Hermione saiu do quarto que dividia com Gina ansiosa. Queria descer logo e ir até a biblioteca que descobrira no primeiro andar da casa, durante a faxina que Molly Wesley lhes impunha há dias.
Lembrava-se bem que quase tivera um enfarto prematuro ao ver todos aqueles exemplares raros da literatura bruxa. A Sra.Black poderia ter sido uma víbora em vida, mas sem dúvidas tinha um gosto literário fascinante.
Mal dormira esperando o momento de enfurnar-se lá dentro, sozinha e poder ter algumas horas ali dentro, antes que as outras pessoas acordassem. Quase podia ver o olhar incrédulo de Ron, e sua voz provocadora dizendo :” Você não muda mesmo, heim, Hermione? Rata de biblioteca!”
Ela maneou a cabeça ao pensar isso. Finalmente chegou a porta e entrou. Como ainda não podia usar magia fora da escola, pegou o lampião ao lado da porta e ascendeu. Havia inúmeros livros na velha estante e muitos mais jogados pelo chão e empilhados nos cantos. Havia marcas no chão de poltronas e até uma mesa de centro, mas que provavelmente Mundungos havia roubado e vendido.
Ela sentou-se no chão, colocou o lampião a seu lado e a apanhou um dos livros de uma pilha. Seu sorriso era tão grande que dava gosto. “As poções do século 12, por Emélie Brandy.Edição 2012”.
Os títulos iam passando sobre seus olhos e ela não conseguia conter o bater descontrolado de seu coração:
“A origem dos Ipogrifos”
“As pedras de chumbo e seus encantos de amor”
“As plantas curativas, por Antonio Sanches, ministro da magia, ano 1452”
“As varinhas mortais, por Adalberto e Clin”
-Oh. – ela gemeu ao pegar um exemplar de couro vermelho. – “A rebelião dos elfos, ano 1612.”
O analisava com tanta adoração que esqueceu-se da pilha de livros a seu lado e esbarrou neles. O som foi mais alto do que ela desejava. Começou a junta-los quando a porta se abriu com um som forte.
-Quem está aí? Saia agora!
Ela olhou apavorada, para a figura no escuro. Era um homem e apontava a varinha em sua direção. E ela soube que ele usaria, se ela não fosse rápida.
-Sou eu, Sirius, Hermione. – disse com voz um pouco assustada.
-Nox! – Ele gritou, iluminando toda a sala.
Ela respirou aliviada, por ele não ter usado a varinha e só depois ter conferido se era ela mesma.
Sirius olhou para a menina desajeitadamente de pé, o fitando um pouco assustada, no meio daquela pilha de livros velhos, segurando um exemplar como se sua vida dependesse disso. Acabou sorrindo.
-Parece que eu te assustei – ele disse.
-Não...claro que não – ela disse rápida, e envergonhada – Ah...eu...eu não deveria estar aqui embaixo a essa hora e...
-É, não deveria estar andando pela mansão sozinha e de madrugada – ele disse com seu olhar esperto – Mas acho que a tentação foi grande demais, não é Hermione? – apontou os livros.
Ela sorriu, aliviada.
-Sinto muito, eu deveria ter pedido para vê-los...Mas fiquei com medo das piadas...
-Eu imagino. Seus amigos não a deixariam em paz – ele se aproximou e pegou um dos livros do chão – Minha mãe adorava ler. Tinha uma certa obsessão pelo conhecimento.
Ela avermelhou e ele sorriu ainda mais.
-Não é vergonha gostar de aprender. – ele corrigiu-se – É uma qualidade. – jogou o livro longe – Você pode ficar a vontade e usa-los quando quiser. Estou mesmo pensando e doa-los para madame Prince...
-É mesmo? – seus olhos brilharam – Seria adorável!
Sirius ficou quieto uns instantes e foi o bastante para Hermione ficar sem jeito com seu olhar. Intenso. Profundo.
-Você cresceu, Hermione, desde a vez que nos conhecemos. –ele disse de repente e ela corou.
-O tempo passa...- disse desconfortável.
-Sim, ele passa. – se aproximou dela e ela quis se afastar, mas resolveu esperar – Ainda me lembro de Lily andando pelo castelo com seus livros, seu olhar arrogante e seus adoráveis olhos verdes, esnobando de todos que a admiravam. – ele disse pesaroso.
-Você fala de,,,Lílian? Mãe do Harry? – perguntou desconcertada.
-Sim. Mãe do Harry. Mulher do meu melhor amigo. – ele disse com um sorriso sedutor nos lábios, deixando-a confusa – sim, é o que está pensando. Eu amei Lily, tanto quanto Tiago. Ou mais, se levar em conta que eu mantive-me vivo, suportando o a dor da sua morte. Em Askaban. Eu a vi ainda menina, eu a vi se tornar mulher, esposa, mãe. Foi a mim que Tiago confidenciou tudo sobre eles dois sem nunca suspeitar do meu sentimento.
-Ela sabia? – sussurrou.
-Sim. Ela sabia. Lílian era uma mulher muito especial, Hermione. Ela sabia do que eu sentia, e entendia que isso não mudava a forma de amar Tiago. Eu nunca tentei nada com ela, se é o que esta pensando. Nem nunca conversamos sobre isso. Ela apenas era observadora.
Hermione não soube o que lhe dizer. Sentia-se desconfortável com ele ali olhando-a daquela forma. Por outro lado recriminou-se. Ele era Sirius Black, um homem sofrido e bom, a quem Harry amava como um pai.
-Deve estar pensando onde eu quero chegar com isso, não é? É uma mulher muito inteligente, Hermione.
Ela franziu as sobrancelhas confusa. Nunca antes nenhum membro da Ordem se referira a ela, ou aos outros adolescentes, como ‘mulher’ ou ‘homem’. Mas sempre como ‘meninos e meninas’.
-Desculpe, Sirius, mas eu não deveria ter decido tão cedo. É melhor subir e...
-Não precisa fugir de mim, Hermione. – ele disse se afastando um passo – Não quero envergonha-la. – ele sorriu daquela forma aberta e sem vergonha, de homem descolado – Eu não vou ataca-la!
-eu não pensei isso! – ela apressou –se a dizer, e acabou sorrindo junto com ele – Tudo bem, eu acho que pensei sim...
-E tem razão. Eu gostaria.
Ela abriu os lábios chocada e sentiu-se absurdamente corada.
-Depois de Lily eu conheci muitas mulheres. Em Hogwarts, no trabalho como auror, e mesmo em Askaban. Mas nenhuma nunca me despertou a vontade de lançar um segundo olhar –ele sorriu – Você tem o mesmo jeito de lily. A mesma capacidade de me fazer parar e olhar. Não são iguais, mas me despertaram o mesmo sentimento.
Hermione perdeu a voz. Olhou para baixo e só conseguia pensar “Merlim, esse é sirius, o padrinho de Harry. A ultima ligação dele com o que seria uma família. Não posso magoa-lo. Ele pode se afastar do Harry por minha causa!”
Ela não notou que ele se aproximou. Mas quando ergueu o olhar ele estava quase tocando-a.
-Deve pensar que somos muito diferentes. Que é tão jovem e eu já sou vivido. Temos mais de vinte anos nos separado, não é? – ele sorriu meio triste.
-Não – ela disse de repente fazendo-o olha-la sem entender – é alguém muito interessante, Sirius, e não o vejo pela idade ou qualquer outro absurdo que possa pensar! De jeito nenhum!
-Eu sabia que não era como as outras pessoas, Hermione... – ele ergueu a mão e tocou seu rosto.
Ela tremeu. O que faria? O que faria? O que faria?
Ticou sua mão e o afastou.
-Eu apenas não posso. Sinto muito – disse com voz triste.
-Porque?
Havia tanta expectativa nos olhos dele, que ela mentiu. Mentiu descarada mente.
-Eu tenho um namorado. – as palavras saíram antes que ela pudesse conte-las
-Um namorado? – ele perguntou divertido, como se soubesse que era mentira – quem é?
Ele a estava desafiando.
-Rony. – disse pensando o mais rápido do que nunca em sua vida – Só não é melhor momento para contar a todo mundo...você deve entender que Harry já tem muita coisa a que pensar que não seja seus melhores amigos namorando...
Sirius se afastou e ela soube que ele acreditava.
-Bem, parece que tenho o dom de sempre chegar tarde demais – apesar da frustração ele sorriu.
-sirius, você é uma pessoa incrível, e não digo isso pelo Harry, mas porque é verdade. Eu gostaria muito de corresponde-lo. De verdade.
-eu sei – ele ergueu a mão e segurou a sua, levando-a até os lábios, o Sirius sedutor dando lugar ao amigo - Não se preocupe, Hermione, eu ficarei bem. Espero que sejam muito felizes juntos.
-Obrigada...
Quando ele saiu da sala ela voltou a respirar.
-Merlim, o que foi isso? – ela sussurrou ,sentando-se no chão, com pesar.
Ainda se lembrava de uma vez, há dois anos, quando Vitor se declarara. Ela sentira extremamente mal em não corresponde-lo, porém não tivera medo de dizer-lhe.
Estava perdida em pensamentos e não viu as horas passarem, mas se assustou quando a porta abriu-se novamente.
-Ah, ai está você, Hermione. Eu disse para mamãe, que só poderia estar aqui. – disse a voz debochada de Ron, entrando e fechando a porta – Eu sabia que não resistiria a vir aqui, mesmo depois de ter jurado que não queria. – ele provocou.
Ela olhou para ele não retrucou.
-Hermione, o que foi? Está chorando? – ele sentou-se a seu lado no chão e ela deitou a cabeça no ombro dele.
-Não. Estou triste, mas não chorando...
-O que aconteceu? – ele estava todo tenso e sem jeito, ela notou, e quase sorriu.
-Sirius esteve aqui antes e...
-O que? – ele estranhou sua hesitação.
-Ele disse...ele disse que...
-Fala, Mione! – ele reclamou, fazendo-a corar absurdamente.
-Ele disse que gosta de mim! – vendo que ele não entendeu ela disse brava – como mulher, Ronald! Ele ia me beijar!
Ela notou exatamente o momento que ele assimilou o que ouviu e corou, ficando com aquela mesma expressão que ele exibira durante todo o baile de inverno quando ela estivera dançando com Vitor.
-O que você disse?
-Eu sei o que está pensando! Eu quase não acreditei quando ele disse!
-Ele...você o deixou beija-la? – ele não a olhou, mas mudou o tom agressivo para um tom mais baixo.
-Não. – olhou para ele – O que eu poderia fazer, Ron? Eu não queria magoa-lo! E se ele se afastasse do Harry por minha causa!????
-E o que disse a ele?
-Eu disse a primeira coisa que me passou pela cabeça! – cobriu o rosto com as mãos envergonhada – Disse que tinha namorado... – sussurrou.
-Ele acreditou?
-Só quando eu disse quem era... – não teve coragem de descobrir o rosto.
-E quem você disse...quero dizer, o Vitor Krun, obviamente. – ele mesmo respondeu a própria pergunta.
-É claro que não, Ron! Vitor tem namorada, está em todos os jornais! Sirius não é tolo, ele saberia!
-Ele tem namorada? Desde quando? – perguntou chocado.
-Tem mais de um ano, você saberia se tivesse me deixado contar...mas não estava sempre brigando, quando eu tocava no nome dele!
-Ah, bem, isso não importa...E aí, vai me dizer quem foi o escolhido? -ele provocou, parecendo mais leve depois de saber que o outro estava comprometido.
-Eu não tive muito tempo para pensar e...eu disse o nome da primeira pessoa que me passou pela cabeça e...ah, é...bem...eu disse que era você.
-Eu? – ele pareceu surpreso.
-Ora, Ronald! – ela disse irritada – Ele não tentaria me seduzir se soubesse que sou namorada do melhor amigo do Harry!!!!
-É, tem razão... – ele disse meio decepcionado.
-Além do mais eu não sabia se um namoro o impediria de tentar novamente...mas ele é um homem respeitador e acredito que não tentaria nada se soubesse que meu namorado está na mesma casa, além disso eu precisava de alguém que confirmasse caso ele perguntasse.
-Claro...eu confirmo. – ele disse olhando para o outro lado.
-Desculpe, Ron, coloca-lo nessa situação... – ela disse triste. – eu apenas não esperava que ele dissesse aquelas coisas todas...
-Porque não? – ele perguntou surpreso – Sirius é solteiro...
-Sim, mas ele é um homem experiente e vivido...é o sonho de muitas mulheres. Ele é descolado, animado...mesmo os anos em Askaban não acabaram com seu charme e eu ainda...ainda me surpreendo que ele possa se interessar por mim.
-Eu não entendo o que quer dizer, Hermione.
Ela o olhou como se ele tivesse duas cabeças.
-Caso não tenha notado, Ronald, eu não sou a garota mais popular de Hogwarts!
-Mas isso não quer dizer nada!
-É claro que quer!
-é claro que não! A vida real não é Hogwarts!
-Do que está falando, Ronald??? – ela perguntou incrédula.
-Acha que me casaria e viveria o resto da minha vida ao lado de uma garota como a Parvati ou Padma? – ele parecia horrorizado. – Teria filhos com aquela cara de ‘topo qualquer coisa por 2 sicles!’???
-Não fale assim delas, Ronald, é horrível!
-Mas elas são fáceis e oferecidas, Hermione! Até elas sabem disso! De qualquer forma, as vezes um garoto pode querer mais do que garotas como elas, e como Sirius não é mais um garoto ele sabe dar valor as garotas realmente interessantes – ele disse vermelho como um tomate.
-Obrigada, isso foi bem gentil de dizer! – ela sorriu um pouco tímida – Mesmo assim foi tremendamente estranho ouvi-lo falar aquelas coisas... – notando que Rony desviava o olhar ela tratou de corrigir a frase – Ele foi respeitador e não disse nada que me ofendesse, Rony. Só que...ele disse que eu era uma mulher inteligente. E eu me senti estranha, porque nunca havia parado para pensar em mim como ‘mulher’. – ela suspirou – sei que estamos crescendo e em dois anos seremos maiores de idade, mesmo assim eu ainda me sinto uma ‘garota’. Só isso. Uma garota.
-Eu também me vejo como um garoto. Isso é normal. – ele disse sério.
-E desde quando você é experte nesse assunto? – ela zombou.
-Desde quando eu tenho cinco irmãos mais velhos, Hermione.
-Você...você consegue conversar com eles sobre...sobre...isso?
-Bem, todos eles não. Eu não tentaria ter uma conversa dessas com o Percy, por exemplo. – eles riram um pouco – E Fred e George me infernizariam para sempre por isso...Mas o Gui é bem legal. Ele não zombou de mim, ou me criticou.
-E o que exatamente você perguntou a ele? – ela disse curiosa.
-Não foi bem uma pergunta...ele esteve aqui no feriado de Natal ano passado e nos dividimos o quarto, e entrou o assunto da escola, garotas, essas coisas...Acho que ele notou que estava mais perdido do que hipogrifo nas aulas do snape.
-Às vezes eu gostaria de ter alguém para falar essas coisas também.. – ela disse meio triste – Minha mãe é muito fechada e Gina...ela é mais nova que eu, coitada.
-Bem, eu não sugeriria a mamãe porque ela é terrível. Nunca vou esquecer quando ela pegou as revistas de mulher nua dos gêmeos, achei que ela iria esfola-los vivos! – eles sorriram um para o outro – Eu não sei se adianta muito, mas o gui me disse que a única coisa que eu deveria saber era que nada é errado a menos que eu não queira e no meu caso, sempre ouvir primeiro a menina em questão, antes de levar em consideração o que eu esteja desejando. Ah, e claro, alguns feitiços de contracepção, que eu definitivamente não usarei em mim mesmo!!!!
-Porque não? – ela franziu as sobrancelhas.
-Ora, você não conheceu meu tio Jill. – ele suspirou – Coitado, errou o feitiço e parou no S’Mungos...
Hermione riu da expressão dele de pânico e ele acabou rindo também.
-Acho que seu irmão tem razão, rony – ela disse por fim – Nunca devemos fazer o que não consideramos certo. Não tenho que me sentir uma mulher adulta se não estou pronta para isso, nem desejar um homem adulto, como senti que deveria quando Vitor se declarou ou Sirius. Embora que parece que eu só atraiu os caras mais sérios e maduros. – ela disse com um desanimo.
-E que tipo que você queria? – ele perguntou com uma expressão estranha. Tenso.
-Qualquer tipo, que me fizesse sentir bem...me sentir apenas uma garota comum, com dramas comuns e pensamentos comuns...
-Ah, então você quer um Wesley. – ele disse rindo.
-Porque? – ela estranhou.
-Bem, Wesley’s não parecem ter tendência a crescer nunca, você não viu os gêmeos?
-Ah, Rony, para! – ela ralhou com ele.
Ele ficou tirando onda com ela, até que ela se irritou e fingiu jogar um livro nele. Daí uma gostosa briga de falsos tapas se sucedeu.
Foi quando a porta se abriu. Eles pararam muito próximos e se afastaram assustados, de pé.
-Ah, vocês estão aí – disse uma voz um pouco triste. – Sua mãe quer que subam e ajudem Harry na limpeza dos quartos.
-Claro, Sirius, já estamos indo. – Rony respondeu com naturalidade.
Demonstrando uma coragem que ela não sabia que rony possuía ele apanhou sua mão e saíram juntos da sala, deixando Sirius ali dentro.
-Obrigada, - ela sussurrou em seu ouvido enquanto corriam pelo corredor em direção ao segundo andar.
-Conte sempre comigo... – ele sussurrou de volta enquanto sorriam um para o outro...
FIM
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