Um simples fato pode mudar a concepção que você tem de alguém? Quanto vai relutar? Quanto vai mudar? Quanto você é capaz de enxergar?
Lílian olhou a sua volta a estação estava apinhada de estudantes voltando das férias de natal, reconheceu seu amigo Severus Snape e correu até ele abraçando-o por trás:
–Feliz natal.- Ele ficou tenso e em seguida virou sorrindo envergonhado:
–Obrigado, para você também.- Ele voltaria a falar se não fosse Avery chamando e balançando um pergaminho:
–Nós passamos.- Severus saiu correndo e olhou preocupado para Lílian que o olhava curiosa:
–Hey te vejo em Hogwarts?
–Sim.
–Ok até.
–Até.- Ela deu as costas para ele e o garoto olhou para o colega fuzilando-o- Escuta seu imbecil não é para que todos saibam ok?-O outro assentiu de forma torpe e ele saiu andando.
–E aí sua metida não fala mais com os delinquentes?-Lílian sorriu e estendeu a mão para Mellani:
–Oi Mel como foi seu fim de ano?-Mellani a olhou sorrindo radiante e a abraçou. Lílian ficou sem graça e sorriu:
–O melhor do mundo.
–Mesmo com Black junto?-Mellani bufou e ficou corada ao se lembrar do que houve no restaurante:
–Lílian.- Ela olhou seriamente para a ruiva- Eu preciso te contar duas coisas muito sérias.
–Ok vamos embarcar e encontrar uma cabine.- Mellani assentiu e entraram no trem- E seus tios?
–Estão conversando com James sobre assunto de “garoto” eu realmente não sei qual a frescura agora, mas eles resolveram que certas coisas eu não posso escutar porque se tivessem colocado esse filtro antes eu não seria tão odiada pelas outras garotas.- Lílian olhou-a incrédula:
–É serio mesmo?
–Sim.- Começaram a andar pelo trem. Mellani ajeitou o casaco de couro que usava, ele era de mangas longas, mas curto, chegava apenas um pouco abaixo dos seios. Ela usava uma camisa preta por baixo que parecia uma segunda pele e uma calça de cintura bem alta como ditava a moda. A calça era jeans num azul bem claro. Nos pés a menina usava um par de converse preto que comprou quando foi a Londres trouxa com Lílian. Seu cabelo estava preso num alto rabo de cavalo:
–Você passou lubrificante ou óleo para conseguir vestir essa calça?-Mellani riu e negou com a cabeça:
–Depois de entrar na calça do uniforme do time qualquer outra coisa é fichinha.
–Ninguém mandou ter um traseiro tão bem servido.- Lílian brincou. Mellani corou e riu finalmente achando uma cabine. Quando iria abrir a porta ouviu uma voz animada e enojada:
–LILYYYY.
–Eca.- Mellani abriu a boca e colocou o dedo do meio como se forçasse um vomito e Lílian revirou os olhos:
–Cortney.- A ruiva sorriu. Bones beijou o rosto de Lílian e saiu puxando-a pelo pulso:
–Marie e Alice estão na primeira cabine, você nem sabe como fez falta no ano novo...-Por um instante Cortney olhou para Mellani e ela teve a estranha esperança de que a chamariam para ir junto, mas a loira a olhou de cima abaixo:
–Meu Merlim essa garota se veste de forma pervertida.
–Ela está muito original isso sim.- Lílian defendeu indo com Cortney só porque queria ver Alice. Evans estranhou um pouco a atitude da outra que estava um tanto quanto afastada depois do episódio com Siris e Dorcas. Mudando de assunto Coryney murmurou:
–Você precisa saber como foi nossa viagem de final de ano. Meus pais nos deixaram sozinhas na casa de praia e Frank apareceu junto com amigos...-Lílian olhou para trás pedindo ajuda para Mellani. Ela apenas sorriu amarelo e entrou na cabine sozinha. A ruiva seguiu pelo corredor meio forçada e meio pela própria curiosidade. Mellani engoliu em seco enquanto fechava a porta da cabine e sentava com os pés nos bancos. Resolveu deitar com a cabeça virada para a janela e as pernas estiradas no assento. Fitou o teto e suspirou enfiando a mão no bolso da jaqueta de couro. Pegou o maço de cigarros que tinha comprado escondido dos tios e até de James, ascendeu com a varinha e levou aos lábios tragando:
–Droga.- Sua voz saiu embargada, precisava de Lílian naquele momento e ela não percebeu o quanto a sua situação estava critica. Não percebeu que ela precisava contar o que houve no seu final de ano. Ela se deixou levar por Cortney e a deixou para trás. Mellani soltou a fumaça lentamente e em seguida tragou novamente pensando em como a amiga era querida e ela era uma excluída. Soltou a fumaça e tragou com mais vontade quase engasgando e segurando as lágrimas. Ela não fazia questão de ter amigas como Cortney e seu grupo, e até que Dorcas e ela tinham uma relação amigável. Não eram muito próximas, mas Mellani já conseguia dizer que a menina era uma colega mais confiável. Ela tinha Lílian e James, mas às vezes tentava entender porque as pessoas a tratavam mal antes mesmo de conhecê-la. Lembrou-se da viagem à suíça com seus tios, James fez amizade com as crianças e foi apresentá-la, nenhuma queria brincar com ela e sempre a deixavam de fora das melhores brincadeiras, ou quando entrou em Hogwarts e ouviu algumas garotas da Corvinal zombarem de seu jeito:
–Vacas hipócritas.- Murmurou tragando novamente e ficando mais calma, lembrou-se exatamente das palavras de uma delas “Ela pode ser linda, mas é um vaca. Aposto que é dessas que dorme até com a próprio primo”. Aquilo realmente a deixou pé da vida. Se tinha uma coisa que a fazia enlouquecer era colocar em cheque o seu relacionamento com James. - E depois do time ficou pior.- Murmurou irritada- Idiotas invejosas, só porque eu sou melhor que elas em tudo que me proponho a fazer.- Ela sabia que metade desse ódio era porque os garotos a perseguiam. Mellani se irritava muito com isso, a maioria dos garotos não queria ter amizade com ela, queriam apenas ficar com ela e tentar leva-la para cama. Não porque se sentiam de fato atraídos pelo conjunto que ela fazia e sim por ela ser muito bonita e não dar bola para ninguém. Era uma questão de conquista para se gabarem depois. Aquilo conseguia a irritar mais do que as meninas. Lembrou-se quando Flacther tentou agarrá-la em Hogsmead e em como os garotos sempre a olhavam como se fosse um bife suculento. Ela não se deixava pensar nessas coisas porque se magoava. Saber que os garotos só se aproximavam para querer... Prová-la, era horrível. Ela gostaria de ter mais amigos além de James. Sentiu falta de Carter ele sempre foi seu amigo sem interesses pervertidos. Tragou novamente vendo um grupo de garotas risonhas passar e olhá-la com ar de reprovação. A garota prendeu o cigarro entre os dentes e sorriu de canto da forma mais maliciosa que podia. Com um braço atrás da cabeça e o outro livre ela levantou a mão e mostrou o dedo médio para o grupo. As meninas olharam com nojo e saíram dali ofendidas. Começou a rir e fechou os olhos.
–Por isso me odeiam.- Disse pra si ainda rindo e jogou o resto minúsculo do cigarro no chão. Ascendeu outro logo em seguida. Fechou os olhos tragando com vontade. Reclusa em suas reflexões não ouviu a porta se abrir e fechar:
–Mellani que porcaria está fazendo?-A voz de seu primo retumbou pela cabine e ela abriu os olhos:
–Estou fumando. Não enche.- Levantou pronta para sair dali. James a olhou indignado. Com toda a magoa que estava à menina acabou descontando no primo:
–Você sabe o que isso vai causar no seu pulmão?
–Não me enche o saco James.- Esbarrou nele com força e saiu no corredor. Foi para o compartimento das bagagens evitando ser pega. Abriu a janela debruçando-se nela tragando seu cigarro em paz:
–Eu estava aqui primeiro então caí fora.- Ouviu a voz de Sirius e franziu o cenho. Ignorou-o e continuou sentindo o vento frio no rosto e tragando lentamente. Ele debruçou-se na janela estava com uma jaqueta de couro e calça jeans. Usavam o mesmo estilo. Ele também estava com um cigarro nos lábios:
–Eu só quero ficar em paz.- E pela primeira vez ele não retrucou, ficou calado ao lado dela apreciando o cigarro e a paisagem- Odeio essa escola.
–Você se odeia é diferente.- Ela o olhou irritada- Se não fosse tão cabeça dura gostaria daqui.
–Olha quem fala.
–Eu posso agir como um homem porque sou um.- Ela o olhou indignada:
–Por que você não vai tomar no rabo? Machista hipócrita. - Espremeu o cigarro na costa da mão dele. Sirius gritou mais de raiva do que de dor. Mellani saiu dali trancando-o sozinho no compartimento:
–Você vai me pagar caro Grant vai me pagar sua maluca de merda.
–Estou preocupado com a Mel.- James murmurou para Remus enquanto entravam na carruagem rumo a Hogwarts. O loiro o olhou curioso e ele disse – Ela estava sozinha na cabine com uma cara de choro e ela sempre está com a Lily ou enchendo o ranhoso com a gente.
–A Lily tem outras amigas James vai ver apenas foi falar alguma coisa com elas e logo voltou.
–Você fez a ela algo que eu deveria saber? Por que ela parecia muito magoada.- Remus ficou tenso e corou. James bufou- Fora transar com ela.- Lupin corou de forma inimaginável e James riu sarcástico:
–C-como você...?
–Digamos que ela não trancou a porta.- O loiro assentiu de modo torpe e engoliu em seco:
–Se você quiser me bater tem todo o direito eu só eu só... Aconteceu ok?
–Aconteceu, aconteceu...-James disse nervoso- Olha eu sei que você é um cara bacana Aluado. Você, Sirius e Peter são meus melhores amigos e sei também que a Mellani é esperta o suficiente para saber o que deve e o que não deve fazer ok?-Remus assentiu- Mas saber isso não me faz conseguir achar natural uma garota de catorze anos perdendo a virgindade ainda mais sendo a Mel... Eu sou virgem e falando de forma franca, não me sinto preparado para fazer sexo. Saber que a minha prima, a garotinha que eu cuidei e que eu tento cuidar está fazendo isso é estranho ok?-Remus não sabia mais onde enfiar o rosto de tanta vergonha que sentia. Começou a gaguejar muito tentando se desculpar, mas James o interrompeu- Eu só preciso me acostumar. Como quando ela entrou para o time. Só questão de costume.- Remus suspirou aliviado, mas a sensação durou poucos segundos.- Mas tem uma coisa me incomodando nisso tudo.
–O que?-Ele estava assustado e James achou aquilo engraçado:
–Vocês namorando sério e escondido, qual é a porra do problema?-Eles subiram na carruagem e ficaram esperando Sirius e Peter que tinham desaparecido:
–James, eu... Tenho vergonha.
–Vergonha da Mel? Você está maluco? Ela é linda.
–Não dela, tenho vergonha da minha situação. Você sabe que eu moro num cômodo só e se eu tornasse isso publico uma hora seus tios cobrariam uma reunião em família como foi antes e...-Remus olhou-o amargurado- Meu pai vive bêbado. Desde que fui atacado.-James assentiu. Ele já sabia daquilo:
–Mas, a Mel vai entender.
–Nem é tanto a Mellani. São seus pais, e agora saber que o pai dela é dono da Sky. Céus se um deles descobrir minha família desequilibrada... E tenho horror a pena e não quero que tenham isso por mim. –James cerrou os olhos e disse ofendido:
–Você deveria saber Aluado que como seus amigos a ultima coisa que sentiríamos seria pena.- Ele o olhou confuso- Nós somos seus irmãos cara, nós te amamos como alguém da família e você devia saber muito bem disso.- Remus assentiu:
–Eu sinto muito é só que às vezes sou tão inseguro que...
–Remus é mesmo só este motivo para você não tornar o que tem com a Mel oficial?
–Eu gosto tanto dela, mas tanto que chega a sufocar.- Eles se olharam nos olhos- Você deve me entender.- James assentiu- Mas...Às vezes eu tenho receio de cair sabe? De acordar e não tê-la mais ao meu lado. Muitas vezes eu tenho medo desse sonho acabar, e se isso acontecer eu não quero que todos saibam o porquê...Não quero que saibam que fui rejeitado e...-Ele suspirou e escondeu o rosto nas mãos- É estúpido isso, mas é como me sinto e só estou falando isso para você porque é o irmão dela e merece uma explicação.- James sorriu compreendendo Remus. Embora não aceitasse aquilo completamente entendia como ele se sentia:
–De certa forma o jeito da Mellani ver as coisas não inspira muita confiança.
–Não é isso.- Remus falava calmo e baixo- O jeito que ela me trata faz com que eu confie muito nela.- James engoliu em seco lembrando-se da cena que presenciou e sentiu-se mal pelo amigo, mas se sentiria pior ainda se acabasse com o pouco de felicidade que ele tinha conquistado- Mas é complicado sei lá... E eu sei que devo contar a ela.
–Você quem decide cara.- Ele olhou para além de Remus e avistou Sirius e Peter vindo em sua direção. Eles subiram na carruagem e James viu como Sirius chamava a atenção de Remus e o abraçava em certas brincadeiras. Quando encontrou com os olhos do melhor amigo pode ver uma grande culpa e amor fraternal. James sorriu incentivando as brincadeiras e entendendo o quanto Os Marotos eram mais do que quatro meninos. Era algo importante para os quatro. Eram melhores amigos, eram uma família e nada poderia se intrometer entre eles. Suspirou pensando como seria difícil apunhalar Remus pelas costas, sabendo do segredo e não lhe alertando. James parecia perceber exatamente o que iria acontecer mais para frente, mas preferiu não pensar naquilo, não enquanto as coisas ainda estavam funcionando em perfeição.
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–Olá meus queridos.- A senhora Sawyer cumprimentou os alunos feliz. Mellani entrou e estancou na porta da sala quando viu quem estava ao lado da mulher. Sorriu feliz:
–Carter?
–Mel...-Ele pigarreou e empertigou-se- Senhorita Grant.- Ela o olhou confusa. O antigo capitão apontou para as mesas e ela sentou-se na primeira carteira. Lílian sentou-se ao seu lado e quando todos os alunos foram acomodados à professora pediu atenção:
–Bem, muitos aqui devem conhecer o senhor Patrick Carter certo?- Quase toda a sala assentiu- Ele voltou a Hogwarts para fazer um estagio em nome da academia de Aurores.- Um reboliço se fez presente- Como eu espero que a maioria de vocês saibam, a situação em torno da Europa bruxa está um tanto quanto complicada. O senhor Carter veio até nós com o propósito de lhes ensinar técnicas duas vezes por semana com o meu auxilio. Ele está na academia de Aurores ainda e isso contará pontos tanto para a formação dele no ministério quanto na de vocês em Hogwarts.- Sirius levantou a mão e Carter segurou o riso por vê-lo ter que fazer aquilo
–Defesa pessoal?
–Sim. Basicamente senhor Black. Ele ficará conosco por um período de dois anos, é o que constitui a formação dele.
–Vai voltar a morar no castelo?- Mellani perguntou
–Não.- Carter respondeu – Mas estarei aqui todas as segundas e quintas.
–E esse curso extra implica em provas depois?- James perguntou interessado
–Certamente que ajudará vocês com os NOM’s.- A professora disse empolgada.- Bem já podemos começar hoje o que acham?- Os alunos levantaram empolgados e começaram a arrumar as carteiras de acordo com as instruções da professora.
Severus sorriu ao sentir o abraço de Lílian. Estavam num corredor afastado dentro da biblioteca:
–Você não foi me ver esse natal.- Ela sussurrou tímida.
–E-eu... Tinha coisas pra fazer. Que história foi aquela do Potter com um visgo atrás de você?
–Ah, ele está meio obcecado.- Ela virou para a prateleira e começou a passar os olhos nas lombadas dos livros. Procurava um sobre rituais de magia branca- Vive me enchendo, desde que terminei com Peterson.
–E como você está sobre isso?
–Bem. Acho que eu não era apaixonada por ele. Nós continuamos amigos.- Severus suspirou um pouco mais aliviado
–E o Cor?- O suspiro da amiga não o animou
–Eu sei lá. Ele tem umas crises de ciúme principalmente quando o Potter faz alguma gracinha, mas... Ele tem que saber o que quer da vida.
–Ele gosta de você.
–O Gabriel? Não sei não em Sev.
–Não ele. O Potter. Gosta mesmo de você, da pra perceber.- Lílian corou e virou encarando o amigo
–Isso é completamente um problema dele. E ele não gosta de mim. Já disse, tem alguma aposta estupida aí.
–Mas se for verdade? Que chances ele tem?
–Nenhuma.- Ela disse revirando os olhos- E para de achar que de uma hora pra outra eu vou cair nos braços dele. Não é assim que funciona.
–Aquele dia no salão comunal, quando eu o azarei e ele ficou de cabeça para baixo...-Severus corou- Você olhou pra barriga dele.- Foi a vez da ruiva ficar vermelha
–Cala essa boca Severus. Eu fiquei curiosa, tinha tanta gente olhando. Mas não foi nada de mais. Qual é o problema com você? Até parece que se importa tanto.
–Eu me importo.
–Se importasse não ficaria sem jeito de falar comigo em publico.
–Lily, não é isso...
–Eu sei exatamente o que é. Você está na Sonserina. Isso está te mudando.
–E você na Grifinória e está te mudando também.- Ela suspirou
–Eu não quero discutir com você. Não com você.
–Eu vou fingir que suas amigas não me olham com desprezo.
–Digo o mesmo sobre Avery e Dolohov. Eles são uns escrotos.
–Ok Lily. Desculpe-me a grosseria.- Ela sorriu para ele. Estava irritada com o fato de ter realmente reparado e o pior apreciado a barriga de James.
–Parece que estamos discutindo tanto ultimamente. Principalmente quando estamos em Hogwarts.- Severus suspirou e pela primeira vez tomou a iniciativa abraçando a amiga. Lílian ficou positivamente surpresa e abraçou-o de volta com carinho.
–Desculpa Lily. Eu não quero que se sinta mal por eu ser um idiota.- Nem ele sabia de onde tinha tirado tanta coragem para falar aquelas coisas. Deitou a cabeça no ombro dela e fechou os olhos. Sorriu feliz sentindo o cheiro de flores do cabelo da ruiva. Seu coração estava transbordando felicidade naquele momento. Se ele tivesse um sinal. Um pequeno sinal ele a beijaria. A ruiva se afastou e colocou a mão no ombro dele encarando-o de maneira intensa.
–Mesmo sendo um idiota continua sendo meu melhor amigo.- Aquele era o sinal do que ele deveria NÃO fazer. Ele sempre ficava confuso, era uma satisfação por ser importante para ela e uma dor por saber que ela nunca o veria de outra forma.
–Lílian.- Gabriel chamou no começo do corredor. Ela se afastou do amigo e olhou para o loiro. A resposta de Lílian a Gabriel deixava Severus muito incomodado. Não tanto quanto qualquer palavra trocada dela com James, mas mesmo assim. Ver as bochechas dela vermelhas e o jeito afoito que ela ficava perto do loiro, era suficiente para que machucasse seu coração apaixonado.
–Lembrou que eu existo ou essa é sua boa ação de natal atrasada?
–Será que podemos conversar? Eu gostaria de me desculpar. Por favor.- Lílian olhou para Severus e este deu de ombros
–Vai logo.
–Depois nos falamos.- Deu um beijo estalado na bochecha dele e saiu ao lado de Gabriel. Quando estavam fora da biblioteca andaram por uns tantos corredores e foram para o pátio. Lílian pegou o cachecol na bolsa e enrolou no pescoço. Gabriel fechou a capa e pararam em frente à fonte. Sentariam na beira dela se a neve não tivesse molhado o concreto.- Fala.- Disse meio irritada
–Desse jeito você não ajuda.
–Como quer que eu ajude? Você me acusou de trair o Peterson e o pior com o Potter! Você não veio me perguntar, não veio falar nada e ficou quatro meses inteiros sem olhar na minha cara. Quer que eu faça o que? Me jogue em seus braços e agradeça sua bondade de vir me perdoar por algo que não fiz?
–Claro que não.- Ele corou e se aproximou- Eu só... Estava ajudando Peterson com o fim do sei lá oque que vocês dois tinham.
–Foi ele quem me chutou.
–Eu sei, mas você não gostava dele. Seja sincera.- Lílian corou e deu um passo para trás
–Se me trouxe aqui para vir com acusações eu dispenso sua companhia.
–Não, me desculpe. Sério.- Ele deu um passo para frente e segurou as mãos dela- Lily eu quero voltar a ser o mesmo de antes. Um bom amigo. Quero que eu você e Pet... Que possamos ser um grupo novamente. Lembra como era divertido?- Lílian assentiu. Ela não queria Gabriel como um bom amigo.- Eu adoro você.- Ela sorriu e ele retirou a mão direita da dela passando pelos cabelos vermelhos. A ruiva suspirou e cruzou os braços em defesa. Não queria voltar a ser apaixonada por Gabriel. A quedinha estava de bom tamanho. O olhou de cenho franzido. O rapaz se aproximou mais e ela engoliu em seco. Beijou o rosto dela longamente, perto de mais dos lábios.- Espero que possa me desculpar.
–Já estou desculpando.- Ela murmurou se afastando mediocremente e olhando-o nos olhos- Eu só não... AIIIII.- Gritou quando sentiu algo gelado em suas costas. Virou no mesmo instante e viu Sirius olhando-a de maneira desafiadora.
–Pra esfriar as coisa por aí Evans.- Ele e Remus riam.
–Francamente Lupin! Pensei que fosse um pouco descente.
–Desculpa.- Ele pediu cinicamente. Lílian mordeu o lábio inferior abaixou-se pegando um punhado de neve do chão. Fez uma bolinha um tanto quanto robusta e puxou a varinha do bolso fazendo um feitiço. Sirius ria tirando sarro de Remus e mal percebeu quando a bola de neve veio em sua direção. O Black pode sentir o nariz amassar com a violência que aquilo lhe atingiu.
–Sua vaca.- Ele passou a mão pelo nariz- Meu rosto! Ai...- Esfregou o nariz com cuidado.- Aluado, está torto?
–Se estivesse você sentiria dor ok?
–Mas estou sentindo.
–Você só estaria sentindo dor.
–Ah, menos mal.- Se aproximou do amigo e sussurrou- O Pontas nos deve essa.- Quando terminou de falar Lílian passou por eles com raiva- Nervosinha em Evans.
–Vaiii te catarrr Black.- Cantarolou debochada e Sirius revirou os olhos.
–Hey vem cá.- Sirius saiu puxando Remus e foram na direção de Gabriel. Cor mal percebeu quem o puxou pela capa. Sirius o encarou numa proximidade perigosa. Gabriel corou querendo sair de perto.- Escuta. Fica longe da garota do Pontas. A gente sabe que não quer nada com ela. Então caí fora ou vai sofrer as consequências.- Gabriel se sacudiu e saiu das mãos de Sirius. Olhou para os dois Marotos com um sorriso maldoso:
–Se depender de mim ele não encosta nela. Nunca.- Sirius franziu o cenho e fez um movimento agressivo indo pra cima do loiro. Remus o segurou
–Hey, vai ganhar detenção por causa desse idiota?
–Às vezes ele me irrita mais que o seboso!- Gabriel saiu andando rápido e Sirius gritou- TÁ FODIDO COR! NÃO VAI DORMIR TRANQUILO SEU FRUTINHAS.
–Sirius!-Remus repreendeu sem muito crédito. Ele ria e meneava a cabeça negativamente. Avistou Mellani ao longe fumando escondida atrás da pilastra. Sorriu. Não gostava do gosto da boca dela depois que a menina terminava seus cigarros, também repudiava o ato de fumar, mas ela parecia esquecer os problemas quando fazia aquilo e Remus não implicava. Respeitava a maneira dela de encontrar conforto.
–Ou onde se vai?- Sirius saiu andando atrás. Remus mal percebeu que já andava em direção à garota. Ele era atraído para ela de maneira inevitável.
–Hey você não pode fumar nas dependências da escola!- Mellani ficou paralisada um instante e quando percebeu que era Remus lhe deu um tapa dolorido no braço
–Seu idiota! Pensei que fosse algum monitor da Sonserina. Eu estaria muito fodida se fosse alguém de lá! Que susto Remus!- Bateu no braço dele de novo arrancando risadas travessas do rapaz.
–Aí aí ou. Eu sou monitor também. E você não pode.- Tirou o cigarro da mão dela jogando-o no chão. A bituca se apagou assim que entrou em contato com a neve. Remus sorriu e roubou um beijo casto dela. Mellani sorriu de volta
–Estou com saudades...
–Como assim? Nos vemos todos os dias.- Ela riu de um jeito malicioso e se aproximou
–Não esse tipo de saudades.- Remus corou e ela sussurrou no ouvido dele- Posso te ver hoje a noite?- O Maroto assentiu torpemente
–Caramba Aluado você some... Ouch desculpa.- Sirius disse num tom neutro. Aquilo fez Remus estranhar, afinal ele sempre dava um jeito de provocar Mellani, ou ela o provocava. Nenhum dos dois fez nada.
–Não atrapalhou nada.- O licantropo murmurou sem jeito. Mellani evitou encarar Sirius. Ele a olhou por um segundo mais longo. A menina levantou os olhos e viu os dele sobre si. Desviou o olhar calada e abraçou Remus
–Bem eu vou lá pra dentro me esquentar. Sabe, a Payton está sozinha no salão comunal.- Remus sorriu incentivando o amigo e quando este saiu ele apartou o abraço de Mellani e encarou-a desconfiado
–O que aconteceu?
–Ãh?- Mellani se fez de idiota
–Bem, vocês não se agrediram pela primeira vez em cinco anos.
–Devo estar amadurecendo. Acontece para qualquer um.
–E quanto a Sirius?
–Ele deve se cansar às vezes não?- Ela questionou querendo mudar o tema da conversa. Remus ficou com uma pulga atrás da orelha. Não sabia exatamente o motivo, mas achou aquilo muito estranho. Mellani puxou-o para um beijo ardente fazendo o garoto esquecer da desconfiança e ansiar para que a noite caísse e pudesse ter Mellani em seus braços novamente. De corpo e alma.
–VAIIIIIII JAMESSSS.- Lílian tapou os ouvidos quando ouviu o grito de Remus ao seu lado. Ele torcia alegremente pelos amigos. Ela percebeu que o Maroto estava um tanto quanto mais leve e feliz depois do natal. Era tão perceptível que até Dorcas o olhava intrigada de vez em quando. A ruiva decidiu tirar isso de Mellani a qualquer custo. Uma disputa acirrada pelo pomo se desenrolava no ar entre Régulos e James. Lílian não desgrudava os olhos do céu, hora vibrando por Mellani hora por toda a Grifinória.
–VAIII.- Ela gritou vendo que James tinha levado um encontrão e dava um looping no ar. Dorcas olhou para amiga percebendo que ela não desgrudava os olhos do moreno um só segundo. Deu um sorriso de lado e cutucou-a. - Que foi?- Perguntou sem tirar os olhos do jogo. Seu olhar correu até Mellani que defendia em velocidade sobrenatural as goles que os artilheiros violentos da Sonserina jogavam.
–Você está torcendo pelo James? Sério?
–Pela Grifinória. VAIIII MELLL.- Gritou quando a viu rebater uma gole com o pé e lançar certeira nas mãos de Sirius.- Só porque não gosto do Potter tenho odiar quadribol? Claro que não eu adoro. E quero que nosso time vença. VAIIIIII BLACK SEU IMBECIL. JOGA NO ARO PORCARIA!!!- Espichou o corpo o máximo que pode. Sirius e Johnson faziam uma ótima equipe com o outro artilheiro. O Black deu um rodopio no ar e segurou a vassoura com as duas mãos. Ele tirou o corpo inteiro da vassoura e deu um chute espetacular. O goleiro da Sonserina mal viu o que o atingiu. Todos foram à loucura com a manobra bem executada.
–SIRIUS, SIRIUS.- Todos gritavam. O jogo continuava acirrado.
–E POTTER PEGA O POMO!- O locutor gritou
–O que? Eu nem vi.- Dorcas disse rindo
–GRIFINÓRIA VENCE POR 350 a 102.- James saiu voando na direção da arquibancada e Lílian sentiu o rosto corar quando viu que o rapaz vinha em sua direção. Ele planou na frente dela bagunçou os cabelos e estendeu a mão.
–Essa vitória foi pra você Lily.- Ela abriu a boca em descrença e ele deu um impulso empurrando o pomo na direção dela. A bolinha dourada não fugiu, pelo contrário. Parou quase encostando no nariz dela. A menina pegou o pomo de cenho franzido e olhou para James com uma expressão irritada
–Isso é da escola, você não tem o direito de dar a ninguém.- O sorriso dele ficou menor, mas nem por isso sumiu. Ela estendeu a mão para entregar o pomo a ele. James abriu a mão abaixo da dela e quando ela soltou a bolinha dourada os dedos dele fecharam-se no pulso dela. O Maroto a puxou para frente e se aproximou, estavam tão próximos que ela corou.
–Em desculpa a recusa do meu presente...-Ele falava baixo e com uma expressão marota.- Você podia aceitar ir a Hogsmead comigo no próximo final de semana, o que acha?-Ele pode jurar que viu faíscas saindo dos olhos dela. A menina respondeu num tom de voz quase rosnado
–O dia que pensar num passeio mais criativo além de me levar onde já rodou com metade da população feminina desse castelo eu começo a pensar no seu caso.- Empurrou-o com força e saiu andando com raiva. Dorcas olhou para James sorrindo:
–Isso foi melhor que os gritos não?- Incentivou alimentando a ideia de que um dia Lílian cederia.
–Eu te adoro Dorquinhas.- James disse sorrindo largamente e indo para junto do time. Remus olhou para a loira divertido:
–Você acha mesmo?
–Acho que sim.
–Ela já te disse algo?
–Não. Na verdade ela tem muita raiva dele por tudo que faz. Principalmente porque ele fica perseguindo ela daquele jeito.- Ela sorriu e apontou para saída das arquibancada ele assentiu e começaram a andar junto com todos os outros alunos- Mas eu sinto como se isso pudesse dar certo. Sabe? O jeito que são diferentes e ao mesmo tempo iguais. É tão lindo.- Suspirou.
–Iguais? Sério mesmo? Acho que está enganada Dorcas.- Ela meneou a cabeça negativamente enquanto desciam as escadas. Ao chegarem ao chão foram andando na direção do castelo.
–Determinados, leais, bem humorados.
–Hahaha eu não sei. James costuma ser um grande idiota a maior parte do tempo e a Lily é tão gentil que sei lá. Acho que não daria certo.- Dorcas sorriu.- E você como está?-Ela deu de ombros- Melhor?- A loira assentiu.
–Você parece que superou bem a Mel.- Remus corou-Está tão feliz.- Ela percebeu o jeito como ele ficou sem graça e sorriu- Está vendo ela não? Estão se vendo as escondidas.
–D-de onde tirou essa ideia?
–Do seu jeito.- Remus sorriu olhando-a de um jeito cumplice
–Acho que você me conhece melhor do que eu gostaria de admitir.
–Bem. Você também sabe coisas sobre mim que eu não preciso falar. E isso é um saco.- os dois riram.- Por falar nisso. Será que você pode me explicar como fazer um feitiço de expulsão não verbal? Eu vi como você e os Marotos foram brilhantes nas orientações do Carter e não estou a fim de pedir para o James, sabe ele e aquela mania de perseguir a Lily não vai dar em bons resultados.- Os dois riram.
–Eu sei. É capaz que ele queira dar aulas para vocês.
–Remus.- Payton apareceu na frente deles subitamente- Sirius já saiu do vestiário?- Ela parecia bem nervosa
–Er... Não. Na verdade estão fazendo uma tremenda algazarra lá dentro. Mas ele vai pro salão comunal com o resto do time com certeza.
–Ok obrigada.- Olhou Dorcas de cima abaixo com certo desprezo e saiu andando. A loira olhou confusa para Remus:
–Por que as menininhas do Sirius ficam olhando pra mim assim?
–Porque você tem classe. E querendo ou não você foi à única que ele ficou por um bom tempo. E a primeira também.- Ele percebeu que a expressão da garota ficou triste. Passou o braço pelo ombro dela tentando dar conforto- Lembra o que me disse? Que devemos lembrar o que aconteceu de bom e aprender com o que aconteceu de ruim?- Entraram no castelo e caminhavam devagar para o salão comunal.
–Eu faço isso todos os dias. Não tenho mais raiva do Sirius. O problema é que ainda gosto dele. Infelizmente ainda gosto. E saber que não faço a mínima falta no dia dele dói. É complicado saber que gostamos tanto de alguém e essa pessoa não sentiu nem um terço disso por você. E o pior, te fez acreditar que fosse o contrário.- Os olhos dela marejaram. Remus percebeu que ela estava prestes a cair no choro e ao invés de subir as escadas com o fluxo de pessoas que seguia para o salão comunal ele a puxou em direção da cozinha. –Onde vamos?
–Quando estou triste eu gosto de me empanturrar de chocolate.
–E desde quando você precisa de motivo pra isso?- Ela tentou sorrir.
–Hum, você tem razão. Sou chocólatra e assumo.
–Pelo menos está seguro em caso de dementador. Se eu for atacada por um já sei a quem recorrer.- Remus riu e cutucou o quadro de natureza morta que ficava na parede. Foram recebidos por dois elfos que faziam a limpeza.
–Posso ajuda-los?
–Bem. Nós queremos chocolate quente. Mas queremos fazer. Pode nos mostrar onde estão as coisas?
–Senhor Lupin, o senhor sabe que nosso senhor Dumbledore não deixa que os alunos assaltem a cozinha.
–Mas...-Ele suspirou- Eu nunca faço bagunças. Vocês sabem, sou monitor.- Apontou para a insígnia
–Ok. Você e a senhorinha podem pegar o que precisam.- E dizendo isso o elfo desaparatou. O outro elfo os encarou por dois segundos sem saber se deixava a sua preciosa cozinha aos cuidados deles e então desapareceu feito o outro.
–É assim que consegue tudo que quer? Usando seu charme de bom moço?-Remus riu e se colocaram a fazer o chocolate quente. Por fim sentaram-se de lado nas cadeiras um de frente para o outro. O marshmallow afundava em meio ao creme dando água na boca aos dois. Dorcas o encarou sem jeito:
–Eu... Detesto ficar assim por culpa dele. Gostaria realmente de deixar isso pra lá.
–Bem eu devo imaginar como é. Quando terminei com Mellani foi uma sensação realmente sufocante.
–Ela nunca te traiu por nada. Simplesmente porque não aguentou segurar a ... Os desejos.- Remus sentiu-se estranho. Não conseguia sequer cogitar a ideia daquilo. Confiava de mais em Mellani justamente por ela ter aceitado as condições malucas deles para que namorassem. – Eu não quero que fique achando que eu fico remoendo essa história todos os dias da minha vida. É só que... Eu não falo sobre isso com ninguém. As únicas vezes que falei sobre isso com a Lily eu senti como se ela se segurasse para não dizer “eu avisei” porque ela tem razão, ela me avisou. Ela disse que ele não prestava. Perdi Marie para Cortney, ela quase não fala mais comigo e eu tenho certeza que se falasse isso com ela com certeza acabaria chegando aos ouvidos da Cortney. E bem, eu e a Mellani estamos nos aproximando agora, mas ela é muito fechada. Nós conversamos apenas sobre as aulas e... Assuntos mais sérios. Eu não consigo me sentir a vontade com a Lene e a Alice para falar sobre o que aconteceu. Como você foi falar comigo no dia que terminou com a Mel... É como se você entendesse melhor.
–Talvez eu ter acompanhado o lado dele ajude. Mas pode falar comigo o quanto for. Eu sei que você não fica pensando nele o tempo todo. E você gostou muito dele. Foi seu primeiro namorado. Não vai esquecer de uma hora pra outra.
–Às vezes eu me sinto uma boba sabe? Fico toda romântica com essas coisinhas. Eu fico feliz por ver você e a Mel juntos. Fico torcendo pra Lily dar certo com o James. Fiquei toda sonhadora quando vi o Frank pedindo a Alie em namoro. Eu sou assim, e nem parece que tomei um grande chifre do Black.
–Não se envergonhe por isso. Eu acho admirável sua capacidade de não mudar as coisas boas que tem por certos tropeços. Pelo contrário, você parece filtrar o que acontece e ter mais qualidades.
–É muito gentil da sua parte pensar isso.- Eles sorriram e tomaram um gole do chocolate simultaneamente. Dorcas sentia um elo de amizade muito forte por Remus. Não conseguia vê-lo de maneira sexual, mas o admirava muito e o achava muito maduro. O sentimento dele por ela era reciproco. Estavam aos poucos se tornando muito amigos, daqueles confidentes, carinhosos um com outro que estariam ali para ajudar. Era da personalidade deles ser daquela maneira. – Eu gostaria de ser menos romântica. Quando fui ajudar minha mãe com a minha irmãzinha meu pai me levou até o teatro. Assistimos O imortal.- Remus sorriu empolgado.
–Eis que está ao infinito aquilo que não posso ver ou tocar, mas também está perto...
–...O que posso sentir, viver, amar.- Ela completou e sorriram
–Teorim é incrível.- Ela assentiu- Sempre tive vontade de assistir alguma peça dele.
–Bem. Então estou te convidando. Nas férias vamos juntos assistir O imortal.
–Mas deve ser muito caro.
–Eu estou convidando. Eu pago.- Ele abriu a boca pronto para protestar- Será uma ofensa pessoal Remus.
–Ok. Combinaremos o dia.- Ela sorriu- Mas então, o que iria dizer?
–Bem...-Ela sorriu e corou- Naquele dia eu vi a famosa cena da dança, eles estão no meio do nada sabe? E ele dança com ela. A música que toca ao fundo fez meu coração flutuar. Eu fiquei o resto dos dias pensando nisso. Queria chegar em Hogwarts e contar a Sirius, pedir que ele dançasse essa música comigo.-Ela engoliu em seco- Mas eu nunca cheguei a falar.- Levou a caneca a boca desviando o olhar. Remus sentiu-se na obrigação de fazer alguma coisa para animar à amiga. Via em Dorcas uma pessoa brilhante, daquelas que ele gostaria de ter sempre por perto. Se levantou e estendeu a mão para ela. Dorcas o olhou confusa- Que está fazendo?
–Bem. Já que Sirius foi um troglodita eu tenho como obrigação reparar isso.- Ela riu aceitando a mão dele numa brincadeira engraçada.
–Cuidado senhor Lupin desse jeito pode despertar paixonites indesejadas.- Gracejou. Ele a rodopiou e puxou para perto cantarolando uma música dos Beatles
–Eu sei que posso confiar em você para que isso não aconteça.
–Com toda certeza.- Ela confirmou rindo e se balançando ao ritmo da música. O espirito dela estava mais leve. Suspirou e deitou a cabeça no ombro dele. Ela queria esquecer Sirius de vez mesmo que seu coração estivesse partido em mais de mil pedaços. Mesmo que ela já tivesse juntado algumas partes. Pela primeira vez desde o dia em que terminou com ele Dorcas se deixou chorar, molhou o ombro do amigo com suas lágrimas. Ele parou de dançar e ficou em silencio. Passou os braços pelas costas dela. Gostaria de ser confortado se estivesse no lugar dela. Apertou-a contra si até que ela se acalmasse. Naquele momento ela soube que tinha ganho uma amizade verdadeira.
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–Mellani!- Dorcas chamou entrando no dormitório.
–Fala.- A outra murmurou entediada enquanto lançava a gole para cima e a pegava de volta. Dorcas ignorou o tratamento seco de Mellani e pulou na cama dela.
–Sabe o que eu descobri três dias atrás?-O barulho do chuveiro indicava que Lílian tomava banho
–Que a cura para a idiotice foi descoberta?
–Não sua boba.
–Então não me interessa.- Dorcas pegou a gole da mão de Mellani e disse
–Eu descobri que o admirador secreto da Lily é o James!- Mellani sentou-se abruptamente
–Quem te contou?
–Você já sabia?
–Sim.
–Você já sabiaaaa. Como não me disse nada?
–Bem eu conheço os desenhos do meu primo se pegar um na mão. Os traços dele são perfeitos de mais. E francamente? A Lily não descobriu ainda porque não quer. Ela gosta desse joguinho.
–Então. Aconteceu que no dia do jogo eu fui até a cozinha com o Remus pra conversar.- Mellani olhava atentamente para ela. Dorcas não viu mudança de humor na menina, mas achou por bem explicar. Mesmo que ela teoricamente não soubesse de nada- Eu estava meio chateada com umas coisas e ele foi um bom amigo. Como sempre.
–Remus tem a capacidade de ser incrível com as pessoas. Ele e Lily tem esse dom.- Mellani lembrou sorrindo.- Bem, então o linguarudo do Remus soltou o verbo?
–Digamos que sim. Que seja. Eu to afim de armar um plano. Mas vou precisar da sua ajuda.
–Como assim?
–Sei lá. A gente precisa fazer a Lily descobrir que o Jay é autor dos desenhos.
–Mas você acha que isso vai mudar em algo?
–Eu tenho certeza. Quando ela souber que ele tem uma alma por baixo dessa pose de babaca mestre ela vai ser menos bruta com ele. E daí pra ele conquista-la é um passo.
–Você acha?
–Tenho certeza. Só preciso que fique de olho nas rotinas dele e me informe. Eu vou dar um jeito de descobrir isso.
Uma semana se passou. Muitos alunos comentaram sobre a atitude de James no final do jogo e aquilo gerou outro mal estar entre Gabriel e Lílian. No sábado à tarde depois do almoço a ruiva descansava no sofá do salão comunal. Gabriel estava sentado no balcão de estudos olhando para ela a todo instante. Marie estava ao lado do loiro e o incentivava a falar com ela. Lílian fechou os olhos e tentou não ir até o amigo. As frescuras dele estavam irritando-a em proporções gigantescas. Sentiu uma movimentação perto de si e abriu os olhos.
–POTTER.- Ela gritou assustada- Quer me matar do coração garoto?- Ele sorriu de lado debruçado no sofá
–Bem... Eu quero algo com seu coração, mas não matar.- Ela revirou os olhos
–Nossa você não tem uma melhor que essa? Acho que está perdendo o jeito.- Ele riu. Ela ficava admirada com a capacidade que ele tinha de rir de si mesmo.
–Olha eu vim te pedir um favor.
–Não.
–Nem sabe o que é.
–Vai pedir pra aliviar sua detenção. Você me pediu a semana inteira!- Ele sorriu charmosamente. A ruiva tentou não reparar no quanto ele podia ser atraente quando sorria.
–E vou continuar pedindo. Estou perdendo os treinos. Sabe o Carter? Ele veio falar comigo...
–Me poupe.- Ela se levantou e deu a volta pelo sofá. Saiu andando e ele foi atrás. A ruiva se atrapalhou na hora de colocar a sapatilha. Passou a mão pela saia jeans que usava e quase desfiou a meia calça que vestia.- Merda.- Disse vendo a unha lascada e se irritando mais.
–Hey Lily.
–Evans Potter! Já disse que é Evanssss.
–Exatamente, Evans Potter. Olha que lindo.- Ele riu- Vamos lá ruiva você pode fazer algo.- Fez cara de cachorro sem dono- Que custa?
–Custa minha autoridade. Não interessa o que o Carter veio dizer, ele nem tinha que dar pitaco. Ele não é mais aluno e está trabalhando como assistente de DCAT. Acredite ou não a opinião dele não vale mais para o time.
–Desde quando você sabe o que o time precisa?
–Eu sei o que você precisa. Estourou 14 bombas de bosta no salão comunal da Sonserina e duas na cama do Severus. Então eu sei que você, Black, Lupin e pra não sair da rotina, a MELLANI vão pagar uma detenção. Que milagre aconteceu que seu amigo gordo não estava junto em?
–Hey chamar ele de gordo é preconceito.- Ele se aproximou e puxou-a pela cintura. Seus corpos colaram. Ela engoliu em seco com a proximidade e franziu o cenho- Sabe exatamente o que eu preciso hã?
–Dá pra me soltar?- A mente dela escolheu justamente aquele momento para lembrar o dia em que ele lhe prensou contra a parede. Ela agradeceu mentalmente por dessa ver estar com as roupas secas. James sorriu de lado, um jeito muito pretencioso que a deixou irritada.
–Só se me disser o que eu realmente preciso. Mas você tem que acertar.- Lílian olhou-o com deboche e deslizou as mãos pelo tórax dele. James sentiu o corpo arrepiar e olhou-a confuso. Lílian estava jogando com ele, o provocando para fazê-lo se arrepender de ter tocado nela:
–Sabe o que você merece?- Ela perguntou com toda a ironia que conseguiu carregar na voz. Quando estava um segundo de dar um soco bem dado nele uma voz conhecida a fez parar:
–Lily, ele está te incomodando?- Gabriel perguntou olhando desconfiado
–Não.- Ela respondeu rápido de mais deixando o menino mais intrigado ainda- Pode me soltar?- James o fez de maneira torpe. Ainda estava confuso com o comportamento da ruiva. Ela passou o braço pelo de Gabriel e saiu andando. Mellani via tudo ao longe ao lado de Dorcas. As duas se olharam risonhas.
–Só precisamos da ocasião.- Dorcas murmurou empolgada- Será que Remus nos ajuda?
–Com certeza.- Bateram a mão uma na outra.
–O que está rolando entre vocês dois?-Gabriel perguntou irritado
–Você vai vir com essa história de novo?- Separou-se dele
–Está todo mundo comentando. Todo mundo viu o que rolou no jogo semana passada. Eu não estava lá, mas fiquei sabendo!
–Pela ultima vez. Vai ouvir o que eu tenho a dizer ou as pessoas que mal conhece?
–É que quando todo mundo começa a dizer sempre a mesma coisa é preciso averiguar!- Lílian parou de andar e encostou-se na parede cruzando os braços. Olhou para o amigo de maneira entediada- E não me olhe assim fica parecendo a Grant.
–Palhaçada essa sua de ter parado de falar com ela também.
–Eu não posso acreditar que esteja mudando de assunto apenas para se safar.
–Eu já disse que não estou com Potter.
–E passar a mão no peito dele é bem típico não?
–Não vou discutir isso com você de novo.
–Claro que não.- Ele a olhou com raiva- Você vai se portar como se fosse madura e esperta de mais pra isso. Não encarar a realidade é seu ponto forte. - Lílian se aproximou do rosto dele e disse com raiva
–Eu estou cansada dos seus ataques gratuitos e sem... Sem direito algum! Se você quer que seja diferente sabe muito bem o que tem que fazer.- Empurrou-o com raiva e saiu andando.
Lílian suspirou quando no dia seguinte recebeu um desenho de seu admirador secreto, não tão secreto assim. Ela virou o pergaminho e além do título “Pintura Intima” estava escrito uma mensagem “Espero que fique melhor”. Era uma caricatura dela, bem fofa por sinal, jogada em pilhas de doces. Ela sorriu, junto ao pergaminho que uma coruja da escola entregou estava um bom bom. Lílian comeu o doce sem ao menos verificar se tinha alguma poção ou feitiço. Estava de certa forma confiando em seu desenhista oculto. Guardou o desenho com todos os outros e não contou nada a Mellani. A semana que seguiu foi irritante para a ruiva. Ela recebeu mais dois desenhos, o que a deixou feliz, mas Gabriel ficou de cara virada para ela e Severus parecia um tanto quanto irritado e tenso. Ele estava distante e esquivo e aquilo a deixou triste. Ela, Mellani e Dorcas intensificaram o treinamento. No sábado à tarde a ruiva decidiu ficar no dormitório para estudar. E qual não foi à surpresa quando uma coruja da escola entregou mais um desenho.
–Mais um?- Mellani perguntou quando saia do banheiro. Olhou para Dorcas significativamente. A outra loira correu e pegou o pergaminho da mão de Lílian.
–Céus esse também é lindo.- A ruiva sentou-se na cama
–Eu estou ficando irritada. Pensei que depois de todo esse tempo esse bunda mole se apresentaria.
–E se eu disser pra você que sei onde seu desenhista está nesse exato momento?- Mellani perguntou pulando na cama de Lílian. A menina olhou desconfiada para as duas.
–Como assim?
–Bem...-Dorcas sorriu- Nós realmente ficamos investigando já que você parecia não se importar.
–A Mellani já sabia e te contou!! Por que não me conta?
– Dorcas descobriu sozinha.- Mellani pontuou- E a questão não é essa. Se ele não se mostra você vai até ele tirar esse véu.
–E se for um tarado como vocês disseram...
–Não. Nós sabemos quem é.- Dorcas disse e Lílian mordeu o lábio inferior
–Ele é bonito?- As duas assentiram- Vocês tem certeza de quem é?
–Sim. Muita certeza. E ele é quente. Vai por mim.- Dorcas murmurou empolgada- Vamos Lily, você está com uma bela oportunidade em mãos e se não for exatamente quem está esperando, pode ser um bom amigo. O que acha?
–Bem...Ok vocês venceram. Onde ele está?
–Na velha torre de astronomia. Ele acabou de chegar. Costuma ficar lá por horas.- Mellani disse com um conhecimento de causa que intrigou Lílian
–Ele é da nossa casa?
–Sem pistas Lily, sinto muito.- Grant cantarolou. A ruiva levantou e prendeu o cabelo num coque desleixado.
–Hey onde acha que vai assim? Seu desenhista não sabe que vai até lá. Faça uma surpresa e vá arrumada.- Dorcas lembrou. Lílian torceu o nariz.- Sem cara feia, vai Lily!
–Vocês são terríveis. Terríveis!- Depois de alguns minutos a ruiva saiu do quarto vestindo uma saia xadrez, meia calça e boina. Ela adorava boinas. Dorcas suspirou satisfeita. Mellani estava tentando convencer a menina de irem espionar.
Lílian pisou no último degrau da torre de astronomia e parou em frente à porta ofegante. Ela estava ansiosa. Abriu a porta lentamente e seu coração deu um salto. Sentado no batente acolchoado da janela concentrado num pergaminho estava James. Ela engoliu em seco e meneou a cabeça negativamente. “Não é possível” pensou sem acreditar no que via. Ele estava descalço, as mangas arregaçadas. Um feitiço de aquecimento e o observatório fechado mantinham a temperatura da sala. Os cabelos dele estavam mais bagunçados que o normal e uma ruga de concentração no meio da testa o fez charmoso aos olhos dela. A ruiva meneou a cabeça negativamente pensando ser uma brincadeira de mal gosto de Mellani.
–Oi Lily.- Ele murmurou sem ao menos virar para olhá-la
–Como você...
–Sabia que era você?- Ele finalmente levantou os olhos do pergaminho- Bem, seu cheiro é muito bom.- Sorriu largamente escondendo o pergaminho atrás de si. Ela franziu o cenho e ele a olhou tentando disfarçar. Não queria se revelar como o desenhista secreto. Não tão cedo.- Tá fazendo o que aqui?- Ela o olhava de um jeito meio chocado. Andou para frente olhando-o nos olhos, tentando ver a capacidade do desenhista nele. James sorriu sem graça e quando viu a menina já estava puxando o pergaminho para si.
–Que porcaria é essa?
–Não está pronto e me devolve agora. Me dá isso.- Ele se levantou e foi na direção dela, Lílian fez um movimento de mão para trás. Ela parou e olhou para o pergaminho fixamente. James engoliu em seco sem saber o que esperar. Se deixou cair sentado no batente da janela. Lílian tirou os olhos do pergaminho lentamente. O olhou fixamente e se aproximou incerta. James a olhava inseguro. A ruiva estava surpresa. Nunca tinha presenciado um momento de insegurança do Maroto.
–Por quê?-Ela questionou com a voz tremula. Ele meneou a cabeça negativamente e deu de ombros logo em seguida. Passou a mão pelo cabelo duas vezes. Sua mão suava e ele não sabia o que responder. Seu estomago estava gelado e sua garganta quente. James sentia tantas coisas ao mesmo tempo que ficou paralisado. Olhou novamente para a ruiva e suspirou:
–Não está um tanto quanto obvio?
–Eu nunca pensei... Eu...- A confusão dela foi um deleite para ele. Não havia deboche, raiva ou tédio. Ela finalmente estava sendo afetada por ele da maneira que ele pretendia e aquilo o assustava muito.- Não é real.
–O que? Que eu gosto de você?- Ela corou e James suspirou tomando coragem. Estava disposto a roubar-lhe um beijo, se aquilo fosse preciso para que ela se decidisse. – Tão real quanto minha surpreende habilidade.- E apontou para o pergaminho. Ela engoliu em seco. A franqueza dele assustando. Milhões de coisas passando por sua cabeça. Ela queria estar com raiva, com vontade de bater nele e falar mil e uma verdades. Mas esses eram os últimos sentimentos que podiam passar pela mente dela naquele momento.- Lily eu...- Ele se levantou pronto para fazer certas perguntas a ela e tropeçou nos sapatos jogados no chão. Lílian tentou se afastar com um pulo para trás, mas se enroscou nos próprios pés e caiu deitada no chão com ele por cima dela. James engoliu em seco e ela arfou:
–Essa doeu.- O moreno disse sorrindo de lado e Lílian sentiu o coração disparar. Ela fechou os olhos e suspirou pegando o pergaminho e olhando. -Você está bem?- A ruiva não respondeu- Lílian você está me preocupando.- Entre o fechar de olhos e observar o rosto dele Evans não demorou mais que cinco segundos;
–Com você assim em cima de mim fica difícil respirar.- Ela murmurou com a voz sussurrada. Ele a olhou nos olhos e depois para os lábios. Num impulso tocou seu rosto:
–Você está...-Ele parecia confuso- Você É linda.
–Potter sério, não pense que isso vai mudar em algo, isso não agrega...- Ela o olhou nos olhos e perdeu a fala. Algo intenso e diferente parecia saltar das orbes castanho esverdeadas do Maroto. O fato de poder sentir os músculos das coxas dele não ajudava em nada para que ela organizasse os pensamentos. O rapaz engoliu em seco, estava surtando com aquela proximidade. Se movesse um pouco o corpo poderia sentir Lílian de modo mais intimo. A garota estava de saia e uma meia calça fina por baixo. Ele tinha consciência de cada nuance dela abaixo de si:
–Potter...- Lílian sussurrou tentando buscar argumentos para sair de baixo dele.
–Evans.- Ele murmurou de volta e ela fechou os olhos tentando reunir forças para empurrá-lo. Ele estava muito próximo e aquilo estava deixando-a com muito medo do que poderia acontecer. James ficou ansioso quando ela fechou os olhos. Não podia desperdiçar a oportunidade, abaixou-se lentamente. Seus lábios estavam a centímetros dos dela, o moreno podia sentir a respiração dela contra a sua. A ruiva parecia estar em transe, era como se a revelação dele tivesse a hipnotizado. Talvez, ele não fosse tão ogro. Ou talvez ela estivesse apenas admitindo algo antigo:
–LÍLIAN.- Ela ouviu uma voz muito conhecida gritar e James num pulo saiu de cima dela. Lílian continuou no chão e viu Gabriel olhando-a com nojo e decepção. Ficou tão atordoada que aceitou a ajuda de James para se levantar e ajeitou a saia jeans que tinha subido de modo considerável com o tombo e o peso de James- Que palhaçada é essa?
–E- eu...-Lílian olhou para ele sem saber o que explicar- Eu caí.
–E todo aquele discurso sobre odiá-lo? E o que foi aquela cobrança...?-Ele a olhou com nojo e começou a andar de um lado para o outro- Eu venho aqui me... Me declarar e te encontro no chão com a saia no pescoço e...
–NÃO É ISSO!-Gritou e se recompôs logo em seguida-Eu caí, eu...
–Você quer que eu acredite? Está se comportando como a vadia da Grant.-Lílian ficou vermelha por Mellani e por ela:
–Como?- Perguntou escandalizada e quase gritando- Você é cego ou o que?
–NÃO CHAME MINHA PRIMA E LILY DESTA FORMA SEU... SEU... SEU GAY.-James gritou avançando. Gabriel estufou o peito e foi para cima dele
–Não se intromete.- Murmurou o loiro com raiva
–Me intrometo até na sua bunda se eu quiser.- James retrucou com raiva- E do jeito que é aposto que vai pedir mais.- Quase cuspiu as palavras no loiro e Lílian gritou:
–Gabriel, escuta, por favor. –Os rapazes a olharam ao mesmo tempo. A menina estava quase chorando- Eu fui tomar o pergaminho dele e ele tropeçou e caiu. Foi apenas isso.
–Eu não acredito em você. Não acredito, eu sabia Peterson tinha razão eu... SOU UM BABACA MESMO. Apaixonado por uma vadia que fica transando com babacas sem cérebro por todos os cantos do castelo.- Lílian chegou a arfar de tão ofendida que se sentiu. Ficou com tanta raiva que pegou a varinha e quando lançaria um feitiço Gabriel caiu no chão com um soco que James tinha dado no nariz dele. O loiro com raiva levantou sangrando e foi para cima de James. O moreno o segurou pelo colarinho e o jogou longe. Lílian viu que o Maroto tinha os olhos lacrimejados de raiva. Cor estava jogado no chão e James ficou em pé olhando-o:
–Vo-você..,-Apontou para Gabriel e Lílian percebeu que ele tremia por inteiro – Nunca mais se aproxime de Lílian ouviu? Eu... Se eu ouvir qualquer coisa sobre isso o alvo principal até a formatura será você.
–Eu não tenho medo das suas ameaças seu babaca...-James o puxou pelos colarinhos e o olhou. O ódio vazava pelos olhos do moreno.
–Fale algo de Mellani ou Lílian novamente e eu acabo com a sua vida.-Murmurou entre dentes. Lílian nunca tinha ouvido a voz de James soar tão grossa e masculina quanto naquele momento. Gabriel tentou sair das mãos de James que o soltou com nojo. O loiro foi para cima de James com raiva e o moreno o jogou no chão novamente se jogando em cima dele logo em seguida.
–Isso aqui é por ter chamado minha irmã de vadia.-E desceu um soco no olho do loiro-Esse é por ter acusado meu melhor amigo. -E deu outro soco no mesmo lugar.- Esse aqui...-Ele bufou com muito ódio. Lílian estava tão chocada que não conseguiu conter as lágrimas. - ...É por ter ofendido a garota por quem sou apaixonado.- Lílian percebeu que Gabriel desmaiaria e segurou o pulso de James. Ele a olhou com raiva- Você vai...?
–James...-Ela falava o nome dele chorando- Pare, por favor.- Ele saiu de cima do loiro e assentiu. Lílian se ajoelhou ao lado de Gabriel e começou a murmurar feitiços. O nariz parou de sangrar e o olho que já estava inchado voltou ao normal. Ela murmurou outro feitiço e o loiro abriu os olhos fitando-a:
–Você vai até a enfermaria e dizer que caiu das escadas se ela perguntar como diz que carregou muitos livros.
–Só porque você quer.
–Não Gabriel, eu me preocupo com você e se não quer acabar com a sua vida então faça isso, Os Marotos podem acabar com você.- Ele levantou-se amargurado e olhou-a com nojo:
–Não te desculpei.
–Como vai me desculpar por algo que não fiz?
–Cor.- James chamou e ele o olhou- Some da minha frente.- Falou pausadamente- AGORA.-O loiro com raiva empinou o nariz e saiu andando. Lílian sentou no batente da janela no antigo lugar de James. Suspirou sentindo-se tremula, ela odiava chorar, odiava sentir-se fraca e o pior se mostrar fraca para os outros. Percebeu que James sentava ao seu lado e sentiu o braço dele em seu ombro. Deitou a cabeça no ombro dele desnorteada e triste de mais para pensar direito. Quando a mão dele fez um carinho em seus cabelos ela não aguentou e chorou de um modo silencioso e desolado. Ela não queria palavras de consolo, abraços ou qualquer outra coisa e James pareceu compreender porque simplesmente se afastou e beijou-lhe a testa e a deixou sozinha. Ela suspirou aliviada quando ouviu a porta bater e pode derramar todas as lágrimas que queria.