Naquela manhã, a primeira a se levantar fora Hermione. A garota desceu as escadas o mais silenciosamente possível. Não queria acordar os outros, afinal, pouco passava das seis da manhã. Surpreendeu-se ao entrar na cozinha e encontrar uma senhora de meia idade preparando o café da manhã.
- Bom dia – cumprimentou Hermione.
- Bom dia, Srta. Granger – cumprimentou a senhora.
- Hum... Desculpe, mas... Como sabe meu nome? – perguntou Hermione.
- A Srta. Delacour informou-me ontem à noite que você e o Sr. Potter viriam passar dois dias aqui. Achei que vocês iriam a casa de Godric’s Hollow de início, mas como pediram que eu viesse para cá... – explicou a senhora, sorrindo carinhosamente. – Ah, esqueci de me apresentar. Chamo-me Betty.
- Prazer. – Hermione retribuiu o sorriso. – Me chame de Hermione.
- Ok, Hermione. Gostaria de comer algo?
- Pode deixar que me sirvo. Não se preocupe com isso. – disse Hermione sentando-se a mesa. – Betty, não sei se já sabe, mas a Fleur e uma garota chamada Amy vieram conosco.
- Eu já sabia que Fleur viria. Uma pessoa extremamente adorável, ela, não é mesmo? – comentou Betty.
- É, sim. – respondeu Hermione, enquanto comia um quarto do melão que estava sobre a mesa, repleta de frutas, sucos e torradas. – Betty, você falou algo sobre uma casa em Godric’s Hollow?
- Sim. Foi lá que os Potter se esconderam quando souberam que Você-Sabe-Quem queria matar o menino Potter. Mas por que a pergunta?
- Nada, não. É que eu moro lá.
- Então é você que mora no número 7? – perguntou Betty.
- Exatamente. Como sabe? – perguntou Hermione sorrindo.
- A vejo por lá desde que era pequenininha, mas há uns dois anos não passa férias lá. Está muito mudada... Cada dia mais bonita. – Hermione corou ao comentário de Betty.
- Ah, é que eu estive passando férias com meus amigos em Londres.
- Na casa dos Black, presumo?
- Nossa, a senhora sabe mesmo de muita coisa!
Betty simplesmente sorriu e voltou a preparar o café da manhã.
- Betty, estou indo para a biblioteca, qualquer coisa... – disse Hermione, minutos depois.
- Pode deixar. – confirmou Betty.
Hermione então deixou a cozinha e desceu para a biblioteca. Sentou-se à uma pequena escrivaninha, retirou um pergaminho de seu bolso e abriu uma das gavetas, à procura de tinta. Parou de chofre ao ver um grosso pergaminho esquecido naquela gaveta. Pegou o pergaminho e o abriu, então começou a ler...
Uma nova vida se inicia daqui a poucos meses. Iremos para Godric’s Hollow assim que o Harry nascer. Lá, poderemos ter a paz que não teríamos morando aqui em Londres. É uma casa menor, porém nos dá todo o conforto que temos aqui. Sentirei falta da minha antiga vida, no entanto, deixar nosso filho seguro, é o que mais importa no momento. Sei que um dia todo esse sofrimento acabará e o mundo poderá viver em paz novamente, mas enquanto isto não acontece, tudo vai ser sacrifício. Espero um dia poder voltar para Londres, viver bem com a minha família, ver meu filho crescer saudável e ser feliz. Gostaria também de poder rever Jane... Ah, como sinto sua falta! Mas infelizmente nem tudo é como nós queremos, não é?
Dumbledore tem sido como um pai para mim, principalmente depois que o meu verdadeiro se foi. Ele quem nos arrumou a casa no vilarejo, ele quem se comprometeu a nos ajudar e nos esconder, ele quem sabe como nos deixar seguros. E a partir de agora, um amigo tem de ser feito fiel às nossas vidas, para que a proteção seja selada. Não era bem este destino que havia escolhido para mim, mas vou encará-lo, vou ser forte e superar tudo isto. E se eu não conseguir, sei que voltarei.
Deixo esta casa com um aperto no coração, pois foram anos para chegar até aqui, anos para que esta felicidade se fizesse real, para que ficássemos juntos. Não é justo tudo acabar assim. Hoje carrego em meu ventre um garoto em seus seis meses de vida, um garoto que nem nasceu e que já tem um destino traçado, carregando o mundo inteiro nas costas.
É realmente muito duro para mim estar escrevendo tudo isto, mas tudo não passa da mais pura realidade. Fico na esperança de um dia ler este pergaminho e descobrir que tudo passou, que tudo foi apenas um pesadelo...
Lílian Potter
Quando Hermione terminou de ler, uma lágrima silenciosa rolou pelo seu rosto. As palavras daquela carta perfuravam a alma. Eram tantos sonhos que não seriam realizados... Era revoltante ver que uma mulher jovem, bonita e cheia de vida tinha deixado o mundo quando a vida mal começara, deixando para trás um amor e um filho, uma vida inteira. Ela jamais voltaria àquela casa, jamais veria Jane novamente, jamais veria seu filho crescer... Jamais leria aquela carta.
No rosto de Hermione, se crispou um meio sorriso. É, talvez Lílian não tivesse aqueles sonhos realizados, mas por uma graça do destino, ela realizara casa um deles. A garota dobrou a carta novamente e a colocou num canto da mesa. Limpou a lágrima solitária que jazia descendo com lentidão pelo seu rosto e endireitou-se na cadeira. Permaneceram em seu rosto, as tristes marcas de um sorriso. Tomou novamente o seu pergaminho e abriu-o, correndo rapidamente os olhos pelas linhas, à procura do ponto onde parara na última vez.
Diminuiu o curso da leitura ao perceber que o texto havia sido reescrito com todos os fatos em ordem e de forma completa; até mesmo fatos que ela nunca soubera se encontravam ali, agora. Não sabia quem o havia feito, mas achava tudo muito estranho, afinal, era a sua letra que fazia parte de toda aquela composição; do início ao fim. Mas aquilo não importava agora. Aguçando sua atenção apenas na leitura, deixou-se levar. Agora tinha tudo o que precisava saber, tudo se explicava.
- Tudo se encaixa, agora. – murmurou baixinho.
Hermione guardou o pergaminho no bolso interno de suas vestes. Não correria o risco de alguém saber o que andara fazendo, tudo o que descobrira. No momento certo, iria poder ajudar cada um, senão todos, seus amigos e até mesmo inimigos. Levantou-se e passou a andar por entre as estantes repletas de livros, a grande maioria sobre Defesa Contra as Artes das Trevas, Feitiços, Herbologia, Poções e Transfiguração. Encontrou uma pequena sessão onde encontraria os melhores livros de Aritmancia e Runas Antigas. Aqui ou ali, podiam-se distinguir grossos livros de História da Magia dos outros. Aproximou-se. Uma pequena caixa de madeira que se encontrava em cima de uma pequena estante chamou sua atenção. Abriu a caixa com todo o cuidado possível. O conteúdo era pouco, mas que significaria muita coisa. Duas grossas pilhas de fotos, um pequeno caderno e uma esfera de cristal... O que uma esfera de cristal estaria fazendo ali?
Cuidadosamente, Hermione retirou a caixa do lugar. Entrou no pequeno gabinete ao fundo da biblioteca, onde havia uma poltrona, uma mesa com duas cadeiras acolchoadas devidamente postadas uma de frente para a outra. Uma baixa bancada rodeava todo o local, com vários porta-retratos e enfeites de vidros postados. Na parede de cor gelo que ficava detrás da cadeira maior, um quadro trouxa onde havia sido pintado o casal e uma das paredes era completamente tomada por um espelho.
Hermione sentou-se à poltrona, que ficava numa posição diagonal entre a parede do espelho e a da janela. Pegou o caderno de dentro da caixa e folheando-o. Parou à uma página ao ler sobre uma profecia que envolvia Harry Potter. O outro alguém estava identificado com uma interrogação. Ela então leu os dizeres da profecia.
“Aquela com o poder de desvendar os mistérios do passado se aproxima. Ao crepúsculo, ao auge do nono mês ela virá ao mundo. Aguardará o final do sétimo mês do ano seguinte, à espera daquele com quem terá de unir forças e compartilhar oito anos de sua vida. Ao final da sua missão, poderá então se separar e se perder como fumaça. Os destinos se separarão e poderão seguir caminhos diferentes. Ela é a única capaz de se fazer presente em sua vida, na vida daquele com o poder de vencer os maiores obstáculos da vida, ela é a única capaz... Que o destino volte a junta-los quando a profecia estiver cumprida, junta-los para todo o sempre...”
Após ler aqueles dizeres, tudo o que pôde fazer foi fechar o caderno, recolocá-lo na caixa e fechá-la.
- Como...? – e desmaiou.
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Harry demorou a descer aquela manhã. Embora acordado desde cedo, ficou no quarto procurando coisas de seu passado. Não havia muita coisa para ser vista ali. Provavelmente, todos os pertences que foram seus e de seus pais estavam no primeiro andar da casa ou tinham sido retirados dali. Desceu as escadas, observando atentamente o caminho, notando nos quadros e porta-retratos. Virou o corredor indo diretamente para a cozinha, onde encontravam-se Amy e uma senhora que ele não conhecia.
- Bom dia – cumprimentou, enquanto sentava-se à mesa em frente a Amy.
- Bom dia, Sr. Potter – cumprimentou Betty.
- Bom dia, Harry – murmurou Amy.
- Sr. Potter, chamo-me Betty. Sou a serviçal dos Potter. – apresentou-se Betty.
- Betty, só vou te pedir uma coisa: me chame apenas de Harry e dirija-se a mim por você – pediu Harry como se suplicasse algo.
- Bem, pelo visto nenhum de vocês gosta de ser tratado formalmente, não? – perguntou Betty sorrindo.
Harry apenas acenou positivamente com a cabeça e virou-se para encarar Amy.
- Onde estão Fleur e Hermione? – perguntou.
Amy tirou a atenção do mamão que comia e olhou diretamente para o garoto, balançando a cabeça negativamente.
- Não as vi hoje – respondeu.
- A Srta. Delacour saiu hoje cedo com o noivo dela e Dumbledore. Eles foram a Godric’s Hollow e voltam depois do almoço para levá-los até lá – respondeu Betty prontamente. – E Hermione esteve antes mesmo das sete da manhã aqui na cozinha, tomou café e disse que iria para a biblioteca.
- Eu devia saber... – comentou Harry, com um meio sorriso nos lábios. – Ah, Betty... Godric’s Hollow?
- Sim, Harry. A casa em que você viveu nos primeiros meses de sua vida. Creio que tenha estranhado não ter encontrado nenhum pertence seu aqui, não?
- Realmente, mas então esta...?
- Esta é a casa em que seus pais viveram, Harry. Eles moraram aqui antes de você nascer e se mudaram para uma casa menor em Godric’s Hollow para protegê-lo – explicou a senhora. – Ah, Amy, querida, seu chocolate...
Então estava explicado o fato de ele ter encontrado a casa quase que vazia. Poucos eram os móveis que se encontravam nos quartos. Apenas as salas, cozinhas e banheiros estavam completamente mobiliados. Ele realmente havia estranhado que não houvessem fotos e pertences seus ali. Parou ao lembrar-se que agora tinha três casas. Resolveu que por direitos de Amy, lhe deixaria a casa de Sirius e ficaria com as outras duas.
- Com licença – disse Amy, retirando-se da cozinha.
- Amy? – chamou Harry, ao que a garota parou à porta do aposentou, virando-se para encara-lo.
- Sim?
- Depois eu gostaria de falar com você. Tudo bem?
- Claro, sem problemas – ela sorriu e deixou o aposento.
Harry já estava terminando a sua refeição quando escutou um grito abafado vindo do andar de baixo. Betty o olhou alarmada.
Harry então se levantou e correu pelas escadas em direção a biblioteca. Como Hermione lhe dissera, a biblioteca da casa era realmente fascinante. Gigantesca, diria. Andou rapidamente pelas prateleiras procurando algum sinal de onde pudesse ter vindo o grito, mas nada. Ao chegar ao fundo do grande aposento, ainda sem qualquer vestígio, viu uma porta ao canto, que dava para outra sala.
Entrou e olhou à volta. Amy estava parada próxima a uma grande poltrona, os olhos arregalados e uma expressão preocupada no rosto. Ela, ainda sem notar a presença de Harry, abaixou-se e debruçou-se sobre algo, que o garoto não pode ver.
- O que aconteceu? O que houve aqui? Hermione, acorda! Hermione... – ela murmurava incessantemente.
- O que aconteceu com a Hermione? – perguntou Harry, correndo para Amy e parando de chofre ao notar a amiga largada sobre a poltrona com uma expressão vazia, seu corpo inerte e pálido. Seu coração apertou. Pensou que estivesse morta a princípio, mas sua resposta veio logo em seguida.
- Ela está desmaiada. Não sei o que aconteceu a ela, mas com certeza houve algo de errado por aqui. Quando cheguei, ela já estava jogada aqui e com esta expressão vazia. Imagino que tenha sido algum feitiço poderoso ou alguma reação a profecias – comentou Amy.
- Você é boa – murmurou Harry, abismado com a explicação da garota.
- Obrigada. Fui convidada pelo Ministério da Magia para trabalhar no Departamento de Solução de Feitiços – ela contou. – Mas, Harry, isto não importa no momento. Temos que descobrir o que aconteceu com a Hermione.
- Tem uma caixa ao lado dela. Acha que tenha algo a ver com o que aconteceu?
- Não sei. Temos de descobrir o conteúdo...
Harry pegou a caixa e a abriu. Retirou a esfera de vidro e mostrou-a a Amy.
- Isto explica algo? – perguntou.
- Então é isso, Harry! Esta profecia deve falar sobre ela ou ela não teria desmaiado. Com certeza algo de importante esta profecia fala sobre a Hermione. Coloque a esfera em uma das mãos dela! – pediu Amy. – Vamos ver se isso resolve.
Harry obedeceu a garota e colocou a esfera numa das mãos de Hermione. Imediatamente, a garota acordou. Parecia bastante atordoada. Olhou a sua volta.
- Harry... – murmurou.
- O que aconteceu, Mione?
- Harry... A profecia... Uma profecia... F-fala de vo-você... – Hermione murmurava com um pouco de dificuldade. Estava fraca.
- Harry, depois vocês conversam. Ela está fraca e precisa de água. Veja se Betty consegue alguma poção que ajude a Hermione a se fortalecer rapidamente – disse Amy com urgência. – Rápido!
Harry saiu correndo da biblioteca. Amy se levantou e foi até uma minúscula geladeira que se encontrava no gabinete e pegou água.
- Tome e beba. – entregou o copo com água a Hermione.
- Obrigada. Amy... Uma profecia... Ela fala do Harry... Ele precisa saber...
- Hermione, tenha calma. Diga-me: tem certeza de que a profecia fala do Harry?
- Claro que tenho! Eu li...
- Você leu?
- Sim. E depois desmaiei – respondeu Hermione, começando a ficar nervosa.
- Você sabe o que isso significa?
- Amy, desembucha de uma vez. Não me enrola senão eu fico ainda mais nervosa! – pediu Hermione.
- Tudo bem. Hermione, não sei se sabe, mas ninguém pode tocar a esfera da profecia a não ser a ou as pessoas de quem ela fala. Então eu lhe pergunto: você conseguiu tocá-la sem que houvesse qualquer reação?
- Não, eu não toquei a esfera. Apenas li o que a profecia falava em um caderno – contou Hermione.
- Onde está este caderno?
- Está dentro daquela caixa. Por quê?
- Espere um minuto – Amy pegou o caderno de dentro da caixa. – Coloque exatamente na página em que você encontrou os dizeres da profecia – pediu.
Hermione tomou o caderno e passou a folheá-lo rapidamente, à procura da página onde se encontrava a profecia.
- Aqui! – ela endireitou o caderno. – Aquela com o poder de desvendar os mistérios do passado se aproxima. Ao crepúsculo, ao auge do nono mês ela virá ao mundo. Aguardará o final do sétimo mês do ano seguinte, à espera daquele com quem terá de unir forças e compartilhar oito anos de sua vida. Ao final da sua missão, poderá então se separar e se perder como fumaça. Os destinos se separarão e poderão seguir caminhos diferentes. Ela é a única capaz de se fazer presente em sua vida, na vida daquele com o poder de vencer os maiores obstáculos da vida, ela é a única capaz... Que o destino volte a junta-los quando a profecia estiver cumprida, junta-los para todo o sempre...
- Hermione, quando você nasceu?
- Mais ou menos às oito e quarenta e cinco da noite do dia dezenove de setembro de 1979.
- Hum... E você disse que a profecia falava do Harry, não? – Hermione acenou positivamente com a cabeça. – E você sabe quando ele nasceu?
- Sim. No dia trinta e um de julho de 1980 – respondeu Hermione prontamente. – Mas por que tantas perguntas?
- Calma, ainda vou chegar lá – disse Amy. – Vocês são amigos há quanto tempo?
- Seis anos.
- Hum... Hermione, você faz idéia de quem poderia ser a outra pessoa de quem a profecia fala?
- Não, não faço idéia!
- E se eu dissesse que esta pessoa é você, você acreditaria?
- Impossível, Amy! Não posso ser eu...
- Hermione, você está falando com uma especialista em profecias e feitiços. Vamos começar da parte em que você desmaiou ao ler a profecia sem que esta tivesse sido ditada... Quando isto acontece, a tendência é a pessoa de quem a profecia fala desmaiar e foi o que aconteceu com você, estou certa? – Hermione concordou. – Depois a profecia diz que a garota nasceu no crepúsculo em um dia do auge do nono mês... Você nasceu numa noite do meado de setembro. E para completar, teve de esperar até o final de julho do ano seguinte para que Harry nascesse, o que levaria nove meses para acontecer – concluiu Amy. – Hermione, vocês dois estão juntos em Hogwarts há seis anos...
- E qual a tradução final desta profecia? – perguntou Hermione, aflita com a resposta da garota.
- Daqui a dois anos, ou até menos, o destino de cada um de vocês tomará um rumo. Os dois se separarão e você o deixará quando os perigos que o perseguem terminarem. Você é a única que pode garantir a sua sobrevivência. E depois que se separarem, quando se reencontrarem, desta vez será para sempre...
- Mas...
- Amy! – chamou uma voz ao longe, interrompendo a conversa das duas.
- Acho melhor conversarmos depois, Hermione – disse Amy seriamente.
- Tudo bem – concordou Hermione.
- Vamos!
As duas guardaram tudo rapidamente, saíram da biblioteca e subiram as escadas quase correndo. Ao virarem o corredor que dava para a sala, se bateram com um Harry desesperado que descia as escadas do andar de cima com Betty ao seu encalço.
- Hermione, você está bem?
- Sim, Harry – respondeu a garota.
- Desculpe não ter levado a poção, mas é que eu e a Betty estávamos procurando e...
- Esquece! Já estou melhor – acalmou Hermione.
Amy puxou Hermione pelo braço e correu até a sala. Harry vinha logo atrás, também correndo. As duas garotas pararam de chofre ao verem as pessoas que se encontravam ali. Harry, que vinha desembalado, derrapou para não derrubar as duas.
- O que aconteceu? Por que pararam?
- Shhh... – fez Hermione.
- Amy, vem aqui, filha. – chamou a voz de Alissa.
Lentamente, Amy foi andando até a mãe, o que ampliou o campo de visão de Harry para a sala.
- O que eles estão fazendo aqui? – perguntou Harry, ao notar a presença de Alissa Vector, Gui e Fleur ali.
- Shhh... Eu quero escutar! – bradou Hermione em um sussurro.
- Amy, querida, lembra-se de quando me perguntava quem era o seu pai, por que não podia conhecê-lo e por que ele nunca lhe procurara? – perguntou Alissa.
- Sim, mamãe. Mas por que tudo isso agora?
- Filha, eu e seu pai estávamos noivos quando eu comecei a trabalhar em Hogwarts. Infelizmente, com alguns problemas, tudo acabou. O que não sabíamos é que eu saí com algo mais desta relação – Alissa fez uma pausa. – Eu já estava grávida de você, querida. Mas não podia contar a ele ainda. Não até tudo passar. Acontece que ele foi preso injustamente por um crime que ele não cometeu e hoje, depois que se foi, já é considerado inocente.
- Meu pai, então, está... Morto? – perguntou Amy com os olhos marejados. – Mãe, quem era ele?
- Sirius Black – respondeu a mãe. – E sim, ele está...
- Não, exatamente – uma voz nova invadiu o aposento.
- Dumbledore? – perguntaram Harry e Alissa em uníssono.
- Sirius Black é apenas considerado morto, mas ninguém sabe o que aconteceu exatamente. Comecemos pelo fato de a luz que o atingiu em junho deste mesmo ano não ter cor e o único feitiço capaz de matar instantaneamente é o Avada Kedavra, que possui um lampejo verde. E, além disso, ainda temos o fato de que ninguém, exceto os Inomináveis, saiba o que há por detrás daquele véu. – concluiu Dumbledore. – Então, podemos considerar que ele ainda esteja vivo e...
- De volta! – completou outra voz, uma voz que não se ouvia há muito.
- Sirius! – exclamou Harry, correndo para o padrinho e o abraçando.
Os olhos de Hermione se encheram de lágrimas naquele momento.
- Harry, meu afilhado querido. Quanto tempo! Devo dizer que cresceu bastante... – disse Sirius o segurando pelos ombros e o olhando diretamente nos olhos.
Sirius estava mais magro, mas com a barba e cabelos bem aparados e muito bem vestido.
- Sirius... – murmurou uma voz.
- Alissa! – Sirius foi até a mulher e a abraçou.
- Ah, Sirius... Tanta coisa que você precisa saber... – dizia Alissa ainda em meio ao abraço. Separaram-se e ela o olhou. – Sirius, sabe, quando nos separamos... bem...
Alissa olhou para Amy e da filha para Sirius novamente.
- O que houve, Alissa?
- Acho que devemos deixá-los a sós – disse Dumbledore. – Vamos, Harry. Depois você terá tempo suficiente para ficar com Sirius.
E assim, todos saíram, deixando apenas Sirius, Alissa e Amy ali.
- Sirius, esta é a Amy. Quando nos separamos, há dezessete anos atrás, eu estava... – Alissa fechou os olhos e mordeu o lábio inferior. – Eu estava esperando um filho seu, ou melhor, uma filha. Não pude te contar...
- Amy?
- Sim, ela.
A atenção de Sirius recaiu sobre a garota, que o olhava com os olhos azuis acinzentados cheios de lágrimas. Com aquele contato visual, uma lágrima solitária lhe escapou. Sirius a abraçou.
- Minha filha! – murmurou com a voz embargada.
Amy soltou-se do abraço do pai e segurou uma de suas mãos e a levou ao encontro da mão de sua mãe.
- Eu só queria que pudéssemos ficar todos juntos, como agora – ela disse enquanto as mãos dos três estavam em contato. Com a mão que estava livre, Sirius acariciou o rosto da filha e olhou Alissa com um olhar cúmplice.
- Amy, nós ficaremos juntos. Agora você tem uma casa só sua... Amanhã mesmo vou ao Ministério da Magia para retirar o status que me colocaram... De acordo com Dumbledore já fui inocentado durante estes meses fora. Também vou retomar o meu emprego no Ministério da Magia e poderemos viver como qualquer outra família – Sirius abraçou as duas mulheres. – Alissa, vamos retomar tudo desde o momento onde paramos.
No dedo anelar direito da mulher, materializou-se um anel. Amy sorriu. Minutos depois, dirigiram-se para a cozinha, onde todos já estavam sentados à mesa, esperando o almoço e conversando. Hermione, aparentemente, era a única que não falava nada. Estava quieta, absorta em seus pensamentos. Amy foi até o lugar onde ela estava e sentou-se ao seu lado. Sirius e Alissa sentaram-se próximos a Dumbledore.
- O que houve, Hermione? – perguntou Amy.
- Nada, não. Estava só pensando em tudo o que me disse mais cedo – respondeu Hermione.
- Depois conversamos sobre isto. É bom que ninguém saiba por enquanto.
- Tudo bem. – Hermione concordou. – Parece que sairemos ao pôr do sol. Iremos para Godric’s Hollow.
- É, eu sei. O que você acha?
- Para mim vai ser ótimo. Se eu der sorte ainda vejo os meus pais...
- Como assim?
- Eu moro em Godric’s Hollow. – explicou Hermione.
- Garotas, o que vão comer? – perguntou Betty.
Hermione e Amy sorriram. Esqueceram completamente que estavam aguardando o almoço.
- Pode deixar que nos servimos, Betty. – disse Amy.
- Tudo bem. – Betty sorriu para as duas, que se entreolharam e riram gostosamente.
Após um almoço animado e cheio de conversas realmente esclarecedoras, Hermione e Amy ficaram muito amigas. Para Hermione sempre fora difícil ter amigos que não fossem Harry e Rony, mas isso estava mudando. Estava conseguindo se desprender dos dois garotos, ficar mais à vontade. E por incrível que pareça, ela tinha apenas amigas mais velhas ou mais novas. Se contasse com Gina e Luna, mais novas; Bebel e Amy, mais velhas. Tinha também aqueles amigos do ano, que eram apenas dez, contando com ela, Harry e Rony, mas ela nunca fora muito amiga das garotas, as quais, achava bastante fúteis.
- Amy, eu vou até a biblioteca e depois te encontro para nos arrumarmos, ok? – disse Hermione.
- Ok. Então façamos o seguinte: quando você subir, passe no meu quarto e nós vamos para o andar de cima. Acho melhor arrumarmos tudo lá, afinal, estou dividindo o quarto com a Fleur – sugeriu Amy. – Ah, e não se demore na biblioteca, viu, mocinha?
Hermione riu.
- Viu, ‘mamãe’.
E as duas se separaram ali. Hermione desceu as escadas e Amy seguiu para o fim do corredor, sumindo na última porta à direita. Ao chegar à biblioteca, Hermione voltou ao gabinete e se pôs sentada novamente na poltrona. Levantou-se e olhou atentamente para sua imagem no espelho. Fechou os olhos e mais uma vez aquele clarão já conhecido tomou conta da sua mente.
Abriu os olhos. Ali, parada exatamente no lugar em que estivera segundos atrás, estava Lílian Potter. Ela se olhava no espelho e acariciava a barriga, já com uma certa saliência, parecendo um tanto preocupada. Sorriu ao ver um homem adentrando o aposento e vindo em sua direção. A abraçou por trás, acariciando a barriga da mulher e a beijando no pescoço.
- Como está, minha linda? – perguntou ele, depois dando um selinho na esposa.
- Preocupada, mas estamos bem. – respondeu Lílian.
- O que te preocupa? – perguntou James sentando-se na poltrona, colocando a esposa à sua frente enquanto segurava firmemente em suas mãos e a olhava atentamente nos olhos.
- Uma profecia. – limitou-se Lílian a responder.
- Ora, Lily. Não é motivo para se preocupar! Dumbledore já resolveu isso e... – mas Lílian o interrompeu.
- Não, James. Não é desta profecia que falo. Há uma outra profecia, que envolve o nosso filho, mas fala de uma garota, já nascida desde setembro. – explicou Lílian. James a olhou confuso. – Eu andei mexendo em uns arquivos antigos lá no Departamento de Mistérios hoje pela manhã e descobri essa profecia. Os dizeres dela estavam arquivados em uma pasta muito antiga, o que indica que ela já estava prevista há muito. A garota hoje completa seis meses de vida e esperará pelo nosso filho para que possam se unir e juntos...
- Como pode ter tanta certeza de que a profecia fala do Harry?
- Eu consegui retirar a profecia do Departamento de Mistérios. Não poderia tocá-la se a profecia não falasse de mim ou do Harry. Tenho certeza de que não fala de mim porque eu convivi mais que oito anos com você, James. – concluiu Lílian.
- Do que está falando?
- Estou falando da profecia. – respondeu Lílian, soltando-se das mãos de James e voltando-se para encarar o espelho, já irritada.
- Meu amor, não tem por que se preocupar com isso agora. Como você mesma disse, a profecia envolve o Harry, mas é da garota que ela realmente fala. Esquece isto! Não pode se irritar ou se preocupar, sabe disso...
- Tudo bem. – Lílian beijou o marido e entrelaçou suas mãos, ainda olhando atentamente para o espelho.
Hermione abriu os olhos, levemente assustada.
“Então é verdade...”, pensou.
Rapidamente, deixou o gabinete e voltou para o seu quarto, onde poderia pensar um pouco mais sobre tudo o que descobrira.
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