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7. Capítulo 7


Fic: Sem Clima para o Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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No dia seguinte ao casamento de Hermione, Gina havia feito um voto de sobriedade. Às 5h32 da tarde de quinta-feira, esse voto foi quebrado. A verdade é que havia motivos para comemorar.


Gina tinha em mãos uma garrafa de Dom Perignon e ia tirando a rolha com os polegares. Momentos depois, o som de seu estouro, e a rolha voava pela cozinha, atingindo um guarda-louça de mogno muito longe e ricocheteando atrás do fogão. Enquanto a escritora enchia três taças altas de campanha, um fiapo de névoa emanava do gargalo da garrafa.


- Isso vai ser bom – disse, com um sorriso sem remorsos. – Eu o roubei da minha mãe.


Luna apanhou a taça.


- Champanha roubado é sempre a melhor pedida


- De que ano é? – perguntou Tonks, pegando a taça.


- Mil novecentos e noventa. Mamãe estava guardando para o dia do meu casamento. Só porque eu desisti dos homens não quer dizer que uma garrafa de champanha de ótima qualidade tenha de sofrer – a taça tiniu com as de Tonks e Luna – À minha saúde.


Uma hora atrás, fizera um exame de HIV via oral e, em dez minutos, o resultado tinha sido negativo. Um peso a menos nos ombros. As amigas estavam presentes quando recebeu a boa notícia.


- Obrigada por terem me acompanhado – disse, e deu um gole. A única parte triste da comemoração era a ausência de Hermione. Gina, porém, sabia que a amiga comemorava maravilhosamente por conta própria, abusando do sol das Bahamas com o novo marido. – Sei que vocês duas são ocupadas, e a presença de vocês lá significou muito para mim.


- Não agradeça à gente – Luna passou um braço em volta da cintura de Gina. - Somos amigas.


- Nunca estou ocupada para você – Tonks bebeu e suspirou. – Faz um tempo que só bebo coisas com pouco carboidrato. É fabuloso.


- Você ainda está fazendo a dieta Atkins? – indagou Gina. Até onde se lembrava, Tonks vinha passando de uma dieta a outra. Era uma batalha constante para se manter em um jeans tamanho trinta e seis. Como eram escritoras, claro que passar tanto tempo sentadas adicionava uns quilos à balança, e era algo contra qual todas lutavam. Contudo, para Tonks, tratava-se de um combate sem fim.


- Agora estou fazendo a de South Beach – respondeu.


- Você deveria tentar voltar para a academia – sugeriu Luna, e inclinou o traseiro no gabinete de granito preto. Todas as manhãs, Luna corria oito quilômetros, morrendo de medo de um dia herdar a bunda grande da mãe.


- Não. Já me matriculei em quatro e saí depois de uns meses – Tonks balançou a cabeça. - O problema é que eu odeio suar. É um nojo!


Luna levou a taça aos lábios:


- Faz bem suar. Todas as toxinas ruins saem do corpo.


- Não. Pra você que é bom. Gosto das minhas toxinas ruins onde elas estão.


Gina deu uma gargalhada e apanhou a garrafa pelo gargalo.


- Tonks está certa. Ela precisa manter longe do conhecimento do mundo todas as suas toxinas ruins.


As três caminharam até a sala de estar, repleta de mobília antiga que, durante gerações, estivera na família de Gina. Os braços de sofás e cadeiras de encosto redondo achavam-se cobertos com protetores de linho ornamentais que uma bisavó ou tia-avó havia feito com as próprias mãos. Pousou a garrafa na mesa de café com tampo de mármore e sentou-se em uma das cadeiras de espalmar alto.


Tonks escolheu o sofá na outra extremidade.


- Já pensou em chamar os caras da Antiques Roadshow2


- Por quê? – perguntou Gina, e apanhou um fio branco do seio esquerdo de sua camisa de gola rolé preta sem mangas.


- Pra lhe dizerem o que são essas coisas. – Tonks apontou para o descanso de pé francês e o pedestal com um querubim.


- Eu sei o que são todas essas coisas e de onde elas vieram – deixou o fio sobre uma cerâmica cloisonné.


Luna observava as estatuetas Staffordshire sobre a abóbada da lareira:


- Como você faz pra deixar tudo isso limpo?


- Dá um trabalhão!


- Livre-se de alguns.


- Não posso – balançou a cabeça - Tenho a doença dos Weasley. Acho que está nos genes. Não conseguimos nos livrar das heranças de família, nem mesmo do que é mais horroroso e, acreditem, minha bisavó Foster tinha um gosto medonho. O problema é este: a gente se acostumou a ter uma árvore genealógica imensa, mas fomos reduzidos a alguns poucos ramos. Minha mãe e eu, uns primos na Carolina do Sul e uma montanha de antiguidades de família – tomou um gole de champanha. – Se acha minha casa ruim, vai ver o sótão da minha mãe. Argh! Parece um museu.


Luna afastou-se da abóbada da lareira e foi do carpete até o sofá.


- Será que o Draco roubou alguma coisa quando foi embora? Além da sua cachorra?


- Não – o gosto por antiguidades era um ponto em comum de ambos. – Ele não ia querer me ver furiosa.


- Alguma novidade sobre ele?


- Nada, desde segunda-feira. Troquei as fechaduras ontem e meu colchão novo chega amanhã.


Olhou para baixo, na direção de taça, e agitou a champanha amarelada. Menos de uma semana atrás, tinha uma felicidade ingênua. Agora, estava tocando adiante sem Draco. Fechaduras novas. Cama nova. Vida nova. Pena que seu coração não se movia tão rapidamente quanto o restante dela. Perdera não só o noivo, mas também um amigo íntimo. Draco mentira sobre uma porção de coisas, mas não acreditava que a amizade tivesse sido uma farsa.


- Acho que nunca vou entender os homens – disse Luna – Eles têm sérios problemas mentais.


- Que foi que o Dino fez agora? – quis saber Gina.


Durante dois anos, Luna namorou Dino Thomas e achava que ele pudesse ser o príncipe encantado. Fez vista grossa a seus hábito indesejáveis, como cheirar o sovaco das camisas antes de vesti-las, porque era musculoso e muito bonito. Luna se conformou com as manias dele: encher a cara de cerveja e tocar guitarra imaginária. Até chegar o momento em que disse que ela estava ficando com uma “bunda grande”. Ninguém ousava chamar seu traseiro daquela maneira. Para Luna, era um palavrão. Chutou o rapaz de sua vida. Ele, entretanto, não chegou a sair completamente. Semana sim, semana não, Luna achava alguma coisa que tinha deixado na cada dele, colocada diante da varanda dela. Nada de bilhetes. Nada de Dino. Apenas coisas aleatórias.


- Ele deixou uma garrafa de loção meio cheia e um protetor de sapatos na varanda – voltou-se para Gina. – Lembra-se dos protetores de sapato em forma de joaninha que você me deu quando tirei o apêndice?


- Lembro-me, sim.


- Ele só me devolveu um deles.


- Canalha.


- Que medo.


Luna encolheu os ombros.


- Estou mais incomodada do que com medo. Queria que ele se cansasse disso e parasse – chamou a polícia e disse o que estava acontecendo, mas um antigo namorado que vinha devolvendo as coisas da ex-namorada não era contra a lei. Ela poderia obter uma ordem de restrição, mas não sabia se aquilo valia uma briga. – Sei que ele talvez tenha mais coisas minhas.


- Você precisa arranjar um namorado grandalhão pra colocar esse cara pra correr – afirmou Gina. – Se eu ainda tivesse namorado, eu emprestaria ele pra você.


Tonks baixou o olhar e fitou Gina.


- Me desculpe, querida, mas Draco não ia colocar o Dino pra correr.


Luna encostou no sofá.


- Verdade. Dino teria dado um nó nele.


E talvez fosse verdade, pensou Gina, e bebeu um gole de sua champanha.


- Você deveria falar com Rony, assim que ele e Hermione chegarem de lua-de-mel.


Rony McIntyre era detetive do Departamento de Polícia da cidade e saberia o que fazer.


- Ele investiga crimes violentos – salientou Luna, que foi como Hermione conheceu o belo detetive. Estava pesquisando namoros pela internet, e ele procurava uma assassina serial. Hermione tinha sido sua suspeita número um, mas, no fim, ele lhe salvara a vida. Tudo muito romântico no coração e na mente de Gina. Bem, tirando a parte apavorante.


- Vocês crêem que exista um homem certo para cada mulher? – perguntou Gina, que acreditava em alma gêmea e amor à primeira vista. Ainda queria, embora houvesse uma diferença entre querer acreditar e acreditar de fato.


Luna balançou a cabeça:


- Gosto de pensar que sim.


- Eu não. “Enquanto não aparece o homem certo, eu me divirto com os errados”.


- Como isso funciona com você? – perguntou Gina a Tonks.


- Muito bem, Doutor Phil- Tonks inclinou-se para frente e posou a taça vaza na mesa de café. – Não quero que me mandem flores nem caixas de bombom. Não quero romantismo, nem quero compartilhar o controle-remoto da minha TV. Só quero sexo. Vocês podem pensar que isso não seja difícil de encontrar, mas é sim. Muito difícil.


- Isso é porque a gente tem padrões – Luna entornou sua taça e secou-a. – Como um trabalho remunerado. Nada de artistas aproveitadores, nada de dentaduras que pulam quando ele fala, a menos que seja um jogador de hockey e extremamente fogoso.


- Não pode ser casado, nem assassino – Tonks pensou por instantes e, como era típico dela, adicionou: - Presença sempre cai bem.


Gina ficou em pé e encheu de novo as taças:


- É obrigatório não ser gay – ainda aguardava pelo “click” interior. O dia em que saberia e conseguiria ver por que vivia escolhendo enganadores e mentirosos. – A única coisa boa que veio quando desmanchei com Draco é que meu trabalho está rendendo de um jeito surpreendente.


Encontrava conforto no trabalho de escritora. Conforto de ser transportada, durante várias horas por dia, a um mundo que criava quando a realidade de sua vida era um lixo.


A campainha da porta soou e a versão musak de Paperback Writer encheu a casa. Gina pouso sua taça e fitou o relógio de porcelana sobre o abóbada da lareira.


- Não sei quem pode ser – dizia enquanto ficava em pé. – Esqueci-me de me inscrever na bolsa de apostas.


- Talvez seja um pessoal de igreja – retrucou Luna – Andaram invadindo meu bairro andando de bicicleta.


- Sempre foram bonitinhos – ajudou Tonks -, convide eles para beber e se perdem com a gente.


Luna riu.


- Você vai queimar no inferno.


Gina olhou rapidamente por cima de um ombro e se deteve tempo suficiente para dizer:


- E está tentando levar a gente junto. Nem pense em pecado nesta casa. Não preciso de Karma desses.


Dirigiu-se à entrada, abriu a porta e deparou, cara a cara, com o garoto dos pôsteres do pecado e da perdição parado nas sombras de sua varanda, fitando-a de volta através de um par de óculos escuros. A última vez que vira Harry ele se achava sonolento e desarrumado. Naquela noite, vinha de cabelos penteados e barba feita. Usava uma camiseta verde-escura enfiada em calças cargo bege. Não ficaria mais chocada se desse de cara com uma equipe de um programa de prêmios pela televisão ali na varanda com um cheque enorme e balões.


- Oi, Gina.


Ela se inclinou para o lado esquerdo e olhou atrás dele. Na beira da calçada, um Land Cruiser estacionado.


- Tá com tempo? – tirou os óculos de sol no rosto, deixou escorregar um fone de ouvido pela gola frouxa de sua camiseta e apoiou-o suavemente no queixo. Devolvia o olhar a Gina com aqueles olhos verdes cercados de cílios grossos que ela achava tão difíceis de resistir quando era menina.


- Claro – hoje em dia ela não tinha esse problema, e afastou-se. – Minhas amigas estão aqui e acabamos de fazer um grupo de oração. Entre. Nós vamos orar por você.


Harry gargalhou e entrou.


- É meu estilo de diversão.


Gina fechou a porta atrás dele e seguiu-a até a sala de estar. Tonks e Luna ergueram os olhares, as taças suspensas no ar, a conversa parando no meio da frase. Gina conseguia praticamente ler os balões de fala acima da cabeça das amigas. Seria o mesmo “Caramba, hein?” que teria sobre a dela se não conhecesse Harry. Mas só porque Tonks e Luna tinham parado para admirar um homem de boa aparência não significava que estivessem babando por um rostinho bonito, nem iriam começar a ver se estavam com mau hálito ou ajeitar os cabelos a qualquer instante. Não eram mulheres fáceis de impressionar. Em especial Tonks, que enxergava todos os homens como criminosos em potencial até que lhe provassem o contrário.


- Harry, essas são minhas amigas – disse Gina, atravessando a sala. As duas se ergueram e Gina olhava-as como se não as reconhecesse. Luna, com seus cabelos loiros, compridos e cacheados até o meio das costas e olhos azul-turquesa mágicos, que às vezes pareciam mais verdes do que azuis, dependendo do humor. E Tonks, com suas curvas sensuais e pinta no rosto a lá Cindy Crawford no canto dos lábios carnudos. Tinha amigas bonitas, e perto delas se sentia, às vezes, a garotinha de tranças apertadas e óculos grossos. – Niphadora Tonks escreve sobre crimes reais e Luna Lovegood escreve fantasia de ficção científica.


Enquanto Harry apertava a mão de cada uma, olhava-as nos olhos e sorria; os lábios ergueram-se de modo tão suave que teriam encantado mulheres mais sensíveis.


- É um prazer conhecer as duas – disse, e parecia sincero. O surgimento repentino de suas boas maneiras ocultas foi outro choque para Gina. Tão grande quanto ter aberto a porta para encontrá-lo na varanda.


- Harry é filho de James Potter – prosseguiu – as duas mulheres haviam visitado a casa da mãe de Gina em diversas ocasiões e conheciam James. - Ele é jornalista - já que convidara a entrar, deveria ser hospitaleira. – Quer tomar champanha?


- Não, mas aceito uma cerveja, se você tiver – respondeu, voltando o olhar a ela, fitando-a por cima do ombro.


- Lógico.


- Pra quem você escreve? – perguntou Tonks, enquanto levava a taça aos lábios.


- Basicamente, sou autônomo, apesar de hoje em dia trabalhar para a Newsweek. Dentre as principais, escrevi matérias para Time, Rolling Stone, National Geographic... – respondia, listando suas impressionantes credencias, enquanto Gina deixava o recinto.


Na geladeira, a anfitriã apanhou uma garrafa de Hefewezein que era de Draco e destampou-a. Não conseguia mais ouvir o que diziam, apenas o rumor baixo e a textura profunda da voz do jornalista. Apesar de ter vivido durante um ano com um homem dentro de casa, ter Harry na sala ao lado parecia muito esquisito. Trazia uma energia diferente para a casa. Energia que, naquele instante, ela não podia tocar.


Assim que voltou à sala, ele havia se sentado na cadeira dela, tranqüilo e confortável, como se não fosse a lugar nenhum tão cedo. Obviamente tinha a intenção de ficar mais de “um tempinho”, e Gina indagava o que o havia trazido ali.


Tonks e Luna encontravam-se no sofá, ouvindo as histórias jornalísticas de Harry.


- Faz alguns meses, fiz uma matéria bem interessante para a Vanity Fair, sobre um negociante de artes de Manhattan que falsificava as histórias de antiguidades egípcias a fim de fugir das leis de exportação do Egito – Gina ofereceu-lhe a cerveja. Ele olhou-a rapidamente. – Obrigado.


- Quer um copo?


Examinou a garrafa e leu o rótulo.


- Não, assim está bom – disse, e Gina sentou-se em uma das cadeiras de espalmar alto. Harry cruzou um pé sobre o joelho e repousou a garrafa no salto da bota. – Durante uma porção de anos eu pulei de um Estado para o outro escrevendo artigos para várias organizações novas e diferentes, mas não escrevo mais para os tablóides – encolheu os ombros largos. – Por alguns anos, desde que fazia parte do Primeiro Batalhão do Quinto Regimento de Fuzileiros navais durante a invasão ao Iraque – bebeu um gole enquanto Gina esperava que ele explicasse o motivo da visita. – Quantos livros vocês já publicaram? – perguntou, e ela entendeu que ele não iria conversar sobre porquê de sua visita, deixando-a divagar sobre isso sem alternativas além de enlouquecer com tantas especulações.


- Cinco – respondeu Tonks.


Luna tinha seis obras creditadas com o nome dela. Como todo bom repórter, Harry devolvia cada resposta com uma pergunta. Em quinze minutos, as duas mulheres difíceis de impressionar tornaram-se vítimas voluntárias do charme renascido de Harry.


- Harry publicou um livro sobre o Afeganistão – Gina sentia-se impelida pelas boas maneiras a salientar. – Desculpe, não sei o nome – haviam se passado alguns anos desde que pedira emprestado para James e o devolvera.


- Fragmentados: vinte anos de guerra no Afeganistão.


- Eu me lembro desse livro – reconheceu Tonks.


Não se admirava de as amigas terem se lembrado. A obra eclipsou as publicações de destaque das listas de mais vendidos do Usa Today e do New York Times durante semanas. Escritores não esqueciam nem perdoavam facilmente a um autor que surgira do nada e encabeçava a lista de best-sellers. A não ser Luna, pelo que parecia. Gina observava a amiga enroscando uma mecha de cabelo em um dos dedos.


- Como foi ter-se juntado aos fuzileiros navais? – indagou Luna.


- Bizarro. Sujo. Extremamente assustador. E aqueles foram os dias bons. Meses depois que eu voltei para os Estado Unidos, só saía para respirar se o ar não estivesse coberto de areia – fez uma pausa e um leve sorriso tocou o canto de sua boca. – Se vocês conversarem com militares que estão em casa hoje em dia, é uma das coisas que eles mais gostam: ar sem poeira.


Tonks estudava Harry enquanto ele bebia, e o interrogatório sobre suspeitas que ela submetia a todos os homens derreteu diante de seus olhos castanhos.


- Eles parecem todos tão novos!


Harry lambeu a cerveja do lábio superior e disse:


- O sargento que comandava o veículo que dirigi tinha vinte e oito anos. O recruta mais novo, dezenove. Eu era o mais velho, mas eles me livraram a pele mais de uma vez. – apontou com a cerveja a garrafa de champanha e mudou de assunto. – Vocês estão comemorando algo?


Luna e Tonks olharam para Gina sem responder.


- Não – mentiu Gina, e tomou um gole. Não se sentia à vontade em partilhar com Harry a visita daquela tarde ao médico. Ele parecia normal e conversava como um cara comum, mas ela não confiava nele. Tinha vindo até sua casa porque queria alguma coisa. Algo que não queria discutir na frente das amigas. – Sempre bebemos quando nos juntamos para as orações.


Harry bateu os olhos nela com o canto dos olhos. Mesmo sem acreditar, não iria pressioná-la. Tonks ergueu a taça e perguntou:


- Há quanto tempo você conhece Gina?


Durante uma seqüência de batidas do coração, Harry olhou dentro dos olhos de Gina antes de voltar a atenção à mulher do outro lado dele.


- Deixa eu ver. Eu tinha cinco ou seis anos da primeira vez que passei o verão com meu pai. A primeira vez que me lembro de ver Gina ela estava com um vestidinho que meio que juntava no alto – apontou para o próprio peito com o gargalo da garrafa. – E meias que dobravam ao redor dos tornozelos. Ela usou essas roupas durante anos.


Conforme foi amadurecendo, ela e a mãe brigaram bastante em termos de roupas.


- Minha mãe era fascinada por vestidos de pregas e sapatos de boneca – disse – Aos dez anos eram as saias com dobras.


- Você ainda usa uma porção de vestidos e saias – salientou Luna.


- Eu estou habituada a isso, mas quando criança eu não tinha escolha. Minha mãe comprava minhas roupas e eu tinha de ficar perfeitinha o tempo todo. Morria de medo de me sujar – pensou de novo e afirmou. – As únicas vezes que eu me sujava eram quando Harry estava por perto.


Ele encolheu os ombros:


- Você ficava melhor desarrumada.


Aquilo demonstrou seu lado “do contra”. Ninguém ficava bem desarrumado. A não ser, talvez, ele.


- Quando visitava meu pai – afirmava Gina. – Ele me deixava vestir o que eu queria. Claro que minhas roupas precisavam ficar em Connecticut, e, nas vezes seguintes em que eu o visitava, elas não me serviam mais. A minha favorita era uma camiseta dos Smurfs, – lembrou-se da Smurfette e suspirou - mas o que eu queria mesmo, e nem meu pai iria arranjar para mim, era um cinto com um fivelão igual ao da Madonna, escrito “boy toy”. Eu era louca por um daqueles.


Tonks franziu a testa.


- Não dá pra imaginar você querendo ser um “boy toy”.


- Eu nem sabia o significava aquilo, mas achava tão legal a Madonna sempre naquele véu de noiva com aquela fantasia cheia de jóias escandalosas. Não me deixavam usar jóias porque Mamãe achava vulgar – olhou Harry e confessou. – Eu costumava entrar escondido na casa do seu pai quando ele estava trabalhando e assistir à MTV.


As diminutas linhas de um sorriso marcaram-lhe os cantos dos olhos.


- Que menina mais rebelde.


- Verdade, verdade. Sou mesmo rebelde. Lembra quando você me ensinou a jogar pôquer e levou todo meu dinheiro?


- Lembro. Você chorou e meu pai me fez devolver tudo.


- Por que você me disse que não estávamos jogando a sério. Você mentiu.


- Eu menti? – tirou o pé de cima do joelho onde se apoiava, inclinou-se para frente e colocou os antebraços nas coxas. – Nada, eu tinha um motivo futuro e estava com grandes planos para aquele dinheiro.


Ele sempre tinha um motivo futuro.


- Que planos?


A garrafa oscilava em uma mão entre os joelhos enquanto ele pensava.


- Bom, eu tinha dez anos, então ainda não curtia pornografia nem álcool – bateu a garrafa contra a perna da calça. – Provavelmente ia comprar uma pilha de gibis e um pacote de seis unidades de refrigerante. E teria dividido com você se não fosse tão chorona.


- Então, seu motivo futuro era me tirar todo o meu dinheiro para dividir revistas e refrigerantes comigo?


Harry deu uma risadinha:


- Algo do gênero.


Luna riu e colocou a taça vazia sobre a mesa.


- Aposto que você ficava uma gracinha correndo por aí com seus vestidinhos e sapatinhos engraxados.


- Ficava nada. Eu parecia um inseto.


Harry manteve um silêncio evidente. Cretino.


- Querida, melhor ser uma criança feiosa e uma mulher adulta linda do que uma criança linda e uma adulta feiosa – afirmou Tonks, empenhando-se por consolar Gina. – Minha prima era uma criança belíssima, mas uma mulher tão feia que nem dá vontade de por os olhos em cima. Assim que o nariz dela começou a crescer, não parou mais. Você pode ter começado com uma aparência meio limitada, mas sem dúvida nenhuma é uma mulher bonita.


- Obrigada – Gina mordeu o lábio inferior. – Eu acho.


- De nada – Tonks pousou a taça na mesa e se ergueu. – Preciso ir embora.


- Você precisa mesmo?


- Eu também – avisou Luna. – Tenho um encontro.


Gina ficou imóvel.


- Você não falou nada sobre isso.


- É que hoje é seu dia, e eu não queria falar sobre meu encontro, sendo que sua vida não anda tão bem assim.


Depois que as duas mulheres se despediram de Harry, Gina as acompanhou até a porta da frente.


- Tá bom. O que rola entre você e Harry? – perguntou Tonks num tom de voz pouco mais alto que um sussurro tão logo pisou na varanda.


- Nada.


- Ele te olha como se existisse algo a mais.


- Quando você saiu da sala para pegar a cerveja, o olhar dele seguiu-a – acrescentou Luna.


Gina balançou a cabeça:


- O que não quer dizer nada. Talvez ele estivesse esperando que eu tropeçasse e caísse, ou alguma coisa tão embaraçosa quanto humilhante.


- Não – Luna balançou a cabeça, procurando as chaves na bolsa. – Ele olhava como se estivesse imaginando você sem roupa.


Gina não afirmou que ele não precisava. Ele já sabia como era, e muito bem.


- Em geral eu acharia isso incômodo em um homem. Nele, teve uma coisa ardente – dizia Tonks, também caçando as chaves na bolsa. – Então, eu acho que você devia pagar para ver.


Quem são essas duas?


- Alô-ô? Semana passada eu era noiva de Draco, lembram?


- Você precisa de um esparadrapo para seu cotovelo – Luna afastou-se da varanda. – Quanto a isso, ele seria perfeito.


Tonks balançou a cabeça e acompanhou Luna pela calçada até os carros, estacionados na entrada da garagem – Só de olhar, dá pra ver quando um homem tem presença.


- Tchau pras duas, tá? - disse e fechou a porta atrás de si. Até onde dizia respeito a Gina, Tonks estava preocupada com presença, talvez porque há muitos anos estivesse em “falta”. E Luna... Bem, sempre suspeitou que Luna, às vezes, vivia na terra das fantasias que escrevia.


n/a: muito boazinha com vocês hein, postei dois capítulos, espero que gostem... Bjus!!! 

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Comentários: 4

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Enviado por Be Weasley Potter em 26/06/2013

OMG!!!! O que será que vai acontecer com esses dois sozinhos nessa casa?!! Gina tem que acordar logo!!! To doida pra esses dois ficarem juntos logo!! ;D

Nota: 5

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Enviado por Luhna em 19/06/2013

Nossa, fiquei aqui só imaginando o que o Harry diria se soubesse que a "comemoração" era por causa de um teste negativo de HIV. Provavelmente, diria algo sarcástico ou qualquer coisa do tipo, como se já não bastasse ter falado aquele trem de "grupo de oração".
E achei a Tonks e a Luna bem mais perspicazes que o próprio 'casal'. Farejando segundas intenções do Harry no ar...

Nota: 5

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Enviado por Edwiges Potter em 16/06/2013
Dois capitulos de uma vez!!! Uhuuu quase nao acreditei!! Os dois foram demais, agora só quero saber o o Harry foi fazer na casa da Gina, se bem que eu tenho uma leve impressao das intensões dele!!! Posta mais!!! Postamais!!!
Nota: 5

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Enviado por Pacoalina em 15/06/2013

a fic é ótima!continue asssim!

Nota: 5

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