Capitulo 5
Como um gato
-Vem, Harry!
Mal entraram na casa e Hermione o puxou pela mão. Subiram as escadas, quando o grito de Molly os fez parar.
-E eu Mione??? – apontou Duda.
-Ah, é... – disse a menina, passando a mão pela cabeleira – Nancy veio junto com a gente, Molly, leve ele não cozinha e peça um pedaço do bolo que ela deve ter feito! A gente já desce!
A expressão de insatisfação de Molly fez Harry rir.
-Ela está chateada com você, Mione!
-Ah, ela concordou em distrai-lo, Harry!
-A troco de que? – sentou na cama arrumadinha.
-Vou mandar para ela de Hogwarts um presente. Qualquer coisa de bruxos, pois ela é louca por isso, desde que descobriu que sou uma bruxa.
-Como ela descobriu?
-Nem queira saber, Harry! – sorriu misteriosa! – Você escreveu por Rony?
-Escrevi sim, mas ele não me mandou resposta.
-É eu imaginei. – disse desgostosa – Mas mandou para mim. Acordei com Pichi largando isso na minha cabeça.
Pegou o berrante em papel vermelho de sobre a penteadeira e entregando a Harry:
“Você!
Sua traidora!
Eu devia mandar um berrante pro Harry e estragar o disfarce de vocês! Tomara que o porco Junior os delate!
Ah, mais vocês não perdem por esperar! Eu não quero mais saber de noticias de vocês dois tão cedo! Mamãe vai buscar Harry segunda, ouviu??????
Se até lá não houverem explodido de tanto se divertirem sem mim, estejam na casa dos DaDursley! E saibam que estou muito ,mais muito chateado com isso! E você Hermione Granger, é uma bruxa chata e metida a sabe tudo! Quero mais é que fique vesga de tanto ler!
E você, Harry, confie nessa bruxa charlatã, que vai quebrar a cara! E quer saber??? Vou fazer algo mais útil do que falar com vocês dois!
Até semana que vem, Harry! Tenho uma ótima semana, seu traidor!!!!
E cuidado, ela morde!”
Os gritos pararam e Harry fechou o berrante.
-Ele está bem chateado.
-É, eu disse que anda insuportável... – disse suspirando – Escrevi avisando que você está aqui hoje e que ele pode vir aqui se quiser, mas a sra.Wesley disse que ele precisa ajudar em umas reformas que estão fazendo na casa. Estão aumentando a casa, sabe?
-Para que? – perguntou com um súbito aperto no estomago.
-O meu pai conversou com um juiz trouxa amigo dele. Seria difícil conseguir a sua guarda, já que os DaDursley são seus parentes de sangue, e achamos que não abririam mão dela, só para deixa-lo infeliz. Mas minha mãe teve a idéia de quem sabe convence-los do jeito dela...
-Nada poderia convence-los! Eles me odeiam!
-Sabemos disso, mas mamãe é bem persuasiva quando quer. Ela conversou com uma firma de materiais de construção e os convenceu a fechar um ótimo negocio com a empresa do seu tio de porcas, em troca claro da desistência da sua guarda!
Os olhos de Harry brilharam grandes como pires. Não era possível! Desde que tivera esperanças de ir morar com seu padrinho Sírios, que não nutria mais essa ilusão de se ver livre dos DaDursley.
-Não se anime, Harry. – disse triste, sentando a seu lado – Dumbledore ficou sabendo e procurou os Wesley, e não sei o que disse a eles, mas convenceram meus pais a esquecer essa idéia.
-O que? – perguntou indignado.
-Eu sei o que está pensando, Harry! Fiquei possessa e Rony também, mas segundo Dumbledore é para sua própria segurança! – disse triste.
-É sempre para minha segurança... – resmungou olhando para o chão.
-Mesmo assim, os Wesley estão fazendo um quarto novo na casa para você e Rony dividirem com mais conforto. Eles querem que vá morar com eles quando fizer dezessete anos. Dumbledore não se opôs a essa idéia! Só falta dois anos!
-Parece tanto tempo... – disse chateado.
-Mas é melhor que depender dos Dumbledore depois dos dezoito! E se você quiser ser um auror irá precisar estudar bastante e o trabalho será puxado e nada melhor que estar na casa de pessoas que o amam!
-Eu estou feliz em ficar com eles, Mione! Não pense ao contrario! Mas você não sabe o que é ficar com os meus tios em tempo integral. É um saco! Sou seu domestico particular! Até um elfo é mais bem tratado que eu.
-Não vamos pensar nisso agora, Harry. Quero que nos divirtamos muito essa semana! Sem tristezas, certo?
-Certo – disse suspirando.
-Quero lhe mostrar uma coisa. – disse pegando um livro de dentro de um baú. De dentro dele retirou uma carta.
-É do Vitor Krum. Ele fala bastante de você. Pediu que escreva pra ele. Quer saber como você está.
-Eu não confio muito nele, desde que ele trapaceou no labirinto. – jogou a carta na cama, não querendo falar sobre isso.
-Desculpe, eu não sabia. – disse arrependida – Rony disse algo sobre isso, mas achei que era despeito dele por causa do Krum gostar de mim...Mas acho melhor por isso fora! – jogou a carta dentro do lixo e não olhou mais.
Harry pensou em dizer-lhe para pegá-la de volta. Afinal o fato dele e Rony desgostarem de Krum não era motivo para Mione deixar de ter contato com ele. Mas decidiu se calar. Afinal, Hermione não seguia a opinião dos outros a menos que estivesse certa disso. De súbito lembrou-se do berrante de Rony e perguntou:
-Porque Rony disse que você morde?
-Loucuras da cabeça dele, Harry! – levantou novamente da cama e jogou pra ele uma edição de uma revista desconhecida. – É o Quiss, foi lançada há duas semanas, desconfio que pela Ordem de Fênix, embora nenhum deles confirme. Fala de-você-sabe-quem e da certeza de sua volta. Basicamente ataca cada matéria que sai naquele jornalzinho barato. Vi o sr.Wesley bem ocupado semana passada escrevendo alguma coisa, que ele não deixou ninguém saber o que era, e se você ler a pagina 8 verá que tem um texto sobre sua situação em Hogwarts, onde defendem sua palavra e parece a defesa de um pai! Acho que é dele.
-Você mordeu o Rony? – voltou a insistir olhando pro seu desconforto.
-Você não quer ler o jornal?
-Hermione!
-Eu não o mordi por querer! Foi um acidente! – disse embaraçada.
-Você o mordeu mesmo! – riu - Porque?
-Rony estava insuportável, mas acho que já disse isso antes, e me irritou tanto que quando vi...Eu já o tinha mordido! Mas foi sem querer, eu juro!
-Mas porque morder? Isso me parece coisa do Bichento e não de uma bruxa!
-É que...Eu...Bem...Harry é um segredo...
-Eu não conto pra ninguém!
-Estou conseguindo me transformar em gato...Mas é só por pouco tempo! – apressou-se a dizer.
-Está brincando? Isso é ilegal!
-Eu sei! Por isso que é segredo! – corou – Eu havia acabado de me destransfigurar de gato quando Rony apareceu e começou a me irritar e reagi como um gato! Ainda não sei controlar isso direito!
-Mas é perigoso fazer isso! E se alguma coisa der errado? – parou para pensar e então disse – Espera aí! Como é que você está fazendo magia fora da escola e ninguém a está perseguindo? – perguntou indignado.
-É outro segredo, Harry...- sussurrou. – Dumbledore soube e me deu permissão para isso.
- Dumbledore? – estava chocado.
-Ele descobriu quando estávamos na escola ainda e me disse que não deveria parar os treinos enquanto estivesse aqui, pois é muito raro uma bruxa da minha idade, sem treino, conseguir se transformar. Ele conseguiu encobrir minhas tentativas com um feitiço. Mas é só o que posso fazer. Outras magias não.
-Por que ele faria isso?
-Eu tenho minhas suspeitas, Harry. – puxou-o pelas mãos, até uma pequena estante ao lado da sua cama, repleta de livros. Retirou um e mostrou-o – Dumbledore me deu esse livro, junto com a permissão dele.
Harry pegou o livro e leu o titulo “Como conter um ataque de Monstros de Tor”.
-O que diz aqui? – com certeza ela já o lera diversas vezes.
-É um livro que definitivamente não deveria estar nas minhas mãos. – retirou-o das mãos de Harry e voltou a cama , sentando-se ajoelhada e abrindo-o sobre a colcha. – Conta como se defender de um povo extinto a milhares de anos. Os Tors. São monstros da noite. Eles atacam os sonhos e roubam a consciência humana de qualquer pessoa, bruxo ou trouxa. Geralmente um trouxa voltara a si depois de algumas noites inconsciente, mas sem suas lembranças. Já um bruxo poderá ter sua vida mantida em outra dimensão por séculos, enquanto que seu corpo jaz imóvel e conservado, mesmo que em um túmulo. Muitos foram enterrados vivos e séculos depois recrutados por seres do mal. – tomou fôlego – Como-você-sabe-quem.
-Voldemort?
-Ele mesmo! Não há registros de algum descendente dessa raça mas agora com Ele de volta, todo cuidado é pouco!
-E onde você entra nisso? – franziu as sobrancelhas.
-Monstros de Tor são sensíveis a gatos. É basicamente a única coisa que pode afugenta-los. São muitos que conseguem transformar-se no que desejam, mas poucos que possuem a essência de gato. É meu animal mestre, Harry. Professora Minerva também. Acho que Dumbledore quer que haja mais alguém com esse poder em Hogwarts.
-Perto de mim você quis dizer! – irritou-se. – Ele quer que tenha muita gente a minha volta para morrerem por mim, como Cedrico!
-Harry não é bem assim!
-É claro que é! O que irá fazer com Rony? Treina-lo para me proteger também? Fred e Jorge? Quem mais?
-Harry! – disse mais alto que ele – Você não entende que você é a pessoa a quem Voldemort tem ódio, mas não é o único a quem ele quer destruir. Eu tenho sangue ruim esqueceu? Se ele voltar com toda a força sobre Hogwarts eu e outros na escola seremos os primeiros a morrer, talvez até antes de você! Dumbledore não quer que Hogwarts esteja indefesa, já que poucos acreditam nele!
Mais calmo Harry sentou-se a seu lado.
-O que mais diz o livro?
-Pouca coisa. Na verdade descreve mais a história desses monstros e não eles propriamente. Não há sequer um desenho sobre sua fisionomia. Desconfio que sejam seres sem matéria. Mas não posso ter certeza. Antes de terminar o ano na escola ouvi que Neville estava tendo pesadelos estranhos e comecei a me corresponder com ele, pois achei que talvez ele estivesse sendo perseguido por um deles, mas era alarme falso. Estava muito impressionada com isso e qualquer pesadelo me deixava apavorada. Mas agora eu entendo que os Tors são seres sem inteligência própria. Eles precisam de um líder, uma ordem firme para seguirem.
-E como você poderia impedi-los?
-Ainda não sei. Mas é só questão de tempo para descobrir como isso é possível...- parou ao ouvir um barulho no primeiro andar. A seguir um grito indignado:
-Seu idiota! Eu devia mandar Hermione cortar esses seus dedos engordurados! Seu-seu-seu...Infame!
Se entreolhando os dois saíram da cama e correram escada a baixo. Encontraram Molly de pé furiosa, vermelha como um tomate. No chão o que parecia um pedaço de torta e vários talheres. Do outro lado da mesa um Duda muito assustado.
-Eu não fiz nada! –gritou ao ver Hermione, se encolhendo – Diga a ela Harry, eu não fiz nada!
-O que aconteceu? – perguntou Harry segurando o riso.
-Esse pateta jogou uma cereja dentro da minha blusa e teve a audácia de tentar pegá-la!
-Foi um acidente! Eu estava fazendo guerra de cerejas mas queria comer a cereja...eu-eu...Não queria mais nada, juro!
-Tc-tc-tc... – Hermione moveu a cabeça em negativa dando a volta na mesa e se aproximando de Duda – Harry, Harry...O que posso fazer com seu primo? Não posso perdoa-lo, afinal apenas eu posso tortura-la, pois é minha prisioneira, mas quanto a seu primo demonstrar tanta falta de respeito por meus seguidores...Acho que terei de puni-lo. Você me entende, não é?
-Acho que sim, Hermione. – segurou o riso.
-O que poderia ser? Rabo ou nariz? – perguntou a Molly.
-Os dois!
-Não sei, não, Hermione, ele é meu primo e já operou o rabo uma vez.
-Mesmo? – Molly arregalou os olhos surpresa.
-É ele não ficou muito bem de leitão. – quase rindo Harry desviou o olhar do primo que estava ligeiramente verde em lembrar do ocorrido.
-Quem sabe o feitiço da masmorra? Aquele que o fará gritar eternamente meu nome, até que suas cordas vocais explodão?
-Muito trabalho para agüenta-lo gritando. – reprovou Harry.
-Já sei! – gritou Molly. – Faça o ser comido por um dragão! Seria adorável!
-Meus tios não iriam gostar disso. Poderiam ficar bravos comigo.
-Realmente isso não. Já sei o que farei.
Num de repente Hermione virou-se com expressão maquiavélica e começou a aproximar-se num passo diferente do seu andar até que sem que esperassem seu corpo encolheu e pulou sobre Duda, transformado em um belo gato marrom peludo.
Duda gritou como nunca Harry vira alguém gritar na vida e saiu correndo para a porta batendo desesperado ao vê-la trancada.
Harry riu, surpreso pela agilidade da amiga. O gato era adorável, e andou lentamente até ele, pulando até seus braços. Molly se aproximou e coçou sua cabeça.
-Quando se torna gato Mione perde um pouco da realidade, sabe? Seus instintos tornam-se instintos de gato, por isso não se preocupe em trata-la como um. Ela está tendo uns contratempos para controlar as transfigurações, e infelizmente, esse alheamento é um deles.
Com a gatinha enrolada em seus braços, Harry foi até a sala , onde Duda se esparramou contra a parede apavorado.
-Sem drama, Duda. Ela não vai fazer nada com você. É só um gatinho, viu? – disse Molly. – Venha, vamos pegar outro pedaço de bolo para você. Você também Harry, deve estar com fome.
Na cozinha, Molly serviu um desconfiado Duda que não tirava os olhos da gata e Harry que tinha um sorriso idiota nos lábios, e em uma bela tigela de porcelana colocou leite sobre a mesa e Harry soltou o gato, e este andou sobre a mesa com destreza bebericando seu leite com gosto.
“Rony adoraria ver isso! Mione assim tão... tão... gato! Não me admiraria nada se ele arrumasse um cachorro!”. Com esse pensamento Harry provou a guloseima a sua frente sempre olhando para o gato, e de vez enquanto para seu apavorado primo. Molly sorria sem parar e de vez em quando fazia carinho na cabeça peluda. Ainda tímido Harry fez o mesmo recebendo um ronronar como resposta. A durona Hermione Granger ronronando! A se Rony pudesse ver isso!
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