Prólogo
Hermione Jean Granger, vinte e seis anos, casada com o famoso auror Ronald Bilius Weasley. Por preferência própria não adotou o sobrenome Weasley, o que de certa forma foi uma decepção para uma família tão antiga. Atualmente, Granger ocupou o cargo mais alto no departamento de Leis da Magia, logo após concluir com eficiência e perspicácia seu projeto de lei de direito dos elfos domésticos. Chefe do departamento de Leis da Magia... Chefe..
A morena passava os olhos pelo jornal. Embora a matéria se tratasse dela e da sua última e maior conquista, ela não conseguia prestar muita atenção no que estava escrito e não era por ser de Rita Skeeter. Lia uma frase ou outra, como se aquilo não fosse tão importante quanto a notícia que estava prestes a receber ali sentada no saguão do St. Mungus.
Há algumas semanas Hermione se sentia indisposta e às vezes até enjoada. Tinha certeza que isso acontecia devido a pressão no seu trabalho, uma vez que a lei estava quase sendo aprovada em toda a Europa e, caso fosse, ela seria a nova ocupante de do cargo e Chefe do departamento de Lei da Magia. O cargo estava em aberto depois da repentina decisão de aposentadoria de Robert Prewett. Entretanto, mesmo tentando acreditar que se tratava de estresse devido ao trabalho, resolveu fazer alguns exames.
Agora, estava ali, sentada, sozinha. Havia mandado uma coruja para Ginny pedindo para que esta fosse para sua casa assim que voltasse da França, onde as Harpias de HolyHead haviam ganhado o último jogo no dia anterior. Rony e Harry estavam em um trabalho junto ao Ministério de Magia da Bulgaria, depois de que obtiveram informações concretas de que um grupo de comensais da morte se reunia naquela região. Preferiu não incomodar. Se eles não puderam ir a sua premiação no dia anterior, por que estariam ali para fazê-la companhia?
‘Granger’. Ouviu seu nome ser chamado e percebeu alguns rostos virando-se em sua direção. Por mais que não houvessem percebido a presença da mulher ali, agora todos sabiam quem era Hermione Granger. Era manchete de todos os jornais bruxos da Inglaterra. Seguiu em passos firmes para dentro do consultório, deixando para trás apenas o barulho de seus sapatos sociais contra ao piso do saguão.
Dra. Goldman aguardava sentada em sua mesa, escrevendo em um dos pergaminhos. Hermione não pode deixar de reparar no que se encontrava ao lado, com seu nome e selado com cera e o carimbo da doutora.
- Bem, Senhora Granger. Os seus exames não me mostraram nada muito fora do comum, exceto pela sua taxa de açúcar que estava um pouco alta, mas devido aos seus hábitos alimentícios e o estresse que passava nas ultimas semanas, creio que seja devido a isso. – A doutora continuou a conversar com Granger, sobre sua saúde estar impecável, mas a morena não prestava muito atenção. Estava com os olhos ainda voltados para aquele envelope ainda lacrado com o seu nome. Por fim, Goldman a parabenizou pela sua conquista no dia anterior e se levantou segurando o envelope. – Teve outra coisa que chamou minha atenção nos seus exames, Sra. Granger, acho que a Senhora o Senhor Weasley ficarão felizes! Acho que você já sabe, nós sempre sabemos... Mas abra junto a ele, ele vai gostar da surpresa!
Choque. Hermione não havia pensado na possibilidade. Ela nem sequer tinha planejado qualquer coisa, mas agora tudo fazia sentido. Os enjoos, a tontura, as quedas de pressão, a sensibilidade, o atraso. Não era estresse. Ela saiu do hospital e aparatou direto para casa. Correu direto para seu escritório onde se deixou cair no divã onde passara horas refletindo sobre suas teses, propostas e contrapropostas.
Há algum tempo se sentia insatisfeita quanto a seu relacionamento com Ronald. Talvez nunca tivesse se sentido completamente satisfeita. Pelo menos não depois daquilo que havia vivido em 1999. Olhou para a pulseira em seu pulso, sua corrente era formada por corações, um elo de corações e havia um pingente onde dois corações se encontravam, para sempre.
A morena aproximou seu pulso esquerdo onde estava a pulseira de uma caixa preta na estante logo atrás do divã, murmurou um encantamento e ela se abriu. Rony já havia tentando abri-la diversas vezes, embora escondido. Nunca havia conseguido. Apenas com a magia que continha dentro daquela caixa ela poderia ser aberta.
Dentro da caixa também havia um livro. Capa preta com detalhes dourados e as letras caprichosamente desenhadas na caixa ‘H G’. Hermione Granger, talvez. Mas quem folheasse o livro perceberia que se tratava de muito mais do que isso.
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