Capitulo 9
Arremesso no ar
Em poucos minutos um miado chamou a atenção de Harry que abriu a porta do vagão para o gato de nariz empinado que pulou no seu colo.
-Cadê a Hermione? – perguntou Gina estendendo a mão para acariciar a cabeça do gato.
-Deve ter deixado o gato aqui pro Rony e foi dar uma volta – disse Harry.
-Esse gato é traidor como a dona! – apontou-o lânguido no colo de Harry – Pula de colo em colo!
-O que você queria, Rony? É só um gato estúpido! – Disse Neville.
O gato miou alto e saltou do colo de Harry para o assento do banco ao lado de Rony, que até pouco tempo estava vazio.
-É acho que ele reconheceu você, Rony – brincou Gina.
-Não é Ele, mas Ela. É uma gata, Gina – Pegou o bichano pela pele do pescoço e o pôs no colo – Que nome poderíamos chamá-la? A Hermione se recusa a por um nome nela!
-Poderíamos chamá-la de Minerva, mas a prof. Nos tiraria pontos por isso. – riu Gina.
-Podia ser alguma coisa que lembrasse a grifinólia. – sugeriu Neville.
-Hum...Não. Talvez...Bem, tem que ser algo que irrite a Hermione.
-Pra que? Rony! Você não cansa nunca de brigar com ela? – perguntou Gina, incrédula.
-É só o tronco pela mordida que ela me deu!
-Ela pediu desculpas, Rony. Não foi por querer. – Harry defendeu a amiga.
-Nunca é por querer. Já repararam que ela não briga com o Harry? Nem o morde! Sempre sobra pra mim! Podemos os dois estar errados mais quem ela chama de idiota é sempre o Ronald Wesley! Estou cansado desta perseguição!
-Mas você provoca o tempo todo! Agora mesmo, precisa do gato dela? Claro que não! Se a Hermione lhe dissesse que gosta desse gato você o jogaria pela janela! – disse Gina desgostosa, apontando para a janela do vagão. Lá fora a paisagem passava veloz e a altura era impressionante uma vez que atravessavam uma ponte.
-Ela deve gostar dessa gata, porque não trouxe o bichento, mas sim ela. – observou Neville.
Subitamente os olhos de Rony brilharam e olharam de Neville para Gina.
-Querem saber? Grande idéia!
Nenhum imaginaria o que ele faria. Abriu a janela do vagão e antes que Harry pudesse pegar a varinha o gato já despencava e saia da vistas de todos perdido na velocidade do trem, com um espernear e miado apavorado que ecoou pelo ar.
-Rony, não! – Gina gritou, pulando até a janela.
Harry estava em choque. Caiu em si e pulou do sofá do vagão em cima de Rony.
-Seu débil! Você...Você...!
-O que? – gritou soltando-se de Harry que apontou sua varinha na cara dele. – É só um gato idiota e agora a Hermione vai ter o que merece!
Harry soltou-o e saiu correndo do vagão em direção ao corredor. Rony o seguiu até a cabine do maquinista. Ele entrou sem ar e disse:
-Pare o trem! Um aluno caiu pela janela!
-O que???? – o maquinista olhou-o assustado antes de puxar a alavanca e sentirem o trem perdendo velocidade.
-Harry, você enlouqueceu? Viu a mentira que disse??? – Rony o seguiu para fora do trem. Harry ergueu sua varinha e apontou para a paisagem logo abaixo dos trilhos. Estavam precariamente de pé sobre ela logo à frente do trem.
-Aparicium negim – disse as palavras de um feitiço que aprenderam no ano anterior para encontrar coisas perdidas e uma luz amarela saiu de sua varinha dando círculos no ar, passando sobre suas cabeças e então dirigindo-se para os pés de Rony que pulou, passando embaixo dele, e seguindo até as árvores logo abaixo dos trilhos. Lá parou sobre a copa de uma delas, iluminando o gato todo arrepiado que miava seguro em um dos galhos.
-Lá está! – gritou Harry.
-Harry! – Gina e Neville vieram pelo mesmo caminho que Rony e Harry a pouco e Gina gritou assustada ao ver o pobre animalzinho assustado na arvore.
-Oh, pobrezinha! Como vamos tira-la de lá?
-Eu sei como! – disse Neville sorrindo – Aquela arvore é um Espixe e bixe!
Os amigos o olharam como se ele tivesse duas cabeças.
-Eu li um pouco de herbologia nas férias...- disse sem jeito – Já sei o que fazer. – apanhou a varinha debaixo das vestes da escola que vestia desde que entrara no trem e apontou para arvore bem lá embaixo deles. – Expiche e suba!
Rapidamente os galhos ganharam vida e pareceram crescer assustadoramente enrolando-se nos trilhos e fazendo a gigantesca plataforma da ponte balançar precariamente. Um dos galhos em particular largou o gato no colo de Neville.
-Eu disse que conseguia! – gritou alegre.
-E o que vamos fazer com...Isso? – disse Gina horrorizada para os fortes galhos em volta de tudo.
-Ah....Deixe eu pensar...Eu acho que...Encolhe bixe!
Ao contrario do desejado os galhos começaram a balançar sacudindo o trem e os quatro sobre os trilhos. De dentro do trem os gritos desesperados dos alunos. A maioria dependurado nas janelas e na grande porta de vidro do vagão do maquinista. Certo que iriam cair Harry olhou alarmado para a altura lá embaixo. Mas então os galhos se acalmaram e começaram a encolher de volta para a copa da arvore de onde saíram.
Neville estava branco como cera. Mas ao se dar conta que tudo estava bem, começou a sorrir e então a rir quando Gina se agarrou em seu pescoço e beijou sua bochecha.
-Você é o máximo, Neville!
Rony estava tão quieto e pálido que poderia ser um fantasma. Porém Harry estava com tanta raiva que pegou o gato das mãos de Neville e passou direito por eles, de volta ao trem.
Atravessaram os corredores até o vagão que ocupavam ouvindo perguntas vindas das cabeças para fora de seus vagões do tipo: “Está tudo bem?” e “O que estava acontecendo?”.
Mas ignoraram e assim que entraram, Gina gritou.
-Você é um idiota, Ronald Wesley! Podia ter machucado o animalzinho, seu...Seu...! Olhe só, a pobrezinha está apavorada!
No colo de Harry a pobre gata tremia e enrolara-se nos braços de Harry.
-Não vai dizer nada, Harry?
A pergunta de Rony parecia provocação, mas estranhamente Harry não estava mais tão furioso.
-Não.
-Não? – Rony pareceu mais animado por não levar outra bronca.
-Vou deixar que a Mione faça isso quando o achar.
Ao seu lado, Gina sentiu o irmão tremer mas não sentiu pena.
O resto do caminho até a escola foi feito em silêncio. Todos olhando de lado para Rony e a pobre gata, como disse Gina, parecia ainda tão apavorada que Rony sentiu um remorso horrível.
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