POV Hermione
Nate e eu demos uma rápida corridinha até o querido fusca de Le Quincey, fui para o banco de trás e Nate para o de passageiro. Respirei fundo, inalando o cheiro de couro novo que saia dos assentos, sorri e acompanhei meu irmão dizendo bom dia.
- Bom dia para vocês também, atrasadinhos – falou dando a marcha e se juntando ao engarrafamento – Feliz aniversário, meu Mimo. Seu pai me mandou entregar esse pacotinho que está aí no banco de trás, mas a caixinha quem deu fui eu. Treze anos é não para qualquer uma, não, sabia? Uma caçadora que eu conheci morreu com doze anos e onze meses... mas que você tenha muitos anos de vida, etecetera e tals...
- Hoje não é meu aniversario, tio, faltam cinco dias e meu pai nunca me mandou presentes. – falei na espera de que Le começasse a rir e dissesse que eu sou uma tapada (como ele faz todos os dias).
- Seus pais são quem sabe quando é seu aniversário ou deixa de ser, e a culpa não é minha se seu pai resolveu ter uma crise bipolar e te mandou um presente. Agora cale a boca que eu gosto de dirigir em silêncio!
Respondendo perguntas: não, hoje não é meu aniversário. Sim, meu padrinho tem vários parafusos soltos na cabeça. Mas, bem... fazer o que. Olhei para o lado e vi uma caixinha de papelão... na verdade uma caixinha de comida chinesa. Iaksoba (N/A: escreve assim?) como presente de aniversário, grande padrinho eu tenho... mas pelo menos é meu macarrão preferido. Peguei a caixinha, reparando que não tinha cheiro nenhum e abri. Não sei se fiquei feliz ou decepcionada ao reparar que ao invés de macarrão ali dentro tinha um amontoado de trinta galeões. Tá bom, eu fiquei muito feliz e esqueça tudo o que eu disse. TIO LE EU TE AMO!
- Muito obrigada, tio – disse com a boca ainda entreaberta de surpresa. Trinta galeões em uma caixinha de macarrão chinês, vai ser criativo assim na China!
- Você merece, agora feche o bico que tá enchendo o saco, meu Mimo.
Resolvi me calar e... sim, com todos os apelidinhos ridículos que ele poderia ter escolhido resolveu me chamar logo de meu Mimo... fazer o que. Mas nem me irrita muito... para ser sincera eu até gosto do Le Quincey, mesmo com todas as loucuras e esquisitices ele foi mais meu pai do que qualquer homem poderia ter sido. Claro que ele não se parece nem um pouco com um pai (e também não age como um), mas isso não vem ao caso. E ele sempre esteve ao meu lado, me apoiando, encorajando, fazendo o papel de uma família inteira que eu nunca tive e nem nunca terei. Ás vezes me pergunto o por que dele me tratar assim, afinal, Le também é padrinho de Nate e Tina, mas costuma ser até meio frio com os dois. E quando Tina começou a... ficar estranha, ele nada fez para ajudar, apenas disse: “Uma Caçadora de verdade é forte o suficiente para aguentar de tudo, inclusive a própria realidade.” Tenho certeza de que dizer isso não ajudou muito, mas a maioria dos Caçadores (muito provavelmente com exceção apenas de mim) não tem o costume de ter sentimentos com relação a situação de uma outra pessoa. Traduzindo: compaixão não é uma coisa muito bem vista por aqui.
Ainda observando os trinta brilhantes galeões reluzentes (que agora eram meus) lembrei do tal presente que meu pai tinha mandado. No canto do carro tinha um embrulho feito com veludo vermelho, tal como as cortinas de dormitório da Grifinória. Fui me inclinado lentamente, sapecando de curiosidade por dentro e esperando que meus pais tivessem dado uns setenta galeões para combinar com os do tio Le... ergui meu braço e com um centímetro de distancia do tecido aveludado... BOOOMMMM!
Não, nós não morremos, isso foi apenas meu tio estacionando o carro na parede. Já mencionei que Le Quincey é, aparentemente, o pior motorista vivo? Se não, agora você sabe e tente se lembrar disso antes de pegar uma carona com ele. A não ser que você seja suicida.
- Lá se vai minha pintura, segunda vez essa semana, deve ter ficado feio... vou gastar milhões no martelinho de ouro! – lamentou meu tio pondo uma mochila nas costas e saindo do carro. Ele bateu a porta com força, e Nate me cutucou.
- Meu lado está colado na parede, vou ter de sair com você.
Assenti com a cabeça e saí, o presente ficava para depois. Nate veio logo atrás de mim. Le Quncey já parecia bem impaciente, fazendo cara de tédio. E... o que falar sobre ele? Deus grego? Modelo da Calvin Klein? Colírio? Bom, tudo isso e um pouco mais. Muitas vezes, quando olho para Le Quincey, ele nem se quer me parece humano de tão bonito. Mas, vamos lá: 1,85m com músculos perigosos, pele bronzeada enlouquecedora, sorriso digno de Colgate, olhos azuis cristalinos carregados de mistério, cabelos dourados e sedosos que flutuam sem o vento, rosto esculpido por deuses que arranca suspiros em todo lugar. Agora monte tudo isso num aventureiro (e surfista, mas é só detalhe) de 35 anos sedento por adrenalina e que só quer curtir a vida. Vou ser sincera: pena que ele é mais velho e também meu padrinho. Mas nem todas tem esse azar, né?
Ainda vidrada em Le Quincey fui reparando no que ele vestia: bermudas cáqui meio caídas nos quadris retos, camiseta branca de flanela, sandálias esportivas, um par de espadas cruzadas nas costas e um cinto de couro cheio de facas. Ele até que é original. Sacudi minha cabeça tentando (sem sucesso) esquecer a beldade em minha frente. Estávamos em uma ruela pouco movimentada e desconhecida da maioria dos londrinos, o chão era de pedras sabão e os passeios praticamente inexistentes. Um lugar inabitado por troxas e bruxos, ali só iam as pessoas com conhecimento sobre o Submundo, ou que fizessem parte dele. Le tinha “estacionado” o carro de encontro à parede de um prédio alto, com pintura escura e já mofada pelo tempo. Todas as janelas tinham sido tampadas, precariamente, com tijolos laranja de construção, no lado esquerdo descia uma escada de incêndio feita de ferro, totalmente torta e contando os segundos para cair. Mas em cima da larga porta de entrada estava o que mais surpreendia, escrita com tubos de néon, com letras vermelhas a palavra:
Pandemônio
O ‘o’ do final se dobrava em uma pena de pavão, assumindo os tons de verde e algo numa tonalidade meio arroxeada. Se você reparasse bem podia até perceber que aquilo não era apenas um fio de néon feito por troxas, era uma arte mágica. A porta dupla tinha vidros escuros, o que impossibilitava que qualquer um visse o que havia lá dentro. Assim que Nate fechou a porta do fusca, Le se apressou em abrir a porta de vidro, segurando para que eu passasse, fechei os olhos tentando não parecer amedrontada, mas eu tinha um péssimo pressentimento. Assim que entrei um arrepio percorreu toda a minha espinha, abri os olhos e...
POV Fred
Depois do pequenino incidente na mesa do café, corri para o banheiro. Sabe, Hermione não me parece ser do tipo que liga para a aparência, mas do mesmo jeito eu acho que tenho de melhorar, o que pode vir a ser uma missão impossível (sem ofensas ao George), afinal, eu não sou lá o doce mais doce da Dedosdemel. É que de alguma forma, quando o Gui nasceu, ele pegou toda a beleza que deveria ser distribuída igualmente entre todos os irmãos Weasley. Mas eu tenho que considerar o fato de que eu e George até que demos sorte, quem ficou com a pior foi o Roniquinho (o bicho é feio pra caralho), mas vamos lá...
Diferente do que os sonserinos dizem, a Toca tem três banheiros (um no andar da sala e da cozinha, um no andar em que ficam todos os quartos e outro no quarto dos meus pais) neste momento estou na segunda opção de banheiro. Estou meio que fazendo uma coisa estranhamente feminina: encarando o meu reflexo. Talvez se eu não tivesse tantas sardas, mas... esquece, eu não tenho cura (talvez uma boa poção, ou um feitiço, só que... não vai dar). Droga, a minha cara é uma merda! Eu pareço um cão sarnento, não sei nem diferenciar minhas espinhas das minhas sardas, e esse meu cabelo ruivo! Parece que um boi lambeu minha cabeça (isso foi exagero, um boi lambeu a cabeça do Snape e, como foi a maior demonstração de carinho que o cara recebeu, nunca mais lavou!) meu cabelo é tão lizo e caído, afh! A única vantagem é que tampa minha cara. E, também tem o nariz... cara meu nariz é bom! Não é comprido, nem curto, nem pontudo, nem largo, é quase normal! O problema são as porras dessas sardas... fazer o que. E não tem muita coisa errada com minha boca, só um dente um pouquinho torto, nada demais. E mamãe sempre diz que tenho lindos olhos azuis (ela também fala que o Roniquinho é bonito, mas para o bem da minha autoestima vou acreditar nela). Mas o meu quesito aparência poderia estar pior...
Agora era a vez da higiene: último banho que tomei? Ontem... de manhã. Última vez que escovei os dentes? Hoj... ontem á noite. Última vez que troquei de cueca? Hum, é... merda, eu sou um porco! Eu teria um belo trabalho a fazer antes de ir pro Caldeirão Furado, e o George iria me ajudar. Mas antes de tudo eu tinha algo muito importante a fazer. Levantei minhas mãos na altura do meu rosto, franzi meu nariz e parti para o ataque. Fui aproximando minhas mãos cada vez mais do meu rosto, comecei a inspirar, preparado para o pior e... puta que pariu, que catinga é essa? Arg, tem cheiro de bosta! Quer saber a quanto tempo não lavo minhas mãos? Pergunta pro George, que eu não sei.
Enfiei minhas mãos embaixo da água e comecei, coloquei o sabonete líquido e esfreguei com toda a força que tinha, só parei quando minha pele ficou vermelha e ardendo. Levei as mãos ao rosto novamente, e, adivinhem só, tinham cheiro de hortelã! Hortelã? Não era pra ter cheiro de hortelã, era? Peguei o tubo de sabonete líquido e li:
Creme Dental, fragrância de hortelã.
- Francamente, Fred Weasley, pensei que o retardado da família fosse o Rony – ouvi minha voz vindo da porta. O meu outro eu estava lá, com o ombro apoiado no batente e uma mão na frente da boca, tentando reprimir uma gargalhada.
- A quanto tempo você tá aí, ô infeliz? – perguntei, sentindo uma careta se formar no meu rosto.
- Tempo suficiente para saber que você anda tirando cáries dos dedos – e então ele gargalhou, se achando o dono do circo pela própria piada sem graça. Aquele infeliz desgraçado, juro que se ele não fosse o meu amado gêmeo George, quebrava a fuça dele naquele exato instante – Por quê que você tá me olhando assim?
- Só estou imaginando como eu ficaria de nariz quebrado.
Ele parou de rir no ato. Segui para o nosso quarto e ele veio atrás de mim. Sabe, o duro de se ter um irmão gêmeo é saber que ele vai estar do seu lado você querendo ou não, no meu caso por exemplo, eu sempre tenho a estranha sensação de que George sabe mais sobre mim do que eu mesmo, ás vezes eu não sei nem se sou Fred ou se sou George! Sei tudo sobre ele e ele sabe tudo sobre mim, nossa ‘relação’ nunca teve segredos, e isso ás vezes chegava a ser incomodo.
- Ainda estou custando a acreditar que você gosta da Hermione cara. Isso é totalmente... improvável! – ele falou, fechando a porta do nosso quarto. Sentei na cama dele e ele sentou na minha, ou talvez eu tenha sentado na minha e ele na dele, considerando que sempre trocamos de cama... mas tanto faz! Ficamos nos encarando, eu desesperado e ele risonho, até que resolvi perguntar:
- Como assim “improvável”? – fiz sinal de aspas com os dedos, mas não deixe de soar preocupado. Ter um relacionamento com Hermione sem dúvida alguma seria difícil, mas não chegava a ser improvável, chegava?
- Ora essa, Fred! Até parece que você não sabe, a Hermione é tipo... o nosso oposto! Enquanto agente sai por aí explodindo bosta, ela fica na biblioteca descobrindo um jeito de melhorar as notas mais que perfeitas! A menina é toda certinha, deve odiar as coisas que agente faz. E quando ela chegar no quinto ano terá 100% de chances de ser monitora, ouviu bem? Monitora! Tente calcular as probabilidades que você tem de sair com uma monitora! Não sei quanto a sua conta deu, mas a minha foi de... qualquer número abaixo de zero! Pelo amor de Merlin, Fred, a Granger não deve nem reparar que você existe, acha outra garota, cara. De preferência com mais de catorze anos, que não seja melhor amiga dos seus irmãos mais novos, que aceite você como o maluco que é e que consiga conviver com você! A Hermione é bonitinha, mas vocês dois não tem a mínima chance, não vão dar certo... – ele tinha disparado, só que eu já não ouvia mais nada. Será que não tínhamos chance mesmo? Ele a achava bonitinha? Hermione realmente não reparava em mim? Por que ele a acha bonitinha? Eu não vou dar certo com ela? Ele fica reparando se ela é bonitinha ou deixa de ser?
- Você acha a Hermione bonita? – praticamente cuspi as palavras na cara dele. Senti que cerrava minhas mãos em punhos.
- ... seriam que nem abacaxi e ketchup, e... o que você disse?
- Eu perguntei se você acha a Hermione bonita – tinha começado a ficar nervoso, se ele a achava bonitinha é porque parara para reparar nela, e ele não tem direito pra ficar reparando na minha... futura namorada.
- Acho sim, mas o que isso... você tá com ciúmes! Não acredito que vivi para ver isso! – foi mais ou menos aí que ele ficou em pé na cama e começou a pular, mas isso é só um detalhe – COM CIÚMES! DE MIM E DA...
Voei com minha mão na boca dele antes que berrasse o nome dela. Eu e George somos gêmeos, o que deveria indicar que temos corpos iguais, só que por razão desconhecida o George nasceu com um buraco (bem fundo) no cérebro. Meu gêmeo mentalmente inferior gargalhava a plenos pulmões, pulava e gritava, e claro, eu tinha de segurá-lo para que não caísse. Alguns segundos depois eu comecei a rir também, mas sem ter um motivo específico.
- A vida é uma merda não é, George? – perguntei quando nos deitamos na cama dele (ou na minha) – Hermione nunca vai gostar de mim, não é?
- Não sei, mas agora nós dois temos mais uma coisa em comum – ele respondeu, me deixando com um sentimento de angustia bem na boca do estomago. Ele não gostava dela, gostava?
- Posso saber o que mais temos em comum, meu caro gêmeo? – indaguei com um temor mal disfarçado.
- Paixões platônicas, meu caro irmão. Você com a srta. Granger e eu com a linda, maravilhosa, melhor artilheira do mundo, capitã das Harpias de Holyhead: Guga Jones, a bela.
Eu ri. George tinha tantas probabilidades de namorar a Guga Jones quanto... eu tinha de namorar Hermione Granger. Bufei, mas abri um sorriso, era bom simplesmente ficar imaginando como seria se Hermione também gostasse de mim. Poderíamos passar todos os passeios a Hogsmead juntos, ficar horas a fio conversando no Salão da Grifinória, comer juntos no Salão Comunal, seria tudo de bom...
- Quando foi que você começou a gostar dela? – minha voz perguntou, saindo da boca de George.
- Oi? Acho que quando ela sorriu pra mim... ou, pelo menos, quando ela virou para onde eu estava e sorriu. Eu senti como se o Sol tivesse decidido brilhar só para mim, foi como se a gravidade tivesse se esquecido de me prender ao chão, e a única coisa que me impediu de sair flutuando foi saber que se eu saísse dali nunca mais a veria sorrir – nem me dei conta do que tinha dito, me lembrei do sorriso dela, era simplesmente magnífico!
- Tá bom, mas eu quero saber quando exatamente ela sorriu para você. Ano passado quando estávamos no quarto ano?
- Não, bem antes. Agente estava no terceiro ano e ela no primeiro... na verdade eu soube que ela era a mulher da minha vida no instante em que entrou na nossa cabine perguntando se tínhamos visto um sapo. Foi amor á primeira vista... mesmo eu não acreditando nisso – suspirei, adorava o jeito que Hermione tinha de se preocupar com as outras pessoas. Muitas vezes fico pensando como seria se eu perdesse alguma coisa, ela me ajudaria? Claro que ajudaria, ela é Hermione Granger! Isso com certeza nos renderia um bom tempo juntos...
- Você gosta dela a esse tempo todo e só me diz agora? Grande gêmeo é você! Mas como eu sou uma pessoa muito boa, e você é o meu irmão preferido, vou ajuda-lo a conquista-la, e também prometo te ajudar a enfrentar todos os obstáculos – George soou totalmente decidido, o que me fez sorrir por dentro.
- Eu também te ajudo com a Guga Jones, mas... que obstáculos são esses que vão vir depois?
- Haha, são dois obstáculos. Ambos com nome, sobrenome e endereço: Harry Potter e Ronald Weasley. Ou você está achando que aqueles dois vão deixar você sair com a queridinha deles numa boa? Eles vão te infernizar! E o Roniquinho vai ficar pra lá de puto da vida com você, a coisa vai pegar fogo... o Harry talvez seja mais fácil, mas é melhor você se lembrar de que foi ele quem derrotou Você-Sabe-Quem. Vai saber o que o Cicatriz faria com você! - ele falou tudo isso, mas ainda assim eu senti como se tivesse algo mais... outro obstáculo, mas dane-se.
George riu, mas eu não achei aquilo tão engraçado assim. Eu era maior que Harry e Roniquinho, só que mesmo assim ainda era bom preservar o meu pescoço. E George tinha razão: Rony e Harry não ficariam nem um pouco satisfeitos em ver um baderneiro como eu saindo com a bonequinha deles. Mas eu não tenho tanta má fama assim, tenho? Hum... vamos olhar meus pontos positivos: talvez eu passe nos NOM’s desse ano, não sou galinha (na verdade dei só um beijo na vida, e no final a menina me perguntou se havia sido igualmente horrível para mim), provavelmente serei um comerciante bem sucedido, sou divertido, sei ser educado quando caro, vou tentar não falar muitos palavrões na frente da Hermione... eu sou uma pessoa adequada, acabei de decidir. Mas nesse momento só tenho de acreditar que vai dar tudo certo.
- Obrigado, George, eu te ajudo com a Guga Jones. Vamos arrumar as malas que...
- Desculpem-me por atrapalhar a relação intima entre gêmeos que vocês estão tendo em uma mesma cama, mas mamãe pediu para descermos com as malas! E vocês terão de se acostumar a obedecer as minhas ordens já que agora eu sou monitor chefe...
- Vá se foder Percy! – eu e George dissemos em uníssono, meu irmão mala simplesmente fechou a cara e deu as costas. Eu e George nos levantamos e pegamos as malas. Eu não estava fedendo, então tudo bem.
****************
POV George
- Pegaram todas as malas meninos? Já estamos saindo, quem vai primeiro? – perguntou mamãe analisando se toda a ninhada estava presente na sala da Toca.
Roniquinho estava sentado no sofá acariciando o rato Perebento dele, e, devido ao fato deu estar tendo um ótimo dia me aconcheguei no colo dele. Ele teve um sobressalto e mamãe nos encarou.
- Saia de cima do seu irmão, Fred, vai esmaga-lo! Você cresceu um bocado este verão...
- Sou o George, Molly. Meu querido gêmeo Frederico não está com humor para gracinhas no momento – olhei na direção de Fred, ele estava de pé ao lado da lareira, mordendo os lábios e roendo as unhas. Santa Hermione! Ela devia receber um prêmio por conseguir alterar a sanidade de Fred Weasley desse jeito!
- Fred, filho, o que houve com você, anda tão perturbado e... – papai tentou por a mão no ombro de Fred, este sacou a varinha e encarou nosso pai como se ele fosse o fugitivo Sirius Black! Preciso dizer que taquei as pernas para cima e gargalhei?
Todo mundo ficou olhando de mim para ele, que arfava como se tivesse corrido a maratona. Em geral eu e Fred estamos juntos em tudo, mas agora ele tinha um sentimento que não era meu, uma coisa pela qual eu não estava esperando. Então nos últimos cinco minutos eu espontaneamente decidi que o certo era me divertir com a situação dele. Não que eu seja uma má pessoa, não... é só que, foi tão estranho! De uma hora pra outra ele decidiu que o mundo dele tinha dona... não, ele decidiu transformá-la no mundo dele! Foi totalmente inesperado pra mim, não que eu esteja com ciúmes dele, Fred poderia se apaixonar por quem bem entendesse, menos por Hermione! Eu sei que ela é inteligente, bonita, divertida e tudo o mais (que Fred não saiba que eu disse isso), mas ele é Hermione! Melhor amiga de Roniquinho e Harry Potter, futura monitora da Grifinória e Ministra da Magia (tá, exagerei). E ele é Fred, FRED! Eles têm tudo para dar errado... mas, algo me diz que eles tem de dar certo. Na verdade quando ele falou que gostava de uma garota eu fiquei com medo que não fosse Hermione. Isso não faz sentido, faz? É quase como se eu fosse meio que responsável por juntar os dois, ou eu sei lá... Deve ser um outro elo entre gêmeos, mas por um momento foi como se eu tivesse vindo ao mundo só para juntar esses dois. E acredite, foi muito sinistro...
Nem tão sinistro assim...
- Quem disse isso? – perguntei parando de rir e ficando ereto em cima de Rony.
- Quem disse isso, o que? – perguntou Gina, me olhando com cara de poucos amigos – todos nós sabemos que você e Fred são paranoicos, não precisam ficar confirmando o tempo todo!
Ui! Alguém tá de TPM... mas, esquece. Alguém tinha dito aquilo sim, mas não era uma voz conhecida... ou talvez seja conhecida, eu já ouvi antes! E aquilo não foi dito, foi pensado, e dentro da minha cabeça... só que não por mim. Não, eu não sou paranoico (espero). Aquilo já tinha acontecido, só que eu não me lembrava, eu devia lembrar... não devia?
É raro quando nos lembramos, dessa vez não tivemos essa sorte. Apenas relaxe, querido, esse sempre é o primeiro passo da missão: relaxar e juntar nossos pombinhos preferidos. Se você lembrasse da última vez, mas... nos falamos anteriormente em uma noite nublada, no topo de um penhasco. E falhamos nossa missão, como sempre... só que desta vez terá de ser diferente, é nossa última chance... a última.
- Quem é o filho da puta? ISSO NÃO É ENGRAÇADO, SAI DA MINHA CABEÇA!
Eu meio que pulei do colo do Roniquinho, comecei a puxar meus cabelos e sacudir meu corpo. De certa forma eu sabia que aquilo era perfeitamente normal... só que não devia ser normal! Aquela mulher... aquela voz de mulher! Eu conhecia, mas nunca tinha ouvido. Parei de pular... eu tinha ouvido aquela voz sim! Foi em uma noite nublada, no topo de um penhasco, a vegetação estava morta, assim como ela. E ele chorava tanto... e a culpa era minha, como sempre. Só eu podia salva-la no final, e eu sempre falhava... não é atoa que sempre morri enforcado. Como o fracassado que sou e.... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- AAAAAHHHHHH!!!!!! Eu tô maluco, tô maluco, tô maluco, tô maluco! Socorro, mãe!
Eu não podia saber aquelas coisa, mas eu devia... será que enlouquecer é assim? E eu sou tão novo, com um futuro pela frente... meu cérebro tinha que quebrar justo agora?!
Seu cérebro esta perfeitamente bem querido... como se isso importasse. Fique de olho em seu gêmeo e em Hermione Granger por mim. Nossa missão acaba de começar. E, apresentações: meu nome é Roxelle (mas você sempre me chamou de Roxy). Eu sei tudo sobre você, já que morei na sua mente nesses últimos quinze anos, você não sabe nada sobre mim, mas vai saber tudo no final. E o mais importante: sou sua guia na missão de salvar o mundo, baby.
__________________________________________ N/A: estou aqui de novo! Desculpem-me pelo atraso, teve aver com o tamanho do cap... Quero mandar todos os agradecimentos as minhas três leitoras que estão comentando: Mayara Picoli, Aline Carneiro e Maryh Malfoy Weasley. Muto obrigada vocês três, por tudo! E eu adorei mesmo a sua fic QUASE FELIZES! Além dos agradecimentos quero pedir mais comentários dos outros leitores, é sempre bom saber a opinião de todos vocês! Críticas e elogios são mais que bem vindos! Beijinhos e até a próxima!