas, enquanto se lembrava de um peixe congelado no freezer da mãe. Não havia, porém, o que fazer com ele.


- Nossos pais nunca conseguiram.


Gina fitou Harry, que se voltou na direção dela com os braços cruzados sobre o peito de seu suéter volumoso.


- É verdade, mas o meu pai e a sua mãe se atiraram em um casamento pelos motivos errados. Os meus porque ela achou que poderia mudar um mulherengo charmoso e os seus porque... bom, porque ...


- Minha mãe estava grávida - concluiu para ela. – E a gente sabe como tudo acabou. Foi um desastre. Os dois fizeram muito infelizes um ao outro.


- Não precisa ser assim.


- E o que vai impedir? Caixas de bombons e flores e declarações grandiosas de amor infinito? Não vai me dizer que você acredita mesmo nessas coisas?


Ela encolheu os ombros.


- Eu só quero alguém que me ame de uma forma tão sincera e apaixonada quanto eu amar essa pessoa – afastou-se da bancada e dirigiu -se à geladeira. Abriu a porta do freezer e encontrou ali um velho galão de sorvete, embalagens de frango e a truta que James dera a Molly a última vez em que ele e Harry tinham ido pescar. Fechou o freezer e perguntou - E você? - estava cansada de falar sobre si. - Você quer ter filhos?


- De um tempo pra cá tenho pensado em ter um algum dia - Gina olhou-o de volta enquanto abria a geladeira. Harry bebeu um pouco de vinho e adicionou. – Mas uma esposa é outra coisa. Não consigo me ver casado.


Nem ela conseguia vê-lo casado. Inclinou-se para frente e colocou as mãos nos joelhos para examinar a geladeira com atenção.


- Você é um desses caras.


- Que caras?


Leite. Suco de toranja. Jarras de salsa.


- Dos que não conseguem se ver ligados a uma mulher pelo resto da vida, porque existe uma porção de mulheres por aí esperando para serem conquistadas. Do tipo "Por que ter farinha de aveia todos os dias, se eu posso comer flocos de milho?" - queijo gorgonzola. Um pedaço de qualquer coisa com forma de fatia de pizza. - Sabe o que acontece com eles?


- Conta pra mim.


- Quando eles chegam aos cinqüenta, estão sozinhos e descobrem, de repente, que está na hora de sossegar. Aí tomam Viagra e arranjam uma mulher de vinte anos para casar e parir uns filhos - Queijo. Picles. Ovos. - Só que eles estão velhos demais para curtir as crianças, e quando eles chegam aos sessenta anos as mulheres de vinte os largam para ficar com alguém da mesma idade e limpam a conta bancária do sujeito. Aí eles ficam tristes, arrasados e não entendem por que estão sozinhos - pegou um jarro de azeitonas Kalamata. - Os filhos não querem esses caras por perto na escola porque eles estão quase se aposentando e todos os outros colegas de classe acham que o pai é o avô.


Nossa, pensou ela enquanto endireitava o corpo, aquilo parecia cínico. Sem dúvida, estava ouvindo Tonks demais. Leu a data de vencimento na jarra de azeitonas.


- Não que eu seja amarga ou coisa assim - disse, em meio a um sorriso, à medida que seus olhos conduziam-se até os ombros dele. - Nem todo homem é um mané imaturo - continuou, e surpreendeu Harry encarando-lhe o traseiro. - Mas talvez eu esteja errada quanto a isso.


Ele ergueu os olhos de novo até os dela:


- O quê?


- Você ouviu alguma coisa do que eu disse? - fechou a porta e colocou as azeitonas em cima da bancada. Não sabia o que fazer com elas, mas pareciam melhor do que qualquer coisa na geladeira.


- Ouvi. Você acha que eu não me vejo casado porque quero "conquistar" uma porção de mulheres diferentes e comer as caixinhas de flocos de milho delas - sorriu. - Não é nada disso. Não me vejo casado porque eu não paro em casa e, pela minha experiência, a distância não faz o amor crescer. Enquanto eu estiver fora, ou a mulher se foi ou eu. Se não, ela vai começar a achar que meu trabalho é um rival e pedir que eu trabalhe menos para passar mais tempo com ela.


Gina não podia culpá-lo pela última frase. Sabia o que era ter um emprego quando seu namorado estava a fim de brincar. Sentiu afinidade com Harry até que ele disse:


- E as mulheres não conseguem deixar nada em paz. Se tudo está caminhando direitinho, elas têm de pegar, torturar e ficar falando até a morte. Elas sempre querem discutir sentimentos, discutir a relação e assumir um compromisso.


- Meu Deus, você devia usar um sinal de advertência.


- Jamais menti para uma mulher. Eu já tive todo o tipo de relacionamento.


Embora não usasse tantas palavras, Harry tinha um jeito de olhar as mulheres que a fazia Gina achar que pudesse ser especial para ele, quando, na verdade, ela era especial até ele partir. E ela mesma, que sabia que Harry era como uma serpente persuasiva, não era imune. Não era imune ao modo como ele a observava, a beijava, a tocava e a seduzia da mesma forma que sabia que deveria sair correndo e berrando na direção contrária.


- Defina relacionamento.


- Jesus Cristo! - suspirou. - Que garota! – ergueu uma das mãos e, em seguida, deixou-a cair. – Um relacionamento... é como namorar e transar com a mesma pessoa com freqüência.


- E você, hein? Que garoto! - balançou a cabeça e foi até o outro lado da bancada da cozinha. – Relacionamentos deveriam ir além de sair para jantar, ver um filme e cair no sono - podia ter falado mais sobre o assunto, mas não achava que valia a pena. - Quanto durou foi seu relacionamento mais longo?


Harry pensou por um instante e respondeu:


- Uns oito meses.


Gina pousou as mãos nas telhas brancas e tamborilou os dedos. Enquanto o olhava nos olhos a uma distância segura. - Então, provavelmente, vocês só se viam a metade do tempo.


- Mais ou menos.


- Somando tudo, vocês ficaram juntos, mesmo, uns quatro meses - balançou novamente a cabeça e caminhou pela cozinha até a despensa, seus saltos altos pipocando sobre o piso. - Estou chocada.


- Com o quê? Que não tenha durado mais tempo?


- Não - respondeu, abrindo a porta. - Que durou tanto tempo. Quatro meses é tempo demais para não aborrecer você com conversas sobre compromisso e sentimentos - franziu o rosto para ele e caminhou para a despensa. – Essa mulher, coitada, deve ter ficado com um belo desgaste mental - passou pela escada de serviço e procurou uma caixa disto ou uma lata daquilo. Qualquer coisa que deixasse as amigas de sua mãe agitadas.


- Não fique com pena dela - respondeu ele, da entrada. - Ela era professora de yoga e pilates, e eu a deixava malhar na minha cama. Até onde eu me lembro, a posição favorita dela é a de cachorra.


O que provava, mais uma vez, que a mulher fazia tudo em um relacionamento.


- Quer dizer, "do cachorro com a face para baixo"?


- É. Conhece?


Gina ignorou a pergunta.


- Então a professora de yoga tinha de se curvar o tempo podo para satisfazer você. Imagino que ela tinha de agitar seu mundo dentro e fora da cama, mas o que ela ganhou com esse relacionamento? Além de um abdome trabalhado e glúteos de aço?


Harry riu como um pecador por natureza:


- Fora da cama ela ganhava jantares e filmes. Na cama, orgasmos múltiplos.


Ah. Tá. Aquilo era legal. Nunca tinha tido um orgasmo múltiplo. Embora tenha achado que tivesse chegado perto, certa vez.


Ele enfiou um ombro pelo batente da porta:


- Que foi? Não tem nada a dizer?


Na verdade, de qualquer forma, não era mesquinha. Fazia tanto tempo que ela não ligaria em experimentar um.


- Tipo?


- Tipo um relacionamento não se baseia em sexo, e uma mulher precisa mais do que orgasmos múltiplos.


- Verdade. Precisa - fechou os olhos e balançou a cabeça. - Sim, precisamos. E um relacionamento vai além do sexo - devolveu o olhar a ele, ali parado, como se fosse o gostosão do mês. Estava deixando que ele desviasse do assunto fazendo-a pensar em orgasmos. Dirigiu-se à despensa atrás de biscoitos ou...


Ele se afastou do batente e fechou a porta com o pé.


- O que você está fazendo?


Harry avançou alguns passos até que ela inclinasse a cabeça para olhá-lo no rosto. - Aparentemente, estou me aproximando furtivamente de você.


- Por quê? - lá vinha ele fazendo aquilo de novo. Aquilo de sugar todo o ar o recinto e deixá-la com a cabeça leve. - Está entediado?


- Entediado? - pensou por vários instantes, considerando a questão antes de responder. - Não. Não estou entediado.


n/a: só tenho a dizer que essa visita a despensa promete... 

      Pra próxima fic então atentendo a maioria que se manifestou vai de Procurador de justiça, mas não esperem um engomadinho dentro de um tribunal... vou tentar começar o mais rápido possíivel...
      Bjus e até logo... 

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Comentários: 5

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Enviado por Be Weasley Potter em 18/07/2013

 

Sullen, I'm so sorry.. Eu tenho estado atolada. Sério, quase nem tenho entrado na internet.. A fic já ta acabando e eu to quase perdendo o fim dela.. E talvez, até o começo da outra.. :/ Tenha paciência comigo, pois vou comentar a cada capítulo postado mesmo tendo outros na frente, vai ser como se eu tivesse participado. rs

Caramba, Gina arrasou no discurso dos "homens de 50 anos". Mas é verdade, quando eles pensam em sossegar já tarde demais, isso quando tem aqueles que ainda não tomaram vergonha na cara, dá até asco de ver. Argh! "Se existia um homem que podia engravidar com um simples olhar, era Harry Potter." Eu ri muito com essa frase!! Não a esquecerei tão cedo! kkkkkkkk Sorrindo até agora com esse cap. OMG!!! Harry e Gina na despensa.. O que vem depois?!

Nota: 5

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Enviado por Edwiges Potter em 04/07/2013
Pelo jeito voce adora parar bem nas melhores partes!!! Sacanagem, poxa!!! Ce mata a gente assim!!! Eu tambem gostei muito dessa conversa s dois!!!!!! PoOR FAVOR NAO DEMORE CO M O PROXIMO CAP.!!!!
Nota: 5

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Enviado por Pacoalina em 04/07/2013

essa fic é mt boa!!!chega logo próximo capíulo!!

Nota: 5

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Enviado por Beatriz Granger Weasley em 04/07/2013

Muiita sacanagem parar nessa parte , maldade kkkk'. Dou muita risada com as reações da Gina, pf poste mais logo!! 

Nota: 5

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:: Página [1] ::

Enviado por Luhna em 04/07/2013

AH, JESUSSS!!!!!!!!!!!!!! Como você para bem nessa parte, Sullen? Que maldade, fala sério. :/ E eu AMO essas conversas do Harry e da Gina, mesmo achando que ficaria louca da vida se estivesse no lugar dela, com Harry me provocando desse jeito... E James é perceptivo, hein? Eu já disse isso, mas acho que ele ficaria feliz de ver o filho com a Gina. E o Harry vai acabar se desligando um pouco do trabalho, anota aí. Acho que não vai viajar tanto mais. E eu me vi na Gina ali, totalmente, quando ela estava falando aquelas coisas de relacionamento.
Mudando de assunto: U-HUL!!!!!!!!!! O próximo Harry vai ser Procurador de Justiça; que lindo! *_* E não esquenta, não tô esperando nenhum engomadinho. Até porque engomadinhos demais não me atraíram até hoje. E o que eu mais admiro em Procuradores, advogados e juízes é a capacidade daqueles caras bonitos ficarem ainda mais bonitos só por vestirem paletó e gravata, sem mais. Fica tão lindo e elegante e atraente... *_* E eu imagino o Harry Procurador de Justiça mais ou menos nesse estilo, sabe? Ganhando causa atrás de causa no Tribunal e, fora dele, conquistando as mulheres com a lábia bem desenvolvida, menos a Gina, que imagino trabalhar na área jurídica também... e é aí que ele ficaria MALUCO!!!!!!!!

Nota: 5

Páginas:[1]
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