Dois dias após a segunda parte da prova de Poções, eles finalmente receberam o resultado. A terceira prova seria no dia três de junho. Os estudos eram cada vez mais rígidos. McGonagall cobrava muito daquele grupo, afinal, três alunos eram de sua casa, Grifinória, e os três melhores alunos do ano: Hermione Granger, Harry Potter e Draco Malfoy.
O ano letivo também estava prestes a acabar. Parecia que fora ontem que chegaram a Hogwarts, que tudo começara a mudar... Aquela manhã, Harry havia recebido uma carta de Dumbledore, pedindo que ele fosse ao seu escritório pela tarde. As quatro ele deixou o salão comunal com Hermione em seu encalço. Ele tentara deixá-la na torre da Grifinória, mas ela insistia em acompanhá-lo. Postaram-se em frente à gárgula e Harry disse a senha. A gárgula começou a se mover, mas antes que pudesse entrar, Dumbledore apareceu ao pé da escada.
- Eu sabia que você viria, Hermione. – disse o diretor amigavelmente.
- Desculpe, senhor. É só que eu queria... – Hermione começou a explicar.
- Estar informada, eu sei. – completou Dumbledore. – Venham comigo.
E os dois acompanharam o diretor de volta ao seu escritório. Dumbledore fez um aceno a eles pedindo que se sentassem.
- Peço que apenas me escutem. Primeiramente quero falar sobre o treinamento de vocês. Hermione, talvez possa me sugerir algum lugar onde possam ficar confinados por um mês e que não haja problema quanto à magia.– disse Dumbledore sem rodeios.
Hermione parou para pensar um instante. Ela não conseguia ver um lugar que estivesse dentro de todas as especificações do diretor... Era impossível! A não ser que...
- Claro! A Casa dos Gritos! – disse em voz alta, mas era para ser apenas um pensamento.
- A Casa dos Gritos? – Dumbledore repetiu brandamente.
- Sim, senhor. Eu reformei a Casa dos Gritos durante nossa primeira semana aqui em Hogwarts. – explicou a garota.
Dumbledore pareceu pensar sobre o assunto e ponderar a sugestão da aluna.
- Excelente! Realmente não há lugar melhor para isto. – disse por fim. – Eu iria sugerir Godric’s Hollow caso não houvesse uma resposta da parte de vocês. Muito bem! Houveram mudanças em nossos planos. Vocês terão aproximadamente um mês e meio para se organizarem. O ano letivo terminará no dia dezesseis de junho e no dia dois de agosto, vocês pegarão o Nôitebus Andante no período das quatro da tarde. Já fui informado que o casamento de Gui e Fleur acontecerá no dia quatro de agosto. No dia dois pela tarde, vocês serão pegos por Tonks em suas casas e levados para A Toca, onde dormirão e no dia seis, voltarão para casa novamente. São apenas estas as regras. – concluiu o diretor.
- Então o treinamento continuará durando o período de quinze meses? – perguntou Harry.
- Sim, Harry. Será um mês por dia. Não irei acompanhá-los da forma que queria, mas vocês estarão em boas mãos com McCoy. Acho que esta será a última vez aqui em Hogwarts que falaremos, mas quero desejar boa sorte a vocês. A propósito, meus parabéns pelos resultados no torneio. – disse Dumbledore.
- Obrigado! – agradeceram os dois.
- Bem, acho que não há mais nada para dizer. Qualquer coisa, enviarei uma coruja. – finalizou o diretor se levantando e postando-se a olhar o pôr-do-sol pela sua janela. Harry e Hermione deixaram o escritório do diretor e voltaram para a torre da Grifinória.
- Eu falei que não haveria problema em eu vir, não falei? – disse Hermione autoritária durante o caminho.
- Você está sempre certa! – disse Harry beijando-a rapidamente.
- Aqui não! – ela disse empurrando-o levemente.
- Como quiser... – Harry riu.
- Não faz assim, você sabe que eu não resisto... – ela replicou se aproximando.
- Sei, mas aqui não! – ele brincou, enquanto a beijava intensamente, puxando-a para dentro de uma sala qualquer.
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Gina saía da aula de Feitiços exatamente naquele momento. Aproveitando confusão dos alunos para irem aos seus salões comunais antes do jantar, ela se transformou num gato vermelho e saiu correndo por entre as pernas das pessoas. Iria direto para o salão comunal da Sonserina. Era errado, ela sabia disso melhor que ninguém, mas depois de quatro dias sem ver o namorado devido aos encontros preparativos para o torneio, aquela era a única maneira de encontrá-lo.
Viu o loiro entrar por uma porta nas masmorras e o seguiu. Entrou em um grande aposento escuro e frio, iluminado apenas por pequenos archotes e janelas minúsculas. Viu-o descer escadas e foi atrás dele. Os dormitórios sonserinos, ao contrário dos outros, eram subterrâneos, o que Gina não deixou de apreciar. Quando finalmente chegaram ao quarto, ele virou e viu o gato ruivo ali.
- Sai daqui! – mandou sem dar muita atenção ao animal.
- Me mandando embora? – Gina assumira a forma humana.
- Gina? – fez o loiro incrédulo, quase gritando.
- Shhh... Fala baixo! – disse ela se aproximando. – E esse é o nosso segredinho.
- Mais um? – ironizou ele.
- Cala a boca! – ela mandou e depois o beijou.
Caíram deitados na cama do loiro, que, às cegas, passou o cortinado verde musgo em volta deles.
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- A prova começa daqui a exatamente duas horas. A lista de afazeres já foi entregue e nós não pudemos nem raciocinar... – falava Malfoy. Eles estavam divididos em grupos no Salão Principal.
- E, se me permite dizer, continuo sem entender nada! – interrompeu Rony.
- Rony, pela milésima vez... Nós teremos apenas que fazer tudo isso que está especificado aqui no papel para descobrir o resultado final. Simples, rápido e prático. Não vamos demorar mais do que uma hora para fazer tudo isto, pode ter certeza. – disse Hermione.
- E ao que parece, temos que escrever os feitiços de transfiguração que serão utilizados em cada uma dessas linhas. – apontou Harry.
- Então vamos ao trabalho! Aparentemente todos os grupos já começaram e a Minerva já colocou a ampulheta invertida. – disse Hermione. – Certo. Um feitiço para transfigurar uma taça em uma ave...
Ela anotou-o na primeira linha.
O pergaminho era constituído da forma mais simples possível. Tinha primeiro, o que seria transfigurado e que forma deveria assumir logo após, com linhas seguindo as instruções, que deveriam ser devidamente preenchidas com os feitiços usados.
Fora a prova mais simples e mais rápida, pelo menos até ali. Em uma hora de prova, após o preenchimento do pergaminho, eles foram liberados. Teriam que aguardar até o fim do dia para saber de um provável resultado. Minerva lhes sorriu quando entregaram a ficha. Seus olhos pareceram percorrer o pergaminho por um instante e por mais que ela tivesse tentado disfarçar, eles não deixaram passar aquele mero detalhe. Entregaram-lhe uma pedra no final da prova.
- Agora é só esperar.
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A última prova fora marcada para dali a alguns dias. Defesa Contra as Artes das Trevas. Lupin havia ensinado o suficiente àquele grupo durante o período em que tiveram aulas extras. Eles sabiam vários feitiços muito acima dos N.I.E.M.’s, o que facilitaria muito. Sendo a última e mais importante, também precisava de mais preparação. Não que eles precisassem, mas segundo Hermione...
- Todo preparo é pouco!
Eles foram avisados do prêmio final, resultado do torneio. Cada participante ia receber sessenta pontos para sua casa e um prêmio surpresa, o qual todos tinham certeza de que iam gostar e muito. Desde então, todos viviam a se perguntar o que seria o tal prêmio.
- Sr. Potter e Srta. Granger? – chamou a professora quando eles estavam saindo da aula de Aritmancia, a última do dia.
- Sim, professora? – responderam virando-se. Só restavam eles dois na espaçosa sala.
- Os estudos de Aritmancia estão prontos. Não gostariam de saber os resultados? – perguntou Alissa Vector.
Os dois pararam para encarar a professora. Já havia meses que ela pedira para fazer o estudo numerológico deles e ainda não havia apresentado nenhuma resposta. Eles nem ao menos lembravam daquilo. Em todo caso, aproximaram-se da mesa mais próxima a da professora e sentaram-se nos bancos altos. Alissa imediatamente puxou um banco e foi se sentar junto a eles.
- Muito bem. Aqui estão os resultados todos. Tanto dos seus números totais, quanto do cálculo de relacionamento. Um estudo mais avançado. Aprenderão no próximo ano. – ela estendeu um pergaminho. – Leiam e qualquer dúvida, me pergunte.
Hermione Jane Granger
Número 9
Seu desafio é desenvolver o amor universal e ter uma atitude humanitária. Para que isso aconteça deve se livrar do egoísmo e individualismo. Sendo assim a amabilidade, a paciência, a bondade que emanam de você se unem a seu idealismo e sabedoria para melhorar a condição de vida dos demais. Você parece ser uma pessoa com grande experiência, sabedoria e compreensão da vida. Quando criança é precoce e madura demais para a idade que tem. Gosta de aprender com pessoas mais velhas. Você tende a ser muito sensível, vendo o mundo com sentimento e compaixão, assumindo responsabilidades, servindo à comunidade. Você tem habilidade para fazer amigos muito facilmente porque as pessoas são atraídas pela sua personalidade aberta e tolerante.
Você tem grande carisma e um dom especial para compreender as pessoas que, se usado corretamente, pode ser de grande benefício para elas. Você tem muitos talentos: sabe se comunicar muito bem, a expressão artística o interessa. Busca o conhecimento espiritual, quer se relacionar com pessoas que possam contribuir com algum conhecimento. Quer participar de causas grandiosas, que servem à humanidade. Nos aspectos negativos você pode ser extremamente idealista e perder o contato com a realidade, vivendo num mundo de ilusões. P
ode estar eternamente insatisfeito, envolvendo-se nas suas emoções de maneira profunda e destrutiva. Pode ser fanático por dogmas ou crenças. É importante saber manter o equilíbrio entre o ideal e o possível.
Harry James Potter
Número 11
Este é um número-mestre. Ele é especial pois seu desafio é aprender a tomar consciência do mundo espiritual. Você é extremamente intuitivo, de vanguarda, idealista e visionário.
Como um número mestre, pode conseguir ter uma compreensão das coisas que não está ao alcance dos outros. Você pode se tornar uma pessoa interessante, incomum, com muito para oferecer à sociedade se souber direcionar sua energia.
Você é especial, um canal de luz para as outras pessoas. Por isso pode chegar à fama e ao sucesso. Quando criança demonstra ter muitos talentos e criatividade, é diferente nas suas idéias progressistas. Você se interessa por compreender muitos dos mistérios da vida. Sua mente original permitirá ter sucesso na vida em qualquer iniciativa. Poderá servir melhor à sociedade, entretanto, em trabalhos que utilizem suas habilidades de aconselhamento e orientação, sempre iluminando o caminho das outras pessoas com as suas palavras e procedimentos. Você é freqüentemente mais sonhador do que executor podendo confundir os outros e frustrar-se com seus planos não realizados. Mas tem grande capacidade de realizar caso dedique seu tempo e sua atenção. Nos aspectos negativos, há muita tensão nervosa associada ao número 11 e você pode tornar-se uma pessoa difícil de se lidar. Por esta razão, os relacionamentos, às vezes, podem ser conflituosos. Pode apresentar muitas mudanças de humor variando entre a euforia e a depressão.
Deve procurar equilibrar sua intensa energia e canalizá-la seguindo a inspiração do mestre.
Relacionamento: Esta é uma relação de pessoas que se preocupam com os outros e que querem trabalhar por causas humanitárias. Neste sentido poderão ser companheiros na realização de grandes obras. Num relacionamento afetivo, aspectos emocionais podem prejudicar este envolvimento. O 9 tende a ser introvertido e a camuflar seus desejos mais íntimos. O 11, por outro lado, é tenso e nervoso em muitas situações.
Deverão trabalhar a comunicação entre ambos para buscar o equilíbrio da relação. Sair um pouco do mundo dos sonhos e viverem o presente com a realidade que ele apresenta. No trabalho o 9 tem uma mente aberta para o mundo e ajudará o 11 a olhar para novos horizontes. O 11 mais perseverante e determinado poderá levar vocês para a concretização de algo maior realmente voltado para a solução dos problemas da humanidade.
Após terminar a leitura, eles não entenderam muita coisa. A professora pareceu ler seus pensamentos.
- Vocês são duas pessoas que se completam, em todos os sentidos. Um pequeno gesto, uma característica atrai o outro por ele ser carente de tal coisa. Nem sempre existem casais assim, principalmente amigos como o caso de vocês. Poucos foram os casais que tiveram tanto em comum, tanto para compartilhar. Talvez vocês sejam mais um daqueles que o criador dividiu e colocou um pedacinho em cada pessoa, para que um dia se encontrassem. Mas é preciso atenção. Há coisas que vão estar sempre entre vocês, pelo menos até que todo o mal que possa vir a prejudicar o relacionamento, seja ele qual for, seja eliminado completamente. Profecias os envolvem e isso deve ser tratado com extrema cautela. – ela avisou.
- Hum... Professora? – fez Harry.
- Sim?
- O que quer dizer com tudo isso? – ele realmente não entendera nada do final.
- Com o tempo saberás, meu rapaz. Com o tempo saberás...
- E a Amy, professora? Como ela está? – fez Hermione mudando de assunto, sentia-se incomodada em falar de profecias.
- Está bem, querida. Vive a perguntar por vocês, assim como o Sirius. – contou Alissa. – Infelizmente ela anda um pouco ocupada realizando os N.I.E.M.’s, quase não tem tempo para fazer outra coisa que não seja estudar. Ela e as amigas perguntam muito por vocês, realmente. – comentou. – Sirius também não consegue tempo para se comunicar comigo. Anda meio atolado com os processos de regularização dele no meio mágico. Além de tudo, ainda temos o fato de que ele está meio... Desligado.
Os garotos sorriram para ela.
- É, ainda não falei com o Sirius desde o dia em que nos encontramos em Londres. – respondeu Harry. – Recebi no máximo quatro corujas dele, todas as mensagens pequenas e enigmáticas. Espero que depois dessas férias ele volte à ativa e já esteja totalmente atualizado, não é?
- Sim, querido. Assim eu espero! – murmurou Alissa.
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- Harry? – chamou Hermione.
Harry despertou lentamente de seu sono e pegou os óculos que a amiga lhe oferecia.
- O que houve?
- Não se preocupe, não aconteceu nada. – ela respondeu automaticamente.
- Hermione, o que aconteceu? Que horas são? – as cortinas em volta da cama de Harry ainda estavam fechadas e Hermione estava sentada em sua cama de frente para ele, ainda de pijama.
- Eu já disse que não aconteceu nada. Eu apenas queria ficar a sós com você, é isso. – ela se deitou a seu lado, olhando-o nos olhos e acariciando seus cabelos negros. – A propósito, ainda são cinco e meia da manhã.
- É a terceira vez essa semana que você me acorda, Mione. – ele disse sorrindo.
- E por acaso não sou bem vinda? – ela perguntou fingindo estar chateada.
- Não, claro que não! Você é bem vinda em qualquer lugar e a qualquer hora. Eu estava mesmo sentindo falta de estar com você... – ele a beijou longa e apaixonadamente.
Eles já não ficavam juntos há muito. Desde o início do torneio eles não conseguiam ficar a sós por muito tempo. Tudo parecia correr contra eles. Hermione ia de manhã bem cedo até o dormitório masculino para conversar com Harry e tentar namorar um pouquinho, porque aqueles momentos eram sagrados.
Aquele era exatamente o dia das duas provas de Defesa Contra as Artes das Trevas. Teriam que estar no salão principal exatamente às nove da manhã. Deixaram a torre da Grifinória ainda às oito e meia. Iam encontrar com Malfoy no salão principal. Rony saíra mais cedo que ele. Harry e Hermione tinham certeza de que fora se encontrar com Luna.
Quando chegaram ao salão principal, este já havia sido dividido em dez pequenas mesas para no máximo seis pessoas espalhadas por todo o salão. Sentaram-se em uma ao fundo do aposento e ficaram a esperar, apertando nervosamente as próprias mãos, que suavam de ansiedade. A sensação era incomum, eles não sabiam o porquê de tanto nervosismo. Era apenas uma prova, não é? Não, não é. Era uma prova decisiva, que poderia classificá-los para o primeiro lugar do Shot. Mas Hermione não pensava nisso. Pensava em sua carreira, aquilo tudo ajudaria em seu currículo, e, com certeza, ensinaria a trabalhar em grupo, coisa com a qual ainda tinha uma pequena dificuldade.
Sete anos de aventura não foram suficientes para que ela aprendesse completamente a essência do trabalho em grupo. Ela sempre fora a cabeça de todas as aventuras em que ela e os amigos se envolveram, mesmo Harry sendo o principal responsável por todas terem sido geradas. Aquela seria sua última oportunidade de ser perfeita para o que escolhera.
- Bom, como todos já estão aqui, creio que possamos começar. – disse Dumbledore.
Ele fez com que vários pergaminhos fossem em direção das mesas, onde cada aluno abriu o seu. Havia uma pena junto ao pergaminho, provavelmente com feitiços anti-cola, como Hermione comentara. O teste escrito transcorrera facilmente, principalmente para Harry e Hermione, que conheciam um lobisomem e ainda tinham a capacidade de se transformar em animais, ou seja, eram animagos.
Quando o tempo se esgotou, automaticamente todos os pergaminhos voaram de volta para Dumbledore, sendo preenchido por completo ou não. Novamente o diretor tomou a palavra, recebendo toda e completa atenção dos alunos presentes.
- Infelizmente o professor Lupin não pôde comparecer, mas tudo está pronto e foi feito sob sua supervisão. Ele deixou todas as instruções para nós fazermos exatamente como ele planejou e...
Um estrondo vindo do lado de fora do salão seguido de uma explosão barulhenta interrompeu o diretor e fez com que todos se entreolhassem alarmados.
- Será que alguma coisa aconteceu? – perguntou Rony.
- Talvez algum problema com os animais que seriam utilizados para a prova prática... – sugeriu Hermione, tentando não pensar no pior, mas não acreditando muito em suas próprias palavras.
A situação se agravou quando Snape adentrou o salão. As roupas negras amarrotadas, em alguns pontos com cortes, deixando a pele branca borrada de sangue, uma perna manca e sua capa com um grande buraco, que parecia ter sido causado por contato com o fogo. O professor de poções se aproximou do diretor e murmurou algo, fazendo com que todos os outros professores presentes arregalassem os olhos e se dirigissem para fora.
- Vão diretamente para os seus respectivos salões comunais e permaneçam lá! – pediu Dumbledore com uma expressão séria e correndo para fora juntamente do grande aposento.
Novamente ouviu-se uma grande explosão e todos saíram apressados do salão. As portas do castelo estavam lacradas e os alunos de outras séries espalhados pelos corredores com expressões assustadas, muitos choravam desesperados. Hermione ficou preocupada quando viu um segundanista dizer que não queria morrer aos prantos. O que estaria acontecendo?
- Harry! Hermione! – chamou Gina, estava com uma aparência abatida e ofegante. – Comensais... Espalhados por toda a Hogwarts... Eles invadiram a escola!
- O quê? – perguntaram Harry, Hermione, Rony e Draco em uníssono, o último se aproximando da ruiva e a abraçando.
- Hermione, junte toda a AD, imediatamente. – avisou Harry correndo em direção à torre da Grifinória.
- Harry, o que você está pensando em fazer? – gritou.
- Hermione, sem perguntas! Apenas reúna todos. – disse e continuou a correr, desaparecendo no fim do corredor.
- O Potter pirou? – perguntou Draco.
- Não, ele só vai fazer o que não deveria. – murmurou Hermione e Rony a olhou preocupado.
- Você vai ou não vai reunir a AD? – ele perguntou por fim.
- Cala a boca, Ronald! – disse Hermione ficando nervosa. – Gina, você me ajuda?
- C-cla-claro, Mione! – disse a ruiva beijando o namorado e indo atrás da morena.
Draco e Rony se entreolharam e seguiram as duas, as varinhas em punho. Os corredores escuros eram iluminados apenas pelos archotes. Filch havia selado todas as janelas e portões possíveis do castelo. Ninguém sabia o que estava acontecendo lá fora, apenas ouviam os gritos e os feitiços que eram lançados, sucessivos.
Quando toda a AD já estava reunida, Hermione começara a ficar mais preocupada. Aquele ataque definitivamente não estava em seus planos, não poderia acontecer.
“Por que tudo sempre acontece no fim do ano e quando menos esperamos?”, ela se perguntava enquanto andava de um lado para o outro esfregando as mãos nervosamente.
Harry abraçou Hermione e depositou um rápido beijo em seus lábios da forma mais discreta possível. Depois de alguns segundos, ele soltou a namorada e voltou-se para os presentes.
- Sem mais perguntas, apenas sigam-me! – disse enquanto seguia para o corredor da bruxa de um olho só. – Dissendium! – murmurou e a corcunda da estátua se abriu, revelando a passagem secreta.
Ele desceu a rampa, sendo seguido por Hermione e Rony. Os outros alunos apenas se entreolharam sem entender. Malfoy e Gina desceram e todos os seguiram. Andaram silenciosamente, tentando obedecer à ordem de Harry, que um dia fora seu professor. Quando finalmente chegaram ao porão do bar de Madame Rosmerta, saíram pelo alçapão e subiram as escadas, sem se importar com nada. O Três Vassouras estava fechando, provavelmente já sabiam do ataque. Rosmerta os viu saírem pela porta por onde saíra pouco tempo atrás.
- O que...? – ela começou, perplexa.
Mas nenhum deles deu ouvidos à mulher. Saíram correndo em direção à Casa dos Gritos, por onde entraram e desceram pelo túnel que levava a Hogwarts. A sorte de Harry e Hermione era que o primeiro patamar da casa ainda permanecia como há três anos atrás; completamente abandonado.
Antes que saíssem pelo salgueiro lutador, Hermione se transformou em uma raposa rapidamente e saiu, apertando o nó que imobilizava a árvore e voltou. Ninguém percebera seu sumiço, já que apenas ela e Harry haviam chegado ao fim do túnel e ela retornou antes que todos se fizessem presentes.
- Estamos de volta a Hogwarts, mas desta vez estamos nos jardins. Vocês vão correr em direção aos Comensais e fazer o possível e o impossível para derrubá-los, nem que seja preciso mais de um de nós para cada um dos que estiverem livres. – disse Harry e novamente deu um selinho em Hermione. – Se cuida, ok? – murmurou sem que ninguém notasse. – Vamos!
E todos saíram correndo, se espalhando pelos vastos jardins da escola. Harry percebeu que os membros da Ordem já se encontravam ali e que não existiam Comensais sozinhos. Muitos estavam sendo enfrentados por dois homens, mas resistindo de uma forma assustadora. Ele já não estava próximo a nenhum de seus amigos. Todos correram como ele instruíra e ele ainda não se juntara a ninguém.
Correu para o ponto onde Sirius lutava, sozinho, contra Belatriz. Aquele era uma revanche e isso era indiscutível. Siris iria fazê-la pagar por tudo que fizera ele passar, pelos seis meses que fizera ele ficar isolado em outra dimensão. Ele podia não se lembrar do que acontecera do outro lado do véu, mas a mulher pagaria cada segundo...
- Harry? – fez Sirius, olhando-o, enquanto desviava de um feitiço que a prima lhe lançara.
- Eu, não. Toda a AD. – disse Harry sorrindo abertamente. Viu Sirius piscar para ele antes de se concentrar na Comensal.
Harry viu o professor Flitwick cair no gramado desacordado e Tonks olhar rapidamente para os lados, como se esperasse que alguém a ajudasse. Ela enfrentava Antonio Dolohov e parecia desesperada. Já estava cheia de ferimentos e, aparentemente, muito fraca. Harry correu em sua direção e começou a ajudá-la no duelo contra o Comensal.
- Harry?
- Sem perguntas! Queria alguém para ajudá-la, aqui estou eu. – disse sorrindo e virando-se prontamente para Dolohov.
- Harry... E-eu não... Ag-agüento mais! – disse antes de cair no chão, sentada.
Desesperado, Harry enfrentou o Comensal da forma mais dura possível.
- Estupefaça! – disse e o homem cambaleou, recuperando-se rapidamente.
- É só isso que pode fazer, Potter?
- Isso é o que veremos agora... Everte Statum! – e o Dolohov caiu desacordado.
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Aquele dia fora desgastante, isso era indiscutível. No fim de tudo, pelo menos dez Comensais haviam sido presos e, com toda certeza, seriam enviados para Azkaban. Hermione estava muito fraca e reclamava ao toque. Dizia-se dolorida e Harry concluiu que ela havia sido vítima do feitiço Cruciatus. Sentiu-se mal em ver a namorada assim. Era a segunda vez que a colocara em perigo de morte. Ela poderia ter morrido ali e seria tudo culpa sua. Pegou-a no colo e entrou no castelo, sendo seguido de perto por Rony, Draco e Gina e alguns professores. Eles foram os últimos a retornarem ao castelo.
Todos seguiram diretamente para a enfermaria, já lotada, onde alunos, professores e membros da Ordem se encontravam deitados e atendidos pela graciosa Madame Pomfrey.
- Como que vocês conseguiram chegar lá fora? – ela resmungava. – São todos inconseqüentes... A enfermaria cheia! Oh, Melin! Hogwarts... Atacada...
Todos sorriram nervosamente.
Agora tudo tinha passado, eles venceram Voldemort de novo e poderiam ter paz, pelo menos por enquanto... |