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9. Capítulo 9


Fic: Sem Clima para o Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Gina embrulhou a vara de pescar com o carretel com um lacinho cor-de-rosa e fitinhas brilhantes. Estava tão feminino e escandaloso que Harry o tinha escondido atrás do sofá, na casa dos fundos, onde ninguém visse.


- Que garota meiga.


Harry estava abaixo de um toldo imenso, construído no quintal dos Weasley. Havia mais ou menos vinte e cinco convidados, e ele jamais vira qualquer um. Tinha sido apresentado a cada um deles e se lembrava da maioria dos nomes. Depois de anos com reportagens, desenvolvera um talento para recordar pessoas e fatos.


Remus Lupin, um dos amigos mais antigos de James, estava parado perto dele, mastigando um foie gras.


- Quem? - perguntou Harry.


Remus indicou o lado oposto do jardim, em um grande aglomerado de pessoas, o sol poente em laranja queimado banhando-os com sua luz.


- Gina.


Harry cravou um palito de dentes em uma salsicha e enfiou-a em seu prato, perto do queijo Camembert com recheio de siri.


- Já ouvi falar.


Percebeu que seu pai usava calças pretas, uma camisa social branca e uma gravata pavorosa, que tinha a imagem de um lobo uivando.


- Ela e Molly aprontaram isso tudo para o seu pai - Remus bebeu algo com gelo e continuou. – Elas têm sido como uma família para James. Sempre cuidaram muito bem dele.


Harry notou uma ponta de censura. Não era a primeira vez naquela tarde em que se sentia como se estivessem reprovando-o com educação por não ter visitado o pai antes, mas não conhecia Remus o suficiente para ter certeza.


As palavras seguintes do velho acabaram com qualquer dúvida.


- Nunca estiveram ocupadas demais para ele. Não como a própria família.


Harry sorriu:


- Tudo é uma via de mão dupla, Senhor Lupin.


O velho sacudiu a cabeça:


- Verdade. Tenho seis filhos e não consigo me imaginar sem botar meus olhos sobre eles durante dez anos.


Tinham sido catorze anos, mas quem estava contando?


- O senhor trabalha com o quê? - perguntou Harry, mudando de assunto de propósito.


- Sou veterinário.


Harry passou para a mesa cheia de antepastos. Logo atrás, alto-falantes escondidos por vasos de grama alta e tifáceas tocavam músicas dos anos sessenta. Uma das lembranças mais fortes que Harry tinha do pai era de este ser fã de Beatles, Dusty Springfield e, em especial, Bob Dylan. De ficar lendo os quadrinhos do Quarteto Fantástico enquanto escutava Lay Lady Lay.


Harry comeu o queijo Camembert com biscoitos finos e depois alguns cogumelos recheados. Ergueu o olhar para as pessoas perambulando pelo jardim em meio a archotes acesos e velas flutuando em várias fontes. Seus olhos dirigiram-se ao grupo de pessoas próximas a uma fonte com ninfas e, mais uma vez, pararam em uma certa morena. Gina cacheara os cabelos lisos, e o sol que se punha apanhava-lhe as ondas e um dos lados do rosto. Estava com um vestido azul apertado, com florezinhas brancas que a atingiam logo abaixo do joelho. As tiras finas do vestido pareciam tiras de sutiãs, e o lacinho branco rodeava-lhe as costelas e estava amarrado sob os seios.


Pouco antes de os convidados terem chegado naquela tarde, ele observara o serviço de mesas montadas enquanto Gina e Molly colocavam as esculturas de James por todas as mesas e nas tifáceas. Remus tinha razão. As Weasley cuidavam muito bem de seu pai. Uma pontada de culpa incomodava-lhe a consciência. O que dissera a Remus também era verdade. Tudo era uma via de mão dupla, e ele nunca se importara em ir na direção do pai até uma semana atrás. Tinham deixado as coisas chegarem a um vazio, e, se era por culpa de James ou dele, não parecia mais ter importância.


Haviam se divertido bastante pescando juntos, e Harry sentira a primeira pista real de otimismo. Agora, se nenhum deles fizesse nada para estragar aquilo, talvez pudessem ter uma base sobre a qual trabalhar. Engraçado como poucos meses atrás sua atitude com relação ao pai era de completa indiferença. Isso, no entanto, tinha sido antes de ele ter ficado diante de um necrotério, escolhendo um esquife para a mãe. Naquele dia, seu mundo mudou, com uma reviravolta de 180 graus que o transformara, quisesse ele ou não. Agora desejava conhecer o velho antes de fosse tarde demais. Antes que, novamente, ele tivesse que decidir entre cerejeira ou bronze; crepe ou veludo; cremar ou enterrar.


Rapidamente acabou com os antepastos restantes e atirou o prato no lixo. Ou, por conta da profissão que tinha, antes que o pai tivesse de resolver seus detalhes finais. Preferia ser cremado a ser enterrado, e que as cinzas fossem espalhadas em vez de mantidas em uma urna ou sobre a lareira de alguém. Ao longo de sua vida, havia sido baleado inúmeras vezes, caçava histórias e havia sido caçado, e não tinha ilusões quanto à própria mortalidade.


Com essa feliz reflexão, pediu um uísque com gelo no open bar e foi até o pai. Quando fizera as malas para sua viagem inesperada a Boise, jogara dentro delas alguns jeans, algumas calças e camisetas para uma semana. Pela manhã, o pai lhe trouxera uma camisa social com listras brancas e azuis e uma gravata vermelha. Harry deixara a gravata sobre a penteadeira, mas não lhe agradeceu pelo empréstimo da camisa, que enfiara dentro do jeans mais novo que tinha.


De quando em quando, sentia o odor do sabão em pedra que vinha do pai e descobriu que vinha dele - algo que, embora desconcertante depois de tantos anos, era confortável. Assim que Harry se aproximou, o pai lhe cedeu lugar:


- Está se divertindo? - perguntou James.


Divertindo-se? Não. No vocabulário pessoal de Harry, diversão tinha um sentido completamente diverso e fazia meses que não passava por algo do gênero.


- Claro. A comida está ótima - ergueu o copo até os lábios. - Mas evite as bolas de queijo com os pedaços por cima - aconselhou, por detrás dos óculos.


James sorriu e, em um tom pouco acima de um sussurro, perguntou:


- O que são esses pedaços?


- Nozes - Harry bebeu um gole, e seu olhar correu para Gina, a poucos metros do pai, conversando com um homem de manta escocesa verde e azul, que parecia ter quase trinta anos - e um tipo de fruta.


- Ah, as bolas de queijo com ambrósia de Molly. Todo Natal ela faz. Uma coisa horrorosa - o canto do sorriso de James estremeceu. - Não conte pra ela. Ela acha que todo mundo adora.


Harry deixou escapar urna risadinha e baixou o copo.


- Com licença. Vou pegar um pouco de Camembert antes que acabe - disse o pai, e seguiu reto até a mesa do bufê.


Observando o pai se afastar, o andar pouco mais lento do que antigamente. Estava chegando perto da hora de dormir.


- Acho que James está doido de felicidade por ter você aqui, finalmente - afirmou Cho Chang, uma vizinha, parada do lado oposto a urna cerca viva.


Harry tirou os olhos do pai e a fitou por cima do ombro:


- Não sei se ele está tão feliz assim.


- É lógico que está - a senhora Chang tinha em torno de cinqüenta anos, embora fosse difícil dizer em que faixa dessa idade se encontrava, por conta do Botox que lhe congelava o rosto. Não que Harry tivesse opinião formada sobre cirurgia plástica. Só achava que um observador casual não deveria perceber exatamente onde uma pessoa tinha repuxado, dobrado, aspirado ou injetado. Por exemplo, os seios daquela senhora eram do mesmo tamanho que os de Pamela Anderson. Nada contra seios grandes ou siliconados. Apenas não tão grandes nem tão siliconados em uma mulher daquela idade.


- Conheço seu pai há uns doz... há poucos anos - disse, e prosseguiu falando sobre si mesma e seus gatos, Mocinha e Bonequinha. Para Harry, aquilo era fim de carreira. Nada contra gatos, embora não conseguisse se ver com um. Mas "Mocinha" e "Bonequinha"? Deus do céu, só de ouvir aqueles nomes, perdera uns 100 ml de testosterona. Se ficasse ouvindo mais um pouco, temia que lhe nascesse uma vagina. A fim de preservar a sanidade e a masculinidade, Harry desviou a atenção para outros diálogos ao redor, enquanto a senhora Chang não parava de matraquear.


- Preciso comprar um de seus livros - disse o rapaz perto de Gina. - Quem sabe eu aprendo alguma coisa – riu da própria piada, sem perceber que era o único ali que ria.


- Você sempre diz isso, Colin - Gina safou-se, suave como manteiga. A luz nos archotes tremeluzia e penetrava pelas tranças suaves de seus cachos negros, tocando os cantos de seu sorriso mais falso impossível.


- Desta vez é verdade. Ouvi dizer que é bem sexy.Se precisar fazer pesquisa, ligue pra mim.


De algum modo, quando Colin dizia aquilo, soava vulgar. Não quando Harry dizia. Ou talvez soasse tão vulgar quanto, e ele não queria se achar tão boçal quanto Colin. Os cantos do sorriso falso de Gina se ergueram, mas ela não respondeu.


Do outro lado de Harry, bem à frente, Molly dialogava com várias mulheres que pareciam regular de idade com ela. Duvidava, seriamente, que fossem amigas do pai. Pareciam ricas demais e velhas demais para a Comunidade de Voluntárias.


- Pomona Sprout me contou que Gina escreve romances - disse uma delas. - Adoro essas ficções baratas. Quanto mais barata melhor.


Em vez de defender Gina, Molly afirmou, em uma voz que não toleraria objeções:


- Não. Gininha escreve livros para mulheres.


Debaixo de uma luz cintilante, Harry observava o sorriso falso de Gina desaparecer. O olhar dela ficou apertado, ao mesmo tempo em que pedia licença a Colin e se dirigia ao jardim, sumindo entre potes de gramas altas e tifáceas.


- Cho, se me der licença ... - disse, interrompendo os fascinantes contos sobre a paixão de Mocinha e Bonequinha por passeios de carro.


- Não demore muito para voltar - disse, enquanto ele saía.


Seguiu Gina e encontrou-a olhando uma pilha de CDs perto do sistema de som. O brilho dos archotes mal ficava oculto pela grama, enquanto ela lia os títulos, iluminada pela luz do LCD azul.


- O que você vai colocar agora? - perguntou Harry.


- AC/DC - ergueu o olhar e, em seguida, voltou-o ao CD que tinha em mãos. - Minha mãe odeia barulho. Harry deu uma risadinha e colocou-se atrás dela. Shoot to Thrill talvez subisse a pressão de Molly e lhe desse um ataque cardíaco. Apesar de ser uma idéia agradável, estragaria a festa de James. Olhou por cima do ombro de Gina, na pilha de CDs:


- Faz anos que não ouço Dusty Springfield.Que tal tocar?


- Tá bom, seu desmancha-prazeres – respondeu Gina, e apanhou a sugestão dele. - O que James achou da vara de pescar?


Preferia ser chicoteado a admitir que ainda não lhe dera o presente.


- Ele adorou. Obrigado pelo embrulho.


- De nada - respondeu, e Harry conseguia ouvir a gargalhada na voz enquanto Gina colocava o CD no aparelho. - Vocês dois vão ter de abrir o presente enquanto estiverem aqui.


- Isso vai ter que esperar. Vou embora amanhã de manhã. Preciso voltar para o trabalho.


Ela o olhou por cima do ombro:


- Quando você volta?


- Não sei.


Depois que terminasse a matéria sobre a epidemia de febre da Lábrea em Rajwara, estava rumando para a fronteira do Arizona com o México para realizar uma matéria de acompanhamento sobre imigração ilegal. Depois disso, partiria até New Orleans para redigir um trabalho de atualização sobre as condições e o progresso naquela cidade. Em algum momento ele ainda teria de lidar com as propriedades da mãe, mas imaginou que esse assunto poderia esperar. Não havia pressa.


- Eu reparei no Lincoln novo de James na entrada da garagem. Acho que o carro antigo deve estar com cinqüenta mil km.


- Estava. Meu pai comprou o Town Car novo hoje, em uma concessionária em Nampa - respondeu, a delicada essência do perfume de Gina rodeando-lhe a cabeça; sentiu um impulso de baixar o rosto até um dos lados do pescoço dela. - Você conhece bem o meu pai.


- É claro - encolheu os ombros, e uma alça fina escorregou para baixo. - Conheço-o há um bom tempo da minha vida.


Gina apertou a tecla play e a voz exuberante e sentimental da cantora Dusty Springfield fluiu dos alto-falantes como um sussurro sexy. Gina balançou a cabeça, e os cabelos deslizaram- lhe pelos ombros nus. Harry experimentou um segundo impulso de erguer a mão e apanhar um cacho que repousava na pele dela. Sentir a textura com os dedos. Recuou alguns passos, ocultando-se mais fundo na escuridão.


Longe do aroma do pescoço de Gina e da compulsão inexplicável de tocar-lhe os cabelos.


- Até onde me lembro, ele morou no quintal da minha mãe - prosseguiu ela, enquanto Dusty cantava sobre amar um pouquinho pela manhã. Virou-se e encarou Harry através das variações de sombra. - Em muitos aspectos, eu o conheço melhor do que meu próprio pai. Com certeza, passei mais tempo com ele.


Harry imaginou que suas entranhas estivessem todas amarradas em nós firmes em relação a Gina porque há meses não dormia com ninguém. Com o funeral da mãe e tudo o mais que se seguia, sua vida sexual tinha sido posta de lado. Assim que chegasse em casa, precisaria tomar uma providência.


- Mas ele não é seu pai.


- É, eu sei.


Um homem não deveria deixar de lado coisas como sexo. Principalmente se não está acostumado a passar sem isso. Levou o copo aos lábios e terminou seu uísque.


- Quando era criança, eu ficava imaginando ...


- Se eu sabia que James não era meu pai? - Gina riu, um som arfante de quem estava achando graça, e avançou um passo - Sabia, sim. O termo "enganador serial" foi inventado por causa do meu pai. Sempre que eu o visitava, ele estava com uma mulher diferente. Ele ainda faz isso. E já está com setenta anos - um facho de luz atravessou a escuridão e iluminou entre os seios de Gina, mas deixou seu rosto em uma sombra escura.


A lembrança de que ela não vestia nada além de uma minúscula tanguinha cor-de-rosa surgiu de súbito em sua cabeça, misturando-se e confundindo-se com a mulher em pé diante de si. O desejo foi se esgueirando por seu abdome e apertou -lhe a virilha. Tirou os olhos do meio daqueles seios e olhou atrás. A última coisa que precisava para complicar-lhe a vida era exatamente Gina Weasley.


- Ele ainda pensa que é o maior dos garanhões – disse ela, em meio a uma gargalhada ofegante.


Harry virou-se e caminhou alguns metros na direção de uma bancada de ferro batido abaixo de uma árvore podada. Se não a tivessem pintado de branco, estaria invisível na escuridão.


- Nem sei se meu pai tem uma namorada ou alguma mulher especial na vida dele.


Sentou-se e inclinou as costas sobre o metal frio.


- Algumas. Não foram muitas.


A voz emocionada de Dusty escoava pela brisa quente e noturna.


- Sempre me perguntei se havia algo entre sua mãe e meu pai.


Uma nova risadinha arfante veio dela:


- Nada que fosse romântico.


- Porque ele é jardineiro?


- Porque ela é frígida.


Naquilo ele acreditava. Mais uma coisa que mãe e filha não tinham em comum.


- Você não vai voltar para a festa - perguntou ela.


- Ainda não. Se tiver de escutar a senhora Chang por mais um segundo, tenho medo de agarrar uma das archotes e atear fogo em mim mesmo.


Cho Chang não era o único motivo pelo qual ele não estava interessado em retomar à comemoração. O outro trajava um vestido azul e branco e o estava perseguindo.


- Ai! - Gina riu e se colocou diante dele.


- Pode acreditar, vai doer menos do que ficar ouvindo as histórias idiotas dela sobre Mocinha e Bonequinha.


- Não sei quem é pior, Cho ou Colin.


- O filho dela é um idiota.


- Colin não é filho dela - sentou-se ao lado dele na bancada, e Harry desistiu, conformando-se com seu destino atormentado. - É o quinto marido.


- Você está brincando.


- Pior que não - ficou sentada e a noite quase a engolia.


- Se eu ouvir minha mãe dizer a mais alguém que eu escrevo livros para mulheres, meu medo é que eu pegue uma dessas archotes e ateie fogo nela.


- Qual o problema em ela dizer isso? - o luar filtrado atravessava a árvore, passando pelo nariz e pelos lábios de Gina. Lábios que o faziam imaginar se era tão gostosa quanto parecia.


- O problema é o motivo pelo qual ela diz isso. Eu a deixo envergonhada - os cantos da boca ergueram-se em um sorriso. - Quem mais a gente deveria atirar na pira além de Cho e da minha mãe?


Harry inclinou-se para frente e pousou os cotovelos sobre os joelhos. Repousou seu copo no chão e fitou a escuridão diante dele. Conseguia ver a silhueta da casa do pai e as luzes do varanda acima da porta vermelha.


- Todo mundo que fez o favor de me lembrar que meu relacionamento com meu pai era um lixo.


- Seu relacionamento com James é um lixo. Você devia tentar melhorar, o tempo está passando ...


Ele olhou de relance a hipócrita do outro lado da bancada de ferro:


- Oi, roto! Aqui é o esfarrapado ...


- O que você quer dizer com isso?


- Quero dizer que antes de você começar a me dar conselhos, é bom dar uma boa olhada no seu relacionamento com sua mãe.


Gina cruzou os braços abaixo dos seios e olhou para o homem ao lado dela. As listras brancas da camisa eram a parte mais visível dele.


- Minha mãe é impossível.


- Impossível? Se existe alguma coisa que aprendi nesses últimos dias é que sempre existe um jeito de assumir um compromisso.


Ela abriu a boca para responder, e logo a fechou. Anos atrás, havia desistido de um compromisso.


- Não adianta nada tentar. Não consigo agradar-lhe. A vida toda tentei fazer isso, e a vida toda eu a decepcionei. Larguei a Comunidade de Voluntárias porque não tinha tempo, e não faço mais parte de nenhum grupo de caridade. Tenho trinta e três anos, sou solteira e não lhe dei netos. Para ela, estou jogando a vida fora. Na verdade, a única coisa que eu fiz e que ela aprovou foi meu noivado com Draco.


- Ah, olha aí o motivo.


- Quê?


- Fiquei tentando descobrir por que uma mulher viveria com um gay.


Gina encolheu os ombros e a outra alça escorregou-lhe até o braço.


- Ele mentiu para mim.


- Talvez você quisesse acreditar nessa mentira para agradar à sua mãe.


Ela parou para pensar por um momento. Embora não fosse ainda o grande insight, o instante mágico de inspiração pelo qual estivera esperando, aquilo tinha um fundo de verdade.


- É. Talvez - ajeitou as alças no lugar. - Mas isso não quer dizer que eu não o amasse e que estou sofrendo menos porque ele não me traiu com uma mulher – sentiu uma pontada atrás dos olhos que a apavorou. A semana toda não tivera aquele choro de lavar a alma, e sem dúvida não poderia deixar que acontecesse naquela hora – Não quer dizer que todas as esperanças que eu tinha no futuro de repente se tenham ido e eu me sinta aliviada, pensando: "Nossa, desviei-me daquela bala perdida!" Talvez eu devesse, mas... – A voz foi cortada, e ela se levantou como se alguém a tivesse puxado de repente.


Gina caminhou para longe da festa e parou debaixo de um velho carvalho. Colocou a mão sobre a casca da árvore, áspera e irregular. Enxergava através de olhos que rapidamente começavam a embaçar as florestas no horizonte distante. Só havia passado uma semana? Parecia mais tempo e, no entanto... também parecia que tinha sido ontem.


Esfregou abaixo dos olhos e enxugou as lágrimas. Estava em local público. Não chorava em local público.


Por que estava tendo um ataque de choro naquela hora? Com tantos lugares para acontecer? Respirou fundo e, aos poucos, permitiu-se aquilo. Provavelmente, porque estivesse se mantendo ocupada. A preocupação com o teste de HIV e com o planejamento da festa de James drenaram-lhe muita energia física e mental. Agora que não tinha essas inquietações para bloquear seu emocional, estava tendo um colapso.


E aquilo era bastante inconveniente.


Sentiu Harry aproximando-se por detrás. Sem tocá-la, mas tão próximo que conseguia sentir o calor do corpo dele.


- Você está chorando?


- Não.


- Está, sim.


- Se você não se importa, eu quero ficar sozinha.


Claro, ele não foi embora. Pelo contrário, colocou as mãos sobre os ombros dela.


- Não chore, Gina.


- Tudo bem - enxugou as faces úmidas. – Estou bem, agora. Você pode voltar para a festa. James pode estar preocupado com sua ausência.


- Você não está bem, e James sabe que eu já estou bem crescidinho - Harry deslizou as mãos pelos braços desnudos dela, até os cotovelos. - Não chore por alguém que não vale a pena.


Gina baixou o olhar até os pés, as unhas tratadas invisíveis no escuro:


- Eu sei que você acha que eu não deveria levar tudo tão a sério por eu não ter o equipamento adequado... mas você não entende que eu amava Draco. Achava que ele era a pessoa com quem eu passaria o resto da minha vida. A gente tinha muita coisa em comum - uma lágrima rolou por sua bochecha e caiu sobre o peito.


- Só não tinham sexo.


- É, a não ser por isso, mas sexo não é tudo. Ele incentivava demais a minha carreira, e a gente cuidava um do outro de todas as formas importantes.


As palmas quentes e grossas de Harry resvalaram dos braços aos ombros de Gina.


- O sexo é importante, Gina.


- Eu sei, só que não é a coisa mais importante em um relacionamento - Harry fez um som de deboche, que ela ignorou. - A gente estava planejando ir a Roma em nossa lua-de-mel, para que eu pudesse pesquisar um livro, mas isso tudo acabou. Eu me sinto idiota e... vazia - a voz saiu entrecortada e ela ergueu uma das mãos, enxugando os olhos. - Como é que você ama alguém num dia e no outro não? Eu queria s-s-saber...


Harry virou-a para si e pôs as mãos nos lados do rosto dela.


- Não chore - disse, e roçou as faces molhadas de Gina com os polegares.


O som distante dos grilos trinando misturou-se e fundiu-se à Son of a preacher man, que saía suavemente do aparelho. Gina fitou a silhueta escura e manchada de Harry.


- Vou ficar bem daqui a um minuto - mentiu.


Ele baixou a fronte e o toque suave de seus lábios deteve o ar nos pulmões dela.


- Shh... - sussurrou no canto da boca de Gina. As mãos deslizaram por trás da cabeça dela e os dedos passavam pelos cabelos. Beijos suaves tocavam-lhe as faces, as têmporas e a testa. - Não chore mais, Gina.


Duvidava que poderia, mesmo se quisesse. Enquanto Dusty cantava sobre o único rapaz que poderia ensinar algo a ela, um choque travou o peito de Gina, e ela não conseguia respirar.


Harry beijou-a no nariz e lhe disse, pouco abaixo da boca:


- Você precisa de outra coisa para pensar - com toda gentileza, ele levou a cabeça dela para trás. Os lábios dela abriram-se levemente. - Assim como sentir o abraço de um homem que consegue fazer uma mulher pensar em outra coisa.


Gina pôs as mãos no peito dele e sentiu os músculos sólidos abaixo da camisa fina. Aquilo não podia estar acontecendo. Não com Harry.


- Não - garantiu-lhe, um pouco desesperada. – Eu me lembro.


- Eu pensei que você tinha esquecido - seus lábios comprimiram -se contra os dela e relaxaram um pouco. - Você precisa de um lembrete... de um homem que saiba como usar a colher de pau.


- Queria que você esquecesse que eu disse isso - respondeu, tentando vencer a pressão no próprio peito.


- Nunca. Apesar de eu não conseguir imaginar que algo da finura de uma colher de pau possa servir para alguém.


Ela arfou, enquanto a boca dele se abria sobre a dela, e a língua intrometeu-se entre os lábios. Com o sabor de uísque e algo mais. Algo que não havia provado há muito tempo. Desejo sexual. Quente, inebriante, direcionado totalmente a ela. Devia se sentir apavorada; e estava,um pouco. Mas, acima de tudo, gostava do sabor em sua boca. Como algo sedutor e rico, que não experimentara há tempos, que se despejava através dela, aquecendo a cavidade de seu estômago e seus vazios interiores.


Tudo à sua volta se afastava como a maré baixa. A festa. Os grilos. Dusty. Lembranças de Draco.


Harry estava certo. Esquecera -se do que era ter um homem fazendo amor em seus lábios. Não se recordava de quando havia sido tão bom. Ou, quem sabe, Harry é que era bom naquilo. As palmas das mãos dela deslizaram até os ombros e o lado do pescoço dele, conforme a língua deslizava, provocava e seduzia, até Gina se entregar e retribuir o beijo, devolvendo a paixão e a possessão com que ela a alimentava.


Os dedos de seus pés reviravam -se nas sandálias, e ela correu os dedos pelos cabelos curtos que roçavam o colarinho da camisa dele. A boca de Harry não abandonava a dela, embora lhe sentisse o beijo em todos os lugares. Os lábios molhados dele sobre os dela deixavam cada célula de seu corpo cheia de necessidade e voracidade, e desejando mais.


Gina ergueu-se quase nas pontas dos pés e comprimiu o corpo contra o dele. Ele gemeu dentro de sua boca, um som profundo de desejo, e reviveu lembranças que lhe ventilaram o ego, acendendo a chama da feminilidade que quase deixara morrer. Voltou a cabeça para um lado e a boca uniu-se à dele. A mão de Harry correu-lhe até a cintura, e os polegares gelaram-lhe o estômago através do fino algodão do vestido dela. Os dedos pressionavam-se contra ela, e ele a mantinha contra a virilha, onde estava duro e inchado. Ele a desejava; ela se esquecera de como aquilo era realmente bom. Beijou-o como se quisesse devorá-lo, e queria mesmo. Até o último pedaço. Naquele instante, não ligava para quem ele era. Apenas para como ele a fazia sentir-se. Desejada e cobiçada.


Ele recuou e arfou, recuperando o fôlego:


- Deus do céu! Pára!


- Por quê? - perguntou, e beijou-o no pescoço.


- Porque - retrucou, a voz áspera e torturada – nós dois temos idade para saber onde isso vai dar;


Ela sorria sem abandonar o pescoço.


- Onde?


- Numa rapidinha entre os arbustos.


Gina não era assim tão sem limites. Apoiou-se nos calcanhares e recuou alguns passos, apoiou as costas na árvore e respirou bastante, a fim de recobrar o juízo. Olhava Harry penteando os cabelos com os dedos e tentava entender o que acontecera. Havia acabado de beijar Harry Potter e, por mais que sua mente lhe dissesse que parecia loucura, não se arrependia.


- Você vem ensaiando isso desde os nove anos - disse, ainda um tanto confusa com tudo aquilo.


- Não era para ter acontecido. Desculpe... eu tenho pensado nisso desde a noite em que você se despiu na minha frente. Lembro exatamente como você é sem roupas, e as coisas saíram do controle e... - friccionou o rosto com as mãos - não teria acontecido se você não tivesse começado a chorar.


A expressão do rosto de Gina relaxou, enquanto observava as sombras escurecidas e levava os dedos aos lábios, ainda umedecidos pelo beijo. Desejava que ele não tivesse se desculpado. Sabia que talvez estivesse furioso, apavorado ou se sentisse ofendido pelo modo como ambos se comportavam, mas não ela. Naquele instante, não se sentia ofendida, apavorada nem mesmo arrependida. Sentia-se viva, apenas isso.


- Você está jogando a culpa em mim? Não fui eu quem o agarrou e atacou sua boca.


- Atacou? Eu não ataquei você - apontou -lhe o dedo.


- Não consigo ver uma mulher chorando. Sei que parece clichê, mas é verdade. Eu faria qualquer coisa para que você parasse de chorar.


Tinha certeza, porém, de que mais tarde sentiria muito. Assim que tivesse de vê-lo à luz do dia.


- Você poderia ter ido embora.


- E você ainda estaria se desmanchando em lágrimas. Igualzinho àquela noite no Double Tree – inspirou fundo e lentamente soltou o ar. - Mais uma vez, eu lhe fiz um favor.


- Você está brincando?


- De jeito nenhum. Você parou de chorar, não parou?


- É essa palhaçada de motivo futuro de novo? Você me beijou para eu me sentir aliviada?


- Não é palhaçada.


- Nossa, como você é nobre - riu ela. - Acho que você perdeu a cabeça porque... Por quê?


- Gina - disse ele, suspirando -, você é uma mulher atraente, e eu sou um homem. É lógico que você me faz perder a cabeça. Eu não preciso ficar aqui tentado imaginar como você é sem roupa; sei que você é bonita de corpo inteiro. Então é lógico que eu senti algo. Se não tivesse sentido um mínimo de desejo, ia ficar bastante preocupado comigo.


Ela não fez caso de salientar que o desejo dele media quase vinte centímetros sólidos. Gostaria de evocar alguma indignação ou raiva honestas, mas não conseguia. Fazer aquilo significaria que ela estava arrependida. Naquele exato momento, não estava. Com um único beijo, ele lhe devolvera algo que nem sabia que lhe havia escapado. Seu poder de fazer com que um homem a quisesse usando nada mais do que um beijo.


- Você devia me agradecer - disse ele.


Certo. Provavelmente deveria, mas não pelos motivos que ele pensava.


- E você deveria ir lamber minha bunda.


Meu Deus, ela parecia ter voltado aos dez anos, mas não se sentia como tal. Graças ao homem bem à sua frente.


Harry riu, muito baixo e bem dentro de si mesmo.


- E caso você esteja confuso, Harry, isso não foi um convite.


- Bem que parecia - respondeu. Recuou um pouco e acrescentou. - A próxima vez que eu vier à cidade, talvez eu aceite.


- Não sei. Será que eu vou agradecer?


- Não. Não precisa, mas vai.


E sem mais palavras, ele se voltou e foi embora, não na direção da festa, mas rumo à casa dos fundos.


Gina conhecia Harry desde sempre. Algumas coisas não haviam mudado. Como as tentativas de persuadi-la e fazê-la pensar que o dia era a noite, dar uma porção de desculpas esfarrapadas e, de quando em quando, fazê-la sentir-se maravilhosa. Como quando lhe disse que os olhos dela eram da cor dos íris que cresciam no jardim de sua mãe. Apesar de não lembrar quantos anos tinha, ela se lembrava que aquele elogio a deixara feliz durante dias.


Sentia as pontas afiadas da árvore contra as costas, enquanto via Harry caminhar pela varanda da casa dos fundos. A luz acima de sua cabeça deixou seu cabelo avermelhado, e as listras brancas da camiseta quase viraram néon. Abriu a porta vermelha e desapareceu lá dentro.


Novamente ela levou os dedos aos lábios, que tinham ficado sensíveis graças ao beijo dele. Conhecia-o há mais tempo do que ninguém, mas uma coisa era certa: Harry não era mais um garoto. Era um homem, sem dúvida. Um homem que fazia mulheres como Cho Chang observarem-no como se fosse um pedaço de suave imoralidade, de dar água na boca. Como algo em que desejaria cravar os dentes ao menos uma vez.


Gina conhecia esse sentimento.

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Enviado por Luhna em 27/06/2013

AI, SENHOR, ME SEGURA! É AGORA QUE EU FICO, OFICIALMENTE, EM SHOCK! Como assim? Como assim? COMO ASSIM????????????????? O Harry vai embora? NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!! E a Gina? E o beijo? E os assuntos não resolvidos? #chateada
Chocada aqui, não consigo pensar em mais nada para dizer. Só acrescentar: Cho e Colin? o.O Mas tanto faz! E o Harry? E a Gina? Ele já está totalmente apaixonado por ela, mas... e ela? Será que é só a "questão física" em relação ao Harry? ELE TEM QUE VOLTAR! #voltaHarry 

Nota: 5

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Enviado por Be Weasley Potter em 26/06/2013

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Amei o cap!!! Caramba, e agora? Logo agora que o Harry vai embora.. Gente, que beijo, hein? To fervendo até agora. KKKKKKK Harry, que atitude é essa? Ele estava louco para fazer isso e agora simplesmente sai como se não tivesse sido bom! Esses dois.. Vai entender! Bom, acho que agora a Gina acordou. rs

Amo as provocações do Harry e as respostas da Gina. Amo os sorrisos do Harry, não é a toa que ele é filho de um maroto. KKKKKKKKKKKKK

Pena que essa Molly é um saco! Molly, depois do Harry é um dos meus personagens favoritos. Odeio ela não estar com Artur, eles são almas gêmeas, completam um ao outro. E tomara que ao longo da fic não role nada entre ela e o James, nada a ver!

POSTTTTTAAAAAAAAAAAA LOGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!! Acho que vou ter um troço de tanta curiosidade!!!

Nota: 5

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Enviado por Edwiges Potter em 23/06/2013

Nossa, tá D+!!!!!!!!!!!! Mal consigo controlar minha ansiedade!! Por favor poste o mais rapido que uconseguir se nao eu tambem enlouqueço!!!

Nota: 5

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Enviado por Pacoalina em 23/06/2013

a fic tá ótima!tô adorando!

Nota: 5

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Enviado por Beatriz Granger Weasley em 23/06/2013

Awnnnn perfeita !! Não demore para postar mais capitulos, se não vou pirar aqui kkk'  

Nota: 1

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