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5. Capítulo 5


Fic: Sem Clima para o Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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- A gente não transou.


- Como é? – os olhos de Gina ardiam enquanto brigava com as lágrimas que insistiam em cair. Achava-se humilhada e constrangida, mas não iria chorar em público, principalmente diante de Harry. Sua natureza era inflexível. – Que foi que você disse?


- A gente não transou – encolheu os ombros grandes. – Você estava bêbada demais.


Durante vários longos segundos, Gina olhou Harry, mal acreditando nos próprios ouvidos.


- Não? Mas você disse que a gente tinha!


- Não, desde o começo, não. Você acabou nua e concluiu que a gente tinha. Eu deixei você pensar que sim.


- O quê? – não haviam transado e ela havia acabado de reviver a agonia dos últimos poucos momentos, e por nada? – Você fez mais do que me deixar pensar que sim. Disse que tínhamos feito muito barulho e que você teve medo de que chamassem a segurança.


- É, talvez eu tenha enfeitado um pouco.


- Um pouco? – a dor atrás dos olhos transformavam-se em raiva aguda – Você me chamou de insaciável!


- Bom, você mereceu – apontou para a cerveja Molson em sua camiseta e teve a ousadia de se fingir ofendido. – Nunca me aproveitei de uma mulher bêbada. Nem mesmo de uma que dançasse nua bem na minha frente, me arrastasse para cama e me acariciasse a noite toda.


- Acariciei? Acariciei? – será que fizera mesmo aquilo? Não sabia. Talvez ele estivesse mentindo sobre aquilo, também. Tinha mentido sobre a transa. Respirou para ficar calma e tentou se lembrar que não gritava em público. Não gritava ou esmurrava até morte algum canalha idiota. Seja gentil, avisava à vozinha em sua cabeça. Não se rebaixe ao nível dele. Havia sido criada para ser uma garota gentil e veja onde isso foi parar. Garotas gentis não são as primeiras a terminar. Ficam sentadas, reprimindo dizer as grosserias, já que são garotas muito gentis. Guardando tudo, apavoradas que algum dia venham a explodir, e o mundo veria que, afinal de contas, elas não eram assim tão gentis. – Não acredito em você.


- Você estava esparramada em mim. Praticamente grudada.


- Com certeza você está delirando. – ele a provocava como quando eram crianças, só que ela não ia cair nos antigos padrões infantis – Mas eu não tenho de acreditar em suas fantasias malucas.


- Você queria uma transa pervertida, baixa e suja. Mas eu não achei que era correto me aproveitar de uma manguaceira.


Sentiu a cabeça apertando.


- Não sou uma bêbada.


Ele ergueu os ombros.


- Você estava. Eu só não fiz o que você ficou me implorando para fazer.


A pressão na cabeça explodiu:


- Mentiroso! Escroto! – respondeu, sem se importar se seu ataque era sinal de imaturidade, de grosseria ou se havia caído na armadilha dele. Ele merecia. Ou, melhor, ela se sentiu bem, até ele dar o sorrisinho travesso. Aquele que ela bem conhecia. Que ia até os olhos verdes dele e roubava o prazer dela.


Harry caminhou alguns passos adiante até que sobrassem quase dois centímetros e meio de ar separando-lhe o peito das lapelas da jaqueta dela.


- Você me apertou tanto que os botões da minha braguilha marcaram seu bumbum.


- Vê se cresce – moveu a cabeça para trás e passou os olhos pelo queixo e pelos lábios escanhoados até chegar aos olhos. – Por que eu ia acreditar em você? Você acabou de reconhecer que estava mentindo. Nós não transamos e – parou e segurou o fôlego – Graças a Deus. – Sentiu-se como se de repente houvesse tirado uma carga pesada do coração. – Graças a Deus não dormi mesmo com você – disse, em meio a um fluxo imenso de alívio. Balançou a cabeça e começou a rir como doida. Não era das que bebiam e ficavam promíscuas, afinal. Não havia voltado aos padrões autodestrutivos. – Você não sabe o quanto estou aliviada. Não tivemos uma transa gostosa, daquelas que fazem suar. – Levantou a palma da mão até a testa. – Até que enfim uma boa notícia, depois de uma semana infernal! Ufa!


Harry cruzou os braços sobre o peito e encarou-a. Uma mecha de cabelos negros caiu-lhe sobre a testa bronzeada.


- O seu jeito de andar é tão tenso que eu duvido que alguma vez já tenha experimentado uma transa com gritos, gostosa, das que fazem suar. Nem ia saber o que é isso mesmo se fosse agarrada e levada ao êxtase.


Gina praticamente conseguia sentir a indignação nos hormônios dele. Tinha razão: jamais experimentara sexo com gritos gostoso, que fizesse suar. Ela, porém, saberia se fosse levada ao êxtase.


- Harry, eu ganho a vida escrevendo romances – levou as mãos aos bolsos de sua jaqueta.


- Ah, é?


Apanhou as chaves. Não havia jeito de ela deixá-lo saber que tinha razão quanto a ela.


- De onde você acha que eu tiro minhas idéias para toda transa com gritos, fogo e suor que coloco em meus livros? – Aquela era uma das perguntas mais freqüentes que faziam para autores de romances e uma das mais absurdas. Embora houvesse motivos para chamar o que fazia de ficção romântica, se lhe dessem um dólar todas as vezes em que lhe perguntavam de onde vinham as idéias para as cenas de amor que escrevia, poderia facilmente criar renda paralela – Tem toda uma pesquisa cuidadosa. Você é jornalista, sabe o que é pesquisa, não sabe?


Harry não respondeu, embora seu sorriso travesso se mostrasse enfraquecido.


Gina abriu a porta de seu carro e Harry foi obrigado a recuar um passo.


- Você não acha que eu invento tudo aquilo, acha? – disse sorrindo, e entrou no carro. Sem esperar pela resposta, ligou o carro e fechou a porta. Enquanto ia, olhou no retrovisor do carro para Harry, parado exatamente onde o deixara, olhando para ela aturdido.


 


Jamais lera um romance romântico. Achava-os melosos. Coisa de mulher. Harry enterrou os dedos nos bolsos dianteiros dos jeans e observou os faróis traseiros de Gina sumirem. Quanto sexo ela colocava naqueles livros que escrevia? E até que ponto parecia gostoso?


A porta traseira da casa fechou e chamou a atenção para o pai, caminhando na direção dele. Seria por isso que a senhora Weasley não apreciasse falar que a filha escrevia profissionalmente? Era pornografia? E, o mais importante: será que Gina fazia mesmo aquele tipo de pesquisa?


- Vejo que Gina foi embora – disse o pai, enquanto se aproximava. – É uma garota adorável.


Harry olhou para o pai e duvidou que estivesse falando da mesma Gina que acabara de chamá-lo de mentiroso e escroto. Ou da Gina que se mostrara tão aliviada pelo fato de não ter transado com ele que parecia um presidiário no corredor da morte que encontrara Deus de repente. Como se pudesse cair ao chão e louvar a Jesus.


- Sei que Molly pressionou você lá trás – James se deteve diante de Harry e enfiou o chapéu na cabeça. – Sei que você não estava planejando ficar o fim de semana – olhou o jardim e acrescentou: - Sinta-se à vontade para não ficar. Eu sei que você tem coisas importante para fazer.


Nenhuma das quais sentia-se obrigado a fazer.


- Eu posso passar o fim de semana aqui, pai?


- Bom – James balançou a cabeça. – Então está bom.


Acima de suas cabeças, esquilos faziam barulhos nas árvores e Harry perguntou:


- O que você vai fazer hoje?


- Bom, depois de me trocar, eu estava pensando em ir até a concessionária Lincoln.


- Precisa de um carro novo?


- Pois é, o Lincoln já chegou aos cinqüenta.


- Você tem um Lincoln de cinqüenta anos?


- Não – James balançou a cabeça. - Não. O contador é que chegou às cinqüenta mil milhas. Compro um modelo Town Car novo a cada cinqüenta mil milhas.


Ah, é? O Land Cruiser de Harry tinha mais de setenta mil, mas ele não conseguia se ver livre dele. Na verdade, não era assim tão materialista. A não ser com relógios de pulso. Adorava um bom relógio de pulso cheio de apetrechos.


- Quer companhia? – ouviu-se dizendo. Passar um tempo com o pai longe da casa dos fundos talvez fosse o que os dois precisassem. Quem sabe alguns carros servissem para estreitar o relacionamento pai-e-filho. Harry poderia ajudar o pai. Poderia ser bom.


Os esquilos continuavam a fazer barulho em meio ao silêncio. Então James respondeu:


- Claro. Se você estiver com tempo. Ouvi seu celular tocando hoje de manhã e achei que você estivesse atarefado.


O telefonema dizia respeito a uma matéria para uma destacada revista de notícias, que ele e o editor chefe haviam conversado muitos meses atrás. Agora não sabia se estava querendo mesmo pegar um avião e viajar para Rajwara, na Índia, atrás de uma epidemia de Febre de Lábrea. Os métodos convencionais de tratamento naquela região do mundo haviam criado parasitas que resistiam a medicamentos, e não produziam mais efeito. O índice projetado de mortalidade era duzentos mil em todo mundo.


Quando conversara com o editor acerca da matéria, parecia algo fundamental e empolgante. Ainda era de vital importância, só que agora não se achava tão entusiasmado em ver os rostos sofridos e desesperados, nem de ouvir os lamentos que vinham das cabanas, à medida que caminhava pelas ruas cheias de poeira. Estava perdendo a paixão pela história, e sabia disso.


- Não tenho nada para fazer nas próximas horas – afirmou, e ambos rumaram até a casa dos fundos. Podia sentir que o desejo pelo trabalho esfriara um pouco, e isso o deixava apavorado. Se não fosse jornalista, não estivesse caçando histórias nem ajeitando parágrafos de introdução, que diabos era ele? – Aonde mais você quer ir além da concessionária Lincoln?


- A lugar nenhum. Sempre fui apaixonado pelo Lincoln.


Os pensamentos de Harry voltaram à infância, e ele se lembrou do carro que seu pai dirigia:


- Você tinha um Versailles, com dois tons de marrom e bancos de couro bege.


- Cor de palha – corrigiu James, ao passarem por uma fonte de mármore com um querubim urinando em uma concha. – O couro era cor de palha naquele ano. Os dois tons eram palha e abóbora claro.


Harry gargalhou. Quem iria adivinhar que seu pai era nerd dos Lincoln? O telefone pendurado em seu cinto tocou, e ele ficou do lado de fora para atender, enquanto o pai entrava na casa dos fundos a fim de mudar de roupa. Um produtor do History Channel desejava saber se Harry queria ser entrevistado para um documentário sobre a História do Afeganistão que estavam elaborando. Harry não se considerava um especialista no assunto. Era mais um observador. Entretanto, aceitou conceder a entrevista e a marcou para o mês seguinte.


Meia hora depois que o telefonema tinha acabado, ele e o pai achavam-se a caminho da concessionária, à procura de modelos Town Car. James estava todo arrumado em um terno azul-marinho e uma gravata com o Diabo da Tasmânia. Seu cabelo cinza estava lustroso e escovado para trás, como se tivesse penteado com uma bisteca de porco.


- Por que esse terno? – indagou Harry, enquanto o carro ia pela avenida Fairview e passava pelo Drive Inn Rocky’s. Conforme seguiam, uma garçonete de patins e minissaia rodava por uma fila de carros com uma bandeja sobre a cabeça.


- Vendedores respeitam quem usa terno e gravata.


Harry voltou-se para o pai:


- Com uma gravata dos Looney Tunes, não.


James olhou o filho de relance. Em seguida, voltou os olhos verdes para a estrada:


- O que tem de errado na minha gravata?


- Esse personagem de desenho animado – explicou.


- E daí? É uma gravata ótima. Muitos caras usam gravatas assim.


- Não deviam – murmurou Harry, e olhou pela janela do passageiro. Só porque não gostava de fazer compras, isso não significava que não sabia se vestir.


Andaram em silêncio com o carro por mais alguns instantes, enquanto Harry observava o terreno que subia e descia pela rua movimentada. Nada lhe parecia familiar.


- Já passei por aqui antes? – perguntou.


- Claro – respondeu James, conforme acelerava e ultrapassava uma mulher que levava um cachorrão preto e um beagle. – É onde eu tive aulas - disse, e apontou uma antiga escola com um sino no alto. – Lembra-se de quando eu levei você e Gina no cine drive-in?


- Ah, lembro! – comeram pipoca e beberam Fanta laranja – Assistimos ao Superman II.


James passou para a pista do meio.


- Derrubaram tudo. Hoje é lá que vendem os Lincolns. – virou para entrar na concessionária e passou com o automóvel devagar pela fileira de carros brilhantes, planejada para despertar o desejo no mais minimamente materialista. Estacionaram perto do centro do local. Logo chegou J. T. Wilson, que trajava uma camisa pólo com o símbolo da concessionária acima do bolso esquerdo.


- Em qual dos Town Cars vocês estão interessados? – perguntou J. T. Enquanto os três atravessavam o estacionamento a pé. – Temos três modelos Signature.


- Ainda não decidi. Queria fazer um test drive em alguns para comparar.


Harry não conseguia entender por que um sujeito ficaria empolgado com um Town Car. No entanto, tão logo cruzaram por duas filas de utilitários, parou como se seus pés tivessem subitamente colado no asfalto.


- Que tal um test drive no Navigator?


Olhou de relance o estofamento de veludo do veículo e passou a mão pela pintura preta e brilhante. Conseguia se ver naquele carro e imaginar-se estrada a fora tamborilando os dedos com o som estéreo.


- Eu gosto do Town Car.


- Você pode colocar um conjunto de rodas cromadas – insistiu Harry, sentindo uma inesperada paixão por carros. Talvez fosse mais parecido com James do que pensava. - Uma grade personalizada, quem sabe?


- Eu me sentiria ridículo, igual àquele tal de Puff Daddy.


- Agora é "P. Daddy".


- Hein?


- Esquece. Que tal um rolé?


James balançou a cabeça e continuou andando.


- Não gosto de bife à rolé.


- Aqui na rodovia tem um restaurante com cardápio bem variado – explicou J. T.


Harry não se preocupou em avisá-los que estava falando em dar um passeio com o carro. Prosseguiram a caminhada com hesitação e, juntos, Harry e James pegaram um Town Car dourado para o test drive.


- Por que você troca um carro perfeito a cada cinqüenta mil quilômetros? – perguntou, à medida que saíam da concessionária.


- Por causa da perda de valor. Dá pra dar o carro como entrada. – respondeu James - E eu adoro carro novo. – Harry não sabia nada sobre perda de valor e não vivia acompanhando de perto a quilometragem de seu automóvel. – Bem macia esta coisa.


- Também é boa para dar um rolé por aí.


Harry olhou para o pai, e dentro do carro ambos partilharam um sorriso. Até que enfim concordavam em alguma coisa. A importância de dar um rolé.


Ambos passaram a meio hora seguinte queimando o asfalto e desfrutando momentos de silêncio agradável, pontuados por conversas fáceis. Falaram sobre as mudanças percebidas em Boise, embora fosse mais novo a última vez que visitara a cidade. A população tinha crescido demais e trazido com ela muito progresso. Uma coisa, porém, ficara do mesmo jeito que ele se lembrara: o edifício do capitólio, construído de arenito e elaborado para ficar igual ao prédio do Capitólio em Washington, na capital. Na infância, o pai o levara para conhecer, e ele se recordava do interior de mármore e ficar engatinhando ao redor de um canhão em algum lugar interessante. Lembrava-se mais de como aquilo era à noite. Todo aceso, com a águia dourada brilhando no alto do domo, a sessenta e poucos metros de altura.


Ao retornarem à concessionária, a hora de recreio havia se esgotado, e James voltou aos negócios.


- Não sei - balançou a cabeça. – Você precisa baixar esse preço.


- É minha melhor oferta.


- E dá pra dar o carro como entrada – ajudou Harry, empenhando-se para auxiliar o pai. – Não é?


James voltou a cabeça e olhou-o. Dez minutos depois, partiam do local no Town Car antigo, de volta à casa dos fundos.


- Jamais diga a um vendedor que vai dar seu carro antigo como entrada, a menos que ele pergunte. Eu tinha acabado de fazer ele chegar até onde eu queria – dizia James, enquanto deixavam a concessionária para trás. – Você talvez ache que saiba uma coisa ou outra sobre se vestir, mas não sabe nada sobre comprar um carro – balançou a cabeça. – Agora vou ter de desistir da concessionária. Nunca vou conseguir uma boa oferta lá.


Grande maneira de estreitar a relação pai-e-filho.


Após o jantar daquela noite, James trabalhou no jardim, e depois do noticiário das dez ambos foram se deitar. Harry pediu desculpas por ter estragado a oferta e James sorriu, dando tapinhas no ombro do filho enquanto este ia para a cama.


- Desculpe se fiquei meio esquentado. Acho que a gente ainda não está acostumado um com o outro. Ainda vai levar um tempo.


Harry duvidou que um dia fossem "se acostumar um com o outro". Ambos estavam pisando em terreno desconhecido, lutando para encontrar algo em comum. Mesmo assim, não deveria ser tão difícil.


A sós na cozinha, foi até a geladeira e apanhou uma cerveja. Sua vida estava no apartamento em Mercer Place, em Seattle. E ele nem tinha um caminhão de coisas esperando por ele – precisava lidar com os próprios problemas, e era necessário arrumar tudo na casa da mãe, em Tacoma. Morara naquela casa durante vinte anos, e aprontá-la para a venda seria um transtorno daqueles.


Ele ainda tinha dez anos, e a mãe se casara e divorciara três vezes. Em cada ocasião, os caras prometiam que ela seria feliz para sempre. Em cada ocasião, tivera muito esperança de que o casamento durasse toda a vida. Cada marido, porém, ficava com ela menos de um ano. Seus namorados não duravam tanto. E sempre que outro relacionamento não dava certo ela punha Harry para dormir e chorava até cair no sono, enquanto ele ficava acordado, escutando os soluços através das paredes finas. As lágrimas dela também o faziam chorar. Magoava-lhe o coração e o faziam sentir-se indefeso e amedrontado.


No ano em que se formou no colégio, Harry e a mãe se mudaram meia dúzia de vezes. Ela trabalhava como "consultora de beleza", ou seja, cortava e penteava cabelos. Isso fazia com que arrumasse emprego com mais facilidade sempre que precisava mudar, e todas as vezes desejando um "novo começo". O que significava também uma nova vizinhança e que Harry precisava fazer amizades novamente.


No verão em que completara dezesseis anos, fixaram-se na casinha em North Tacoma. Por algum motivo – provavelmente porque a mãe amadurecera ou se cansara de tantas mudanças – ela decidiu fixa-se naquela casinha da Eleventh Street. Também deveria ter se cansado dos homens. Deixou de namorar quase na mesma ocasião e, em vez de empregar tantas energias em relacionamentos, passava o tempo reformando o quarto da frente da casa, transformando-o na Boate da Lily – batizada em sua homenagem – e equipando-a com dois salões de beleza, dois lavatórios para os cabelos e cadeiras com secadores. Marlene, sua melhor amiga, sempre trabalhara lado a lado com a mãe, cortando cabelos, fazendo permanente e partilhando as mais recente novidades.


Na Boate da Lily, permanentes e fixadores jamais saíam da moda e enchiam a casa com o aroma de xampu alcalino, água oxigenada e álcool. A não ser aos domingos. O salão fechava aos domingos e sua mãe lhe aprontava um enorme café da manhã. Durante algumas horas, as panquecas de mirtilo expulsavam o cheiro da química para permanentes, corantes e spray para cabelo.


Naquele mesmo ano Harry conseguiu um emprego lavando pratos em um restaurante local. Depois de algum tempo foi promovido a gerente do turno da noite. Comprou uma picape, laranja desbotado, com um pára-choque traseiro amassado. Naquele emprego, aprendeu o valor do trabalho árduo e como obter o que desejava. Naquele ano também conquistara a primeira namorada. Kate Bell era dois anos mais velha. Dois anos a mais de vivência. Foi com ela que aprendeu a diferença entre sexo bom, sexo ótimo e sexo de enlouquecer.


Harry apanhou a cerveja e foi a cozinha. Seus passos faziam o único som na silenciosa casa dos fundos. Ao se formar no colégio, optou por jornalismo porque se atrasou na hora da inscrição e todas as outras opções haviam se esgotado. Passaria os três anos seguintes fazendo reportagens sobre a cena musical local para o jornal da escola. No último ano de faculdade, tornou-se o editor do jornal, mas logo aprendeu que determinar e editar histórias não tinha tanta graça. Preferia mexer com o lado informativo do jornalismo.


Levou a cerveja até os lábios e apanhou o controle remoto da televisão, que repousava em uma mesa perto da cadeira reclinável do pai. Pulou de canal para o outro usando o polegar. De repente, sentiu um aperto no peito e atirou o controle na mesa. Como colocar a vida de sua mãe toda arrumadinha em caixas de papelão?


Pensar em empacotar a vida dela deu-lhe um espasmo no peito. Se fosse honesto consigo mesmo, a idéia de limpar aquela casa foi um dos motivos que o haviam trazido à cidade – uma das coisas que o deixavam acordado à noite.


Andou até uma estante embutida perto da lareira e pegou o primeiro dos álbuns de fotos ali enfileirados. Abriu-o, folheando suas páginas. Recortes de artigos de jornais e revistas caíram no chão, cobrindo-lhe os pés. Na primeira página do álbum, uma foto de James encarava-o de volta. O pai segurava nos braços um bebê enrolado em panos caídos. A foto achava-se desbotada e dobrada ao meio. Concluiu que havia sido tirada pela mãe.


Imaginou que teria uns seis meses na ocasião, o que significaria que os três teriam morado em Homedale, um cidadezinha a leste de Boise, e seu pai estaria trabalhando em uma fábrica de lacticínios.


Como todos os filhos de pais separados, Harry lembrava-se de ter perguntado à mãe por que não moravam com o pai.


- Porque seu pai é preguiçoso – dissera ela. Na época, não compreendera o que a preguiça tinha a ver com não morarem juntos, como uma família. Quando ficou mais velho, soube que o pai não era preguiçoso, apenas não tinha ambição, e que uma gravidez inesperada juntara duas pessoas completamente diferentes. Duas pessoas que nunca deveriam ter trocado um aperto de mão, sem contar gerar um bebê.


Folheou o resto do álbum repleto de instantâneos diferentes e fotos de escola. Uma das imagens era dele mesmo, segurando um peixe tão grande quanto ele mesmo na época. O peito estava estufado e um sorriso enorme mostrava os dentes da frente faltando.


Abaixou-se, recurvado sobre um dos joelhos e apanhou os recortes. Sua mão se deteve assim que reconheceu que eram algumas antigas matérias dele. Havia uma sobre a morte de Carlos Castañeda e artigos da Time sobre a válvula de cardíaca de Jarvis e o assassinato de James Bird. Foi um choque ver todos seus artigos. Não sabia que o pai estivera acompanhando sua carreira. Recolocou-os dentro do álbum e se deteve.


Conforme o encaixava de volta na primeira brecha, um par de apoios de livro metálicos sobre a abóbada acima da lareira chamou-lhe atenção. Entre os patos de ouro que brilhavam havia uma coleção de oito brochuras de uma autora chamada Six Black. Apanhou os dois primeiros livros da prateleira e puxou-os. O primeiro tinha uma capa roxa e exibia um homem e uma mulher em roupas de época. O vestido vermelho dela estava apertado nos ombros e os seios encontravam-se prestes a saltar do decote. O homem estava sem camisa e vestia calças pretas apertadas e botas. Letras douradas em alto-relevo exibiam o título: O Abraço do Pirata do Diabo. O segundo livro, A Prisioneira do Pirata, trazia um homem em pé na proa de um navio, o vento esvoaçando-lhe a camisa branca inflada. Não tinha sabre, perna de pau ou tapa-olho. Apenas uma caveira com dois ossos cruzados e uma mulher com as costas pressionadas contra seu peito. Harry guardou um dos exemplares e abriu o outro. Deu uma risadinha ao abri-las em leque até o final. Gina devolvia-lhe o olhar em uma foto publicitária em preto e branco.


- Esta noite está cheia de surpresas - completou, lendo a biografia dela.


Six Black é formada pela Boise State University and Bennington, começava, seguindo uma lista de conquistas, incluindo algo chamado o prêmio RITA dos Escritores de Romances da América. Six adora jardinagem e está esperando que seu próprio herói levá-la às nuvens.


- Boa sorte com isso – ridicularizou Harry. Um cara teria de estar desesperado para tentar algo com Gina. Apesar da opinião de seu pai sobre ela, Gina Weasley era um estorvo, e qualquer homem esperto ficaria longe dela.


De onde você acha que eu tiro minhas idéias para toda a transa com gritos, fogo e suor que coloco em meus livros?, perguntara, quando resolveu não ignorá-lo. Tem toda uma pesquisa cuidadosa. Um estorvo com curvas suaves nos lugares certos, e uma boca que fazia um homem pensar em sexo oral. O que Harry imaginou ser uma vergonha e um desperdício completo.


Folheou até chegar à página de propaganda teaser na frente e foi até a cadeira reclinável de couro do pai. Apertou o interruptor do abajur e começou a ler assim que se sentou.


 


- Por que o senhor está aqui? – leu.


- Você sabe por que eu vim, Julia. Beije-me – exigiu o pirata. – Beije-me e deixe-me provar da doçura de seus lábios.


 


- Jesus! – exclamou Harry, e foi até o Capítulo Um. Aquilo o faria dormir depressa.



n/a: espero que gostem, adoro o Harry atrapalhando James na compra do carro e agora deu pra entender um pouquinho o porquê do afastamento dos dois... Bjuss!! Comentem... 

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Comentários: 3

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Enviado por Luhna em 19/06/2013

MHUAHUAHUAHUAHUA! Achei divertido aqui o Harry dizendo a verdade para a Gina e a reação dela e ele atrapalhando o pai dele, coitado. :P Acho que HG ainda nos reservam muitas surpresas... e eu acho que o Harry já é gamado na Gina desde que eram crianças. E ele vai acabar casado. Com ela. Mesmo que diga o contrário.

Nota: 5

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Enviado por Be Weasley Potter em 13/06/2013

AHHHHHHHHHH, minha internet já voltou!! Já posso comentar a fic u.u

Amei James e Harry juntos a cumplicidade pouco a pouco chegando. Eu achei engraçado ele lendo o livro da Gina, o que será que vai sair disso? To curiosíssima para saber o resto. Quero saber quando ele e Gina partirão para a ação! O que está havendo com Harry? Bloqueio criativo? QUERO MAIIIIIIIIISSSSSSSSSSS!!

 

Nota: 5

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Enviado por Edwiges Potter em 12/06/2013
Muito bom!!!!! Adorei a ida à consecionaria dos dois, e eu tambem gostei muito de ver o Harry pondo a compra do carro por agua abaixo , dei muita risada!!!
Nota: 5

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