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2. Capítulo 2


Fic: Sem Clima para o Amor


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harry Potter puxou sua camiseta branca por cima da cabeça e enfiou-a dentro dos jeans. Muito barulho por causa de uma boa ação, pensou, enquanto apanhava seu iphone no sofá. Bateu os olhos na telinha e viu que tinha sete e-mails e duas chamadas perdidas. Colocou o aparelho no bolso de trás da calça, imaginando que iria cuidar delas depois.


Deveria ter pensado melhor antes de ajudar Gina Weasley. A última vez que fizera isso tinha se ferrado com todas as letras.


Caminhou até o criado-mudo, agarrou seu relógio e observou, no fundo escuro do mostrador, a bússola, os marcadores de quilometragem e outros componentes. Precisava ainda acertar o relógio de pulso de aço inoxidável de acordo com o fuso horário. Assim, puxou o pino lateral. À medida que movia os ponteiros adiantando uma hora, pensou na última vez que vira Gina. Deveria ter mais ou menos 10 anos e o acompanhara até um lago não muito longe da casa dos fundos onde seu pai morava. Ele havia apanhado uma rede para caçar sapos e girinos, e ela ficara na margem abaixo de um imenso algodoeiro. Harry cruzava pela água com dificuldade, passando a se ocupar da tarefa.


- Eu sei de onde vêm os bebês - revelara ela, observando-o através de óculos de lentes grossas, que ampliavam seus olhos azuis claros. Como sempre, o cabelo ruivo dela havia sido disposto em trancinhas apertadas atrás da cabeça.- O papai beija a mamãe e o bebê vai parar no estômago dela.


Já havia sobrevivido a dois padrastos, além dos namorados da mãe. Sabia exatamente da onde vinham os bebês.


- Quem lhe contou isso?


- Minha mãe.


- É a coisa mais idiota que já ouvi. - explicou, e começou a revelar a Gina o que sabia. Disse, em termos técnicos, como o esperma e o óvulo se uniam ao corpo da mulher.


-Não é verdade!


- É sim! - em seguida, acrescentou suas próprias opiniões. - O sexo é barulhento, e os homens e as mulheres fazem bastante.


- Claro que não!


- Claro que sim! Fazem o tempo todo. Mesmo quando não querem ter bebês.


- Por quê?


Ele encolheu os ombros e aprisionou alguns girinos na rede.


- Acho que deve ser bom.


- Que nojo!


No ano passado, ele também tinha achado aquilo bastante nojento. Assim que fez 12 anos, porém, um mês atrás, começara a mudar de opinião sobre sexo. Com mais curiosidade do que repulsa.


Recordou-se de que quando a senhora Weasley tinha descoberto suas conversas sobre sexo com Gina, foi como jogar merda no ventilador. Fizeram as malas dele e o enviaram de volta a Washington mais cedo. A mãe de Harry ficara tão furiosa pela forma como o trataram que se recusou a mandá-lo a Idaho outras vezes. A partir de então, o pai foi obrigado a visitá-lo, qualquer que fosse a cidade em que Harry estivesse morando. Entretanto, o relacionamento entre seu pai e sua mãe degenerou para um estado de rancor total e absoluto, e houve anos de sua vida em que o pai se ausentara. Vazios imensos nos quais eles nem se viam.


Se tivesse de descrever o relacionamento com seu pai nessa época, teria dito que se tratava de algo quase inexistente. Houve um tempo em sua vida em que culpou Gina pela situação.


Harry recolocou o pino do relógio no pulso com um estalo e olhou ao redor, buscando a carteira. Avistou-a no chão e se curvou para apanhá-la. Deveria ter deixado Gina em um balcão de bar a noite passada, disse a si mesmo. Estava sentada a três bancos de distancia, e se não a tivesse escutado sem querer dizendo o seu nome ao barman, não a teria reconhecido. Quando garoto, sempre a achou parecida com um desenho animado, com olhos e boca grandes. Mesmo que na noite passada ela não usasse óculos de lentes grossas, assim que olhou aqueles olhos azul claros e vislumbrou os lábios carnudos e cabelo ruivo percebeu que era ela. As cores clara e escura que, em uma criança eram contraditórias e um pouco esquisitas, tornavam-na uma mulher fascinante. Os lábios grossos demais em uma criança levavam-no agora a se perguntar o que ela teria aprendido a fazer com aquela boca quando adulta. Tornara-se uma bela mulher. No instante em que a havia reconhecido, porém, deveria tê-la abandonado, chorosa e infeliz. Que fosse amolar outro com seus problemas. Dane-se. Ele não precisava daquela dor de cabeça.


- Só uma vez, tente fazer a coisa certa – resmungava enquanto enfiava a carteira no bolso de trás. Acompanhou-a até um quarto de hotel, para ter certeza de que ela chegaria lá e ela o convidou a entrar. Ficou enquanto ela se lamentava mais um pouco, e quando perdesse a consciência, Harry a colocaria na cama. Como uma porra de um santo, pensou. Foi aí que cometeu um erro tático.


Por volta de uma e meia da manhã, quando puxou o lençol que cobria Gina, percebeu que tinha tomado algumas cervejas a mais do minibar. Em vez de arriscar ir preso por dirigir embriagado, decidiu ficar por ali e ver TV até ficar sóbrio. No passado, tinha dividido uma caverna com líderes guerrilheiros e um tanque de guerra cheio de fuzileiros navais. Tinha caçado histórias infindáveis e sido perseguido por todo o deserto do Arizona por polígamos enfurecidos.Conseguiria lidar com uma garota bêbada, desmaiada, totalmente vestida e cheirando a gim. Não havia problema algum. Não mesmo.


Chutou longe os sapatos, escorou-se nos travesseiros e alcançou o controle remoto. Ultimamente não dormia, e estava bem desperto quando ela acordou e começou a brigar com o vestido. Admirá-la era infinitamente mais divertido que assistir à maratona As Supergatas na televisão, e apreciaria o programa enquanto Gina se despia até não ter mais nada além de uma tanguinha cor-de-rosa e um adesivo anticoncepcional bege. Quem teria imaginado que a garota dos óculos de lentes grossas e trancinhas apertadas até o limite teria crescido e ficado tão bem em uma calcinha de dançarina de strip-tease?


Caminhou pelo quarto e sentou-se no sofá. Seus sapatos jaziam no chão, e ele colocou os pés sem desamarrar os cadarços. A última coisa de que se lembrava era de ter olhado o relógio: onze e quinze. Deve ter adormecido em algum lugar entre a quarta temporada de As Supergatas e acordado poucas horas depois, com a bundinha nua de Gina pressionando-lhe os botões da braguilha, as costas dela apertando-lhe o peito e suas mãos nos seios nus dela, como se fossem amantes.


Teria despertado com enorme dificuldade, pronto para partir. Será que teria a violentado? Se aproveitado dela? Não, caramba! Gina tinha um corpão e uma boca feitos especialmente para pecar, mas ele não tinha encostado a mão nela. A não ser nos seios, só que não foi culpa dele. Tinha dormido e tido sonhos eróticos. No entanto, assim que se levantou, não tocara nela. Em vez disso, tinha se lançado no chuveiro e deixado a água fria acalmá-lo. E aonde isso o levara? De qualquer forma, tinha sido acusado de ter transado com ela. Poderia ter feito sexo com ela de todas as formas até domingo. Mas não fez. Não era esse tipo de cara. Nunca tinha sido; nem se uma mulher implorasse. Preferia ter suas mulheres em estado racional, e ficava puto da vida de ter sido acusado de se aproveitar dela. Também a deixou imaginar aquilo. Poderia ter esclarecido tudo, mas armou uma mentira completa só para fazê-la se sentir pior. E não se arrependera daquilo. Nem um tantinho.


Harry deteve-se e observou o quarto ao redor uma última vez. Olhou rapidamente a cama enorme e as cobertas amarrotadas. Na luz do sol que se derramava, pequenas faíscas azuis e vermelhas chamaram-lhe a atenção. Dirigiu-se até a cama e apanhou um anel ornado com diamantes no meio do travesseiro de Gina. Uns dois quilates, no mínimo, cintilavam na palma de sua mão. Por um instante, imaginou se aquele diamante era verdadeiro. Em seguida deu uma risada sem graça e colocou-o no bolso menor de seu jeans. Claro que era verdadeiro. Gina Weasley não era daquelas que usava imitações. Deus fazia idéia de com quantas mulheres ricas ele tinha saído em sua vida para saber que preferiam cortar o pescoço a usar bijuterias falsas.


Desligou a televisão, deixou o recinto e caminhou para fora do hotel. Não sabia o quanto iria permanecer em Boise. Que saco! Nem sequer tinha planejado visitar o pai até o instante em que começara a fazer as malas. Num minuto, estava organizado suas anotações para uma matéria sobre terroristas nativos, na qual estava trabalhando para a revista Newsweek, e no outro estava em pé, procurando pela mala.


Seu carro achava-se estacionado próximo à entrada, onde o deixara na noite anterior. Entrou. Não sabia o que havia de errado consigo mesmo. Jamais tivera problemas para escrever uma história ante. Não naquela etapa. Não quando todas as anotações estavam em ordem e ele só precisava se empenhar ao máximo para acabar logo aquela porcaria. Entretanto, todas as vezes que tentava, terminava redigindo um monte de merda e pressionando a tecla delete. Pela primeira vez na vida teve medo de estourar o prazo.


Um par de óculos repousavam sobre o console. Apanhou-os. Estava cansado, só isso. Estava com 35 anos e bastante cansado. Cobriu os olhos com os óculos escuros e ligou o veículo. Ficaria na capital durante dois dias, tendo pilotado sem parar desde Seattle. Se pudesse ao menos dormir direito – um bom sono de seis horas daria conta do recado-, mas , mesmo enquanto dizia a si próprio que era daquilo que precisava, sabia que era ridículo. Já havia funcionado com muito menos horas de sono, e sempre fizera seu trabalho. Fosse em tempestades de areia ou debaixo de chuva – uma vez, no sul do Iraque, com duas intempéries juntas – e havia conseguido encerrar seu trabalho e cumprir o prazo.


Não era nem meio-dia enquanto o estacionamento e a temperatura local estava 25ºC. Ligou o ar-condicionado e apontou-o para o rosto. No mês anterior tinha passado por uma bateria de exames físicos. Testaram tudo, de gripe até HIV. Sua saúde se achava em perfeitas condições. Fisicamente, não havia nada de errado.


Nem com a cabeça. Adorava o emprego. Tinha se empenhado ao máximo até chegar onde estava. Lutara cada centímetro e era um dos jornalistas mais bem-sucedidos do país. Não havia muitos sujeitos como ele por aí. Homens que haviam chegado ao topo, não por causa de família, currículo ou graduação de faculdades de renome, mas pelo que tinham dentro de si. Sim, o talento e o amor pela profissão tinham uma parcela naquilo, mas a maior parte de sua conquista se fizera com muito empenho e suor e cem por cento de determinação que lhe corria nas veias. Fora acusado de arrogante, o que, imaginava, tinha muito de verdade. Entretanto, o que incomodava seus críticos era que a verdade o mantinha acordado.


Não. Havia outra coisa mantendo-o acordado. Algo que o atingira de surpresa. Havia estado em todos lugares do mundo, sempre ficando muito impressionado com o que via. Tinha feito reportagens sobre diversas coisas, desde arte pré-histórica em cavernas de Bornéu oriental até incêndios furiosos no Colorado. Viajara pela Rota da Seda e ficara diante da muralha da China. Era um privilegiado por ter conhecido tanto o comum quanto o extraordinário, e adorara cada minuto. Quando parou para examinar a vida, novamente havia se impressionado.


Claro que também havia passado por maus bocados. Havia se envolvido com o Primeiro Batalhão do Quinto Regimento dos Fuzileiros Navais, quando foi forçado a caminhar quase cinco mil quilômetros no Iraque, em direção a Bagdá. Participara de programas de treinamento para lideres militares e conhecia os sons de homens lutando e morrendo bem diante de si. Experimentara o gosto do medo e da pólvora na boca.


Conhecia o cheiro da fome e da violência, vira as chamas do fanatismo queimando nos olhos de homens-bomba e as esperanças de homens e mulheres corajosos determinados a defender a si mesmos e suas famílias. Pessoas desesperadas olhando para ele como se pudesse salvá-las, e a única coisa que podia fazer por elas era contar suas histórias. Escrever uma reportagem e chamar a atenção do mundo. Mas não era o bastante. Nunca era o bastante. Realmente se empenhava, mas ninguém estava nem aí. A menos que acontecesse com alguém próximo o que Harry duvidava.


Dois dias antes do 11 de setembro, fizera uma matéria sobre o Talibã e a interpretação explícita das leis islâmicas do mulá Muhammad Omar. Escrevera sobre as execuções em praça pública e os açoitamentos de civis inocentes, enquanto as nações poderosas — as campeãs da democracia – permaneciam em seus trabalhos secundários, sem tomar nenhuma providência. Redigira um livro – Fragmentados: vinte anos de guerra no Afeganistão – sobre sua experiência e as conseqüências que isso teria num mundo, que olhava para o outro lado. Embora recebesse elogios da critica, as vendas da obra foram modestas.


Tudo mudou em um dia ensolarado de setembro, quando terroristas seqüestraram quatro aviões comerciais, e de repente as pessoas voltaram suas atenções ao Afeganistão. Jogava-se uma luz sobre as atrocidades perpetradas pelo Talibã em nome do islamismo.


Um ano depois do lançamento de seu livro, a obra alcançou o primeiro lugar na lista dos mais vendidos. De repente, Harry se tornava o garoto mais popular do colégio. Todos os meios de comunicação, do jornal Boston Globe ao programa Good Morning, America, desejavam uma entrevista. Algumas foram concedidas, mas a maioria, rejeitada. Ele não ligava para holofotes, política nem políticos. Era um eleitor que tendia a votar em todas as tendências partidárias. Preocupava-se mais em chamar a atenção para verdade e expô-la para o mundo. Aquele era seu trabalho. Havia batalhado para chegar ao topo – às vezes à força -, e adorava.


Só que, ultimamente, não estava tendo resultados com tanta facilidade. Sua insônia o consumia tanto física quanto mentalmente. Podia sentir que tudo aquilo por que se empenhara tanto estava se escapando. O fogo interior diminuía. Quanto mais batalhava, mais esse fogo enfraquecia, e isso o deixava apavorado.


O trajeto até o Double Tree, que para um cidadão local, teria levado 15 minutos, tomou-lhe uma hora. Fez uma curva errada e acabou indo parar nos pés das montanhas, até reconhecer a derrota e acionar o GPS e preferia fingir que não precisava daquilo.


Sentiu-se um idiota fracassado. Era como parar para pedir informações. Não gostava de perguntar o caminho nem em outros países. Apesar de ser lugar-comum, sabia que era uma verdade a seu respeito. Assim como odiava compras e ver mulheres chorando. Faria qualquer coisa para evitar as lágrimas de uma delas. Algumas coisas eram batidas, pensava, porque na maioria das vezes pareciam reais.


Por volta das 11 da manhã, estava mudando de direção rumo à mansão Weasley, e guiava pela casa de três andares feita essencialmente de pedra calcária, extraída por condenados de uma antiga penitenciaria na rodovia, muitos quilômetros adiante. Lembrou-se da primeira vez em que vira a estrutura imponente. Tinha uns 5 anos e imaginava que, sem dúvida, ali naquelas paredes de pedra escura deveria morar uma família bem grande. Ficou espantado ao ouvir que só duas pessoas moravam ali: a senhora Weasley e sua filha Gininha.


Harry prosseguiu ao redor da parte de trás da casa e estacionou em frente â garagem de pedra. Molly Weasley e o pai dele estavam parados no jardim, apontando para fileiras de botões de rosas. Como sempre, o pai vestia uma camisa bege engomada e calças marrom. Um chapéu panamá cor de canela cobria-lhe o cabelo escuro grisalho. Vinha-lhe a mente uma lembrança nítida de ajudá-lo naquele jardim. De ter se sujado e matado aranhas com uma pá. De fato, adorava aquilo. Naquele tempo, olhava para o pai como se fosse um super-herói. Trocava idéias com ele e absorvia todas as palavras, como adubar, pescar e empinar uma pipa. Claro que, sem dúvida, tudo aquilo acabara, e durante anos o amargor e as decepções substituíram a veneração ao herói.


Após ter se formado na escola, o pai enviara-lhe uma passagem de avião para Boise. Não a usara. Em seu primeiro ano na Universidade de Washington, o pai quis visitá-lo, mas ele recusou. Não tinha tempo para quem nunca tivera tempo para ele. Assim que se formou, o relacionamento entre seu pai e sua mãe tinha ficado tão áspero que ele havia pedido que James não viesse à formatura.


Depois da faculdade, Harry ocupou-se com a carreira. Ocupado demais para interromper seus afazeres e fazer uma pausa em sua vida por causa do pai. Estagiou no Seattle Times, trabalhou durante vários anos para a Associated Press e escreveu centenas de matérias free-lance.


Harry sempre vivera a fase adulta livre de rédeas. Despreocupado. Vagando pelo mundo sem amarras que o segurassem ou o mantivessem atado. Sempre se sentira superior aos trouxas que precisavam fazer uma pausa para telefonar para suas casas em um telefone via satélite. Sua atenção jamais se dividia em direções diferentes. Havia sido uma pessoa obstinada, determinada e incrivelmente centrada.


Sua mãe sempre o encorajara em tudo que fizera. Havia sido sua maior incentivadora e a pessoas que mais o estimulava. Não a visitou tanto quanto gostaria, mas ela sempre entendeu. Ou pelo menos sempre afirmara isso.


Sempre havia sido a família dele. Sua vida estava cheia. Ele e o pai nem se conheciam, e ele jamais teve vontade de visitá-lo, imaginando sempre que, se em algum instante do futuro sentisse o impulso de reatar com o pai – quem sabe lá pelos quarenta e poucos anos de idade, quando é preciso diminuir o ritmo -, haveria tempo.


Tudo isso mudou no dia em que enterrou sua mãe.


Estivera no Alabama, fazendo pesquisas em profundidade, quando recebeu o telefonema avisando da morte dela. Naquela manhã, mais cedo, enquanto aparava suas trepadeiras, caíra de uma banqueta com degraus. Não sofreu fraturas, cortes ou arranhões. Apenas um ferimento na perna. Naquela noite, morreu sozinha na cama, enquanto uma embolia passou-lhe da perna para o coração. Tinha sessenta e quatro anos.


Harry não estava lá. Nem soubera que a mãe tinha sofrido uma queda. Pela primeira vez na vida, sentia-se realmente sozinho. Passou anos vadiando pelo mundo, achando-se livre de amarras. A morte da mãe libertara-o de verdade, e pela primeira vez soube o que era não ter rédeas. Também soube que estivera enganando a si próprio. Não havia viajado o mundo sem amarras. Elas estavam La. O tempo todo. Mantendo sua vida estável. Até então.


Tinha um único parente vivo. Somente um: um pai que nem conhecia. Que diabos, nem um nem outro se conheciam. Não por culpa de ninguém, apenas as coisas eram daquele jeito. Mas talvez tivesse chegado a hora de mudarem aquilo. Hora de passar uns dias reatando com o velho. Achava que não demoraria. Não estava esperando por um reencontro hollywoodiano. Só algo tranqüilo, sem as tensões que existiram entre ambos.


Saiu do Land Cruiser e caminhou pelo jardim de grama espessa até o jardim de flores, rico em cores explosivas. Harry pensou no anel de diamantes em seu bolso. Pensou em dá-lo a senhora Weasley, para que ela o devolvesse a Gina. Teria de explicar onde o encontrara. Esse pensamento trouxe um sorriso para seus lábios.


- Olá, senhora Weasley – cumprimentou a idosa enquanto se aproximava. Tinha crescido odiando Molly Weasley. Culpara-a por sua relação esporádica e incompleta com o pai. Superou aquilo quase na mesma época em que deixou de culpar Gina. Não que tivesse algum amor por Molly. Seus sentimentos não eram oito ou oitenta. Até aquela manhã, também não havia pensado em nada tão radical a respeito de Gina. Agora havia, e não era nada de bom.


- Olá Harry – disse, e colocou uma rosa vermelha em uma cesta pousada em seu braço dobrado. Vários anéis de rubi e esmeralda deslizaram por seus dedos ossudos. Usava um par de calças cor de creme, uma blusa lavanda e um imenso chapéu de palha. Molly sempre fora extremamente magra. O tipo de magreza nascido de estar no controle de tudo em sua vida. Seus traços distintos dominavam o rosto comprido, e sua boca larga, em geral, estreitava-se com reprovação. Pelo menos assim tinha sido sempre que ele se achava por perto, e Harry se perguntava se era a personalidade ácida ou o jeito dominador dela que sempre haviam mantido o senhor Weasley plantado firmemente na Costa Leste do país.


Provavelmente ambos.


Molly nunca tinha sido uma mulher atraente, nem quando mais jovem. Mas, se alguém enfiasse uma arma na orelha de Harry e forçasse a dizer algo gentil, ele diria que ela tinha olhos de um azul claro sombrio. Como os íris que cresciam nas bordas do jardim. Como os olhos da filha. Os traços ríspidos da mãe eram menores e muito mais femininos no rosto da filha. Os lábios carnudos de Gina amenizavam as linhas de sua boca, e ela herdara um nariz menor. Os olhos, no entanto, eram os mesmos.


- Seu pai me disse que você pretende partir em breve – disse – Que pena não podermos convencê-lo a ficar mais.


O olhar de Harry ergueu-se da rosa no cesto até o rosto de Molly. Penetrando em olhos que lançavam chamas azuis quando menino. Uma abelha enorme lutava contra uma brisa suave, e Molly a expulsou com um gesto da mão. A única coisa que vira nos olhos dela era uma investigação educada.


- Estou tentando fazer com que ele fique pelo menos até semana que vem. – disse o pai, enquanto sacava um lenço do bolso de trás das calças e enxugava gotas de suor na testa. James Potter era alguns centímetros mais baixo que Harry, e o cabelo antes castanho estava adquirindo tons de cinza. Os cantos dos olhos tinham linhas profundas. Em anos recentes, as sobrancelhas haviam ficado cerradas e as “sonecas de 20 minutos” pareciam durar uma hora agora. Ao final da semana, James não circulava pelo jardim dos Weasley tão facilmente quanto se recordava. Não que se lembrasse muito do pai. Uns meses aqui e um fim de semana ali não criavam exatamente uma abundância de memórias de infância, mas uma coisa se lembrava muito bem: as mãos do pai. Eram grandes e fortes o suficiente para partir ramos e tábuas pequenos, gentis o bastante para dar tapinhas no ombro de um garoto e esfregar as costas. Secas e ásperas, as mãos de um homem que trabalhava duro. Agora estavam cheias de pintas, por força da idade e da profissão, a pele frouxa por sobre os nós dos dedos crescidos.


- Na verdade, não sei quanto tempo vou ficar – disse, incapaz de se comprometer com algo. Em vez disso, mudou de assunto. – Ontem à noite encontrei Gina por acaso.


Molly curvou-se para cortar outra rosa:


- Ah, sim?


- Onde? – perguntou o pai enquanto enfiava o lenço de volta no bolso.


- Encontrei um antigo companheiro de Universidade num bar no Double Tree. Estava lá fazendo a cobertura de uma pessoa da Steelhead que angaria fundos, e Gina disse que estava participando de uma recepção de casamento.


- É verdade. Uma amiga dela, Hermione, casou-se ontem – Molly acenou com a cabeça e seu chapelão se inclinou. – Não vai demorar muito e Gininha vai se casar com um jovem chamado Draco. Os dois são muito felizes juntos. Disseram que iam se casar aqui no jardim, junho próximo. As flores estarão desabrochando e será uma época do ano muito agradável.


- É, acho que ela fez menção a Draco – lógico que Molly não sabia das novidades mais recentes. Passou-se um silêncio embaraçoso entre eles, ou quem sabe só fosse embaraçoso para ele, sabia que não ia haver casamento em junho – Não tive a oportunidade de perguntar a Gina com o que ela estava trabalhando – disse, para quebrar o silêncio.


Molly voltou-se para suas rosas.


- Escreve livros, mas não como o seu.


Harry não sabia o que espantava mais: que a senhora Weasley conhecesse o bastante a ponte de saber que tinha escrito um livro, embora o dele não fosse um romance, ou que Gina era uma escritora.


- Mesmo? – teria imaginado que ela trabalhasse como voluntária profissional, como a mãe. Tinha, entretanto, uma lembrança vaga de ela lhe contando historias chatas sobre um cão imaginário. – Ela escreve o que? Livros para mulheres? – perguntou.


- Algo do gênero – respondeu Molly, e as antigas chamas azuis que ele reconhecera queimavam nos olhos dela...


Só depois que Harry e o pai estavam a sós, jantando, é que ele perguntou:


- Então, o que Gina faz de verdade?


- Escreve livros.


- Isso eu entendi. Que tipo de livros?


James empurrou uma tigela com ervilhas na direção de Harry:


- Romances.


Sua mão se deteve ao apanhar a tigela. Gininha? A garota que achava que bebês nasciam de beijos? A menininha esquisita com óculos de lentes grossas que se tornou uma mulher linda? A mulher linda que ficava ótima numa tanguinha rosa? Uma escritora de romances?


- Fala sério!


- Molly não está nada contente com essa idéia.


Harry pegou a tigela e começou a rir. Fala sério!


n/a: muito feliz que vocês estão gostando da nova fic, não deixem de comentar... 

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Comentários: 5

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Enviado por Edwiges Potter em 03/06/2013
É, o Harry trllou a Gina... e eu tambem!! Fala sério, ele foi muito convincente e eu acreditei!! Kkkk dei muita risada com isso!! Eu tambem gostei de saber sobre a vida dele, e seria muito legal se ele e o pai ficassem mais íntimos, achei muito bonito essa relaçao que pode ser criada entre eles, afinal é pai e filho!!! Agora, quero só ver a reaçao da Molly quando descubrir q o seu querido genro foi pego em flagrante sendo "cavalgado" pelo cara da maquina!!!!! Kkkk
Nota: 5

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Enviado por Luhna em 31/05/2013

MHUAHUAHUAHUAHUAHUA! Harry malvado! Nem consolou a Gina e fez ela e todas nós, leitoras lindonas, pensarmos que, de fato, ele a tinha consolado. Enfim. Gostei de saber mais sobre ele, e pensar o tanto que ele e Gina têm vidas diferentes. Só achei que ele pareceu meio frio e distante em relação à mãe, mas é o tipo de coisa que pode vir a acontecer com qualquer um. Também gostei de ver o diálogo deles quando crianças; foi engraçado. Não sei, acho que tem algo mais nos livros da Gina... e a Molly, afinal, é casada, separada, viúva ou o quê? E quero só ver, também, como ela vai reagir quando souber que não vai ter casamento... ansiosa aqui! ;)

Nota: 5

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Enviado por Be Weasley Potter em 31/05/2013

AAAAAHHHHHHHHHHHH, só de ler a sinopse eu já to nas alturas!!! Posta Maiiiiissssssssssssssssss!!! To amando a fic!!

Nota: 5

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Enviado por Beatriz Granger Weasley em 30/05/2013

Amando !! 

Nota: 5

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Enviado por Pacoalina em 30/05/2013

muito legal!!!

Nota: 5

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