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7. Caldeirão


Fic: Chapeleiro Maluco - fremione


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Cap 6     Caldeirão


 


 


POV George


 


Sabe, acho que quando eu e Fred nascemos eu fiquei com a autoestima (e com a beleza, a sensualidade, a perfeição, a inteligência, o senso de humor, etc, e olha que nem sou egocêntrico, só realista!). E percebo isso pelo fato de que enquanto eu estou aproveitando minha vida com total consciência de que sou o máximo ele fica se lamentando pelo fato de não ser tão perfeito quanto eu (o que é impossível, mas isso não vem ao caso). Frederico acha que não é bom o suficiente para nada nem para ninguém, principalmente para Hermione Granger. Ele a idolatra como se fosse uma espécie de deusa primordial ou sei lá o que. Eu entendo, ela é tudo de bom (graças a Merlin não é o Fred quem ouve meus pensamentos)...


Eu ouvi isso, Barnabé. 


 


Não interessa, Roxélia, eu não pedi sua opinião e ela não faz diferença pra mim.


 


Ui, Roxélia, ficou sem palavras #chupaessa, sou foda demais... mas, voltando ao ó do borogodó (Roxélia acabou de dizer que as pessoas não falam isso a mais de vinte anos, mas como sempre eu ignorei). Como ia dizendo... Hermione é tudo de bom mesmo, mas Fred não precisa se sentir inferiorizado, ele pode ser bom pra ela. O simples fato de ser meu irmão gêmeo já ajuda bastante nisso, afinal eu sou per...


 


Feito. Já entendemos, Barnabé. Muito obrigada. Apenas faça-me o favor de entender uma coisa: Frederico e Hermione tem de ficar juntos, pouco importa se apenas como amigos ou mais que isso. Ele a partir de agora tem que passar tempo integral perto dela, Frederico é o único que pode manter a Salvadora viva. Ele é o Guerreiro... e as coisas tem de dar certo dessa vez. Frederico vai manter o Servo afastado de Hermione, vai fazer de tudo para mantê-la segura. Você só tem de garantir que as coisas deem certo. O Servo não pode matar a Salvadora, e é melhor que nem chegue perto dela. O Guerreiro vai protege-la, mas você tem de ajuda-lo. Faça as coisas darem certo.


 


Sabe, eu até tentaria ignorar a Roxélia, só que ela acabou de me confirmar que é totalmente louca. E para a informação dela: MEU CERÉBRO NÃO É HOSPICÍO!!!! SAI DESSA MENTE QUE NÃO TE PERTENCE, DIABA!!!!


 


Aff’, Barnabé. Eu tentei colocar alguma coisa sobre a nossa realidade nessa sua cabeça de bacalhau, mas já que você não aceita entender... vai ter de aprender do jeito difícil. Vou me silenciar, quando Hermione chegar voltamos a essa tortura que chamamos de conversa.


 


E eu, hein... bom, ao menos calou a boca. Retornando ao assunto novamente... Estávamos falando sobre minha perfeição absoluta, não é? Pelo fato deu ser um deus da beleza em terra, o Fred tem certas vantagens em me ter como gêmeo. Claro que a beleza de minhoca que ele tem não se compara a minha sensualidade de serpente, mas ajuda em alguma coisa. E como bônus, se Hermione passar boa parte de seu tempo com ele vai acabar convivendo comigo, o que é a mesma coisa que dizer: ter um paraíso em terra.


 


- George, seu incapaz, ‘cê tá me escutando??? Achei que tinha te perdido – Fred sacudia um das mãos na frente dos meus olhos, o cenho franzido. Sacudi a cabeça voltando pra realidade.


 


- Maus aí, ‘tava pensando no quanto o meu corpo é um território paradisíaco – ele revirou os olhos e tacou um travesseiro em mim. Não entendi o porquê, eu fui sincero com ele. 


 


Olhei ao redor, o quarto do Caldeirão Furado em que estávamos hospedados não era muito maior que o nosso na Toca. Duas camas com um metro de distância uma da outra, e nossos malões de Hogwarts os pés da cama, quase chegando na porta do quarto que estava trancada. Também tinha porta para um banheiro mínimo. Fiquei imaginando se papai não tivesse ganhado na loteria teríamos condições de pagar por aquele quarto. A resposta veio rápida e dura: não. Dinheiro e Weasley’s não são palavravas encontradas com muita frequência em uma mesma frase. Entre as duas camas tinha uma janela suja dando vista para um muro de tijolos. Bem luxuoso. Um movimento aos pés da minha cama chamou minha atenção.


 


- Que merda pensa que está fazendo, vagabundo? – perguntei ao meu gêmeo, na maior educação.


 


- Procurando o mapa e os planos para logros. Tenho de me entreter enquanto você-sabe-quem não chega.


 


- Você-sabe-quem, tipo o Você-Sabe-Quem, ou você-sabe-quem tipo Granger?


 


- Não diga esse nome em voz alta! Se o Roniquinho ouve ‘tamos lascados.


 


Ele fez uma cara de pânico que tive de rir, ao mesmo tempo em que indicava para ele por o mapa e os outros papéis na cama em que eu estava sentado. Fred deu um sorriso torto e veio. Primeiro olhamos o mapa, percebemos que tio Dumby, tia Minnei e Nariz de Tucano estavam em reunião na sala dos professores (podem contar os apelidos, eles já sabem, e isso nos rendeu duas semanas encerando troféus). Tive um pensamento obsceno, e fiquei imaginando o que Roxélia pensaria se estivesse aqui. Não resisti e coloquei a merda toda em palavras:


 


            - Imagina se eles fizessem um ménage á trois? – só que as isso não saiu da minha boca, por mais que ela já estivesse aberta. Fred já tinha dado som aos meus pensamentos. Rimos um da cara do outro.    


 


Foi assim pelas próximas duas horas. Nós dois sentados com as pernas cruzadas sob a mesma cama, com a mesma postura, como se fossemos o reflexo um do outro. Tiramos ideias para as vomitilhas, nugás sangra nariz, pastilha pra cabelo crescer, pastilhas pra cabelo cair, incha-línguas, etc. Escrevíamos em nosso caderno surrado de planos para o futuro, na capa estava inscrito com o rabisco que Fred chama de letra: Gemialidades Weasley’s. Nesses momentos o mundo se tornava apenas eu e Fred, Fred e eu. Gêmeos inseparáveis, unidos pela mente, pelo espírito e pelo físico. Quase como se fossemos uma pessoa só, embora ocupando dois corpos idênticos (mesmo que o meu fosse mais bem feito). Mas eu conseguia perceber que a cada minuto Fred parecia mais preocupado, consultando seu relógio de pulso como um paranoico. E eu podia ler seus pensamentos pelos olhos, já que ele era um livro aberto para mim: será que ela vem? Por que a demora? Aconteceu alguma coisa? Ela está bem? Parecia meio doentio de se ver, mas algo me dizia que era o certo. Que ele devia se preocupar com ela, e quanto mais, melhor. Não que eu soubesse o motivo.


 


 


POV Hermione


 


Eu jamais vou colocar esses pensamentos em palavras, mas Hérbologia me irrita (que a profa. Sprout não descubra). Esse negócio de plantas me tira tanto do sério que até parei de ler para encarar o movimento no saguão do meu prédio. Todos parecem apressados, como se tivessem uma coisa de total importância para fazer. O que não devia ser o caso, já que a maioria das pessoas é apressada assim o tempo todo. Eles nem se quer reparavam no meu malão imenso de Hogwarts, claro que de vez em quando alguém o chutava, mas aparentemente também estavam sem tempo para serem educados e pedir desculpas. E eu que nem tempo de vida tenho? Melhor deixar para lá. Percebi um pequeno detalhe, 98% das pessoas ali estavam falando ao celular. E eu nem tenho um! Nate tem, e Le também, mas eu não. E por incrível que pareça nem me importo com isso. Coloquei meu cabelo um pouco mais para frente do rosto e afastei mais o suéter do corpo, garantindo que ninguém me notasse. Voltei o rosto para o livro e fiquei encarando as letras sem reparar em seus significados.


 


Le chagaria a qualquer momento para me levar ao Caldeirão Furado, e era só isso o que importava. Ou não. A profecia não saia da minha cabeça e fiquei imaginando quem seria o Servo, o Escolhido e principalmente o Guerreiro. Não sei o motivo do meu interesse especial nele, é só que... o Guerreiro sempre ama a Salvadora, e faz tudo para protege-la. No básico isso significa que existe alguém nesse mundo que me ama e que está disposto a dar a vida por mim. Acho que só pode ser Harry ou Ron, mas algo me diz que não são eles... então eu não faço a mínima de quem seja. Bati meu livro com força, me sentindo frustrada. Como posso não saber uma coisa tão importante que se refere a minha própria vida? Não sei quase nada sobre a profecia além do que Le contou, e muito menos sei sobre o Servo, o Escolhido e o Guerreiro.


 


Ouvi uma buzinação horrorosa, Le Quincey tinha chegado. Peguei o malão com certa dificuldade e saí correndo do saguão, que nem uma desesperada. Desci as escadas quase que quicando e avistei o fusca amarelo todo amassado do meu mais que querido padrinho Quincey. Só tinha um problema, o fusca ainda estava virando a esquina para chegar ao meu prédio. O que indicava que ele certamente tinha começado a buzinar alguns quarteirões antes de chegar aqui. Ele veio em alta velocidade para cima do passeio e pensei até que fosse me atropelar, dei um gritinho e caí sentada na escadaria de mármore. Ótimo, agora além do meu queixo eu também iria ficar com a bunda roxa. Muito obrigada tio Le. Agora com o fusca parado no meio do passeio Le ainda buzinava, sem poder me ver, já que estava estatelada no chão bem ao lado do carro. Com certa dificuldade me levantei.


 


- Finalmente, meu Mimo. Mais alguns minutos de demora e te faria ir a pé – ele disse no instante em que me dependurei na porta, completamente zonza. Puxei o malão do chão, minha cabeça rodava e eu não estava conseguindo raciocinar muito bem – Coloca essa sua mala no banco de trás que o porta-malas já está ocupado e não te interessa com o que.


 


Fiz o que ele mandou e depois desabei no banco da frente toda dolorida. Pra sair do lugar, Le esfregou todo o peito-de-aço do carro na escadaria e atravessou o passeio, quase batendo em um outro carro quando chegou na rua, ainda colocou a cabeça para fora do carro e mando o outro motorista para um lugar bem feio que me recuso a nomear. Apertei meu sinto junto ao corpo e rezei para estar viva até que chegássemos ao Caldeirão Furado.


 


- E aí, meu Mimo, pronta pras aulas? – ele falou olhando para mim e ignorando o fato de que estava dirigindo e que precisava prestar atenção no trânsito.


 


- Sim, e você... o que pretende fazer enquanto eu estiver fora? – perguntei, pronta para pegar o volante se Le perdesse o controle.


 


- Nathaniel já é maior de idade e a Valentina que se dane. A minha única responsabilidade é você, e como vai estar fora, eu vou surfar no Caribe – ele deu uma piscada que tiraria o fôlego de qualquer um e voltou a olhar para a rua – Vou viajar amanhã e pretendo aproveitar bastante, se quando eu voltar você ainda estiver viva te conto as coisas.


 


Engoli o choro, na esperança de que ele não percebesse nada. Para disfarçar, perguntei:


 


- Hum... e o que mais vai fazer no Caribe? – minha voz saiu ligeiramente trêmula, ele nem notou e continuou a encarar a estrada. Graças a Merlin.


 


- ‘Cê sabe, meu Mimo, o de sempre. Surfar bastante... matar demônios, escalar montanhas, beber até cair, esquecer o mundo, me meter em brigas, muito sexo, ir no máximo de festas clandestinas o possível... E todas as outras coisas que não tenho tempo para fazer enquanto sou sua babá.


 


Resolvi ficar calada, olhando pela janela de vidros rachados. Apertei o livro de Hérbologia contra meu corpo ainda dolorido, e fiquei pensando se existia mais alguém no mundo que fosse tão sem noção quanto Leonard Quincey. Cheguei a conclusão de que era muito pouco provável. Mordi os lábios e meu queixo latejou no lugar onde eu tinha batido poucas horas antes, fingi que nem sentia dor. Pela janela do carro observei o quanto Londres era cinza e assustadora, uma cidade cheia de segredos... que eu jamais descobriria. Então um nome veio na minha cabeça... Valentina.


 


Minha irmã estava em algum lugar de Londres, sendo feliz ou o mais próximo disso que conseguia. Talvez fazendo uso de alguma droga, talvez se cortando, ou fazendo mais uma tatuagem... as opções eram tantas que cheguei a me assustar, mas com uma conclusão: Tina estava aproveitando a vida. Ou pelo menos a usando para fazer alguma coisa que preste... ou que não preste tanto assim. Lembrei dos olhos dela, iguais aos meus, só que sem vida... acesos apenas por uma faísca de esperança prestes a se acabar. Será que ela sabia que eu era a Salvadora? Provavelmente não, já que faz tempo que ela parou de comparecer as reuniões no Pandemônio. Na verdade... ela parou de frequentar o Pandemônio quando conheceu nossos pais. Minha mão foi para a correntinha no meu pescoço. Tina provavelmente não foi muito com a cara das pessoas que nos puseram no mundo, mas... por que? Bom, acho que não vou sobreviver até os quinze anos para saber.


 


BAAANNNNNNGGGGGGG!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


 


Le freou o fusca, bem no meio da rua. Estávamos em um beco curto e escuro, tinha só uma porta estreita, feita com madeira apodrecida. Todas as paredes ao redor eram feitas de tijolos e se encontravam escurecidas. Tio Le foi saindo do carro, sem dizer nada. Abriu a porta traseira e puxou meu malão mais que pesado com um braço só. Eu também estava levando uma mochila, a dependurei em um ombro. Abraçada com o livro fui saindo do carro. Dei a volta e me deparei com Le e o meu malão aos seus pés, ele tinha um sorriso ligeiramente forçado emoldurando os dentes perfeitos.


 


- Pois é, meu Mimo. Seu terceiro ano. Feliz aniversário... – começou ele.


 


- Mas hoje não é...


 


- Cala a boca. Como ia dizendo... ah, esquece. O blá-blá-blá de sempre, vê se não ferra com tua vida, e... se eu estiver suficientemente entediado e não tiver nada de bom pra fazer te escrevo uma carta. Até a próxima vez... ou não – ele deu sua típica piscada de olho ‘eu sou demais’ e entrou no fusca amarelo, pisou fundo e atravessou o beco. Sem esperar que eu dissesse alguma coisa ou reagisse de alguma forma. Resolvi deletar o momento e fingir que tínhamos tido uma despedida adequada.  


 


Olhei aos redores, estava sozinha. Eu poderia gritar, para extravasar um pouco da raiva que tenho da vida, mas resolvi ficar quieta e entrar no Caldeirão Furado. Me abaixei para pegar o malão e fui arrastando até a portinha de madeira. A abri e entrei. Todos os bruxos no recinto me encararam de imediato, senti meu rosto queimar de vergonha. Abaixei a cabeça e fui arrastando o meu malão até o balcão, lá tinha um senhor idoso limpando canecos de cerveja amanteigada. Era Tom.


 


- Bom dia, senhorita. O que deseja? – ele perguntou, sorrindo com sua falta de dentes, sorri de volta e deixei que meu malão caísse no chão, provocando um estrondo. Encolhi os ombros cheia de vergonha.


 


- Er... sou Hermione Granger, senhor. Tenho uma reserva... – comecei.


 


- Ah, sim! A menina que irá dividir um quarto com a srta. Weasley, não? Um loiro chamado Quincey já acertou a sua reserva ontem a tarde, está tudo pago. Pode subir, é o quarto número 4, na frente do 5, ao lado do 2 – ele deu um sorriso mais largo ainda e me entregou a chave, agradeci e fui arrastando meu malão até as escadas.


 


Fiquei o tempo todo encarando a ponta dos meus tênis, pra não ter de sustentar nenhum dos olhares que eu estava recebendo. A escada se erguia na minha frente e no instante em que subi os primeiros degraus e ia levantar meu malão ouvi uma voz.


 


- Hermione? – foi quase um sussurro então levantei o rosto e joguei a franja para o lado, me deparando com um menino ruivo no alto da escada, ele repetiu: - Hermione! Deixe-me te ajudar!


 


Percy. Percy Weasley. Irmão mais velho de Ron depois dos gêmeos. Está cursando o sétimo ano de Hogwarts, é muito alto (como todo Weasley), ruivo (outra característica Weasley) e absurdamente inteligente (uma característica nem tão Weasley assim). E pelo fato deu também estudar muito e passar um bom tempo na biblioteca Percy me vê como uma espécie de amiga com a qual não tem muito contato. Ele veio até mim com um sorriso largo no rosto, me cumprimentou com um aperto de mão bem forte e pegou meu malão com estrema facilidade. Será que sou tão fraca assim? Pensei, enquanto seguia Percy escada acima. Iria perguntar como tinham sido suas férias, mas não chegou a ser necessário. Ele é do tipo que responde antes de se fazer a pergunta, e foi falando durante todo o nosso trajeto, eu apenas emitia alguns ruídos de concordância.


 


  As escadas acabaram e ele parou, quase trombei em suas costas.


 


- Muito obrigada, Percy.


 


- Não foi nada, eu estava descendo para pegar uma água. Até o almoço.


 


- Até – respondi, vendo sua cabeça ruiva descer as escadas novamente.


 


Quarto número 4. Peguei a chave com mais força e olhando o número das portas. Pares do lado esquerdo e ímpares do direito. E lá estava a porta nº4, em frente ao 5 e ao lado do dois. Ouvi risadas altas e engraçadas vindo de trás da porta nº5, algo instantaneamente me disse que eram os gêmeos Weasley. Fred e George. Já a porta nº4 era bem silenciosa, o que me fez pensar se Gina estaria mesmo ali. Bati levemente na porta, e disse:


 


- Gina, é a Hermione. Posso abrir? – ouve um silêncio absoluto, as risadas pararam. E o som de algo caindo atravessou a porta nº5, depois só ouvi o som da minha respiração, seguido pela resposta de Gina, que consistia em uma porta escancarada e um abraço apertado.


 


Gina voou em cima de mim e me tirou do chão, já que era uns bons 15cm mais alta que eu.


 


- Mione! Que saudade! – ela me rodou no ar e eu ri.


 


- Também senti saudades, ruiva – ela me deu um sorriso largo e me colocou dentro do quarto, pegando o malão e trancando a porta. Gina devia estar aprontando alguma. O quarto era bem pequeno e com duas camas, uma portinha que devia dar no banheiro e uma janela voltada para uma linha de trem. O malão de Gina estava aberto no chão e ela jogou o meu malão do lado, indicando uma cama onde eu poderia por meu livro e a mochila, os lençóis eram verdes e me sentei em cima deles sem ao menos tirar os sapatos, cruzei as pernas e ela fez o mesmo, ficando cada uma em sua cama, nos encarando. Comecei:


 


- E então, o que achou do Egito? – ela sorriu, e presumi que tinha feito a pergunta certa.


 


Gina contou tudo. Desde como a areia tinha um tom de pastel de queijo (coisas de Weasley) a como as pirâmides de Gizé eram grandes e difíceis de escalar (Fred e George tentaram). Enquanto ela falava fui reparando no quanto tinha crescido. Gina era incrivelmente alta para uma menina de doze anos, tinha membros compridos e magros e gesticulava bastante, o que ressaltava essa característica. Seu corpo ainda tinha formas infantis, sem curva alguma, o que dava a impressão de que era uma menininha em tamanho adulto. E um tamanho bem grande. Ela já devia estar com 1,70m. Como era muito magra os ossos se ressaltavam um pouco, mas não era exagerado. E como não era a garota mais feminina do mundo não se importava em usar as roupas dos irmãos. Jeans masculinos e surrados, ficando bem largos em suas pernas finas e quadris estreitos. E uma camisa das Harpias de Hollyhead que eu já tinha visto em Percy vez ou outra. Tinha os pés pálidos e compridos descalços. Então encarei seu rosto... os olhos azuis de todos os Weasley’s, o nariz comprido e cheio de sardas que me lembrava Ron, os lábios finos e cabelos ruivos. Seus cabelos tinham crescido bastante, até metade das costas, e se moviam em quanto ela gesticulava. As vezes tenho a sensação de que Gina saiu de um desenho animado.


 


- ... mas o Sol forte do Egito não parece ter feito bem ao Perebas, coitado, está doente. Na verdade não sei como Gui aguenta morar naquele lugar, é quente demais! Mas... e as suas férias, como foram? – ela sorriu curiosa e seus olhas brilharam. Eu tinha esquecido o quanto era bom ter uma amiga pra conversar.


 


- Não foram nada demais, li alguns livros, fiquei entediada... o de sempre.


 


- Ahã, sei. Você tá me escondendo alguma coisa, me diz, vai! – ela se ajoelhou na cama e quase deu pulinhos, eu ri da reação dela.


 


Tirando o fato de que eu sou uma Caçadora de demônios, não sou humana (e também não posso dizer o que sou), sou a Salvadora da profecia e fui marcada pra morrer, eu não estava escondendo nada de Gina.


 


- Não estou escondendo nada, juro! – menti. Ela fez cara de desconfiança e depois revirou os olhos.


 


- Bonitona do jeito que você é duvido que não tenha arrumado um casinho de férias.


 


- Gina!


 


- Que foi? Não vai me contar nada sobre esse seu romance secreto? Ano passado, antes deu ser possuída por Você-Sabe-Quem e você ser petrificada, eu te vi escrevendo uma carta endereçada a Nathaniel, só quero saber quem ele é! – ótimo, eu não podia dizer que ele era meu irmão e nem mesmo falar sobre ele, inventei uma desculpa:


 


- Eu não arrumei casinho nenhum, e só por desaforo não vou dizer nada sobre Nathaniel nenhum – ela fez careta, me mostrando a língua, mas depois acabou rindo com seu jeito infantil.


 


- Tá bom, mas antes de arrumar um namorado me apresente, para eu ver se aprovo – ela piscou o olho – E espero já conhece-lo.


 


- Como assim, garota? – ri alto, eu realmente tinha esquecido como eram as garotas da minha idade. Principalmente as malucas feito Gina.


 


- É que nessas férias eu tive uma ideia mega brilhante! – ela me olhou, obviamente querendo que eu perguntasse qual fora a ideia ‘mega brilhante’ dela, perguntei e respondeu:


 


- Vou casar você com um dos meus irmãos! – ela se aplaudiu, como se tivesse feito a maior das descobertas, já eu tive outra reação:


 


- HÃ?


 


- Fica tranks – isso quer dizer tranquila, para quem não sabe – eu já excluí os casos impossíveis. O Carlinhos é velho demais, o Gui até que dá, e ele é bem bonito, não tanto quanto você, mas dá pro gasto!  E eu percebi que você e o Percy são bem compatíveis na inteligência, só que ele tá namorando e depois que se passa muito tempo com ele fica enjoativo, mas até que dá também... Os gêmeos estão pra lá de fora da lista, juntá-los com você seria que nem por fogo com gasolina, ia explodir tudo! E o Roniquinho é um imbecil, mas por razão desconhecida vocês se dão bem e tem a mesma idade, seria o perfect!!! Então... qual você escolhe???


 


Fiquei encarando o sorriso largo e a expressão alegre de Gina antes de começar a gargalhar. Ele cruzou os braços e fechou a cara, continuei me dobrando de tanto rir. Ela era louquinha!


 


- Tudo bem, Granger, pode rir. E mesmo que você tenha tido essa reação inesperada, saiba que não desistirei do meu plano totalmente brilhante. Nós duas seremos cunhadas um dia, por bem ou por mau. Agora é fato.


 


Gina empinou o nariz como se tivesse absoluta certeza de que seu plano sem sentido daria certo. Então eu me senti mal, em parte por estar rindo demais e também por perceber que meus dias de papo furado e risadas com Gina estavam contados. E eu precisava aproveitar ao máximo. Parei de rir e fui abraça-la, ela se assustou de inicio, mas logo retribuiu. Ficamos assim por um instante, então me afastei, ela apenas continuou sorrindo, retribui.


 


- ... hum, Mione... você machucou o queixo? Está roxo – ela disse apontando para a parte do queixo que eu tinha batido.


 


- Machuquei sim, mas não é nada demais. Acho melhor eu ir encontrar o Rony, antes que ele pense que eu desisti de vir – me levantei e coloquei as mãos nos bolsos do jeans – Vem comigo?


 


- Claro que não! Adoro sua companhia, mas o Ronald me enche o saco. Além do mais... seria bom se vocês  passassem um tempinho a sós , se conhecendo melhor... – soltei um risinho e disse uma despedida inaudível com os lábios, quando estava no corredor a ouvi gritar – PENSE BEM, SÃO TRÊS OPÇÕES: GUI, PERCY E...


 


Bati a porta, abafando o nome Rony. Ajeitei os cabelos um pouco para frente e pus a chave do quarto no bolso traseiro dos jeans. Na minha frente, a porta dos gêmeos estava aberta. Resolvi cumprimenta-los. Me aproximando bati a mão esquerda em punho no batente da porta. Dois ruivos estavam sentados na mesma cama, um de frente para mim e outro de costas. O da frente abriu um sorriso largo e com um ligeiro deboche, não entendi o motivo. O que estava de costas deu um pulo e me encarou, devo tê-lo assustado. O menino começou a mudar de cor, do branco pro verde, roxo, laranja, vermelho, azul, amarelo... e se pudesse ficar xadrez ou listrado tenho certeza de que teria ficado. Seu pomo de adão subia e descia, no que eu interpretei ser um sinal de nervosismo, ele também parecia suar frio. O gêmeo sorridente disse:


 


- Fala Granger! Tudo em cima, né? – ele riu escandalosamente.


 


- Er... tudo, sim. E você está bem? – não sei para qual dos dois direcione a pergunta, mas o gêmeo sorridente foi quem respondeu.


 


- Eu estou, e o Fred está ainda melhor agora! Não é, irmãozinho? – então o sorridente era George, e o que parecia passar mal era Fred. E Fred não respondeu ao irmão, agora estava sério e encarava meu queixo machucado com certa confusão e interesse. Esperei que ele fizesse alguma piadinha, como sempre, mas ele se limitou a me olhar de cima a baixo, depois corou e se voltou a alguns papéis que tinha em sua frente. Presumi que nosso contato visual tinha durado tempo demais e resolvi ignorar.


 


- Bem... vocês sabem qual é o quarto do Rony? Ainda não o encontrei. – Fred pareceu rasgar com raiva um dos papéis que tinha em sua frente, seus ombros ficaram rígidos e presumi que tinha dito algo errado.


 


- É o número 6. Ele está dividindo com o Percy, vai descer pro almoço? – disse George.


 


- Sim, nos vemos lá. Até.


 


- Até – respondeu George enquanto eu me afastava, presumi ter ouvido um ‘cunhadinha’, mas deduzi que era ilusão. E eu tinha acabado de presenciar um evento histórico: um gêmeo Weasley de mal humor. Totalmente épico.


 


Segui para a porta com o nº 6 iria bater, mas ela se abriu antes disso. E ali estava um dos meus melhores amigos. Ele estava muito mais alto, continuava ruivo e com nariz comprido, o rosto cheio de sardas, e roupas de segunda mão. Tinha uma carranca que logo se suavizou no momento em que me viu, antes de ter qualquer reação ele pôs a mão no alto da minha cabeça e disse:


 


- Você continua baixinha – sua voz estava mais grossa, fora isso, falava do mesmo jeito manso.


 


- Estou feliz em ver você também, Ronald! – então, assim como Gina, ele me tomou nos braços e girou. Ficamos abraçados um tempo e ouvi uma parta bater com força, só então nos soltamos e ficamos encarando um ao outro, ele olhando para baixo e eu para cima, rimos em uníssono. Ouvi um guincho. Abaixei o olhar para o bolço do seu paletó.


 


- É o Perebas, o Egito não fez bem a ele.


 


- É. A Gina me contou...


 


- Grande amiga você, já encontrou Percy, Gina e provavelmente os gêmeos e só vem me ver agora no final, muito obrigada! – ele fingiu indignação. Ri da cara que ele fez e pedi:


 


- Vamos descer, o almoço logo já deve estar servido.


 


- Ideia excelente. E eu não aguentaria ficar mais um segundo que fosse trancado com Percy naquele quarto! Como foi de férias? Das minhas você deve estar sabendo tudo... Gina e sua boca grande.


 


- Ah, não tenho muitas novidades – menti.


 


Fomos descendo as escadas de madeira, e os degraus rangeram aos nossos pés. O restaurante estava apinhado de bruxos, todos com suas capas e jeitos estranhos de ser. Um em particular me chamou a atenção, estava sentado sozinho em uma mesa para três, e com a varinha batia em uma caneca de cerveja amanteigada. O líquido mudava de cor... vermelho, verde e roxo. As cores do Pandemônio. Sacudi a cabeça, devia ser coincidência.


 


Coincidência ou não, você deveria checar. Sabe... perguntar: Você por acaso é o Servo do demônio que pretende me matar? Isso não ofende ninguém.


 


Muito obrigada consciência agora estou muito menos assustada. Eu tinha parado no meio da escada, ainda encarando a figura encapuzada. A cerveja já estava em tonalidade normal e o homem a bebia. Melhor assim, só uma coincidência.


 


- Vai ficar plantada aí? Desce logo, Mione.


 


Aos pés da escada Ron me chamava ligeiramente irritado. Fui correndo ate ele e nos sentamos em uma mesinha de dois lugares. Ele pediu um pudim de yorkshire para Tom.


 


- Mas você vai almoçar agora, Rony – rebati.


 


- Comida é comida – ele fez uma expressão convencida, como se sua resposta fizesse todo o sentido do mundo, o que obviamente, não fazia.


 


Ficamos de papo pro ar até ele perguntar por Harry.


 


- ... conversamos por cartas, ele parece bem. Disse que agente talvez se encontrasse aqui no Beco.


 


- Ah, eu liguei para ele no início das férias... acho que te contei que deu meio errado – ele corou, e sim, eu ficara sabendo que ele tinha ligado para Harry e tentado conversar aos berros com o tio dele, Válter.


 


- É, você me contou por cartas... e gostou do presente? – ambos faziam aniversário durante as férias, para Harry eu tinha dado um kit para cuidar de sua Nimbus e para Rony um livro e um álbum de figurinhas do Chudley Cannons.


 


- Adorei, e você sabia que... – então ele começou a despejar uma tonelada de curiosidades sobre Quadribol em cima de mim, e eu juro que tentei parecer entretida. Juro. Só que não deu.


 


Eu fitei as costas do homem que colocara as cores do Pandemônio em sua Cerveja amanteigada. Agora ele continuava a mexer a varinha em cima da caneca... mas não estava colorindo a água. Em cima da cerveja, apareceu uma pena de pavão com as tonalidades de vermelho, verde e roxo misturadas. O símbolo do Pandemônio. Talvez não fosse tão coincidência assim.


 


- Aí os búlgaros... tudo bem com você, Mione? Está pálida – Rony me encarava de cenho franzido.


 


- Tudo, ótimo... os búlgaros o que?


 


- Ah, eles acabaram com a Irlanda! Mas na Copa do ano que vem os irlandeses vão querer vingança... – e lá foi ele de novo. Fiquei encarando Ron e concordando com tudo o que ele dizia. Mas minha cabeça estava em um lugar bem distante...


 


Será que era o Servo? Se fosse já teria me lançado uma bela de uma maldição... mas o dever do Servo de certa forma é capturar a Salvadora, e não mata-la, não é? Bem, espero que seja. Ou ainda temos a opção da coincidência, que me é muito agradável.


 


- Hermione, querida! Que bom te ver – a senhora e o sr.Weasley meio que brotaram no meio do salão, assustando até mesmo Rony. Me levantei e ela jogou seus braços ao meu redor, me esmagando. De imediato falou do meu queixo machucado e do meu cabelo bagunçado, apenas soltei um risinho. O sr.Weasley também me cumprimentou, embora apenas com um aperto de mãos. Mandaram Ron subir e chamar os irmãos, ele obedeceu. Então fiquei sentada sozinha em uma das maiores mesas do Caldeirão Furado, esperando que os Weasley’s fizessem seu pedido. Era meio estranho saber que ficaria sozinha com uma família inteira, mas Harry deveria chegar em algum momento, provavelmente antes do jantar. Então uma onda de ruivos particularmente barulhenta começou a descer as escadas. Gina na frente aparentemente resmungando alguns palavrões contra Percy, que ignorava a situação. Atrás vinha um Ron acompanhado por dois gêmeos, um falando sozinho (sim, você leu certo, falando sozinho) e outro com uma expressão terrível de preocupação... direcionada a mim. Estranho. Tímida, desviei o olhar para a sra.Weasley que, como um maestro, coordenava os filhos, direcionando cada um para seu lugar. No final, fiquei entre Rony, Gina, de frente para Percy, que por sua vez estava com os gêmeos de seu lado esquerdo, ambos pareciam distantes, embora eu ainda tivesse a sensação de estar sendo observada. Cutuquei a perna de Ron por baixo da mesa, ele olhou:


 


- Que? – sussurrou.


 


- Os gêmeos... eles estão, bem? Me parecem um pouco...


 


- ... estranhos – ele completou meu murmúrio – Desde hoje de manhã. Fred amanheceu de mau humor e George... parece estar meio possuído. Mas, não esquenta. Essas coisas sempre acontecem com eles.


 


- Ah.


 


Me arrisquei a uma olhadinha rápida. O que falava sozinho brigava aos sussurros com a própria cabeça, dando uns tapas violentos na testa de vez em quando. O mal humorado me encarava de um jeito muito, muito esquisito. Os olhos azuis safira pareciam estar lendo minha alma, me despindo de todos os disfarces... analisando meus segredos. Desprotegida, arqueei os ombros e olhei as palmas das minhas mãos sob a mesa de madeira, eram pálidas e sem imperfeição alguma. A pele lisa, os dedos e as linhas totalmente simétricos com os da outra mão. Tudo perfeito sem nenhum defeito. Faz parte de ser como eu... faz parte de ser um... ah, esquece. Não posso dizer. Tentei me esconder ainda mais com os ombros, para escapar do olhar do menino, e com um suspiro tive um pensamento estranho... mas, não podia ser.


 


‘Não confie em ninguém’, foi o que tia Lotte me disse. Mas os Weasley’s eram totalmente confiáveis, não é? Afinal... são Weasley’s! E nenhum Weasley em sã consciência faria um pacto com o demônio e se tornaria o... Servo. Weasley’s não tem esse tipo de atitude, é coisa para loucos! Só tem um problema... a imagem que eu tenho dos gêmeos é de loucos. Mas...


 


O que? Ninguém é confiável, entenda isso de uma vez por todas, garota.


 


Agradecimentos pelo apoio moral novamente, consciência.


 


 


 


POV  Fred  (N/A: eu não sou muito boa pra escrever coisas românticas ou fofas, mas acho que esse pov’ Fred até que deu pro gasto, enjoy)


 


 


Acho que não fui muito educado quando ela chegou... tá bom, eu fui um trasgo. Não disse nada e fiquei encarando, mas.... não tem como não olhar! Do nada ele apareceu dizendo oi, parada e sorrindo... como um anjo. E eu fiquei olhando... tentando memorizar cada detalhe do seu rosto, a maneira como ela olhou pra baixo ruborizando, cheia de vergonha... por minha culpa! Bom, eu também estava bem nervoso... cheguei a pensar que meu coração pararia de bater, e ele talvez tenha até falhado algumas batidas. Principalmente quando ela falou, aquela voz... ah, é tão bom morrer de amor e continuar vivo!


 


Mas esse meu momento paraíso acabou no instante que ela foi procurar o Roniquinho. O que ele tem que eu não tenho? Droga! E depois ela foi lá e o abraçou... como se encontra-lo fosse a melhor coisa que lhe aconteceu na vida! Merda! Bosta! Fezes! Mas que droga! Se eu tivesse dito alguma coisa... se eu tivesse! Por que sempre que ela aparece eu viro um completo idiota? Bom, essa é uma boa pergunta. E que tem de errado comigo? O único na família que é mentalmente perturbado é o George (nesse exato segundo ela está batendo na testa e mandando sei lá quem para a puta que pariu, mas isso é só detalhe), eu não devia ficar desse jeito quando ela aparece, não é normal!


 


- ... ah, vai se foder minha filha! Não me interessa Servo de ninguém! – George resmungou colocando uma colher de comida na boca, o almoço tinha acabado de chegar.


 


- Caralho, George. Você tirou o dia pra bancar o maníaco? – sussurrei de volta, aproveitando que todos os outros conversavam.


 


- Só agora que percebeu, idiota?


 


- Você tá me escondendo alguma coisa, Weasley – comecei – e eu vou descobrir o que é.


 


- Estou escondendo sim, e também garanto que você vai descobrir... mas não agora – ele murmurou colocando quase um bife inteiro na boca.


 


Dei de ombros e olhei para o meu prato. Ainda não tinha comido nada, o que chega a ser extraordinário considerando o fato de que sou um Weasley. Mas eu não estava com fome, bem, não de comida... tá bom, melhor eu sossegar o facho. Hermione estava entre Ron e Gina, comia delicadamente um pouco de salada. E lá vou eu encarando demais de novo...


 


Os cabelos castanhos caindo com perfeição sob o rosto bem desenhado. A pele clara sem uma mínima imperfeição... os lábios róseos totalmente sedutores, parecendo pedir que eu me aproxime. O nariz ligeiramente empinado, dando a ela um ar inocente. As maçãs do rosto totalmente simétricas e coradas. E os olhos... ah, os olhos. Grandes e doces, de um marrom aceso que me fazia perder totalmente o controle, eles me enfeitiçavam, gritavam meu nome até que fossem a única coisa na qual eu pudesse prestar atenção. E então aqueles olhos se tornavam a porta de entrada para o meu mundo. Também conhecido como Hermione Granger. Sempre que olho naqueles olhos tudo apaga e só resta Hermione. Bom, até que ela desvie o olhar.


 


Foi como cair do céu e levar um choque ao mesmo tempo. Os olhos de Hermione tinham me trocado por um tomate, que agora ela partia nervosamente. Parabéns Fred, agora ela pensa que você é um psicopata ou coisa do tipo. Dei de ombros e me contentei em observar seu perfil mais que perfeito. Só tinham duas coisas que eu não gostava no rosto dela: o hematoma no queixo e a expressão nervosa. Não conseguia deixar de imaginar onde ela teria se machucado, e ainda tinha a opção de alguém tê-la machucado. Não sei exatamente o porque deu pensar nisso, mas sei lá... é como se fosse uma coisa muito provável de se acontecer. E ainda tinha o nervosismo. Eu queria saber o motivo, bem, talvez seja o fato deu ficar encarando como um psicótico, mas... tem algo além. Alguma coisa muito errada acontecendo. E algo me diz que estou no meio disso tudo, só não sei o que. Assustei quando George sussurrou:


 


- Como você é lesado, Frederico. Se continuar encarando a garota desse jeito até o merda do Roniquinho vai perceber – de inicio não entendi, mas aí reparei que Gina me olhava com uma sobrancelha erguida e todos os outros reparavam que tinha algo estranho rolando ali. Comecei a comer, infelizmente me esqueci dos planos de ser educado naquele momento.


 


A comida estava até boa, e devorei tudo como um trasgo. Eu devia tentar falar com ela, claro que não ali na frente de todos, mas em outro momento. O problema era... qual outro momento? Quando eu teria a chance de falar a sós com ela? Provavelmente nunca, já que Gina, Harry e Ron praticamente disputam a companhia dela no tapa. Mas... bem, no ano passada ela passava a maior parte das tardes na biblioteca, sozinha. Claro que eu estava sempre observando, as vezes atrás de alguma estante e outras vezes pelo mapa do Maroto, já passei dias a observando (não, eu não sou paranoico – espero). Em uma dessas tardes que ela passar na biblioteca, eu posso ir até lá e... bem, conversar. Mas isso depende bastante do fato deu conseguir pensar em algo para dizer, já que Hermione não colabora com a minha sanidade mental.


 


Gina foi a primeira a terminar o almoço, em seguida Hermione, elas pediram licença e foram para o quarto. Provavelmente fazer coisas de garotas, tipo... falar das outras pessoas. Rony continuou sozinho comendo como um cão, resolvi irritá-lo um pouco:


 


- Ei Rony! – ele olhou com aboca cheia de comida – Acho que tem uma cara no seu nariz.


 


- Bai pá luta queuriu – Ronald falou, as orelhas vermelhas de ódio, e a boca cheia de comida. O ponto fraco dele é que falem do nariz, e é óbvio que eu e George fazemos isso o tempo todo.


 


- Que foi, Roniquinho, não ouvi direito. – George deu corda e nos seguramos para rir no momento certo. Agora, sem comida na boca ele repetiu:


 


- Vai pra puta que pariu!


 


- RONALD WEASLEY, VÁ JÁ PARA O QUARTO E NÃO DESÇA AQUI ATÉ QUE SUA BOCA ESTEJA LIMPA – e Molly deu o ataque. George e eu gargalhamos até não aguentarmos, ele é claro, riu como um jegue relinchando (eu não sei se jegue relincha, mas dane-se também).


 


Roniquinho saiu da mesa sem terminar o almoço, e foi batendo o pé até chegar a escada. Com a falta de folego (e o olhar da minha mamãe me rogando pragas) parei de rir e resolvi terminar o almoço. Comi até um pouco demais, e fiquei esperando George terminar a refeição, mas uma coisa me chamou a atenção. A algumas mesas de distancia um bruxo encapuzado brincava de fazer mágica com sua cerveja amanteigada, mudando as cores. Vermelho, verde e roxo, sempre alternadas e as vezes misturadas... e então veio a grande mudança. A cerveja voltou ao normal e acima dela apareceu uma pequena miragem... as asas de um anjo. Brancas como nuvens e de aparência forte e bruta, reluziam em uma luz que quase ofuscou minha visão. E depois as asas sucumbiram em um brilho cor de ouro, só para se virar outra imagem... uma espada. A lâmina dourada e uma aparência mortal, como se fosse destruir tudo no mundo. Senti um calafrio na espinha. Parecia até uma coisa medieval, que pertencera a um guerreiro...


 


Guerreiro...


 


            A palavra veio como um sopro em meus ouvidos... um sopro com voz de Hermione. Todos os pelos do meu corpo arrepiaram, algo me dizia que aquilo devia fazer algum sentido, só que não parecia fazer nenhum. A palavra devia sim significar alguma coisa para mim, mas eu não faço a mínima ideia do que. Olhei para a mesa do bruxo de novo. Ele tinha desaparecido. Nada de cerveja, capa, varinha ou pessoa. Tudo limpo, como se ninguém se sentasse ali a um bom tempo. Esfreguei os olhos e continuou do mesmo jeito. Mesa vazia.


 


            - Já acabei, Fred. Limpa minha bunda? – claro que essa frase retardada veio do George.


 


            - Que diabos você...


 


            - Tava só zuando, meu caro gêmeo. Já terminei de almoçar, podemos jogar balões de tinta do alto da escada... tudo bem ou está tendo um ataque de debilmentalidade?


 


            - Ah, tô de boa... pensei ter visto uma coisa, mas deixa pra lá. Tinta vermelha ou azul? – perguntei.


 


            - Azul. Vamos guardar a vermelha para quando nosso time der uma surra naqueles travecos da Sonserina – sorri assim que ele falou, todos já tinham terminado de comer, seria bem tranquilo.


 


            Com o sorriso de Hermione na minha cabeça, fui pegar tinta pra colocar dentro de balões. E, bem... se eu tivesse um instagram postaria #partiu #tinta...  Aff’ que coisa mais lesada... onde apaga?


 


 


POV George


                       


            Você limparia minha bunda? Bem, claro que sim. Eu sou perfeito e único no mundo, todos adorariam limpar minha bunda. Todos menos o Fred. O que ele tem contra bundas? Ainda mais contra a minha, que é igual a dele, só que melhor!  E eu duvido muito que ele tenha alguma coisa contra a bunda da Hermione, se não, não ficaria encarando que nem um retardado. E estou meio magoado com ele. Fred agiu muito mal quando, mesmo que brincando, eu pedi que ele limpasse minha bunda, ficou olhando pro lado e depois resmungou algo que eu nem entendei direito. Não tem nada de errado com a minha bunda para ele agir assim! O que a bunda da Hermione tem que a minha não tem?


 


            PARA COM ISSO, BARNABÉ! EU NÃO AGUENTO, NÃO SUPORTO! EU VOU TE AFOGAR, SEU BACALHAU DE MERDA! AAAHHHHH!!!!!!!!!


 


            Por Merlin, tem uma mulher de TPM na minha cabeça! Chamem os neurocirurgiões, preciso fazer uma lobotomia! Aff’, qual o seu problema Roxélia?


           


            VOCÊ, BARNABÉ! MEU PROBLEMA É VOCÊ!


 


            Agora magoou. Eu aqui todo de boa, e essa mulher aparece falando dentro da minha cabeça e depois o problema da história sou eu?


 


            O problema a você sim. Em todas as nossas milhões de encarnações você nunca foi tão narcisista!


 


            Eu não sou nazista!


 


            Além de tudo é burro... eu disse narcisista, que é ainda pior do que egocêntrico! Você só pensa na própria bunda! Acha que o mundo gira ao seu redor, mas ele não gira! Isso me irrita! Já pensou na probabilidade de seu irmão ter outras coisas pra fazer além de manifestar vontade de limpar sua bunda? Já pensou que talvez ele esteja com problemas e perguntas para ser respondidas? Ele pode estar sendo tentado pelo demônio neste exato momento!


 


            Só para te informar: demônios não tentam pessoas enquanto elas estão enchendo balões com tinta azul. Eu não penso na minha bunda, também penso nas bundas das outras pessoas. O mundo gira ao meu redor, e isso é comprovado cientificamente por mim. Eu sei que meu irmão pensa em outras coisas. Eu não sou nazista! E... já pensou em procurar um psiquiatra?


 


            Eu desisto de você. Desisto.        


 


            Silêncio isso é bom. Mas... eu tenho algumas perguntas para o Fred agora.       Por mais que a Roxélia seja uma doida varrida...


 


            Roxelle!


 


             Foda-se. Voltando ao que importa... por mais que seja estranho, talvez ela esteja certa. Algo me diz que tem algo muito importante acontecendo com o Fred e comigo.


 


            Não é algo que te diz, bacalhau, sou eu! Eu tenho dito isso o tempo todo!


 


            Procedimento padrão: ignorar a Roxélia.                     


Olá, caros leitores, cá estou eu! Espero do fundo do meu coração que tenham gostado, e ficado bem curiosos também. Mil agradecimentos a Thomas Cale e Neuzimar de Faria, se não fosse por você acho que eu nem continuaria a postar aqui no FeB. Bem, como vocês sabem e posto a minha fic em outro site tambem, o nyah ( http://fanfiction.com.br/historia/303316/Chapeleiro_Maluco_-_Fremione/ ) e pensei seriamente em passar a postar só lá, mas vou continuar aqui no FeB por vocês dois! Minha fic tem bem mais leitores no nyah, mas também gosto bastante aqui do FeB (e de vocês também). Espero do fundo do meu coração que tenho gostado do cap (e da capa da fic também), e até a próxima! Beijocas da Lenah!                                                                                                          

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Comentários: 4

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Enviado por Neuzimar de Faria em 08/02/2013

O Thomas tem fics geniais. Quando tiver um tempinho, dê uma olhadinha ... Ele também escreve muitíssimo bem! Bjo.

Nota: 5

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Enviado por Neuzimar de Faria em 07/02/2013

Oi, Lenah! Capítulo muito divertido. Quero que você saiba que eu prefiro os casais tradicionais, mas sua fic está tão boa e engraçada que eu leio (mesmo sendo Fred/Hermione) com prazer. Você escreve muito bem, sua estória prende a atenção e os diálogos entre o George e a Roxelle (Roxélia ?! rsrsrsrs) são imperdíveis. Seria legal que você não desistisse de postar aqui, mas se parar, pelo menos já sei onde vou poder continuar lendo; às vezes dou uma passada no Nyah, que também tem fics bem interessantes. Então, até o próximo capítulo, que torço para que não demore muito.

Nota: 5

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Enviado por Thomas Cale em 07/02/2013

NÃO PENSE EM PARAR DE POSTAR AQUI!! Se o problema é a falta de leitores, se voce quiser, eu posso começar a indicar sua fanfic aos meus leitores (que não são muitos, mas são ótimos). Faço até uma capa para você, mas não desiste não. A Neuzimar de Faria é minha amiga de alguns meses e eu indiquei sua fanfic para ela (Neuzimar, se estiver lendo isso, saiba que estou muito feliz por estar acompanhando aqui também). Se quiser, entra na minha fanfic Lily 2.0 (se é que você gosta do shipper Lily/James), porque eu to precisando de leitores por lá também.

 Enfim, capítulo fantástico. Achei muito criativo da sua parte aquele momento do bruxo enfeitiçando a própria cerveja. GENIAL!

Beijo 

Nota: 5

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Enviado por Luuh Black Malfoy em 07/02/2013

Merece meus Parabéns , fic muito boa mesmo , comecei a ler hoje , então nem deu para comentar nos outros , mas vou tentar comentar em todos , e quando você pensar em parar de escrever , lembre-se que você vai me fazer querer arrancar meus cabelos que nem o George hsuahsuahsuash '' Bjos <33 Anciosa pro prox  cap. *-* 

Nota: 1

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