Suspirei permitindo que toda a poluição da cidade entrasse em meus pulmões. Gasolina, xixi de gato, lixo e outras fragâncias que só se encontra em um beco de Londres. Você não deveria estar aqui Hermione Granger, e minha consciência encherida dá sinal de vida novamente... EU SEI QUE NÃO DEVERIA ESTAR AQUI! Sabe, não pedi para que um sujeito um tanto peculiar comessace a me seguir com uma faca na mão. Não é culpa minha, sabia? Sei que poderia muito bem meter uma azaração na cara dele, afinal é isso que uma bruxa deveria fazer, mas não posso. Ainda não completei nem treze anos e se usar magia fora de Hogwarts muito provavelmente serei expulsa, claro que se eu já tivesse dezessete o cara da faca já teria sido estuporado a muito tempo. Mas por enquanto prefiro ser atacada pelo cara da faca à ser expulsa da escola.
Reconsiderando o que eu disse a cima... meus amigos tem razão em achar que preciso rever minhas prioridades. Meus amigos... é tão bom dizer isso, sabe, eu e meus irmãos nunca fomos dos tipos sociais ou populares, mas sempre tivemos uns aos outros e isso bastava. Sim, embora eu não tenha confessado nem a Harry e Ron, tenho dois irmãos. Nathaniel de dezessete e Valentina de quinze, esses dois sabem de tudo que eu e os outros integrantes do "Trio de Ouro" já fizemos, mas Harry e Rony não tem nunhum conhescimento sobre Nate e Tina. Antes que pensem mal de mim e da minha amizade com aqueles dois afirmo que tenho meus motivos para nunca ter comentado sobre minha família. O primeiro é que Nate e Tina não são bruxos, mas também não são troxas, para ser sincera nem humanos são. Eu não sou humana, mas essa é outra história... que por enquanto será um segredinho entre você e eu. O sengundo motivo é que quanto menos Harry e Ron souberem sobre mim melhor será para eles. O terceiro é que qualquer referência que eu fizer a Nate e Tina provavelmente vai delatar a minha verdadeira natureza, que felizmente ainda é uma luz ofuscada pela escuridão.
Sempre foi fácil esconder o que realmente sou, o cabelo despenteado e as roupas largas ajuadaram muito no disfarce mas o principal é o meu comportamento. Seres da minha espécie não costumam ser estudiosos, nós nascemos sabendo (por isso sinto uma irônia particular quando me chamam de sabe-tudo), e não temos o costume de nos inturmar com bruxos, ou humanos. E bom, cedo ou tarde eu teria de admitir a alguém que não sou bruxa, seres como eu são, portadores de todos os tipos de magia (tanto que nem preciso de uma varinha). Acho que nem mesmo Dumbledore desconfia da minha natureza, portanto, estou de parabéns, já que não é fácil enganar um bruxo como Dumbledore.
- Peguei você, anjinho. Achou mesmo que poderia se esconder de mim? - a voz asquerosa ecoou pelo beco sem saída, me fazendo estremecer, colei minhas costas contra a parede húmida, tentando me colocar atrás de uma caçamba fedorenta e cheia de lixo, não tive o mínimo sucesso.
Um homem surgiu na minha frente, os olhos verdes se encontravam vermelhos, inchados e com púpilas dilatadas. A boca entreaberta mostrava uma quase inacreditavel falta de dentes, e o álito podre de alcóol bateu contra meu rosto. Mau sabia ele que eu tinha uma arma, não na manga, mas embaixo do casaco de veludo. Ás vezes é bom ter um irmão para lá de superprotetor que não te deixa andar na rua sem spray de pimenta. Em um movimento rápido mirei os olhos do homem que canbaleou para o lado, me dando passagem. O inconfuindível cheiro do spray fez minhas narinas arderem, mas sorri enquanto corria até chegar novamente em um local devidamente banhado pela luz do sol. Continuei a correr ignorando os olhares de reprovação direcionados por adultos que provavelmente não sabiam o quanto era divertido correr após sair de uma situação inconveniente em um beco escuro, na véspera do dia em que reencontaria os meus amigos bruxos, mais precisamente a família Weasley, que já devia estar se hospedando no Caldeirão Furado.
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É incrível como Londres pode se tornar aconchegante e insuportável em um domingo de manhã. Eu ainda nem tinha me levantado da cama e já me irritava com os gritos e buzinas vindos da rua, sete andares abaixo de mim. Rolei de um lado para o outro em minha cama de casal redonda, coloquei o travesseiro ao redor dos meus ouvidos mas não consegui abafar so algum. Não importava o quanto dinheiro eu tivesse, não conseguiria fazer os cidadões londrinos se tornarem um pouquinho mais silenciosos.
Levatei em salto e bufando fui até um espelho de corpo todo ver a minha situação. Bufei mais alto ainda com o meu refexo. Meus cabelos eram brilhantes, macios, vivos, perfumados e tinham um tom de castanho tanto avermelhado quanto dourado. Os cachos caiam sob meus ombros em madeixas perfeitas, se encaracolando e ondulando da maneira mais surreal e bonita que conseguiam. Meus olhos eram castanhos, até aí comuns, tudo bém, mas tinham um brilho âmbar muito forte, que me dava um ar felino mais sexy do que devia. Os cílios negros e grossos só lhes realssavam o formato grande e gateado. A pele cor de pêssego não tinha imperfeições, nem mesmo uma pinta, e permanecia assim durante o corpo todo, macia, lisa, sedosa, e perfeita. Os lábios carnudos eram exageradamente convidativos, o tom róseo juntamente com o formato muito bem desenhado praticamente diziam: "Venha e prove de um sabor inumano!" ou " Invejesse, meras humanas como você não podem ter essa perfeição.". O nariz ligeiramente impinado me dava um ar fofinho, como o de uma princesa. Meu corpo era pequeno e delicado e permaneceria assim, afinal eu tinha parado de crescer. Parecia uma bonequinha perfeita dentro daquela camisola de seda rosa, e meu corpo, já bem curvílineo, realssava pernas perfeitas, uma cintura finissíma, quadris em fase de alargamento e um busto crescente, que já necessitava de um sutiã adequado. Eu sou perfeita. Todos da minha espécie são.
Bufei alto e tive uma forte vontade de quebrar aquele espelho, rangi os dentes, serrei os pulsos e me preparei para socar o rosto refetido ali... Contagem regressiva para sete anos de azar: 5,4,3,2...
- Bom dia, maninha! O café já está na mesa.
Pelo visto vou ter de esperar um pouco mais para os sete anos de azar.