7) Natal...
Hogwarts estava quase vazia, agora. Pouco a pouco, a maioria dos alunos voltava para suas casas para comemorar as festas de final de ano. Lily correu ansiosa para o corujal. Estava decida a permanecer na escola durante todo o recesso e precisava enviar uma coruja para seus pais dizendo que não poderia viajar para a Irlanda com eles. Sua desculpa era que precisava ficar e estudar, pois estava tendo dificuldades em acompanhar a matéria. Ninguém em sua casa a questionaria, não havia bruxos em sua família, então, para eles, era normal que Lily tivesse um pouco de dificuldades.
Na verdade, Lily decidira ficar com Sevie no natal. Estava preocupada com ele desde o dia em que os pais do rapaz estiveram na escola. Desde então, ele estava mais silencioso e melancólico que o costume e até mesmo seus encontros escondidos cessaram por um tempo.
A jovem subiu as escadas do corujal com bastante cuidado, o dia estava tão frio quanto no dia em que haviam se encontrado naquele mesmo lugar. Seu coração se agitou ao lembra-se, tudo estava exatamente como naquele dia! Até mesmo as corujas reagiam com resistência à menina que tentava obrigá-las a levar a mensagem. Olhou novamente para os fundos do corujal na esperança de encontrar o vulto escuro que estaria à sua espera, mas não havia nada ali.
Desapontada agarrou uma coruja qualquer e prendeu a carta em sua pata. O animal protestou, mas Lily a olhou severamente.
- Não me importo se você quer ou não levar a carta agora. Esse é o seu trabalho e eu realmente preciso que o faça.
A pobre coruja piou amedrontada e imediatamente alçou vôo levando a carta de Lily. Pronto! Menos um problema a ser resolvido! Agora poderia se dedicar inteiramente ao presente de Natal que pretendia dar a Sevie. Aproximou-se de uma das janelas do corujal e suspirou, era sua vez de fazer Severus sentir algo inesquecível. Mas como faria aquilo? Não tinha idéia.
Voltou para o castelo desanimada, precisava encontrar uma forma de ficar sozinha com Sevie por algumas horas e então poderia... Mais uma vez as lembranças de seus encontros com o rapaz a fizeram tremer. Um dia Sevie lhe contara sobre uma tal, sala precisa. Esta sala se adequava às necessidades de quem a encontrasse. Seria perfeito! Mas, pensando melhor, nem mesmo Sevie sabia onde ficava tal sala, era mais capaz ser uma lenda que verdade.
Suspirou longamente, seus planos pareciam fadados ao fracasso. Teria de falar com ele para encontrarem uma solução juntos. De toda forma, Sevie ficaria feliz com sua decisão.
Sentou-se em um banco para meditar sobre o que fazer e, quando estava quase desistindo de seus planos, ouviu alguém se aproximando. Não demorou a identificar quem se aproximava, eram Lúcius Malfoy e Narcissa Black. Ele carregava seu malão e conversava com a bela jovem que parecia um pouco triste. Estavam se despedindo e nem notaram a sua presença.
- Desculpe-me Cissa! – Malfoy disse com sua voz pastosa – Papai quer me apresentar um amigo seu, faz questão que eu esteja em casa no recesso.
- Havíamos combinado passar o Natal juntos, lá em casa Lúcius! – Cissa choramingou – Não é justo!
- Eu sei, mas esse tal lord Voldemort, parece ser um bruxo muito poderoso e papai está certo que ganharemos muito com essa parceria, Cissa. – ele parou por um momento segurando a mão da garota - Eu juro que na próxima vez não faltarei!
- Está bem, Lúcius! – Cissa fez um gesto de quem não se importava e Malfoy a agarrou pela cintura.
- Não gosto dessa carinha triste! – disse após beijar-lhe os lábios carinhosamente – O que mais te preocupa?
- Bem, na verdade... – Cissa hesitou, mas em seguida revelou – Estou preocupada com o Severus!
- Snape! – Lúcius a olhou desapontado.
- Sim! – explicou preocupada – Ele vai passar as festas de final de ano sozinho!
- Ora Cissa, ele sempre fica sozinho. – Lúcius pegou o malão do chão. – Acho que ele até gosta! Todos os seus companheiros de quarto já viajaram, ele pode ficar com todo o dormitório só pra ele!
O casal foi se afastando e um pensamento a invadiu. Ele estaria sozinho!!! Uma idéia tomou forma dentro de si. Ela mesma estaria sozinha em seu dormitório! Ninguém sentiria sua falta! Mas havia um problema! Uma pequena nuvem escura pairou sobre sua mente cobrindo quase totalmente a sua genial idéia. Como conseguir a senha de acesso das masmorras?
Lily passou quase todo o dia procurando uma maneira de descobrir qual era a senha de acesso das masmorras de Sonserina, porém não conseguiu. Cansada, sentou-se no sofá da sala comunal da Grifinória e suspirou.
- Problemas Lily? – a voz de Remus Lupin a fez voltar à realidade.
A garota o olhou espantada, não notara, ao entrar que os quatro amigos estavam reunidos ali. Cada um trazia seu malão. Estavam deixando Hogwarts! Um pouco constrangida, Lily resolveu arriscar uma pergunta, pois eles eram os reis das armações, não havia senha ou segredo que não soubessem desvendar!
- Remus, o que você faria para descobrir um segredo?
- O que? – James sorriu malicioso – A senhorita certinha quer descobrir um segredo na marra?
- Não enche, Potter! – defendeu-se Lily arrependendo-se da pergunta.
- Ora, James, agora que a garota está descobrindo o prazer em quebrar as regras, você a intimida! – Sirius fingiu ralhar com o amigo – A graça de um segredo está em desvendá-lo!
- Bem, Lily, existem muitas formas. – Remus sorriu – Algumas são simples, outras demoram bastante. Depende do segredo e da astúcia de cada um.
- Eu te aconselho o feitiço confundus, para os casos mais simples. – Sirius simplificou diante da cara de desapontamento da garota - Depois de confundida a sua vítima vai implorar pra te contar tudo, até o que você nem quer saber.
- Um feitiço para confundir? – Lily tentou esconder a excitação fingindo-se indignada – Isso só poderia vir de você Black. Que atitude baixa! Não deveria nem ter procurado a opinião de vocês. Querem saber, boas festas! – e saiu da sala como se estivesse furiosa.
Os quatro garotos a viram deixar a sala admirados, o que havia acontecido?
- Eu hein! – Pedro guinchou – Mina maluca!
- É isso que dá tentar ajudar.- Sirius deu com os ombros.,
- Se ela não queria saber a resposta, por que perguntou? – James coçou a cabeça intrigado.
- Coisas de mulheres, James. – explicou Lupin com um sorriso sagaz. Sabia que ela já conseguira a resposta para o que queria.
Lily deixou a sala radiante e caminhou pelo corredor em direção ao pátio! Tudo começava a se ajeitar. Estava tão feliz que sentiu até certa afeição por Sirius e seus amigos. Agora, era só encontrar um sonserino desavisado e por seu plano em prática! Mas onde encontrá-los àquela hora? Hogwarts já estava praticamente vazia!
Ao passar pela porta da biblioteca, sem que esperasse, Bellatriz saiu apressada carregando uma pilha de livros. Sem tempo para desviarem-se as duas se chocaram e os livros caíram espalhando-se pelo chão. Atordoada, Bellatriz olhou para os livros e voltou-se para Lily furiosa:
- Como se não bastasse ter que levar para casa todos esses malditos livros de reforço, ainda tenho que encontrar essa estabanada!
- Me desculpe, eu não havia visto você! – disse Lily atônita. – Você veio muito rápido!
- Claro que não me viu! – Bella a insultou – Uma desmiolada como você vê alguma coisa?
- Oras, não sou eu que saio das salas parecendo uma louca, sem nem olhar para os lados!
- Bem típico não é mesmo? – Bella aproximou-se ameaçadoramente – A escória do mundo bruxo ainda se acha no direito! Suma da minha frente sua sangue-ruim!
Imediatamente Lily puxou sua varinha de dentro das suas vestes e a apontou para Bella.
- Do que me chamou? – perguntou irada.
Bella gargalhou estridente, e antes que Lily percebesse, apontou sua varinha e berrou:
- TARANTALLEGRA!
Lily foi ao chão, suas pernas não a obedeciam mais, pareciam ter vida própria e se agitavam freneticamente em todas as direções. Num esforço incomum, ergueu a varinha e lançou a primeira azaração que lhe veio em mente:
- CONFUNDUS!
Bella foi jogada para trás e Lily teve tempo para fazer o contra-feitiço para suas pernas:
- FINITE INCANTATEM! – Pouco a pouco foi parando de se mover, até que pode se levantar novamente.
Caminhou até Bella que estava sentada no chão e a olhava apalermada. Era uma sorte não haver ninguém por perto! Lembrou-se então que Bella era da casa de Severus! Sorriu por dentro satisfeita com o acaso.
- Bellatriz! – ordenou com voz firme – Quero que me diga a senha da entrada das masmorras!
A garota a olhou piscando lentamente seus grandes olhos negros. Depois disse com voz frouxa:
- Vípera Fuoco...
Lily sorriu malignamente surpresa. Não é que havia funcionado!
- Bellatriz, ouça com atenção! – Lily segurava-se para não rir - Quando o feitiço acabar você não se lembrará de nosso encontro e fará uma coisa por mim...
E naquela mesma tarde, quando o último grupo de alunos que iam para casa deixaram o castelo, várias pessoas puderam ver um embasbacado Sirius receber um abraço afetuoso seguido de uma chuva de beijocas carinhosas de sua mais odiada prima, Bellatriz Black!
Sombras compridas se desenhavam por todos os corredores de Hogwarts àquela hora do dia. Pouco a pouco a luz do sol se desfazia e a penumbra tomava conta de todos os recantos dentro e fora do castelo. Lily seguia ansiosa por aqueles corredores intermináveis que levavam às masmorras. Estava apreensiva mesmo sabendo que dificilmente haveria alguém no caminho, pois os poucos que restaram na escola estavam, agora, no salão principal se deliciando com uma farta refeição natalina.
Quanto mais se aproximava de seu destino, menos reparava no caminho. Só conseguia ouvir o bater apressado de seu coração e seus pensamentos passando como relâmpagos à sua volta. Tinha medo, mas não desistiria de seus planos.
Tão preocupada que estava com o próximo passo a ser dado, mal notou que acabara de entrar na sala comunal de Sonserina! Agia automaticamente, como se tudo o que deveria fazer, simplesmente acontecesse à sua volta, sem que ela percebesse que o havia feito!
Atravessou apressada a aconchegante sala decorada com incrível tapeçaria verde e prateada e parou subitamente à entrada dos dormitórios da ala esquerda. Não sabia qual era o dormitório dos meninos! Ouviu vozes vindas dos dormitórios da direita e escondeu-se num vão da parede. Duas garotas saíram conversando animadamente dos dormitórios. Lily sorriu ao constatar: estava na direção certa!
Subiu as escadas correndo, estava cada vez mais perto de seu objetivo! Agora precisava encontrar o dormitório certo! Seguiu o corredor cautelosamente verificando cada quarto de que se aproximava, até que, enfim, reconheceu o velho malão ao lado de uma bem feita cama de cortinados verdes.
Entrou no quarto quase sem poder respirar, tamanha era sua agitação. Aliviada constatou que Lúcius estava certo, todos os outros haviam ido passar o natal em suas casas, Severus estava sozinho!!! Fechou a porta para garantir que não seria vista e aproximou-se da cama que supôs ser a do garoto. Sentou-se um pouco encabulada, observou todo o quarto e sorriu ao lembrar-se com carinho da ousadia do rapaz no primeiro beijo que deram! Jamais poderia imaginar que um dia estaria ali, no seu dormitório, prestes a... Deitou-se na cama e respirou fundo, pouco a pouco percebeu que conhecia aquele perfume, virou-se de lado e respirou profundamente abraçando o travesseiro. Sim aquele era o cheiro de Sevie, perfume que ela conhecia tão bem e que a fez sentir-se excitada, instantaneamente!
Severus entrou tristemente na sala comunal da casa de Sonserina. Esperava encontrar Lily no jantar de natal, mas, ao que parecia, ela havia ido passar o feriado em casa! Decepcionado parou diante de uma janela de onde pode avistar o corujal. Como ela pôde ir sem se despedir? Mais uma vez o gosto amargo da desilusão o invadiu. Virou-se bruscamente para evitar olhar para aquele local. Desejava poder esconder-se por completo, num lugar onde ninguém o perturbaria e as lembranças se desfariam diante de tanta escuridão. Decidiu ir rapidamente para seu quarto.
Abriu a porta bruscamente, como se ela fosse a culpada por todos os seus dissabores. E parou estático diante da garota que, da sua cama, o olhava assustada. Sentiu-se como se tivesse acabado de desaparatar e, aos poucos, todos os seus músculos foram relaxando, demorou um pouco para perceber que não estava sonhando, até que a jovem sorriu e disse:
- Procurando alguma coisa, Severus?
- Procurava... – ele balbuciou – Mas não esperava encontrar aqui!
Lily se aproximou sutilmente e beijou-lhe os lábios. Severus ainda não acreditava que aquilo pudesse estar acontecendo.
- O que você está fazendo aqui? – perguntou atrapalhado e se amaldiçoou intimamente por causa da pergunta idiota que fizera.
- Vim trazer seu presente de natal! – respondeu ainda sorrindo.
Como que caindo em si Severus encostou a porta e sorriu dizendo:
- Um presente! O que poderia ser?
Lily sentiu seu rosto em chamas e não conseguiu sustentar o olhar que mantinha fixo em Severus. Mas, em seguida sorriu e disse sem olhá-lo:
- Não me faça dizer isto!
Severus aproximou-se, com um olhar cúmplice. Retirando a varinha de dentro das vestes e apontando-a para a porta sem se virar fez sua voz ressoar:
- Colloportus!
Lily estremeceu ao ouvir o baque surdo da porta se trancando e Severus se aproximando cada vez mais. Ergueu o rosto e seus olhos se encontraram. Lily suspirou e pouco a pouco deixou que suas mãos tocassem o rosto de Sevie, ele fechou os olhos ao sentir o toque da garota e se curvou um pouco para que Lily pudesse beijá-lo.
Severus a puxou de encontro ao seu corpo. Agora podia sentir a doce suavidade das formas de Lily desenhando-se em contato com seu peito. Habilmente, Lily livrou-se da gravata e da camisa de Severus, que resolveu imitá-la tentando retirar a gravatinha vermelho e dourada, que fazia parte do uniforme dos grifinórios, porém não conseguiu! Não sabia se por estar nervoso ou por o nó estar muito bem feito.
Divertida, Lily se afastou e começou a desfazer-se de seu uniforme. Logo sua camisa jazia aos pés de Sevie que a olhava admirado enquanto ela se afastava cada vez mais, sem deixar de olhá-lo nos olhos, e se sentava na cama.
Atraído por aquele olhar, Severus se aproximou da cama e sentou-se ao seu lado envolvendo-a em seus braços. Nenhum dos dois saberia explicar bem como ocorrera, mas quando perceberam restavam-lhes apenas suas roupas de baixo.
Severus ergueu-se um pouco e passou a observar a beleza de Lily. Notou admirado o quanto sua pele branca contrastava harmonicamente com sua langerie de cor lilás, e o quanto era linda com seus cabelos avermelhados espalhados pelo colo. Ela era perfeita! Não pode evitar um pensamento inoportuno que o fizera sentir-se inseguro. Como um anjo poderia estar com ele, um Ranhoso sem jeito? Eram muito diferentes, e pela primeira vez essa diferença o assustava.
Lily passou a mão por seus cabelos e Severus notou o quanto isso a agradava! Talvez não fossem tão diferentes assim! Talvez se igualassem no que sentiam um pelo outro! Então ela o puxou para mais um beijo apaixonado, e Severus sentiu que entre eles não havia nenhuma diferença. Tinha certeza, agora, que eram iguais e que ele a queria mais do que nunca.
Para sua surpresa, Lily tirou o sutiã revelando uma beleza oculta que Sevie só tinha conhecimento através do contato com suas mãos. Não pôde resistir mais, há quanto tempo desejava tocá-los de uma maneira mais completa! Quase sem perceber aproximou-se e envolveu com os lábios a suave pele rósea fazendo Lily gemer.
Inebriada, Lily foi tomada do impulso de se desvencilhar da única peça íntima que lhe restava e que a fazia sentir-se incomodada. Tão logo se desfez do empecilho, procurou garantir que Severus ficasse nú. Encontravam-se, assim, totalmente livres para revelar-se um ao outro como tinha que ser.
Podiam sentir, agora, toda a intensidade do contato entre os seus corpos. Então, Lily puxou Severus de encontro ao seu corpo e o guiou através de si para que ele pudesse desvendar os seus segredos. Sentiu, de início, um breve desconforto que, regido pelos movimentos de Sevie, logo se transformou em prazer.
Foi com surpresa que Sevie deixou-se ser guiado e, mais ainda, que constatou como Lily reagia a cada movimento seu. Percebeu que seu prazer era o prazer dela, era como se sentissem o mesmo, na mesma intensidade e ao mesmo tempo. Então, todas aquelas sensações foram crescendo até que Lily gemeu forte e, por um instante esqueceu-se de quem era, esqueceu-se até mesmo de respirar. Deixara de existir! Era, agora, parte única e inegável de um imenso prazer. Enquanto que Sevie sentia cada parte de seu corpo vibrar, como se uma força o invadisse e ele se tornasse imortal. E assim se manteve até que uma agonia prazerosa se esvaísse de seu corpo o deixando exaurido. Fora reduzido a nada!
Por um breve instante parecia que se desligaram um do outro, carregados pela onda de sensações. Porém logo se encontraram nos olhos um do outro, uma única alma e um único corpo, já não eram solitários! Abraçados, deixaram-se adormecer sem ousar dizer uma única palavra. Não era necessário! Tudo estava dito: se amavam!
Severus acordou ao menor movimento de Lily. A jovem estava se levantando quando ele a segurou em seus braços delicadamente:
- Aonde vai? – perguntou sorrindo – Ainda é noite!
- Preciso voltar antes que amanheça! – Lily deixou-se arrastar de volta – Depois, será quase impossível sair!
- Eu dou um jeito! – pediu beijando-lhe o pescoço – Fica!
- Não posso! – gemeu entregando-se às caricias de Severus – É melhor assim! Podem nos descobrir, Sevie... Vão nos expulsar!
- Está bem, Lily! – Severus a beijou com paixão – Você está certa! Eu te levo até as torres!
A jovem grifinória sorriu satisfeita, não lhe agradava muito andar sozinha pelo castelo à noite desde o dia em que foram atacados pelo lobisomem! Mas não havia nada com o que se preocupar, tirando Nick-quase-sem-cabeça, que cochilava flutuando no corredor de acesso às torres, não havia mais ninguém por perto.
Beijaram-se, mais uma vez, e outra, e outra até que Lily sorriu e afastou-se passando pela abertura do retrato.
Lily demorou um pouco a dormir, estava muito feliz e repassou em suas lembranças cada momento da noite mais importante de toda a sua vida. Nem percebeu o sono tomar conta de seu corpo cansado e levemente dolorido, apenas pode perceber um suave perfume que a envolvia e a fez despertar tranqüilamente naquela manhã. Respirou profundamente deixando que seus pulmões absorvessem todo o prazer contido naquele olor. Abriu os olhos intrigada ao perceber que, involuntariamente, suas mãos aprisionavam algo macio e delicado que se desfez ao contato com sua mão. Fixou o olhar e pode perceber que era uma linda flor, correu os olhos ao seu redor e percebeu que toda a sua cama estava tomada por delicadas florzinhas escarlates idênticas à que Sevie lhe dera outro dia. Entendeu rapidamente que tudo aquilo era obra do jovem sonserino e sentiu-se divinamente fabulosa, em comunhão com a perfeição!
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