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4. Ainda podia ser pior


Fic: Ação e reação


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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_Harry? – alguém me sacudia delicadamente. – Harry, querido... Você vai se atrasar!
Abri os olhos e vi a imagem borrada de uma mulher ruiva em minha frente. A primeira pessoa que me veio a cabeça foi a sra. Weasley, depois percebi que era magra demais para ser ela. Estendi o braço e peguei meus óculos. Os coloquei e então a mulher entrou em foco.
_Mãe? – perguntei. O som daquela palavra saindo de minha boca soou completamente estranho.
_Bom dia, querido! – ela sorriu. – É melhor se levantar, ou vai se atrasar para o trabalho... – ela puxou minhas cobertas como se eu fosse um menino preguiçoso e então saiu do quarto.
Larguei-me na cama e fiquei olhando o teto. Então era verdade; meus pais estavam vivos novamente, mas isso significava que os Weasley não estavam. A sensação era estranha. Um misto de felicidade e culpa. Resolvi me levantar de vez. Mamãe havia falado em me atrasar para o trabalho, mas eu não sabia no que trabalhava, quer dizer, eu costumava ser auror, mas agora eu não sabia mais o que eu fazia. Fechei os olhos e tentei me lembrar. Não demorou até a friagem conhecida invadir meu corpo. Cenas desconexas invadiam minha mente:
Crianças correndo, muita falação, o lugar era a Ordem da Fênix, ‘auror’ pensei comigo. ‘Eu ainda sou auror?’ Então me vi indo até os fundos da casa, muito diferente do que eu me lembrava, estava transformado num campo de quadribol em escala menor. Percebi que segurava uma vassoura nas mãos. Do lado de fora algumas crianças me esperavam, todas usavam a mesma roupa. ‘Professor! Eu sou professor!’ Sorri animado. ‘Professor de vôo!’, mas aquela não era Hogwarts, aquele era o Largo Grimmauld.
Abri os olhos e retornei ao meu quarto, as lembranças surgindo em frente aos meus olhos como um trailer de filme trouxa. Troquei-me e desci para o café. Toda família já estava acordada, todos falavam animados. Saímos todos ao mesmo tempo, usando a lareira da casa. Fiz questão de ficar por último para ouvir para onde cada um deles iria. Todos foram para o Ministério da Magia, Nicolle para o departamento de Cooperação Internacional, Naty para o Departamento de Esportes e meu pai para o Departamento de Mistérios. Sorri para minha mãe que nos assistia e então entrei na lareira dizendo: Largo Grimmauld.
A casa estava diferente do que eu me lembrava em meu passado e na minha lembrança da noite anterior. Não havia mais tantos quadros espalhados por ela, senão mapas estelares, certificados de formação, alguns troféus. A sala não estava mais mobiliada como antigamente. Tinha algumas poltronas em alguns cantos, mas estava bem mais vazia que antes. Um cheiro agradável de chá vinha de onde antigamente fora a cozinha. Ouvi alguns passos apressados e então três adolescentes passaram correndo subindo a escada que daria para os dormitórios.
_Bom dia Prof. Potter! – disseram ao mesmo tempo.
Não pude deixar de rir com aquele tratamento. Segui até a cozinha pensando em tomar uma xícara daquele chá tão gostoso. Lá se encontravam dois elfos que eu nunca havia visto antes, mas que fizeram uma grande reverência quando apareci. Sentados a mesa estavam dois homens que eu não conhecia, um pouco mais velhos que eu, Neville e Luna. Mal pude disfarçar a emoção de vê-los em minha frente. Pelo menos Luna eu tinha salvado.
_Bom dia! – falei animado.
_Bom dia Harry! – responderam.
Em seguida a sineta tocou, Neville e os dois homens se levantaram deixando suas xícaras de chá pela metade em cima da mesa. Passaram por mim e subiram para o segundo andar. Os elfos tiraram as xícaras da mesa e as levaram para a pia. Um as lavou, de costas para Luna e eu, o outro correu para fora, tirar o lixo, eu acho. Luna se levantou e veio até mim sorrindo. Tive a impressão de que ia me dizer alguma coisa. Ao invés disso ela passou direto, mas segurou minha mão me puxando para a sala. Fiquei transtornado no primeiro momento, mas o pior ainda estava por vir: quando chegamos à sala deserta ele se pendurou no meu pescoço e me deu um beijo rápido nos lábios. Depois me soltou e subiu também, sorrindo. Fiquei estático vendo-a subir. ‘Estou saindo com a Luna?!’, foi tudo que consegui pensar.
Não tive muito tempo para continuar abismado com minha nova descoberta. Enquanto olhava para o nada tentando me lembrar quando tinha começado a ficar com a Luna fui cercado por três rapazes de aparência muito ansiosa.
_Prof Potter! Bom dia! – um deles falou.
_Bom dia... – respondi automaticamente.
_O campo é nosso, hoje, não é? O jogo está quase aí. Os Moony já treinaram a semana passada inteira! – o outro falou. Percebi que o terceiro deu uma cutucada nele. De fato o tom dele foi bem ousado para um aluno.
_O quê? – perguntei percebendo que não tinha a menor idéia do que ele estava falando.
_O campeonato das casas, professor! Os Moony usaram o campo semana passada! Essa semana é dos Padfoot, não é?
_ “Moony? Padfoot? Do que diabos eles estão falando?” – continuei olhando-os completamente confuso.
_Não se preocupem, senhores! – alguém veio em meu socorro. – O campo é de vocês sim! Creio que os alunos da minha casa já treinaram o suficiente para arrasar com vocês no sábado! – Remus Lupin falou sorridente. Deu uns tapinhas nas minhas costas e subiu a escada, mas não sem antes falar: - Deixem o professor Potter em paz... Vocês têm aula agora, se não estou enganado...
_Temos sim... – os três subiram correndo meio encabulados.
Então a ficha caiu! Meu pai, Sírius e Remus fundaram uma escola de magia e bruxaria, mas por quê? O que havia acontecido com Hogwarts? Eles nunca fundariam uma escola para concorrer com Hogwarts. E nem faria sentido isso. Caminhei até a sala e abri a maleta que tinha em minhas mãos. Em meio à bagunça que estava lá dentro achei um papel que parecia ser o meu horário do dia. Fui até a coluna que dizia segunda-feira e vi que minha primeira aula era vaga. Era tudo que eu precisava para tentar entender o que estava acontecendo. Não querendo mais fazer papel de bobo, ao invés de simplesmente perguntar para alguém, segui os conselhos de Hermione e fui até a biblioteca. Por sorte ela ficava exatamente onde costumava ser a biblioteca da Ordem da Fênix.
Lá, em meio a muitos livros, mas bem menos do que havia em Hogwarts, encontrei um que me chamou atenção: Hogwarts uma história vol. 2. Tirei-o da estante curioso, não me lembrava da existência de um vol. 2. Esperançoso, olhei a contra capa em busca do nome do autor. De repente pudesse ter sido escrito pela Hermione, mas não foi.
Dei uma olhada no índice, um capítulo para cada casa, mais um capítulo para cada diretor famoso, Dumbledore entre eles, capítulos sobre bruxos famosos que haviam se formado lá, não falava de mim, o que me deixou meio decepcionado, e bem lá no fim, o último capítulo, um título que me chamou a atenção: A Queda.
Procurei a página e fui direto nele...
“O fim da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts
Depois de mais de um milênio formando bruxos e bruxas para a Inglaterra, Hogwarts viu o seu fim chegar pelas mãos de um de seus ex – alunos, um aluno brilhante, mas com ambições acima da razão: Aquele-Que-Não-Se-Deve-Nomear, na época que freqüentou o estabelecimento, era conhecido como Tom Marvoleo Riddle.
Muitas teorias tentam explicar o fim de Hogwarts, que sempre foi vista como uma verdadeira fortaleza. Alguns dizem que seu fim veio através de filhos dos conhecidos comensais da morte, que foram envenenando aos poucos os colegas nascidos-trouxas, fazendo com que toda comunidade acreditasse no surgimento de uma epidemia que estava dizimando alguns dos estudantes da escola.
Alvo Dumbledore, então diretor da escola, infelizmente atentou tardiamente para o fato de que os alunos que apareciam mortos nos corredores eram todos de pais trouxas. Muitas medidas foram tomadas para interromper as mortandades, mas não a tempo. Um mês depois que as autoridades descobriram a coincidência na identidade dos alunos falecidos, houve o pior e mais horrendo ataque a bruxos menores de idade de que já se ouviu falar.
Comensais da morte atacaram covardemente o povoado de Hoagsmead, visitado periodicamente pelos alunos do terceiro ao sétimo ano, fazendo um número sem igual de vítimas nascidas trouxas, mestiças e sangues puros. Os únicos alunos que se salvaram, coincidentemente, foram os da Sonserina que, naquele fim de semana em questão, resolveram não visitar o povoado, ficando trancafiados na segurança de seu salão comunal.
Não havia nada, daquele momento em diante, que convencesse os pais de que Hogwarts ainda era um local seguro. Houve uma retirada em massa de alunos, protestos em frente aos portões do castelo, até que, atraídos pela grande multidão que se aglomerara em frente ao colégio, outro ataque dizimou milhares de pais e alunos e destruiu a estrutura do lugar, tornando inviável sua posterior reabertura.
Este ataque aconteceu um ano antes de Harry Potter, que ficou conhecido por ser a principal presa de Vocês-Sabem-Quem, completar 11 anos, idade em que, certamente, seria admitido na escola.”
_“Eu não acredito!” – eu pensava atordoado. Voldemort atacara a escola deliberadamente para que eu não recebesse a formação necessária para acabar com ele, e com isso destruiu centenas de vidas! Era difícil de acreditar, mesmo conhecendo toda a crueldade daquele homem. Afinal Hogwarts foi sua escola também, seu lar durante sua adolescência. Mas sentimentos não faziam parte do mundo de Lord Voldemort! Apenas a crueldade e o egoísmo o moviam.
Guardei o livro no lugar e continuei refletindo sobre mais aquela conseqüência do meu retorno ao passado. Já que Voldemort não pode matar meus pais e se enfraquecer depois de me atacar inutilmente, ele usou todas as alternativas que possuía para desestabilizar a Ordem da Fênix e impedir que eu me preparasse para enfrentá-lo. Com esse propósito ele atacou os Weasley, destruiu Hogwarts, mas no fim nada adiantou porque eu o venci, embora tenha perdido muitas outras coisas. Nesse momento me dei conta de outro fato: Hermione! Se Hogwarts foi fechada um ano antes de termos idade para freqüentá-la, queria dizer que eu também não a conhecia nessa nova vida.
Encontrar Hermione era secundário no momento. Eu ainda tinha esperanças de encontrar Gina. Depois do fim das aulas não voltei para casa, dirigi-me ao Saint Mungus em busca de informações. O primeiro obstáculo foi escapar das fãs, o segundo foi conseguir informações concretas a respeito da ex-paciente. O bom é que minha fama, como na outra vida que eu tivera, trazia certas facilidades.
_Como eu disse sr Potter... – dizia uma curandeira de olhos brilhantes, empolgadíssima com a honra de ajudar aquele que derrotou Você-sabe-quem, conforme ela mesma dizia. – O caso ocorreu há muito tempo e nós não tivemos mais notícias da menina.
_Entendo. Mas qualquer coisa que puder ajudar. Qualquer informação...
_Hum... Espere um pouco, por favor... – a curandeira saiu apressada, mas voltou em seguida com uma outra mulher, bem mais velha.
_Harry Potter! – a senhora exclamou assim que me viu. – Que prazer em conhecê-lo pessoalmente! – ela correu para apertar a minha mão.
_Hum, hum... Amélia, querida... O sr Potter veio saber a respeito daquela moça, sabe? A moça que sumiu daqui anos atrás.
_Oh... A pobrezinha que perdeu toda a família?
_Essa mesma, senhora. – eu intervi. – Ginevra Weasley. Eu preciso muito encontrá-la, ou saber se ela ainda está viva!
_Oh, meu Deus! Tomara que ainda esteja! Mas não sei se posso te ajudar meu jovem... Da última vez que a vi ela me disse que ia encontrar seu caminho. Que não queria a pena de ninguém... Coitadinha...
_A senhora a ajudou a sair do hospital?
_Não!!! – ela arregalou os olhos em defesa própria.
_Amélia... – a outra falou.
_Oh... Eu só queria ajudá-la. Eu dei algum dinheiro para ela, mas não sei para onde ela foi. Ela falava em sair da cidade, porque aqui todos a olhavam com pena... Não sei para onde ela foi. Mas...
_Mas? – perguntei esperançoso.
_Espere um minuto! – a mulher saiu do quarto e voltou pouco tempo depois com uma sacolinha nas mãos. – Estas coisas eram da menina... Quer dizer... Eu trazia algumas revistas para ela se distrair depois que acordou. A preferida dela era essa! Revista de turismo!
Pegou a revista interessado. A revista era na verdade um guia de cidades. Havia nele nomes de hotéis, horário de chaves de portal e o lugar de onde elas saíam, uma lista dos principais marcos turísticos.
_Mas está faltando uma página! – observei. Folheei o resto da revista e percebi que só havia uma página faltando, cuidadosamente arrancada. Voltei ao índice da revista e descobri a cidade a que se referia a folha arrancada. – Muito obrigado, senhoras! – falei aliviado. – As senhoras não sabem o bem que fizeram! – eu deixei o hospital animado. Aparatei em casa apenas para pegar algumas roupas, algum dinheiro e parti para a cidade em que Gina poderia estar, esperançoso de encontrá-la.
A busca não foi nada fácil, exatamente como eu esperava. Na cidadezinha algumas pessoas se lembraram da moça, mas ela também era conhecida lá por ser a única sobrevivente do atentado, de modo que ela não esquentou lugar lá. Segui para a cidade vizinha, e para a próxima e assim por mais cinco ou seis.
Fazia tempo que eu estava longe de casa, apenas me comunicava com meus pais e irmãs por meio de corujas, mas era muito evasivo com relação as explicações que dava. Mas eu estava decidido a continuar procurando-a até encontrá-la, ou até descobrir que ela não vivia mais.
Minha última parada me trouxe de volta a Londres, o que me deixou animado, mas também me fez ter a sensação de que havia perdido muito tempo. Além disso, a idéia de procurá-la em uma cidade pequena me deixava preocupado devido a dificuldade que isso traria.
Eu fiquei alguns dias em casa para me recuperar da viagem, mas não por muito tempo, pois não queria dar muitas explicações. No primeiro final de semana depois que voltei, recomecei minha busca. Fui ao Beco Diagonal, a Hogsmead, mas não encontrei nada. Passeei por diversos bairros trouxas, muitas vezes a pé, mas nem sinal da minha Gina. O desânimo começou a pesar. A sensação de que seria melhor desistir, a correr o risco de ter mais uma decepção, talvez até maior do que a idéia de não tê-la por perto.
Parei num café, cansado. Pedi um chá e fiquei refletindo. Estava pensando seriamente em seguir minha vida, ao lado da minha família, quando uma voz um pouco alterada chamou minha atenção.
_Me deixa em paz, Jake! Por favor!
_Nem pensar! Agora eu quero saber qual é o seu problema?!
_Qual é o meu problema?! Qual é o meu problema?! Você é o meu problema! Eu não te agüento mais! Eu não agüento mais o seu ciúme! Eu não agüento mais as suas atitudes! – a mulher chorava descontroladamente tentando fugir do homem que a perseguia.
_Você tem outro, não tem? Me diga, Hermione! – ele gritou segurando-a pelo braço.
_Eu não tenho ninguém, Jake! Quantas vezes vou ter que dizer isto?!
_Hermione? – eu não me contive e corri até ela.
_Quem é esse?! – o homem perguntou descontrolado. – É ele, não é?! Ele é seu amante, não é?!
_Eu nunca vi esse homem antes! – ela gritou.
_ENTÃO COMO ELE SABE O SEU NOME?! – o homem se descontrolou. – Eu sabia! Você é mesmo uma vagabunda, Hermione! Uma vagabunda! – Jake levantou uma das mãos para agredi-la, Hermione cobriu o rosto com uma das mãos, e virou-se de costas para ele, mas eu não permitiria que ele a fizesse mal.
_Você deveria aprender a bater em gente do seu tamanho, seu canalha! – e segurei os braços dele.
_Vai defendê-la?! Vai defendê-la não é seu cretino! Pois eu vou ensiná-lo a não se meter com a mulher dos outros! – ele enfiou a mão nas roupas e sacou uma arma.
_Jake, não! – Hermione gritou desesperada.
_Não se atreva a defender seu amante, Hermione!
_Eu já disse que não sei quem é esse homem! – ela gritou.
_Guarde essa arma rapaz, vai ser pior assim! – eu tentei.
_Você não é tão corajoso frente a uma arma, não é?
Eu perdi a paciência. Saquei minha varinha das vestes e coloquei o homem num sono profundo. Algumas pessoas que assistiam a briga não entenderam o que eu tinha feito, mas também não questionaram. Estavam aliviados por tê-los livrado de um homem descontrolado e armado.
_Alguém ligue para a polícia! – pedi. – Venha... – falei para Hermione. – Você precisa se acalmar.
Hermione me acompanhou sem relutar, mas olhava para trás de vez em quando preocupada com o que eu podia ter feito a seu marido.
Eu a levei para dentro do café, numa mesa afastada. Chamei um garçom e pedi um copo de água com açúcar. O homem trouxe e em seguida pediu o casaco de Hermione, para deixá-la mais confortável.
_O que você fez com ele? – ela perguntou depois de tomar um gole da água.
_Hum... Foi um golpe de kung-fu que eu aprendi...
_Mentira! – ela falou. – Eu vi você tirar um graveto de dentro da roupa e vi sair um jato de luz dele. Quem é você?! – perguntou assustada. – E como sabia meu nome?
_Você não tem a menor idéia de quem eu sou?
_Nunca o vi antes!
_Meu nome é Harry. Harry Potter...
_O nome não me é estranho... Mas de onde você me conhece?
_Hum... Não conheço... – menti. – É que o ouvi falar seu nome...
Ela pareceu não acreditam muito. – Sei... Como foi que você fez aquilo?
_Você tem certeza que não sabe? – sondei.
_Tenho...
_Promete que não conta para ninguém?
_Prometo... – ela sorriu.
_Eu sou um bruxo! – cochichei.
_O quê?! – ela duvidou.
_E você também é! – expliquei. – Você nunca fez nada estranho acontecer? Quando estava com medo, ou com raiva?
Ela ficou pensativa.
_No mais eu não posso contar muita coisa, mas me diz quem era aquele homem?
_Jake... Meu marido...
_E pai do seu filho? – perguntei triste, notando a pequena barriga que se formava.
_Infelizmente...
_O que houve?
_Ciúmes... Jake é muito ciumento. Tem ciúme do meu emprego, das minhas amigas, da minha família e até do bebê... Ele não era assim no começo, mas depois... Minha mãe bem que me avisou, mas sabe como é...
_Você o ama? O amou algum dia?
Ela me olhou, acho que pensando se devia responder ou não uma pergunta tão pessoal para um desconhecido. – Nunca... – respondeu finalmente. – Mas ele era um homem legal, atraente, e eu já estava ficando velha...
_Velha? Mas você deve ter a minha idade! – fingi desconhecer.
_Mas eu nunca tive facilidade para fazer amigos, sabe? Sempre muito perfeccionista, muito estudiosa, nunca dei muito valor a companhias, por isso tive medo de acabar sozinha...
_Podia ter esperado um pouco mais... Pelo menos não sofreria dessa maneira...
_Pode ser, mas o que está feito está feito... Infelizmente não há como voltar atrás!
Aquela frase fez algo no meu estômago se remexer.
_Obrigada, Harry... Eu preciso ir...
_Quer companhia?
_Obrigada, mas eu prefiro caminhar um pouco.
_Ok... – respondi melancólico. – Hermione! – chamei. – O que vai acontecer? Quando ele for liberado amanhã cedo?
Os olhos dela perderam o pouco brilho que tinham: - Não quero nem imaginar, Harry.
Mais uma vítima. Mais uma vez eu mudara radicalmente a vida de uma pessoa amada, e não fora para melhor. Saí daquele café me sentindo muito pior do que quando eu entrei. Caminhei pelas ruas cabisbaixo, chutando pedras pelo caminho. Com certeza não poderia acontecer nada pior comigo naquele dia. Sem perceber cheguei a um quarteirão mais deserto que os outros. Estranhei preocupado, pois não me lembrava daquele lugar, certamente estava perdido. Olhei para todos os lados tentando me localizar, então tive a melhor visão que meus olhos poderiam me proporcionar.
_Gina? – gritei. Ela virou-se para mim e abriu um sorriso lindo. Um pouco cansado, mas lindo.
Corri até ela com o coração aos saltos. Finalmente algo de bom havia acontecido comigo. Gina seria a única pessoa capaz de me animar aquele dia. Quando cheguei perto dela não pude me conter. Abracei-a com todo meu carinho, com todo meu amor, demonstrando toda falta que sentira dela. Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas resolvi disfarçar. Gina também não me conhecia naquela vida, portanto, se já era estranho ser abraçada por um estranho no meio da rua, vê-lo chorando ao te abraçar então deve ser bem pior.
_Que bom que eu te encontrei! – falei sem conseguir me conter completamente.
_Fico contente em saber que estava sendo procurada! – ela me disse brincalhona. – Como é mesmo o seu nome?
Fiquei um pouco decepcionado, mas já estava me acostumando a não ser reconhecido: - Harry.
_Harry? Bonito nome! E que lindos olhos você tem, Harry! – ela tirou meus óculos com delicadeza. Senti sua pele macia roçando meu rosto. – Que pena que esses óculos os escondam!
_É, mas sem eles eu não enxergo nada! – sorri. – E eu não vou querer perder um detalhe de você! – falei.
Ela sorriu novamente. Aquele sorriso que eu adorava admirar, naquela boca que eu adorava beijar. Ela entrelaçou os dedos nos meus e começou a me puxar. Eu não entendi direito aquele gesto, mas também não estava a fim de raciocinar. Deixei-me levar.
Caminhamos duas quadras e paramos na frente de um prédio velho, caindo aos pedaços mesmo. Ela cumprimentou o porteiro, que me lançou um sorriso estranho, e nós subimos três lances de escada. Ela me levou até a terceira porta no corredor, abriu a bolsa minúscula, procurando a chave, eu imaginei. Consegui ver de relance que ela carregava uma carteira surrada, um celular desligado e um maço de cigarros. Estranhei, mas não disse nada.
Ela pegou a chave e abriu a porta. O apartamento era muito pequeno. Quarto, sala, cozinha e banheiro. Tudo muito desorganizado.
_Fique a vontade, Harry! – ela me falou. – Quer beber alguma coisa?
_Não... – respondi.
Ela caminhou, rebolativa, até o quarto. Foi tirando o casaco no meio do caminho, jogando-o em cima de uma cadeira. Não pude deixar de admirar o corpo dela, demarcado por uma saia curta e uma blusa de alças, muito apertada. Aproveitei que a esperava para analisar melhor o apartamento. Não havia porta retratos, ou objetos decorativos. Apenas o básico que uma casa deve ter. Um frasco de remédios ao lado da TV me chamou a atenção. Seguindo minha curiosidade o peguei, mas quando ia ler o nome ela me chamou.
_Você não vem, Harry?
Assustei-me: - Você quer que eu vá até aí?
_Você prefere que seja na sala?
_ “Na sala?” – pensei, mas não tive tempo de perguntar nada. Gina já estava de volta, apenas com uma lingerie vermelha, que devo dizer, caía muito bem nela. Passada a primeira surpresa, confesso que fiquei empolgado. Depois me lembrei que aquela não era a minha Gina e, embora já a tivesse visto muitas vezes com muito menos roupa, aquela Gina não me conhecia, então por que estava parada na minha frente apenas de calcinha e sutiã? – O que você está fazendo, Gina? – perguntei.
_Não gostou? – ela fez cara de choro. – Preferia que eu te esperasse para você mesmo tirar minha roupa? – ela caminhou provocativamente até mim.
_Você nem me conhece! – falei indignado.
_E daí?! – ela riu. – Você me conhece, e é isso que importa! – ela começou a abrir os botões da minha camisa. – A propaganda é a alma do negócio!
_Você é prostituta?! – perguntei com as pernas bambas. Outro golpe do destino!
_Você quer que eu seja outra coisa? Professora, enfermeira? Pode escolher! – ela sorriu.
_Eu não quero que você seja nada! – falei sem pensar, afastando-me dela. – O que você acha que está fazendo? Você não pode fazer isso!
_Quem é você afinal, hein? Quem foi que mandou você? – falou irritada, pegando o casaco de cima da cadeira e se cobrindo.
_Ninguém me mandou! Eu vim te procurar por conta própria! Estou te procurando a mais de um mês! Larguei meu emprego, minha casa! Eu nunca imaginei que te encontraria nesse estado! Fazendo... isso!
_Quem é você, afinal?
_Eu conhecia a sua família, Gina! Por que você se rebaixou desse jeito? Por que não procurou ajuda da Ordem da Fênix? Do Ministério da Magia?
_Ministério de quê?! – ela riu da minha cara. – Na boa cara, acho que você fumou demais!
_Você nunca ouviu falar de Ministério da Magia ou Ordem da Fênix?
_Ah, já! Claro que sim! Assim como da Liga da Justiça, o Papai Noel, entre outros! – ela me encarou nervosa. – É melhor você ir embora, cara, mas me paga antes porque você me fez perder clientes enquanto ficava de papo furado!
_O quê? – perguntei alucinado.
_Dá o fora! – ela falou dirigindo-se a porta, mas não chegou a girar a maçaneta porque a campainha tocou antes. – Droga! – ela falou. – Fica quieto, aí hein! – ela me disse, depois abriu a porta.
_Boa noite, Gina!
_Boa noite... – ela falou com um sorriso preocupado.
_Meu dinheiro! – o cara pediu. Eu conhecia aquela voz
_Só um minuto... – ela falou. Encarou-me e foi até o quarto. Não me contive e fui até a porta saber quem era.
_Potter?! – o rapaz perguntou.
_Seu desgraçado! – foi tudo que falei antes de pular para cima dele. Nos atracamos violentamente e eu o encurralei na parede do corredor. Gina ouviu o barulho e correu até nós.
_O que você pensa que está fazendo, Potter?! – ele disse com a voz fraca por causa do susto. – Achei que seus dias de herói estavam acabados.
_Você sabia que era ela! Sabia o tempo todo, seu canalha! – eu falava com o coração acelerado. Seria capaz de fazer uma besteira, e nem precisaria de varinha para isso.
_Pare com isso, cara! Ficou louco?! – Gina gritou.
_Você sabe quem é esse cara, Gina? Sabe quem é ele?! Um bandido procurado!
_Todo mundo sabe que cafetinagem é crime, mas e daí?! Larga ele! É minha fonte de renda!
_Ela não tem noção de quem é, Potter! – ele me falou debochado. – Ela não sabe nada sobre o nosso mundo!
_Do que vocês estão falando? – ela perguntou confusa, mas Malfoy aproveitou minha distração para me dar um soco na barriga.
O soltei por causa da dor, e ele aproveitou para se afastar. Foi se proteger atrás dela, o covarde.
_Vai embora daqui, cara! Não encrenca a minha vida, não! – ela me pediu.
_Encrencar a sua vida? – eu perguntei incrédulo. – Eu poderia salvar a sua vida! Te levar para a sua vida de verdade! Para o seu povo! Esse crápula sabe toda a sua história! Ele poderia ter te contado, ter te levado de volta, mas não! Ele preferiu te usar! – voei para cima dele novamente, mas ela entrou na minha frente.
_Draco e o pai dele me ajudaram muito! – ela me jogou na cara. – Eu não teria chance de ser mais nada na vida! Teria morrido de fome se Draco não tivesse me arrumado um ponto!
Draco ria atrás dela. Minha vontade de matá-lo crescendo a cada minuto. – Ele te enganou, Gina! Mas eu posso te ajudar! Vem comigo! Eu posso te tirar desse sofrimento!
_E quem disse que ela quer ir, Potter? E quem disse que você tem algo a ver com isso?! – ele passou a frente dela. – Você queria que eu dissesse a verdade? Pois eu vou dizer! Sua família, Gina, morreu por culpa dele!
Eu quase desmoronei.
_Eles morreram para proteger o Santo Potter! E ele e a família nunca se importaram em te oferecer ajuda quando você estava no hospital! É mentira, Gina?
Eu não me segurei. Tirei a varinha do bolso e apontei para ele. Tive vontade de gritar o Avada kedavra, mas não seria suficiente. Queria vê-lo sofrer. Queria vê-lo sofrer de novo, por acabar de novo com a vida da minha Gina: - Sectusempra! – gritei. Ele não pode se defender a tempo, mas o feitiço não pegou em cheio. Ele foi jogado para trás, meio ensangüentado.
Para meu desespero, nessa hora vi o horror nos olhos de Gina, o desespero. Ela correu para ele aos prantos: O que você fez?! – ela gritava. – Draco? Draco me responde! Não me deixa! – ela se virou para mim. – Seu assassino! O que você fez com ele?! O que você fez?! – ela acariciava o rosto dele com ternura e preocupação.
Aquela visão foi demais para mim. Aparatei do prédio sem nem saber onde iria parar. Estava desolado, desesperado, acabado. Havia transformado Gina numa prostitua, havia aproximado ela do Malfoy, ela estava apaixonada por ele. Andei sem destino, até minhas pernas doerem. Quando não agüentei mais caminhar, sentei-me na calçada e chorei. Já havia perdido a conta de quantas vezes eu havia chorado nos últimos meses, somando minhas duas vidas.
Quando não havia mais lágrimas para sair, quando não havia mais fôlego, lembrei-me da fonte na praça em frente ao Largo Grimmauld. Ainda tinha dois desejos, ainda podia consertar as coisas. Sabia que isso traria outras conseqüências, mas nenhuma poderia ser pior do que aquela. Afinal de contas as únicas pessoas que eu havia conseguido salvar foram os meus pais, o que com certeza era muita coisa para mim, mas e os outros? Convenci-me de que já que a fonte havia me dado outros dois desejos, era porque ainda havia uma chance de consertar o que eu havia feito. Não hesitei nem mais um segundo. Levantei-me, bati a poeira das minhas roupas e aparatei no Largo Grimmauld.

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