Melancólica, Hermione pensava em como costumava se sentir as vésperas do início de um ano letivo, porém aquela noite não conseguia sentir qualquer excitação ou ansiedade, seu futuro permanecendo negro e misterioso como o céu sem estrelas que mirava.
-Não gosto de te ver assim. –Harry fala abraçando-a por trás, nunca fora muito carinhoso, mas após a conexão que formaram, sabia o quanto um abraço costumava confortá-la.
-Obrigada por tudo, você é o melhor amigo que alguém poderia ter. –Agradece se aconchegando nos braços dele.
-Te trato como merece, como você sempre me tratou. Mas agora eu quero que você se anime, até porque tenho uma notícia que acho que você vai gostar! –Anuncia animado, puxando-a em direção à cama.
-Notícia boa? Se for sobre eu ter conseguido permissão para continuar em Hogwarts, eu já sei. –Hermione fala pensativa, tentando descobrir o que era.
-Não, é sobre amanhã, nosso último dia de férias! –Diz mantendo o suspense.
-O que tem amanhã? –Pergunta sem entender.
-Minerva nos deixou sair! E se você quiser, podemos ir visitar seu tio, foi sugestão dela. –Harry fala com cuidado para não deixa-la triste.
-Eu queria mesmo vê-los, acho que eles também gostariam de me ver. –Pondera sem ânimo.
-Se você não quiser ir, podemos deixar para depois, quando se sentir melhor. –Harry senta ao lado dela, abraçando-a de forma protetora.
-Eu quero, aliás, eu também quero ver o túmulo dos meus pais. Você sabe onde estão? –Hermione pergunta se esforçando para conseguir pronunciar aquelas palavras, mas tentando ser forte.
-Minerva deve saber, eu falo com ela e a gente vai. –Hermione tenta sorrir agradecida, ao que o moreno fica aliviado pela boa reação. –Então, hora de dormir! Teremos que acordar cedo amanhã. –Fala novamente em tom animado.
-Falando nisso, já pensou que é sua última noite aqui? –Pergunta em tom vago, olhando para a cama dele.
-Vou sentir falta de você tentando me fritar. –Comenta tentando descontrair, conseguindo tirar um sorriso tímido dela. –Mas não pensemos em despedidas, até porque sempre tem como um lobinho lhe fazer uma visita. –Diz com um sorriso maroto.
-Vamos ver. –O olhar de Hermione denunciava que pensava o quanto aquilo estaria “fora” das regras. –Mas vai lá se trocar, te espero. –Harry acena e sai rapidamente para que não demorassem a dormir.
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No dia seguinte pela manhã, eles viajam por flú até o Beco Diagonal, haviam decidido ir primeiro ao cemitério, assim teriam o restante do dia para se recuperarem do momento. Hermione tentava permanecer forte, mas conforme ia passando pelas lápides, ficava mais e mais tensa, sentindo-se como se fosse desabar se Harry não estivesse segurando sua mão.
-É aqui. –Harry informou a ela, após conferir os nomes nas lápides.
-Harry, você poderia...?
-Claro, vou esperar ali. –Fala mostrando um pequeno canteiro a cerca de dois metros dela.
Hermione se ajoelha entre as lápides e começa a contar tudo o que estava acontecendo, sem conseguir se segurar mais, começa a chorar pedindo perdão por não poder salvá-los, por ter sido tão fraca e impotente. O chão entre os túmulos começava a ficar tingido com o vermelho das lágrimas da meia-vampira, que não segurava-se mesmo com o sol começando a queimar-lhe as retinas. Após alguns minutos de lamentos e pedidos de desculpas, ela sente alguém levantá-la.
-Não vou discutir sobre isso com você, mas tenho certeza que seus pais não gostariam de te ver assim. –Fala oferecendo um lenço para ela limpar o rosto e as mãos.
-Obrigada. Acho que já podemos ir embora. –Diz tentando se recuperar e deixar de pensar na última vez que os vira.
-Tudo bem, só espera um minuto. –Harry caminha até onde Hermione estava ajoelhada e com um aceno de varinha faz o sangue dela sumir, logo depois faz um corte em sua mão, estendendo-a e deixando seu sangue cair entre os dois túmulos. –Senhor e Senhora Granger, eu juro pela minha vida, pela minha alma, que vou proteger e cuidar de Hermione e que não deixarei ninguém a machucar novamente... Sinto por não poder ter feito nada antes, mas juro solenemente, que apesar de tudo a farei feliz, não importa o que tenha que fazer para isso. –Declara seriamente, deixando seu sangue cair até terminar de falar, quando com a varinha faz um gesto que fecha o corte, limpando a mão em outro lenço que trazia.
-Não devia ter feito isso, esse tipo de coisa para bruxos é sagrada, Harry! É um juramento que terá que cumprir até o fim da sua ou da minha vida. –Hermione diz ao mesmo tempo emocionada pelo gesto e repreendendo-o pelo ato impensado e cheios de consequências.
-Eu sei e não pretendo deixar de cumpri-lo! Foi por minha causa que isto aconteceu e não vou fugir a minha responsabilidade com você! –Afirma determinado.
-Já falei que você não tem que se sentir culpado. –Hermione rebate dando as costas para ele e pondo fogo no lenço que usara para se limpar.
-Eu também já te disse isso, mas nós parecemos ser cabeças duras demais para aceitar. –Fala a fazendo olhar para ele, abaixando um pouco os óculos escuros que ela usava, para poder olhá-la nos olhos. –Eu não vou te deixar, nem agora, nem nunca. Você é a pessoa que sempre esteve ao meu lado, mesmo quando eu não queria, não vou agir diferente com você. Juntos, iremos superar tudo e ser felizes. –Diz a última frase a abraçando forte.
-Não sei explicar o que você está sentindo agora, mas me faz acreditar que irá cumprir sua promessa. –Hermione sussurra ainda abraçada a ele.
-Sabe que é feio espionar os sentimentos dos outros? –Harry comenta e os dois riem ainda abraçados.
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-Sério que é aqui? –Harry pergunta ao olhar para a imponente mansão em estilo vitoriano, porém com traços sutis de modernidade.
-Eu disse que meu tio era bem sucedido. –Diz sem jeito, indo até o portão e acionando o videofone. Entretanto o portão abriu sem que fosse necessária qualquer identificação.
-Bem sucedido é uma coisa, milionário é outra. –Declara apontando pasmo o carro vermelho e preto brilhante que estava na frente da casa. –É uma Ferrari?
-Não. Um Dodge Viper. É do Josh. –Diz entrando e seguindo pelo caminho que levaria a mansão.
-Nunca ouvi falar nessa marca. –Harry comenta e Hermione se vira para ele como se de repente houvessem crescido antenas em sua testa e sua pele estivesse verde. –Foi uma “heresia”?
-Sim, das grandes. –Diz se virando e recomeçando a andar na direção da casa. –Se por acaso eu ficar agressiva, não hesite em me atacar forte. Se há algo que não suportaria, é machucar alguém da minha família.
-Ficará tudo bem, se acalme. –Harry diz confiante e segura a mão de Hermione quando já chegavam a porta.
A porta é atendida por uma loira de quase 1,80m, olhos azuis intensos e semblante doce, a roupa lhe valorizava as belas formas e evidenciava sua elegância. A mulher sorrira largamente e se apressara para abraçar Hermione, estreitando-a forte e depois distribuindo-lhe beijos no rosto.
-É tão bom vê-la, achávamos que estaria muito mal. Aliás, que ideia estúpida é essa de ficar em Hogwarts ao invés de estar com sua família para que pudéssemos lhe dar todo o apoio? –A mulher diz com autoridade, parecendo muito preocupada com Hermione.
-Aconteceram coisas que ainda não sabem, mas pretendo contar. –Hermione diz e Harry fica um pouco mais alerta.
-Entrem, estão todos na sala esperando. Ficamos apreensivos quando recebemos a carta. –Diz entrando e os guiando para dentro. –A propósito, prazer em conhecê-lo, Harry. –O cumprimenta com um abraço carinhoso.
-Prazer, Srta. O’Donnell. –Harry diz incerto de como agir. No entanto Hermione e a mulher riem.
-Obrigada querido, mas eu sou Elizabeth, Liza. Mãe da Jesse. –Diz divertida com a confusão, continuando o caminho até a sala, onde dois homens já se movimentavam na direção deles, indo abraçar Hermione.
-Calma pessoal, está tudo bem. Vamos sentar e conversar. –Hermione diz se desvencilhando após um momento. –Me deixa apresentá-los ao Harry. Estes são meu tio, Peter, meu primo, Josh e aquela é a Jesse.
-É bom conhecê-lo Harry, saiba que muito bem vindo em nossa família. –Peter diz de forma gentil, cumprimentando Harry com um forte aperto de mão.
-Dá um tempo Josh, sou só eu, Hermione, sua irmãzinha. –Hermione diz se afastando para o sofá, Josh a seguia hipnotizado.
-Que isso garoto? Quer vasectomia improvisada? –Peter diz dando um tapa no braço do filho, que parece acordar do transe.
-Eu não sei o que houve…
-Eu vou explicar. Apenas sentem-se e me ouçam com cuidado antes de falar algo. –Hermione pede enquanto se senta, Harry ficando ao lado dela e o restante da família nos outros dois sofás.
Com cuidado e omitindo os detalhes desagradáveis, Hermione fala sobre a invasão a sua casa, a poção que fora forçada a beber e o modo como matara o assassino dos pais. O sorriso pela satisfação da vingança se foi quando Hermione disse o que era a poção e relatou como estava sua vida no momento, as privações, os alertas do especialista, os poderes e terminando com sua “família” vampírica.
-Então essa coisa de eu não conseguir tirar os olhos de você é esse tal brilho? –Josh diz tentando manter o foco no assunto, sentindo-se um pouco aliviado pela culpa não ser sua.
-Sim. Mas até que pra um galinha você está se saindo muito bem. –Elogia sinceramente.
-Você não é afetado? –Peter pergunta seriamente a Harry, os olhos de rapina analisando o moreno.
-O brilho só é forte em rapazes muito ligados ao sexo oposto ou as artes das trevas. –Hermione acalma o tio. –De toda forma, eu queria saber como vocês se sentem a respeito do que eu sou e peço que sejam sinceros. –O tom mostrava que estava preparada para o pior.
-Sempre a amamos como nossa filha e sempre amaremos. –Peter diz se erguendo e indo até a sobrinha. –Não importa o que tenham feito a você, ainda vejo que é a mesma… que é meu anjinho. –Termina beijando-lhe a testa e depois abraçando com força, os outros seguindo o mesmo exemplo.
-Eu sei que nunca nos demos bem, não concordamos em muitas coisas, mas você é minha família e eu não negaria qualquer tipo de ajuda a você. –Jesse diz solidaria, o que faz Hermione sorrir.
-Obrigada. Na verdade, talvez consigamos ter um pouco mais em comum agora. –Hermione diz e, depois de uma aproximação sem jeito, abraça a prima.
-Um dia histórico na família O’Donnell! –Josh anuncia com bom humor. –Rápido, peguem o champagne!
-Nada de bebida há essa hora. Vamos todos almoçar e conversar sobre como as coisas serão daqui para frente. –Elizabeth diz e os outros parecem concordar.
O humor leve permaneceu durante o almoço, o carinho e apoio da família não deixando que Hermione desanimasse mesmo diante das piores expectativas. Alguns planos foram traçados e, ao deixarem a mansão, Harry e Hermione sentiam-se mais leves e esperançosos quanto ao caminho que seguiriam.
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Depois de uma rápida passagem pelo Beco Diagonal onde compraram algumas coisas que faltavam, Harry e Hermione voltaram para Hogwarts, onde conversaram com McGonagall sobre a visita, deixando-a animada com a compreensão e apoio da família de Hermione.
Anoiteceu mais rápido do que perceberam e à medida que o tempo passava, aumentava a ansiedade pelo reencontro com os amigos. Assim aprontaram-se cedo e desceram já uniformizados bem antes do horário da cerimônia.
-Olá, Harry, Hermione! –Hagrid os cumprimenta sorridente.
-Oi. Já está indo buscar o pessoal? –Harry pergunta animado.
-Já sim, vocês querem vir comigo? –Pergunta com um a ar cúmplice.
-Nós podemos? –Hermione pergunta incerta.
-Claro que sim! Minerva os deixou sair hoje, não foi? Além do que, vocês estarão comigo. –Hagrid fala confiante.
-Nesse caso, o que acham de uma corrida? –Harry pergunta com um olhar travesso e os outros dois se entreolham como se analisassem a proposta.
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Os portões de Hogwarts se abrem e Harry, em forma de lobo, Hermione, em forma de pantera, e Hagrid em uma carruagem com Testrálios, disparam rumo a Hogsmeade, em uma corrida alucinada.
-Meu prêmio ao vencedor! –Hagrid dá a Harry uma garrafa de cerveja amanteigada e outra a Hermione, que estavam um pouco cansados da corrida.
-Obrigado Hagrid! Ao lobo mais rápido de Hogwarts! –Harry propõe um brinde.
-Ao garoto mais convencido da Inglaterra! –Hermione brinca, levantando sua garrafa de encontro à de Hagrid e Harry.
-Olha o despeito! –Harry diz falsamente pasmo. –Toda essa agressividade só porque eu ganhei! –Diz quase convencido. –Aliás, Hagrid me deu uma cerveja amanteigada, agora é sua vez de me dar um prêmio! –Provoca com um sorrisinho de canto.
-Prêmio? Que tipo de prêmio? –Pergunta querendo ver até onde ele queria chegar.
-Bom, você poderia... –Harry falava a olhando nos olhos e se aproximando devagar, quando o apito do expresso chama a atenção deles.
-São eles! –Hagrid fala animado, indo até onde o trem pararia.
Assim que o Expresso de Hogwarts para, os estudantes começam a descer. Os cabelos ruivos de Rony logo foram identificados por Harry, que corre com Hermione para recepcionar os amigos.
-Ei, Rony! –Harry chama passando por entre os alunos.
-Harry, Mione! –Rony fala acenando para os amigos.
-E aí cara? –Harry o cumprimentando sorrindo e lhe dando tapinhas amigáveis.
-Tudo bem e vocês? –Pergunta com um perceptível tom de preocupação, olhando Hermione de cima a baixo.
-Tudo bem, Rony, eu não virei uma aberração ou coisa do tipo. –Responde em tom divertido, vendo que ele parecia procurar por algum tipo de sequela.
-Que bom! Ficamos todos muito preocupados, até queríamos vir te visitar, mas McGonagall não deixou nem papai e mamãe virem. –Rony se justifica um pouco constrangido.
-Eu sei, tudo bem. Aliás, você não veio com Gina? –Pergunta sentindo falta da amiga.
-Ela estava com Luna... Ah! Já achei. –Rony fala procurando pela irmã e a vê perto de Luna e Neville.
-Vamos então. –Diz já indo até os amigos, antes que entrassem nas carruagens.
-Não, quer dizer, eu queria falar com Harry um minuto, tudo bem? –Rony pergunta ficando vermelho.
-Claro, tudo bem. A gente se vê depois. –Hermione age normalmente, logo se afastando para se encontrar com a amiga.
-O que foi, Rony? –Harry pergunta estranhando o jeito do amigo.
-Eu só que eu queria saber se ela está bem mesmo, quer dizer, não é fácil ser... você sabe... é, quero saber se ela pode mesmo ficar no meio de todo mundo, sem... er...
-Virar um monstro? Atacar alguém? –Harry pergunta não gostando da dúvida do amigo, vendo que ele se sentia desconfortável com a situação. –Ela está bem, é a mesma de sempre. –Diz controlando mais o tom, não querendo chamar atenção.
-Que bom, você não sabe como mamãe chorou quando ficou sabendo! Todos nós ficamos muito chocados. –Comenta com Harry, que observa Hermione chegar a Gina.
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-Oi pessoal! –Hermione fala animada, ao encontrar Gina, Luna e Neville.
-Oi Mione! Não sabíamos que você ia vir nos buscar. –Gina comenta abraçando a amiga.
-Nós também não sabíamos, mas quando Hagrid nos viu já prontos, nos convidou para vir com ele.
-Você virou monitora-chefe, Mione?! –Neville exclama admirado, vendo o distintivo reluzente no peito da garota, chamando atenção de Luna e Gina, que não haviam notado.
-Eu não acreditei quando Minerva me disse, fiquei tão feliz! –Hermione fala mostrando o distintivo às amigas.
-Você está muito bem, ninguém diria que toda aquela tragédia aconteceu se te vissem assim! –Luna fala no tom aluado de sempre, fazendo Gina dar-lhe um cutucão e Neville ficar sem saber para onde ir.
-Foi difícil e ainda é, mas eu estou bem melhor... Ah, os garotos tão fazendo sinal para nós, é melhor irmos. –Hermione fala ao ver Harry e Rony fazendo sinal, o que deixa tanto Neville quanto Gina aliviados.
Os quatro seguem em frente quando alguém segura o braço de Hermione e a puxa, fazendo seus rostos ficarem a centímetros um do outro. O cheiro humano fez Hermione se segurar, ainda não sentia-se tão bem com aproximações abruptas.
-Posso sentir a noite crescendo dentro de você, e quando ela te dominar eu estarei lá para acabar contigo. –Um garoto de cerca de 1,80m, cabelos castanhos um pouco ruivos, compridos até os ombros e presos em um rabo de cavalo, olhos castanho-esverdeados e porte físico atlético, sussurra com o rosto colado ao de Hermione, que devolve o olhar intimidador dele.
Sem que Hermione diga nada, ele segue para as carruagens e Hermione dá dois passos, até sentir alguém segurar sua cintura e passar suavemente a ponta do nariz em seu pescoço.
-Posso sentir seu fedor de longe, sanguessuga! Vou ficar de olho em você, não faça nada impensado. –Um rapaz com uma voz grave, sussurra em seu ouvido antes de se afastar.
Ao se virar, ela pode ver que ele tinha cerca de 1,90m, cabelos negros curtos com uma "barba por fazer", olhos castanhos e parecia bem forte, pois pôde sentir os músculos dele quando estiveram “juntos”.
-Quem eram aqueles dois? –Harry pergunta mal humorado, assim que ela se aproxima de onde ele esperava com os outros.
-Entra que eu falo. –Responde tentando ignorar o tom de Harry e entrando na carruagem com Gina e Rony, Luna e Neville não estavam.
-Uau! Mal começou o ano e dois gatos já tão em cima de você?! Eu não me lembro de já ter os visto, mas pareciam bem interessantes. –Gina comenta empolgada.
-Pois eu não gostei nada disso! Quem eram aqueles idiotas? –Rony pergunta no mesmo tom que Harry usara antes.
-Os idiotas que me causarão muitos problemas. –Diz observando a carruagem se afastar, tentando ver se poderia falar sem ser ouvida.
-Problemas como? –Harry pergunta desconfiado.
-Eu não sei explicar, mas senti um arrepio transpassar pelo meu corpo ao chegar perto do primeiro, era como se meus sentidos ficassem totalmente ligados. Tenho quase certeza que era um caçador. –Hermione diz sentindo um leve arrepio em sua espinha, vendo que os rapazes pareciam ponderar ainda mal humorados.
-Um caçador de vampiros? –Gina pergunta boquiaberta.
-Sim, acho que sim. O outro era um lobisomem, que também me disse que ia ficar de olho em mim. Acredito que os dois estejam loucos para me matar. –Fala tentando manter os modos calmos e o pensamento frio.
-Temos que falar com McGonagall, ela não pode aceitar os dois lá! –Harry fala transtornado.
-Ela pode e deve, isso seria um jeito diplomático de levar as coisas, assim se eu ficar quieta, na minha, não vai acontecer nada. Caso eu “tropece” não faltará quem me segure. –Hermione fala olhando as estrelas, não querendo encarar os rostos dos amigos.
-Mas vai ficar tudo bem, quer dizer você já passou do primeiro mês. –Gina pergunta tentando amenizar as coisas.
-Isso não é um grande consolo, passei da fase crítica, mas terei que me controlar durante todos os dias da minha vida, nunca será fácil… nunca. –Hermione tenta falar normalmente, mas não consegue deixar de parecer desconfortável.
-Qualquer coisa eu acabo com aqueles idiotas e com qualquer outro que chegue perto de você. –Harry garante de forma protetora e um pouco possessiva.
-Vocês acabaram de conhecer meu novo pai! –Hermione ironiza e todos riem, com exceção de Harry que a olha preocupado.
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A cerimônia de seleção acorrera normalmente com o chapéu falando sobre a linha estreita entre trevas e luz, os estudantes foram divididos de modo que a Sonserina e a Grifinória ficassem com a maior quantidade de alunos.
-Quero lhes informar, que mesmo não sendo usual, teremos alunos novos esse ano que entrarão no sétimo ano de nossa escola. Eles passarão pelo mesmo processo de seleção e peço a todos que os recebam bem e se esforcem pra deixa-los à vontade em Hogwats. –McGonagall levanta de sua cadeira no centro da mesa dos professores e comunica a todos a exceção ocorrida naquele ano.
-Hellsing, Christian. –Tonks, atual professora de transfiguração e diretora da Grifinória, anuncia o primeiro.
-Sabia que era um caçador. –Hermione sussurra desanimada para que só Harry e Rony ouvissem. -Grifinória não, Grifinória não! –Pensa como um mantra, enquanto ele passa a observando e senta-se no banco, ainda a olhando.
-Corvinal! –O chapéu seletor anuncia e a mesa da Corvinal aplaude o novo membro, enquanto Hermione respira aliviada.
-Logan, Derick. –Tonks anuncia o próximo, que assim como o anterior, não para de observar Hermione, que novamente deseja que não seja escolhido para a Grifinória.
-Lufa-Lufa! –O chapéu anuncia e Hermione suspira aliviada, ao contrário dele, que parece frustrado por estar em uma casa diferente da dela.
-Que pena, os dois gatinhos ficaram longe de você. –Pavarti comenta com Hermione.
-Eu prefiro assim. –Responde encerrando o assunto e olhando os amigos de modo que entendessem que conversariam depois.
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Pela manhã, Hermione comentara com Rony, Harry e Gina que os caçadores e lobisomens exigiram a presença de um representante para “conter danos” e McGonagall cedeu para evitar problemas, porém a escolha de Tonks para professora era uma garantia de que Hermione estaria protegida pelo corpo docente. Ainda no caminho, feito por corredores mais vazios, para o salão principal, os irmãos Weasley haviam dito que tinham recebido treinamento semelhante ao de Harry, incluindo animagia, tendo Rony assumido a forma de touro e Gina a de águia.
-Ontem eu já tinha notado, mas hoje está ainda mais evidente. Os garotos não tiram os olhos de você! –Gina diz depois que haviam passado por alguns alunos nos dois primeiros andares, alguns até arriscaram a asoviar, antes de irem para a mesa da Grifinória.
-É a porcaria do brilho, mas vamos tentar ignorar. –Hermione responde em um resmungo, fazendo questão de ficar de costas para as outras mesas.
-Só toma cuidado com o idiota do Malfoy. Aquele asqueroso deve ficar babado por você e como monitor-chefe vocês dividirão um escritório. –Harry adverte cauteloso.
-Não se preocupe, vou evitar problemas. –Hermione garante tranquilamente, não seria problemas evitar o sonserino se organizasse bem os horários.
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Após a primeira aula, Hermione tinha um horário vago e o usou para ir ao escritório ver os primeiros documentos daquele ano letivo e deixar sobre a mesa de Malfoy a escala de trabalho de ambos. Contudo mal chegara e ouve a porta se abrir, o ar carregado de um cheiro que fazia os pelos de sua nuca se ouriçarem.
-Não sabe bater? –Pergunta em clara reprimenda a falta de educação de Logan.
-Sabe por que estou aqui? –Pergunta ignorando a chamada de atenção.
-Porque os lycans queriam vigília em tempo “integral” e fácil acesso. Mas isso não significa que possa invadir meu escritório quando bem entender, se houvesse batido eu teria permitido sua entrada. –Diz disciplinadora, mantendo a distância necessária, porém se mostrando acessível.
-Eu adoro quebrar esses narizes empinados de vampiro. Mas vou me segurar por enquanto, só não se engane se não me vir tão de perto, seu fedor vai me fazer sempre saber onde está. –Diz de modo duro, quase rosnando.
-Sinto lhe dizer que não alimento animosidade, pelo contrário. Um grande amigo e professor que tive é lobisomem, inclusive tive aulas com ele nas férias, seu nome é Remo Lupin. -Diz se recostando em sua mesa, os olhos tranquilos mirando o rapaz a sua frente. –Eu não desejo viver como vampira ou adotar seus conceitos, continuarei como sempre respeitando os outros seres sejam elfos domésticos, centauros ou lobisomens.
-Que bonitinho! –A voz carregada de ironia vem da porta, por onde Hellsing passava. –As aberrações já estão fazendo aliança? Já começaram a dividir quem será jantar de quem?
-Isso é um escritório e não uma zona, bata e se anuncie antes de entrar. –Hermione diz de forma rígida, mas logo depois recuperando o tom prático. –Já disse ao Logan e estou dizendo agora a você: Não quero problemas. Eu estou tentando levar a minha vida o mais normalmente possível e assim continuará sendo, tenho o apoio dos meus amigos e dos professores e estou confiante de que conseguirei.
-Não conseguirá! –Hellsing diz com a certeza de quem vê um céu carregado e diz que vai chover. –Você irá ceder a sua sede, porque você não suporta algo que há em abundância por aqui. –Ao dizer isto, Hellsing usa uma faca de prata para cortar um dedo, deixando que o sangue escorresse.
Hermione enrijece e tenta se afastar, Logan descruza os braços e olha atento para ela, ao que Hellsing corta outro dedo, aumentando o cheiro do sangue. As mãos de Hermione a abraçaram, enquanto sua garganta ardia e a voz rouca e agourenta começava a soar em seu interior pedindo pelo doce alimento.
-Guardem as varinhas. –Harry ordena entrando na sala com Rony. –Ninguém será atacado aqui, a menos que vocês queiram arranjar problema comigo.
-Acha que tenho medo de você, heroizinho? –Hellsing quase ri do ridículo que aquilo lhe parecia. –Eu fui treinado desde antes do meu nascimento, sou muito mais bruxo e mais homem que você e o seu amigo juntos.
-Quer pagar pra ver? –Rony desafia sacando a varinha, mas Harry o segura.
-É isso que eles querem. –Diz atravessando a sala, indo até Hermione, que encolhida tremia, reflexo de sua luta interna. –Deem o fora daqui antes que Rony os mande para uma detenção juntinhos.
-Isso aí. Posso começar agora mesmo tirando 15 pontos da Corvinal e 15 pontos da Lufa-Lufa por intimidar uma monitora e atrapalhar o trabalho da monitora-chefe. –Ron diz com autoridade.
-Que palhaçada é essa aqui? –Draco diz ao entrar no escritório, rapidamente vendo o sangue na mão de Hellsing e o jeito como Hermione quase convulsionava nos braços de Harry. –Logan, Hellsing, tem dois minutos para sumir do meu raio de visão antes de tomarem detenção.
Tendo a desvantagem numérica e ainda a resistência maior que o normal de Hermione, ambos resolvem desistir e sair do escritório, cada um tomando um caminho diferente.
-Malfoy, sei no que está pensando, mas já aviso. Qualquer gracinha motivada ou não pelo brilho e eu acabo com você e ainda posso colocar a culpa em um dos idiotas que saíram daqui. Então não me tente. –Harry ameaça tão incisivamente, que não deixa dúvidas para Draco da veracidade de suas palavras.
Os três grifinórios saem do escritório, Hermione ainda segura por Harry, Rony atrás ainda em alerta, a varinha firme em sua mão.
-Você foi incrível, Mione. Mostrou a eles que não terão vida fácil. –Harry sussurra para a morena, que assente, tentando se controlar para sair da forma vampírica.
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N/A: O que acharam dos novos personagens? Temos aí um lobisomem, um caçador e uma família para Hermione, coisa que gosto de inserir nas tramas já que é normal que todo mundo tenha família apesar da JK ter ignorado isso para Hermione.