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1. A Família da Noiva


Fic: Harry Potter e o Segredo de Corvinal


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Aviso: Esta é uma continuação de Harry Potter e o Segredo de Sonserina. Seria interessante ler primeiro a fic anterior, por razões óbvias de continuidade. Outra coisa a mencionar, é que vários dos personagens criados nesta e na outra fic, são criação conjunta com a Sally Owens (Harry Potter e o Retorno das Trevas – disponível na Floreios e Borrões).


****

Mais nervosa do que nunca, Ana olhava para sua família, conversando e brincando entre si. Os tios, Antônio e Bianca, que a criaram, estavam conversando com o genro, Marcos. Sua prima, Patrícia, estava ajudando-a com o almoço, e os "sobrinhos" (Ana os considerava assim porque realmente tinha os primos como seus irmãos), estavam assistindo TV.

Todos estavam esperando para conhecer o noivo de Ana. E, se em uma situação normal isso já é de deixar qualquer mulher com os nervos à flor da pele, imagine se o noivo for...

Carlinhos Weasley!

O que aquele encontro iria ocasionar?

A campainha tocou. Ana apressou-se a abrir a porta, o coração batendo rápido. Graças a Deus, Carlinhos tinha se lembrado de entrar "do jeito normal" no apartamento dela, e não simplesmente aparatando nele, como estava acostumado.

Mas, ao abrir a porta, não foi o noivo que viu. Fernando, outro de seus primos, sorriu para ela. Depois, espiando por sobre os ombros dela, exclamou:

- Alguém sai pela janela, que eu vou entrar!

Ana revirou os olhos. Típico. Nando, como o chamavam, sempre fazia piada do diminuto tamanho de seu apartamento. Relevando mais uma vez o comportamento do primo, ela o abraçou e se afastou para que ele entrasse.

- Ainda bem que conseguiu vir, Nando. - Ana disse. - Como está indo a turnê?

Nando era vocalista de uma banda de música.

- Muito bem. Estamos assinando cada vez mais contratos! - ele exclamou, entusiasmado.

- E... - Patrícia começou, com um sorrisinho e olhando para o marido, que tinha se aproximado deles. - Já achou o amor da sua vida entre as suas fãs?

O sorriso de Nando desapareceu:

- O que...?

Os três se olharam e cantaram alguns versos daquela velha canção:

- "Há um alguém-ém.... Na multidão-ão..."

- Quem...? - Nando começou a perguntar, suspirando para conter a zanga.

- Chuca. - Ana respondeu. Chuca era o baterista avoado da banda de Nando, e o melhor amigo dele também. O nome verdadeiro dele era Asdrúbal, e quase ninguém sabia disso. Chuca preferia que continuasse assim, é claro. - Ele não fez por mal, você sabe.

Chuca contara que Nando estava encantado por uma fã que sempre aparecia em seus shows, mas até agora não descobrira quem era. A garota era um mistério, e ele não conseguia parar de pensar nela.

- Tio... - Mel, a filha de dez anos de Patrícia e de Marcos, interrompeu a resposta que Nando iria dar. - Já pensou naquilo que eu te falei? Em mudar o nome da sua banda para "As Esquisitonas"?

- Docinho... - Nando disse pacientemente. - Somos uma banda só de homens. Como é que poderíamos ter um nome desses?

- A do filme também era, mas não foi problema...

Ana gelou. Claro, estava consciente que aquele encontro não iria passar sem que Mel e seu irmão de nove anos, Felipe, se dessem conta de quem era Carlinhos. Mas o comentário da sobrinha reavivou em sua memória o fato de que as crianças eram tão ou mais fanáticas que ela por Harry Potter.

Teria que conversar com elas antes que...

- Ana, como é o sobrenome desse seu noivo?

Ela suspendeu a respiração e olhou furtivamente a sobrinha, agora entretida em uma aposta com Nando: que poderia atravessar o apartamento da tia em apenas dez ou quinze passos.

- Weasley...

Mel parou de súbito com o nome. Ana viu a sobrinha balançar a cabeça, como que dizendo a si mesma: "Bobagem. Coincidência", e continuou a andar.

- Você disse que a família dele era grande. - Patrícia perguntou enquanto temperava a salada, alheia ao desconforto da prima. - Quantos irmãos ele tem?

- Seis... - a resposta saiu quase em um gemido. Olhou para a sobrinha, que agora tinha parado, e se voltara para as duas mulheres arregalando os olhinhos amendoados.

- Nossa! Família grande, igual a nossa. E, como ele é?

O golpe final, Ana pensou. Suspirando, começou a responder:

- Ruivo e...

- Ô, tia?!? - Mel chamou, as mãos na cintura, a voz indignada. - Não leva a mal não, mas... Esse seu noivo realmente existe?

Se não fosse complicar ainda mais a sua situação, Ana teria rido. A sobrinha reagira exatamente como tinha previsto.

- Mel! – Patrícia exclamara, censurando a filha. Era evidente que não estava entendendo porque a menina estava agindo assim.

“Muito bem...”, pensou Ana, “É hora de agir. E rápido”. Teria que se arriscar a “deixar o posto” antes que Carlinhos chegasse, mas...

Unindo as mãos e fazendo uma expressão de quem tinha grandes novidades, ela olhou para Mel e Felipe, dizendo, com um sorriso:

- Crianças! Tenho uma surpresa para vocês! Venham comigo até a área de serviço.

- Quanto mistério... – brincou Patrícia.

- Coisa de fã. – Ana respondeu.

- Então deve estar relacionado ao tal Harry Potter! – implicou Marcos.

Ana forçou um sorriso, agradecendo aos céus pelos pais das crianças serem alheios à série. Sempre fora Ana quem assistia aos filmes com os garotos, que lia os livros tão avidamente quanto eles.

Com um levantar de ombros, começou a caminhar em direção à lavanderia. Mas a tia a chamou:

- E se ele chegar? – perguntou, evidentemente sem saber como agir com o noivo estrangeiro da sobrinha.

- Não se preocupe, tia. Charlie fala português e, qualquer coisa, Marcos e Patrícia se viram no inglês, não é mesmo? – ela a tranqüilizou.

Ana gostaria que o problema fosse só esse...

- Humpf! – resmungou o tio – O mínimo que se esperaria ao querer casar com uma brasileira é que soubesse falar português!

- Tio... – agora era Ana que estava preocupada. – Prometa-me que vai tratar bem o Charlie. – acrescentou suavemente: - Ele é o homem que eu amo.

O tio amoleceu por alguns segundos. Dificilmente se negava a fazer algo que deixasse a sua “menorzinha” feliz. Ele e a esposa tinham criado a sobrinha desde que ela era bebê, quando o irmão e a cunhada morreram tragicamente em um acidente de avião. Ao menos, era assim que ele e o resto do mundo trouxa achavam os pais de Ana tinham morrido.

Voltando ao seu costumeiro estado de rabugice, retrucou:

- E desde quando eu sou grosseiro?

- Desde que alguém “ouse” roubar uma de suas meninas. – devolveu tia Bianca. – Você sempre fez isso com todos os namorados de nossas filhas. É de dar medo ao mais determinado dos homens!

- Bobagem! Eu te assustei, Marcos? – ele voltou-se para o genro, a voz lembrando mais do que nunca o lado “tenente reformado do Exército” de tio Antônio.

- Er... B-bem... Hum... N-não exatamente... – Marcos começou a gaguejar, sem fitar o sogro.

Ana revirou os olhos. Tio Antônio AINDA dava medo em Marcos. Nele, e nos outros genros também.

- Tia... - Ana lançou uma súplica subentendida à única capaz de controlar o tio.

- Pode deixar, querida. Eu “amanso” a fera. – ela a tranqüilizou.

Mais aliviada, ela fez um sinal para as crianças segui-la até a lavanderia.

Mel e Felipe lançaram olhares questionadores um ao outro, mas seguiram a tia. Assim que Ana se viu segura com eles no apertado aposento, abaixou-se até ficar na altura deles e disse:

- Pessoalzinho – abriu um sorriso nervoso, tentando impor segurança na voz. – O que diriam se eu contasse que descobri que o Harry Potter existe? Ou melhor: que tudo o que está nos livros é verdade?

Os dois se olharam, entediados. A tia só podia estar querendo pregar uma peça neles.

- Diríamos que, ou que está louca, ou acha que somos idiotas. – respondeu Mel.

Felipe balançou a cabeça, apoiando a resposta da irmã:

- Tia, somos crianças, não retardados.

Ana suspirou, exasperada. Por um momento, esquecera-se que aqueles dois tinham genes em comum com ela. Pelo jeito, teria que fazer uma demonstração prática.

- Bem... – começou enquanto abria a porta do armário suspenso que havia na lavanderia e tirava sua varinha de lá. – Sabem o que é isso?

- Claro! – exclamou Felipe, os olhos brilhando. – Você comprou pela Internet?

- Não! – Ana franziu o cenho. – Foi em uma loja...

- Então a Warner vai cair em cima deste pessoal. – disse Mel. – É violação dos direitos deles sobre os modelos das varinhas.

- Sim... – Ana se deu conta do que estava falando e, sacudindo a cabeça, emendou: - Quer dizer, não! Mel, andou lendo meus velhos livros de Direito de novo?

- Desta vez não. – a menina sorriu, brejeira. Mel lia tudo o que encontrava pela frente, especialmente quando estava entediada.

- Está no rodapé da página da Warner, tia. – Felipe explicou.

- Ah, sei... – ela resolveu dar fim ao assunto: - Não. Não é uma varinha da Warner. É uma varinha de verdade. Cedro, vinte e seis centímetros, corda de coração de dragão. – sorriu, orgulhosa: - A minha varinha.

Mel franziu o cenho e pôs a mão na cintura, daquele seu jeito que indicava que estava perdendo a paciência. Ela abriu a boca para falar algo, mas Ana foi mais rápida e, apontando a varinha para uma minúscula aranha na parede, disse:

- “Engorgio”!

A aranha triplicou de tamanho, bem diante dos olhos das crianças, que emitiram um grito assustado.

Em poucos segundos, os outros estavam dentro da lavanderia, querendo saber o que tinha provocado tanto rebuliço.

- O quê? Onde? Ah! – Marcos exclamara. – Que aranhão! – e já levantava o pé para esmagar o aracnídeo, que escapou bem a tempo.

Após algum tempo de caça ao “monstro”, o pobre inseto foi abatido. Naqueles segundos, os sobrinhos ficaram alheios ao “espetáculo”, olhando para a tia, boquiabertos e arregalados.

- Nossa, você viu o tamanho? – Patrícia dizia enquanto eles iam saindo.

- Não me admira que tenham gritado! – concordou Marcos.

- Ana, detetize este apartamento antes de pô-lo à venda... – ordenou Bianca, completando com ar de desaprovação, enquanto olhava a varinha: - E pare de brincar de fazer mágica, você já é bem grandinha! – torceu o nariz: - Até parece a avoada da Agatha! – e saiu também.

Ana reprimiu uma gargalhada: “Brincar de fazer magia? Se ela soubesse...”.

Tão logo os adultos saíram, Mel soltou:

- Tia... – a menina parecia sem ar. – Você... É uma bruxa!

- É isso que estou tentando dizer... – Ana sorriu fracamente.

- U-A-U!!! – Felipe parecia ter se recuperado mais depressa que a irmã. – E sempre foi? – disparou sem rodeios, lembrando muito um certo ruivo que Ana conhecia, e que em breve seria seu cunhado.

- Não, Lipe. – ela mordeu o lábio, sem saber por onde começar. – Esta é uma longa história e nós não temos tempo. Mas eu queria a ajuda de vocês para deixar isso só entre nós, por enquanto, tá?

- Por quê? – Mel erguera uma sobrancelha, ainda assombrada. A garota era bem mais cética que o irmão e estava encontrando dificuldades em assimilar tudo.

- Quero que a família conheça o Charlie primeiro, que tenham um tempo com ele para perceberem a pessoa maravilhosa que ele é antes de saberem. Entenderam?

- Charlie? Peraí... – os olhos de Felipe se acenderam ainda mais.

- Sim, Charles Weasley. Charlie. Na versão dos livros no Brasil, Carlinhos. – Ana sorriu para o garoto ao pronunciar o nome.

- Uau! “O Charlie”? Quer dizer... Carlinhos, o irmão do Rony?

- Ai, garoto! – Mel revirou os olhos, finalmente se recuperando do choque. – Ela deu nome, sobrenome e até os apelidos em duas línguas, o que você quer mais?

- É sim, Lipe. – Ana respondeu compreensiva com o encantamento do sobrinho. – É o irmão do Rony, o que estuda dragões.

- Nossa! – o menino começou a andar de um lado para o outro, empolgado. – Nossa! Nossa! NOSSA!

- Tia... – Mel estava com mil “como”, “onde” e “por quês” naquela cabecinha castanho-clara (com algumas mechas douradas).

Mas a campainha tocou.

- É ele! – Ana abriu um sorriso de alegria e apreensão ao mesmo tempo.

Ela saiu correndo, sendo seguida pelo eufórico Lipe. Mel ficou paralisada por alguns segundos. As coisas estavam indo rápido! Acordou em seguida, tratando de correr também para a sala.

Tio Antônio tinha aberto a porta e agora estava medindo Carlinhos de cima a baixo, a expressão desafiadora. Então, finalmente exclamou:

- Meu Deus, rapaz! Sua mãe colocou fermento na sua mamadeira ao invés de leite?

Não havia um pingo de humor na voz do tio quando ele disse isso. Apenas fazia a constatação do tamanho descomunal do ruivo, fazendo pouco caso disso: estava disposto a dificultar a vida dele.

Afinal... Era a “caçula” dele que aquele gringo estava querendo levar!

- Desculpe... – Carlinhos disse em português, confuso, o sotaque em evidência. – Acho que não entendi...

Ana correu em socorro do noivo. Pôs-se na frente da porta, afastando delicadamente o tio:

- Foi uma piada, amor. – ela disse enquanto o beijava rapidamente e, sorrindo de forma calorosa, entrelaçou sua mão na dele.

Os olhos de Carlinhos brilharam assim que viu a noiva, e lhe retribuiu o sorriso enquanto ela o puxava para dentro e fechava a porta. Ele tinha um buquê de flores silvestres nas mãos, as flores contrastando a sua delicadeza com a visão daquele homem grande e forte.

- Carlinhos... – Ana falou tentando parecer calma. – Gostaria de apresentar a minha família: - e foi apresentando um a um, enquanto eles trocavam cumprimentos - Este é meu tio Antônio Anhangüera... e sua esposa, tia Bianca... Minha prima Patrícia... E o marido dela, Marcos Warmlling... Meu primo Fernando... E estes – disse olhando para os sobrinhos – São Mel e Felipe, filhos de Patrícia e Marcos.

Carlinhos fitou as crianças (que estavam boquiabertas), sorrindo amigavelmente para elas:

- Olá!

Os dois apenas conseguiram exibir um sorriso maravilhado e continuaram admirando-o silenciosamente. Carlinhos ficou preocupado, achando que talvez tivesse assuntado as crianças com o seu tamanho. Mas Ana sussurrou em seu ouvido: “Eles sabem”, fazendo-o entender a atitude dos sobrinhos dela.

- Ah! – Carlinhos balançou a cabeça, lembrando-se de algo: - Isto é para a senhora: - e estendeu, sem jeito, o buquê de flores para Bianca.

A mulher enrubesceu e sorriu, agraciada com a gentileza.

- Pronto! Ganhou a sogra, amigão! – brincou Nando.

Bianca lançou um olhar “mãe-repreendendo-o-filho” para Nando e depois agradeceu a Carlinhos, toda sorrisos, ignorando o marido bufante ao seu lado.

Um silêncio constrangedor se seguiu. Então, milagrosamente, Mel e Felipe saíram de seu elevado torpor, pondo-se a falar sem parar:

- Você pode falar em inglês com a gente – Felipe se adiantou, falando naquela língua.

- É, nós crescemos em Nova Iorque. – Mel completou o irmão. – Mamãe e papai também falam.

- Não tão bem quanto nós, mas eles se viram. – Felipe continuou.

Eles puxaram Carlinhos para um dos sofás e, dali por diante, monopolizaram a atenção do ruivo até que o almoço fosse servido. Ana olhava apreensiva para o grupo, temendo que eles deixassem alguma coisa escapar, mas “seus” meninos estavam se saindo muito bem.

- Ana... – Patrícia falou perto de seu ouvido, entusiasmada. – Que galante! Praticamente um cavaleiro inglês em uma armadura!

- Com direito a dragões e tudo... – Ana completou.

Patrícia riu, achando que a prima estava brincando, e interpretando o comentário de outra forma:

- O quê? Sua futura sogra é tão ruim assim?

- A senhora Weasley? É claro que não! – Ana afirmou convicta: - Ela é um amor de pessoa!

Assim que se sentarem à mesa, os adultos acharam que era hora de saber mais sobre o homem com quem Ana se casaria, e as perguntas começaram:

- Então, rapaz... – tio Antônio, naturalmente, foi o primeiro a “atacar”. – O que você faz, exatamente?

- Eu... – ele se interrompeu ao sentir a mão de Ana apertando seu joelho por debaixo da mesa. – Eu estudo animais selvagens.

- Ah... Um naturalista – o tio forçou um sorriso. – Veio estudar nossa fauna... Gostou dos segredos que descobriu? Quando vai vendê-los para uma indústria européia?

- Tio! – Ana o censurou, chocada, sendo acompanhada pelas outras mulheres.

- Tudo bem... – Carlinhos apressou-se a apaziguar as coisas. – Seu tio é um homem empenhado nos interesses nacionais. Isso é louvável. – voltando-se para Antônio, explicou: - Os animais que estudo só existem em abundância na Europa. Na realidade, só há uma espécie fora dela, no Peru.

- É mesmo? Achei que os europeus já tinham extinto seus animais selvagens...

- Tio! – Ana se exasperou mais uma vez.

- Mas será possível que não se pode ter uma conversa civilizada? – Antônio comentou, fingindo a maior inocência.

- Continue com esta “civilidade” toda e você vai dormir no sofá hoje. – Bianca disse baixinho ao marido, mas Ana conseguiu ouvir.

Aquilo pareceu ser suficiente para controlar o ex-militar. Mel veio ao socorro da tia, quebrando o silêncio constrangedor:

- Está enganado, Vô. Inclusive, a Rainha Victória, em seu tempo, decretou uma lei de proteção aos flamingos. Eu li isto em um livro.

Carlinhos sorriu para a menina, agradecido pela intervenção. Ele tinha certeza que poderia dar conta do difícil tio de Ana, mas a verdade é que estava nervoso. Aquela era a família de Ana. A família da mulher que ele amava e com quem queria se casar. Ele TINHA que fazer tudo dar certo.

- E o quê você não leu, meu bem? – o avô se derreteu. Em seguida, voltou à inquisição, embora mais “brando” depois da advertência da esposa: - Mas que animais você estuda, afinal?

Ana prendeu a respiração. Não tinha como ele responder àquela pergunta sem mentir. No entanto, Carlinhos a surpreendeu:

- Grandes, com caldas, escamas, dentes enormes e garras afiadas. – sorriu como se estivesse querendo ser divertido.

- Répteis? – Marcos franziu o cenho. – Não sabia que existiam répteis de grande porte na Europa. Que interessante! Bem, mas minha área é a engenharia, o que eu entendo disso não é?

Carlinhos percebeu que iria se dar bem com Marcos. Ele parecia ser um bom sujeito. E acabara de salva-lo. Ia suspirar aliviado quando percebeu que Ana ainda não estava tranqüila. Ela olhava discretamente o tio, sabendo que ele ainda não tinha se dado por satisfeito. Realmente, Antônio iria fazer outra pergunta, mas Felipe desviou sua atenção:

- Vô, passa a travessa da salada?

Patrícia levantou a cabeça, intrigada. Seu filho pedindo mais do que ele chamava de “comida de vaca”?

- Você vai trabalhar com Carlinhos, então, querida? – Bianca perguntou.

- Não... Eu vou trabalhar mais ou menos no que eu trabalho agora...

- Mais ou menos? – tio Antônio ficou alerta no mesmo instante. – Desde quando os ingleses põem estrangeiros no serviço de inteligência?

- Não é exatamente no serviço de inteligência... – ela procurou as palavras. – Eu vou... Reforçar a segurança. O Ministro achou que alguém com as minhas qualidades seria útil no... Setor.

Ana sentiu que o tio iria fazer mais perguntas específicas, mas desta vez foi Nando quem salvou o dia:

- Ministro? Desde quando você tem intimidade com o Tony Blair?

- Não é esse Ministro... – Ana sorriu, nervosa.

- Mesmo? Existem outros ministros?

- Claro, né, tio? – Mel interferiu. – É por isso que é chamado de PRIMEIRO Ministro! Hããããããã!

Nando fez uma careta para a sobrinha:

- Você, sempre me lembrando tão “jeitosamente” da minha ignorância, não é, docinho?

A resposta de Mel foi abrir um largo sorriso e beijar a bochecha do tio.

- Bem, na verdade nem mesmo tenho muita intimidade com esse ministro. Foi um amigo nosso e da família de Carlinhos, Kingsley Shacklebolt, que falou de mim para ele e o convenceu que alguém com os meus conhecimentos seria valioso.

Mel e Felipe se olharam, surpresos, pois, é claro, tinham reconhecido o nome. Em seguida fitaram a tia, como que perguntando: “Auror? Você vai ser Auror”? E Ana fez um sinal discreto de afirmação, o que provocou sorrisos maravilhados nas crianças. Deviam estar pensando: “Nossa tia vai ser Auror! Auror de verdade!”. Ana sabia que eles estavam loucos para lhe fazerem várias perguntas. Agora mais do que nunca.

- Com os seus conhecimentos? – o tio apertou os olhos. – O que isso quer dizer?

Ana entendeu imediatamente as dúvidas do tio. Conhecia-o desde que ela era bebê, e sabia o que aquele tom significava.

- Não se preocupe, tio. – respondeu séria, e um tanto magoada. – Nada que implique em revelar coisas que o Brasil não queira que sejam reveladas. Eu não faria isso.

A expressão de Antônio se suavizou no mesmo instante. Ele pegou a mão da sobrinha por sobre a mesa, evidentemente se sentindo culpado, e tentando consertar a situação que tinha criado:

- Eu sei querida. Não tenho dúvidas quanto a você. Só... Bem, eu acho que já estou reclamando antecipadamente por você ir morar ainda mais longe de nós. Já foi bastante ruim quando você e o Nando vieram para Brasília.

- Tio... – Ana sorriu, enternecida. – A família toda está espalhada pelo país! Apreendemos com você a lidar com despedidas e a amar lugares diferentes cada vez que você era transferido de base.

- Isso não quer dizer que fique mais fácil quando um de vocês sai de casa.

- Querido... – Bianca também se enterneceu com a rara demonstração de afeto do marido. – Eles cresceram. Têm vida própria, agora. Não pode esperar que todos se mudem de mala e cuia para nossa casa em Santa Catarina!

- Por que não?!? – Antônio exclamou, fazendo todos rirem.

O clima se tornou bem mais alegre depois disso. Ana garantiu aos tios que viria com freqüência para o Brasil e não deixaria de escrever. Quando alguém mencionou que hoje também havia a Internet, ela permaneceu em silêncio. Não havia como ela usar coisas como telefones e computadores no Mundo Mágico. Já seria bem difícil ter que explicar para eles como funcionavam as corujas. Depois de passar pela difícil experiência de dizer-lhes que era uma bruxa, é claro.

Após da sobremesa, Marcos sugeriu:

- Vai ter um jogo entre o meu time e o da cidade. Que tal irmos assistir?

- Para quê? – Nando zombou. – Para vê-lo perder? Há quanto tempo que seu time não vence?

Marcos bateu no peito, e fez uma expressão altruísta:

- O clube de futebol de um homem é sagrado, mesmo que não vença!

Antônio aproveitou a ocasião para “alfinetar” um pouquinho a sua vítima. Já estava mais amigável com Carlinhos, mas isso não queria dizer que o ruivo o tinha conquistado:

- A propósito: a Copa desse ano já é nossa, rapaz!

- O quê? – Carlinhos não entendeu. Ele estaria falando da Copa Mundial de Quadribol?

- Carlinhos não se interessa por futebol, tio. – Ana se apressou a explicar.

- Ah... O homem perfeito! – Patrícia disse, com uma expressão de cômico desalento.

Marcos a olhou torcendo o nariz:

- Eu não reclamo das suas novelas!

- Mas alguém com um físico desses deve praticar algum esporte, não é mesmo? – o tio insistira. – Ele não pode ter desenvolvido estes músculos estudando répteis!

- Sim... – Ana estava buscando novamente uma forma de falar sem ter que mentir. – Mas ele pratica outro esporte... – ela engoliu em seco - Outro que também é muito popular do lugar que ele veio.

Realmente, no mundo bruxo, o quadribol era muito popular.

- Hum... – tio Antônio respondeu desgostoso. – Um inglês do rúgbi! Mas uma razão para você assistir esse jogo conosco, rapaz! Assim você se familiariza com o esporte criado por seus compatriotas! – acrescentou com uma risadinha: - É claro que isso não vai alterar o fato que vai ser BRASIL que irá vencer a Copa, se acostume com isso! – Voltando-se para o genro: - E isso serve para você também, alemão.

- Mas eu sou brasileiro! – Marcos protestou. – Meus avós eram alemães, mas eu nasci no Brasil!

- Sei, sei... – Antônio respondeu, sem dar muita importância para o genro. Voltou a atenção para Carlinhos novamente: – E então? Vamos?

- Sim... – o ruivo olhou para Ana: - O que acha?

Tia Bianca respondeu por ela:

- Deixe eles irem, querida. Assim eles aproveitam para se conhecer melhor e nós aproveitamos para botar em dia a conversa!

Ana olhou para a tia, assustada. Deixar Carlinhos sozinho? Ainda mais com o tio?

- Não acho que seria uma boa idéia. – respondeu meio que sem pensar. – Na realidade, seria um desastre!

- Não exagere, Ana! – gracejou Fernando. – Tudo bem que o time do Marcos é um desastre mesmo, mas... O máximo que pode acontecer é seu noivo achar o futebol uma droga, tendo em vista o desempenho do time... He, he!

Ela estava terrificada. Sabia que a intenção do tio era exatamente a de conversar com Carlinhos sem ela por perto – o que não seria uma boa idéia, mesmo que o noivo fosse um trouxa. E não havia jeito de impor a sua presença, pois, uma vez com um propósito na cabeça, o tio dificilmente se deixava desviar dele.

- Eu vou também! – Mel se adiantou.

- Muito bem! – Patrícia estreitou os olhos. – O que está acontecendo aqui, afinal? Primeiro, o Lipe pedindo mais SALADA para o papai? E agora, você quer assistir a um jogo de futebol?

“Valeu pela tentativa, Mel”, pensou Ana.

- Lamento, meu bem. Só homens. – Antônio sorriu para a menina.

Mel fez biquinho com os lábios, franziu o cenho e estreitou os olhos:

- Isso é um tratamento machista e altamente discriminatório! Só porque sou mulher não quer dizer que não possa assistir a um jogo de futebol com os homens da minha família.

- É claro que não, querida, mas... – o avô tentou contornar a situação.

- Vovô, quer que eu cresça traumatizada e com um complexo de inferioridade?

- Céus! Eu devo ter atirado pedra na cruz! – exclamou Antônio. – O que você andou lendo ultimamente? – suspirou, impaciente e derrotado: - Está bem! Venha!

- E eu também? – Felipe perguntou.

- Claro... Não quero ser acusado de causar um complexo de inferioridade em você também!

“Corrigindo”, pensou Ana. “Ninguém consegue dobrar o tio Antônio, exceto a Mel”.

Ela olhou preocupada para o noivo, que tocou de leve o seu braço e sorriu, como que dizendo que tudo iria ficar bem. Meia hora mais tarde, eles já estavam prontos para sair. Ana beijou carinhosamente Carlinhos, murmurando um “tome cuidado”.

- Não se preocupe, tia. – Felipe disse. Mel e ele tinham ficado um pouco para trás para não serem ouvidos pelos outros. – Nós vamos ficar de olho nele.

- Obrigada, meus amores. – Ana agradeceu.

Assim que a porta foi fechada, ela se voltou para as outras mulheres, que estavam sentadas na sala, nem um pouco tranqüila e muito menos com vontade de “por a conversa em dia”. Aquilo não era, definitivamente, hora para conversas femininas.


***


Três horas e meia! Três horas e meia e eles ainda não tinham voltado!

Um jogo de futebol durava apenas noventa minutos, mais o intervalo de quinze minutos. Como levava vinte para se chegar até o campo, eles deveriam estar de volta em exatas duas horas e vinte e cinco minutos!

Alguma coisa tinha acontecido, ela sentia! Merlim! Tremia só de pensar no que poderia ter saído errado.

O barulho de vozes animadas vindo do corredor foi ouvido. Alguns segundos depois, as crianças abriram a porta do apartamento, e entraram, sendo seguidas pelos adultos.

“Finalmente!”, pensou Ana.

Mel se adiantou, sussurrando para ela:

- Não se preocupe, tia. Eu o impedi de fazer um comentário sobre como o jogo seria mais interessante se os jogadores estivessem voando...

Ana gelou com o comentário. Pelo visto, os próximos dias não seriam fáceis se o tio resolvesse repetir a dose.

No entanto, eis que ela viu... Tio Antônio e Carlinhos... Rindo? Juntos? Um com o outro? Amigavelmente?

- Ana! – o tio exclamara. – Sabia que o pai dele também gosta de abrir as coisas para ver como funcionam?

Ela abriu a boca, surpresa. Sim, é claro que sabia que o senhor Weasley gostava de saber como os artefatos trouxas funcionavam. Metade do mundo sabia disso, aliás. O que ela não imaginava, era que isso fosse ajudar no relacionamento entre o noivo e o tio, este último também fascinado com o funcionamento de todo o tipo de aparelhos. Ele tinha um depósito nos fundos da casa, onde passava horas se divertindo desmontando rádios e televisores que ninguém mais queria.

- E tem mais! – o tio exclamara, empolgado. – O pai dele tem um Ford Anglia turquesa... Funcionando! Isto não é incrível? Acho que não vejo um assim desde a minha juventude! Quanto mais em condições de andar!

- E voar... – Felipe completou, as palavras saindo sem querer.

- O quê? – o avô perguntou.

- Ah, ele quis dizer que... – Mel buscou consertar a frase do irmão. – Que o carro está em tão bom estado que seria capaz de... “voar”, pela estrada.

- É, é! – Lipe se apressou em confirmar. – Carlinhos nos disse isso, é. Bom estado. Ótimo estado.

- Fascinante! Incrível! – o tio concordou. – Um Ford Anglia andando! Vou gostar muito de conhecer seu pai, rapaz!

Carlinhos sorriu, e respondeu, depois de lançar um olhar feliz para Ana:

- Tenho certeza que ele também vai gostar de conhecê-lo, senhor.

Sua família ainda ficou ainda mais meia hora no apartamento. Mais confiante de que Carlinhos estava seguro, agora que o tio não iria mais “implicar” tanto com ele, Ana resolvera sair com os sobrinhos por alguns minutos, com a desculpa de comprar qualquer coisa na padaria. Na realidade eles tinham ido para o parquinho e lá, ela contara rapidamente a história toda para eles.

- Nossa, tia, isso é... – Mel começou. – Se eu não tivesse VISTO com meus próprios olhos... Quer dizer... – a menina deu um sorriso fraco.

- Eu entendo, Mel – Ana riu. – Às vezes eu acordo, à noite, e fico oras sem conseguir dormir temendo que tudo tenha sido um sonho...

- De qualquer forma, eu estou feliz que tenha dado tudo certo. Ainda mais sabendo que é verdade. – Mel comentou. – A senhora sabe... Que Harry tenha vencido Voldemort, que todos estejam bem...

- Uau! Deve ter sido uma batalha e tanto! – Felipe comentou, empolgado. O menino adorava aventuras. – Harry deve ter dado uma surra no cara-de-cobra!

Ele se levantou e começou a fazer uns movimentos de luta com os braços e as pernas, juntamente com uns barulhinhos com a boca, imitando aqueles que se escutam nos filmes de ação.

Mel olhou desdenhosamente para o irmão mais novo, franzindo o cenho, até que disse para a tia:

- Mamãe teve a infeliz idéia de colocá-lo em uma aula de karatê. – em seguida voltou-se para Lipe, e comentou: - Ei, garoto!?! Bruxos lutam com varinhas, não dando socos e chutes!

O menino parou o que estava fazendo, subitamente sem jeito. Mas recuperou o orgulho próprio e retrucou:

- Mas... Aposto que iriam se dar melhor se fizessem as duas coisas!

Ana riu e contou que tinha dado uma surra em Lúcio Malfoy uma vez. As crianças exclamaram, impressionadas. Mas ela os avisou, sorrindo, que não deveriam tentar fazer o mesmo caso encontrassem um bruxo das trevas.

- Bem... Vamos andando, senão vão começar a desconfiar.

- Ai! – Mel disse, como se tivesse lembrado de algo: - Se o Harry casou com a Gina, e a Hermione com o Rony, que são irmãos do Carlinhos... Então isso quer dizer que eles vão...

- Vir para o casamento? – Ana entendeu o que ela queria dizer. – Sim, é claro que vão!

As crianças deram gritos histéricos, e começaram a pular feito doidas, chamando a atenção das pessoas que estavam no parque.

- Pessoalzinho... – Ana começou, constrangida, tentando acalmá-los.

- Vamos conhecer Harry Potter! Vamos conhecer Harry Potter! – começaram a dizer, enquanto se abraçavam pulando. – É! Isso! Yupiiiii!

Ana viu um casal que tinha parado de caminhar e olhava para as crianças como se fossem de outro planeta.

- Eles querem dizer... – ela se viu explicando. – Que vão conhecer o Daniel Radcliffe... O ator que faz o Harry Potter – riu nervosamente. – Não o Harry Potter de verdade, naturalmente...

Finalmente eles se aquietaram, e o trio retomou a caminhada para o apartamento de Ana. Os garotos pediram que contasse quem mais viria, e Ana disse que, além de toda a família Weasley, Lupin e Tonks estariam presentes.

- Lupin? – Mel dissera, encantada. – Eu adoro ele! Ele é tão legal, sabe tantas coisas...

- Obaaaaaaaa! Eu acho a Tonks o máximo! – Lipe comentou. – Aquele cabelo rosa dela é muito maneiro, e também aquela coisa dela viver mudando a aparência!

Passaram na padaria (que, na realidade era em frente ao prédio de Ana – mas ninguém sabia disso), e compraram algo para “disfarçar”.

Naquele exato momento, seus parentes tinham acabado de sair. Eles estavam hospedados em um hotel (impossível todos dormirem no cubículo que era o apartamento dela). Assim que fechou a porta, Ana se apoiou nela, exausta. Olhou para o noivo, apreensiva:

- Vai. Pode dizer. Agora que conhece a minha família, desistiu de se casar comigo, não é?

Carlinhos se aproximou lentamente dela, sem desviar os olhos. Segurou-lhe o rosto entre as mãos e disse:

- Primeiro: sua família é maravilhosa.

- Sério? – ela perguntou, levantando uma sobrancelha. – Porque tem muito mais de onde estes vieram, e lhe asseguro. Mais tios, primos, madrinhas, padrinhos, agregados, vizinhos de infância...

Carlinhos olhou algum ponto da porta, acima da cabeça de Ana, parecendo ponderar a informação.

- Posso agüentar. – ele concluiu, voltando a fita-la.

- Fico aliviada. – ela sorriu, divertida.

- Segundo: - ele continuou. – Te esperei muito tempo para desistir agora. Portanto, pode se acostumar com a idéia de que vai ser minha esposa, porque não vou te deixar escapar.

- Acho que consigo conviver com este fato. – ela respondeu, alargando o sorriso e recebendo em troca um beijo lento e carinhoso do noivo.

Depois de algum tempo, ela começou a rir. Carlinhos se afastou, intrigado:

- O que foi?

- É que... – ela se controlou. – Antes de ter “despencado” sobre aquela tenda do casamento do Gui e da Fleur, eu li naquele livro que você tinha pegado, sem querer, o buquê da noiva... – ela observou o ruivo ficar vermelho como os cabelos. – Então... Eu estava pensando que esse negócio de pegar o buquê, na realidade, deve dar azar, porque você vai ser o último dos irmãos Weasley a casar...

Carlinhos também riu. Fitando-a com uma expressão indecifrável, ele respondeu:

- Não. Isso pode ser assim na tradição trouxa, mas os bruxos modificaram o significado de apanhar o buquê.

- Mesmo? – Ana estava genuinamente surpresa. – E que o quê significa?

- Quem apanha o buquê... – Carlinhos a abraçou, puxando-a para mais perto. – Vai ser o próximo a encontrar o amor de sua vida.

Ana ficou subitamente sem ar. Geralmente já ficava assim quando ele a abraçava e fitava daquele jeito. Mas a revelação provocou um turbilhão de sensações dentro dela.

Assim, quando ele a beijou novamente, já não se lembrava mais de tradições, casamentos e buquês. Tudo o que se lembrava... E tudo o que sabia, era que pertencia a aquele homem.

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(N/A): Ooooooooooooi! *Belzinha hiper-discreta*.
Gente, desculpa pela demora, mas realmente não foi possível postar antes. Espero que gostem desta nova fic. De minha parte, vou me empenhar para que ela seja divertida. Esse primeiro já saiu bem grandinho, né? (para os que sabem o que eu estou falando: um Grawp).

Vou aproveitar o espaço para agradecer ao pessoal que postou depois do último capítulo do Segredo de Sonserina: Carolzinha (valeu! Eu adoro quando leio algo e me sinto como vc disse, então, fico super-feliz que o Segredo de Sonserina tenha lhe proporcionado isso); Trinity (acho que “romance” virou meu nome do meio, hehe); Carline (mesmo? Pareceu real? Uau, obrigada!); Bernardo (puxa, que bom que não decepcionei!); Bruna (valeu pela força e pelas conversas pelo MSN); Bruxicca (preciso dizer alguma coisa para vc, amiga? Vc já sabe, né? Hehe!); Remulu (demorou para aparecer, mas apareceu, né? Hihi! Obrigada!).

Ana lomlom, Saphira, e Bruna (ai, calma Bruna! Não precisa me matar, naum...): Aí está, o primeiro cap!).

Leleu: Uau! Que história de ligações de fics feliz! Suuuuuuuuper legal!

Carline, Carolzinha, Trinity, Sally e Kika: valeu pelo apoio de todas vcs! AMO TODAS!

Beijos especiais para a Sally e a Darla.


Comentem sim? Preciso saber se estou no caminho certo.

Beijos, beijos, beijos... Inté!

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