Harry sentia ódio de si mesmo agora. Ele queria Gina tanto quanto ela o queria, mas sabia que se ficasse com ela, em menos de vinte e quatro horas ela estaria com um alvo tatuado bem no coração, e com certeza seria mais procurada pelos Comensais do que ele.
Ele queria muito ficar com ela, e se odiava por não ter sido forte o bastante para se controlar, ele sabia que havia a magoado mais uma vez e que se ela não tinha antes, agora ela tinha todos os motivos para odiá-lo.
Ele a estava machucando cada vez mais.
Harry chegou a cozinha e se deparou com o olhar da Sra. Weasley e se sentiu ainda mais culpado.
- Harry querido, o que foi que houve? Eu o mandei buscar os outros e você não voltou. — A Sra. Weasley parecia preocupada. — Há algo de errado com você ou com o Rony?
- Não Sra. Weasley, eu e o Rony só queríamos conversar um pouco e aproveitamos que as meninas haviam nos deixado à sós. — Harry se encaminhou até o armário de louças e pegou um prato para começar a se servir.
Rony, Hermione e Gina entraram quando Harry estava começando a comer, Gina se sentou à distância dele, Hermione próximo a ela e Rony foi se servir.
- O que vocês pretendem fazer hoje à tarde crianças? — Perguntou a Sra. Weasley com meiguice.
- Eu pretendo ir a Hogwarts Sra. Weasley. —Respondeu Harry tentando não expressar o desgosto por ter sido chamado de criança.
- Eu bou cun ede. — Tentou dizer Rony com a boca cheia.
- Rony! — Exclamaram a Sra. Weasley e Hermione juntas. — Gina e eu também vamos com eles. — Completou Hermione.
- Ah, que pena, passarei o resto do dia sozinha. —A Sra. Weasley parecia bem desapontada e chateada.
- Nós podemos ficar aqui com você, mamãe. —Falou Fred.
- É, podemos animar o seu dia. — Complementou Jorge.
- Eu acho bom mesmo, não quero vocês contrabandeando coisas suspeitas da Travessa do Tranco. — Esbravejou a Sra. Weasley.
Fred e Jorge olharam despistados para Harry, que baixou a cabeça e continuou comendo.
- Vocês vão de Flú? — Perguntou a Sra. Weasley.
- Sim, Gi não pode aparatar. — Respondeu Harry sem dar muita atenção.
- Gi? Desde quando você chama Gina de Gi? —Harry reparou que a Sra. Weasley esboçava um sorriso maroto.
- Já faz algum tempo, eu também chamo a Hermione de Mi e o Rony de Uon-Uon. — Apressou-se a explicar Harry.
- Uon-uon? — Estranhou a Sra. Weasley, ao que Gina e Hermione prenderam o riso e Rony amarrou a cara.
- Uon-uon, se você já tiver acabado podemos ir. — Falou Harry enquanto se levantava da mesa e colocava o prato na pia.
- Se você me chamar de Uon-uon mais uma vez eu não respondo por mim. — Falou Rony por entre dentes quando se levantou para colocar o prato também na pia.
- Vamos então. — Falou Harry a todos se encaminhando para a lareira.
- Em qual das lareiras nós vamos sair? —Perguntou Hermione.
- Acho que seria melhor sairmos na da sala dos professores. — Respondeu Harry.
Rony pegou o pote que estava em cima da lareira, pegou um pouco do pó e jogou na lareira. Suas chamas ficaram verdes e ele entrou nelas gritando:
- Hogwarts, sala dos professores. — Sumiu no meio das labaredas verdes que logo depois voltaram ao tom laranja.
Depois de Rony foi Hermione seguida de Gina, quando Harry ia entrar na lareira a Sra. Weasley colocou uma mão em seu braço e ele se virou para ela.
- Cuide de Gina e não deixe que nada aconteça a ela. — Harry olhou fundo nos olhos da senhora à sua frente e viu que ela parecia desesperada.
- Pode deixar Sra. Weasley, não deixarei que nada aconteça a Gi, nem que eu tenha que desistir de tudo pra isso. — E Harry realmente estava disposto a desistir de tudo, até do que não tinha: a felicidade.
- Tenho certeza de que você a protegerá e ela será muito feliz ao seu lado. — Harry teve a impressão que a Sra. Weasley sabia do relacionamento dele e Gina, mas preferiu não falar mais nada, entrou na lareira e sumiu nas chamas.
- Por quê demorou tanto? — Perguntou Hermione a ele quando ele saiu da lareira e começou a sacudir a fuligem.
- A Sra. Weasley queria falar algo comigo. —Respondeu Harry olhando para Gina que parecia disposta a não olhar para ele.
- O que nós viemos fazer aqui afinal? —Perguntou Hermione.
- Preciso de informações, que eu espero que um quadro possa me dar. — Respondeu Harry se encaminhando para a porta.
- Sir. Cardogan? — Perguntou Rony com uma das sobrancelhas arqueada.
- Não, Dumbledore. — Respondeu Harry com amargura.
Os quatro caminharam em silêncio até a sala que antes era do diretor Dumbledore, e que agora pertencia a diretora Minerva McGonagall.
Harry pensou se deveria chamar, mas logo que chegaram a gárgula ela já estava girando e por de trás dela apareceu a nova diretora.
- Não esperava vocês aqui tão cedo. O que foi que houve? — Perguntou a Profª. McGonagall sem demonstrar-se surpresa.
- Precisamos de um favor. — Respondeu Harry.
- Bem, eu os ajudarei no que eu puder, mas antes têm coisas que eu gostaria de conversar com vocês três. — Falou a professora de olhar severo apontando Harry, Hermione e Rony.
- Tudo bem, eu vou... Vou visitar o Hagrid. —Falou Gina quando Harry olhou para ela.
- Não saia do castelo sozinha, mande um patrono a Hagrid para que ele possa vir buscá-la. — Avisou a Profª McGonagall.
- Tudo bem. Vejo vocês mais tarde. — Com um aceno de adeus, a ruiva os deixou e seguiu correndo pelo corredor.
Os três subiram até a sala da diretora e ela pediu para que eles se sentassem, então ela se apoiou na mesa com os cotovelos e o queixo entre os nós dos dedos, como geralmente Dumbledore fazia.
- Fiquei sabendo que vocês pretendem não voltar à escola, é verdade? — Perguntou a professora examinando um a um.
- Hagrid nunca mentiria pra senhora. —Respondeu Harry, sem perceber o tom frio da voz.
- Bem, eu só queria ouvir de vocês, mas devo dizer que recebi ordens diretas de Dumbledore para que fizesse de tudo para que vocês voltassem à escola esse ano. — A professora passou um rápido olhar pelo quadro do diretor que cochilava na moldura. — Ele parecia saber que você não iria querer voltar esse ano e sabia que seus amigos o seguiriam, mas ele me pediu para não deixá-lo ir. Você tinha que voltar a escola esse ano. Por isso eu lutei tanto para reabrir a escola.
- Ele me deixou uma missão que não poderei cumprir trancado aqui dentro. — Falou Harry seriamente.
- Sim, ele me deixou aparte disso, apesar de não querer me dizer o que, ele falou que deixaria uma missão para você. — A professora voltou a olhar o quadro.
- Ele já acordou então? — Perguntou Harry também se virando para encarar o quadro.
- Não, ele ainda não acordou, por mais que eu já o tenha chamado, ele não acorda. Mas ele sabia que poderia morrer, então me deixou essa ordem. — Os olhos da professora pareceram brilhar estranhamente, como se há muito tempo ela estivesse contendo as lágrimas. — Por isso Harry eu venho te pedir que volte a escola.
- Sinto muito, professora, mas não vai dar, preciso de todo tempo disponível. — Respondeu Harry pondo-se de pé.
- Por favor, sente-se Harry. Você terá tempo para cumprir sua missão, você poderá sair do colégio sempre que quiser, e a Srta. Granger terá toda a biblioteca a disposição, inclusive a Seção Reservada, para pesquisar, que eu sei que te ajudará. — Harry se sentou para ouvir o que a professora tinha a propor. — Peço que só fiquem mais esse ano e que também me façam um favor.
- E qual seria esse favor? — Perguntou Harry com desconfiança.
- Que lecionem aqui este ano.
Harry começaria a rir se não fosse o olhar sério da mulher a sua frente. Ele pensou: “Ou ela está terrivelmente desesperada para que eu fique ou ficou completamente louca”.
- Não podemos lecionar professora, não terminamos ainda nossos estudos e nem fizemos o curso preparatório. — Discordou Hermione.
- Srta. Granger, você é a aluna mais inteligente que já esteve nesse colégio. — Hermione ruborizou e se mexeu na cadeira. - E tenho certeza que conseguiria administrar as aulas de Transfiguração, se precisar de qualquer ajuda basta me procurar.
“Sr. Potter, eu já vi o quanto você se interessa por Defesa Contra as Artes das Trevas e você já lecionou antes para seus amigos e já duelou de igual para igual contra bruxos que já mataram muita gente, e olha só, você esta aqui, vivo.
“Gostaria que o senhor lecionasse as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas”.
Harry se empolgou um pouco com a idéia, mas quando viu Rony baixar a cabeça, pensou em negar, mas Rony falou primeiro.
- Eu não sou bom em nada, Filch está precisando de um ajudante? — Perguntou meio desanimado.
- Na verdade eu estive pensando em algo que eu sei que você realmente é bom, mas se você preferir ficar com o Sr. Filch, ele reclama que precisa de um ajudante há anos. — Rony olhou para ela intrigado. — Madame Hooch resolveu se aposentar, ela está querendo se mudar do país. Creio eu que ela quer ir para a América, ou qualquer lugar longe dessa guerra.
Rony abriu um sorriso meio torto, misturando felicidade e incredulidade.
- Você... quer dizer, a senhora está querendo que eu lecione quadribol? — Perguntou meio abobalhado.
-Não, eu quero que você lecione aulas de vôo para os primeiros anos e apite as partidas de quadribol.
Rony abriu um imenso sorriso, mas Harry se pronunciou acabando com a alegria dele.
- E por que deveríamos aceitar? Afinal não estamos preparados para dar aulas e eu não terei muito tempo livre esse ano.
- Bem Harry, - Ele estranhou o pronunciamento do seu primeiro nome. — Eu estou fazendo o possível para cumprir as ordens que Dumbledore me deixou e gostaria que você me ajudasse. E eu realmente acho que vocês estão prontos, isso não está sendo uma atitude desesperada, vocês foram exatamente as primeiras pessoas em quem eu pensei quando me tornei diretora e vi que tinha que procurar pessoas qualificadas para essas matérias. — Ela respirou um pouco, parecia que estava cansada. — Corre boatos que o cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas está amaldiçoado, no tempo em que vivemos, quem em sã consciência iria querer lecionar aqui depois do que houve no ano passado?
- O cargo realmente está amaldiçoado, Dumbledore me falou no ano passado que Voldemort mesmo o amaldiçoou. — Falou Harry se lembrando da lembrança em que Voldemort vinha até Hogwarts pedir o cargo.
- Bem eu fiz a minha oferta, vocês receberão os salários indicados a cada matéria e mais algumas gratificações. — Ela se recostou na cadeira analisando Harry atentamente.
Harry olhou de Rony para Hermione antes de responder. Eles pareciam realmente entusiasmados com a proposta.
- Tudo bem, professora. Nós aceitamos os cargos, mas devo lembrá-la que estaremos saindo constantemente sem dar satisfações e sem data prévia pra voltar, caso voltemos. — Respondeu Harry seriamente.
- Tudo Bem Sr. Potter, mas agora eu gostaria de ter uma conversa em particular com o senhor.
Harry estranhou a atitude da professora, mas não parecia ser nada sério. Ele acenou para Rony e Hermione de que estava tudo bem e os dois se levantaram e saíram dizendo que o esperaria na cabana do Hagrid.
- Sr. Potter, antes de qualquer coisa, sua vida pessoal não é de meu interesse e muito menos da minha conta. — Harry estranhou, do que a professora poderia estar falando? — Eu fiquei sabendo que no final do último ano letivo, há poucos meses, você e a Srta. Weasley estavam namorando, se isso é verdade ou não, não é do meu interesse. — Harry ficou se perguntando onde ela queria chegar. — Só que devo avisá-lo que agora como professor desse colégio você não deverá ter contato íntimo com nenhum aluno. Não que isso me perturbe, mas que os outros alunos podem lhe acusar de favoritismo e se chegar aos ouvidos dos pais dos alunos que você possa estar tendo algo com alguma aluna, você pode ser processado e por isso eu estou te avisando para tomar cuidado, seus relacionamentos pessoais não me incomodam em nada, mas os pais dos outros alunos podem não gostar disso.
- Tudo bem Professora, não se preocupe que Gina e eu não temos mais nada. — Respondeu Harry meio constrangido pela conversa.
- Só mais uma coisa, Sr. Potter. — Harry ergueu a cabeça pensando no que mais poderia vir. — Agora somos colegas de trabalho, pode me chamar de Minerva.
Harry sorriu antes de dizer:
- Então me chame de Harry, Minerva. — A professora também sorriu.
- Então, qual era o favor que você queria me pedir?
- Eu queria pedir pra falar com o quadro do Dumbledore, mas como ele ainda não acordou pode deixar pra lá, vou tentar descobrir o que precisava por outro meio. — Respondeu Harry meio desanimado.
- Sinto muito não poder ajudar, mas se precisar de qualquer coisa...
- O que você precisa saber, Harry? — Harry não acreditou que estava ouvindo essa voz novamente, mas quando olhou para cima, não conseguiu conter as lágrimas e o sorriso.
|