No dia seguinte, muitos eram os alunos que ainda se encontravam na enfermaria. Mal havia espaço para andar por entre as macas e camas, espalhadas por todo o aposento. Madame Pomfrey assegurara que a grande maioria estaria bem em dois ou três dias, mas ainda continuava insegura com o estado de alguns. Muitos chegaram desacordados e gravemente feridos.
- Resultado da bravura de nossos alunos, Papoula. Todos se provaram dignos da Grifinória. – dizia Dumbledore.
Realmente. Pelo menos dois terços dos alunos que conseguiram sair do castelo para enfrentar os Comensais, eram alunos da Grifinória. Apenas um da Sonserina, quatro da Lufa-Lufa e quatro da Corvinal. Neville, Ernesto McMillan e Anna Abbot chegaram em estado grave, eram os que estavam mais afetados. Por sorte não corriam risco de vida. Hermione também não estava muito bem. Continuava reclamando de dores no corpo e passava boa parte do dia dormindo sob efeito de uma forte Poção do Sono.
Harry apenas passara a noite na enfermaria e depois fora liberado para retornar a torre da Grifinória. Não insistia para ficar com Hermione na ala hospitalar da escola para não atrair suspeitas. Já correram riscos suficientes nos dois beijos que trocaram no dia anterior. Visitava a namorada regularmente, assim como Rony e Gina. A propósito, este já não reclamava tanto com irmã por esta namorar um Malfoy.
- Eu juro que se eu não devesse a minha vida a ele, já tinha matado os dois! – disse em uma visita a Hermione, quando a encontraram acordada.
- Ainda fico impressionada por você não ter contado aos seus pais sobre o romance deles. – murmurou Hermione com um leve sorriso nos lábios, mas logo depois fazendo uma careta.
- Não faça esforço, Mione. Sabe que não pode. – advertiu Harry.
- Não, não contei... Eu não contei, porque, porque... Não contei porque não contei! – Rony parecia procurar uma justificativa para o comentário da amiga.
- Porque você gosta de vê-la feliz, Ronald. Admita! – murmurou a morena.
- Com licença, com licença! – pedia a medibruxa, levando para a garota um cálice prateado que fumegava. – Tome, Srta. Granger. É a sua poção. – ela entregou e Hermione bebeu todo o conteúdo, fazendo uma careta. – Ora, garota! Não pode ser tão ruim assim...
- É horrível! – replicou.
- Muito bem. Sr. Potter e Sr. Weasley, peço que se retirem. A Srta. Granger precisa descansar. – pediu a mulher loira.
- Mas...
- Sem ‘mas’! Por favor... – disse enquanto os empurrava para fora, fazendo Hermione sorrir.
Relutantes, os dois deixaram a ala hospitalar.
- Quando ela poderá voltar? – perguntou Rony.
- Creio que amanhã ou depois, Sr. Weasley. Ela ainda se queixa bastante das dores que sente, mesmo todas as feridas estando devidamente cicatrizadas. – Harry abriu a boca para argumentar. – Eu sei perfeitamente que ela foi atingida pelo feitiço torturante, Sr. Potter. Não é preciso ter inteligência para notar isso. – ela apressou-se. – Agora vão me perdoar, mas eu tenho que trabalhar.
Antes mesmo que um dos dois pudesse dizer algo, a enfermeira bateu a porta da enfermaria. Seguiram silenciosos para a torre da Grifinória, ainda irritadiços com a ação da enfermeira.
- E então, Rony? Como foi que o Malfoy o salvou?
- Eu já disse, cara! Não quero falar sobre isso, ok? É deprimente!
- Francamente, Rony! O cara te salvou a vida, deveria ser grato a ele... – murmurou Harry. – Como espera acabar com essa ligação?
- Como espera acabar com a ligação entre você e Pettigrew? – fez Rony.
- É um caso completamente diferente! Fui eu quem o salvou. Neste caso, você teria que perguntar para o seu próprio rato. – brincou Harry.
- Eu não vou ficar seguindo-o para saber quando ele vai dar uma oportunidade para eu salva-lo. Tenho mais o que fazer e não quero que pensem que estou ‘virando a casaca’. – murmurou o ruivo em resposta. – Além do mais, temos oportunidades suficientes por vir. Enquanto Você-Sabe-Quem estiver solto, isso é o que não vai faltar!
- Eu preferiria que você fosse mais otimista. – disse o moreno com sinceridade.
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Faltavam apenas dois dias quando todos os alunos que ainda estavam na enfermaria foram liberados. Dali a apenas dois dias estariam novamente voltando para casa. Em dois dias estariam de férias, para infelicidade de alguns e felicidade de muitos. Depois de um longo ano letivo, tudo o que queriam era estar com a família, mesmo que não estivessem seguros. Um ataque a Hogwarts era o que todos menos esperavam. Sorte seria se no próximo ano eles retornassem à escola.
Para Harry, os três primeiros dias seriam um pesadelo. Estaria longe de sua namorada, do mundo bruxo e depois ainda estaria na casa dos Dursley. Ele sabia que depois disso, estaria confinado em um lugar por longos quinze meses, estaria com Hermione e Gina, uma grande amiga.
O pessoal do sexto ano estava liberado das aulas há cinco dias atrás, o que era um alívio. Não sabiam qual grupo ganhara o Torneio, não sabiam o prêmio, não faziam idéia de quem poderia ganhar a taça das casas. Definitivamente nada sabiam. E, segundo a ‘ciência’ de Hermione, eles só saberiam tudo isto no último dia ali, ou seja, o jantar do dia seguinte, pois na quinta-feira pela manhã deixariam a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Uma manhã de terça-feira, durante o café da manhã, Harry recebeu a última mensagem de Dumbledore daquele ano. Havia apenas uma frase, uma única e clara frase: ‘Harry e Hermione, me encontrem nos jardins’. Os dois terminaram de tomar o café da manhã e seguiram para o lado de fora do castelo, alegando ao amigo, Rony, que iriam conversar a sós.
O diretor já os aguardava fora do castelo, a cerca de dez metros da escadaria de mármore que dava para a entrada do castelo. Estava de costas e parecia conversar com alguém. Era um homem alto, um metro e noventa de altura, esbelto e forte. Um negro bastante bonito. Vestia uma impecável capa de viagem preta, assim como todo o seu traje. A cabeça raspada brilhava ao sol fraco da manhã e um sorriso maroto não deixava o seu rosto.
- Vamos? – perguntou uma voz as suas costas.
Harry e Hermione se viraram para ver quem falara com eles. Era Lupin, que tinha uma aparência cansada e um leve sorriso nos lábios. O professor não aguardou resposta e, segurando os dois pelos ombros, caminhou até Dumbledore.
- Alvo! – chamou quando os três se aproximaram do diretor.
- Ah, Jason, eles chegaram. – disse Dumbledore virando para encará-los e sorriu levemente. – Harry, Hermione... Este é Jason McCoy, um velho amigo que irá passar os próximos quinze ‘dias’ com vocês. Ele será o seu instrutor e ensinará vários tipos de luta e duelos, dentre eles estão: esgrima, duelo bruxo e artes marciais. – resumiu e os garotos cumprimentaram o novo ‘professor’. – Vamos à Casa dos Gritos.
Silenciosos, chegaram ao salgueiro lutador. Dumbledore o imobilizou e eles desceram o túnel. Aos olhos de Lupin, o lugar parecia estar exatamente como deixou em sua última visita ao local, três anos atrás. Era impróprio para o uso que eles queriam fazer. Com um aceno de varinha, o diretor colocou tudo em ordem naquele primeiro pavimento, deixando-o limpo e arrumado. Atravessaram a grande sala e subiram as escadas.
Agora, sim, poderiam dizer que o lugar estava arrumado e bem cuidado. Era uma casa de dois andares e um sótão, o lugar essencial e perfeito para a preparação que teriam. Antes de parar para olhar o segundo pavimento, encaminharam-se diretamente para o sótão. Dumbledore o preparou com os materiais necessários para duelos, aulas de esgrima e artes marciais.
Os quartos permaneceram exatamente como estavam anteriormente. Um dos três aposentos que sobraram se transformou em uma biblioteca, ampliada por feitiço, claro. Os outros dois se transformaram em um salão de jogos e o último em dispensa. Estava tudo pronto.
- Na verdade... Quase tudo! – disse Hermione.
- O que sugere, Srta. Granger? – perguntou Dumbledore, os olhos azuis brilhando por trás dos oclinhos meia-lua.
- Há métodos trouxas que poderão nos ajudar... – murmurou Harry.
- Alguns poderão ajudar bastante, Alvo. – concordou Lupin. – Assim como esgrima e artes marciais, eles vão precisar de algo para entrar em forma.
- Hum... Musculação... Uma espécie de academia. – sugeriu McCoy, sorrindo para os dois garotos.
- Muito bem! Poderemos arranjar tudo o que for preciso. – disse Dumbledore. – Sentem-se, por favor. – pediu, enquanto o fazia. – Eu gostaria de apenas dizer que vocês foram muito corajosos, todos vocês, alunos, em deixarem a segurança do castelo para enfrentar os Comensais.
- Eles... Eles enfrentaram os Comensais no ataque dos últimos dias?
- McCoy, pensei que soubesse que nesta escola há três alunos que todos os anos se metem em confusões e quase sempre envolvem outros colegas. – disse Lupin marotamente.
- Vai ser mais fácil lidar com vocês agora... – murmurou o mestre.
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- Mas então nós vamos ficar na Casa dos Gritos? – perguntou Gina perplexa. – E toda a lenda que a envolve? Não há nenhum problema?
Eles estavam no salão principal. Tinham acabado de voltar da Casa dos Gritos e estavam almoçando.
- Não, Gi. A casa nunca foi mal assombrada, nunca houve problema nenhum em estar nela. Você passou por ela no dia do ataque, lembra? Houve alguma coisa? – explicou Hermione.
- Er... E por que existe uma lenda que diz que em noites de lua cheia ouvem-se sussurros, gritos e uivos? – a ruiva argumentou.
- Gina, some tudo e procure entender: Casa dos Gritos, lua cheia, uivos... – tentou Harry.
- Bom, lua cheia, uivos... Casa dos Gritos... – ela pareceu pensar. – Ei, onde vocês querem chegar? Olha, hoje foi meu último exame dos N.O.M.’s. Definitivamente não quero pensar...
- Ok, Gina! Eu pensei que fosse mais inteligente. – disse o moreno com falso pesar.
- Como assim ‘pensou’? – a ruiva se mostrou ofendida.
- Esquece, Gina! – interferiu Hermione. – A lenda, de fato, é verdadeira, mas nos dias de hoje, já não se escuta mais nada. As pessoas têm medo de se aproximar por acharem que um ‘bicho’ adormecido pode sair de lá e vir pega-las. Em todo caso, quando o Lupin entrou para Hogwarts, ele já era órfão. Na condição em que se encontrava, sendo um lobisomem, Dumbledore se viu no dever de protegê-lo e proteger os outros alunos, sem privá-lo dos estudos. – uma pausa. – Foi aí que teve a idéia de plantar o salgueiro lutador e fazer um túnel subterrâneo que ligasse a uma casa fora dos terrenos de Hogwarts. E o fez. Sempre que se aproximavam as noites de lua cheia, Lupin era obrigado a beber uma poção que fazia com que ele se lembrasse de quem era e não atacasse os amigos, só por precaução. Depois era enviado à Casa dos Gritos e ficava lá até que assumisse a forma humana novamente, ou seja, quando a lua minguante ocupasse as noites seguintes. Por isso ouviam-se uivos, gritos e sussurros, Gina. Os moradores de Hogsmeade ficaram amedrontados e acabaram inventando esta lenda, que vem de muitos anos.
- No máximo trinta e cinco, Gina. A Mione está exagerando um pouquinho. – murmurou Harry sorrindo, recebendo uma tapa no ombro logo em seguida.
- Bom, ainda estou perplexa com tudo isso... – murmurou Gina ainda rindo. – Mas mudando de assunto bruscamente... Vocês souberam que o Draco salvou a vida do Rony?
- Claro! – disseram os dois em uníssono. – Mas é bom você não falar disso próxima ao seu irmão. Ele ainda anda meio sensível a isso. – completou Harry.
- Virou motivo de gozação do Harry. – disse Hermione sorrindo.
- Draco contou que nem precisava tê-lo salvo. Um Comensal lançou o ‘Avada Kedavra’ no Rony, mas ele estava distraído e nem viu, acabou que o Draco notou e pulou, puxando o Rony pro chão com ele e rolando pelo gramado. Por pouco o meu irmão... Bem... – Gina suspirou. – Mamãe morreria!
- Nós sabemos disso, Gina. Malfoy se provou uma pessoa de caráter fazendo o que fez. – disse Hermione.
Harry permaneceu calado e olhou para cima, fingindo não prestar atenção.
Aquela era uma história que ia corroer o amigo até o último minuto, ele sabia disso melhor que ninguém.
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A tarde se arrastava lentamente. Harry se despedira de Hermione há poucos minutos. Estava novamente sozinho no salão comunal até que Lilá Brown e Parvati Patil se aproximaram dele.
- Oi, Harry. – cumprimentaram, ocupando o sofá de frente para a poltrona onde ele estava sentado.
- Oi, garotas. Como vão?
- Ah, tudo bem, Harry. – responderam juntas e o silêncio reinou por um longo instante.
- Harry? – chamou Parvati.
- Hum?
- Você não acha que... Bom, a Hermione e... Hum... Você... – Harry a olhou interrogativo. Ele não estava entendendo nada.
- O que tem a Hermione?
- Vocês dois são... Tão...
- Ah, Parvi, não enrola! – disse Lilá irritadiça. – Harry, você não acha que já passou da hora de perceber que você ama a Hermione?
Harry quase caiu para trás com o comentário da loira.
- Lil, não era para ser tão direta assim, não é? – fez a indiana para a amiga.
- Oras, Parvi! Se eu deixasse você contar, você ia enrolar horas e não ia dizer nada. Tem que ser direta, nada de rodeios. – replicou Lilá. – E então, Harry?
O moreno pigarreou.
- O que quer dizer com isso?
- Ah, como vocês, homens, são lentos! – Lilá e Parvati reviraram os olhos. – Está na cara que vocês se gostam! Mais um ano acabou e ninguém conseguiu ganhar a aposta por conta da lerdeza de vocês.
- Aposta?
- Claro! Todos os anos nós fazemos apostas sobre vocês dois. Há quem ache que nunca irão perceber que se gostam, há quem ache que vocês definitivamente não se gostam, quem ache que vocês só vão notar quando o outro arrumar um namorado ou ficante para chamar atenção do outro... Enfim! Tudo vale! Vocês são o tema do maior bolão de Hogwarts! – disse Parvati sorrindo. – Até professores participam, mesmo que clandestinamente.
- É. A professora de vocês de Aritmancia foi a primeira a entrar. Ela tem um palpite realmente duvidoso. Ninguém entendeu, mas ela assegurou que ela tem certeza do que diz. – Lilá segredou em voz baixa.
Harry estava boquiaberto com todas aquelas revelações.
- E desde quando...? – ele começou e foi interrompido por Parvati.
- Desde o... Quarto ano? – fez pensativa.
- Exatamente! Desde aquele artigo da Skeeter. – confirmou a loira. – Até ali todos ainda acreditavam que Rony e Hermione ainda ficariam juntos.
Harry sorriu de lado.
- Vocês são loucas!
- Loucas, não. Apenas vemos o que vocês não vêem! – corrigiu Parvati.
- Vocês são dois cegos! Até quando esperam esconder o que sentem e deixar o pessoal desapontado?
- E vocês são tão lindos juntos! Dá para notar os olhares que trocam, a forma como ela é carinhosa com você... – a indiana parecia sonhadora. Mudou esse seu jeito de forma brusca para um tom descrente. – Não pode ser relação de ‘apenas amigos’. Fala sério!
Harry sorriu e balançou a cabeça negativamente.
- Eu e a Mione somos apenas amigos, mais nada. – ele mentiu.
- Tudo bem. Se vocês preferem continuar se enganando...
Harry se levantou e saiu pelo buraco do retrato. Por que as duas não estavam nos jardins como todos os outros alunos? Por que tinham que vir dizer tudo aquilo a ele? Se elas soubessem que o bolão já havia acabado há meses, quase seis, não estariam falando asneiras.
Foi para os jardins e sentou-se sob a maior árvore na proximidade do lago. Ficou olhando todos os alunos espalhados pelos jardins. No dia seguinte, àquela hora, já estariam em suas próprias casas. Voltou a visão para o lago, que refletia o sol do fim de primavera. Estava tudo muito calmo, tudo razoavelmente bem... Perguntou-se onde estaria Hermione. Não a via desde o fim do almoço, o que, definitivamente, não era normal.
Seus pensamentos foram apagados com a visão que os seguiu. Viu a namorada emergir do lago e vir em sua direção. Esta fora exatamente a primeira visão marcante dela desde a chegada à Hogwarts aquele ano. Exatamente no dia seguinte à chegada a escola. Pareciam meras coincidências, mas analisando os fatos, tudo parecia ser armado.
Chegaram à noite de primeiro de setembro e no dia seguinte, pela manhã, ele estava procurando-a e a achou no lago, de onde saiu daquela mesma forma, enquanto se perguntava onde estaria. Hoje, estavam no penúltimo dia em Hogwarts, final de tarde e no dia seguinte, logo pela manhã, iriam retornar a Londres. Eram fatos opostos que se encaixavam.
Ela se sentou ao lado do namorado e o olhou com um meio sorriso no rosto.
- Eu já disse que te amo hoje? – ela perguntou, beijando-lhes os lábios.
- Hum... – ele pareceu pensar. – Não.
- Pois então, digo agora. Eu te amo, sabia?
- Sabia... – ela o olhou estreitando os olhos. – Você acabou de me dizer...
Hermione sorriu e o beijou.
- Adivinha o que está rolando por toda a Hogwarts há dois anos sem que soubéssemos?
- Não faço a mínima idéia! – Hermione respondeu curiosa.
- Um bolão, uma aposta para saber se vamos ou não ficar juntos.
- Como é? – a morena perguntou, incrédula.
- Exatamente o que você ouviu. Até professores já entraram nesta aposta. – contou.
- Eu simplesmente não acredito. Como você soube?
- Parvati e Lilá vieram ‘abrir meus olhos’ antes de eu vir para cá. – Hermione sorriu, quase gargalhou. – Sério! Vieram me perguntar... Como foi que disseram mesmo? – ele pareceu pensativo por alguns instantes. – ‘Até quando esperam esconder o que sentem e deixar o pessoal desapontado?’
Hermione continuava rindo e agora balançava a cabeça negativamente.
- Provavelmente virão falar comigo, também. Não duvido nada!
- Nem eu, Mione... Nem eu! – disse Harry beijando-a.
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- Vamos, Hermione! O jantar vai começar e você vai acabar ficando, porque eu já vou! – disse Rony.
- Estou descendo, Ronald! Onde está o Harry?
- Não faço a mínima idéia! – respondeu o ruivo enfezado.
- Vamos logo! Vamos que a comida vai correr... – zombou antes de puxar o amigo para fora do aposento.
Seguiram para o salão principal, onde a grande maioria dos alunos já se encontrava. Os sextanistas estavam ansiosos para saber os resultados do torneio e o prêmio, além da curiosidade para saber quem levaria a taça das casas, mesmo que alguns assegurassem que seria a Grifinória novamente. Harry adentrou o grande aposento minutos depois e se juntou aos amigos.
- O prêmio surpresa será de duzentos galeões para cada componente do grupo vencedor. Ainda teremos os sessenta pontos. – segredou, juntando-se aos dois amigos.
- Como soube disso? – perguntou Hermione.
- Dumbledore me chamou para contar.
Hermione olhou para a mesa dos professores, onde Dumbledore se acomodava apenas agora.
- Só chamou você? – perguntou Rony.
- Exatamente.
- Então quer dizer que...
- Nós ganhamos? – completou a morena.
Harry acenou discretamente, confirmando. Hermione, automaticamente, virou-se para a mesa da Sonserina, no lado oposto do salão e sorriu para o loiro, que retribuiu o gesto e acenou, como que tivesse entendido.
Minerva se levantou e fez um gesto para que todos se calassem e voltassem a atenção para o diretor, que estava se postando de pé no centro da mesa principal. Imediatamente os murmúrios cessaram e toda a atenção estava postada em Dumbledore.
- Boa noite! Mais um ano termina e nós estamos todos aqui presentes para dar a taça das casas à Casa vencedora, nos despedir dos professores e colegas e apreciar, uma última vez, este jantar maravilhoso. Temos também o resultado de um novo evento que foi incluído em nosso currículo escolar, o Torneio. Um dos prêmios, já anunciados, seriam os sessenta pontos para cada aluno da equipe vencedora, que já foram computados em suas respectivas casas e o segundo prêmio, em segredo até o momento, é o valor de oitocentos galeões, sendo duzentos para cada componente do grupo. – uma pausa. O diretor bateu palmas e o salão inteiro recebeu a decoração vermelha e dourada, cores da casa Grifinória. Com um estalar de dedos, a taça de materializou sobre a mesa dos professores, exatamente no centro. – E agora, eu chamo Harry Potter até aqui para receber a taça das casas e todo o seu grupo para receber o prêmio do Torneio. – Harry, Hermione, Rony e Malfoy se levantaram e foram até o centro do salão, sendo observados por todos os alunos da escola e palmas vindas da Grifinória, puxaras as das outras casas. – Alunos de outros grupos, vocês recebem os restantes duzentos galeões, sendo cinco para cada um dos trinta e seis alunos restantes.
Quando Harry ergueu a taça, houve gritos e palmas da mesa da Grifinória.
- Dumbledore podia adiantar com isso, não é? – fez Rony. – Eu estou com fome!
- Rony... – começou Harry.
- Quando é que você não está com fome? – perguntaram várias vozes em uníssono e todo o salão se encheu de gargalhadas.
Rony corou e suas orelhas ficaram tão vermelhas quanto os seus cabelos ruivos.
- Vocês me pagam por essa... – murmurou baixo.
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Todos os alunos estavam no saguão de entrada com seus malões, aguardando a hora de ir para a estação de Hogsmeade e pegar o Expresso de Hogwarts para retornar a Londres. Conversavam animadamente após um maravilhoso café da manhã, a última refeição feita na escola aquele ano.
Estavam indo embora. Aquilo não saía da cabeça de nenhum dos setimanistas. Era o último ano deles ali, naquele lugar maravilhoso que fora sua casa por longos sete anos.
- E aí, maninho! – cumprimentou Amy se aproximando e depositando um beijo no rosto de Harry.
- Oi, maninha! – respondeu o moreno sorrindo para a amiga.
- Como andam as coisas? – perguntou Bebel, que também se aproximava junto ao primo. – Gina, vai se distrair um pouquinho, sim? – sussurrou no ouvido da ruiva, que sorriu para ela e deu a mão a Draco, que a abraçou.
- Está tudo ótimo! Como vocês estão? – perguntou Hermione.
- O que dizer? – as duas amigas se perguntaram.
- Tristes! – respondeu Amy. – Deixar Hogwarts nunca esteve em meus planos, nunca! Vivo aqui desde sempre, fui criada aqui. Mas agora eu tenho uma família, um irmão, um pai... Tudo vai mudar! – ela piscou para Harry.
- E um namorado, não pode esquecer disso! – completou Bebel.
- E um namorado. – concluiu a morena.
O grupo estava crescendo ali. Harry, Hermione, Rony, Luna, Gina, Draco, Bebel, Olívio Wood e Amy. Todos estavam conversando e sorrindo.
- Bebel, você poderia passar as férias lá em casa. Creio que o Sirius não vá ligar. Você e a maninha são muito amigas, não é? – fez Harry.
- E faz o favor de levar o Malfoy. Tem certa pessoa que iria gostar bastante... – disse Rony a contragosto.
- Rony, eu já disse que te amo? – perguntou Gina beijando as bochechas do irmão, fazendo todos sorrirem.
- Bom, então vão todos! – concluiu Amy.
- Isso! São nossos convidados. – concordou Harry.
Naquele momento, Filch chamou os alunos para irem à estação de trem. Todos o seguiram, ainda conversando animadamente. No trem dividiram a mesma cabine.
- Eu concordo que os gêmeos Weasley façam falta. – disse Amy.
- Eles deixaram uma imagem em Hogwarts que ninguém jamais vai poder esquecer! – comentou Bebel.
- Eu não estava aqui, mas devo concordar que essa história faz sucesso até mesmo fora de Hogwarts. – contou Wood.
Estavam lanchando, faltava menos de uma hora para chegarem a King’s Cross.
A animação das setimanistas ia sumindo aos poucos. Logo caiu a ficha nos sextanistas de que o próximo seria o seu último ano em Hogwarts, o ano dos N.I.E.M.’s, o ano decisivo, o ano final. Como um flash, todos os acontecimentos daquele ano que acabava ali, passou por suas cabeças. Desceram do trem com um único pensamento: tudo estava apenas começando...
N/A: Finalmente esta Fic chegou ao fim! Ou seria ao começo? Bom, estou muito feliz que tantas pessoas tivessem a acompanhado desde o começo. Uma Fic comprida, cansativa e cheia de detalhes. Mistérios que ainda estão por serem revelados, mas não tão cedo. Em Harry Potter e o destino de uma amizade, eu pude colocar tudo o que eu queria de um sexto livro da série de JK Rowling, mas que infelizmente não pôde se tornar realidade. Ainda farei uma continuação, o sétimo ano ainda está por vir e eu espero que todos possam estar comigo na próxima aventura do nosso bruxinho, na aventura criada por mim, mesmo que não seja de todo minha. Obrigada a todos que esperaram durante meses pela conclusão desta Fic, que comentaram e votaram ou que apenas acompanharam, chegando até aqui. Um grande beijo a todos e até a próxima!
A autora. |