Big Daddy Arthur recebeu a notícia bem melhor que Rony. O irmão queria subir na picape no mesmo instante e sair à procura do desgraçado e explodir-lhe os miolos. Recusava-se a ouvir a voz da razão e nem queria saber de leis.
— Se você conhece o homem que fez isso, o melhor é acabar com ele antes que ele tente de novo — Rony argumentou.
Harry não se deixou levar pela fúria de Rony e explicou:
— Ainda não temos provas. São só pistas. É por isso que tenho de ir a Nova Orleans.
Rony parecia pronto para socar Harry. Gina colocou-se entre os dois e tentou fazer com que o irmão se acalmasse. A campainha tocou, interrompendo a discussão. Enquanto Arthur foi abrir a porta para Sirius, Harry disse:
— Estamos juntos nessa.
— O que quer dizer com isso? — Rony quis saber.
— Quero dizer que você não vai sair atirando em ninguém — Harry disse e virou-se para Gina. — Prometa que não vai sair do Cisne até eu voltar. E não quero discussão sobre isso. Não quero ter de ficar preocupado com você.
— Certo — ela disse, batendo-lhe de leve no peito. — Você, também, cuide-se.
— Se houver qualquer encrenca, faça exatamente o que Sirius lhe disser para fazer. Rony, você monta guarda para seu pai, certo?
Rony dessa vez não discutiu e concordou com a cabeça. Sirius estava junto à entrada, conversando com Arthur. O agente do FBI não havia se preocupado em fazer a barba, e estava com um ar bem desleixado com jeans rasgados e uma camisa azul desbotada. Gina foi cumprimentá-lo. Podia entender perfeitamente o interesse de Luna. Ele tinha algo que atraía as mulheres, fazia com que quisessem cuidar dele, reabilitá-lo. Os olhos azuis pareciam penetrá-la, quando ele disse:
— Soube que vocês tiveram uma noite bastante agitada, desviando das balas.
— Soube que você também teve uma noite agitada — Gina não se conteve.
— Tive, sim. Sua amiga mandou-lhe um abraço — ele disse e sorriu. — Esta manhã, no entanto, não teve graça nenhuma. Um homem em férias deve ter o direito de dormir até a hora que quer. Onde está Harry?
— Está lá atrás com Rony. Depois da cozinha — ela orientou. Sirius foi em frente, mas ela o fez parar quando disse:
— Pode me fazer um favor?
— Claro. O que é?
— Tenha paciência com meu irmão. Sirius riu e respondeu:
— Eu me dou bem com todo mundo.
— Quer apostar?
Pena ela não ter apostado um bom dinheiro, pois ganharia. Menos de três minutos passaram-se até começar a gritaria. Seu irmão era quem gritava quase todo o tempo, mas Sirius não ficava muito atrás.
Harry entrou na cozinha com as chaves do carro de Sirius na mão. Gina encolheu-se ao ouvir o irmão chamar Sirius de um palavrão dos mais cabeludos. Harry também ouviu e sorriu ao dizer:
— Eu tinha certeza que iam se dar bem.
— Você chama isso de se dar bem? — ela perguntou, com os olhos arregalados.
— Você não está ouvindo nem um tiro, está? Sirius gostou do seu irmão.
Ouviram o irmão dela ameaçar Sirius. Seu vocabulário não era apenas pitoresco, mas também criativo. Depois foi a vez de Sirius ameaçar Rony com riqueza de vocabulário e muita imaginação. Em sua ameaça, afirmava que Rony jamais seria capaz de gerar filhos, se a cumprisse.
— Ah, posso jurar que um gosta muito do outro — Gina ironizou.
— Os dois têm muito em comum. Sabe onde deixei meus óculos?
— Estão em cima da mesa. Exatamente o que acha que têm em comum?
— Os dois são ruins como cobras — Harry disse, dobrando as pernas dos óculos para guardar.
— Sirius não é ruim. Sorri o tempo todo.
— Pois é — ele concordou. — É isso que o torna mais perigoso. Você não sabe o que ele está armando até ser tarde demais. Algumas histórias que meu irmão me contou sobre ele são de arrepiar. É por isso que pedi a ele para cuidar de você.
Ele abraçou-a pelas costas e levou-a até a porta da frente.
— Você ainda não me disse por que tem de ir a Nova Orleans — ela cobrou.
— Vou verificar algumas coisas — ele disse, o que não informava absolutamente nada.
Ele inclinou-se e beijou-a. Foi um leve roçar de lábios, profundamente insatisfatório. Ele deve ter pensado o mesmo, pois soltou-a, abriu a porta, depois a envolveu nos braços e voltou a beijá-la. Desta vez, foi bem diferente.
Sorrindo, ele fechou a porta atrás de si. Gina ficou na janela, observando, até Harry afastar-se. Ele havia deixado Rony encarregado de cuidar de seu pai e Sirius seria sua babá. E quem cuidaria de Harry? Ela sacudiu a cabeça. Disse a si mesma para não se preocupar. A Detetive Bella logo deveria fazer as primeiras prisões.
O que mais poderia acontecer?