Capitulo 6
Não faça isso!
Mais tarde, sentado no sofá da sala, Harry sentiu Hermione roçar suas pernas e miar alto. Olhou pra Molly sentada em frente à Tv e ela disse, sem desgrudar os olhos da tela.
-Ela não consegue voltar quando quer. Fica entediada, mas tem que esperar até conseguir voltar. – levou um punhado de pipoca na boca de um pote que estava entre ela e Duda no sofá. Ele ainda estava tenso, mas menos assustado. – Mais chá, Harry?
-Pode ser... – disse olhando para o noticiário. Era tão raro assistir Tv sem estar escondido.
-Harry?
O sussurro de Duda quebrou sua atenção e olhou para ele.
-É sempre assim com eles?
-Assim como? – perguntou irritado.
-Você sabe! Gente fazendo isso? – apontou o gato.
-É, mais ou menos... – desconversou.
Molly voltou a sala e olhou reprovadora.
-Estava fazendo perguntas, Duta? Já não lhe disse que na ausência de minha ama, eu controlo suas vontades? Se ouvir sua voz mais uma vez, você vira um rato! Minha ama bem que gostaria de uma distração! – o miado do gato, como se respondesse fez Molly rir- Ela esta quase voltando. Já está nos entendendo com total consciência!
-Você deveria estar estudando conosco, Molly. Tem tanto jeito com o mundo da magia.
-Sou fascinada por isso! Infelizmente não tenho o poder. – baixou os olhos – Mas já disse a Hermione, um dia quero visitar a escola de vocês...Eu tenho um secreto plano de casar-me com um bruxo!
Corado, Harry engoliu em seco. O gato pulou no sofá e aranhou Molly no braço, indo para o colo de Harry.
-Estava só brincando, sua bichenta! Gata feia! – indignada, jogou seu chá em Hermione que correu sala à fora desesperada pelo jato de chá gelado. Harry ficou respingado, mas teve que rir.
Poucos minutos depois ouve um barulho na lareira e Molly olhou para trás dizendo suavemente:
-O sr.Granger permitiu que fizessem um portal na lareira.
Em segundos uma cabeça vermelha passou pelo buraco e levantou irritado.
-Essa coisa é muito apertada! – limpou ferrugem da roupa e olhou para eles.
-Rony! Você veio! – Harry levantou e se aproximou do amigo, que se afastou vermelho como um pimentão.
-Onde está aquela vampira traidora?! – perguntou raivoso.
-Hermione?
-Você conhece outra traidora? – ironizou.
-Mione disse que não conseguiria vir.
-O Fred enganou a mamãe e ficou trabalhando por mim. Ele está me devendo uns favores por não ter denunciado ano passado. – como monitor Rony deixou de perseguir-los, lembrou-se Harry, fechando os olhos para seus deslizes. – O que ele está fazendo aqui? – perguntou horrorizado, apontando seu primo.
-Foi o único jeito de Harry poder vir aqui – disse Molly levantando – Oi, sou Molly. Você deve ser Rony, o filho do casal Wesley! Monitor e goleiro do time de quadribol da Grifinólia!
-Sou eu mesmo... – disse desconfiado.
-Mione me fala muito sobre vocês! Somos amigas! E sim, eu sou trouxa. – disse antes que ele fizesse a observação do óbvio. – estamos assistindo Tv. Você não quer se juntar a nós? Aposto como não deve estar acostumado não é?
-Na verdade não. – respondeu esquecendo um pouco da raiva.
-Então se sente ali, ao lado de Harry! Vou buscar bolo e chá pra você!
Meio desconfiado sentou junto com Harry que sorriu.
-Ela disse que está sonhando em casar com um bruxo. – explicou.
-Ah...- disse meio surpreso.
Da cozinha, junto com Molly veio o gato gingando lentamente, e miou ao ver Rony.
-Outro gato? Ela está fazendo coleção? – reprovou Rony se movendo para pegar o gato pela pele do pescoço e o ergueu em frente a seu rosto. Assim levitando, a cauda e as pernas do gato se agitaram como se quisessem arranha-lo. Harry controlou-se para não rir. Hermione deve estar furiosa pensou. – Este é ainda mais esquisito que o Bichento! Qual o nome?
-Acho que ainda não tem nome... – disse Molly excitante, observando-o sacudir o gato, com expressão receosa.
Rony parecia decidido por um segundo a se vingar de Hermione no gato. Olhou-o bem e por encanto mudou de idéia, colocando-o sobre o sofá a seu lado e antes que o gato fugisse começou a acariciar seu pelo, na cabeça, e então em suas costas.
Molly e Harry se entreolharam.
-Coisa chata não poder fazer feitiços, não é Harry? Se fosse na escola poderíamos nos divertir muito mais do que ficar aqui sentados assistindo...Como foi que disse que isso se chama?
-Televisão. Porque não me conta um pouco mais sobre a escola? Mione às vezes é meio vaga, pois está sempre com pressa para...
-Ler? – completou Rony – É eu sei, ela é um saco quando pega um livro nas mãos. – sorriu.
Um miado alto e Molly riu pra ele, e Rony ficou sem jeito.
O assunto mudou na direção de Hogwarts por quase uma hora. Eram quase sete da noite quando a sra.Granger voltou e depois de deixar a bolsa na sala os encontrou no quarto de Mione, todos jogando cartas, um jogo estranho para Rony, um baralho trouxa, que o deixava encucado com as cartas que não se mexiam. A todo momento esperava que algo acontecesse, mas nada de anormal acontecia. Então encantado gritava “buraco!” quando na verdade tinham começado a jogar canastra. Molly ria e o gatinho no colo de Rony miava como se estivesse criticando-o. Uma ou duas vezes Rony havia olhado bem pra ele e perguntado: “Vocês tem certeza que esse gato não está possuído?”, então negavam veemente e incrédulo ele continuava o jogo.
-Aqui estão vocês! Estão se divertindo? Rony que bom vê-lo! – deu-lhe um beijo na face que o fez corar. Harry sabia que ele tinha uma quedinha pela sra.Granger.
-Olá, sra.Granger!
-Que bom que está aqui! Irá passar a noite?
-Acho que sim.
-Ótimo! Bem, são quase nove horas. Logo tenho que levar Harry e seu primo para casa. Falando nele onde está?
-No banheiro. – respondeu Molly calma – Acho que algo não fez bem pra ele.
-Oh, é melhor pedir a Nancy fazer um chá, - disse baixo, ouvindo os desagradáveis gemidos que vinham do banheiro. – Onde está Mione?
-Ela está...Bem, deu uma saída, mas já volta!
-Mione saiu? Onde ela foi? – franziu as sobrancelhas.
-Ver um livro novo. Queria ler com calma, mas estávamos fazendo muito barulho. Foi até o quintal, mas já volta.
-Ah, certo. Ela e sua mania de ler! Vou ver se o jantar está pronto. Meu marido vai se atrasar hoje, mas acho que chega a tempo de ver você Harry.
-O sr.Granger me odeia. – sussurrou Rony.
-Porque será? – rebateu Molly. – Mione me contou que você derrubou um tinteiro de tinta mágica na cabeça dele há algumas semanas atrás. E era uma tinta que leva seis dias para sair. O pobre teve que trabalhar com o cabelo azul!
-Pelo menos as crianças gostaram! – rosnou Rony.
-Oh, claro. Ele passou muita credibilidade aos clientes!
Outro gemido de dentro do banheiro fez Harry dizer:
-É melhor dar a ele o antídoto dessa bala de azar, Rony, senão ele vai contar tudo pros meus tios.
-Se é que ele terá forças pra isso! – riu e o gato miou como se aprovasse. Acariciando novamente a cabeça do bichano, Rony riu ainda mais – Esse gato é bem mais divertido que o Bichento!
-É gata, Rony. Uma linda gatinha – passou o dedo na boca do gato que esfregou os dentes na pele – tão dócil.
Imitando Molly, Rony também ofereceu o dedo, e a gatinha revirou-se na cama brincando com sua mão, enquanto Harry pegava a bala para desfazer o feitiço de Duda e entreabria a porta do banheiro meio atordoado pelo cheiro.
-Come isso, Duda! E come rápido. – disse fechando a porta atordoado.
-Ele está pobre ou o que? – brincou Molly.
Entretido com o gato Rony nem respondeu.
-Será que Hermione não me dá esse gato? – perguntou e Harry riu.
Molly riu ainda mais e disse:
-Com certeza que não. Ela é muito apegada a ele!
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