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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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1. Você me bagunça


Fic: Você me bagunça


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Bom, quero desejar à minha amiga secreta um feliz natal e um ano novo maravilhoso.
Não conheço nada de você, mas dei uma fuçada no seu Face, e pelo o que você tinha pedido, talvez eu tenha acertado rs.


Espero que goste Patrícia Costa!


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VOCÊ ME BAGUNÇA


 


 


Difícil precisar quanto preciso
Difícil precisar quanto preciso


 


 


A garota de cabelos negros agarrara os fios castanhos da outra, levantando um pouco sua cabeça.


 


A outra, que mantinha os olhos fechados, a ajudara arqueando também o corpo, forçando mais o meio de suas pernas contra a parte íntima da garota que estava grudada nela.


 


A garota aproveitara a provocação e erguera a outra, trazendo o seu corpo mais para si. Era fácil pegá-la, uma vez que possuía bastante força.


 


Sua respiração se tornava cada vez mais pesada, e quando os olhos cinzentos se pousaram nas mãos da menina de cabelos castanhos, que apertavam os lençóis, ela não teve dúvida do que precisava fazer.


 


Arrancara de uma vez só o pijama da outra. Em seguida ergueu-se um pouco se livrando também de suas roupas.


 


A menina abrira os olhos, esbanjando um verde extremamente vívido apesar da escuridão. Aqueles olhos a desafiavam.


 


- Mila... você pode fazer o que quiser... – disse baixinho a garota agora desnuda.


 


- Shh... – pediu, calando-a em seguida com um beijo voraz.


 


E aquele gesto parecia selar o momento.


 


A garota a penetrara, e a penetrava mais fortemente a cada segundo... poderia imaginar a outra gritando se não houvessem os seus lábios interferindo.


 


Seu corpo se movimentava junto com seus braços, que erguiam de tempo em tempo a outra menina ao mesmo tempo em que sua mão a sentia por dentro. E era incrível.


 


Cessara o beijo por cinco segundos.


 


Fora o tempo de a outra gemer alto em seu ouvido.


 


- Não quero que nos ouçam Tracey! – argumentou forte sob o ouvido da menina de cabelos castanhos, enquanto a levantava e a prensava contra a parede.


 


- Desculpe – pedira. – Só continue... continue...


 


A garota descera sua língua até o sexo da outra, e o sentira por um momento.


 


Sentira seus joelhos cederem.


 


Em seguida subira, os fios negros balançando suavemente com a brisa gélida daquela madrugada de Natal, e tomara-lhe os seios em sua boca, com mais voracidade que antes.


 


A menina de olhos verdes vívidos gemera mais baixo.


 


Ouviram de repente a porta do dormitório se abrir.


 


Imediatamente a garota de cabelos negros olhara para trás.


 


- Emília, o que...? – Era Pansy, e o que ela estava fazendo ali, àquela hora, era um mistério.


 


- Ah... Pansy... não é o que você... – disse enquanto se sentava puxando os lençóis para si, e Tracey também a acompanhava.


 


- Não venha com essa de não é o que eu estou pensando – indagou Pansy sarcástica, movendo o malão que carregava até sua cama de colunas. – Eu não sou cega.


 


- Pansy... não pense que eu sou lésbica! – pediu a menina de cabelos castanhos se levantando, ainda enrolada nos lençóis. – Por favor, eu...


 


- E o que eu deveria pensar? – a cortou a garota loira, enquanto sentava-se na cama, e se concentrava em retirar suas botas. – Hein, o que? – terminou, agora encarando Emília.


 


- Só esqueça isso, Tracey não é lésbica, é só o que você precisa saber – disse simplesmente a garota de cabelos negros. – Amanhã nós conversamos – concluiu seca, enquanto se deitava e virava-se para a parede.


 


Mirros, o gato negro e gordo de Emília, pulara em sua cama e enroscara-se em seus pés.


 


Tracey continuava encarando Pansy de pé, a súplica reboando em seus olhos.


 


A loira a encarou finalmente.


 


- Por que precisa tanto que eu acredite nisso? – perguntou Pansy com a voz baixa. – Você não parecia ter vergonha há dois minutos Tracey.


 


- Não é vergonha – afirmou se aproximando mais da garota. – Foi apenas um momento... um momento de curiosidade...


 


- Com todo o respeito Tracey – começou Pansy deitando-se e puxando os lençóis para si. – Você é minha amiga, e eu não ligo para o que queira fazer... Se quiser se roçar com mulheres, eu não estou nem ai... Só me deixe em paz, eu estou com sono. – E virou-se para a parede.


 


Alguns momentos depois, Pansy e Emília puderam ouvir Tracey se arrastar para sua cama, e assim como elas, tentar dormir.


 


 


 


 


Me desapropria o rumo, o prumo, juro me padeço com você
Me desassossega, rega a alma, roga a calma em minha travessia

Outro "porquê"


 


 


                - Por que você chegou ontem àquela hora? – indagou Emília à garota sentada em frente ao lago. Não tivera a chance de conversar com ela pela manhã.


               


- Não importa – respondeu Pansy.


               


- Como assim não importa? – perguntou com voz nervosa, enquanto também se sentava. – Eu sou sua amiga, preciso saber por que você voltou às cinco horas da madrugada em noite de Natal para a escola!


               


- É mesmo? – indagou a loira, sarcástica. – Ontem não parecia se importar tanto.


               


- Ontem foi um momento ruim Pansy – retrucou logo. – Fomos todas pegas desprevenidas.


               


- Você não parecia desprevenida com a magrela da Tracey...


               


- Pansy! – advertiu Emília. – O que há com você? Eu te contei em setembro... eu te falei que realmente gostava de garotas Pan! Te contei sobre a viagem que fizemos nas férias, a viagem ao Oriente , onde ficamos na casa do amigo do meu pai... onde rolou aquela coisa com a filha do cara... Você estava bem com isso!


 


                - Eu sei Mila... eu sei... – sussurrou Pansy.


 


                - Então qual foi o problema...? Foi a Tracey...? Você não esperava isso dela? – perguntou repetidamente. Estava preocupada com a reação da amiga.


 


                - Não esperava na verdade... – respondeu a loira. Parecia menos... fria. – E acho que também não estava preparada para ver uma cena assim... Você há de concordar que é meio... constrangedor.


 


                - Eu sei que é, você não estava no nosso lugar... – rebateu Emília. – Acredito que tenha sido um pouco pior.


 


                Pausa.


 


                - O que há entre vocês duas? – a pergunta escapara da boca de Pansy. – Digo, antes de você me contar o que havia acontecido nas férias entre você e a garota da viagem... eu não pensava nisso, e hum... Não imaginava que Tracey poderia também gostar de garotas. – Seu tom de voz ainda estava rude.


 


                - Não há nada, foi como ela disse... Curiosidade da parte dela – respondeu simples.


 


                - Só isso? – indagou Pansy, a ironia surgindo mais uma vez. – Vocês estavam simplesmente curtindo a ressaca do Natal e pensaram... Nossa, que tédio... Vamos trepar para passar o tempo! – Agora sim, o sarcasmo como só Pansy Parkinson era capaz de promover.


 


                - Pan, é claro que não! – exclamou Emília com uma mescla de sorriso nos lábios.


 


                - Eu quero saber exatamente o que houve - pediu Pansy, o seu tom de voz autoritário alteando como sempre.


 


                - Pois eu só vou te contar, se me falar de uma vez por todas por que chegou àquela hora – contrapôs a garota de cabelos negros.


 


                Pansy bufou um pouco.


 


                - Houve um problema, meus pais precisaram ir resolver, e antes meu pai me trouxe aparatando até Hogsmeade... – contou Pansy, o tédio dançava em sua voz. – Só isso.


 


                - Só isso? – indagou Emília. – Que problema foi esse? – enfatizou a pergunta.


 


                - Oras Mila... nem eu sei ao certo, isso já não interessa! – exclamou um pouco alterada a garota, enquanto virava-se e encarava o cinza nos olhos da menina ao seu lado.


 


                - Ok... ok...


 


                Pausa.


 


                - Me conta! – pediu Pansy, ainda um pouco alterada.


 


                - Ah... – Emília se levantou. – Eu não vou te contar agora.


 


                - O que? – indagou Pansy também se levantando. – Você disse que me contaria! Por isso nunca acredito em você!


 


                - Prometo que mais tarde com certeza te conto, eu marquei de ver a Tracey sabe... – disse sorrindo, e já se afastando.


 


                - Você é uma idiota – pronunciou a loira, enquanto puxava a outra pela gravata bruscamente. – Acho bom você ser sincera comigo... – sussurrou no ouvido de Emília. – Você sabe que tem que ser sincera comigo, não sabe? – indagou ainda sussurrando e puxando mais a garota contra si, a gravata agora, totalmente enrolada em seus dedos.


 


                Emília afastara o rosto o máximo que pudera.


 


                - Ou o que Pansy...?


 


                A loira apenas sorrira, mantendo a pouca distância.


 


                - Eu não vou me encontrar com ela... Só quero sair de perto de você – respondeu a garota de cabelos negros. – Está boa essa sinceridade para você?


 


                - E por que quer sair de perto de mim?


 


                - Isso já não interessa. – E se desvencilhara da garota, facilmente inclusive. Dera-lhe as costas e seguira para a entrada do castelo.


 


                Pansy ficara observando a garota sair.


 


                Não deixava de nutrir o pensamento que Emília não passava de uma garotona meio grande e desajeitada... mas, algo nela era instigante.


 


                Verdade que de um ano para lá ela mudara um pouco. Talvez fosse o corte de cabelo, e o jeito que passara a usar o uniforme... mas ela já não parecia tão desajeitada... ela era inclusive, atraente.


 


                O rosto dela... estava tão destacado ultimamente, tão cheio de vida... Os traços pareciam menos agressivos.


 


                E estava cada dia mais esperta... Menos submissa à sua autoridade...


 


                Pansy bloqueou de repente os pensamentos.


 


 


 


Assimila, dissimula, afronta, apronta, diz: "carrega-me nos abraços"
Lapida-me a pedra bruta, insulta, assalta-me os textos, os traços


 


               


                Mais uma reunião chata se seguia.


 


                - Estão liberados, podem ir fazer as suas refeições – avisou Umbridge, e todos foram saindo.


 


                - Então... o que vai fazer hoje a noite? – indagou a loira enquanto caminhava calmamente ao lado da amiga.


 


                - Comer e dormir? – respondeu simples em tom óbvio.


 


                - Exatamente por isso tenho alguns planos – prosseguiu Pansy.


 


                - Hm...


 


                Pansy parou de repente puxando a garota de cabelos pretos para uma porta que havia escondida embaixo de uma tapeçaria do corredor.


 


                Ela de alguma maneira, queria consertar as coisas. Desde que voltara do Natal, há quase três meses, só haviam farpas e ironias entre elas.


 


                - O que foi isso Pansy?


 


                - Eu roubei umas garrafas de vinho a última vez que fui à Hogsmeade, eu e o Blaise, bebemos uma aquele dia, mas me sobraram três...


 


                - Isso foi nesse sábado...? – indagou Emília. – Por que não me chamou para ir com você?


 


                - Você já tinha voltado para a escola... comeu aquela torta no Três Vassouras... que não lhe caiu bem, lembra?


 


                - Ah... claro... então enquanto eu estava aturando a Madame Pomfrey, você estava se embebedando com o Blaise, e nem me contou nada... bacana Pansy – retrucou Emília.


 


                - Mila, você está com ciúmes de mim? – perguntou a loira sorrindo. – Por que se estiver... você sabe que eu não tenho nada com o Blaise... e hum... isso também não é da sua conta – a última frase fora mais uma farpa.


 


                - Pare de se fazer de besta Pansy, você quem morre de ciúmes de mim... – retrucou Emília. – Desde que me pegou transando com a Tracey você não é a mesma.


 


                Pansy gargalhou alto.


 


                - Como eu poderia ter ciúmes de você, está louca? – contrapôs. – Eu só queria que nós ficássemos bem, mas já que você entende de outra forma, não vejo mais necessidade.


 


                - É mesmo...? – indagou sarcástica.


 


                - Sim, é mesmo! – exclamou nervosa. – Se você pensa que eu posso ter algum interesse em uma sapatão como você, pode esquecer, eu sou mulher. – E saiu pela tapeçaria.


 


                Emília ficara ali, pregada ao chão empoeirado. O insulto, ela não pudera negar para si mesma, afetara-lhe as ideias.


 


 


Você me bagunça e tumultua tudo em mim
Essa moça ousa, musa, abusa de todo meu sim

Você me bagunça e tumultua tudo em mim
E ainda joga baixo, eu acho, nem sei,
Só sei que foi assim


 


 


                Mirros ronronava alto enquanto mantinha um sono de dar inveja à sua dona.


 


Aquela noite, Emília não conseguira sequer pregar os olhos.


               


O pensamento indo e vindo da cama ao lado... a voz da garota loira ecoava em sua cabeça a cada segundo.


 


                Ela tentava distrair a inquietude através de recordações.


 


                Lembrava-se de seu irmão mais velho, Bruce, ele havia lhe ensinado muita coisa... logo em seguida de seu pai, cujo os traços do rosto eram exatamente iguais aos de Bruce. Recordara-se então da noite em que passara com Alicia, a filha de Armander, o amigo estrangeiro de seu pai.


 


                A garota, embora não fosse a primeira por quem Emília sentira atração, fora a primeira com quem realmente estivera. A primeira que realmente beijara, que realmente tocara, a primeira que realmente retribuíra os vagos sentimentos.


 


                Alicia fora incrível.


 


                Ela possuía um sotaque que arrepiava até os menores pelos das costas de Emília, e lembrar-se do modo como se beijaram a primeira vez naquelas férias, ou do rosto corado da garota enquanto se tocavam ao mesmo tempo, ou dos seios pequenos e bem branquinhos... sempre contribuía para o tal arrepio.


 


                A imagem de Tracey gemendo lhe invadiu a mente quase que imediatamente...Em seguida Pansyabrindo a porta com aquela voz áspera que lhe perturbava a cabeça.


 


                Pansy... Não era fácil quando sempre nos momentos de insônia seu inconsciente lhe mandava aquela lembrança... aquela que sempre queria esquecer.


 


                A garota virou-se o suficiente para ver as costas quase nuas da loira na cama ao lado.


 


                Aquela ali fora a primeira por quem realmente sentira atração.


               


 


                - Você está com uma cara horrível – informou a menina enquanto se sentava na mureta do saguão de entrada, ao seu lado.


 


                - Hm.


 


                Pausa.


 


                Emília continuava com os olhos pregados nos alunos sextanistas da Corvinal, que conversavam alegremente do outro lado do pátio.


 


                - O que você tem? – fez mais uma tentativa Pansy.


 


                - Nada.


 


                - Ah... – recomeçou a garota. – Eu gostaria de conversar com você lá no nosso dormitório – continuou enquanto Draco, Blaise, Crabbe e Goyle se aproximavam -, pode ser?


 


                A menina de cabelos negros por um momento não soube o que responder.


 


                - Sim – concordou com a voz baixa, quando viu Draco fazer menção de se aconchegar ao lado da amiga.


 


                - O que vocês estão aprontando? – perguntou o loiro enquanto um sorriso cínico crescia em seu rosto.


 


                - Estamos resolvendo uma coisa – disse Pansy descendo da mureta e pegando Emília pela mão, já a puxando para fora da roda que acabara de se formar. – Nada de mais, já voltamos!


 


                Nenhuma das duas falara uma palavra sequer durante o percurso até as masmorras.


 


                - O que você quer? – indagou Emília, com o tom mais calmo do que gostaria, quando entraram no quarto.


 


                - Não podia falar com você lá...


 


                - Hum.


 


                As outras meninas não estavam no quarto.


 


                Pansy se sentara na cama da amiga.


 


                Emília permanecera perto da porta, apenas a encarando.


 


                - Você pode se sentar aqui ao meu lado?


 


                Emília se aproximara sem pestanejar e Mirros acordara e miara meio atordoado em sua direção.


 


                A garota sentou-se acariciando o bichano que se remexeu mais confortável com o gesto.


 


                Pansy virou-se olhando de frente a menina.


 


                - Por que não podia falar lá? – indagou Emília de repente, assim que os olhos azuis e penetrantes lhe fixaram.


 


                Pansy ponderou um pouco.


 


                A menina de cabelos negros permanecera por quase um minuto esperando a resposta quando sentiu o corpo quente de Pansy se friccionar para frente e colar-se ao seu em um abraço mudo.


 


                O silêncio permeava o momento. Emília era apenas capaz de ouvir a respiração da garota, sentir o gostoso perfume que emanava de seu cabelo... E apesar da surpresa com o movimento inesperado de dez segundos atrás, também conseguia divisar o peito da outra arfando calmamente, e aquilo acelerara o seu coração.


 


                - Me desculpa ok? – indagou Pansy o mais baixo possível ao ouvido da garota.


 


                - Ah... – Ela não sabia o que dizer, nem o que pensar.


 


                - Eu não queria ter dito aquilo ontem, eu só fiquei um pouco alterada... estava tentando concertar as coisas – continuou sussurrando a loira.


 


                Em seguida se afastou o suficiente para divisar os olhos acinzentados da menina a sua frente.


 


                - Eu não me importo que você goste de garotas, não me importo mesmo – confessou Pansy, enquanto encarava mais a fundo o cinza escuro.


 


                Emília teve certeza de ver os azuis vagarem por um segundo até sua boca e voltarem a lhe encarar.


 


                - E o que eu devo entender sobre aquilo ontem? – conseguiu pronunciar.


 


                Pansy levantara-se de repente e rumara até a porta.


 


                - Eu só não gosto que me acusem – respondeu simples com a mão já na maçaneta.


 


                - Aonde você vai? – De fato não entendia, aonde, depois daquelas palavras de desculpas e arrependimentos a garota poderia pensar em ir.


 


                - Prometi que voltaria, não é mesmo? – E se fora, se fora com um sorriso indefinido nos lábios.


 


               


Parece que o coração carece e diz: "para!" Silencia.
Se embrulha e se embaralha,
Reconsiderar o ar, o andar , nossa absolvição, a escuta e a fala
Nos amortizar o dia, fio, corredor, a calçada, o passeio e a sala


 


               


                O final do ano letivo havia chegado junto a muitos acontecimentos.


 


                O Expresso de Hogwarts estava mais barulhento do que de costume.


 


                Emília, por algum motivo, sentia-se melancólica, permanecera quase toda a viagem olhando pelo vidro a paisagem que se desfazia pelo caminho que o trem percorria.


 


                Apesar da atitude incomum, procurara uma cabine para viajar sozinha, e já passava das três da tarde quando o barulho da porta a despertara de seu sono solto.


 


                - Por que está aqui sozinha? – indagou Pansy, já se sentando à frente da amiga.


 


                - Ah... eu estava com muito sono, e preferi arrumar uma cabine para conseguir dar uns cochilos...


 


                - Hum...


 


                A garota loira também encarou as árvores através do vidro.


 


                - Eu estava em uma cabine com a Cabot e Andrina... são do sexto ano, amigas da Tracey... – continuou Pansy.


 


                - Eu sei quem elas são – afirmou Emília. – Achei que estivesse com os garotos, ou com a Marissa...


 


                - Draco, Crabbe e Goyle saíram cedo da cabine em que estávamos, foram fazer alguma coisa que preferiram não comentar... E Marissa desapareceu junto com Blaise... Me deu uma desculpa de que os óculos dela estavam com algum defeito e eles iriam consertar – desatou a falar a loira -, como se eu não soubesse que eles estão dando uns amassos por ai.


 


                - É difícil imaginar a Marissa com o Blaise... – comentou a garota de cabelos negros, ainda sem tirar os olhos da paisagem.


 


                - Não vim te procurar antes por que topei com a Tracey e as amigas dela e elas praticamente me carregaram para a cabine em que estavam... – Pansy suspirou cansada, recostando-se melhor no banco. – Confesso que fui com elas por que pensei que você estava lá, ou pudesse aparecer.


 


                Emília naquele momento a fitou.


 


                - Por que estava com tanto sono? – perguntou de repente a loira. – Tenho certeza que você dormiu primeiro que eu ontem à noite.


 


                - O que importa o meu sono Pansy? - indagou com tom ríspido.


 


                - Arg, por que você está sendo tão grossa? – exclamou Pansy se levantando. – Estou tentando ser gentil ok?


 


                Emília arregalou um pouco os olhos, não esperava aquela atitude da amiga.


 


                - Não estou sendo grossa, só estou de mau humor por causa do meu sono! – rebateu em mesmo tom de voz.


 


                Pansy voltou a se sentar.


 


                Pausa.


 


                - Ah... me desculpa ok? – pediu Emília após alguns momentos.


 


                A loira voltou a encarar a amiga.


 


                - Eu sei que estou sendo um pouco rude demais ultimamente... acho que toda essa movimentação dos últimos dias também me ajudou nesse cansaço...


 


                - O que você quer dizer com isso? – perguntou Pansy, o olhar bem curioso.


 


                - Você não acha que às vezes somos meio rebeldes demais?


 


                - Ah...


 


                - A Umbridge era uma mulher realmente intragável, sabe? – começou Emília. – Mesmo para nós...


 


                - Você acha? – Havia um risco irônico em sua voz.


 


                - No início ela era até suportável, mas aquele tom dela... – continuou – Acho que apenas seguíamos o que ela nos pedia, por que não tínhamos mais o que fazer, sinceramente.


 


                - Você pode ter razão, mas é o que fazemos não é mesmo? – indagou sorrindo. – Quero dizer, eu não me importo muito com o resto da escola... todos sempre querendo chamar a atenção e tudo o mais.


 


                Emília suspirou forte.


 


                - Eu não sei Pansy, só estou um pouco cansada... cansada de sempre tentar remar contra todo o resto...


 


                - É... olhando bem, você realmente parece cansada – comentou a loira. – Hum... você não gostaria de vir passar uns dias lá em casa?


 


                - Ah... na sua casa? – repetiu meio bobamente.


 


                - Sim, ao menos você não vai precisar ficar ouvindo sermão da sua mãe as férias inteiras – ponderou. – Você sempre me diz que ela te perturba até o último dia...


 


                - Pensando por esse lado, seria bom mesmo...


 


                - Então está combinado, eu te espero daqui a algumas semanas – concluiu Pansy sorrindo mais um pouco.


 


                - Ok...


               


 


                Os dias passaram extremamente rápido demais.


 


                Emília lia todos os jornais, e todas as notícias relacionadas ao que estava acontecendo naquele momento no mundo bruxo, mas ainda assim, nada distraía o seu pensamento dos dias para quais estavam caminhando.


 


                Os dias em que passaria ao lado de Pansy.


 


                Ela não pensava naquilo conscientemente, não mesmo.


 


                Ela apenas pensava... Quando menos esperava, ela já estava imaginando.


 


                E quando finalmente, a semana em que passaria na casa do Sr e da Sra Parkinson chegara, ela rumou para a Rua Vintance Cloe, que ficava em uma cidadezinha um pouco afastada do Centro de Londres.


 


                Pansy a recebera e permaneceram conversando por algum tempo aquela tarde. Não havia ninguém em casa.


 


                E fora assim quase todos os dias.


 


                Seus pais só chegavam tarde da noite, e elas passavam praticamente o dia todo dormindo, ou conversando sobre coisas banais, e aquilo estava saindo melhor do que Emília poderia imaginar que sairia.


 


                Apenas quando a última noite em que a garota de cabelos pretos passaria na casa da amiga chegou, foi que algo realmente interessante e até meio inesperado, dependendo do ponto de vista, aconteceu.


 


                Pansy estava contando sobre como fora a última ida à Londres, e Emília quase adormecia no colchonete logo abaixo, quando a pergunta de repente viera.


 


                - Será que agora você poderia me contar, por que exatamente a Tracey quis fazer sexo com você?


 


                - O que? – indagou a menina de cabelos pretos. Aquela questão viera tão subitamente que ela despertara completamente.


 


                - Você me prometeu que contaria...


 


                - Eu te prometi há quase sete meses atrás que contaria... pensei que tivesse esquecido – confessou a menina.


 


                - Eu não me esqueci – contrapôs -, só achei que seria mais fácil te convencer de me contar se estivéssemos na minha casa.


 


                Emília riu baixinho.


 


                - Você está querendo dizer que guardou isso até hoje, de propósito? – indagou desacreditada.


 


                - Mais ou menos isso – respondeu Pansy rumando para o colchonete logo abaixo de si, forçando um lugar ao lado da amiga. – Me conta.


 


                - Ah... ok... eu conto...


 


                - Isso não era mais uma questão de escolha Mila...


 


                - Certo... e será que eu posso saber por que esse assunto te interessa tanto? – indagou Emília mais uma vez rindo baixinho.


 


                - Eu sou curiosa – respondeu simples, enquanto aproximava mais o rosto para ver melhor os olhos da garota à sua frente.


 


                - Isso está mais para obsessão... – sussurrou Emília. – Depois de todo esse tempo...


 


                - Acho que você se lembra do que eu disse sobre não gostar de ser acusada, não?


 


                - Não estou te acusando de nada Pan... apenas já tinha esquecido disso...


 


                - Para – disse Pansy, séria.


 


                - Para com o que?


 


                - De fugir do assunto.


 


                Pausa.


 


                Elas permaneceram se observando. A respiração de Pansy parecia tornar-se cada vez mais ofegante.


 


                - Nós estávamos conversando aquele dia – começou Emília. – Assim, conversando simplesmente, e de repente ela veio para a minha cama.


 


                -Hum...


 


                - Ela me perguntou como havia acontecido com a Alicia... a filha do amigo do meu pai... – continuou enquanto se aproximava mais alguns poucos centímetros.


 


                O que as separavam naquele momento, era apenas a espera.


 


                - Então você contou a ela que havia estado com uma garota...? – indagou Pansy sentindo o aroma forte do perfume de Emília. – Eu pensei que você só tinha contado para mim.


 


                - Contei logo que as festas do feriado de Natal começaram – respondeu logo a garota. – Somente nós duas do quinto ano estávamos na escola... E nos aproximamos um pouco...


 


                - Sei...


 


                - De qualquer maneira, até ali não tinha rolado nada mesmo... mas naquele dia, ela veio se deitar comigo e pediu que lhe contasse detalhes... – sussurrou enquanto colocava sua mão sob a cintura de Pansy.


 


                - E você contou muito bem os detalhes não é mesmo...? – sussurrou também a loira.


 


                - Assim como estou prestes a fazer com você... Ela insistiu muito também... – pontuou Emília, seus dedos percorriam trilhas pelas costas de Pansy, quase que involuntariamente.


 


                Pausa.


 


                Pansy encarava profundamente a menina a sua frente.


 


                Aproximou-se do ouvido da garota.


 


                - Será que você pode continuar...? – Aquelas palavras que saíram da boca de Pansy, atingiram Emília de uma maneira devastadora.


 


                A menina de cabelos pretos aproveitara o movimento da outra, e a trouxera mais para si. Vê-la daquele ângulo era absurdamente bom.


 


                Pansy aproximou mais o seu rosto, deixando seus lábios entre abertos quase encostarem nos lábios de Emília.


 


                Um impulso era o suficiente.


 


                Emília sentiu a garota, ainda sem sair daquela posição, levantar com suas próprias mãos um pouco a camisola que usava.


 


                Ela pôde divisar perfeitamente, os pelos ralos da coxa da menina loira roçarem em sua perna.


 


                Emília fizera menção de beijá-la, mas Pansy se afastara um pouco e retirara completamente a única peça de roupa que usava, e em seguida aproximou-se novamente.


 


                A garota de cabelos pretos passara as mãos pelas costas nuas da menina, e Pansy sorrira fracamente um segundo antes de finalmente encostar seus lábios na boca da amiga.


 


                Beijaram-se de uma maneira sutil, e ao mesmo tempo invasora.


 


                Pansy mais uma vez se afastara um pouco, e trouxera Emília com ela, agora levantando a parte de cima do pijama que a menina usava. Em seguida, a ajudara a retirar a calça.


 


                Emília agora deitara por cima da loira, e a mesma a apertava as suas costas com firmeza.


 


                Beijaram-se mais um pouco enquanto as mãos da garota de cabelos pretos perdiam-se pelas curvas acentuadas de Pansy. E Pansy retribuía, sentindo cada pedaço que podia encontrar.


 


 


                - Me deixa te tocar – pediu a loira após quase uma hora de gemidos que a morena lhe proporcionava. – Eu quero te tocar.


 


                Emília consentiu balançando a cabeça, ao mesmo tempo em que seu rosto corava.


 


                Pansy levou sua mão até a parte mais íntima do corpo da amiga, e a tocou, descobrindo em cada movimento, o que aqueles simples gestos poderiam causar.


 


               


                - Eu preciso beber um pouco de água – avisou a loira.


 


                Fazia pelo menos trinta minutos que estavam deitadas olhando o teto. Ainda não havia amanhecido.


 


                - Você vem comigo? – indagou se levantando.


 


                - Pan... você está nua... – disse Emília enquanto observava a menina se aproximar da porta. – Estamos nuas...


 


                - E o que tem? – indagou mais uma vez, agora com a mão já na maçaneta.


 


                - Você quer mesmo ir até a cozinha dessa maneira? – perguntou com um sorriso incrédulo, porém, já se levantando também.


 


                - Claro que eu quero – respondeu com tom de voz convicto.


 


                Pansy era mesmo louca. E Emília, decididamente mais louca por acompanha-la.


               


 


                Já era o terceiro copo de água que a garota loira bebia.


 


                - Será que podemos voltar agora? – perguntava aflita a menina de olhos acinzentados.


 


                - Por que você está tão apreensiva...? – indagou, já deixando o copo sobre a mesa, e em seguida empurrando a garota até a sala e a jogando contra o sofá espaçoso.


 


                - Ah... Pan...


 


                - Quero fazer aqui – afirmou com os olhos cheios de brilho.


 


                Emília gargalhou o mais baixo que conseguira.


 


                - Você só pode estar brincando...


 


                De uma só vez, Pansy abaixara e começara a fazer sexo oral em Emília, que perdera o equilíbrio e sentara no sofá.


 


                A garota tentava conter os gemidos, mas a língua de Pansy era extremamente precisa. Tão precisa que a menina de cabelos pretos não conseguia mais imaginar o Sr ou a Sra Parkinson descendo as escadas.


 


                Após bons cinco minutos a loira subira até os seios da outra e os beijara calmamente.


 


                Emília a virou contra o sofá, partindo ela para baixo, mostrando agora, que sua língua também podia ser bastante expressiva.


 


 


                - Você é completamente louca sabia?! – exclamou a morena quando adentraram finalmente o quarto de Pansy. O sol começava a divisar por trás das cortinas pretas.


 


                - Louca eu não sei, mas de uma coisa eu tenho certeza – começou deitando-se em sua cama.


 


                - o que? – indagou Emília deitando-se no colchonete.


 


                - Melhor que a Tracey eu sou.


 


                A garota de cabelos pretos sorrira, e não pronunciara nenhuma palavra.


 


                Segundos depois Pansy já estava dormindo.


 


                Emília ficara observando por um longo período o sono tão tranquilo que a loira um pouco acima parecia estar tendo.


 


                Revirou-se um pouco pensando na noite extremamente singular que tivera. Relembrou todas as sensações, todos os momentos... e fora com Pansy... Aquilo com certeza lhe tiraria o sono por bons meses a fio.


 


 


 


 


Se perder sem se podar e se importar comigo
Aprender você sem te prender comigo


 


               


Já era a terceira vez que Emília passava pela porta da cabine onde Pansy e alguns outros sonserinos estavam, sempre olhando de esguelha pela pequena janela que havia na porta.


 


Quando voltara para a cabine onde estava, Marissa logo desatou a falar:


 


- E esse ano eu vou retomar aquele projeto com o pessoal do quarto-ano, se bem que agora eles estarão no quinto ano...


 


Nem Emília, e nem mesmo Tracey, que também se encontrava no local, estavam prestando atenção na verdade, mas a menina continuava empolgada, contado seus planos, e como as férias tinham sido incríveis.


 


Depois de algum tempo, colocaram as vestes da escola, e quando já escurecia e o Expresso de Hogwarts ia finalmente parando, a menina de cabelos pretos divisara através da janelinha Pansy passar pelo corredor.


 


Emília levantou-se automaticamente e saíra antes de ouvir as duas meninas que lhe faziam companhia falarem qualquer coisa.


 


- Pansy! – gritou enquanto avistava ela sumir no meio dos alunos. – Espera!


 


Ela desceu correndo na pequena estação de Hogsmeade, e Pansy estava mais adiante levando seu malão na companhia de Crabbe, Goyle e Blaise.


 


Correra um pouco mais rápido e alcançara o grupo.


 


- Pansy! – Agora estava tão perto que a menina não teria como deixar de escutá-la.


 


Ela e os meninos olharam para trás, e os garotos trataram logo de cumprimenta-la.


 


- Oi Emília – disse Pansy, meio seca.


 


- Eu queria falar com você – avisou a garota de cabelos pretos.


 


- Ah... precisa ser agora? – indagou Pansy, enquanto fazia um gesto com a cabeça, indicando que estava com pressa.


 


- Eu acho melhor.


 


A loira pareceu ponderar por um momento.


 


- Vão indo, nós vamos dar uma palavra – pediu aos outros. – Já alcanço vocês.


 


- Venha – disse Emília, caminhando para longe do corredor de alunos que passavam.


 


- O que foi? – perguntou Pansy quando chegaram ao lugar desejado.


 


- Por que você não falou comigo? – indagou a menina. – Você passou por mim mais cedo e fingiu que eu não existia, e sequer se lembrou que eu existia.


 


- Eu só não te vi Emília... e não tive o trabalho de te procurar dentro do Expresso.


 


- Eu passei pela cabine onde você estava umas três vezes – informou Emília. – O que há entre você e Draco?


 


A garota tremia por dentro ao fazer aquelas perguntas. Preferia não fazer, isso era um fato, entretanto, era melhor acabar logo com aquela agonia.


 


- Ah... nós... – Pansy ponderou mais uma vez enquanto olhava para os lados. – Nós estamos juntos... Nos encontramos uns dias atrás...


 


- Pansy... Você tinha me dito... no início do ano passado você tinha me dito que ele era só um amigo! – Emília não conseguira segurar sua angustia. – E o que houve entre a gente, você vai simplesmente ignorar?


 


- O que aconteceu entre a gente não foi nada Emília, você sim, é apenas minha amiga ok? – disse alteando a voz. – Aquilo foi apenas um momento, uma noite de... ah... curiosidade... não é assim que você nomeia? – continuou um pouco irônica. - Foi um erro, e tenho certeza que você vai entender isso.


 


Emília estava perplexa. Alimentara algum tipo de sentimento romântico pela amiga, e naquele momento se odiava por isso. Como pudera imaginar que Pansy estava gostando dela? Estava querendo ela? Como pudera imaginar que aquela noite tivera algum significado não somente para ela?


 


Pausa.


 


Não conseguira pensar em nada para dizer. Estava arrasada, inclusive era capaz de chorar, mas aquilo não aconteceria.


 


- Eu gosto do Draco Mila, e ele precisa de mim nesse momento – recomeçou Pansy. – Você é minha amiga, precisa entender isso.


 


Emília quase inconscientemente começara a caminhar voltando à rota que levava à estrada para Hogwarts.


 


- Emília, espera – pediu Pansy já alcançando a menina. – Você está bem?


               


As duas ouviram alguém também chamar por Emília e olharam para trás.


               


Eram Marissa e Tracey acompanhadas de alguns garotos, e trazendo o malão da menina.


 


                - Você esqueceu – avisou Tracey, enquanto entregava a mala pesada para Emília.


 


                A garota pegou o objeto e continuou andando, sem dar a mínima para o grupo que agora as acompanhava.


 


 


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Música: Você me bagunça - “O Teatro Mágico”.

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