Cap 7 Círculo de Fogo
POV Cormárco McLaggen (N\A: vocês vão perceber que Cormárco e Draco tem um jeito parecido de ser, mas é que de certa forma os personagens tem características semelhantes, como a arrogância)
Se eu tiver sorte (o que, por Merlin, terei) consigo ir pro porão sem que ninguém perceba. Sabe, quando se tem uma família tão, digamos... popular, quanto a minha a casa está sempre cheia. É gente pedindo coisas, ajuda, ou simplesmente puxando o saco pra dizer que são nossos amigos. Afinal, meu pai sempre foi rico e amigo de todos os Ministros da Magia que esse mundo já teve, e ele também é famoso pelos doações gordas que faz ao Ministério. Nesse exato momento (meia noite e meia, pra ser mais exato) meus pais estão na sala, rodeados por um bando de gente ao qual nem me importo em saber o nome. Só quero que um dia eles saibam o meu. Afinal, eu serei um dos bruxos mais poderosos logo, logo. E é por isso que me meti nessa.
No final do ano passado, quando a cobra doidona que eu esqueci o nome estava atacando todo mundo eu percebi uma coisa. A Câmara Secreta (onde ficava esse bicho cabuloso) era um lugar no qual todos já tinham ouvido falar, afinal, marcara a história de Hogwarts. Então, se ninguém se esquecer de Hogwarts, ninguém esquecerá a Câmara Secreta. Entende? É uma coisa que vai ficar para sempre. A Câmara marcou a história. E eu também quero marca-la. Quando meus filhos e netos estiverem estudando história da magia vão ver um capítulo inteiro chamado: Cormárco Mclaggen, segredos e vitórias. Claro que pra conseguir isso eu vou ter de trabalhar duro. Ou não.
Quando decidi que era hora de procurar alguma coisa que me tornasse um fato histórico tive um sonho. Um homem veio até mim (não botem merda, por favor) e disse com as seguintes palavras:
“Eu te darei todo o poder, toda a fama e toda a glória. Te tornarei eterno para o mundo, só precisa me fazer um favor. E então realizarei todos os teus desejos, jovem homem”
Brega? Totalmente. Mas se aquele homem realmente pudesse me dar tudo aquilo... não seria nada mal. Na noite seguinte ele apareceu de novo. E na outra. Sempre as mesmas palavras, mas eu nunca conseguia responder, por mais que tentasse. Até a quarta noite, e o homem, que sempre vestia roupas pretas, disse:
“Seja meu servo. Agora ou nuca”
E eu reuni todas as minhas forças para berrar: sim. Eu esperava que ele dissesse a mesma coisa que dizia todas as noites, mas ele nunca tinha mencionado esse negócio de Servo antes. Propaganda enganosa, acho paia. Mas se ele realmente fosse me dar as outras coisas que tinha prometido, valeria a pena. Ser um servo em troca de fama e glória eternas. Que tem de mal nisso? Como servo devo ter só de, sei lá, lavar a louça e limpar a casa. Não parecia tão complicado assim. Quem dera. Ele voltou na noite seguinte, e, adivinha só?
Eu não tinha me tornado o tipo de servo que lava a louça e limpa a casa. Eu tinha me tornado o mais novo Servo do diabo. É, palmas para mim. Por que diabos o diabo me escolheu? Boa pergunta, ele ficou de me dizer isso hoje. Dois dias antes deu encontrar a pessoa que ele quer. Até agora só sei de três coisas: sou o Servo do diabo. Tenho de destruir um tal Guerreiro. E tenho de levar uma tal de Salvadora para o Inferno (onde mora o demônio, para quem não sabe). E o homem que falou comigo disse que essa Salvadora estaria em Hogwarts, mas que só poderia me dizer quem ela é nessa madrugada. Se estou curioso pra saber quem tenho de levar pro Inferno? Não muito. O homem disse que me daria muito mais informações... e um poder. É para isso que estou curioso. Poderes dados pelo próprio demônio? É foda. Super hiper mega blaster foda. Fodástico. Imagina como serão esses poderes? Voar sem vassoura? Ler mentes sem estudar legilimencia? Eu aprovo. Totalmente.
Noite passada ele disse que eu deveria descer até o porão e colocar um pouco do meu sangue em um copo de vidro. Tenso, mas até que vai. Eu também tinha de garantir que o lugar estivesse totalmente silencioso. Comecei a descer as escadas que davam para a sala de visitas. Tudo aqui em casa é excessivamente branco. Paredes, chão, corrimão, cortinas, tapete, móveis, tudo branco. Só as pessoas que estão na sala são coloridas. E já estão até bêbadas de tanto vinho. Mais fácil pra mim. Descalço passei sem fazer barulho algum, meus pais e as pessoas que se apresentavam como amigas riam e falavam de pessoas famosas. Como Rita Skeeter, o Ministro e Guga Jones. Ah, e claro, Dumbledore. Mas nem tentei prestar atenção nas palavras já desconexas pelo efeito do álcool. Cozinha, cheguei no lugar certo. Copo, faca e porta pro porão. Fui até a estante e...
– Cormárco? O que está fazendo?
Era meu pai. Bêbado de vinho e em busca de mais garrafas refrigeradas por magia, pegou três de uma vez e pôs em baixo do braço. Ele ficou me encarando em busca de respostas.
– Preciso de um copo de vidro e uma faca pra cortar meus pulsos. Vou fazer um pacto com o diabo – respondi.
– Ah, os copos estão na cristaleira e a faca na terceira gaveta do armário. Use uma de prata que é melhor – e ele saiu cambaleando.
É isso que eu chamo de cuidado paternal. Fiz o que ele mandou, peguei uma taça de vidro, totalmente pura, e uma faca, bem bonita até, com lamina de prata e punhal de... material pesado e desconhecido. A porta do porão (pintada de branco obviamente) estava a nada mais que cinco passos de distancia. Eu ainda poderia decidir se ia ou não. Mas a opção de ir tinha muito mais vantagens, e como todo grifinório que se prese, eu tenho coragem para dar e vender. Ergui o queixo, apertei o punhal da lâmina e alinhei a taça na mão, abri a porta com um chute leve, vagarosamente ela foi se abrindo, enquanto rangia. Não tinha luz alguma, e pela iluminação que vinha da cozinha eu só conseguia ver o início de uma escada de madeira sem fim. Engoli em seco e entrei.
Incrível como a coragem pode diminuir de repente. Os degraus reclamavam do meu peso com leves rangidos, e as vezes balançavam, mas fui descendo assim mesmo. O que teria lá em baixo? Escuridão. E sabe-se lá mais o que. Não tem luz no meu porão e ele é no subterrâneo. O que indica que é um ótimo lugar para se fazer um pacto com um diabo. De onde eu tirei isso? Bem, digamos que depois do primeiro sonho comecei a fazer umas pesquisas... em livros não muito fáceis de ser encontrados.
Assim que terminei as escadas percebi que não conseguia ver um palmo diante do nariz. E eu era definitivamente a única alma viva naquele lugar. Se é que diabo tem alma e está vivo, mas isso não vem ao caso agora... Sentei no chão de ladrilhos, o frio consegui agredir minhas pernas através dos jeans e tive um calafrio. Então o frio subiu pela minha espinha, se espalhou pelos meus braços e por todo o corpo, congelando os músculos e azulando a pele. Instantaneamente. Aquilo não era normal.
Meu olhar pareceu ser puxado por uma força sobrenatural, agora eu fitava o centro do porão sem nem mesmo conseguir piscar. Um floco de luz começou a surgir ali, uma luz pálida e flutuante. Fria. Foi flutuando lentamente até atingir o teto, quando se chocou sumiu. Contei mentalmente:
1, 2, 3...
Um círculo de fogo irrompeu do nada bem onde a luzinha tinha aparecido, me levantei no susto, tirei a varinha do bolso e apontei para o fogo, na outra mão eu tinha a faca e a taça. O fogo crepitava, descendo e abaixando sem nunca ultrapassar a altura dos meus joelhos. Os tons de fogo fizeram com que meus olhos doessem, contrastando com a escuridão. Será que eles querem que eu adivinhe o que devo fazer? Bem, se for o caso... posso sapatear no fogo e cortar meus pulsos. Quem sabe eu até quebre a taça? Não é uma má ideia.
Então uma fumaça cor de cinzas começou a subir no meio do fogo. Ela se enrolou em si mesma até ficar mais ou menos da minha altura, e depois alargou. Sabe aquela sensação de quando se está em uma montanha russa e parece que nunca vai acabar? Estou sentindo exatamente isso... só que pior. Então a fumaça foi se moldando nas formas de... uma mulher. A fumaça cinza se tornou apenas um vestido fino e esfumaçado, na altura dos joelhos de uma mulher (de carne e osso, isso mesmo). Os pés descalços pareciam um trabalho artístico, com chamas tatuadas ao redor do tornozelo e dos dedos. O vestido, mesmo que parecesse se extinguir em fumaça em certas partes, contornava um corpo perfeito, com curvas simétricas a nos lugares certos. O decote, exageradamente profundo (na opinião de qualquer pessoa, acredite), exibia carne cor de neve (não estou descrevendo uma pessoa branca simplesmente, aquela mulher era cor de papel pintado com liquid paper). E a pele era cheia de marcas negras, como palavras em uma língua antiga (talvez o idioma de Mordor, eu amo senhor dos Anéis). Fui subindo mais um pouco o meu olhar, o pescoço e os ombros eram dotados de uma beleza grega, com os contornos perfeitos. Já o rosto, bem... o rosto. Pele branca, sem marca alguma (ou sinal de vida, que seja), lábios finos e pálidos, nariz delicado, olhos... eram um orifício ouco. Beleza exótica? Não. Beleza morta. A mulher sorriu, mas só com os lábios, o resto do rosto continuou inexpressivo, como o de um cadáver.
– Meu nome é Satrina – a voz saiu rouca e morta, como se não abrisse a boca a um século – Não precisa se apresentar, sei quem você é.
– Hum, ahã – pouco criativo? Bom, tente encontrar palavras para conversar com um demônio (demônia, o que for).
– Espero que meu criado, Niatts, tenha lhe passado as informações necessárias.
Então o homem que falou comigo se chamava Niatts (imaginava que demônios tinham nomes melhores), e trabalhava para ela. Satrina. Deduzi que era melhor responde-la, antes que fosse incinerado.
– Na verdade... não sei muitas coisas. Sei que tenho de te entregar uma tal Salvadora... matar um Guerreiro. Enganar um Escolhido. E ser seu Servo, e... no mais é só – admito ter gaguejado algumas palavras, mas não conseguia tirar meu olhar dos olhos inexistentes de Satrina. E se os olhos são a janela para a alma, posso te afirmar que ela não tem uma. Nossa, como sou inteligente (notem o sarcasmo, por favor).
– Ah, aquele incompetente... mas, vejamos, você sabe tudo o que tem de saber, o básico ao menos. E... faz ideia do por que deu estar aqui?
– Veio para me tornar oficialmente seu Servo – respondi, a voz mais forte dessa vez.
– Exatamente. E é melhor começarmos logo com esse ritual, tenho de atender umas almas lá no purgatório – falou como se fosse atender doentes em um consultório, mas tudo bem – E abaixe essa varinha, não tem poder sobre mim.
Joguei minha varinha no chão involuntariamente. Satrina tinha feito aquilo só com o poder do pensamento, e pareceu nem ligar. Talvez me tornar Servo do diabo não seja uma ideia tão boa assim, afinal. Me aproximei ainda mais do círculo, totalmente assustado. Não era exatamente o que eu esperava. Com a taça em uma mão e a faca em outra acenei com a cabeça, indicando que poderíamos continuar. Ela começou a resmungar palavras que fizeram que todo o meu corpo doesse, palavras em um idioma jamais ouvido, algo inumano. O idioma de Mordor. Agora eu tinha certeza, todo o meu conhecimento de Senhor do Anéis valeu a pena, afinal...
Tarde de mais eu percebi que ela conversava com o fogo. E agora ele também estava ao meu redor, englobando Satrina e em uma cortina de chamas de dois metros de altura. Meu corpo suava por inteiro, senti sangue escorrer dfo meu nariz devido ao calor. Mas não reagi e continuei encarando os orifícios ocos que ela tinha no lugar de olhos.
– Tire a camisa – ela rosnou.
Ótimo, vou ser molestado! Obedeci, minha pele ficou a mostra, brilhante devido ao suor, e a camisa começou a crepitar no chão. Droga, era da Hollister! Vou querer reembolso.
– Você é forte, mas não o suficiente para um Servo – ela não vai mudar de ideia agora, vai? – A Marca vai te ajudar.
– Que marca? – sussurrei, ela fingiu não ouvir.
– Me entregue a faca – com um passo hesitante, entreguei e meu corpo inteiro se arrepiou, mesmo que não tivéssemos nos tocado – Vou fazer a Marca no seu peito, bem em cima do coração. Não é a Marca que te torna o Servo, mas é ela que lhe da os poderes. Os poderes que vão te ajudar a não ser derrotado, e que devem ser usados com moderação, entendeu? Não pode sair por aí se exibindo pro mundo.
Antes deu perguntar se iria doer, ela perfurou meu coração. Não, eu não morri, nem senti dor. Com toda a força ela enfiou a faca ainda mais fundo no meu peito, e o sangue escorreu pela faca e pela minha pele pálida, quente contra o frio. Satrina girou a faca antes de puxá-la de volta, meus lábios ficaram entre abertos, demostrando toda a minha confusão. Os orifícios negros ficaram encarando o buraco no meu peito, eu encarei também. O sangue já tinha manchado até os meus jeans, mas a ferida tinha se fechado. Ali agora tinha um s, feito com letra gótica. S de Satrina, imaginei. Ela tinha me marcado como e marca gado, admito que não me senti muito importante nesse momento. Tive a sensação de ser só um brinquedo novo, com o qual ela poderia fazer o que bem entendesse.
– Agora você é meu, tem os poderes que todos os outros Servos tiveram, e espero que funcione dessa vez. Bem, mas agora temos de te oficializar como Servo. Pegue a faca e me entregue a taça.
Ainda atônito, fiz o que ela mandou, como um brinquedinho de cordas. A faca soltava fumaça, como se a prata tivesse esquentado naquele último minuto, dava até medo de encostar na lamina ensanguentada. Satrina analisou a taça, ou pelo menos eu acho, já que é meio difícil saber para onde ela está olhando, e principalmente, qual o seu olhar.
– Já ouviu falar em doenças causadas pelo sangue dos demônios, McLaggen? Provavelmente não, já que Niatts é um incompetente. O sangue dos demônios causa vampirismo e lincantropia quando ingerido por humanos, entre outras doenças. Mas você sabe o que acontece quando o sangue de demônio e o sangue humano é ingerido juntamente? Os donos dos sangues se tornam oficialmente ligados, e o humano, sendo o mais fraco na relação, se torna o Servo. É isso que vamos fazer, mas o sangue tem de ser dado de bom grado, se não, não funciona, ok?
Percebi que Satrina era bem simpática. Mas como isso não vem ao caso... eu teria de dar meu sangue para ela. Satrina aproximou a taça, e então aquela coragem Grifinória voltou. Apertei o punhal da faca com a mão direta e ergui o pulso esquerdo bem em cima da taça, ela sorriu, vitoriosa. Eu não tinha sentido dor antes, e agora que tinha a Marca iria sentir muito menos. Aproximei ainda mais a faca, olhei as veias do meu pulso esquerdo. Eram esverdeadas e cheias de sangue. A lamina quente tocou minha pele mais quente ainda, apertei a faca de lado em uma das veias, ela se espremeu e a pele ao redor se tornou branca. Coragem, McLaggen, coragem. Seja um grifinório.
Levantei a lâmina e a bati contra meu pulso, deslizando lentamente enquanto o sangue descia com seu inconfundível brilho vermelho. O líquido desceu em linha reta até bater no fundo da taça, que logo começou a encher. Não senti a mínima dor, apenas um formigamento leve na região do corte. Satrina manteve a taça posicionada em baixo do meu pulso até que estivesse cheia até a metade. Ergueu a taça para mim e pediu a faca, em silencio fizemos a troca. Foi aí que percebi que o rosto dela não tinha idade, podia ter qualquer coisa entre 13 e 50 anos, seria até assustador, mas vi tanta coisa hoje...
Com a taça firme em baixo de seu pulso, ela o cortou. Sem cerimônia além de uma ou duas palavras no idioma de Mordor. O sangue de Satrina era negro como carvão e parecia até água suja. Eu teria mesmo de beber aquilo? Quando ela terminou de entorna-lo deduzi que a resposta era sim. Até então os sangues estavam separados, vermelho em baixo e preto em cima, mas ela deu uma leve sacudida na taça (como fazem os provadores de vinho) e cheirou, abriu um ligeiro sorriso ao perceber que os sangues tinham se misturada, agora era tudo preto. Ela ergueu a taça. É, eu teria de beber. Sem hesitar peguei a taça e levei aos lábios.
No instante em que o líquido tocou minha boca ela começou a arder, depois a queimar. E aquilo foi descendo pela minha garganta, queimando todo o meu corpo, de dentro para fora. Eu sentia as chamas, corroendo meus ossos e meus órgãos. O líquido não tinha gosto, era como beber fogo. E por fim a taça estava vazia. Aí as coisas começaram a passar em câmera lenta, eu vi as chamas que me corroíam por dentro saltarem para fora e destruírem toda a superfície da minha pele. Eu estava me tornando um monstro de fogo, feito de chamas. Elas já tinham me atravessado por inteiro, eu não tinha mais carne nem ossos. Se estava doendo? Não, imagina... foi só como mergulhar em um vulcão. Sabe-se lá de onde eu arrumei forças para gaguejar:
– O-que você f-fez comigo...?
– O que você pediu. Traga-me Hermione Granger, viva.
E o mundo escureceu.
POV George
Graças a Merlin a Roxélia fechou a matraca!
É Roxelle, seu incapaz!
Ou não. Mas que se foda também, já cansei dessa mulher que nem se digna a pagar aluguel do meu cérebro. Vou começar a cobrar! Mas... agora tenho de me concentrar. Eu e meu gêmeo-não-tão-perfeito-quanto-eu enchemos balões mágicos com tinta azul, para tacar em todos que passarem em baixo das escadas do Caldeirão Furado. Coisa inocente, sabe? Só que não. Colocamos poção para dar urticária na tinta. Não vai machucar ninguém... muito. Fred está segurando um balão e eu outro, ele parece concentrado, mas tenho certeza absoluta de que está pensando em Hermione Granger, amor eterno da vida dele. Ouvimos passos, ele olhou pra mim, eu olhei pra ele. Nossa primeira vítima. Nos preparamos para tacar com toda a nossa força em... 3, 2, 1 e...
SPLAAAAAAAAAAAAAAA$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(Ignorem o cifrão). Nos jogamos sentados nos degraus da escada, cagando de rir (não literalmente). Só tinha um pequeno problema... nossas risadas são um pouco escandalosas e únicas. Eu relinchava estridentemente e Fred roncava um bocado. Mas não dava pra parar, era ótimo ficar imaginando o estado do individuo que tinha levado a tinta toda, e a essa hora a pele já devia estar se enchendo de bolhas. Ri mais alto ainda com o pensamento, mas parei assim que percebi que Fred estava em silêncio. Olhei para frente. Merda.
Uma pessoa tinha a pele azul e borbulhante, como água fervendo. Essa pessoa também bufava como um touro e tinha uma varinha em punho. O pior de tudo era quem era essa pessoa. Meu irmão, Percy Weasley, o mané maior. Eu e Fred já tínhamos aprontado de tudo e mais um pouco com ele, e agora a vingança estava mais que visível em seus olhos. O que se passa na minha cabeça num momento desses: Caralho, fudeu.
– Corre! – o grito de Fred me troce de volta a realidade, e fui tropeçando de desespero escada a cima. Claro que enquanto isso eu continuei sensual.
Fred estava só um pouco na minha frente, quase chutando minha cara enquanto engatinhava batendo as mãos nos degraus de cima. Percy corria atrás da gente como um louco, só faltava gritar. Ou talvez estivesse gritando e eu não conseguisse ouvir pelo fato de ter um grito muito mais alto e bonito que o dele, e claro, tudo o que vem de mim é tão melhor que ofusca qualquer coisa que as outras pessoas façam.
Corre, retardado! Pra salvar o mundo você tem de estar vivo!
Tô correndo, Roxélia, tô correndo! Fred já tinha acabado de subir a escada e agora corria pelos corredores, batendo nas paredes de desespero. Ele, obviamente, não conseguia fazer isso com um mínimo de sensualidade. Logo eu estava na mesma situação dele, batendo nas paredes e gritando até entrar no nosso quarto (claro que eu seduzi muito o tempo todo). Lá no fundo Frederico já tentava abrir a janela, espera... ele não queria que a gente pulasse, queria? Então Percy chegou na porta, sem folego e sorrindo perante da nossa situação ridícula. Olhei para Fred que fazia força na janela, e olhei para Percy, este me devolveu um olhar assassino. A janela abriu com um estalo e Fred, sem hesitar, pulou. É suicida, só pode. Percy encarou a cena com cara de Masoq* . Fiz a mesma coisa, mas corri e me taquei pela janela em seguida, me perguntando quantos parafusos a menos eu tinha. Muitos, com certeza.
Vi dois muros de tijolos laranjas passarem com alta velocidade ao meu redor, em pânico pensei se nosso quarto no Caldeirão Furado era tão alto assim. Mas os muros pararam de se mover e um cheiro terrível me atingiu, junto a um gemido de dor vindo de Fred.
– Tire essa sua bunda gorda de cima de mim, vagabundo! – ele resmungou em algum lugar abaixo de mim, encoberto pelo lixo.
Isso mesmo, uma caçamba. Tínhamos aterrissado em uma caçamba, o cheiro podre me dava dor de cabeça, mas fora isso, tudo bem.
– Caramba, Fred! Nunca imaginei que você teria uma ideia tão inteligente, é quase possível imaginar que ela saiu da minha cabeça! Como sabia que a caçamba estava aqui? – perguntei, me afastando enquanto ele emergia do lixo, com a mão nas costas, no lugar onde eu tinha caído.
– Eu não sabia. Só pulei.
E o troféu abacaxi do ano vai para Fred Weasley! Bravo, bravo! Salte de uma janela também, só não posso garantir que vai ter uma caçamba em baixo. O que nós demos foi uma puta sorte! Olhei para os lados, a caçamba estava a um metro de distancia da parede do outro prédio, o chão era de pedras sabão e totalmente sujo. Parecia um beco esquecido dentro do Beco Diagonal, e tinha saída para os dois lados.
– Estou descendo aí para pegar os dois, papai e mamãe vão ficar sabendo disso! – Percy, com a pele borbulhante, gritava da janela do nosso quarto. E então ele saiu.
Comecei a me prepara para pular da caçamba, certificando de que minha varinha estava na bainha. Fred fez o mesmo, e... bem, tenho de afirmar que ele tem um pouco mais de agilidade e preparo físico que eu. Mas é pouco, bem pouquinho mesmo. Ele pulou da caçamba e aterrissou no chão, sem se desequilibrar nem mesmo por um instante, já olhava para a direita e para a esquerda, pensando em para que lado devia ir. Enquanto isso eu tentava puxar minha perna de debaixo do que me parecia um pedaço de sofá quebrado, quando consegui quase dei uma joelhada no meu nariz. Aí fui tentar sair da caçamba... ela era mais alta do que eu imaginava. Sensualmente desconjuntado consegui sair, caindo sentado no chão.
– Vamos para a esquerda, dá abertura para a rua principal – ele disse, apontando para a direção cheia de movimento e claridade.
Eu ia segui-lo, mas...
Vá para a direita.
Obrigado, querida (-sqn) Roxélia. Você, sempre colaborando para o começo da minha bipolaridade.
Vá para a direita, e quem sabe você não me entende?
Silêncio. Ótimo, agora vou quer ir. Fred estava a poucos passos de distancia, o puxei pela gola do suéter.
– Vamos pra direita, confie em mim – ele franziu o cenho, mas logo já estava até na minha frente.
O lado direito era totalmente escuro, e só dava para seguir em frente. As paredes sem portas tinham cheiro de mofo, e continuamos correndo. Logo surgiu uma bifurcação, Fred olhou para cima (talvez ele tenha mais problemas do que eu imagino). Olhei para os lados, um mais escuro e sinistro que o outro, que beleza. E agora, Roxélia?
Direita.
– Vamos continuar indo para a direita – eu disse, mas Fred pareceu nem ouvir, olhei para cima... u.a.u.
Daquele ponto em diante só tinham nuvens de tempestade, soltando raios e trovões, para trás o céu estava totalmente azul e sem nuvens.
– Que puto feitiço é esse? Não ensinaram essa porra pra gente em Hogwarts! – Fred protestou, agora me encarando com expressão de desgosto.
Não é um feitiço.
– Talvez não seja um feitiço – e talvez a Roxélia sirva para alguma coisa, afinal – Acha que estamos na Travessa do Tranco? Mas não tem portas em lugar nenhum... só paredes mofadas.
Eu tinha razão. Até agora não tínhamos passado por uma porta ou janela, apenas becos estreitos e úmidos, as paredes feitas de tijolos pretos e sem vida.
– Não... não é a Travessa. Eu acho. Direta? – ele disse agora olhando para a direção indicada.
Assenti com a cabeça e corri, poucos passos atrás. Nossos suéteres azuis escuros quase se fundiam com a claridade semi-inexistente do lugar, já nossos cabelos ruivos criavam um imenso contraste. E corremos e corremos... pra que? Sei lá, medo de ficar parado. Então perdi o folego, Fred parou alguns passos na minha frente, apoiei minhas mãos nos joelhos, tentando me recuperar.
– Temos de ir, anda imprestável – ele sussurrou, como se tivesse alguma alma viva nesse lugar que fosse no ouvir.
– Acha que Percy nos seguiria até aqui? Ele deve ter mijado nas calças antes de chegar no beco da caçamba! – rebati – Vamos voltar, mamãe vai enfartar.
Agora coloquei as mãos nas costas, endireitando a coluna, ao som de um trovão e a luz de um relâmpago. Mas nada de chuva. Esfolei um pouco o tênis na pedra sabão... tinha um poça de água ali, franzi o cenho mas não disse nada.
– Dá última vez que vi mamãe ela estava conversando sobre poções do amor com uma amiga do colégio, duvido que ela esteja se lembrando de que a gente existe – Fred resmungou, reparando junto comigo que aquele lugar estava lotado com poças de água preta. Estranho.
Não tive como contestar, mamãe devia mesmo estar entretida demais com a amiga para se preocupar conosco. E Percy deve ter achado que fomos para a Dedos de Mel ou a Florean Fortescue, o que mamãe deve achar muito mais provável do que estarmos no aventurando em um beco deserto, sinistro e perigoso.
– Tem razão, mas acho que é melhor voltarmos... meus instintos apurados me dizem isso – Fred riu do meu comentário, mas assentiu com a cabeça. Me virei de costas para voltar e... PUTA QUE PARIU.
A poça de água preta começou a subir até atingir o tamanho de um homem um pouco mais alto que eu. Recuei um passo, batendo nas costas de Fred, que já estava com a varinha apontada para outro homem (caralho, da pra pensar muita merda com essa frase, mas esquece). Estávamos com as costas coladas, um homem de frente para mim e outro de frente para ele, e para piorar, um do lado esquerdo e outro do lado direito. Agora, leve em conta o fato de que o beco tem só uns três metros de largura, eu e Fred já somos verdadeiros cavalos em tamanho, e os outros quatro homens parecem guarda-roupas de seis portas. Os caras dos lados estão quase beijando a gente, meu, sacanagem!
Logo percebi que estavam uniformizados, no estilo seguranças de shopping, terno preto sem gravata. O que estava a minha direita usava um chapéu, e parecia o líder, já que os outros olhavam para ele em busca de instruções. Minha mão já suava contra a madeira da minha varinha, e se não fosse corajoso tenho certeza de já teria menstruado de tanto medo, se isso fosse possível, claro.
– Ora, ora... o que temos aqui? – falou o de chapéu, mas como eu não sou fácil...
– Que coisa mais clichê véi, todo vilão de quinta fala isso. A não ser que você seja cego, claro... então o que se tem aqui são dois ruivos gostosos e muito sensuais – acho que devo segurar um pouco a língua, mas sabe, só acho. Instruções agora, Roxélia?
Silêncio. Roxelle??? Amorzinho da minha vida? Doce coração? Roxy? Alguém? Por favor? Tem caras em um beco querendo me molestar, droga! Quando é pra encher o saco você sempre aparece! Silêncio. Merda.
– E o senhor seria...? – o homem de chapéu me encarou, os olhos negros e a voz arranhando de tão amarga. Fudeu.
– Não te interessa – respondi.
– Obrigado pela informação, sr. Não te interessa. E você, qual o nome? –ele se direcionou a Fred.
– Também é Não te interessa, somos irmãos, se você ainda não percebeu – isso, Fred! Apoie o seu gêmeo mais bem feito.
– Matem o Guerreiro – fudeu total.
Não pode deixar que eles o matem, você é o Escolhido, é esse o seu trabalho!
Para ter essas crises psicológicas você sempre está presente, não é? Mas você já tinha falado isso não tinha? Esse negócio de Guerreiro?
Ah, então alguma coisa você ouviu!
Queria que eu não ouvisse? Você fala dentro da minha cabeça! Isso quer dizer que... Fred é o Guerreiro? Ele não podem matar o Fred!
Então cumpra o seu dever e não deixe!
Eu ia abrir a boca, mas o segurança de shopping da minha frente falou primeiro:
– Mas qual, capitão Niatts? Quer dizer... eles são idênticos! – obrigada pela colaboração cara genética.
O de chapéu, Niatts, olhou de mim para Fred, de Fred para mim. Ficou meio Poker Face, e deu de ombros.
– Minha Senhora quer matar o Escolhido com as próprias mãos... apenas ordenou que eu matasse o Guerreiro. Mas se não sei qual é qual... vou ter de matar os dois – e ele sorriu. Se Fred é o Guerreiro eu sou o Escolhido... fudeu pros dois.
Eu e Fred juntamos ainda mais nossas costas, os outros três homems ergueram facas. Isso mesmo. Facas. Será que não eram bruxos? Como se isso importasse... desde que eles não me matem, tudo bem.
– Expelliarmus! – foi Fred, e de início não entendi, mas a faca do homem que estava na frente dele saiu voando pelos ares. Expelliarmus funciona com facas. Descoberta. Do. Século.
Fiz o mesmo, a faca do homem da minha frente voou reluzindo no reflexo de um relâmpago. Foi foda. Os homens, ainda meio abobalhados deram um passo para trás, os que continuavam armados nem se moveram, mesmo que tivessem tirado a conclusão de que éramos de fato perigosos.
– Incompetentes! – bradou Niatts, a voz retumbando por todo o beco – Voltem de onde vieram, covardes!
Os desarmados fizeram caras feias e logo sumiram, como água evaporando instantaneamente. Água nojenta e preta, para esclarecer melhor. Mas é claro que para piorar eles atravessaram a mim e a Fred antes de entrarem no chão. A sensação foi como queimar por um momento, terrível. Ainda restavam dois homens, um carinha com faca e Niatts. Niatts, véi, a mãe dele não tinha um nome pior não? É preferível chamar Claudionor Barnabé Alistair da Silva Silveira.
O homem oposto a Niatts avançou em cima de Fred. Literalmente. Ele arreganhou os dentes, rugiu e avançou no rosto dele, as mãos mais pareciam garras quando passaram velozmente pelo meu lado. Tenso. Afastado de Fred me voltei para Niatts e pela primeira vez notei sua aparência. Pele morena, olhos e cabelos negros... e devia ter só uns vinte anos, diferente dos outros que pareciam bem mais velhos. Ele soltou uma risadinha de escárnio e veio pra cima. E agora Roxélia?
Estupore ele, estupore!
– Estupefaça! – o raio vermelho saiu da ponta da minha varinha, atingindo em cheio o peito dele. Bom seria se tivesse funcionado.
Niatts** pôs a mão onde o raio vermelho o tinha atravessado. Não tinha nada. Ele me olhou, divertido com minha situação, ouvi Fred gritar. Sem coragem (isso mesmo, um grifinório sem coragem) de olhar meu gêmeo continuei fitando Niatts. Roxélinha minha amada, cadê você?
Era pra ter funcionado, não sabia que ele era tão poderoso... bate nele.
Bater nele? Como? O cara parece o guarda-roupa de Nárnia (não julgue minha nerdice, por favor)!
Foda-se, é só bater!
Depois de hoje vou escrever um livro chamado: Delírios de Roxélia. Ela quer mesmo que eu bata no cara... mas, talvez não seja tão má ideia. Fui pra cima, fazendo força para batê-lo contra a parede, e depois de um soco na mandíbula. Os olhos dele agora ferviam de raiva.
– Difindo! – o feitiço para cortar, Fred tinha acabado de usá-lo, o cara que lutava contra ele tinha a cara toda cortada agora. Gotículas de sangue preto espirraram no meu suéter. Mamãe iria me matar se aquilo manchasse. Fui empurrado contra o chão. Roxy, querida?
O que o Visgo do Diabo teme?
E eu lá vou caçar saber disso? O cara tá me socando, porra!
Luz, ele teme luz!
Aí eu entendi. Desviei de um soco na boca, e apontei minha varinha para os olhos de Niatts:
– Lumus Máxima! – fechei os olhos antes que ficasse cego, o peso sobre mim aliviou, mas a luz continuava.
Tenho certeza de que todo o beco ficou iluminado, e mais trovões. Abri os olhos, não tinha mias ninguém no meu campo de vista.
- Fred, Fred! Tudo bem com você? – ele estava sentado se apoiando na parede, sangue (vermelho dessa vez) lhe escorria de um corte na boca. Ele assentiu com a cabeça e me olhou.
- Como sabia que eles iam sumir com a luz? – aí complicou, desviei a pergunta:
- Temos de ir embora daqui antes que eles voltem – Fred levantou com a varinha em punho e os sentidos apurados. Já foi correndo pela direção em que tínhamos vindo.
Minha cabeça borbulhava de perguntas. E todas eram direcionadas a Roxélia. Pra que ela nos troce aqui se sabia que poderíamos morrer? E... que porra é essa que tá acontecendo?
Bem, querido... você precisava de uma ajudinha pra perceber que eu tenho coisas importantes a dizer. Vai me ouvir agora?
POV Hermione
Como fazia quase sempre, Gina tinha ido dormir depois do almoço. Não que eu ache isso errado, é só que... só queria ter alguém para conversar, enquanto estou viva, sabe? Terminei de trancar a porta enquanto Gina começava a roncar, revirei os olhos. Comecei a me concentrar em duas coisas: procurar alguém para conversar e descobrir alguma coisa sobre o cara da cerveja. Mas esse ultimo item teria de ficar para depois...
– Ah! – soltei um gritinho agudo assim que quase fui atropelada por Percy, ele saía correndo do quarto dos gêmeos. As roupas estavam cobertas de tinta azul e a pele... cheia de bolhas recheadas de pus. Um nojo, pode ter certeza.
– Desculpe, Hermione... ah, aqueles dois me pagam – ele resmungou ainda sem parar de correr, com a varinha em punho. Fiquei plantada ali com uma bela cara de interrogação.
Sacudi a cabeça e fui andando. Com alguns passos parei em frente a porta dos gêmeos, estava escancarada. Parecia silencioso e vazio demais... uma brisa fria passou pela janela aberta. Senti um aperto inexplicável no coração, de imediato levei a mão ao local, não tinha nada de errado. Nenhuma batida acelerada ou falhada. O aperto era sentimental. Arqueie uma sobrancelha, e agora eu vinha com essa. Subi os dedos e encontrei a correntinha de ouro, reluziu contra minha pele pálida. Voltando o olhar para frente percebi o quanto ali estava vazio, e também o quanto isso me incomodava.
Institivamente fechei a porta, me livrando da imagem triste e silenciosa. Sacudi na cabeça e fui procurar Rony... Não seria possível que ele estivesse dormindo ou indo matar os gêmeos. Dei mais alguns passos e bati em sua porta:
– Entra! – com a voz de Ron esbocei um sorriso, abrindo a porta. Ele estava deitado em sua cama com as pernas abertas e um pacote de batatinhas entre elas, nas mãos tinha uma revista de Quadribol totalmente engordura. Bom, ao menos lia alguma coisa.
Encostei a porta e fui andando para perto dele, até ouvir um gritinho agudo:
– Quem é essa? – dei um pulo e Ron revirou os olhos, com tédio:
– Hermione, Penélope. Penélope, Hermione. Sim, é a namorada desmiolada do Percy. O retrato dela para ser mais específico.
Ele apontou para um porta-retratos em cima da mala de Percy. Ali tinha uma menina morena, com os cabelos trançados e uma cara de verdadeiro ódio. Direcionado a mim. Sei que porta-retratos não podem lançar feitiços, mas juro que se ela tivesse uma varinha em mãos me mandaria um bela de uma maldição. Aí percebi que ela ficava o tempo todo se movendo de um lado para o outro, como um joão-bobo. Segurei o riso.
– Senta aí, Mione. Assim que eu terminar de comer podemos ir comprar nossos matérias e ir na Florean Fortescue, a sorveteria.
Foi minha vez de revirar os olhos, comida, só pensa em comida.
E continua querendo que ele pense em você... ah, como é boba as vezes.
Morra, consciência. Morra. Eu não gosto de Ron desse jeito, ponto final e acabou. Foi uma decisão minha e de mais ninguém. Ron é meu amigo, assim como Harry, nada mais e nem nada menos. E mesmo que não fosse assim eu não o complicaria com a minha vida, ele já vai sofrer quando eu morrer. Pelo menos eu espero. Ron enfiou o resto do pacote de batatinhas na boca de uma vez só, cruzei os braços, de cara feia para o ato. Ele levantou esfregando a gordura dos dedos na camisa e de boca cheia resmungou um ‘vamos’, já abrindo a porta. Fui atrás e começamos a bater papo, sobre Hogwarts, estudos, onde Harry estaria, Lilá Brown (nem me pergunte), Câmara Secreta, Sirius Black o fugitivo de Azkaban, a doença de Perebas, a tia de Harry que virou um balão, se ele (Ron) teria chances no Quadribol, Draco Malfoy (e já voltou – não tente entender, coisas de Weasley), e por fim...
– Sabia que o Harry fala dormindo? – ele perguntou, em quanto saíamos da Floreios e Borrões, tentando manter nossos livros de Trato das Criaturas Mágicas de boca fechada.
– Não, por que?
Ele deu um soco no livro que instantaneamente parou de tentar morde-lo (acho que desmaiou). Ron me olhou nos olhos, a expressão abobalhada de sempre:
– Bem, o Fred também fala – ele encarou mais intensamente – Ah, me deixa segurar isso antes que você caia.
Ele pegou com facilidade duas das minhas cinco sacolas de livros. Eu tinha comprado todos, já que não poderia fazer todas as aulas devido a minha nova condição de Salvadora, ao menos iria estudar. Fomos caminhando até a Florean Fortescue.
– Obrigada... O seu irmão? Fred? O que tem isso? – perguntei com a sobrancelha arqueada.
Ele deu de ombros, jogando uma das sacolas para trás, Perebas soltou um guincho com o movimento.
– Ah, é que... outro dia ele dormiu no sofá lá da Toca. E... ele ficava repetindo o seu nome, em um sussurro. Como um louco... até o George enfiar o pé na boca dele – ele ficou me encarando em busca de respostas que eu não tinha. Um sentimento de felicidade aflorou dentro de mim, fiquei sem entender.
– Bom – ri – no máximo deve ter tido um pesadelo em que eu o levava para a sala do Dumbledore por ter atirado bombas na biblioteca.
Rony ponderou a ideia sem parecer muito convencido, mas logo concordou. Alinhei as sacolas restantes um pouco melhor nos braços, já tínhamos chegado na sorveteira, uma mulher gorducha nos atendeu no balcão:
– Olá, queridos – deu um sorriso tão falso que quase tive de rir – O que vão querer hoje?
– Um... Banana Split, sabores... pistache, morango e tangerina, pode por cobertura de chocolate com amora e três cerejas. E você, Mione – diferente do pedido totalmente absurdo de Rony eu quis só um sorvete de creme com casquinha.
Depois dos pedidos entregues fomos nos sentar na calçada (Rony se lambuzando por inteiro enquanto falava alguma besteira sobre quadribol). Fingindo prestar atenção olhei os olhos dele. Eram de um azul safira muitíssimo bonito... só que em outra pessoa. Já tinha até me cansado daqueles olhos em Rony, mas quando eles me encararam mais cedo tinham um olhar intenso... vindo de Fred Weasley. Os mesmos olhos azuis, mas com forças diferentes. Tão lindos e poderosos... como se pudessem incendiar o mundo. Ou congela-lo. Um olhar que me fazia tremer na base de tamanha intensidade, mas eu poderia observa-lo por uma vida inteira e um pouco mais... Aqueles olhos não caíam tão bem em Ron quanto caíam em Fred. Em Fred tinham uma fúria assassina, uma vontade voraz de ação, de luta... o olhar de um guerreiro...
Nada é impossível....
Quieta consciência. Os olhos azuis de Fred tinham uma mistura razoável de amor, ódio e ironia, tudo junto e misturado na cor do céu. E talvez até um pouco de ternura... ele era lindo. Em todo os sentidos da palavra. Fred Weasley era absurda e perfeitamente lindo, e tinha o mais belo dos olhares... que por motivo desconhecido fazia questão de direcionar a mim. E por mais ridículo que seja eu gosto disso... mesmo que me dê um pouco de medo, como hoje no almoço. Tentei capturar toda essa beleza no olhar de Rony. Não deu.
– Harry! HARRY! – Ronald berrou, me tirando do devaneio e fazendo com que a bola do meu sorvete quase fosse para nas minhas calças jeans.
Não muito na nossa frente tinha um menino magricela, com roupas vários números maiores e rasgadas. Os cabelos totalmente bagunçados e em pé davam a impressão que tinha levanta
do da cama a poucos instantes. Para completar o visual: óculos remendados com esparadrapo e olhos verde esmeralda meio esbugalhados... ah, e uma cicatriz em forma de raio denunciando sua conhecida identidade. Parabéns, você acabou de conhecer o meu outro melhor amigo: Harry Thiago Potter.
Comecei a acenar como uma louca, ele correu gritando:
– Rony! Hermione! – pronto, o Trio de Ouro está completo novamente. Harry, Rony e Hermione, amigos para sempre até que essa história acabe.
Rony pôs seu sorvete no chão e abraçou Harry (claro que no jeito macho de fazer isso, um abraço meio torto coroado com tapinhas nas costas – coisas masculinas que não entendo, por que não abraçar direito?). Com o sorvete na mão taquei meus braços ao redor de Harry, nos apertamos por um momento e depois nos separamos.
– Quando vocês chegaram? Eu estou no Caldeirão Furado! – ele disparou se sentando na calçada e bicando a Banana Split de Ron
– Pouco antes do almoço... papai e mamãe me trouxeram – menti e no mesmo instante senti minha garganta queimar. Eu não tinha nem papai nem mamãe. Eu tinha Leonard Quincey, o vida loka. E não creio que isso conte alguma coisa.
Logo os dois começaram a dar corda na conversa:
– É verdade que transformou sua tia em um balão? – perguntei em tom sério. No mesmo instante ele pareceu se envergonhar.
– Não tive a intenção – ele respondeu enquanto Rony rolava de rir – Simplesmente... perdi o controle.
– Eu achei GENIAL! – Rony gritou no meio de uma gargalhada, dei um tapa na testa, confirmando a Harry que nosso amigo ruivo era um caso perdido.
Então Harry reparou nas minhas exageradas sacolas de livros, não resisti a corar.
– O que exatamente é isso tudo?
– Ah, livros, Harry, livros – respondeu Rony sacudindo a cabeça – Ela comprou todos os livros do terceiro ano! Acredita em uma barbaridade dessas! Com tantos produtos novos na Dedos de Mel.... ela comprou livros, livros!
Harry riu e fechei a cara, eles não podiam me julgar! E daí que quero aprender algumas coisas a mais antes de morrer? Que mal tem nisso?
– Não está mesmo pensando que vai fazer todas as aulas, não é, Mione? – questionou Harry quase preocupado.
– Claro que não, Harry! Bom, esse era meu plano no inicio, mas agora não vai dar... – respondi, minha voz soando suficientemente deprimida para que Rony se dobrasse ao meio de tantas gargalhadas. Fiz uma careta mais feia ainda. É bom ter amigos.
– Por quê? – ótimo, Harry tinha de perguntar... e lá vou eu mentir de novo.
– Ah, sabe... é complicado, falta de tempo – vida, mais precisamente – Quero aproveitar mais esse ano, fora dos estudos, se é que me entendem.
Ron arqueou a sobrancelha, com cara de malícia:
– Ui! Mil tretas, hein, Mionezinha? – ele e Harry riram, não resisti ao embalo. Mas logo percebi que ele imitou a voz de uma outra pessoa... George Weasley, um dos gêmeos.
Pensando muito nesses gêmeos hoje, não acha? Mil tretas.
Consciência, consciência... sempre consciência. Ah, bom... se é para falar neles... Fred chama mais minha atenção que George. Não que isso queira dizer alguma coisa... não quer dizer nada! Ah, tenho de parar logo com isso.
Fui reparando em como nós três nos relacionávamos, erámos mais íntimos até que irmãos (mesmo que no caso de Nate, Tina e eu não conte muito). No inicio achava os dois totalmente antipáticos, sendo Harry o menino mais antissocial e esquisito e Rony um garoto grosso e bruto. As últimas pessoas que eu ia querer perto de mim, ainda mais que Ron me tratava para lá de mal. Um dia eu tinha pegado um comentário feito por ele, sobre como eu não tinha amigos. Claro que eu não tinha, eu não podia ter (e nem posso, mas ignore). Amigos eram coisas para as pessoas, humanas, terrestres, que são amadas e dão amor. Não para mim. Tio Le e tia Lotte me orientaram a não me aproximar de ninguém, já que as criaturas como eu (acho que posso dizer assim) podem deixar as pessoas totalmente confusas em seus sentimentos e corpos. E, tendo o trabalho de proteger e tratar bem os humanos, eu não podia prejudica-los em nada. E foi assim que me excluí de tudo e todos. Nem foi muito difícil, eu os ajudei sempre, desde o instante em que pisei dentro do Expresso, depois foi só fazer eles me ignorarem. Até esse dia que Ron fez o comentário infeliz e fui em prantos para o banheiro... acho que o resto vocês já sabem. Trasgo das masmorras. Eu. Perigo. Heróis. Meleca. Luta. Varinha. Nariz. Pontos para Grifinória. Nascimento do Trio de Ouro.
Ficamos lá, rindo e tomando sorvete. Como em um sonho. Harry passou sorvete de tangerina no meu nariz, taquei uma cereja na boca de Rony... tudo aos risos. Um momento feliz na minha vida, mas... tudo que é bom acaba.
– Ei, Mione – disse Rony um tanto incomodado – conhece?
Ele gesticulou com o nariz para o outro lado da rua, onde um homem se recostava em uma vitrine de vassouras. O problema é que não era um homem qualquer... era o cara da cerveja amanteigada. O que me mostrou a pena nas cores do Pandemônio. Um arrepio correu pelo meu corpo todo. A capa bruxa lhe tampava o rosto... talvez o último rosto que eu fosse ver. O rosto do Servo.
– Conhece? – foi a vez de Harry – Está te olhando a um tempão...
– Não, não conheço – graças a Merlin não conheço... ainda.
Para disfarçar eu disse alguma coisa sobre animagos, eles logo deram corda e o assunto virou Perebas. O rato estava mesmo doente, ao que parecia, Rony tirou ele do bolso. Magro e sem pelos, soltou um guincho em direção a mim. Perebas nunca gostou de mim, sempre me olhou como se quisesse me comer viva, e me esganar. Quer dizer... é difícil decifrar as expressões faciais de um rato, mas eu tento. Acabamos indo para um lugar que vendia remédios e animais mágicos, fiquei animada. Não tinha gasto nem um dos galeões que tio Le me deu, já que Lotte tinha feito uma conta bem gorda para mim no Gringotes. Eu poderia comprar um mascote! Uma criaturinha para ficar comigo esse ano...
.....
Uma mulher de unhas exageradamente grandes nos atendeu. Pegou Perebas das mãos de Rony e espremeu, como se quisesse que saísse algum suco ou coisa parecida. O bichinho soltou um grunhido agudo, tive pena... não do rato, de Rony, que fez uma cara de dó quase engraçada .A mulher dependurou Perebas pelas patinhas, sacudiu (como se agita um suco) e depois o apertou na barriga magra de novo. Franziu o cenho ao perceber que ele tinha um dedo a menos.
– A quanto tempo tem isso, meu filho? – perguntou.
– É... era do meu irmão Percy. Já deve ter idade – meu amigo ruivo quase teve de conter lágrimas, olhando lamentoso para a mulher.
– Já está na hora de jogar fora. Acabou a magia – deu outra espremida – Olhe um desses outros... estão cheinhos de magia – apontou para uns bichinhos pretos e lustrosos, davam cambalhotas na gaiola – Se preferir temos esse remédio... – emendou ao perceber a expressão desolada de Rony, que assentiu rapidamente com a opção do remédio.
Voltei meu olhar a Perebas, fazendo uma comparação com os ratinhos ele estava mesmo acabado... olhou para mim com uma cara assassina como se lesse meus pensamentos. E eu, hein...
AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Um a bola laranja caiu em cima de Perebas, que guinchou e pulou do balcão, saindo da loja como um desenfreado. Rony foi atrás, Harry também. Olhei a mulher, resmungava alguma coisa com a bola de pelos. Um gato laranja. Laranja Weasley. Ela o pôs no balcão:
– Ah, Bichento. Seu gato gordo... será por que ninguém te quer? – ela revirou os olhos.
A bola laranja (Bichento) mechou o rabo de escovinha, era bem fofinho. As patas gordas, como tudo nele, se mexeram silenciosas até que sua cara achatada estivesse virada para mim. Tinha olhos cor de âmbar meio caçados, e se você olhasse bem... ele tinha um sorrisinho na boca. Como o gato de Alice... claro que bem diferente, aquilo era só o formato do rosto de Bichento, mas me agradou bastante.
– Esse é Bichento, está aqui a anos – narrou a mulher – ninguém o quis... gato, feio, grande, gordo, burro, inútil, porcaria – foi sussurrando enquanto procurava o remédio de Perebas em uma prateleira.
O contato entre mim e o gato não foi quebrado nem mesmo por um instante. Era ele! Era ele que eu ia levar!
– Moça, quanto ele está?
Voltando com um frasquinho na mão ela disse:
– De graça! Estará me fazendo um favor só em tirar essa fera daqui! – melhor ainda! Ergui os braços e Bichento veio para mim, se aninhando perfeitamente – Ótimo, menina! Leve com você! Pegue um saco de ração e um cesto de vime, mas tire esse bicho de perto de mim! Anda, anda! E o remédio do seu amigo também. Ah, esse animal me fez perder tanta clientela, tanta!
Fiz o que ela mandou, com um sorriso no rosto. Disse um tchau e ela quase me jogou porta á fora. Harry e Ron estavam perto de barris, analisando um Perebas semivivo. Sorri e fui ao encontro deles, com Bichento brincando de puxar linhas do meu suéter de lã.
AMANTES DE FANFIC!!!!!!!! EU FIZ UMA PAGE NO FACEBOOK DEDICADA A DIVULGAÇÃO DE FANFICS! O LINK É http://www.facebook.com/DivulgacaoDeFanfics então digam aos seus leitores e autores conhecidos, o sistema é assim: vocês curtem a page, nos mandam o link da fic e nós divulgamos para vocês! Espero que tenham gostado desse cap, que não foi lá dos mais engraçados... mas o próximo promete! 'momento suspense' até mais.... E o mais importante: eu não vou parar de postar aqui, e tenho total certeza disso! Seus comentários me deixaram totalmente animada, e fico super feliz que estejam gostando! Um beijo para todos, agradeço por me fazerem sorrir desse jeito, pelo simples fato de gostarem dessa loucura toda *-*