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1. Capitulo Único


Fic: Memórias de Um Passado Distante


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Quem passasse pelo parque em Little Whinging todos os dias podia ver a menina de feições astutas e cabelos lanzudos correr para lá e pra cá na quadra de areia, sem dar ouvidos aos gritos quase bravos da mãe.


Ela sabia que a Sra. Granger nunca faria nada e ria sozinha. Nunca fora de ter muitos amigos e menos ainda depois do episódio do ano anterior. Antes disso, tinha apenas uma amiga, que a abandonara assim que a viu fazer aquilo. Não sabia o que havia acontecido, os objetos simplesmente começaram a voar ao seu redor fazendo-a rir, encantada. Estava cansada de ler histórias repletas de objetos inanimados que tinham vida, cheios de magia, e esperava ansiosamente pelo dia que aconteceria com ela. O dia que encontraria o coelho e o seguiria até cair no misterioso buraco que haveria no jardim.


Mas Mary, sua amiga da pré-escola, certa de que não que não estava fazendo os objetos flutuarem, por inveja e medo, brigou com ela e contou tudo aos seus pais.


Naquele dia, os Granger tiveram uma delicada reunião de família antes do jantar. Hermione prometeu que nunca mais faria aquilo, embora nem soubesse como havia acontecido.


xxx


Com um sorriso no rosto e um brilho palpável nos olhos, Hermione encarava os livros de magia sob sua cama. Embora estes fossem os materiais que mais lhe chamassem a atenção, havia ainda penas, pergaminhos e tinteiros lacrados, fora o grande e novo malão com suas inicias: H.J.G.


Havia acabado de chegar do Beco Diagonal, o lugar onde os bruxos faziam suas compras. Auxiliada por Hagrid, o guarda-caça de Hogwarts, sua nova escola de magia eles havia ido comprar seus materiais para iniciar o novo ano letivo.


Lembrava-se claramente do dia em que sua carta chegara, por meio de uma coruja cinzenta de olhos amarelos. Fora um choque para seus pais. Eles ainda relutaram sobre deixa-la ir para essa nova escola desconhecida, mas as manifestações de magia que Hermione demonstrava desde os seis anos de idade foram o sinal constante durante os anos seguintes de que ela era mesmo especial. Por fim, concordaram com a ideia de que ela precisava aprender controlar aquele dom e não havia lugar melhor do que uma escola apropriada para isso.


Hermione tinha certeza, ir para Hogwarts iria mudar sua vida, sua história acabara de começar a ser escrita.


xxx


Quem passou por Hogwarts naquele ano pode observar que a menina de cabelos lanzudos não mais existia. Ao contrário dos primeiros anos na escola, seus cachos começavam a se definir, embora os dentes da frente continuassem desproporcionais ao rosto delicado, mas ao tempo de expressão determinada. 


E foi isso que ela mostrou ser quando, enquanto tentava salvar o hipogrifo de Hagrid e o padrinho de Harry da morte, dera um soco muito bem dado na cara do prepotente sonserino Draco Malfoy.


E teria continuado se Ron não tivesse a impedido. Por que ele merecia. Quero dizer, Malfoy. Ele não passava de um garoto mimado que não tinha coragem de sair das asinhas do papai. Sempre que a coisa ficava feia para o seu lado Malfoy colocava o pai no meio, como bem fizera naquela ocasião.


“Espere até meu pai saber disso.” Como se ele tivesse coragem de contar ao pai que levara um soco de uma garota, ainda por cima, grifinória.


xxx


Fora no quinto ano que Hermione pode parar para observar os garotos ao seu redor, apesar de ano anterior ter aceitado sair com Viktor Krum, o que causou inveja em boa parte da população feminina de Hogwarts, mas ela não ligava.


Ron parecia ter crescido ainda mas e Harry ganhara feições mais maduras, ao contrário do ruivo que, ela suspeitava, nunca perderia a expressão infantil. Talvez fosse algo haver com os genes Weasley.


Porém, quem se destacara naquele ano, inexplicavelmente, fora Draco Malfoy. O garoto magricela do primeiro ano havia crescido. Sua expressão era mais masculina e o corpo começara a desenvolver, assim como a voz ficara ainda mais arrastada, como se fosse possível. Entretanto, ainda carregava a expressão de desprezo e nojo de sempre.


Embora tivesse perdido seu tempo observando as mudanças de Draco Malfoy, Hermione tinha mais o que fazer. Umbridge tentava dominar a escola e ela e seus amigos tentavam impedir, mesmo que muito discretamente. Um grupo de estudantes de 15 anos nunca poderia competir com o poder político de um Ministério da Magia inteiro.


Draco ajudara a velha com cara de sapo a encontrá-los na sala precisa e não havia nada naquele momento que Hermione quisesse mais do que mandar um Avada bem no meio da fuça dele e acabar com aquele sorrisinho vitorioso que ele exibia.


xxx


Mas foi no ano seguinte que tudo mudou. Apesar do clima pré-guerra que se instalou durante aquele ano, todos voltaram para o sexto ano. Uns melhor do que os outros. O que mais chamara a atenção de Hermione fora o estado apático de Draco, mais magro e pálido que o normal. Harry não parava de insistir que o mesmo havia se tornado um comensal, principalmente depois do episódio que eles haviam presenciado no Beco Diagonal.


Embora soubesse que os argumentos do amigo tinham fundamento, Hermione escolheu ficar ao lado de Ron na hipótese de que Draco nunca teria coragem para virar um comensal da morte. Tudo por que uma parte dela, uma parte que ela não havia compreendido até então, estava aterrorizada com a ideia de que pudesse haver uma horrenda marca negra do braço esquerdo de Malfoy.


Fora em abril que Hermione finalmente entendeu toda sua preocupação contida com Draco Malfoy. Contida por que cada vez que se pegava pensando em Malfoy, imediatamente bloqueava seus pensamentos repreendendo-se mentalmente.


Ela o encontrara chorando em uma das salas de aula abandonadas e ele aceitara seu consolo de boa vontade. Por que naquele momento Draco era apenas um menino que precisava de colo e era isso que ela estava oferecendo, sem pedir nada em troca.


O que a espantou foi à sensação, o que sentira ao tê-lo em seus braços, soluçando como uma criança. Sentia-se impotente por vê-lo naquele estado e seu cérebro trabalhava furiosamente buscando maneira que pudesse fazê-lo sentir-se melhor. Por que não gostava de vê-lo naquele estado, por que sentia seu coração ser esmagado dentro do peito ao ouvir o choro desesperado do cara que até então considerava ser seu arqui-inimigo.


Então compreendeu. Havia se apaixonado pelo maldito sonserino que a infernizara por cinco anos na escola, que a odiava por causa de seu sangue “sujo”, que a desprezava por ser grifinória.


Draco Malfoy


O nome não saiu de cabeça nas próximas semanas. Para Draco, era como se nada tivesse acontecido naquela sala escura. Ele a ignorava e ela fingia fazer o mesmo quando, na verdade, queria implorar por um único olhar nem que fosse apenas para expressar seu ódio por ela e seu “sangue imundo”.


Apesar disso, o que ele fizera no fim do ano letivo mudara tudo. Aconteceu no mesmo dia em que Hermione e seus amigos tiveram a confirmação de que ele havia se tornado mesmo um comensal da morte.


Nada até aquele momento fazia sentido para ninguém, ela tinha certeza de que algo acontecia na torre de Astronomia e que Snape estava envolvido. Alunos e professores duelavam contra os comensais que, misteriosamente, conseguiram invadir a escola. Ninguém podia subir para a Torre de Astronomia e eles já tinham se conformado com esse fato.


Foi quando a porta se abriu e por ela passaram Snape, Bellatrix Lestrange, Draco e mais três comensais que ela não conhecia. Os feitiços, que começavam a cessar, voltaram com força total para cima deles.


Hermione sentiu-se ser puxada para um corredor vazio e prensada contra uma parede. Só pode identificar o tufo de cabelos loiros conhecidos antes de sentir a boca dele contra a sua.


O beijo foi intenso, ávido, como se suas línguas já se conhecessem, e acabou tão abruptamente como havia começado. E ele saiu correndo sem olhar para trás, deixando-a encostada a parede, ofegante e atordoada, encarando a escuridão a qual ele havia se misturado.   


xxx


Não contou a ninguém sobre o episódio ao qual nem ela mesma entendera. Conhecia os amigos que tinha. Sabia que eles a recriminariam e argumentariam que Draco só havia a beijado para distraí-la. Mesmo que fosse verdade, doía pensar nessa hipótese e, mais ainda, considerar ouvi-la em voz alta da boca de qualquer pessoa era inaceitável. Sem contar que só faria com que o ódio deles para com Malfoy aumentasse e Hermione não precisava disso no momento. 


Durante todo o tempo em que estivera viajando com Harry e Ron à procura das Horcruxes, o que mais a atormentava era aquele episódio. Embora tentasse se distrair com seus amigos, nunca tinha ânimo para qualquer coisa a não ser encontrar os objetos que procurava.


Hermione só não pensava que iria vê-lo antes do que esperava. Houve o episódio dos raptores que, infelizmente, perceberam a cicatriz de Harry escondida por seu feitiço e os levaram até a mansão Malfoy.


Todos perceberam que Draco sabia que era Harry ali, bem na frente dele, a mercê dos comensais da morte mais temidos, mas por algum motivo ele não quis dizer, não tinha certeza.


Foi com desespero que viu seus amigos serem levados para alguma masmorra ali perto, depois de Bellatrix perceber que tinha em seu poder a espada de Grifinória. Por algum motivo àquela espada devia estar no cofre dela em Gringotes.


A mulher pedia por respostas enquanto lançava maldição atrás de maldição em Hermione. Ela já estava conformada que morreria ali, a maldição agia em seu corpo, mas na cabeça era pior ainda. Tinha a sensação de que a mesma explodiria a qualquer momento.


Hermione balbuciava que não sabia de nada, mas a mulher se irritou. Aparentemente desistira de sua maldição favorita. No lugar da varinha, uma adaga. Embora as maldições doessem, nada machucou tanto quanto o que Bellatrix fez questão de marcar em sua pele para nunca se esquecer.


Sangue ruim.


A comensal desistiu de Hermione, sabendo que ela não teria forças para se levantar. Podia ouvir a voz estridente ao longe, mas não entendia uma palavra, seus olhos pregados na recente marca em seu antebraço, ainda com sangue escorrendo. O sangue tão vermelho quanto o de Bellatrix.


Com dificuldade, moveu os olhos para a figura a sua frente, escondida entre as sombras. Ele encarava a marca com horror. Enfim tinha entendido. Tarde demais. Uma lágrima solitária escapou de seus olhos ao finalmente compreender o óbvio. Malfoy e Granger não nasceram para ficar juntos. 

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