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10. Acertos


Fic: Desencontros


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Capitulo 10 – Acertos

Uma lágrima rolou pela face sorridente de Hermione quando viu Harry rodopiando Ginny no meio do gramado da pequena praça em que ficava o coreto da cidade e onde estavam sentados comendo as pipocas que preferiram em vez do chocolate sugerido pela senhora Potter. Era tão bom vê-lo feliz assim.

- Por que está chorando? – Ron perguntou curioso.

- O Harry.

Como assim o Harry? Por que ela estaria chorando por causa dele? O ruivo observou o amigo que no momento estava segurando sua irmã entre os braços depois de tê-la girado no ar. Harry parecia feliz, o que era raro. E também muito agarrado à Ginny por sinal. Pensou carrancudo. Será que é isso? Hermione está com ciúmes de Harry com Ginny? Antes que percebesse realmente o que fazia, agarrou o braço da morena, virando-a para que olhasse para ele e perguntou:

- Você está com ciúmes do Harry com a Ginny?

- Francamente, Ronald. Por que eu estaria com ciúmes deles?
- É exatamente isso que eu quero saber já que nós...

Ele parou de falar assim que percebeu o que ia dizer, suas orelhas ganhando um forte tom de vermelho. Mas as palavras não passaram despercebidas por Mione que perguntou ansiosa.

- Nós?

- Nós... – Falou baixo, encarando os pés. Então olhou de lado para Hermione antes de continuar. – Você não deveria sentir ciúmes do Harry.

A garota agarrou a mão de Ronald que estava apoiada no banco e aproveitando que ele, devido a atitude inesperada, virou o rosto em sua direção, deu-lhe um beijo demorado no espaço entre a bochecha e a boca, causando uma sensação de antecipação nos dois que incluía os rostos corados e a respiração suspensa.

- Eu não estou com ciúmes deles dois, seu bobo.

- Então por que estava chorando? – Perguntou com uma careta, no que Hermione respondeu com um sorriso.

- Eu só fiquei emocionada com a felicidade dele, oras. Ele é meu amigo.

- É... Certo, eu também fiquei feliz com isso. Quem diria, né? Primeiro ele acha que perdeu a mãe, depois o pai e no final pode não ter perdido ninguém.

Ela assentiu com um movimento de cabeça e em seguida Ronald descansou o braço no encosto do banco onde estavam, passando por trás das costas de Hermione, fazendo com que ficassem mais próximos. Olhou novamente para Harry e Ginny que estavam sentados sobre a grama, distraídos conversando. Aliás, distraídos até demais para o gosto dele. Estavam num mundo só próprio, e isso fez uma luz se acender na mente de Ron.

- Hermione?

- Sim.

- Você não acha que o Harry e a Ginevra estão muito juntos?

- Como assim?

- Eles ficam ali, sempre abraçados, conversando...

- Qual o problema? Nós também ficamos assim, não é?

- Mas nós... bem... estamos juntos, não é? Quero dizer, a gente se beijou... e foi bom... e então nós... – levantou as mãos unidas, como se aquele gesto explicasse tudo. – Eles também... gostam de ficar assim... juntos um do outro?

- Eu não sei, Ron. – Hermione sorriu, ainda encantada com o jeito atrapalhado dele. – E se estiverem a gente não tem nada com isso.

- Mas ela é minha irmã!

Hermione revirou os olhos e conteve um sorriso. Podia responder àquilo de várias maneiras, mas não queria iniciar mais uma discussão com Ron. Não naquela tarde pelo menos. Tudo parecia estar indo muito bem para ela estragar. Enquanto pensava numa resposta, não reparou que algumas pessoas se aproximavam até que as ouviu cumprimentar.

- Olá, podemos nos juntar a vocês, ou estamos atrapalhando alguma coisa?

---~~~---

- Você precisava ter visto a cara do meu tio quando chegou em casa e viu minha mãe sentada na sala. Ele quase teve um ataque do coração.

- Eu imagino. – Os olhos de Ginny brilharam de alegria ao ver Harry tão feliz. – Esse foi um ótimo final de semana, não foi?

- Foi sim. - ele concordou pegando a mão da garota e depositando sobre ela um beijo carinhoso, voltando em seguida a olhar nos olhos cor de âmbar. – Você gostou dela?

- Da sua mãe? – Harry confirmou e Ginny sorriu. – É claro! Ela é tão simpática e tão diferente da sua tia... – corou furiosamente com o que havia acabado de dizer. – Desculpe.

- Não precisa. Elas são mesmo muito diferentes. – Então o sorriso do rapaz se desfez levemente ao continuar. – Eu queria que você conhecesse o meu pai.

- Eu vou conhecer você vai ver.

Ginny acariciou o rosto de Harry com o polegar e sentiu-se estranhamente aquecida quando ele recostou a face em sua mão, fechando os olhos e sorrindo. Era tão bom vê-lo assim, tranqüilo. Não totalmente é claro, afinal ele ainda se preocupava com o pai, mas a presença de Lílian Potter havia dado a Harry a esperança que ele julgava perdida. A garota teve que se conter bravamente para não levar seu rosto para mais perto do dele e beijá-lo. Sentiu que devia estar tão vermelha quanto uma cereja madura, e afastou rapidamente a mão do rosto dele como se tivesse encostado em fogo. Harry olhou sem entender o que tinha acontecido, mas sua atenção foi desviada pela chegada de Neville e Seamus.

---~~~---

Hermione rolou os olhos diante da atitude de Ron, que grunhiu um impropério para os amigos que tinham acabado de chegar, ainda incapaz de se chatear por qualquer coisa que o ruivo dissesse. Viu Ginny se levantar rapidamente do gramado e se aproximar, com Harry logo atrás parecendo um pouco confuso.

Comeram um pouco mais de pipoca, para alegria do vendedor que estava do outro lado da praça, enquanto Harry contava a eles e a Luna que acabara de se juntar ao grupo, as novidades sobre sua família. A loira sentara ao lado de Ginny e olhava para Harry como se ele estivesse contando uma história muito interessante e nem reparou que Neville tinha sua atenção voltada quase totalmente para ela, o que resultou em alguns risinhos de Mione e Ginny.

Quando o sol começou a sumir e a brisa da noite de fim de outono começou a incomodar um pouco mais, Hermione decidiu que já era hora de voltar para casa, afinal no dia seguinte teriam aula logo cedo e ela ainda tinha que reler o último capítulo que estudaram sobre a história da Inglaterra. Mais que prontamente, Ronald avisou que iria acompanhá-la e pediu a Luna que fizesse companhia a Ginny até que ele voltasse (ele não sabia se podia mais confiar em Harry para isso).

Ronald e Hermione caminharam lado a lado pela rua principal, indo em direção à casa dela, sob os olhares atentos dos colegas. Depois que chegaram ao cruzamento com a rua Gardiner e viraram em direção à casa dos Granger, o rapaz tomou coragem e pegou desajeitadamente na mão de Hermione. Assim que chegaram à porta da casa, viraram-se de frente um para o outro. Ela torcia as mãos nervosamente ao mesmo tempo em que ele coçava a nuca sem saber ao certo o que fazer ou dizer.

- Chegamos. – Disse Hermione timidamente.

- É. – Ele encarou os próprios pés e respirou fundo antes de olhar para ela e continuar. – Hermione...

- O que?

- Sobre o que eu falei mais cedo...

Hermione arregalou os olhos em surpresa. Será que ela tinha entendido tudo errado e agora ele ia dizer que não era nada daquilo que ela tinha pensado? Mas ele havia sido bem claro, não havia? Bom, ao menos para os padrões de Ron, ela achava que ele tinha sido claro como água. Mas ela não ia deixar que ele pensasse que ela estava se oferecendo.

- Tudo bem, Ronald.

- Tudo? – Ele levantou uma sobrancelha e sorriu torto, meio sem jeito antes de continuar. – Quer dizer que você não se importa se não ficarmos contando pra todo mundo sobre nós?

- Ahm? – Perguntou realmente confusa.

- Ah, que bom. – Ron falou, corando levemente. – Eu não sei o que faria se os gêmeos ficassem pegando no nosso pé...

- Então você ainda quer namorar comigo? – Exclamou aliviada. As borboletas voltando a bater asas dentro de seu estômago.

- Por quê? Você não quer?

- Claro que eu quero! É que eu tinha pensado... – olhou no fundo dos olhos azuis, percebendo que suas dúvidas não importavam mais. – Não importa o que eu pensei.

- Certo. – Ele deu um passo a frente ficando a milímetros da garota que sussurrou.

- Ron.

- O quê?

- E os meus pais?

- O que têm eles?

- Você tem que falar com eles.

Ron apanhou uma mecha do cabelo castanho entre seus dedos, ainda perdido dentro dos olhos cor de chocolate. Se Hermione continuasse fitando-o daquela maneira, com os lábios convidativamente entreabertos e os olhos brilhantes ele achava que poderia fazer qualquer coisa, inclusive enfrentar um batalhão inteiro das tropas alemãs ou pedir aos pais dela autorização para namorá-la. A idéia atingiu-o diretamente no peito como um soco, fazendo-o franzir o cenho numa careta ao perguntar.

- Isso é realmente necessário? Quer dizer, a gente não pode simplesmente namorar e pronto, sem comunicar nem pedir nada a ninguém?

- Francamente, Ron.

- Ah Mione, você me conhece. Eu vou me atrapalhar todo e eu... – A garota sorriu levemente e impediu que ele continuasse a falar colocando sua mão sobre os lábios dele.

- Eu vou fazer assim: vou sondar com meus pais para ver se eles vão criar algum problema e depois a gente vê como vai falar com eles. Está bom assim?

Ron agarrou a mão de Hermione que tampava seus lábios e depositou em sua palma um beijo quente, que fez a garota se arrepiar de expectativa. Em vez de largar sua mão como ela imaginou, Ron segurou-a de encontro ao seu peito e abaixando seu rosto encostou sua testa na dela olhando-a diretamente nos olhos. Hermione sentiu seu coração bater descontrolado e ao mesmo tempo o ar faltar em seus pulmões. Em câmera lenta viu o rosto de Ron se aproximando mais e mais do seu. Fechou seus olhos ao mesmo tempo que ele assim que seus lábios se encontraram.

Durante uma fração de segundo tudo pareceu girar enquanto os lábios se encontraram, mas quando a língua de Ron roçou em sua pele, Hermione já não percebia mais nada. Tudo o mais sumiu e somente ela e o rapaz a sua frente existiam. O rapaz que agora segurava em seu rosto com suas mãos grandes e cuja língua abria passagem entre seus lábios e invadia sua boca fazendo-a gemer involuntariamente.

Minutos se passaram sem que precisassem se separar em busca de ar, os braços de Hermione enlaçaram Ron pelo pescoço e as mãos dele desceram do rosto da garota para sua cintura. Os corpos agora estavam tão próximos que á distância não se sabia onde começava um e terminava o outro. As línguas se misturavam, saboreavam e conheciam. As mentes enevoadas demais para se preocuparem com qualquer outra coisa que não fosse como manter por mais tempo aquele beijo.

Um barulho qualquer penetrou na mente de Hermione que relutantemente se afastou um pouco do ruivo, ofegante, acalorada e incrivelmente incapaz de formular um mínimo pensamento coerente. Ron abriu os olhos azuis devagar. Encararam-se e sorriram. Nada precisava ser dito. Tudo que eles precisavam saber já havia sido descoberto. Eles se gostavam, nada mais era importante. Iam novamente se aproximando quando ouviram o barulho da porta da casa sendo aberta. Afastaram-se rapidamente e Ron só conseguiu encarar o chão ao ouvir a voz da senhora Granger.

- Ah, são vocês. Eu ouvi um barulho e vim conferir o que era.

Hermione olhou para a mãe, que tinha um sorriso contido nos lábios e soube imediatamente que o que ela acabara de dizer não deveria ser verdade. Corou e olhou para Ron que tinha as orelhas tão vermelhas que por si só já denunciavam que algo tinha acontecido.

- Eu já ia entrar. – Ela murmurou.

- Eu imaginei que ia. Boa noite, Ronald.

- Boa noite professora Granger. – O ruivo disse constrangido e virando-se novamente na direção de Hermione completou. – A gente... se vê amanhã... na escola.

- Tá.

- Boa noite, Mione. – Ele deu um rápido beijo na face da garota e andou o mais rápido que conseguiu de volta à praça onde sua irmã o aguardava, sem escutá-la responder num sussurro.

- Boa noite, Ron.

---~~~---

A semana passou mais rápido do que Lílian gostaria. Vinte quatro horas parecia pouco para acabar com toda a saudade que tinha de seu filho. Mas não era só isso que a incomodava, o que mais perturbava sua mente era perceber o jeito que seu cunhado tratava seu amigo Remus, junto com certas coisas que ouvira desde que chegara. No inicio da tarde daquela sexta-feira ela já não conseguia mais manter as suspeitas só para si. Precisava saber, precisava descobrir. E o único modo de conseguir isso seria perguntando a alguém. Entrando na cozinha, Molly que estava preparando o jantar a viu e logo perguntou.


- Eu posso ajudá-la?

- Na verdade foi isso que eu vim perguntar, se poderia ajudar em algo. - Lilly desviou o olhar para o tampo da mesa onde vários legumes esperavam para serem descascados e cortados.

- Oh não, está tudo sob controle. Até porque sua irmã não iria gostar.

- Eu não ligo para o que minha irmã pensa. - Falou mais ríspida do que pretendia. - Desculpe.

- Não precisa se desculpar. - Molly olhou compreensiva e a outra mulher voltou sua atenção para o conteúdo da panela.

- O que você está preparando?

- Guisado de legumes com carne.

- Então deixe-me ajudar com os legumes.

- Não senhora.

- E é Lílian, nada de senhora. - A senhora Weasley sorriu largamente e concordou.

- Tudo bem.

Com satisfação Lilly se apossou da bacia e da faca pousadas sobre a mesa e começou a lidar com as batatas, cenouras e vagens que estavam à sua frente enquanto Molly ficava encarregada do preparo da carne. Logo iniciaram uma amigável conversa sobre os últimos acontecimentos até que Lílian conseguiu a brecha que precisava para saber o que queria.

- Molly eu posso perguntar uma coisa?

- Se eu souber responder...

- O Harry era... - Apoiou a faca dentro da bacia e continuou. - Como ele era tratado antes que eu chegasse?

A senhora Weasley parou o que estava fazendo sem saber como responder. Não podia esconder dela as coisas que ela sabia, mas não sabia como aquilo ia ser entendido.

- Eu não sei o que dizer senho... Lílian. Eu trabalho nesta casa a pouco mais de um mês.

- Mas deve ter dado tempo de você ver alguma coisa...

Molly tampou a panela e colocou-a na parte menos aquecida do fogão. Não podia correr o risco de queimar o guisado. Virou-se de frente para a mulher que olhava claramente ansiosa, esperando a confirmação de suas suspeitas. Secou as mãos no avental e sentou-se novamente à mesa. Ia contar a verdade. Não era muito. Nem a metade do que suspeitava pelas conversas que ouvira de seus filhos, mas devia isso a Harry.

- O que você quer saber?

- Tudo.

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- O que houve mãe? – Harry perguntou assim que voltou à sala depois que chegou da escola e foi ao seu quarto guardar o material.

- Nada querido, nada.

Mas as feições preocupadas eram tão evidentes que Lílian sabia que seu filho não ia ficar convencido. Tentando acalmar seus pensamentos para que conseguisse chegar a uma conclusão sobre tudo que havia ouvido de Molly, que se misturavam às coisas que percebera naqueles poucos dias, bateu de leve no lugar ao seu lado no sofá indicando para que Harry se sentasse. Tão logo ele o fez Lilly o abraçou fortemente. Harry estava vivo, era o que importava!

- Tá tudo bem mãe? – O garoto perguntou preocupado.

- Agora está, meu filho. – Segurou o rosto tão semelhante ao do seu marido entre as mãos e com a voz estranhamente embargada para quem dizia que estava tudo bem, perguntou. – Como foi na escola hoje?

Harry sorriu e começou a contar todos os acontecimentos do seu dia escolar – desde o estranho modo como Neville olhava para Luna, uma amiga de Ginny que ela ainda não conhecia, até as brincadeiras que os irmãos gêmeos de Ronald fizeram durante o intervalo – do mesmo jeito que sempre fazia quando ainda moravam em Londres. Mas Lílian não o escutava realmente. Em sua mente ela tentava arrumar uma solução para seu problema imediato. Se Petúnia e seu marido estavam tratando tão mal o seu filho, como poderia deixá-lo novamente com eles quando tivesse que ir embora? Não teria coragem para isso, mas ao mesmo tempo Londres não era segura. Não com a guerra cada vez mais presente, não com as blitzes... Nem sabia se o sobrado onde moravam ainda estava de pé depois de tantos ataques. No quarteirão onde ficava ele ainda era uma das únicas construções intactas quando partira...

Quando Remus Lupin entrou na sala, percebeu imediatamente que sua amiga estava preocupada com algo. Era evidente pelo modo como franzia o cenho e mantinha as mãos unidas sobre o colo. E era óbvio também que não escutava nem uma palavra que Harry falava então, antes que o garoto percebesse isso e deixasse a mãe ainda mais chateada, sentou-se na poltrona e puxou a conversa para si.

Um pouco depois Dudley apareceu vindo direto da rua, e fez menção de entrar na sala, mas desistiu assim que os viu acomodados, olhando-os como se fossem seres repugnantes. Lupin percebeu que aquela atitude do garoto fez com que Lilly bufasse, num sinal claro de raiva, deixando-o ainda mais curioso e preocupado com a amiga.

- Lilly você está bem?

- Estou Remus, são só algumas coisas que eu tenho per...

- Lílian, telefone para você. - Vernon Dursley surgiu de repente na sala, interrompendo o diálogo com seu vozeirão. - Um tal de capitão Black.

- Sirius!

Lílian se levantou num salto e com rapidez foi atender ao telefonema do amigo, enquanto Remus e Harry se entreolharam apreensivos.

- Será que meu padrinho já tem alguma notícia do meu pai?

- Eu não sei, Harry. Espero que sim.

Enquanto Petúnia chamava a todos para o chá, Vernon se juntou a eles na sala de jantar, assim como Dudley que agora parecia não se importar em dividir o espaço com eles já que estaria também em companhia de bolos e pães. Quanto mais Lílian demorava a voltar, mais Remus ficava preocupado. Quando ela apareceu na entrada da sala onde estavam ele percebeu que algo de errado tinha acontecido. A amiga estava pálida e com os olhos vermelhos, apesar de não haver nenhum traço de lágrimas por seu rosto. Harry que também notara a presença da mãe perguntou ansioso.

- O que meu padrinho falou, mãe?

- Depois, Harry. Depois. - Olhou para as mãos que torcia nervosamente uma na outra e continuou. - Eu vou para o meu quarto, mais tarde a gente conversa está bem?

Lupin se levantou automaticamente quando Lílian desapareceu escada acima. Pelo visto as notícias não eram as melhores. Pediu licença e a seguiu. Harry tentou ainda engolir alguns biscoitos de nata feitos pela senhora Weasley, mas foi só. Havia um bolo amargo em sua garganta que parecia incapaz de se dissolver, mesmo que para isso tomasse todo estoque de chá de sua tia.

Vernon bufou ao ver o indesejado hóspede seguir sua cunhada. Isso já está passando dos limites. Esperou alguns minutos e como nenhum dos dois retornou ao andar de baixo, convenceu Petúnia a ir até o quarto da irmã acabar com o que considerava um disparate.

---~~~---

- Posso entrar? - Remus perguntou, abrindo uma pequena fresta na porta do quarto onde Lilly estava.

- Claro Remus.

- O que Sirius falou?

A mulher que até aquele momento estava virada para a janela se virou e então ele pôde ver todo desespero que ameaçava dominá-la. Lilian não mais segurava as lágrimas que escorriam por sua face pálida e seus braços rodeavam o próprio corpo num modo de tentar transmitir a si mesma um pouco de segurança. Com passos largos foi até ela e a abraçou, confortando-a e imediatamente sentiu as lágrimas quentes umedecerem a manga de sua camisa.

- O que aconteceu Lilly? - Sussurrou enquanto afagava os cabelos vermelhos.

- Não o encontraram, Remus! Sirius não conseguiu achar James!

- Acalme-se, vamos... me conte exatamente o que Sirius falou. - A mulher fungou um pouco até conseguir se acalmar o suficiente para repetir o que tinha escutado.

- E-ele con-conseguiu achar os destro-troços do avião, mas ele não estava... o cor...

- Certo, tudo bem. - Confortou-a com leves palmadinhas nas costas.- O que mais ele disse?

- Que vi-viram um para-quedas se abrir lo-logo depois que o avião foi atingido.

- Viu? - Ele segurou a face de Lilian entre as mãos forçando-a a encará-lo. - Eu tinha certeza que James ia fazer alguma coisa. Ele está bem, você vai ver. Quando a gente menos esperar ele vai aparecer.

- Mas ele ainda não deu notícias!

- Lilian, você sabe que a comunicação anda bastante complicada.

- Eu sei... - Batidas insistentes na porta interromperam-na que se surpreendeu ao ver sua irmã entrando no quarto antes mesmo que autorizasse.

- O QUE VOCÊS PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO? Isso aqui é uma casa de respeito! - Petúnia Dursley exclamou num alarde.

- O que VOCÊ pensa que está fazendo entrando assim? - Lilly respondeu irritada, mas Petúnia não quis saber, continuou seu inflamado discurso.

- Se você não respeita nem mesmo a presença de seu filho dentro da casa, eu vou ter que...

- UM MOMENTO! - Lilly gritou interrompendo. - O que você está falando e quem é você para falar sobre respeitar o Harry?

- Vocês dois juntos... - A expressão de repulsa no rosto de cavalo foi mais que suficiente para acabar com o último resquício de calma que ainda residia em Lilian.

- Primeiro, Remus Lupin é um grande amigo da família a quem EU e JAMES consideramos como um irmão. Coisa que você não sabe o que é, já que faz tal juizo de mim. E mais...

- Aquele moleque atrevido tem mesmo a quem puxar. - Grasnou Petúnia entredentes, interrompendo sua irmã.

- DOBRE A LÍNGUA ANTES DE FALAR DO MEU FILHO! - Petúnia nem teve como reagir. Assim que escutou o urro furioso de Lilly sentiu estalar em seu rosto um forte tapa dado por ela. - Eu pensei que por ser tia dele, ia tratá-lo com carinho, mas por tudo que soube, ele só recebeu desprezo de vocês.

- Lílian, pare. - Lupin segurava a amiga pelo braço, afastando-a da irmã que permanecia imóvel no meio do quarto.

- Eu vou parar Remus. Eu vou parar, porque se eu for colocar para fora toda raiva que eu estou sentindo, sou capaz de cometer uma loucura.

- SAIA DA MINHA CASA, AGORA!

- Pode deixar, eu não pretendia mesmo continuar sobre o mesmo teto que pessoas tão pérfidas como vocês. Mas tenha a certeza de que vou voltar para cobrar tudo que tiraram do meu filho até hoje.

---~~~---

Seria inocência demais tentar fingir que não escutavam alguns gritos vindos do andar de cima. Mas Harry não podia dizer que não se surpreendeu quando momentos depois que sua tia passou chispando em direção à cozinha, ouviu sua mãe chamando por ele do alto da escada.

- Harry venha até aqui agora, por favor!

De tudo que esperava acontecer, depois de imaginar sua tia e sua mãe discutindo, definitivamente ver suas malas arrumadas no meio do quarto não era uma delas.

- Veja se tudo que é seu está guardado, ou esqueci alguma coisa. - Lílian falava de forma séria, enquanto terminava de guardar algumas peças de roupa.

- Nós vamos embora?

- Vamos.

- Para Londres?

- Não agora.

Harry percebeu que sua mãe não estava para muita conversa, então decidiu fazer somente o que ela pedia e depois, quando surgisse uma oportunidade tentaria descobrir o que acontecera. Olhou nas gavetas da cômoda, dentro do armário, sobre a pia do banheiro e em baixo da cama, mas ela não havia deixado nada para trás. Pegou suas malas e seguiu sua mãe escada abaixo, passando pela sala onde seu tio Vernon e seu primo Dudley olhavam abismados até encontrar Remus Lupin que os aguardava no hall de entrada também com suas malas prontas.

---~~~---

Ronald conferiu se seus sapatos estavam limpos e sua roupa em ordem antes de tocar a campainha da casa dos Granger, fazendo Ginny que o acompanhava, revirar os olhos.

- Pra que tudo isso, posso saber?

- Não enche, Ginny.

Assim que ouviram passos se aproximando o rapaz empertigou-se e com gestos nervosos tirou o boné que usava, no instante que a mãe de Hermione apareceu na entrada.

- Boa tarde professora Granger.

- Boa tarde Ronald. - A jovem senhora cumprimentou-os. - Tudo bem, Ginevra?

- Tudo, senhora Granger.

- Entrem por favor. A Hermione está lá em cima.

Depois que os irmãos Weasley entraram, Elizabeth Granger virou-se de frente para os dois, contendo um sorriso diante da aparência assustada do rapaz. Observou quando o marido abriu a porta do escritório e olhou os recém-chegados e então falou.

- Ginevra, por que você não vai até o quarto de Hermione ver se ela já terminou de se arrumar?

A garota concordou e pedindo licença subiu as escadas indo encontrar-se com a amiga. Talvez Mione soubesse o motivo de Ron andar tão estranho. Em contra partida Ron sentia-se cada vez mais nervoso e quando viu a senhora Granger pedir para que sua irmã subisse sabia que não ia mais escapar.

- Ronald, você poderia me acompanhar por favor? O pai de Hermione gostaria de trocar uma palavrinha com você.

- A-ago-gora?

- Se não for incomodo, é claro.

O ruivo engoliu em seco. É óbvio que ele estava incomodado, mas Hermione o mataria antes mesmo que ele percebesse, se ousasse dizer isso em voz alta. Seguiu-a até o escritório e quando a porta fechou atrás de si teve a impressão que estava encurralado.


---~~~---

Quando Ginny abriu a porta, deparou-se com Hermione andando de um lado para o outro de seu quarto com a mesma expressão apreensiva que observou no rosto de Ron durante todo o caminho de casa até ali.

- Olá Mione.

- Ahm... Oi.

Hermione olhou para a amiga e em seguida sentou-se em frente à penteadeira, começando a pentear os cachos de seus cabelos em movimentos automáticos o que deixou Ginny ainda mais desconfiada.

- O que há com vocês dois afinal?

- Vocês quem? – Perguntou com fingido desinteresse.

- Não se faça de desentendida. Você e o Ronald andam muito estranhos.

- Ele ficou lá em baixo? – Hermione perguntou sem tentar esconder o nervosismo, vendo a ruiva sentar em sua cama.

- Pelo que ouvi, parece que seu pai queria falar com ele.

- O Ron estava nervoso? – Ginny respondeu somente com um levantar de sobrancelhas. – Ah meu Deus!

- O que está acontecendo afinal?

A morena olhou para ela, levantou-se e roendo as unhas em mais uma atitude atípica, fechou os olhos. Pensou um pouco antes de soltar o ar fortemente e dizer, sentando-se em frente a Ginny na cama.

- Certo eu vou contar, mas ninguém pode saber.

- Ok.

- Você promete?

- Prometo Hermione, agora conta logo.

- O seu irmão... – Hermione deixou de olhar para a amiga para encarar a almofada que segurava em seu colo e falou tão baixo que mal passava de um sussurro. - O meu pai queria falar com ele sobre... sobre nós.

- Como assim “nós”? O que vocês... – Ginny arregalou os olhos em compreensão. -Espera! Você ta me dizendo que você e o Ronald... – Viu a outra assentir e sorriu. – Então por isso ele passou perfume!

- Ginny!

- Me conta direito essa história. Quando vocês se entenderam? Ele te beijou? Como foi?

- Ginevra Molly Weasley! – Hermione repreendeu vermelha como um tomate, mas com um grande sorriso.

- Essa sou eu, agora fala!

- Não tem muito o que contar... Eu não achava que o Ron gostasse de mim desse jeito até que ele me beijou.

- Ele te beijou! Quando?

- A primeira vez foi no meu aniversário...

- Primeira? Então tiveram mais... UAU!

- Ginny! – Gemeu um lamento. – Assim eu não falo mais nada.

- Tá. Eu paro. Mas me conta como foi. O que você sentiu? Foi estranho? Molhado? Me diz!

- Eu não sei como explicar... Cada vez que os lábios de Ron tocam os meus, acho que vou morrer de tanta felicidade. Eu sinto meu coração acelerar e ao mesmo tempo parar. Meu corpo inteiro formiga e tenho a impressão de que tem milhões de borboletas no meu estômago... Acho que estou apaixonada. – Concluiu abraçando a almofada e deitando-se.

- Querida se não for paixão você está com algum tipo de doença incurável, sentindo isso tudo...

- Engraçadinha. – Falou, tacando a almofada em Ginny que agora ria abertamente.

---~~~---


- E então, Ron. O que meu pai falou?

Hermione perguntou assim que saíram pela porta rumo à casa de Neville onde iam estudar naquela tarde de sábado. Ronald olhou dela para sua irmã, que fingia abertamente não prestar atenção no diálogo dos dois enquanto observava o estado de suas unhas, e sentiu suas orelhas avermelharem ao responder.

- A gente pode conversar depois? – E completou num sussurro. – A Ginny...

- Mas Ronald...

A ruiva foi incapaz de não se sentir como uma grande pedra no sapato de seu irmão e mesmo curiosa para saber o que iam dizer decidiu que ia colaborar com eles. Preparou a expressão mais convincente que conseguiu e perguntou:

- Vocês se importariam se eu fosse na frente? Eu quero dar uma olhada num... numa coisa que eu vi na vitrine da loja de presentes um dia desses...

- Não, tudo bem Ginny. A gente te encontra lá.

Ron respondeu imediatamente. Tinha sido muita coincidência sua irmã deixá-los sozinhos naquele momento, mas ele ia deixar essa desconfiança de lado, ao menos por hora. Pelo olhar ávido de Hermione ela não ia deixá-lo sossegado enquanto não contasse tudo o que tinha conversado com seu pai no escritório.

- Ele deixou.

- Eu sabia! – Hermione esganiçou agarrando o braço de Ron.

- Se sabia por que tanta preocupação? – Questionou fazendo uma careta, parando no meio da calçada.

- Ué, porque ele é pai oras. E pais tendem a super proteger as filhas principalmente se forem filhas únicas, então ele podia ter agido diferente do que eu esperava, o que ia ser natural e...

- Tá Mione, você conseguiu me confundir com essa... – A garota olhou para ele toda sorrisos, parecendo levemente encabulada.

- O que importa é que ele autorizou.

- Mas ele fez algumas exigências... – Agora Ron sabia que seu rosto devia estar tão vermelho quanto suas orelhas e resolveu que olhar para os próprios pés era mais confortável.

- Quais? O que ele falou?

- Bom, ele falou que já tinha percebido a tensão entre a gente... – Coçou a nuca e olhou de relance para Hermione. – De que tensão ele estava falando?

- Ah Ron, me poupe... Continua vai, o que mais ele falou.

- Disse que sabia que eu era um bom rapaz e que gostava muito da minha família e que por isso não ia evitar o inevitável mesmo achando que a gente ainda era novo demais. Daí ele falou que eu posso vir até a sua casa sempre que quiser e que podemos sair juntos, contanto que tenha alguém conosco. – Concluiu olhando diretamente para ela que agora olhava encabulada para o chão. – O que foi? Você acha que eu fiz alguma coisa errada? Não era isso que queria?

- Era, claro que era! – Exclamou rapidamente segurando-o pelo braço. – Bom, talvez não a parte que não podemos ficar sozinhos. Mas a gente dá um jeito...

- Mione!

- O que é? Você não vai se incomodar se sempre tiver alguém junto com a gente?

- É claro que vou, mas... Mas eu não ia dizer isso pro seu pai, não é? – Murmurou envergonhado.

- Claro que não. – Sorriu.

– Vamos? Se não a Ginny daqui a pouco vem saber por que a gente tá demorando.

- Duvido... – Hermione sussurrou sem se conter.

- O que?

- Nada, vamos...

Caminharam lado a lado. Os dedos se roçando levemente enquanto andavam. Ronald não se incomodava com o fato de estar carregando a bolsa de Hermione, que ela inevitavelmente enchera de livros, mas com o fato de não ter conseguido ainda beijá-la como achava que deveria, ainda mais sendo agora oficialmente namorado dela. Mesmo que ninguém mais soubesse disso além deles.

Quando alcançaram Ginny, parada em frente à loja de presentes, ela levantou uma sobrancelha e sorriu de canto quando os viu, mas Ron achou que devia ser somente sua imaginação. Atravessaram a rua e iam passando em frente ao pequeno hotel da cidade quando foram praticamente atropelados pela pessoa que saia de lá distraído.

- Harry?!

- Olá pessoal.

- O que você estava fazendo aí dentro? - Hermione perguntou depois de cumprimentá-lo.

- Minha mãe brigou com minha tia e então viemos pra cá. - O rapaz respondeu com o semblante sério demais para quem praticamente tinha saído do inferno.

- Mesmo? - Continuou a garota.

- É. - Respondeu levemente irritado e tentando mudar o rumo da conversa perguntou. - Vocês estavam indo para a casa do Neville?

- Estávamos, mas...

- Então é melhor a gente se apressar, marcamos às duas. - Harry falou ao mesmo tempo em que andava em direção à casa dos Longbotton.

- Mas...

- Hermione, deixe ele. - Ron sussurrou pegando no braço dela e impedindo-a de continuar importunando Harry. - Na hora que ele quiser falar mais ele fala.

- Está bem. Você tem razão.

Deixando Ronald e Hermione para trás, Ginny apertou o passo para alcançar Harry. Quando conseguiu viu a preocupação novamente estampada no rosto do rapaz. Mas que inferno! O que mais tinha acontecido agora?

- Harry, o que houve? – Ele olhou-a e deu um sorriso frágil.

- Nada, Gi. Deixe que eu levo seu material, me dê. – Apanhou os livros que a ruiva carregava, antes mesmo que ela respondesse. – Vamos.

Ginevra observou o modo como Harry respondera e ao mesmo tempo se esquivara de uma conversa com ela. Sabia que algo tinha acontecido e não ia sossegar enquanto não descobrisse o que era.

A tarde na casa dos Longbotton só não foi mais agradável porque em meio a conversas tiveram que estudar para a prova de ciências. O lanche preparado por Alice, mãe de Neville estava saboroso e ela os deixou comer na sala, ao contrário do que sua sogra, que também morava com eles, permitia. Neville naquela tarde parecia estranhamente mais risonho e falante e Ron acreditava que fosse justamente porque sua avó tinha ido passar o final de semana na casa de uma parenta na cidade vizinha. Já Hermione tinha quase toda certeza que era porque Luna tinha aceitado o convite para estudar junto com eles.

No final da tarde Ronald já estava impaciente. Queria a todo custo ir embora logo e na primeira oportunidade que surgiu puxou Hermione pela mão e após se despedirem, e de Ginny informar que esperaria por ele na praça, saíram dali.

Harry estava tão distraído que só percebeu que só percebeu a garota ao seu lado, quando Ginny parou a sua frente e perguntou se poderia fazer companhia a ela até que Ronald voltasse da casa de Hermione. O rapaz olhou para os lados dando conta que além deles, somente Luna ainda estava na casa. Olhou para ela sem graça e concordou. Saíram pela rua em silêncio até que Neville comunicou.

- Eu vou levar Luna até a casa dela, tchau.

- Até mais pessoal. – A loira falou sorridente.

- Até. – respondeu Ginny com um significativo sorriso para a amiga. Depois virou-se para Harry que olhava distraidamente a paisagem da praça e disse. – Pode ir falando, o que está acontecendo?

Por um momento Harry achou que Ginny estava muito parecida com a senhora Weasley. As mesmas mãos apoiadas no quadril, o cenho franzido e o olhar penetrante com que a mãe dela tinha falado com ele e Ron quando quase os flagrara olhando umas revistas que encontraram no meio das coisas dos gêmeos. Dando-se por vencido sentou-se num dos bancos da praça e olhou em direção ao rio, desalentado.

- Acho que eu vou voltar pra Londres.

- O QUE? – Ela com certeza não tinha escutado direito.

- Minha mãe brigou com a minha tia e quando a folga dela terminar ela volta pra Londres, ou mesmo antes disso, eu não sei.

- Mas você não pode ir! – Disse num lamento ao se sentar ao lado dele.

- Eu não queria ir, mas onde que eu vou ficar? – Harry a encarou, mas em seguida voltou a olhar para o rio. - Minha mãe já disse que não vai me deixar com meus tios, nunca mais...

- Mas ela falou quando vai embora?

- Não. E eu também não perguntei... Ela está uma pilha de nervos. Primeiro meu padrinho entrou em contato avisando que ainda não conseguiu encontrar o meu pai, depois discutiu com minha tia...

- Será que ela deixaria você ficar lá em casa?

- Não sei...

Diante dos fatos Ginny pareceu murchar. Harry podia deixar de fazer parte da vida dela a qualquer momento e nunca mais o veria. Sua garganta pareceu apertar e lágrimas inundaram seus olhos, que tremiam com a força que fazia para não derramá-las. Fechou-os e mesmo pensando mil vezes antes de falar, murmurou.

- E-eu não queria que você fosse embora.

- Eu também não.

Harry nunca, desde que tivera que deixar seus pais em Londres, imaginou que ia se sentir tão arrasado com a perspectiva de voltar para lá. Tentou imaginar como poderia ficar num lugar onde não pudesse conviver com Ron, Hermione e Ginny, mas não conseguiu. Olhou para a garota ao seu lado que claramente lutava contra as lágrimas e a abraçou como se disso dependesse sua vida. Era estranho, mas apesar de estar ali há tão pouco tempo, não conseguia imaginar sua vida longe de Bourghill.

---~~~---

- Ron, não precisa me puxar assim. – Hermione parou de caminhar de repente fazendo com que o ruivo desse um puxão em seu braço.

- Desculpe Mione, eu queria sair logo de lá.

- Por que, posso saber? - Ela perguntou, mesmo achando que já soubesse a resposta.

- Pra podermos ficar um pouco juntos, o que mais? – O ruivo respondeu com um sorriso torto.

- Francamente, Ron!

- Vai dizer que preferia ficar lá com os outros?

- Não, você sabe que não. – Ela corou. Depois perguntou com um meio sorriso. - Foi por isso que você veio por esse caminho?

- Eu... bem eu pensei que a gente podia parar um pouco por aqui e você sabe...

- Eu sei o que? – Insistiu ela vendo-o ficar levemente escarlate ao responder.

- Ah Mione! Namorar um pouco.

Agora era Hermione que corara. Pegou na mão que Ronald estendera e deixou-se levar para um dos bancos que beirava a margem do rio já perto da igreja e que ficava parcialmente escondido por um frondoso carvalho. Em poucos momentos ela parecia flutuar. Os beijos que trocava com Ron a deixavam mais leve que uma pluma e não duvidaria se algum dia alcançasse as nuvens. Emaranhou seus dedos nos cabelos ruivos e ouviu-o gemer baixinho ao mesmo tempo em que sentiu o toque incerto em sua cintura ficar mais forte assim que os dedos dele tocaram em sua pele, por uma abertura que ele encontrara em sua roupa. Afastou-se ofegante. O que poderiam dizer se os vissem assim? Ron parecia pensar a mesma coisa, pois estava com o rosto extremamente vermelho e parecia não ter coragem para encará-la.

- Ron, acho que a gente está indo rápido demais.

- Desculpe Mione, eu não queria... – MENTIRA!!! Queria sim, mas a voz do pai fica gritando em minha mente: “Eu não quero que nada aconteça à minha filhinha, então se comporte!” – Eu prometo que não vou mais tocar em você.

- Não, tudo bem... É só que... alguém pode aparecer...

- É melhor a gente ir pra sua casa, né?

- Acho que sim.

Ronald se levantou sendo seguido por Hermione. Pegou na mão que ela oferecera, entrelaçando os dedos e seguindo o mais demoradamente que conseguiam até a casa dela.

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Lílian desceu os degraus da pequena escada de madeira do velho hotel da cidade e rumou até a sala de refeições. Ajeitou o casaco que usava e seguiu até a mesa perto da janela onde Remus Lupin estava sentado lendo o jornal local. Vendo-a se aproximar, dobrou o periódico, bebeu o último gole de brandy do copo que estava a sua frente, levantou-se e puxou a cadeira ao seu lado para que ela se sentasse.

- Obrigada Remus.

- Por nada. Conseguiu descansar?

- Um pouco. - Deu um arremedo de sorriso para o amigo e então perguntou. - Conseguiu telefonar?

- Eu consegui falar com um amigo meu do jornal. - Ela encarou-o sem entender. - Eu vou voltar para Londres, Lilly. Vou tentar voltar para meu trabalho.

- Mas você disse que ia telefonar para eles... Saber notícias dela!

- Você não entende... Jéssica está bem melhor longe de mim.

- Vocês vão querer jantar agora? - A chegada inesperada da dona da hospedaria interrompeu o inicio de uma discussão entre os dois. Olhando para as mãos apoiadas sobre a mesa Lílian respondeu.

- Eu vou esperar pelo Harry.

- Eu também, obrigado. - Depois que a senhora se afastou Remus continuou. - O Harry saiu?

- Ele foi estudar na casa de um amigo para uma prova que terão, mas já deve estar voltando.

- Você já decidiu o que vai fazer?

- Não. Eu ainda tenho três semanas de folga para pensar...

- Lilly, você acha sensato levá-lo de volta pra Londres?

- Não, mas eu também não posso deixá-lo novamente naquela casa. Ainda mais agora que eu briguei com a Petúnia. Se ela já o tratava daquele jeito antes, imagina o que ela iria fazer com ele agora.

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Após a missa do domingo, Lílian seguia junto com Harry para cumprimentar o pastor pelo belo sermão daquela manhã, quando foi abordada por Molly Weasley que se aproximou junto com o marido.

- Olá Lílian. - A senhora cumprimentou assim que se pôs atrás dela na fila. - Como você está Harry?

- Olá Molly.

- Lilian esse é meu marido, Arthur Weasley. - Fez um gesto indicando o homem que Lilian tinha visto na estação de trem, ao qual esta cumprimentou com simpatia.

- Muito prazer.

- Encantado. - Arthur pegou na mão estendida e depositou um beijo casto como cumprimento.

Mas antes que pudessem iniciar uma conversa chegou a vez de Harry e Lílian cumprimentarem o pastor Dumbledore que estava posicionado ao lado de sua esposa. Tão logo o rapaz terminou de cumprimentá-los foi encontrar com Ronald que já estava no pátio junto com seus irmãos e Hermione enquanto sua mãe ainda conversava com eles.

- Gostei muito do sermão de hoje, pastor.

- Muito obrigado. Está gostando da nossa cidade?

- É uma cidade muito agradável realmente.

- Mas... – O pastor perguntou, olhando de forma perspicaz por trás dos óculos de meia lua e fazendo Lílian responder de forma sincera.

- Mas infelizmente eu terei que voltar em breve para Londres.

- Oh, espero que seja por pouco tempo, já que a senhora voltará para ver o Harry. – Interveio Minerva em seguida.

- Acho que terei que levar Harry comigo quando for. – Falou olhando preocupada na direção do garoto que ria de alguma coisa que os gêmeos estavam contando.

- Mas por quê? – Perguntou a diretora desolada.

- Eu precisei sair da casa de minha irmã e então não tenho mais com quem deixá-lo.

- Mas deve haver um outro jeito... Você não pode levá-lo pra capital.

- É justamente sobre isso que nós queríamos conversar com você. - Molly Weasley interrompeu, e virando em direção ao pastor continuou. - Belo sermão, pastor.

- Olá Molly, que bom que você apreciou.

Lílian e Molly se despediram do pastor e de sua esposa e se afastaram um pouco dando espaço para que as outras pessoas se aproximassem enquanto elas continuavam a conversa.

- Gina nos contou sobre a sua intenção de levar Harry para Londres. Eu gostaria que você soubesse que Arthur e eu ficaríamos muito felizes em ajudar e se quiser deixá-lo em nossa casa, ele será muito bem recebido.

- Ah, obrigada Molly. Mas eu não sei...

- Por que vocês não vêm almoçar conosco e então você pode pensar melhor sobre o assunto?

- Eu adoraria realmente, mas o Remus está me esperando para almoçarmos.

- Ele não veio à missa?

- Não. Desde que Marlene... Bem, desde que ele ficou viúvo ele anda meio avesso à igreja.

- Eu compreendo. Mas isso não é empecilho para que você não vá conhecer a nossa casa, o senhor Lupin também está convidado é claro.

- Olá Molly, como estão todos?

- Ah, como vai Elizabeth? - Cumprimentou a recém chegada afetuosamente e virando-se para a ruiva completou. - Lílian esta é Elizabeth Granger, ela é professora de nossos filhos.

- Muito prazer, Lílian Potter.

- A mãe do Harry.

- E você é a mãe da Hermione.

- Exatamente. Esse é meu marido Philippe Granger.

- Como vai?

- Mãe... - Harry aproximou-se de sua mãe que levantou uma sobrancelha ao olhá-lo fazendo-o dar um sorriso falso. - Com licença?

- O que houve Harry?

- Eu... Hum... Posso comprar umas pipocas? - Contendo um sorriso Lílian respondeu em seguida.

-Não Harry, a senhora Weasley nos convidou para almoçarmos na casa dela e eu preciso que vá chamar Remus para irmos.

- Nem vai precisar, o Remus está sentado num banco ali na frente.

- Melhor ainda, então é só aguardar um pouco.

- Está bem, eu vou avisar ao Ron.

- Não dou cinco minutos para Hermione aparecer pedindo para ir também, Molly. - Disse a senhora Granger com um gracejo. - Ainda mais agora.

- Por que ainda mais agora?

- Vocês não estão sabendo? - Perguntou Philippe sorrindo ao ver as expressões de incompreensão dos demais. - Eu recebi uma visita muito interessante ontem à tarde, de um rapaz pedindo para namorar Hermione: seu filho Ronald.

- O que!? - Exclamaram juntos os pais do ruivo, arrancando risos até mesmo de Lílian que se mantinha a parte da conversa.

- Ah Molly, não é uma verdadeira surpresa. Mais cedo ou mais tarde a gente sabia que isso ia acontecer.

- É claro, mas eles são muito novos.

Realmente logo em seguida, Ronald, devidamente acompanhado por Hermione e sob olhares divertidos de todos, pediu aos pais que deixassem a garota almoçar junto com eles. Molly resolveu a questão convidando toda a família Granger para irem até a Toca, o que eles aceitaram após relutarem um pouco.

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N/B Pamela: Ô tapa gostoso!!! Até escutei o barulhinho. rs A cara de cavalo merecia né? Merecia mais até, mas por enquanto tá bom! Rony e Mione namorando estão fofos. Dá até vontade de namorar também. Também dá vontade de ficar igual ao Harry e a Gina, se curtindo, ficar horas sonhando só pq ele ficou abraçado com ela no parque, ou pq pegou na mão...ai, ai. *suspira* Capítulo tudo de bom Pri! Tá esquentando...cada vez mais as coisas estão acontecendo...ADORO!
Beijos. Amor você!

N/B Paty: (cantarolando feito criança) BEM FEITO, BEM FEITO, BEM FEITO!!!! (comemorando o tapa na cara da Petúnia nojenta) Ah Lilian nos vingou, vingou mesmo! Mais que coisa mais fofa foi o Rony pedindo pra namorar a Mione hauahuaha... tadinho dele, todo envergonhado, ficou a cara dos dois o namoro rssss... como é bom ver o Harry feliz tb, quase saiu uma lágrima assim como a Mione fez no início rsssssss... A Gina dizendo que não queria que o Harry fosse embora ficou muito fofo tb *-*. Capítulo linda mana, beijos e continue logo.
N/A: Oi amores!!! Atendendo a pedidos (mentira, eu tava louca para fazer isso) a Lílian acertou um tabefe na cara da Petúnia. Por mim foi pouco, mas a Lílian é muito zen pro meu gosto...
O "acerto" entre Rony e Mione foi, na minha opinião, a cara deles: atrapalhadamente fofo, e agora que eles estão realmente namorando, as coisas devem se acalmar... Ou não, depende do ponto de vista. *olhar malicioso* Harry e Gina... O que dizer? Esses dois são tão lindinhos!!!!
Obrigada e bjks a todos que estão lendo, mesmo os que não comentam. Convido todos a entrarem na comu que a Pam fez pras minhas fics no Orkut; "Fanfics Priscila Louredo" e também para darem uma olhada no fórum Lumus Maximum (www.lumusmaximum.com).
Um grande beijo para minhas irmãs Pamela e Paty e pro meu amigo Bernardo cardoso que me ajudaram no capítulo.

Gaby W.: Filha, devagar se vai ao longe. Não esquenta com a demora, o que importa é você aparecer. Mil beijos. (Como anda a faculdade?)

Marcia M.: Obrigada querida. Bom a Lílian começou a colocar as coisas nos eixos, mas eu achei pouco. Se fosse comigo a Petunia ia precisar de um tranplante de cara... Bjks

Bernardo Cardoso: Amore, muito obrigada por ter me aturado na minha crise de insegurança. Eu quase vou dizer que você é um fofo (veja bem, quase). Vê se não some viu bem!!! Bjks

Alessandra Amorim: Obrigada pelos elogios. Que bom que eu estou conseguindo fazer você sentir tudo isso, sinal de que tá tudo correndo bem. Espero que tenha gostado desse. Bjks

Tonks Butterfly: Ai Tonks você vai cansar de segurar o tio do Harry, porque deve ter até fila pra bater nele. O primeiro é o J... Bom deixa pra lá... Bjks

Aluada R: Ah meu Merlin, outra tendo ataque de perereca!!!! KKKKKK. *imaginando* A paz dos capítulos será duradoura... Ou não, vai saber, não é??? Mil bjks pra você e pra ingrata da tua irmã que não quer mais comentar.

Sônia Sag: Amore!!! Amei a fala do Sirius, só vc mesmo!!! Quanto ao Remus, teremos mais dele (e da Tonks) no próximo. Você viu que eu usei a sua idéia???? *.* Te amo. Vou abraçar o Be e a Morg pensando em você!!!!. Milhões de beijos.

Gina W Potter: Xiiii o beijo HG??? Sei não... Essa é uma fic HG??? *cara de desentendida* Bjks querida e obrigada.

Naty L Potter: Respondendo à sua dúvida que atormenta: SIM!!! No próximo teremos o encontro dos dois. Nesse teve beijo, não sei se era o que você queria, mas... Mil bjks

Luluh Black: Ei, acho que você vai ter que entrar na fila, pois tem é gente querendo um Harry desses... Cruzes imagina se eu pusesse os dois! Se bem que um é baseado no outro né??? Bjks

Charlotte Ravenclaw: É digamos que com a irmã que tem ela não deve estar tão surpresa assim. Continue torcendo que quem sabe assim o Sirius consegue? Bjks

Brousire: Oi querida. Pois é, foi realmente um capítulo feliz. Calma que eu não vou ser tão má de separar os dois, ou serei? Ando tão na dúvida por esses dias, hihihi. O Lupin acha que o Harry é muito grande pra chamar ele de tio, só isso. Hahaha. Bjks

Livinha: E aí a reação da Lílian foi de acordo? O que achou dos acertos???? Bjks querida.

Sally Owens: Primeiro sobre o doutor Witter. Amore, você acha que foi pura coincidência???? Pra mim acasos não existem, hihihi. Sobre o que a Lílian vai fazer, bem eu ainda acho que ela tem muito autocontrole, porque se fosse comigo, aff... Bjks querida e vê se não desaparecesse porque minha lista de dúvidas não para de crescer. Bjks mil

Ninha: Calma querida porque desse jeito você não chega no final da fic. Viu, era a Lilly!!! Agora quanto ao James... *música de suspense* Bjks

Lanni Lu: Bom pelo menos um dos casais desencantou, não é??? Quanto ao Harry e a Gina, bom, eu não sou muito fã das coisas fáceis entre eles (vide Depois do Funeral)... Mas eu vou ver o que posso fazer a respeito. bjks

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