Capitulo 7
De volta ao inferno
Perto das dez horas, a gata sumiu e Rony começou a levantar as almofadas da sala, onde estavam desde o jantar, continuando o jogo de antes.
-Onde foi parar aquela gata? Estava me dando sorte no jogo!
-Onde foi parar o que, Rony?
A voz veio da entrada da cozinha. Hermione. Na hora a raiva de Rony voltou.
-Olhe só, suas orelhas estão vermelhas, Rony.
-Dane-se você, Hermione Granger!
-Dane-se você, Ronald Wesley!
-Mione sua mãe está na sala, comporte-se!
-Eu sempre me comporto! Vá, me de cartas, - sentou-se no chão, junto deles, para participar do jogo – E por favor, Rony, isso não é buraco, ok?
-O que?
-Deixa pra lá! – revirou os olhos.
-Demorou bastante dessa vez! – disse Molly.
-É... – disse evasiva.
-Demorou o que?
-Você, Rony. Demorou a aparecer e estragar o dia com suas grandes orelhas vermelhas!
-Ah, não, Harry eu vou embora! Ela me morde – apontou a mão onde havia vermelhas e profundas marcas de dentes – Me maltrata e eu ainda tenho que agüentar isso!
-É sua vez, Duda – disse Molly interrompendo a discussão. Havia deixado-o jogar, pois estava tão verde e fraco que tiveram pena. – Porque não nos conta do epogrifo em que voou, Harry? Mione foi bem evasiva sobre isso também.
-Estava ocupada lendo. – ironizou Mione.
Rindo, Harry e os outros continuaram falando até perto das onze horas, até mesmo Duda de olhos arregalados com as histórias, parecia estar quase com sua cor normal.
-Porque não dorme aqui, Harry? – perguntou Mione. – Tem um quarto pra você lá em cima. O Rony vai ficar!
-Os meus tios não vão deixar.
-Deixar o que? – entrou a sra.Granger entrando na sala, com as chaves do carro na mão.
Explicaram e ela ligou para os DaDursley, que depois de falarem com seu querido filho verificando-se que ele estava sendo bem cuidado e que Harry não havia feito nada estúpido e anormal, concordaram em deixa-los passar a noite na casa da “adorável menina de olhos castanhos”.
Não sabiam eles que ao seu lado, esses mesmos olhos adoráveis ameaçavam Duda a dizer a coisa errada.
No quarto, Rony perguntou em tom baixo a Harry:
-Como foi que ela conseguiu domínio sobre seu primo?
-Ele esta encantado por ela, e ao mesmo tempo acredita que Mione é uma bruxa de trezentos anos, que pode usar feitiço. E se ele abrir a boca...Já sabe. Teve horas em que quase tive pena dele hoje.
-Pena é ela não usar essa esperteza toda pras coisas úteis. – resmungou Rony.
-Pior é que ela usa. É a melhor da turma.
-Obrigado, Harry, é sempre bom ter alguém me lembrando que Mione é melhor do que eu! A sabe tudo, a menina genial! “Perfeito, Srta.Granger! Dez pontos para Grifinólia!” – imitou o tom dos professores dirigindo-se a ela- Um dia alguém ainda vai cortar o dedo dela, só para frustrar-lhe o prazer de levanta-lo!
-E esse alguém é você, suponho. – riu.
-Pode apostar. Já percebeu como ela é mandona? Semana passada, com um mundo de gente lá em casa ela ainda conseguia dar ordens em mim!
-É que você obedece, Rony.
-Engraçado, eu nunca o vi contraria-la, Harry. – ralhou.
-É. Pra que? Ela só faz o que quer mesmo!
Duda que estava no quarto olhava-os de olhos arregalados. Rony franziu as sobrancelhas.
-Ele nunca dividiu quarto com ninguém – sussurrou Harry Potter – O filhinho da mamãe...
-Azar o dele! – sussurrou de volta.
-Boa noite, Rony.
-Boa noite Harry.
Apagaram a luz e entraram nas cobertas, Harry dormindo facilmente devido talvez a alegria de estar em um lugar onde era bem vindo, e acolhido.
Já Rony ficou olhando para Duda através do escuro. O garoto tinha os olhos arregalados e brilhantes na escuridão. Rony podia ouvir seus dentes batendo de medo. Como disse antes, azar o dele, e fechou os olhos, adormecendo ao som da noite calma e aconchegante.
Harry arrumou as almofadas e tirou o pó do sofá. Havia voltado para casa logo cedo, na manhã seguinte. Duda fora para o quarto dormir, já que obviamente passara a noite toda com medo e acordado. Às vezes até Harry tinha pesadelos com Hermione, principalmente quando ela passava dias enchendo sua paciência e de Rony por causa dos exames finais. Mas Duda com certeza o venceria brincando.
Sua vida estava idêntica a de sempre, só que dentro do peito tinha a certeza de que seus amigos estavam perto. E isso o consolava.
Tia Petúnia entrou na sala e olhou em volta, conferindo se tudo estava limpo.
-Divertiu-se ontem, Harry? – perguntou irônica.
-Não, tia Petúnia.
-é mesmo? Por que será, não é? Você que sempre se acha melhor que todos por causa desse seu problema ter que ver como seu primo é bem querido e admirado! Com certeza uma grande frustração.
-É com certeza...
-Pois guarde suas observações para você mesmo, pois mais tarde a sra.Granger virá busca-los novamente, para um passeio. Não preciso dizer como deve se comportar não é?
-Não, não precisa. –por trás da frieza seu coração havia saltado uma batida.
-Henry? – chamou-o antes que saísse da sala – O que você achou da menina, Hermione?
-Eu?
-Sim. Você estava lá, não estava? Ela tem sido boa para Dudinha, não tem?
-Sim, é claro que sim. – sufocou a vontade de rir.
-Eu não sei não, ela tem olhos tão...Tão...Achei que houvesse uma certa ironia no seu modo de nos olhar. – disse como se contasse um segredo ou lembrasse de algo.
-Se ela não gostasse de vir aqui, porque estaria atrás do Duda? – jogou verde.
-É mesmo! – sorriu, e então fechou sua expressão – O que você está fazendo aqui parado? Tem muita coisa pra fazer lá dentro! Quero deixar a casa um brinco!
A raiva que poderia estar sentindo, parecia ter se evaporado. Realmente, queria que todos seus dias de férias fossem assim. Essa expectativa de ver seus amigos e trocar confidencias e planos de como enganar o bobo do Duda.
Pouco mais tarde, dentro do carro do sr.Granger, Harry ouvia a voz de Molly contando coisas sobre suas próprias férias na praia e Mione ralhando sobre ela parecer uma tramela.
-Mione não quer que eu conte que tenho uma foto dela de...
-Molly! – gritou ameaçadora.
-...Biquíni!
Sua voz ecoou dentro do carro. Hermione fechou a cara e bufou.
-Biquíni? O que é isso? – perguntou Rony sem entender, porque as bochechas de Hermione estavam vermelhas.
-Como posso explicar? – perguntou Molly olhando para Harry que estava muito ocupado rindo.
-Aquilo é um biquíni. – voz do primo de Harry quebrou o raciocínio de Molly.
Pela janela havia um outdoor com a grande foto de uma modelo em um traje de banho amarelo.
-A roupa, Rony. O traje que ela está vestindo – explicou Harry para o amigo que ainda não entendera.
-Aquilo? Você usou aquilo? – está incrédulo.
-Usou, sim! Meu pai tirou varias fotos nossas e estou com a dela em cativeiro privado! Enquanto eu tiver comigo, Mione está nas minhas mãos!
-O que você quer por ela? – perguntou Rony rindo.
-Você tem vários irmãos solteiros, não tem? Então me deixe ir na sua casa de bruxos e eu te dou a copia!
-Molly! Não! – viu a prima abrir a bolsa e retirar a carteira. Assim que a foto apareceu nas mãos de Molly, Hermione tentou pegá-la. Mas Harry foi mais rápido.
O carro estava estacionando e logo o sr.Granger abriu a porta e saiu do carro, abrindo a porta do carona da vã. Harry ainda analisava a foto, quando ele a tirou de suas mãos, antes que Rony a alcançasse.
-Bem, chega, me dêem essa foto. Podem descer agora.
Contrariado Rony desceu com um Harry sorridente logo atrás.
-Eu disse que o sr.Granger me odeia! Eu queria ter visto a foto!
-Eu sei que queria Rony. Todos sabemos disso! – ralhou Hermione sem coragem de olhar para Harry.
Estavam entrando no enorme cinema quando Harry sussurrou no ouvido da trouxa Molly:
-Eu conto que era a sua foto e não a dela?
-É claro que não! O filme borrou, e perdi a foto. Mas é sempre bom ter algo para usar e poder controla-la. Não é fácil ter uma amiga bruxa, você sabe, ainda mais uma má como Mione.
Rindo os adolescentes entraram na sala escura e entre tropeços e risos sentaram-se nas cadeiras. Hermione sentada entre Rony e Harry, bateu no braço de Ron e disse:
-Fique quieto! O filme vai começar!
Rony olhou para os lados e então para cima e Hermione bufou.
-Ali na frente, Rony! A tela é na sua frente!
Constrangido ele ficou quieto. O filme começou e ironicamente era uma comedia de adolescentes.
Molly ria e jogava pipocas no pobre Duda que se sentara na coluna à frente deles.
Mesmo na semi-escuridão do cinema, com o som alto e o brilho da tela gigantesca logo lá na frente, o som de risos e gritinhos de Hermione criticando Molly e Rony, era possível ver o sorriso de Harry. Cada vez maior. Até uma pipoca atingir sua cabeça, e uma celebre guerra de pipocas, onde deixaram Duda participar, começar e o lanterninha aparecer iluminando-os brevemente e virando as costas sussurrando para si mesmo:
-Adolescentes...!
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