Hermione, Luna e Gina estavam sentadas em um banco próximo à entrada do castelo. Vários alunos estavam aproveitando o primeiro dia de ‘férias’ do lado de fora, todos bastante agasalhados. Deram sorte, pois a neve parara de cair algumas horas atrás, o que permitia que eles andassem livremente pelos jardins, agora completamente brancos.
As três garotas conversavam e riam, coisas que não faziam há muito quando estavam juntas. Ultimamente, só os estudos importavam. Se não fosse pelo baile que aconteceria àquela noite, não estariam tão descontraídas assim, com toda certeza. Talvez aquelas duas semanas de folga que teriam também ajudassem a acabar com aquele clima tenso que rodeava o castelo nas últimas semanas.
Eram mais ou menos quatro da tarde e elas haviam sido arrastadas até ali pelos garotos, que agora brincavam de guerra de bolas de neve. Pareciam crianças correndo, agachando e fazendo montinhos com as mãos. Elas riam de tudo aquilo, principalmente depois que Simas, Dino e Neville entraram na brincadeira, o que a tornou ainda mais engraçada. Era enorme a quantidade de bolas que voavam de um lado para o outro, acertando uns e outros, até mesmo aqueles que não participavam. Mas ninguém parecia ligar. Logo, pouco menos da metade do pessoal que estava do lado de fora, agora entrara na farra.
- Oi, Mione! – disseram duas vozes bastante conhecidas.
- Bebel e Amy! – ela se levantou para cumprimentar as amigas. – E aí, como estão?
- Estamos bem, obrigada. – disse Amy.
Hermione apresentou Amy a Gina e a Luna, que depois de um tempo passaram a se conhecer melhor.
Às seis horas, elas chamaram os garotos e avisaram que já estavam subindo para se arrumarem. Harry dera o vestido de Gina mais cedo, dizendo que era um presente de Natal adiantado. A garota ficou radiante ao ver o lindo vestido que ganhara. E de acordo com as especificações que McGonagall havia feito quando fora na noite do dia anterior na torre da Grifinória, os vestidos teriam que ser de cores claras e longos. Por sorte, Hermione havia comprado um vestido escuro e um claro na loja em Hogsmeade.
Hermione entrou em seu quarto, ainda vazio e começou a se arrumar. Primeiro tomou um banho relaxante, e ao terminar, mais ou menos meia hora depois, secou o cabelo com um rápido feitiço. Colocando um corpete sem alças e bem justo de cor branca por baixo do vestido tomara-que-caia, ajustou todas as suas curvas perfeitas. Vestiu o longo vestido branco prateado com pequenas pedrinhas brilhantes bem trabalhadas apenas no corpete justo, a saia do vestido era rodada e tinha duas camadas; uma de seda que ficava por baixo e uma de um tecido bem fino e leve por cima, dando um ar angelical à garota. Os sapatos eram brancos e fechados, também trabalhados com pedras brilhantes. Prendeu o cabelo em um coque bem apertado no alto da cabeça, sua franja comprida pendendo sobre o seu belo rosto.
Abriu a gaveta do seu criado-mudo, de onde retirou uma caixa de jóias um tanto grande. Ali dentro estavam suas jóias de prata e ouro branco. Abriu-a e retirou a pequena coroa que ganhara de aniversário, a coroa prateada com pedras brilhantes. A pequena coroa encaixava-se perfeitamente ao penteado, parecendo um prendedor de cabelos. Retirou da caixa, também, o par de pequenos brincos de ouro branco com uma pedrinha de brilhante em seu centro, colocando-os nas orelhas. Depois o colar, também de ouro branco, que engrossava à medida que descia para o colo nu da garota, onde havia um pingente médio em forma de gota com um grande brilhante em seu centro. As pulseiras, eram duas e grossas, como as que usara no baile anterior, só que desta vez, brancas e trabalhadas exatamente como o corpete do vestido.
Pegou a bolsa de maquiagem e sentou-se à cama. Nos olhos, uma leve sombra branca prateada, que iluminou seu rosto. O lápis preto era indispensável, assim como o batom levemente rosado. Estava pronta!
- Não, ainda falta uma coisinha... – ela disse para si mesma, depois murmurando um feitiço de impermeabilidade, para que a maquiagem durasse até o fim da festa.
Agora sim estava pronta. Pronta e linda! Estranhou que ainda estivesse sozinha no quarto, embora tivesse notado que já eram quase oito horas, ou seja, as garotas não apareceram, mas já deveriam estar prontas. Resolveu deixar aquilo de lado. Foi até o malão e pegou o último acessório para que tudo estivesse perfeito: o manto de seda. Envolveu-o entre os braços, cobrindo-lhe as costas nuas e dando um toque especial à roupa. Sentou-se à cama e ficou pensando consigo só. Aquela noite seria perfeita, tinha certeza disto! E tinha ainda mais certeza de que ela mudaria sua vida completamente...
Um baque vindo do lado oposto do quarto fez com que deixasse seus devaneios e olhasse em direção à porta, por onde uma ruiva adentrava rapidamente.
A garota estava quase pronta, exceto pela maquiagem, a qual Hermione prometera fazer. Vestia um vestido de cor perolada, corpete justo e de um tecido bem duro e bordado, que deixava as belas curvas de Gina a mostra e saia rodada, também com duas camadas, assim como o de Hermione. As alças do vestido da garota eram bem finas e nas costas um grande decote de fios trançados. Os sapatos da mesma cor do vestido. Gina estava extremamente bonita. Brincos pequenos de ouro nas orelhas, cabelos presos a um coque apertado no alto da cabeça com vários fios ruivos soltos que caíam sobre seu rosto, assim como sua suave franja, quase inexistente.
- Você está linda! – disseram as duas em uníssono, depois rindo. – Obrigada. – agradeceram, também, juntas.
- Bem, Mione... Será que você poderia fazer aquele favorzinho para mim agora? – perguntou Gina.
- Claro! Já estou pronta. – disse Hermione puxando-a e fazendo-a sentar-se na cama de frente para si. – Feche os olhos.
Gina obedeceu.
- Gina, você sabe onde se meteram as garotas do sexto ano? Nenhuma delas apareceu por aqui nessas duas horas...
- É que parece que elas foram se arrumar com Padma. Devem estar em alguma sala por aí. – disse Gina.
- Hum... Estamos atrasadas?
- Não. Ainda faltam dez minutos para abrirem o Salão Principal. – Gina abriu os olhos e agora Hermione passava o lápis preto.
- E os garotos?
- Harry está te esperando lá embaixo, Rony desceu para esperar a Luna no saguão e Draco deve estar lá também...
- Você gosta mesmo dele, não é? – perguntou Hermione.
- Sim, Mione. – confirmou Gina com um grande sorriso nos lábios. – Agora não importa família e nem os meus seis irmãos ciumentos. Eles vão ter que nos engolir!
Hermione sorriu.
- Você não tem jeito...
Depois de mais alguns ajustes, Hermione terminou de fazer a maquiagem da amiga. Conseguira encontrar uma cor perfeitamente igual a do vestido que ela usava, acrescentando o lápis e o batom dourado.
- É, acho que agora terminei. – disse. – Você está linda, Gina.
- Obrigada. – agradeceu a ruiva olhando-se no espelho. – Ficou realmente lindo...
- Bom, acho que já está na hora de descermos, não é? Quero aproveitar bastante a noite. – disse Hermione alegremente enquanto se levantava. Gina lançou um olhar malicioso a amiga, que se apressou em acrescentar: - Há muito que não me divirto, precisava mesmo desta folga...
- Ah, claro! – disse Gina pouco convencida.
Hermione parou e a olhou estática.
- Gina, será que você enxerga duplo sentido em tudo?
- Querida, só estou tentando ajudar você a aproveitar a noite. E acho que deve concordar comigo quando digo que aproveitar, neste caso, seria se ao menos rolasse algo, não acha? – perguntou Gina.
- Claro que não, Gina! Nós somos apenas amigos – Hermione fez questão de dar maior ênfase à última palavra.
- Então vocês preferem ficar de castiçal? – perguntou a ruiva.
- Gina, por favor, não mistura as coisas.
- Hum... – murmurou Gina. – Mas, Mione... Você tem algum interesse nele?
- Não, Gina! Lógico que não! – mentiu a morena. – Eu já disse que somos apenas amigos!
- Ok, ok. Eu não vou mais encher com isso, certo?
Gina sorriu marotamente, mas ainda assim, permaneceu calada e concordou com a cabeça.
- Vamos logo. Temos apenas alguns minutos. – concluiu Hermione e as duas saíram do quarto.
Gina e Hermione desceram juntas para o salão comunal, onde Harry as esperava sentado na poltrona mais próxima da lareira. Ele vestia uma calça social preta com uma camisa branca de mangas compridas e um terno preto. Ao escutar passos vindos da escada, levantou-se e foi até o pé da mesma, para esperar as duas amigas que desciam. Eles eram os únicos que ainda estavam ali. Gina surgia lentamente. Estava simplesmente linda. Uma garotinha que decidira mostrar a todos que crescera; e conseguira. Gina já estava postada ao lado de Harry quando Hermione começou a surgir aos poucos.
- Ela está maravilhosa! – sussurrou Gina ao ouvido do garoto. – Tem sorte de ir com ela. Aproveite e não a deixe sozinha um segundo sequer.
Harry sorriu para ela e concordou com a cabeça.
Degrau a degrau, a beleza estonteante de Hermione era revelada. Estava ainda mais bonita que Gina; estava realmente maravilhosa.
Quando finalmente chegara ao último degrau, Harry estendeu o braço para a garota, que o aceitou sem pestanejar. Gina observava, sorrindo, a cena; Harry parecia estar hipnotizado.
Deixaram a torre da Grifinória e seguiram pelos corredores completamente vazios em direção ao Salão Principal. Chegaram ao saguão, onde vários casais já se encontravam postados de frente para as portas do grande aposento. Gina separou-se dos dois e seguiu sorrateiramente até Draco, para que Rony não a notasse. Hermione, como da última vez, silenciou completamente o local. Todos a olhavam admirados e boquiabertos. Quando o casal passou pelo corredor, todos se afastaram, como se fossem súditos deles.
Hermione sorria encabulada com aquela situação, mas até gostava um pouco. Não era todo dia que podia mostrar a todos que não era uma CDF insensível e sabe-tudo, que passava a maior parte de seu tempo devorando os livros da biblioteca com os olhos. E se algum dia alguém disse que ela não se cuidava ou que era feia, teria que engolir suas palavras.
No caminho, viram Luna e Rony à um canto cochichando e trocando beijos rápidos. A garota usava um vestido rosa bem claro, alças finas, parte de cima justa e saia rodada, tendo a barra do vestido toda trabalhada com miçangas de um rosa claro um pouco mais escuro que a tonalidade do vestido, formando flores, com um decote frontal de fios trançados que ia até pouco acima do umbigo. Os cabelos presos em um coque apertado na nuca com um prendedor todo trabalhado, também com miçangas rosa que pendiam em alguns fios. Estava bastante bonita aquela noite.
O relógio do lado de fora do castelo badalou às oito horas e os murmúrios voltaram a tomar conta do saguão. Harry e Hermione postaram-se em frente à porta de carvalho que dava para o Salão Principal, que logo se abriu. Eles foram os primeiros a entrar no aposento, completamente cristalizado. Em toda parte, as cores branca e prateada predominavam, assim como todos os acessórios de cristais. O lugar estava absolutamente lindo.
Como de costume, o baile foi aberto com a valsa, onde todos os casais dançavam. Logo depois, uma música mais animada começou a tocar e muitos foram se sentar nas mesas redondas, que ocupavam oito pessoas, cada. Hermione, no entanto, continuou dançando junto a Harry.
- Rony, será que não dava para a gente aproveitar um pouquinho, não? – perguntou Luna. – Nós já passamos tanto tempo separados, não é?
- Sem dúvida! – disse Rony beijando-a.
E os dois deixaram a pista de dança.
Draco e Gina, por outro lado, estavam aproveitando o tempo que tinham para ficar juntos sem que ninguém interferisse. Dançavam animadamente e volta e meia se beijavam apaixonadamente. Há quanto tempo não tinham aquela liberdade?
- E então, ruivinha? Quando é que vamos poder ficar juntos?
- Ah, Draco! Você sabe que não é uma coisa que eu possa responder livremente, até porque, minha família não vai aceitar tão fácil. Já você, nem precisa se preocupar, não é? Afinal, seu pai é um homem inconsciente, que vive quase que como um vegetal e sua mãe desapareceu, ninguém sabe onde ela está. Mas acredito que ela aceite bem... Já minha família... – ela comentou com desgosto. – Mas eu prometi a mim mesma que eles aceitando ou não, vão ter que nos engolir!
- É assim que se fala! – e Draco a beijou.
Então começou a tocar uma música lenta e bastante romântica.
- Hum... Adoro essa música! – disse Gina enlaçando o pescoço do namorado.
De longe, Rony observava a cena furioso.
- Rony, meu amor, esquece isso, vai! Não vai adiantar nada você lutar contra isso, você sabe. O amor os juntou dois, assim como a nós, e você sabe que nada que você fizer vai separá-los. Eles se amam, Rony! – disse Luna.
- Mas não deviam! Eles são diferentes, nossas famílias são inimigas... Deveriam se odiar!
- Mas não se odeiam! – argumentou Luna.
- Ninguém vai aceitar isso, Lu. O que pode causar conseqüências nada boas... A Gina pode correr perigo...
- Ronald, acho que talvez esteja errado. – disse Bebel aproximando-se dele, que a olhou alarmado. – Gina só correria perigo realmente, se sua família resolvesse voltar-se contra ela. O pai do Draco não tem capacidade de armazenar nenhuma informação nas condições em que se encontra e a mãe dele não faria nada, com toda certeza. Ela é diferente do que vocês costumam pensar, tanto, que fugiu para que conseguisse voltar a viver, conseguir ser feliz. Viver tudo aquilo que não pôde por ter se envolvido com um Malfoy. Há muitos mistérios que envolveram o falso casamento deles, mistérios que não podem ser revelados.
Bebel virou-se e deixou Rony e Luna para trás. Rony parecia pesar as palavras da morena, mesmo sabendo que não mudaria de idéia tão fácil. Luna o olhou com uma cara meio preocupada, mas seu olhar ao mesmo tempo parecia dizer algo como ‘melhor você esquecer isso’. Entreolharam-se e Rony entrelaçou suas mãos.
- Vamos para uma mesa. – disse num sussurro rouco.
Ele puxou a namorada até uma mesa vazia, onde se sentaram e ficaram em silêncio por um longo momento. Luna observava Harry e Hermione na pista de dança. Os dois eram o centro das atenções. Com toda certeza estavam dançando desde o início do baile, que embora parecesse ter sido há bastante tempo, não havia nem meia hora desde que começara. Música após música e os dois pareciam não se cansar.
- Rony, esquece isso. – pediu Luna.
- Tudo bem, Lu. – ele a beijou.
- Vamos dançar? O Harry e a Mione parecem tão animados...
- Desde que eu não veja a minha irmã e o maldito do...
- Rony! – Luna repreendeu-o.
- Ok, ok. Vamos. – e os dois se encaminharam para o centro do salão.
Bebel estava conversando com Draco e Gina à um canto mais reservado.
- Bem, parece que seu irmão não vai ceder, Gina. – comentou. – Ele e a namorada estavam discutindo sobre isto. Pareceu a mim que ela não tem nada contra o romance de vocês dois, no entanto ele continua firme na decisão dele. E a Hermione?
- A Mione aceitou numa boa. Ela disse que se eu amo o Draco, ela deseja que eu seja feliz, não importa com quem. E além do mais, Bebel, ela é sua amiga, não é? Ela sabe que um Malfoy não tem de ser como era o pai do Draco e sabe perfeitamente que sua mãe é uma prova disto! – Gina contou. – O Harry é completamente indiferente a isso. Ele não fala muito comigo sobre este assunto. Acho que ele prefere não opinar, afinal, não gosta de se meter na vida dos outros.
- E eu devo dizer que concordo com o Potter. – acrescentou Draco. – Parece que esses três são os únicos que vêem que Gina é livre para escolher o que quer, que já tem responsabilidade suficiente para isso. E eu já fui bem avisado pelo Weasley que não devo fazer a ruivinha aqui sofrer ou então...
- Poupe detalhes de tudo que ele diz a você, Draco. Por favor! – pediu Gina.
Bebel riu.
- A única coisa que eu posso dizer a vocês é que posso ajudar de certa forma, mas parece que vai ser tão difícil quanto o irmão da Gina aceitar esse romance de vocês. Parece que ele não gosta de mim... Não sei bem. – contou a morena.
- Uma coisa que você logo reverte. É esperta, priminha, logo resolve!
- Espero. – concluiu Bebel. – Bem, deixem-me ir. A Amy deve estar me esperando.
- Tudo bem. – disse Draco.
- Tchau. – despediu-se Gina. – Espero que ela realmente consiga. Eu brigo todos os dias com meu irmão por sua causa, sabia?
- Sério? – perguntou Draco sorrindo galantemente. – Bom saber. Assim sei que me ama...
- Seu bobo! – disse Gina dando-lhe um selinho.
- Você acha?
- Acho, sim. – concordou Gina.
- Também te amo! – brincou ele.
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Depois de quase uma hora dançando sem parar, Harry e Hermione foram ao bar pegar água.
- Vamos parar um pouco?
- Vamos, sim. Não sou de ferro. – disse Hermione e os dois riram.
Sentaram-se a mesa onde Luna e Rony estavam há pouco e ficaram conversando. Jantaram e descansaram um pouco, logo voltando para a pista de dança. Hermione realmente gostava de dançar...
E a festa corria razoavelmente bem, todos pareciam realmente felizes e haviam esquecido todos os problemas. Alguns dançavam, outros conversavam e encontravam-se com amigos de outras casas. Toda aquela tensão que viviam até o dia anterior, parecia ter se evaporado. Harry, Hermione, Luna, Rony, Parvati, Simas, Lilá e Dino agora dividiam espaço no centro da pista. Dançaram por quase quatro horas seguidas. Já passava das duas da manhã quando resolveram se sentar à mesa para descansar.
- Estou com sede. – murmurou Hermione.
- Eu também. – disseram as outras garotas.
- Vou pegar bebidas. – avisou Harry. – Quem vai querer?
Todos pareciam mortos de sede e cansaço, o que fez com que Dino fosse junto com Harry pegar as bebidas, pois este não daria conta de oito copos, não é mesmo? Os dois andaram rapidamente pelo Salão Principal, tentando passar por entre a aglomeração de pessoas que dançavam em todos os cantos do aposento. No meio de um grande grupo de alunos do sétimo ano da Corvinal, Harry e Dino se separaram.
Uma mão puxou o moreno de olhos verdes para fora do Salão. Quando já estavam no saguão, Harry reconheceu ser Cho.
- Cho?
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- Dino, cadê o Harry? – perguntou Hermione se levantando para ajudar o garoto, que trazia, sozinho, os oito copos com bebida.
- Não sei. Quando estávamos passando por um grande grupo de alunos, nos separamos e não o vi depois disto. E como não sabia se ele havia trazido as bebidas, acabei trazendo para todos. – contou Dino.
- Hum... Isso está muito estranho. – disse Hermione mais para si do que para o garoto.
- O quê? – perguntou Dino confuso.
- Nada, Dino, nada. Vou atrás do Harry. – avisou e saiu.
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- Cho, o que você está fazendo? Eu preciso voltar para o Baile...
- Por que a pressa, Harry? – perguntou ela cinicamente.
- Eu me separei de um amigo quando estava indo pegar bebidas para os outros, ele deve estar me procurando. Ele e a Mione...
- Tinha que ter a Granger! – ela murmurou baixinho.
- O quê? – ele perguntou.
- Nada, Harry. Eu estava pensando... Já que estamos aqui, poderíamos conversar... E você sabe... Ainda não desisti de você. – ela disse sorrindo. Nesse momento, Harry teve a certeza de que a garota estava alcoolizada.
- Cho, eu não posso...
- Mas Harry, eu gosto tanto de você! E eu já pedi desculpas, já disse que me arrependo e que quero ficar com você...
- Cho...
- Vamos tentar só mais uma vez. – ela pediu.
- Cho, eu já disse que não dá! Eu não quero machucá-la. – ele disse sinceramente.
Uma lágrima solitária escapou do rosto da garota.
- Então, será que... Um beijo? Posso ter um único beijo seu?
- Não, Cho. Eu já disse que n...
Mas ele não pôde terminar a frase. Cho segurou seu queixo e o beijou. Exatamente naquele momento, Hermione passava pela porta do Salão Principal. Ela parou subitamente ao ver aquela cena, a cena que mais temera ver... Harry e Cho se beijavam. Ela foi até o saguão e os olhou furiosamente. Seus olhos marejaram e uma lágrima escorreu pelo seu rosto, rolando lentamente e logo depois sendo expulsa pelo feitiço que lançara mais cedo.
Sem pensar mais, ela saiu correndo em direção a torre da Grifinória. Harry ouviu os passos apressados e se desvencilhou de Cho.
- Isso não podia ter acontecido, me entendeu? Não podia! – disse Harry sério.
- Mas Harry...
- Chega, Cho! Me esquece! – berrou Harry e saiu correndo atrás de Hermione, que sumia naquele exato momento ao final do corredor.
Ao chegar ao retrato da mulher gorda, parou um instante e recuperou o fôlego.
- Luzes cristalinas. – disse ofegante.
- Se assim você diz... – e o retrato girou.
Harry entrou apressado no salão comunal, esquadrinhando em todos os cantos um sinal de Hermione. Viu a garota sentada a uma poltrona num canto escuro da sala e foi até ela.
- Saia daqui! – ela berrou.
- Mione...
- Harry, eu quero ficar sozinha! – ela disse entre soluços. – Me deixa em paz!
- Mione, o que houve?
- Eu já disse que eu quero ficar sozinha!
- Ih... Tem alguém de mau humor por aqui... – ele murmurou para si mesmo. – Mione, por que você está chorando?
Hermione não respondeu.
- Vamos, Mione! O que houve? – ele perguntou sentando-se ao lado dela, que deu as costas. – Você está bem? – ele tentou novamente, aproximando-se.
- Pára com isso, Harry! – ela disse alteando a voz e se levantando.
- O que deu em você, Mione?
- Em mim? – ela perguntou se fazendo de desentendida, mas seus olhos espelhavam fúria. – Ah, Harry! Às vezes tenho vontade te socar até você começar a gritar de dor... – ela disse com raiva. – Você é tão cego!
- Mione, qual foi o problema? – Harry tornou a perguntar.
- Não tem problema! Eu não estou com nenhum problema... É a Cho quem tem um problema agora.
- O que é que você não gosta na Cho? – perguntou Harry ficando irritado com aquilo.
- Dos lábios, com certeza. – disse ela enraivecida. – E não tenho nada contra ela!
- Ah, legal. – disse Harry irritado. – O que foi? – Hermione o olhou com os olhos miúdos, fuzilando-o. – Por que se importa tanto com ela?
- Eu não me importo com aquela vadia! – disse Hermione aos berros novamente. – Agora me diz... – ela começou sonsamente. – No que você acha que ela está interessada, hein? – perguntou. Ele a olhou surpreso, não entendia o que ela estava falando. Mas ela mesma respondeu a sua pergunta. – No seu dinheiro. Ela está interessada no Harry Potter, o garoto que sobreviveu, aquele Harry Potter rico e famoso que todos acham o máximo sem nem ao menos conhecê-lo. Será que ela te amaria se você fosse só o Harry? Uma pessoa como outra qualquer? Apenas o Harry?
- Hermione, por que está falando isso? – perguntou Harry.
- Porque eu o amo! – ela despejou as palavras que estavam entaladas em sua garganta há dois anos sem medir as conseqüências. Falara sem pensar e agora corria o risco de acabar com aquela amizade que se aprofundara durante cada um dos seis anos que tiveram de convivência, cada momento...
Ela então correu para as escadas, mas antes que pudesse atingir seu objetivo, Harry e puxou com força pelo braço e a beijou, imprensando-a contra a parede. De início, apenas roçaram seus lábios. Hermione fora pega de surpresa com aquele brusco gesto do garoto. Passado este momento, ela entreabriu os lábios e deixou que a língua do garoto adentrasse sua boca. Enlaçou o pescoço do garoto com os braços enquanto ele ainda a abraçava pela cintura. Beijavam-se intensamente, colocando naquele beijo tudo o que sentiam, todas as emoções. Era como se o universo fossem apenas eles dois, mais nada. Esqueceram-se de tudo e entregaram-se àquele amor.
Quando finalmente se separaram, estavam um tanto ofegantes.
- Mione, eu te amo. – ele disse e a beijou novamente.
Ficaram ali por mais alguns minutos e depois voltaram para o Baile de mãos dadas, o que todos estranharam. Por onde passavam, todos apontavam e cochichavam. Mas eles não ligavam. Apenas continuavam andando como se tudo aquilo fosse normal. Não deviam satisfações a ninguém e se estavam ou não juntos, isso só interessava a eles mesmos.
Como se nada tivesse acontecido, conversavam com os amigos normalmente, sem contar nada do que acontecera desde o sumiço de Harry. Todos voltaram a dançar e a noite se seguiu assim. Quando Harry, Hermione e o resto do pessoal deixaram o Baile, já eram seis horas da manhã.
E como Hermione dissera, aquela noite fora perfeita e mudara a sua vida completamente... Aquela noite seria inesquecível...
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