Quando chegou na Toca, Harry ainda estava dividido entre espanto e alegria pela conversa que havia tido com seu primo.
– Harry? Querido, está tudo bem? – Molly perguntou assim que viu o rapaz entrando na cozinha com aquela expressão estranha.
– Está sim senhora Weasley. – Respondeu sento-se à mesa. – Só estou meio sonso pela forma que Duda agiu.
– Porque? Ele te tratou tão mal assim? – Perguntou com uma pitada de raiva na voz. Harry sabia que Molly odiava os Dursleys por terem tratado Harry mal por tanto tempo.
– Pelo contrário. Me tratou muito bem, e foi isso que me surpreendeu. Eu esperava que ele fosse agir da mesma forma que tio Válter. Mas isso não importa. – Disse balançando a cabeça. – Não pretendo vê-los nunca mais. Afinal eles nunca gostaram de mim.
Antes que Molly pudesse dizer mais alguma coisa Gina entrou na cozinha com seus flamejantes cabelos balançando levemente devido a brisa que vinha da janela aberta.
– Oi Harry que bom que já voltou. – Disse sentando-se ao lado dele.
– Oi Gina. Já imaginava que ia ser rápido mesmo. – Respondeu.
– O Gui mandou essa carta para você. – Disse Gina entregando um envelope para ele.
– Deve de ser sobre a casa. Eu perguntei para ele, e ele me disse que ia dar uma olhada se tinha alguma casa que pertence a um bruxo naquela área a venda.
– Que história é essa Harry? – Perguntou intrigada a senhora Weasley, que ainda não sabia de nada, mas já prevendo que não ia gostar da noticia.
– É que eu quero comprar uma casa para mim senhora Weasley, não posso ficar morando aqui para sempre. – Disse Harry meio encabulado, pois sabia que de um jeito ou de outro Molly ficaria um pouco magoada.
– Mas por que essa presa, Harry? Você sabe que é muito bem vindo aqui. – Disse.
– Eu sei senhora Weasley, e não se preocupe, não vou me mudar tão cedo. Mas queria já acertar isso. – Disse o rapaz, passando a mão pelos cabelos deixando-os ainda mais bagunçados que de costume.
Gina achando que a mãe ainda ia insistir resolveu tentar desviar a conversa.
– O que o Gui diz? – Perguntou se esticando para ler a carta.
– A única disponível em Godric's Hollow fica na cidade. Vamos ter que procurar entre os imóveis dos trouxas. – Disse parecendo meio desapontado.
– Godric's Hollow? – Questionou Molly.
– Sim, queria poder voltar a morar lá. Porque Sra. Weasley?
– Por nada Harry, mas é que eu imaginava que você não iria querer voltar para lá.
– Mas eu gostaria. – Respondeu o garoto e Molly viu um brilho distinto iluminar seus olhos. Obviamente ela entendia o desejo que Harry tinha de morar lá, uma vez que aquela cidade deveria ter sido seu lar se seus pais não tivessem sido mortos.
– Quando pretende ir lá olhar Harry? – Questionou Gina.
– Não sei, talvez hoje a tarde mesmo. Quer ir comigo? – Perguntou olhando-a.
– Adoraria. – Gina respondeu feliz. – Mas como iremos?
– Gina você ainda é menor de idade... – Começou Molly, mas foi quase imediatamente interrompida pela filha.
– Mas isso não me impede de sair mãe. – Retrucou irritada.
– ...Não me interrompa Ginerva.
– Desculpe. – Disse baixando a cabeça.
– Continuando. – Falou a senhora Weasley olhando séria para a filha. – Portanto seria melhor vocês irem de noitibus.
– É uma boa, o que acha Gina? – Harry perguntou observando-a para ver qual seria sua reação.
– Por mim pode ser. – Disse apesar de não gostar muito da idéia de ir de noitobus. Ela não havia gostado nem um pouco da primeira experiência que tivera.
– Harry, o que você vai fazer com a casa do Largo Grimmauld? – Molly perguntou.
– Não sei, ainda não tinha pensado nisso. Mas acho que vou vendê-la. Não tenho motivos para querer manter aquela casa. E por falar na casa. – Nesse momento Harry se lembrou de algo que ele precisava resolver, e urgentemente. – O que vocês acham que eu devo fazer com Monstro? Eu gostaria de libertá-lo, mas não sei como ele ficaria com isso.
– Hermione vai gostar de saber disso Harry. – Comentou Gina. – Mas eu acho que você deveria deixar o próprio Monstro decidir. Afinal muitos elfos, não querem ser libertos, consideram isso como uma humilhação muito grande.
– Tem toda a razão. Mas vocês não acham que se ele ficar livre ele vai acabar falando algo que não deveria? – Perguntou Harry.
– Se você se refere a algo sobre a ordem, creio nada que ele possa vir a dizer agora vá prejudicar alguém. – Disse a senhora Weasley.
– Bem... então vamos resolver isso agora. MONSTRO. – Chamou Harry.
– Mestre me chamou? – Disse Mostro fazendo uma reverência a Harry.
– Chamei sim Monstro. Eu quero te fazer uma pergunta. E gostaria que você respondesse com toda a sinceridade. – Pediu o rapaz.
– Como queira mestre. – Disse Monstro fazendo uma nova reverência.
– Não quero que você entenda a pergunta que eu vou te fazer como uma ofensa, por que não é. Se você não quiser não tem problema. – E olhando bem nos olhos de Monstro perguntou. – Você gostaria de ser livre Monstro?
– O mestre quer libertar Monstro. – Disse elfo já meio desesperado. – Monstro achava que o mestre agora gostava de Monstro.
– Eu não tenho nada contra você Monstro. – Disse rapidamente Harry vendo o desespero do elfo. – Só quero te ver feliz. E não se preocupe, se você não quer ser livre, eu não vou te libertar. Mas gostaria que você passasse a usar roupas melhores e mais limpas Monstro.
– Então mestre não vai libertar Mostro? Monstro fica feliz com isso. Mas quanto as roupas de Mostro, Monstro não se importa com elas mestre.
– Mas eu me importo. Não me sinto bem vendo você com essas roupas desse jeito. Por favor, passe a usar roupas melhores.
– Como o mestre quiser. – Disse meio derrotado.
– Outra coisa. Eu pretendo vender a casa do Largo Grimmauld...
– Mas é a casa dos meus antigos senhores. – Disse Monstro triste.
– Eu sei, mas eu não gosto daquela casa. – Harry disse rapidamente se preparando para uma possível péssima reação do elfo.
– E onde Monstro vai morar mestre? – Perguntou surpreendendo Harry com sua rápida aceitação do fato.
Harry olhou para Gina pedindo ajuda.
– O Harry vai comprar uma casa em Godric's Hollow, você mudaria para lá Monstro. – Disse a ruiva docemente.
– O Mestre quer que eu vá para lá? – Perguntou se dirigindo a Harry
– Quero Monstro. Mas não agora, eu ainda tenho que escolher uma casa, e talvez construir uma. Por hora você continua no Largo Grimmauld, e pode aproveitar esse tempo para fazer o que quiser Monstro.
– Harry. – chamou Gina. – Acho que não seja bom Monstro ficar sozinho novamente, ficar sozinho não faz bem a ninguém.
– E o que você sugere?
– Não sei, talvez ele possa ficar em Hogwarts por enquanto. O que acha?
– Teria que falar com a Prof. McGonagall. O que você acha Monstro? Quer ir para Hogwarts ou voltar para o Largo Grimmauld até eu ter a casa em Godric's Hollow?
– Monstro não quer ficar sozinho, Monstro prefere ficar em Hogqarts.
– Então faremos assim. Me dois dias para falar com McGonagall. E se tudo der certo, depois você vai para lá. Tudo bem? – Perguntou.
– Tudo bem Mestre. Monstro agradece. Mestre é bom para Monstro. – O elfo agradecia muito feliz. – Se mestre não precisar mais de Monstro, Monstro vai voltar para casa.
– Pode voltar para o Largo Grimmauld agora. – Disse Harry. Monstro fez mais uma reverência a Harry e desaparatou.
– Eu vou subir para mandar uma carta a McGonagall, só espero não estar atrapalhando ela agora. Ele deve estar cheia de coisas para resolver. – Comentou Harry.
– Pode até ser Harry, mas talvez Monstro possa ajudar a organizar Hogwarts novamente. – Falou Gina – Os elfos de lá devem estar cheios de serviço.
Assim que Harry subiu para escrever para McGonagall, Molly levou Gina para um canto.
– Gina, até onde você e o Harry já chegaram? – Perguntou séria a mulher.
– Como assim mãe? – Perguntou sem entender aonde a mãe queria chegar.
– Digo... como namorados?