No dia seguinte, acordaram mais ou menos à uma da tarde. Hermione acordou sorrindo. Olhou rapidamente para o relógio em seu criado-mudo e virou-se novamente para encarar o teto. Passou as mãos sobre os olhos e continuou a sorrir como boba. Aquilo não poderia ser verdade... Talvez tudo não passasse de um sonho maluco, talvez tudo ainda continuasse como antes e o Baile sequer tivesse acontecido. Tudo parecia tão irreal que era quase impossível de se acreditar.
Levantou-se ainda com aquele sorriso nos lábios. Lembrava-se de cada momento daquela noite, tudo o que viveu em apenas algumas horas de sua vida. Embora ninguém soubesse de nada que acontecera, ela sabia que não demoraria muito para que soubessem. Estava feliz, tão feliz que mal conseguia conter sua felicidade e sorria abobalhadamente, como se não houvesse nada melhor para fazer.
Não podia acreditar que em menos de cinco meses em aula, tanta coisa pudesse ter mudado...
- Tudo está mudando... – ela sussurrou enquanto entrava no banheiro.
O castelo permanecia silencioso durante todo o dia. Todos passaram grande parte do dia descansando e as refeições foram feitas nos próprios salões comunais. Gina acordara cedo e agora estava do lado de fora do castelo, sentada sob uma árvore bem próxima do lago. Bubbles, seu pequeno gatinho de cor caramelo estava aninhado em seu colo, enquanto ela alisava carinhosa e distraidamente sua pequena cabeça. O gatinho começou a miar baixinho, miado este que começou a se modificar. Ela começou a escutar uma voz fina e longe. Olhou à volta para ver se havia alguém por perto, mas nos jardins estavam apenas ela e Bubbles. A voz parecia chamá-la e pedia um pouco de leite.
Gina baixou os olhos e pousou-os no gato. Contou algo nos dedos... Seis meses! Arregalou os olhos e olhou assustada para Bubbles. Levantou-se colocando-o em seu bolso interno das vestes e correu para a torre da Grifinória. Por sorte os corredores estavam completamente desertos, o que ajudou para que chegasse rapidamente ao seu destino. Subiu as escadas e entrou no dormitório feminino do sexto ano.
- Mione? – chamou baixinho, pois as outras quatro garotas ainda dormiam.
- Gina? O que aconteceu? – perguntou a morena que saía do banheiro enrolada em uma toalha.
- Mione, seis meses...
- Seis meses? Seis meses de quê? – ela perguntou sem entender o que a ruiva dizia.
- Animagia... Mione, são seis meses desde que começamos. – explicou Gina.
- Sim, eu sei. E daí?
- Eu estava sentada à beira do lago e fazia carinho no Bubbles... – Gina tirou o gato do bolso e mostrou-o para Hermione. O gato miou baixinho como se pedisse leite. Bichento saiu de sua cesta e postou-se ao lado da dona, também miando. – Mione, eu posso escutá-los!
- Eu também, Gina. Estão apenas... miando! – disse Hermione arregalando os olhos enquanto falava a última palavra. – Gina, já podemos escutar! Os estudos finalmente estão transparecendo.
- E em dois meses...
- Poderemos nos transformar! Isso é... maravilhoso, Gina! – disse Hermione sorrindo.
- É, eu sei. – Gina sentou-se na cama da amiga, olhando atentamente os presentes que ela ganhara. – E então? Não vai ver os presentes?
- Presentes? – perguntou Hermione aérea enquanto se vestia. – Ah, os presentes! Nossa, nem havia percebido que hoje era Natal...
- Você está meio lenta hoje, Mione. O que está acontecendo com você, hein?
- Nada, Gina. Apenas esqueci que hoje era Natal e não notei os presentes. Só isso! – disse Hermione.
- Sei. Eu ainda acho meio impossível não notar uma pilha de presentes deste tamanho. – murmurou Gina baixinho. –E como foi sua noite? – perguntou Gina mudando de assunto.
- Maravilhosa! Diria perfeita.
- Nossa! Aconteceu tanta coisa boa assim, foi? – Gina sorriu maliciosamente, recebendo uma almofada em cheio no rosto.
- Gina, mesmo que tivesse acontecido alguma coisa, eu não te contaria aqui. Há certas pessoas que fariam de uma confidência, uma fofoca tão grande que teria direito a artigo com a Skeeter!
- Ok, ok. Depois conversamos, então.
- E sua noite, Gina? Aproveitou bastante? – perguntou Hermione, completamente vestida, enquanto sentava em sua cama ao lado da amiga.
- Melhor impossível! O Draco é maravilhoso... – disse Gina sonhadoramente.
- Quer um babador? – zombou Hermione.
- Deixa de ser boba, Mione!
Hermione sorriu marotamente e silenciou.
- E os presentes? – perguntou à ruiva.
- Ah, você sabe... Não são muitos! – disse Gina baixo. – Mas ganhei coisas que nem esperava. Depois eu te mostro tudo direitinho...
- Tudo bem. – Hermione se virou para a grande pilha de presentes que estava ao pé de sua cama e começou a abrir.
Um livro do Harry, um pequeno dicionário bruxo de Rony, uma pilha de bolos e doces da Sra. Weasley, um par de brincos de Gina, outro livro de Hagrid, vários presentes de seus pais, uma carta de Dumbledore e um pequeno embrulho, o qual não abriu.
- Uau, Mione! Realmente gostam muito de você... Mas por que será que incentivam tanto a sua leitura se todos já sabem que você é a pessoa que mais lê em todo o mundo? – zombou Gina.
- Justamente por saberem que gosto de ler. – disse Hermione revirando os olhos como se aquilo fosse óbvio.
- Ok, não vou discutir. – finalizou Gina. – Mione, eu vou descer. Marquei com a Rachell lá embaixo. Encontramo-nos lá. – disse a ruiva indo em direção à porta
- Desço daqui a pouco, Gina. – avisou Hermione sem se levantar.
Antes de fechar a porta, a ruiva deixou um beijo no ar e saiu. Hermione olhou à volta para ver se as suas companheiras de quarto ainda dormiam. Aparentemente só Parvati e Lilá estavam ali. As outras duas colegas já deveriam ter descido para o salão comunal. Passou o cortinado em volta de sua cama, deixando apenas uma fresta próxima a janela. Voltou-se para o pergaminho que Dumbledore lhe mandara.
Srta. Granger,
Primeiramente gostaria de desejar a senhorita um Feliz Natal.
Agora, preciso, infelizmente, dizer o real motivo desta pequena carta. Como você mesma sabe, Hermione, houve ataques há exatamente um mês atrás em Dufftown, um povoado bruxo muito próximo daqui. Do outro lado da Floresta da Montanha, mais precisamente. Além deste, a invasão ao Ministério da Magia, onde um bruxo desapareceu. Com esses ataques, tivemos que redobrar a segurança de Hogwarts e agora a escola e praticamente impenetrável, no entanto, não por completo. Peço que venha ao meu escritório, juntamente com Harry e Gina, para que eu possa esclarecer algumas coisas que estavam passando despercebidas a sua volta. Aguardo sua visita exatamente às quatro. Palitos de Alcaçuz.
Atenciosamente,
Alvo Dumbledore
Hermione deixou a carta de lado, enquanto, na sua cabeça, as perguntas se formavam. “Tudo estava calmo demais...”, pensou balançando a cabeça negativamente, como que para afastar aqueles pensamentos. Por fim, seu olhar recaiu sobre o único embrulho restante. Abriu-o cuidadosa e curiosamente, ansiosa para saber o que havia dentro daquela pequena caixinha tão bem embrulhada.
Parecia ser uma jóia. Mas quem daria uma jóia para ela? Tudo bem que sempre ganhara muitas, afinal, descendia de uma família muito rica. Mas será que seus pais teriam lhe enviado mais um presente? Ela duvidava muito, pois já abrira todos os que eles identificaram. Resolveu acabar de uma vez com aquilo e abriu a caixa. Realmente havia uma jóia ali, uma jóia linda.
Era um colar de ouro branco de fio grosso, simples, que vinha com um pingente mediano, bastante diferente de todos que já vira. Eram dois ‘H’ entrelaçados com um pequeno coração no meio, onde uma minúscula pedrinha de brilhante estava cravada. Ela colocou o colar no pescoço por dentro das vestes. Levantou-se sorridente. Ele quem mandara, ela tinha certeza... Fora ele!
Pegou o casaco e deixou o quarto.
O salão comunal estava já estava cheio e muitos estavam sentados nas mesas almoçando e conversando animadamente. De longe, Hermione vira Rony sentado ao lado de Gina e mais algumas pessoas, incluindo Rachell. Quando finalmente resolveu ir até lá, uma mão a puxou para um canto escondido. Atravessaram o buraco na parede, que se selou a suas costas. Tinha certeza de que era Harry, pois somente ele e Gina, além dela, sabiam daquela passagem. Subiram rapidamente as escadas. Ao chegarem no alto da torre, ele finalmente virou-se para ela.
- Espero que tenha gostado dos presentes. – disse ele. – E a propósito... Feliz Natal!
- Ah, Harry! Claro que adorei os presentes. Muito obrigada! – disse ela abraçando-o. – E você? Gostou?
- Hum... Vejamos... Um livro sobre Quadribol e luvas de couro de dragão para batalhas? – ele colocou a mão no queixo como se pensasse. – Lógico, Mione!
Ela sorriu e balançou a cabeça negativamente.
- Eu já estava ficando nervosa... Comprei isto há um século! – disse.
- Está usando o colar? – ele perguntou timidamente.
- Estou, sim. – ela retirou o pingente de dentro das vestes e mostrou ao amigo.
Ele sorriu para ela, que retribuiu o sorriso.
- E então? Aceita ser minha namorada, Mione? – ele perguntou.
- Mas que pergunta, Harry! – ele a olhou, preocupado. – Lógico que sim!
Harry a pegou pela cintura enquanto ela enlaçava o seu pescoço. Os dois se beijaram apaixonadamente.
Quando finalmente separaram-se, ofegantes, encostaram as testas e sorriram, ainda de olhos fechados. Após recuperar o fôlego, Hermione abriu os olhos e olhou atentamente dentro daqueles olhos verdes pelos quais se apaixonara... Descendo o olhar, encarou o sorriso do garoto... Ah, aquele sorriso! Era de levar qualquer uma ao delírio.
Desconcertada e sorrindo bobamente, voltou a encarar os olhos do moreno.
- Eu te amo! – sussurrou dando-lhe um selinho.
- Eu também te amo, Mione. – ele a beijou novamente, mas esta impediu que o beijo durasse muito. Empurrou-o de leve, desvencilhando-se vagarosamente do beijo, embora não quisesse pará-lo.
- Acho melhor descermos. – ela disse carinhosamente. – E acho melhor mantermos isto em segredo por enquanto...
- Por quê? – ele indagou.
- Ah, acho que não seria bom que todo mundo soubesse. Você sabe... Com certeza renderia primeira página em todos os jornais e revistas e além de tudo, Voldemort acabaria sabendo... Não seria bom. Vamos esperar, contar apenas para os mais próximos. Pelo menos por enquanto. – ela pediu.
- Tudo bem. Também tenho medo que Voldemort possa fazer algo com você só para me atingir. Foi só por causa disto que não contei nada antes... – ele explicou.
- Não se preocupe. Em breve poderemos ficar juntos sem temer, pode ter certeza.
- Eu sei. – concordou ele abraçando-a. – Vamos?
Ela não respondeu, apenas acenou com a cabeça e os dois desceram novamente as escadas. Juntos, chegaram ao salão comunal, tomando cuidado para não serem vistos saindo de uma falsa parede. Imediatamente separaram-se, fazendo parecer que ainda não haviam se visto, apenas desceram dos seus dormitórios coincidentemente na mesma hora. Foram até a mesa onde seus amigos estavam.
- Olha quem resolveu aparecer... – disse Gina. – Pensei que não viria mais, Mione! Até a Parvati e Lilá conseguiram descer antes de você...
Hermione olhou rapidamente o local e notou as duas garotas à um canto conversando com Simas, Dino, Neville e mais duas garotas.
- É, eu sei. – ela disfarçou.
Harry sentou-se ao lado de Rony.
- Vamos, Mione! Sente-se conosco. – chamou Gina. – Deve estar com fome.
- Lógico, não é Gina? – fez Rony como se fosse óbvio.
- Gina, estou acordada há quase uma hora sem comer nada. Acho realmente impossível estar sem fome, não é? – disse Hermione séria.
- Você não comeu antes porque não quis, Mione. Nem vem! – disse Rony.
- Rony, querido... – começou Hermione num tom falsamente simpático. – Se eu não desci antes, é porque algo de mais importante estava fazendo, não concorda?
- Mione, bem que você poderia ter comido algo... Eu vi os montes de doces que a mamãe mandou para você... – comentou Gina.
- Doces não enchem barriga, Gina. Incham você! – replicou Hermione.
Harry notou que o clima ali era de zombaria. Estavam fazendo aquilo para irritar a garota. Ele, assim como Rachell, estava calado, apenas ouvindo a discussão.
- Será que dá para vocês pararem com essa discussão infantil? – perguntou Harry interrompendo. – Primeiro que não é bom se irritar de estômago vazio, Mione. Pode te fazer mal. – ele acrescentou para a garota. – Segundo, não se deve discutir enquanto se come. A discussão pode ir além e vocês podem acabar passando mal depois, justamente pelo fato de a comida não cair bem. Isso vale para vocês! – disse apontando para Rony e Gina, que ergueram as mãos no ar.
- Calma aí, cara! – disse Rony. – Era só brincadeira.
- E se o que vocês queriam era me irritar, saibam que conseguiram. – disse Hermione enquanto sentava e começava a se servir.
Depois de uma refeição um tanto quanto agitada, todos voltaram a conversar animada e amigavelmente. E como já era de costume, Rony foi o primeiro a se levantar.
- Bom, estou indo me encontrar com a Luna. – avisou. – Nos vemos mais tarde.
No entanto, antes que o ruivo chegasse ao buraco do retrato, Harry se levantou rapidamente, sob o olhar de Hermione e Gina, e correu ao encontro do amigo.
- Rony, precisamos conversar. – ele disse sério.
- Tudo bem. – disse Rony temeroso. – Mas precisa ser agora?
- Não, não. Pode ir se encontrar com a Luna. Falamos depois, com mais calma.
- Ok. – concordou o ruivo. – Quando eu chegar passo no dormitório e conversamos.
Harry viu o amigo sair pelo buraco do retrato e voltou à mesa, onde Hermione o olhava apreensivamente e Gina lhe lançou um olhar desconfiado.
- Que é? – ele perguntou confuso. – Eu só disse que queria falar com ele depois.
Hermione entendeu o que ele iria falar com o ruivo. O mais discretamente que pôde, acenou com a cabeça positivamente. Teriam que contar aquilo o mais breve possível para Rony, pois sabiam que o amigo era o mais esquentado de seus amigos. O silêncio invadiu aquela mesa. Gina e Rachell voltaram a conversar entre si e Harry parecia vagar em seus pensamentos, assim como Hermione. Subitamente, a carta de Dumbledore invadiu a sua mente, fazendo-a lembrar de falar com os amigos.
- Rachell, será que eu poderia falar com Harry e Gina a sós? – perguntou à morena, rapidamente acrescentando. – Se não se importar, é claro!
- Claro! – concordou a morena. – Se você quiser, posso me retirar e...
- Não, não é necessário! Eu apenas quero uns minutos para falar com eles, apenas perguntei porque teria de baixar a voz e não queria que achasse que está sendo excluída. – explicou Hermione.
- Não há problema nenhum! Eu vou ali falar com umas amigas... – disse Rachell se levantando. – Depois você vai até lá, Gina. Ok?
- Ok, Rache. – concordou Gina.
Novamente o silêncio reinou. Hermione respirou fundo e começou:
- Vocês receberam a carta de Dumbledore? – perguntou.
- Que carta? – os outros dois perguntaram em uníssono.
- É, pelo visto, não. – ela comentou baixo. – Bom, Dumbledore quer que estejamos no escritório dele às quatro. Não explicou muitas coisas na carta, mas fez parecer que quer falar sobre os ataques que aconteceram há um mês atrás.
- Ok. Mas se aconteceram há um mês atrás, por que ele não nos chamou antes? Quando retornamos a Hogwarts? – perguntou Gina.
- Talvez pelo fato de ter me enviado uma carta explicando algumas providências que a Ordem tomou quanto aos ataques e sobre terem redobrado a segurança da escola. Nada demais. – respondeu Harry.
- Ainda assim, acho muito estranho. – comentou Gina.
- Talvez ele não tenha nos chamado antes, porque eles tinham conseguido controlar a situação e não queriam nos preocupar. E agora, as coisas podem ter se complicado, deve ter havido algo que ele precisa nos comunicar... – sugeriu Hermione. – Mas só vamos saber realmente do que se trata, quando chegarmos ao escritório dele.
---
Faltava apenas um minuto para as quatro e os três garotos estavam postados em frente à gárgula de entrada para o escritório do diretor. Disseram-lhe a senha e imediatamente subiram. Novamente não precisaram dar sinal de sua presença.
- Entrem. – ordenou a voz do diretor.
- Boa tarde, professor. – cumprimentaram.
- Boa tarde, garotos. – respondeu Dumbledore deixando um pequeno pergaminho de lado. – Sentem-se.
Os três se acomodaram rapidamente e olharam apreensivos para o diretor.
- Bom, creio que queiram saber o motivo desta visita, não? – os garotos concordaram, mas permaneceram em silêncio. – Pois bem! Primeiramente quero apenas pedir que vocês não dêem muita atenção ao Profeta Diário. Algumas coisas podem ser verdade, mas estão violentamente alteradas. Por isso, aguardem até que eu lhes chamem aqui, quando poderei esclarecer tudo e contar como cada coisa realmente aconteceu.
- Então o ataque a Dufftown...? – mas Gina não pôde concluir sua pergunta.
- O ataque a Dufftown realmente aconteceu, Gina. Mas felizmente, não houveram vítimas graves e nem mortes, como o Profeta sugeriu. – esclareceu o diretor. – Quanto à invasão ao Ministério, esta também aconteceu, no entanto, três pessoas desapareceram. Duas já foram encontradas e estão no St. Mungos se recuperando de graves lesões. E creio que Hermione leu a edição completa do Profeta, não?
- Sim, senhor.
- Portanto, deve saber que Belatriz Lestrange e mais dois Comensais foram vistos em Hogsmeade. – concluiu Dumbledore.
- Como é? – Harry se manifestou.
- Exatamente isto que ouviu, Harry. A Ordem continua investigando esses passos em falso que os Comensais e Voldemort dão, mas infelizmente não obtivemos muitas respostas. Em todo caso, já descobrimos que Voldemort está atrás da professora Sibila.
- Trelawney? – perguntou Gina.
- Sim, Gina. Embora o Profeta Diário não saiba, todos esses ataques têm um sentido. São muitas perguntas, mas todas levam à uma mesma resposta: Sibila Trelawney. – contou o diretor. – No dia em que o Ministério foi invadido, Sibila estava lá resolvendo alguns assuntos pessoais, assim como na hora do ataque a Dufftown, onde parou na tentativa de despistar os Comensais ao perceber que estava sendo seguida bem de perto por ‘forças malignas’, como ela prefere dizer. Na madrugada da noite que seguiu os ataques, Belatriz e os outros dois Comensais foram vistos em Hogsmeade pela Madame Rosmerta, enquanto esta recebia a mim e aos professores Snape e Trelawney. Já estávamos desconfiados que a razão para aqueles ataques tinha sido Sibila; nenhum daqueles acontecimentos poderia ser uma mera coincidência.
Harry esfregou a cicatriz, que formigou rapidamente.
- Talvez Voldemort esteja planejando mais um destes...
- É, talvez. – disse Dumbledore observadoramente. – Mas como não poderíamos correr o risco de haver mais ataques sem qualquer proteção em meio a tantos alunos, decidimos fechar a guarda. E como seria um tanto estranho encher o local de aurores e bruxos especializados, escolhemos uma delegação bem próxima a vocês. São as quatro melhores alunas do sétimo ano de Hogwarts e mais duas residentes em Hogsmeade, que poderão nos passar informações essenciais diariamente.
O diretor se levantou e postou-se em pé próximo aos três.
- Entrem, por favor! – ordenou. – Isabella Bonstrong, Samantha Parker, Amy Black... – as três adentraram o aposento. Samantha, como suas vestes indicavam, era da Corvinal. – E por fim... Eva Durst. – uma garota loira, cabelos lisos em cima e levemente ondulados nas pontas, olhos azuis esverdeados e altura mediana entrou, enquanto a porta se fechava atrás de si. – Muito bem! Estão apresentadas e deverão explicar aos três como farão a segurança dos alunos em segredo. Infelizmente estou atrasado para um compromisso... Poderão ir à Sala Precisa, onde terão privacidade suficiente.
O grupo de adolescentes deixou o escritório do diretor e rumaram para o sétimo andar, onde ficava a Sala Precisa. Já estavam acomodados quando Eva se levantou.
- Bom, como sabem, sou Eva Durst e resido em Hogsmeade. Sou a principal responsável na vigilância do povoado e me disponibilizei a juntar-me a esse pequeno grupo. Eu estarei sempre em Hogsmeade passando informações constantemente ao castelo de Hogwarts, que deverão ser recebidas por apenas um de vocês, que estarão em rodízio para recepcionar os relatórios, e passar para os outros. Dumbledore estará a par de tudo por meio da Rosmerta, minha irmã mais velha. – começou Eva.
Não se demoraram muito. Logo todos já estavam devidamente informados de como tudo deveria acontecer. Melissa e Eva deixaram o castelo, enquanto os outros sete permaneceram juntos.
- Mais um trabalho para mim... – suspirou Bebel. – Eu não imaginava que fosse tanto quando Dumbledore me chamou.
- Pode ter certeza, isso é só o começo. – comentou Samantha.
- Ah, pára tudo! Não é o fim do mundo, gente. Meus pais são homens de Dumbledore e sempre foram, mesmo assim, nunca se queixaram. Talvez até seja legal... – disse Amy animadamente.
- E deveríamos nos sentir orgulhosos também, não é? Afinal, poucos têm a chance de participar deste tipo de coisas, principalmente sendo de tamanha importância e que Alvo Dumbledore, o maior bruxo do século, nos selecionou. – disse Samantha.
- Bom, eu já estou acostumada com a sobrecarga. Vai ser só mais uma coisinha para apertar meu tempo, mas nada que não tenha jeito. – disse Hermione.
- Mais jeito do que já estou dando, é impossível! Eu estou em ano de N.O.M.’s e a maioria de vocês está em ano de N.I.E.M.’s. É nessas horas que nos perguntamos se Dumbledore realmente bate bem da cabeça! – murmurou Gina.
- Não quero nem imaginar... – disse Harry com um ar cansado. – Bom, meninas, eu já vou.
- Tchau, Harry. – despediram-se as setimanistas.
- Vocês vêm? – perguntou às amigas.
- Vamos ficar mais um pouco. – respondeu Hermione, virando-se para ele e soltando um beijo no ar.
- Tudo bem. – ele sorriu e voltou à torre da Grifinória.
No caminho, pensava na conversa que teria com Rony. Se perguntava se o amigo aceitaria o ‘romance’ entre Harry e Hermione, principalmente depois de tanto tempo sendo amigos e agora tudo mudaria. Não poderia comparar a atitude de Rony para com o namoro de Draco e Gina... Eram situações completamente diferentes. Não sabia como o amigo reagiria àquilo.
Adentrou o salão comunal da Grifinória, apinhado de alunos, mas não encontrou Rony. Lembrou-se do que haviam combinado: “Quando eu chegar passo no dormitório e conversamos”. Fora o que ele dissera. Então resolveu subir para o dormitório, completamente vazio. Sentou-se em sua cama e deixou-se levar em seus devaneios. Ouviu o barulho de uma porta se fechando e levantou o olhar. Rony saía do banheiro completamente vestido enquanto enxugava os cabelos com a toalha.
- E aí, cara? – falou notando a presença de Harry. – O que tinha para me contar?
Rony sentou-se em sua própria cama, de frente para Harry, deixando a toalha de lado e olhando apreensivamente para o amigo.
- Rony, eu realmente não sei por onde começar...
- Do começo seria muito bom. – brincou.
- É sério, Rony.
- Tudo bem, não brinco mais! – disse Rony fazendo-se de ofendido, mas logo assumindo uma postura séria.
Harry esfregou os olhos.
- Vai contar ou não vai? – insistiu o ruivo.
- Ok. – concordou. – Rony, eu e a Mione... Bem... Estamos namorando!
- Como é? – perguntou Rony surpreso. Não sabia acreditava ou não, se ria ou se ficava sério, esperando que o amigo lhe explicasse.
- Estamos namorando! – repetiu Harry.
- Eu sei, mas... Como? Desde quando? – bombardeou o ruivo e Harry desatou a contar como tudo aconteceu, desde que se vira apaixonado pela amiga...
|