Draco espantou-se com a franqueza de Harry em lhe dizer tudo aquilo. Depois de tantos anos desgostando um do outro, parecia natural que eles tivessem um pé atrás na hora de falar de seus sentimentos. Em resumo, o grifinório tinha admitido que pensava em Draco e que o queria. Talvez até mais, vislumbrava com ele alguma espécie de futuro. Um sentimento desconhecido se formou dentro de Draco e ele se sentiu completamente eufórico. O sonserino não poderia ter outra reação a não ser avançar para os lábios de Potter e mergulhar em um beijo profundo e intenso.
O outro não ofereceu qualquer tipo de resistência, fechando os olhos e entreabrindo os lábios para a língua hábil de Draco Malfoy. Os lábios de Potter eram muito doces e absurdamente beijáveis, como ele ficou impressionado em constatar. Quando o grifinório correu a mão por seus cabelos louros, puxando-o e trazendo-o para si, Draco percebeu como queria aquilo. Como vinha querendo aquilo há séculos, sem coragem de admitir para si mesmo. Durante um breve momento sua mente vagou para o passado, em que ponto de sua história ele passara a desejar Harry Potter?
O sonserino envolveu a cintura de Harry com os braços e o puxou para si. Quando deu por si, já não estava mais sentado, mas deitado no sofá da sala de estar, com o corpo de Harry pressionando-o, em cima de si. O beijo tornou-se excessivamente urgente e o corpo de Draco começou a dar sinais claros de excitação. Ele sentiu o grifinório abandonar seus lábios e começar a explorar seu pescoço; um forte e delicioso arrepio atravessou seu corpo quando ele sentiu a língua de Harry trabalhar na sua pele.
Draco escorregou as mãos até as nádegas do outro, pressionando e apertando o corpo de Harry contra si, ele ouviu o Eleito suspirar de modo mais incisivo em resposta. Segundos depois, o grifinório já esfregava-se contra seu corpo e Draco conseguia sentir a ereção do outro contra a sua. Isso excitava-o por completo. A calça o apertava insuportavelmente, e ele queria desesperadamente tirar. Movimentou a mão direita na direção do botão, mas se conteve. Era Harry Potter ali, ele pensou, e o sonserino o queria desesperadamente; mas tinha receio que o outro pensasse que era cedo demais.
Draco não era dado a esse tipo de “reflexão” no que dizia respeito a sua vida sexual, que já há alguns anos era ativa e bastante saudável, em sua opinião. Mas acreditava que esse fosse o caso de Potter querer fazer as coisas “no seu tempo”, esperar para ter certeza de que o relacionamento será duradouro e outras questões nesse sentido (que para Draco configuravam frescura). Ele se lembrava vagamente do sexto ano durante, quando Pansy contou que tinha ouvido Gina Weasley contar a uma amiga da Corvinal que Potter não tinha querido transar com ela. Talvez, pensou meio sobressaltado, o Eleito fosse até mesmo virgem.
Após os breves segundos que Draco havia gasto considerando estas questões a respeito do grifinório, percebeu que Harry se movia de forma estranha em cima dele. O sonserino interrompeu-se para ver o que o outro estava fazendo, e percebeu, com um sobressalto, que Harry lutava para tirar a própria calça, bastante desajeitadamente. Notou, inclusive, que Potter parecia bastante irritado pelo fato de não estar tendo o sucesso esperado. Draco começou a rir, chamando a atenção do outro.
- O que foi? – Harry perguntou, o tom de voz irritado. – Está me apertando.
- Eu estava pensando exatamente a mesma coisa. – Draco explicou.
- Ah! – exclamou o grifinório, levemente constrangido.
- Deixe-me ajudar. – Draco saiu do sofá, escorregando para o tapete.
Ele terminou de puxar a calça, junto a cueca de Harry para baixo, e as atirou longe. Trouxe o grifinório para o tapete, puxando-o pelo braço. Surpreendendo-o pela iniciativa novamente, Harry levou a mão direita para a camisa que Draco vestia começou a desabotoa-la; quando já estava completamente aberta o sonserino terminou de despi-la com a mesma rapidez com a qual Harry arrancou pela cabeça sua camiseta branca.
Subitamente, Draco olhou para o braço esquerdo, lembrando da horrível marca que lá estava e que lá permaneceria enquanto o garoto vivesse. Ele teve receio de que Harry Potter se esquivasse daquela mácula. Alguém como ele, tão certo e heroico o tempo todo; certamente nunca tinha pensando em tocar dessa forma ninguém que tivesse uma marca negra. Passou pela cabeça de Draco que o outro recuaria. De repente, então, viu a mão esquerda do grifinório cobrir a marca em seu braço. Com a mão direita, Harry puxou delicadamente o queixo do sonserino para cima, fazendo-o encarar seu rosto.
- Eu sei quem você é. – ele disse, se referindo ao que tinha visto no julgamento de Draco. E então, deitou-se no tapete, puxando o sonserino pelo braço para junto de si.
Draco teve tempo apenas de desabotoar e abaixar um pouco sua própria calça antes que seu instinto o impelisse a avançar no grifinório. O corpo nu do Eleito parecia convida-lo. O sonserino tornou a beijar intensamente o outro, antes de descer os lábios até o peito de Harry; a pele do Eleito era macia e exalava um cheiro inebriante. Continuou a descendo o rosto, adorando sentir cada centímetro da pele de Potter sob seus lábios, até alcançar a sua ereção; Draco colocou-a toda em sua boca e iniciou uma maravilhosa sucção que arrancou um gemido alto e primitivo do outro.
Sem interromper o trabalho que seus lábios faziam no membro de Harry, Draco tirou a varinha do bolso da calça e fez um breve feitiço não verbal de lubrificação. Sem pensar muito na reação do outro e seguindo seus instintos, ele escorregou um dedo para o interior do grifinório. Um segundo gemido impossível de conter escapou da garganta de Harry, que separou mais as pernas, completamente entregue, dando acesso a Draco. Este último não esperava uma reação tão favorável e se sentiu estimulado a continuar.
Por Merlin, como Draco queria aquele garoto. Introduziu um segundo dedo, sentindo o corpo de Potter apertá-lo. O sonserino movimentava lentamente os dedos, desejando o prazer do outro, excitando-se mais sempre que Harry gemia cada vez mais audivelmente e trazia os joelhos mais pra junto do peito, visivelmente desejando que Draco continuasse a penetra-lo.
- Draco... – o garoto gemeu, algum tempo depois – Draco...eu quero...
As palavras desconexas do grifinório tinham sido o suficiente para que o sonserino compreendesse; ele interrompeu imediatamente o que estava fazendo e olhou para o outro, em busca de uma confirmação. Os olhos verdes de Harry Potter queimavam de desejo, o garoto umedeceu com a língua a boca avermelhada. Sem esperar resposta, o grifinório ergueu-se, ficando de joelhos no tapete, assim como Draco; e então abraçou o sonserino pela cintura e o puxou pra si, beijando-o com urgência.
Draco estava excitado como nunca estivera em toda a sua vida e correspondeu com vontade ao beijo do outro, enquanto se dedicava a tirar por completo o que restava de suas próprias roupas. O grifinório virou-se de costas, novamente sem esperar a inciativa do outro, demonstrando com clareza seus desejos. Draco empurrou o tronco do garoto para frente, fazendo com que ele apoiasse os braços no sofá. A ereção escandalosamente rígida do sonserino encostou-se nas nádegas do outro, pedindo passagem. Ele sentiu Harry jogando o corpo pra trás, aumentando o contato.
Por Merlin, Potter o queria. Ele sentiu-se entrar lentamente dentro de Harry, experimentando a deliciosa sensação do corpo do grifinório apertando-o. Enquanto o penetrava, Draco sentiu Harry enrijecer e soube que o garoto deveria estar sentindo dor. Era mais do que óbvio que o garoto nunca tinha feito aquilo, o que tornava mais surpreendente, admirável e potencialmente excitante o fato dele estar se entregando daquela forma a Draco, sem sequer hesitar. Justo Draco, em quem ele jamais confiara na vida.
Com esse pensamento preenchendo-o o sonserino queria ser o mais gentil possível com Harry e esperou, sem se movimentar, que o outro relaxasse. Ele puxou o grifinório para mais perto de si, o envolvendo em seus braços. Beijou voluptuosamente seu ombro e pescoço, acariciando seu corpo com as mãos. Draco estranhou o sentimento que o inundou naquele momento, era quase uma devoção o que sentia ao ter Harry Potter nos braços dessa forma.
Quando o corpo de Harry relaxou e ele se apoiou novamente no sofá, Draco começou a mover-se devagar. Ele levou as mãos para a ereção do grifinório e começou a massegea-lo ali de modo bastante hábil, sentindo Harry ficar cada vez mais excitado. Os movimentos do sonserino no interior de Harry tornaram-se mais rápidos e ele já estava completamente entregue, jogando o corpo para trás, movimentando-se junto com Draco.
O sonserino sentia que ia enlouquecer, nunca experimentara nada melhor do que aquilo. Draco Malfoy, que tivera tantas vezes alguém em sua cama, compreendeu que nenhum deles jamais poderia causar nele o que Harry Potter causava. Nunca houvera ninguém, homem ou mulher, que o proporcionara tanto prazer. Os gemidos incontidos de Harry faziam com que sua excitação atingisse níveis extremos e o incentivava a intensificar cada vez mais os movimentos. Sua respiração já estava completamente ofegante e ele continuava a jogar seu corpo contra o do outro, adorando a sensação de enterrar-se o mais profundamente possível no grifinório.
Pouco tempo depois, o sonserino sentiu o corpo de Harry estremecer e contrair-se por completo, derramando-se em gozo em sua mão que o masturbava. Draco abraçou o outro novamente, segurando o corpo já tremulo de prazer do grifinório. Excitado pela intensidade do orgasmo de Harry, ele gemeu, atingindo o ápice do seu prazer, segundos depois do grifinório. Depois, os dois caíram exaustos no tapete macio e verde escuro da sala de estar; e ficaram deitados, lado a lado, esperando em silêncio a respiração regularizar.
- Acho que descobrimos o porquê. – Draco disse, em tom brincalhão, referindo-se ao que Harry dizia antes de seus lábios se tocarem pela primeira vez.
Harry abriu um sorriso para ele.
- É, pode ser que tenha algo a ver com isso. – o grifinório comentou, entrando na brincadeira.
- Pode ser? – o sonserino questionou.
- É, pode ser. Você sabe como é... – Harry virou-se de lado e apoiou-se em um cotovelo para olhar pro outro. – Vou precisar experimentar mais algumas vezes para ter certeza.
Draco queria sorrir, nunca tinha imaginado Harry Potter assim, tão tranquilo e confiante ao seu lado. Sua mente registrou rapidamente que o grifinório havia dito que havia mais, o que fez com que um renovado arrepio percorresse seu corpo.
- Como é que você pode não ter certeza diante dessa visão maravilhosa e escultural? – o sonserino disse com uma falsa indignação, acenando para seu próprio corpo nu com a mão direita.
- Na verdade, eu tirei o óculos antes de você tirar a roupa. – Harry argumentou – Só estou vendo um borrão magrelo e super branco.
- Magrelo e super branco. – repetiu Draco, agora realmente indignado. Ora ele era lindíssimo e sabia muito bem disso. – Olha quem fala. Você já se olhou no espelho, Potter?
Draco correu a mão para cima do sofá e pegou o óculos redondo do outro. Ele usava aqueles óculos horríveis e achava que poderia tecer críticas sobre a aparência física de alguém. O sonserino estendeu o óculos na direção de Harry, que pegou e o colocou no rosto. O grifinório olhou para o corpo nu de Draco que viu a cobiça e o desejo acendendo seus olhos verdes novamente.
- Hã... – ele parecia estar tendo dificuldades para construir a frase. – Não é nada demais.
- Parece que seu pênis discorda. – Draco rebateu mordaz, encarando a nova ereção do outro.
Harry olhou para o próprio pênis, fazendo uma expressão indignada, como se estivesse realmente pronto para repreende-lo por essa traição. A situação fez com que Draco gargalhasse e meio segundo depois, Harry pareceu não conseguir sustentar o rosto sério e caiu na risada junto do outro. Eles riram quase um minuto inteiro, Draco riu tanto que chegou a sentir algumas lágrimas se formando no canto do seu olho.
- Isso é estranho, não é? – Harry perguntou, acenando para os dois.
- Nós dois aqui pelados morrendo de rir? – Draco questionou, e sim, era muito estranho.
- Sim. – Harry confirmou. O garoto ficou em silêncio por alguns momentos e depois continuou, sério. – Eu quero isso.
Já não cabiam mais risadas, o clima entre os dois tornou-se intenso. Algo mexeu-se dentro de Draco quando ele ouviu o outro dizer que queria aquilo, que queria realmente estar com ele. O sonserino sabia que ele não referia apenas ao sexo magnífico que haviam feito.
- Eu também quero. – ele se pegou dizendo, ele que nunca expunha seus sentimentos, como cabia a um sonserino, a um Malfoy.
- Você acha que pode dar certo? – Harry perguntou, parecia um pouco aflito.
- Eu acho que podemos tentar. – E esse era o máximo que Draco podia dizer.
Certamente eles teriam muitos problemas, como se não bastasse o fato de mal conhecerem quem o outro era verdadeiramente e terem passado quase que toda a última década odiando um ao outro; certamente eles encontrariam resistência das outras pessoas. Afinal, aquele era Harry Potter, o Eleito, o Menino- Que-Sobreviveu-E-Matou-O-Lorde-Das-Trevas, o grande herói, que salvou o mundo dos bruxos e o mundo dos trouxas da influência nefasta de Voldemort. Ele era, de certa forma, uma pessoa pública; e a comunidade bruxa não ia querer que seu herói fosse gay. Muito menos que andasse por aí com um ex Comensal da Morte, perdoado ou não.
- Eu quero desesperadamente tentar. – o grifinório disse, com intensidade, interrompendo seus pensamentos a respeito de tudo o que poderia dar errado nesse relacionamento com o Eleito.
Draco puxou o garoto para mais um beijo, sentindo os lábios macios de Potter nos seus. Por Merlin, sim, eles iam tentar.