Antes agradecer a paciência, os elogios e o carinho de sempre... muito obrigada, eternemanete!
Os capitulos dessa temporada tendem a serem menores, mas não será sempre... Não me matem por favor!
Corri com esse (e por isso ficou um pouco menor) porque não queria demorar mais pra postar..
Então chega de conversa e boa leitura...
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O fogo da lareira já estava quase extinto. O dia amanhecia cinza e gelado lá fora. O silêncio de agora era quase um consolo, comparado a inquietude que cada um ali estava sentindo dentro de si.
- Eu realmente acreditei que essa seria a primeira passagem de ano tranqüila dos últimos anos. Me enganei. Absolutamente essa foi a pior. Nos outros anos, mesmo com a guerra, estávamos todos um perto do outro e sabíamos como estávamos. – Harry suspirou, colocando o rosto entre as mãos. Ao seu lado Gina respirou fundo e apertou seu ombro.
- Tenho certeza de que Hermione está bem Harry. – Luna falou sutilmente, sentada em uma poltrona ao lado. Ela e seu pai haviam sido convidados para a ceia de ano novo, que pelo sumiço de Hermione, não ocorreu.
- Como pode ter certeza? Não temos uma notícia!
- De fato noticias ruim chegam mais rápido que as corujas. E Hermione não é qualquer pessoa do mundo bruxo. Se algo tivesse ocorrido a ela, certamente já estaríamos sabendo. – A loira estava bastante calma. Arthur, sentado a frente acenou com a cabeça, assinalando que concordava com ela.
- Luna tem razão. – Mas Harry parecia mais pessimista do que todos eles juntos. Se levantou nervoso.
- Vocês não entendem? No mundo bruxo sim, ela é o que podemos chamar de celebridade. Mas e no mundo trouxa? Hermione não passa de uma garota de 18 anos comum, com uma criança nos braços. Lá há muita violência! – Gina também se levantou. Estava muito cansada e parecia que Harry queria aproveitar que agora estavam apenas eles quatro ali na sala para expor todo seu desespero da noite.
- Harry, mas você precisa lembrar que ela não é de fato uma garota comum de 18 anos. Ela tem uma grande vantagem sobre os trouxas, ela é uma bruxa. Que pode se defender de maneiras inimagináveis para eles. – O noivo a olhou exausto.
- Ok Gina, tudo bem. Talvez eu esteja desesperado demais. É que não saber nada é muito desolador. – Os dois voltaram a se sentar.
A verdade é que desde as 9 horas da noite do dia anterior a preocupação era companhia deles. Hermione não aparecera na Toca como o combinado, nem dera uma noticia se quer. Depois da uma da manhã, ele e Ron foram até a casa dos Granger com esperanças de encontra-la por lá, mas nem sinal dela. Voltaram para Toca e separaram a família em busca por lugares possíveis de Hermione estar, sem sucesso. As três da madrugada voltaram a casa no bairro trouxa, desta vez conseguindo falar com os pais dela. Eles sabiam menos da filha do que se poderia imaginar, e quando num rompante de raiva, Ronald entrou na casa e seguiu até o quarto da castanha, encontrou os armários vazios. O pânico tomou conta da dupla que voltou para Toca ansiosos.
Molly ficou muito nervosa e foi com muito custo que Arthur a convenceu descansar algumas horas. Gina prepara um chá, com algumas gotas da poção do sono, e serviu a todos, o que fez com eles dormissem, com exceção dela mesma, Harry, o pai e Luna, que fingiram beber o chá batizado, já que idéia tinha sido da própria corvinal.
- Precisamos racionalizar as coisas. Agimos a noite toda movidos pelo desespero e preocupação.
- O que sugere pai?
- Quem viu a Hermione por último? Quando? Vamos tentar refazer os últimos passos dela, talvez possamos encontrar pistas. – Harry pareceu se animar com idéia.
- Isso, o senhor está certo. Bem, eu vi Hermione ainda na outra noite. Ela foi ao Largo Grimmauld com Eliz, conversamos normalmente e a achei mais triste que o normal, mas ultimamente ela está sempre triste. Não me lembro dela ter falado algo suspeito. – Ele ficou pensativo como se tentasse lembrar de algo que deixara escapar.
- Não vejo Hermione desde o natal. – Luna respondeu um tanto desapontada.
- Eu a vi ontem de manhã. Fui a casa dela um pouco antes do almoço. Fui até lá para confirmar se ela ia passar a noite de ano novo com os pais, como ela tinha me adiantado. Mas eu tive a resposta com as caras emburradas deles ao se despedirem dela ainda aquela hora. Ela ficou extremamente sem graça quando eu questionei porque ela tinha me dito que ia sair com eles se na verdade não ia, e ela me respondeu que simplesmente mudara de idéia. Não coloquei maldade nisso, deveria ter prestado atenção. – A ruiva abaixou a cabeça extremamente decepcionada consigo mesma.
- Mas ela não disse se ia para algum lugar? – Luna perguntou se sentando mais na ponta de sua poltrona.
- Oh sim, ela comentou que iria visitar Zabine a tarde, para levar Elizabeth. Ele ainda não a conhecia. – Arthur franziu o cenho e olhou para filha interrogativo.
- Zabine? Aquele que estava sumido? Desde quando Hermione é amiga dele? – Gina trocou olhares constrangidos com Harry. Aquele era um assunto muito delicado.
- Senhor Weasley, Hermione se aproximou de Zabine no nosso sexto ano. Ela teve os motivos dela e me parece que ele fez por merecer seu apreço. Ela realmente gosta muito dele. – O homem o olhou por alguns longos segundos como se refletisse sobre o assunto.
- Certo. Então, a última noticia que temos dela é que ela iria a casa desse rapaz. Bem, temos que ir até lá e fazer perguntas a ele. Talvez Zabine saiba de algo. – O ruivo deu de ombros.
- Vamos! – E Harry se levantou de supetão. Todos o olharam assustados, até que Gina sorriu e o puxou pela mão delicadamente.
- Querido, ainda não são nem seis horas da manhã. Não podemos ir na casa de alguém agora. Vamos esperar mais um pouco e depois do café eu e você vamos até lá. Tudo bem?
Harry ouviu vozes e passos pela sala. Depois da decisão que tomaram no inicio da manhã, se sentiu menos pior. Afinal tinham um plano em mente e assim se sentia útil. Por isso encostara a cabeça nas pernas de Gina e se permitira fechar os olhos. O que parecia ter sido um minuto tinha sido na verdade algumas horas, pois a sala estava barulhenta e o dia mais claro. Não estava mais deitado nas pernas da noiva e sim em uma fofa almofada. Sentou-se arrumando os óculos no rosto.
Do sofá que estava avistou os sogros na mesa da cozinha. Ele, sentado, parecendo que não dormira se quer meia hora. Ela, andando de um lado para outro e gesticulando. Gina parecia tão cheia de energia quanto a mãe. Ronald também estava de volta e parecia comer bacons com torradas. Na verdade, o ar estava com aquele cheiro e ele de repente se descobriu com fome. Foi ao encontro deles.
- Bom dia! – Ele disse um pouco sem graça imaginando se sua cara não estava amassada. Sua ruiva lhe sorriu e foi pra perto dele.
- Ei amor, que bom que dormiu um pouco. – E o deu um breve beijo nos lábios, mas foi o suficiente para sentir seu rosto queimar. Gina era sempre muito espontânea e não se importava em dar demonstrações de carinho na frente de ninguém, nem dos próprios pais. Já ele não se sentia tão a vontade.
- Ei Harry sente-se também. Vou te servir alguma coisa. – Molly lhe sorriu apontado uma cadeira ao lado de Ron, que parecia emburrado enquanto mastigava.
- O que há com você? – Perguntou quando sentiu sua vergonha evaporando.
- Ele está se sentindo traído por causa do chá. – Senhor Arthur respondeu. – Disse que o enganamos e o fizemos dormir enquanto elaborávamos planos. – O homem negou com a cabeça e um bocejo.
- E é a verdade!
- Ronald, por favor, pode ser menos mimado? – Gina se sentou a frente do irmão. – Você estava muito agitado e tudo que precisávamos era de calmaria. Não está ouvindo a mamãe reclamar, está? – E rasgou um pedaço de pão para si.
- Isso não quer dizer que gostei Ginevra! – A ruiva caçula rolou os olhos, enquanto via a mãe servir Harry. – Mas não adianta ficar criando caso com o que já foi feito, temos é que pensar no agora. E eu já sei o que fazer. – Arthur esfregou os olhos demonstrando exaustão, parecia que já sabia o que a esposa queria dizer com aquilo e não aprovava.
- Como assim mamãe? – A filha já previa que não seria coisa boa.
- Assim que acabar de preparar o café para todos vou até o Profeta. – Harry se engasgou com as torradas e teve que levar tapas de Ron para desentalar.
- O quê? Mamãe..
- Não me venha com mamãe Gina! Temos que reportar o sumiço de Hermione o mais rápido possível para todos! Alguém há de tê-la visto e vai nos dar uma notícia.
- Senhora Weasley, precisamos de aguardar um pouco. A sociedade bruxa ainda está muito alarmada com tudo que nos aconteceu e depois, Hermione ficará extremamente chateada quando perceber sua vida exposta nos jornais, mais uma vez. Nos dê algum tempo. – Harry disse tentando manter a calma. Amava aquela mulher, mas os rompantes dela eram desgastantes.
- Vocês parecem esquecer que há uma criança também sumida. Um bebê! Merlim, minha neta! – E ela se sentou com tudo em uma cadeira.
- Não seja estúpida mãe! – Ron disse ficando vermelho completamente descontrolado.
- Ronald?! – A ruiva disse ofendida.
- Como ainda acredita que Elizabeth é sua neta? – Gina escondeu o rosto nas mãos. Harry abaixou a cabeça e Arthur apenas olhava a esposa apreensivo.
- Do que está falando? Eu, mas..
- Mãe, Elizabeth não é minha filha e para mim isso já estava mais que óbvio para todos aqui. Eu e Harry descobrimos que Hermione estava grávida no meio da nossa viagem em busca das Horcrux. Foi uma confusão. Enfim. Depois que a menina nasceu resolvemos que não era nada saudável e seguro deixar um recém nascido no meio do campo de batalha, por isso a levamos até o Chalé das Conchas. Alguma coisa tinha que ser dita, então eu resolvi dizer que era o responsável. Harry tinha a Gina. – Apesar de estar vermelho, Ron disse tudo muito calmamente. Na verdade parecia que ele estava desabafando, tirando um peso de dentro de si. Chegou até soltar o ar pela boca quando terminou seu relato.
- Como isso é possível? – O rosto de Molly parecia ter perdido a cor. Arthur lhe apertou uma das mãos que ela puxou logo em seguida. – Você sabia disso tudo e nunca me disse nada! Por quê?
- Eu não tinha absoluta certeza e quem tinha que dizer isso eram eles, não eu. Você estava tão radiante com idéia de uma neta não que achei justo tirar isso de você, não depois de tudo. – E eles trocaram um olhar sofrido. Depois de tudo. Aquilo queria dizer muitas coisas, afinal, eles tinham perdido um filho muito querido na guerra.
- A verdade ainda é e sempre será melhor do qualquer mentira Arthur, você deveria lembrar isso aos seus filhos. Façam o que quiser então. Eu.... eu vou lavar algumas roupas. – E se levantou extremamente desapontada indo para o lado de fora da casa, mesmo com uma neve fina caindo.
- Por que você fez isso Ron? – Gina estava muito triste.
- Achei mesmo que ela já soubesse, e depois, ouviu o que ela disse, uma verdade é sempre melhor. – Mas ele não parecia satisfeito com tinha feito.
- Vou atrás dela. – E Arthur levantou se arrastando até a porta que dava para o quintal.
- Isso não foi bom realmente, mas precisamos voltar ao nosso problema. Temos que achar Hermione. – Harry afirmou passando as mãos nos cabelos bagunçados.
- A idéia não ir até o tal Zabine? – Ron perguntou afastando o prato com o farelo de suas torradas para o lado.
- E você acha que vai, irmãozinho?
- Claro que vou Gina! – E deu um leve soco na mesa.
- Não, não vai. Você é um estúpido nervosinho que pode fazer besteiras e complicar ainda mais a situação. Você fica Ronald!
- Quem você pensa que é? – Harry se levantou.
- Por favor pessoal, já estamos com problemas demais por aqui. Ron, eu também acho melhor você ficar por aqui, quem sabe a Hermione aparece? – O ruivo também se ergueu.
- Então é isso Harry? Pau mandado da minha irmã? Tenho pena de você. Não me querem? Ótimo! Eu faço outras coisas.
- Tipo o quê? – Gina perguntou preocupada enquanto via o noivo dar as costas para eles, tentando se conter de dar uma boa resposta no cunhado.
- Procurar a pessoa que provavelmente está com Hermione? – Ron respondeu em tom ironia misturado com sarcasmo. Viu a irmã ficar roxa e Harry voltar a olhar pra ele.
- Você não pode estar falando sério.
- Claro que estou Gina. Quando fiquei mais calmo e pensei bem, essa possibilidade surgiu muito clara na minha cabeça. Hermione não está com ninguém que saibamos ou pensamos, logo ela está com a última de nossas opções, que cá entre nós, temos idéia do quanto ela se importa. - A parte final ele respondeu abaixando a cabeça.
- Talvez Ron tenha razão pessoal, mas o melhor é não nos precipitarmos.
- Luna? – O ruivo deu um pulo ao ouvir a voz atrás de si.
- Desculpem, mas ouvi a conversa de vocês enquanto descia as escadas. E fiquem tranqüilos, não sei quem é a pessoa de quem estão falando, mas imagino que possa ser o pai de Eliz, não? – A loira falou em seu jeito tranqüilo de sempre se sentando na cadeira onde Ronald estivera sentado e se servindo de torradas com manteiga e chá. Todos estavam muito sem graça.
- Hã.. certo.. Luna. Mas o que você quis dizer em não nos precipitarmos? – Harry quis saber.
- Bom todas essa história da Hermione é repleta de mistérios não é? Pelo que eu pude perceber nem o pai sabe que é o pai. O quão absurdo seria todos baterem na porta dele perguntando dela como se o garoto devesse saber de algo? Acredito que o certo é queimar todas as possibilidades primeiro, e se não obtivermos resultados, partimos pra nossa última opção. – Luna fechou sua fala tomando um bom gole de chá.
- Ela está completamente certa. – Gina disse com um suspiro. – É hora de irmos até Zabine.
- Ficarei aqui aguardando noticias. – A loira sorriu. – Acha que está calmo suficiente para ver sonserinos Ron? – O ruivo a olhou como se ela realmente fosse louca.
- Luna?!
- Oh, é que precisamos de toda a solicitude dessas pessoas. Chegar gritando, exigindo ou mesmo socando alguém só pode nos atrasar. Você é uma pessoa maravilhosa Ron, sério, mas que perde o controle muito rápido. – E deu de ombros mordendo sua torrada. Ronald ficou vermelho novamente, enquanto Gina e Harry sorriam pra ele.
- Que seja, vai logo!
Não parecia mesmo uma manhã de ano novo. Todos estavam a mesa do café da manhã, mas cada um parecia extremamente concentrado em suas próprias xícaras, exceto talvez, a senhora Zabine, ela nunca parecia preocupada realmente com alguma coisa.
Apenas quando um segundo toque da campanhia ecoou pelo espaçoso apartamento é que aquele pequeno grupo pareceu acordar de seu torpor. Uma elfa apareceu anunciando as visitas inesperadas, Harry Potter e sua noiva Gina Weasley. Todos praticamente se levantaram juntos e foram até a sala de estar, menos Pansy, que rolou os olhos e suspirou cansada antes de seguir os outros.
- Bom dia. – O menino que sobreviveu desejou a todos que entraram. Se alarmou quando percebeu a presença de Narcisa Malfoy.
- Oh, senhor Potter, feliz dia, feliz ano novo! – A mãe de Blás o abraçou e deu dois beijos, fazendo o mesmo com Gina que apenas retribuiu por educação com um sorriso amarelo.
- Mamãe, a senhora poderia ser menos exagerada? Que vergonha. Me desculpe vocês dois?!
- Mas.. o que eu fiz? Estou apenas cumprimentado pelo ano novo e não é todo dia que temos um herói dentro de casa e..
-Hã, senhora Zabine? Eu.. nós.. queremos falar com Blás um instante, pode ser? – Harry a interrompeu extremamente sem graça.
- Vamos Paola, vamos deixar os garotos conversarem. – Narcisa disse calmamente, porém parecia abatida e cansada, o que chamou atenção do garoto de óculos.
- Senhora Malfoy, tudo bem? – Ele perguntou sem jeito.
- Sim, Potter, obrigada. Você me parece bem também.
- É. – Disse coçando a cabeça. Logo as duas mulheres se afastaram, com Paola perguntando o que afinal ela tinha feito de errado.
- Ora Potter quanta cortesia, veio nos desejar um bom ano? – Harry tinha se esquecido de Parkinson completamente, e o quanto ela poderia ser odiosa.
- Não exatamente Parkinson. – Foi Gina quem respondeu.
- Foi como imaginei. – Blás a puxou pelo braço delicadamente.
- Por favor, sentem-se. Querem beber ou comer algo? – O rapaz estava apreensivo, não entendia aquela visita. O pouco que se lembrava de Potter e companhia eles não eram exatamente amigos.
- Obrigada, mas não. Zabine estamos aqui por causa de Hermione. - A ruiva foi direto ao assunto. Pansy fez algum barulho com a boca e jogou as costas no sofá com tédio, já o namorado apenas franziu o cenho preocupado.
- Oh. Confesso que na verdade, quando vi vocês, achei que estivessem trazendo alguma noticia de Draco. – Pam o cutucou.
- Você devia manter essa sua boca fechada Blás!
- O que houve com Malfoy? – Harry perguntou.
- Nada demais, eu acho. É que a senhora Malfoy chegou ontem a noite muito aflita, porque Draco havia sumido. Mas algumas horas depois, um elfo da mansão veio até aqui trazendo um aviso dele.
- O que? – Gina estava realmente interessada.
- Que ela não se preocupasse com ele, que estava tudo bem. Caso precisasse dele para alguma urgência que mandasse o elfo encontra-lo no Caldeirão Furado, mas apenas se fosse muito importante. Porém, Narcisa está preocupada com ele. Draco anda muito estranho desde o natal e parece que brigou ontem com a namorada.
- Você está parecendo uma mulherzinha fofoqueira Blás! – Pansy parecia extremamente irritada e Zabine desconfiou de que talvez realmente estivesse falando demais.
- Mas vocês querem falar sobre Hermione não é? – Tentou mudar de assunto sem graça, mas percebeu a troca de olhares do casal ao lado.
- Sim. Estive com Hermione ontem e ela me disse que viria aqui a tarde trazer Elizabeth para você conhecer. Acontece que ela desapareceu completamente depois disso, inclusive seus pertences e da pequena. Talvez ela tenha deixado escapar algo quando esteve aqui? Ela estava com malas? – O moreno franziu o cenho pensativo. A namorada apenas mantinha os olhos fechados, respirando profundo.
- Não.. ela não disse nada que indicasse que ia viajar ou coisa assim. Trouxe a menina, me explicou que Potter era o padrinho e.. só. Sem malas, ela carregava apenas uma pequena bolsa, dessas que as mulheres costumam usar em festas, apesar de aparentar estar desgastada. Eu reparei bem, porque ela não largava a bolsa, que tinha uma alça presa ao pulso dela. – O próximo som que se ouviu foi o da mão de Harry batendo em sua própria testa. Todos o encararam, menos Pansy, que parecia alheia.
- Mas como sou estúpido! Claro! Hermione não precisa de malas, ela tem uma bolsa encantada. Foi a que usamos durante a nossa viagem! Cabe tudo que se imaginar lá dentro.
- Bem, então provavelmente era essa bolsa aí. Acham que possa ter acontecido algo com ela?
- Claro que eles acham, não viriam aqui apenas pra ver nossas caras. Aliás, não sei o que ainda estão fazendo aqui, já que o que vocês queriam saber já foi dito! – Pansy respondeu ainda de olhos fechados jogada no sofá.
- Seja direta Parkinson, tem como ser menos insuportável? – Gina disparou perdendo sua esfarrapada paciência. A morena desta vez se sentou corretamente.
- Ora Coelha, aqui é a minha casa também, então me respeite. Melhor, vá embora!
- Chega Pansy!
- Vá para o inferno. – E se levantou como um furacão saindo da sala.
- Eu.. nossa, desculpem.. eu..
- Está tudo bem Zabine. – Gina deu um pequeno sorriso. – Mas, de qualquer forma acho que ela tem razão, pensando bem... Não é Harry?
- É.
- Draco? – Blás disse meio incerto.
- Parece provável, mas precisamos ter certeza. – A ruiva levantou.
- Mas Hermione me pareceu muito reticente em relação a ele, não entendo porque estaria com ele ou o procuraria. – Ele também se levantou, junto com Harry.
- É isso que precisamos descobrir.
O Caldeirão Furado nunca estivera tão cheio em sua opinião e isso era péssimo, afinal, Harry não era qualquer pessoa e chamava atenção demais. A distância da porta de entrada até o balcão lhe custou mais de 10 minutos, uns cinco autógrafos e mais de quinze abraços. Se não fosse pela determinação de Gina, esse número seria ainda maior, com certeza.
- Feliz ano novo senhor Potter! Quanta honra a sua presença aqui. – Tom disse sorridente, mostrando seus dentes amarelos e com os braços abertos.
- Olá Tom, feliz ano novo! – Harry respondeu ajustando melhor os óculos.
- Quer uma mesa para o almoço? A senhorita Weasley tem preferências? Nosso cardápio especial de réveillon é...
- Tom! Nós não viemos comer, obrigada. Apenas precisamos que você nos responda uma pergunta. – O homem pareceu ficar um pouco sem graça com o tom imperativo de Gina, mas continuou sorrindo.
- Oh, sim claro. Do que precisam?
- Hermione esteve ou está aqui? – O homem ficou sério encarando Harry confuso.
- Hermione? A senhorita Granger?! Não! Eu a veria, reconheceria... Mas... – Ele ficou pensativo.
- Mas o que? – Gina perguntou aflita.
- Engraçado, Malfoy achou que ela pudesse estar aqui também, mas isso foi ontem. – Harry ficou mais próximo do balcão o que assustou o homem velho.
- Por quê? O que ele disse? – Perguntou em um tom mais baixo, pois muito curiosos os encaravam.
- Eu... ela está em perigo? Ele a pegou? Merlim! Sabia que não podia confiar naquele lá! – Tom começou a ficar vermelho e falar mais alto.
- Tom! Acalme-se, Malfoy não fez nada, não há perigo, ok? – Desta vez Gina usara seu tom mais doce. – Apenas precisamos que nos conte o que houve aqui ontem.
- Oh, sim! Er.. Foi no fim de tarde. Uma moça estava procurando um quarto pra ela e sua filha e ai o Malfoy chegou. Eles brigaram e a menininha quase caiu no chão, foi um pandemônio. Mas só depois que a moça subiu pro quarto que Malfoy me perguntou se ela era a senhorita Granger. Mas não era, não! – Ele balançava cabeça com veemência.
- Tem certeza de que não era Hermione? – Harry perguntou descrente.
- Sim. Ela tinha os cabelos muito curtos, igual de homem e.. hã.. bem apenas isso. Verdade era que estava com uns óculos na cara, aqueles tipo de trouxa..
- Óculos escuros? – O menino que sobreviveu perguntou esperançoso.
- É.
- É ela Harry, só pode ser, não acho que Malfoy confundiria assim porque ele..
- Ok Gina, eu já entendi. – Um sussurrou para o outro e Tom os olhava curioso.
- Em qual quarto essa moça está?
- Oh, sinto muito, mas ela já foi. – Toda a alegria do casal se dissipou.
- Como? Quando?
- Não faz muito tempo. Ela pediu o café no quarto e uma meia hora depois partiu com a bebe adormecida.
- Ela tinha malas Tom? – Gina perguntou apenas pra ter certeza.
- Não.. er.. não que eu tenha visto. – O homem estava muito assustado.
- E tinha alguém a mais com ela? Malfoy talvez? – O velho dono do bar parecia cada vez mais confuso e demorou um pouco para responder Harry.
- Malfoy? Por que Malfoy estaria com a moça? Ou com senhorita Granger?!
- Tom, é apenas algumas coincidências, não se aflija, tudo bem? Tente se lembrar por favor. – Gina tentava manter a calma que parecia perdida para Harry.
- Bom... Malfoy.. Ele foi embora logo depois da briga. Eu achei que tinha ido, mas eu o vi ontem a noite entrando perto da hora do jantar. Estava muito cheio aqui, ele deve ter achado que não o vi, mas percebi quando subiu as escadas.
- E você não verificou o que ele estava fazendo? – Harry deu um soco no balcão que fez Tom dar um pulo para trás.
- Eu.. eu mandei Roli, a minha arrumadeira dar uma olhada e segui-lo. Mas ele sumira antes mesmo dela alcançá-lo. Eu não poderia bater em cada porta e incomodar meus hospedes. Como não houve reclamações acreditei que estava tudo bem e acabei me distraindo depois. – O velho abaixou os olhos. – Acho que me enganei não é...
- Tudo bem Tom. Não viu quando Malfoy foi embora? – Gina estava cansada desta vez.
- Não, me perdoem. Mas a moça parecia bem quando se foi e estava mesmo sozinha, disso tenho certeza. – Ele falou com os olhos pedindo perdão.
- Certo. Obrigado Tom, tente não falar muito sobre esse assunto, pode ser? – Harry sabia que isso era impossível, mas não custava tentar.
- Eu não falarei, não quero atrapalhar ainda mais.
Do lado de fora do Caldeirão Furado o casal deu de cara com uma fina neve que caia do céu. A rua do lado trouxa estava bem deserta, já que era feriado, mas tinha algumas pessoas passando de um lado para o outro.
Harry pegou a mão da noiva e mesmo que ambos estivessem com luvas, se sentiu mais aquecido pelo toque. Sua respiração fazia fumaça a frente do rosto e mostrava como ele estava preocupado. Ela era espaçada, sinal de que estava respirando fundo. Ele começou a andar para direção da Estação de Metrô mais próxima, quando sentiu um leve puxão de Gina.
- Ei, espere. – Ela passou a mão no rosto dele. – Você sabe para onde temos que ir agora, não sabe? – A ruiva tinha esse poder incrível sobre ele. O acalmava e fazia se sentir melhor.
- Acho que sim. Mas pensei que podemos demorar um pouco mais pra isso. Er.. há um metrô que vai próximo a Wiltshire, de lá a gente aparata.
- Mas.. não sabemos.. oh..
- Sim Gina, eu sei, eu estive lá. – Ela o abraçou e lhe deu um breve beijo.