Capitulo 14
Coisas estranhas acontecem
Harry parou em frente ao retrato da mulher gorda e esperou que ela parasse de olhar sua própria aparência num espelho de mão, e aparentemente constrangida sorrisse e dissesse:
-Você tem certeza que quer entrar, Harry?
-É claro! – disse meio irritado.
-Eu no seu lugar não entraria aí dentro nem morta!
-Porque...
A porta abriu-se o som inconfundível dos gritos de Hermione quase furaram seus tímpanos:
-EU NÃO ACREDITO! EU NÃO QUERO ACREDITAR NISSO! – ela estava parada no meio da sala da grifinólia, alguns alunos em pânico, observando-a com olhos arregalados.
-VOCÊ! – quase gritou quando o viu entrando. – VOCÊ DEVE SABER QUEM FOI! ME DIZ AGORA!
-Hermione o que aconteceu? – tentou segurar sua mão, mas ela se afastou, a raiva dando lugar a um sentimento que Harry estava acostumado a ver em seu rosto. Normalmente ela ficava tão furiosa que depois caia em prantos.
-MEUS LIVROS, HARRY! TODOS ELES...Eu não posso acreditar...
-Hermione, me fala o que aconteceu!
Mas ela não disse nada. Se afastou e sentou em uma poltrona perto do fogo da lareira e enfiou o rosto numa grande almofada vermelha, chorando e soluçando.
-Harry... – Neville sussurrou, de trás de uma das vigas da casa.
-O que aconteceu?
-Alguém pegou todos os livros e cadernos dela de dentro do dormitório das garotas e fez um feitiço de limpeza nas folhas...
-Isso não é bom? – Harry engoliu a seco já imaginando que tivera essa idéia.
-NÃO! – Hermione levantou o rosto a raiva voltando – Eu sempre faço os trabalhos e coloco um feitiço para parecerem rabiscos! Assim ninguém que eu não queira pode se aproveitar deles! Estavam todos prontos, Harry! – soluçou e sua voz ficou baixinha e rouca e ele se aproximou sentando a seu lado, a abraçando. Mione descansou a cabeça em seu ombro. – Eu terei de refazer tudo de novo... – fungou.
-Eu te ajudo. – tentou consola-la.
-Está tudo tão difícil esse ano, Harry...- escondeu o rosto no ombro dele e sobre ela Harry fez um gesto para que os curiosos se afastassem e logo a sala estava vazia. – Pode falar comigo, Mione.
-Eu não consigo me transfigurar...Tem uma semana que tentamos e nada...e o pobre Behl naquela cama definhando...Se eu não conseguir ele vai ficar assim pra sempre até...– soluçou novamente.
-Você está nervosa, Mione. A prof. Minerva pode ajuda-lo não pode?
-Não... ela não possui a minha capacidade de transfiguração em felino. Ela escolheu ser felino. É diferente. Até o diretor está preocupado e veio falar comigo pra ver se eu conseguia...! – voltou a chorar.
-Mas Mione você sabe que agora nada vai acontecer, não sabe? Rony não faria mas nada desse tipo e nem outro aluno. Você não precisa Ter medo de nada.
-Eu sei...Mas é que é tão difícil... – se afastou limpando o rosto. –Você tem conversado com ele?
-O Rony? Sim.
-Foi ele não foi? Os meus livros?
-É claro que não! – mentiu – Mione alguma das suas colegas de dormitório pode Ter feito sem querer e Ter ficado com medo de contar. Mas o Rony está arrependido demais para fazer uma coisa dessas. – tentou passar credibilidade. – e eu acho que se você voltasse a falar com o Rony como amiga e não apenas como colega como tem feito, isso a fará sentir-se mais segura.
-Segura? Com Ronald Wesley? O mesmo que me atirou do trem em movimento? – grunhiu.
-Todos nós já fizemos coisas idiotas e nem por isso estamos deixando de nos falar! Você podia Ter me alertado sobre a Cho e não fez.
-Você ainda me culpa por isso? Harry! Você não teria acreditado!
-É, eu sei, mas mesma assim, era seu dever de amiga Ter me dito, não era?
-Harry...E admiro sua amizade e lealdade ao Rony...mas não vai adiantar. Não quero mais saber da existência dele. E duvido muito que não ache que ele foi responsável por isso também!
Harry tentou negar mas era evidente que não poderia. Foi quando ouviram o som de uma tosse seca, e fina, típica para chamar a atenção. Rony estava de pé perto da porta da casa grifinólia.
-O que vocês acham que eu fiz dessa vez? – perguntou chateado.
-Alguém fez um feitiço nos meus livros e apagou todos os meus trabalhos! – reclamou Hermione.
-Uau. – disse sem se abalar. – Já sabem quem foi?
-Temos um suspeito. – disse ameaçadoramente.
-Eu? – riu – Porque eu faria isso? Além do mais passei toda a manhã junto com a Pat, da Lufa Lufa.
Harry quase engasgou. Mione perdeu a cor nas duas bochechas e sua voz parecia altamente controlada:
-Fazendo o que?
-Vocês não sabiam? – sentou-se numa poltrona em frente ao dois, calmo. Harry estranhou. – Tive uma briga ontem a tarde com o idiota do Malfoy e a prof. Anelette viu. Ganhei uma semana de detenção pela manhã, junto com a Pat limpando os tubos das poções dela.
-Porque ela está de detenção?
-Ela entrou na briga. – disse sem demonstrar emoção.
-Como assim “entrou na briga”? – os olhos de Mione brilharam indignados.
-Sei lá...O Malfoy estava me chamando de pobretão e ela apareceu e me defendeu...Aí a prof.Anelette apareceu e achou que estivéssemos brigando e deu suspensão pra todos, menos o seu queridinho.
-Porque ela defenderia você? – perguntou com desprezo incontido na voz.
-E eu que vou saber? – sorriu – E os seus trabalhos? Precisa de ajuda pra refaze-los?
Hermione quase rugiu. Ainda acreditando que houvesse sido ele não acreditava na cara de pau em perguntar!
-Eu vou até a biblioteca procurar um livro que irei precisar pra refazer tudo... – levantou – Se eu precisar de ajuda, eu peço, Harry. – dirigiu-se apenas a ele.
Assim que ela saiu, Rony desmoronou na cadeira.
-Ela nunca vai me perdoar. – disse.
-Foi você, não foi, Rony?
-Até você acha isso, Harry?!!!
-É que disse que iria fazer uma surpresa e agora isso... – deu de ombros.
-Eu vou fazer uma surpresa, mas não essa surpresa. Tenho outros planos.
-Então quem será que foi?
-Do jeito que ela anda ultimamente não me admira que alguém querendo vingança. Mione está insuportável. – concluiu em voz baixa.
-E não tem motivos? –Harry olhou-o torto – Ela não consegue virar gato, Rony. E a vida do garoto da sonserina depende disso. Pode entender como ela está se sentindo?
-Droga... – fez sua cara de “isso só acontecesse comigo” e suspirou. – Porque ela não me conta logo de uma vez? Tenho certeza que quando Mione voltar a confiar em mim ela irá superar esse problema!
-Também acho isso. – concordou Harry – Mas ela não quer perdoa-lo. E você não ajudou em nada falando dessa detenção.
-Porque não? – perguntou sem compreender.
-Qual é, rony? Vê se cresce!
Harry saiu da sala irritado e Rony ficou incrédulo. O que ele quisera dizer com aquilo? O que ele fez dessa vez???
-Todos estão com suas corujas?
A voz rasgava os tímpanos, ainda mais de Harry que para sua infelicidade estava bem ao lado da querida, porém, irritante prof.Amires, irmã da prof.Anelette.
Chegada recentemente da Áustria, assumira uma nova matéria implantada no quinto ano. Magia contra seres noturnos. Antes uma matéria vinculada a Defesa contra as artes das trevas.
Amires, ao contrario da irmã, cativara todos os alunos desde o primeiro dia, embora o timbre de sua voz fosse quase insuportável. Alto e aranhado.
A seu lado, Mione segurava sua coruja arteira demais para ficar quieta sobre o degrauzinho feito pra ela.
-Bem, comecemos então. Srta.Granger, traga sua coruja aqui, antes que ela morra ansiosa! – sorriu, pegando de suas mãos a espevitada coruja.
Antigamente ela daria pulinhos, mas ultimamente Hermione preferia não ser vista por nenhum professor. Pelo que Harry suspeitava, Hermione além de ficar após as aulas durante horas com a Prof.Minerva, ainda virava a noite acordada refazendo seus deveres de final de ano, e tentando desesperadamente transformar-se e poder ajudar o pobre Bhel Tornh, que a cada visita a enfermaria parecia mais e mais perdido num mundo paralelo de sonhos e desventuras. Às vezes seus olhos se abriam, como se ele realmente estivesse acordando, mas então suas órbitas ficavam vazias e era geralmente nesse ponto que Hermione desabava em lágrimas de remorso por não poder ajuda-lo.
Na ultima vez em que estivera na enfermaria, a Prof.Minerva tentara convence-la de que não haveria motivos para desespero, pois levaria muitos e muitos anos até ser inevitável qualquer tratamento.
Mas Hermione não se conformava em ser incapaz de ajuda-lo apenas por causa de um medo inconseqüente.
Até mesmo Dumbledore parecia mais atencioso com ela, esperando restaurar-lhe a confiança perdida.
Mas era em vão. Cada vez mais triste e distante, Mione não aceitava a própria derrota e fraqueza. Passara a falar com Harry e Rony novamente, porém de um modo mais frio, quando Rony estava presente, o que o deixava triste e amuado por dias, até novamente ela dirigir-lhe a palavra e novamente ele ficar triste.
E assim as aulas iam se arrastando, e os três meses de aula que passara desde a chegada na escola parecia cada vez mais difícil de lembrar.
-Vejam todos! Essa é uma coruja comum. – a voz da professora Amires o trouxe a realidade. – Se olharem bem para ela, verão que nunca foi tomada por nenhum ser das trevas. Assim como podemos olhar para sua dona, srta.Granger e dizer o mesmo. Como é possível saber? Animais e pessoas possuem almas diferentes. Então como é possível dizer que um está possuído e o outro não? Alguém sabe a resposta?
Todos os alunos de pé, no pátio da escola olharam diretamente para Hermione que baixou a cabeça. Rony não acreditou que esse fato fosse possível. E sua expressão deixou óbvio isso. Ela, não sabendo uma resposta? Como era possível?
Até mesmo a professora, acostumada a ter sua aluna favorita pulando como pipoca para responder a qualquer pergunta, disse:
-Parece que esse é um ótimo tema para uma dissertação. Temos ótimos livros do assunto na biblioteca. Quero 30 cm para amanha sobre isso. Sta.Granger, tome sua coruja.
Envergonhada Hermione quase correu para longe tão logo a classe foi dispensada.
Rony que carregava Pitchi marchou para a escola chutando pedras no caminho, cabisbaixo.
-Lembra da surpresa que ia fazer pra Mione se alegrar? – Harry emparelhou com ele e disse um pouco chateado.
-Lembro...
-É uma boa hora para faze-la de uma vez! – disse e passou por ele querendo achar a amiga.
Não queria descontar em Rony a tristeza de vê-la assim triste, mas se pusesse a mão na consciência, veriam que a culpa era dele mesmo!
Quase correndo avistou-a parada no longo corredor. Ela estava surpresa e sua expressão de puro pânico. A sua frente uma figura enorme semelhante fisicamente a um Dementador.
Harry sacou a varinha e se aproximou, mas parou ao ver a Prof.Minerva surgir de trás da fantasmagórica figura. Sorria e então Hermione fez o mesmo os três desapareceram pelo longo corredor.
Curioso, Harry resolveu segui-los. Em silêncio eles seguiram por vários caminhos, alguns vagamente reconhecidos por Harry. Finalmente chegaram a sala onde Harry encontrara o espelho que lhe mostrara seus pais, no seu primeiro ano de aulas.
Mas dessa vez a sala estava vazia.
Parados no centro, a figura sombria deixou que o, sobretudo e o capuz caíssem de seu corpo, revelando um imagem intrigante. Era um homem, seu corpo delgado e afinado, na verdade uma boa palavra para definir sua estrutura óssea seria a palavra lânguido. Andava como uma onça. Seus longos cabelos negros caindo até quase o chão. Seus olhos arredondados e vermelhos, definitivamente anormais. Foi então que Harry perdeu o fôlego. Eram olhos de cobra! Ele todo era um misto de cobra e ser humano. Contendo o assombro Harry o viu circular em volta de Hermione varias vezes e lentamente virar-se na direção que ele próprio estava aproximando-se. Temendo ser pego, Harry saiu dali quase correndo.
Vários minutos depois, entrou arfante na sala da grifinólia.
-O que aconteceu?
Rony que jogava xadrez perguntou assim que o viu.
-Eu vi a Mione com a prof.Minerva e as segui. Havia um homem estranho...Parecia uma cobra!
-Uma o que?
-Nem me pergunte! Eu tive que sair correndo pra não ser pego!
Ficaram em silêncio depois disso. Não havia muito a ser dito, dadas as circunstâncias.
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