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8. Olhar Azul Marinho


Fic: A Origem dos Dementadores - A PEDIDOS CAP 8 ON


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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                                                                Postado em 23/11/2013







Dia 9...


  


  Um manto de negrume cobria os mares e apaziguava as ondas. Os corpos celestes, incrustadas como conchas na areia cadenciavam no cosmo, rebeldes e sedentos por mergulharem na superfície cristalina que as refletia do céu.


  


  Ogden ouvira certa vez, que de certo ponto do mar o firmamento aproximava-se tanto da Terra que parecia que iriam se beijar. Na verdade, no oceano pleno, onde o sustentáculo mostrava-se diáfano e as águas etéreas, a linha que dividia a atmosfera era tão tênue que ele mesmo chegou a acreditar que podia tocar as estrelas.  Passar as noites vislumbrando aquele relicário sideral havia se tornado seu passatempo predileto dos últimos dias. Ainda mais agora que estava muito melhor fisicamente. Sim, ele tinha que admitir, o chá de erva de cidra tornou-se um forte antídoto contra os enjoos e o mal-estar.


 


  Neste momento encontrava-se deitado sob as tábuas úmidas do castelo da popa. Com a mente vazia buscava apenas admirar a beleza do céu noturno. Resolveu sentar-se. Olhou para o horizonte ao redor. Aquela cena se repetia todas as noites: boiando sob a superfície platinada, as naus irmãs pareciam ressonar sobre a calmaria da escuridão.


 


  Só pareciam.


 


  Em Agatha II gritaria e baderna corriam soltas. De dentro do convés rústico, Ogden facilmente ouvia os homens de Alan conversando e rindo alto. Certamente efeito do run e das jogatinas.  E não duvidava que o Comandante Hulse estivesse metido em tais festividades.


  


  Agatha I também não era de toda quietação, mas apenas o necessário para que a vida pudesse ser denunciada pelos seus sete conveses. O deque, entretanto, ficava sempre silencioso. Ele facilmente avistava pessoas ali, o Capitão Durham, agarrado ao timão como um lobo que guarda a caça. Esporadicamente enxergava a mulher também, ao lado dele, quase sempre. Hoje não era diferente. Sua silhueta ao luar era uma incógnita. Não se podia estimar sua idade, mas tinha certeza que era jovem. Não se podia estimar sua beleza, mas ele gostava de supor quanto a ela.   


 


  Ela aproximou-se do capitão e acariciou seu ombro. A seguir passou a mão ao redor do braço livre dele, que a abraçou.


 


   O barulho da madeira rangendo e passos chegando até o castelo, o distraíram.


  


— Comandante. — cumprimentou Jammal — Achei que o senhor estivesse dormindo e vim verificar o leme.


 


— Não. O mar está fazendo sua parte hoje. — informou. Sua relação com o Otomano estava amena. Ele se tornara mais cordial com Ogden.


 


— Claro, Comandante. – disse, voltando para as escadas.


 


— Jammal?! — chamou-o.


 
— Sim? — ele virou rapidamente.


 


—Tenho uma pergunta a lhe fazer — disse, erguendo-se do chão e indo encostar-se na amurada da popa. Jammal aproximou-se, curioso. — No primeiro dia que dialogamos, lembro que mencionou que eu não deveria por meus olhos nela. Quem é ela? — indagou, indicando a mulher que continuava abraçada ao Capitão.


 


— O Comandante não sabe? — ele parecia surpreso.


 


— Não. — respondeu aborrecido.


 


  Jammal insinuou com o olhar de que talvez Ogden não fosse tão importante assim para Durham.


 


— Achei que fosse amigo do Capitão.


 


— E sou! – respondeu com impaciência – Não pode simplesmente responder-me sem fazer vários questionamentos antes? 


 


  O tripulante deu um sorriso amarelo. Jammal parecia ter o prazer em irritar o inglês.


 


— Ela é a filha do Capitão. — respondeu.


 


 Ogden estarreceu, surpreso. Nunca supôs que o Conde Durham tivesse uma filha entre eles na embarcação, embora acreditasse que homem tão valoroso possuísse família em terra firme.


 


— Unha e carne eles são. Não existe um tesouro em todo o mar que o nosso Capitão tenha mais apreço. Ele não goste que ninguém olhe para ela, sob qualquer circunstância. Nem precisa. O que ela tem de bonita também tem de rudeza. Só existe um homem do qual ela mantém uma relação apaziguadora, exceto o pai. O Comandante Hulse.


 


— Qual o nome dela? — Ogden encarou a sombra feminina na outra embarcação, cheio de interesse.


 
— Agatha, ora! — Jammal exclamou, perplexo — O senhor está realmente mal informado, não Comandante? 


 


   Sim, estava. Refletiu sobre o misterioso homem a sua frente, imaginando o quão intruso era naquele lugar para ficar tão fora de verdades corriqueiras. Esperava ver os laços estreitarem, pois afinal, tinha uma admiração pelo Conde. Saber dos fatos pela boca da ralé o inferiorizava a tripulação de todas as Agathas.


 


— O senhor é um rapaz ousado, Comandante. Entra em um círculo sem nem conhecer seu miolo.  Às vezes eu me pergunto o que faz vocês, nobres, confiarem tanto uns nos outros.


 


— Aonde você quer chegar com essas observações, Jammal? — perguntou, olhando-o de canto de olho.


 


  Ele ficou confuso. Depois repousando os olhos, nervosamente, na direção do pai e da filha, distantes sob o deque de Agatha I,  e disse numa voz carregada de sotaque, em uma língua exótica e desconhecida, ao inglês.


 


— Erkek bilmiyorum kim özünü meşgul olmamalı.


 


— O que disse? — quis saber.


  


— Apenas pensamentos... O senhor ficou adaptável nas roupas do Comandante Hulse. — disse, buscando mudar o rumo da conversa, drasticamente.


 


— É, acho que não fiquei tão mal assim. — concordou.


 


   As antigas roupas de Alan, embora surradas e desbotadas, eram confortáveis e davam mais dinâmica nos movimentos pelo navio.


  


— Se deixar o cabelo crescer mais, ficará bem parecido com ele. – observou Jammal, fazendo aflorar seu cinismo que estava se tornando familiar a Ogden.


 


— Agora você virou consultar de confecção? Peça para o Capitão lhe recomendar na próxima corte. — zombou o inglês.


 


— Ou então a raspe igual a mim. Tenho uma navalha afiada que sempre carrego comigo para esse tipo de corte, se o senhor quiser...


 


— Pelo amor de Deus me assemelhar um pouco que seja a sua aparência! — exclamou com um sorriso de desdém nos lábios.


 


                                           ******


 


 


Dia 22...


 


  Estavam se aproximando do continente. Durham havia chegado muito perto de Agatha III e gritado alguma coisa para Ogden, do convés. Ele apenas entendeu que teriam de atracar a qualquer momento e que por terra dar-lhe-ia informações mais completas. O jovem assentiu, encostado nas cordoalhas das vergas. Era estranho e incomodo que durante esses vintes e dois dias recorrentes não tivesse travado um diálogo com o Capitão. Eram sempre poucos metros à deriva que os separavam de uma conversa esclarecedora.


 


   Agora, ali se encontrava, dando ordens a seus homens para que ficassem atentos a ancorar em algum lugar que Ogden desconhecia da rota inicial.


 


  O céu estava nublado e carregado. Navegavam de encontro às chuvas. Embora estivesse frio, aquele clima ainda era familiar ao novo aventureiro. Ao que tudo indicava, não haviam se distanciado das encostas da Inglaterra.


 


  Em meio às nuvens cinzentas e opacas, Ogden viu uma ave surgir. Primeiro, pequena e distante, voando em círculos sobre os três navios. Poderia ser um abutre se não fosse branca como a neve. À medida que o animal ia descendo ele começou a cogitar a ideia de uma gaivota, mas logo também descartou tal possibilidade. Suas asas eram largas, mas curtas. Seu peito robusto e a cabeça avantajada, enterrada no pescoço.


  


  Que curioso!Uma coruja em pleno oceano...


 


    O comportamento do animal, contudo, foi o que mais lhe espantou. Ela pousou no mastro real de Agatha I e como uma exímia caçadora, sua cabeça contorceu-se em todas as direções em busca de algo.


 


   Estaria ela ostentando alguns ratos de porão? 


 


  Não notou de início, que alguém se aproximava do mastro, lá no deque. Não notou também, que o animal possuía um objeto retangular no bico. A coruja pulou as cinco vergas com cuidado, fazendo dos velames seu poleiro e chegou até a altura da pessoa que a esperava no deque. Agatha.


 


   A filha do Capitão pegou o que o animal trazia no bico e fez um carinho demorado na cabeça da coruja. Sem mais delongas, a ave branca e plumosa, alçou voo e se perdeu novamente entre as nuvens escuras. 


  


  Mesmo estando distante da filha do Capitão, ela percebeu seu olhar intrometido. De longe, virou-se para ele e pela segunda vez em vinte dias, notou sua presença. Imediatamente Ogden disfarçou e improvisou qualquer diálogo com “Pequeno Perna de Gancho”; Um tripulante com as pernas defeituosas, devido a algum problema de desnutrição.


 


— Pela distância, onde acha que vamos ancorar?


 


— Humm... – perna de gancho tinha essa mania de refletir por um bom tempo antes de dizer algo — Acho que o Capitão está nos levando pra Phymount... É. Só pode ser. 


 


— E isso é bom?


 
— Nós tínhamos abastecido os barcos muito bem. Sinceramente, não faço ideia o que ele quer fazer por lá.


  


— Depois chamam a mim de Cabeça de Âncora! – intrometeu-se o obeso marinheiro, que fazia jus a seu apelido, devido ao ângulo estranho de sua cabeça rechonchuda — Phymouth é o maior estaleiro da Inglaterra! Provavelmente o Capitão deve estar necessitando de alguns reparos em Agatha I, antes de continuarmos para o Norte...


 


   Ogden voltou a olhar para Agatha I. A filha do Capitão não se encontrava mais a vista.


 


                                           *******


 


 Naquele mesmo dia, fim de tarde...


 


  Ogden ouvira muitas descrições sobre o estaleiro da Catalunha, Espanha. Elegante, espaçoso em suas abóbodas de pedra originárias da antiga Roma. Mil e duzentos homens trabalhando dia e noite. O lar e a fonte dos melhores e maiores navios da Europa. Entretanto nunca ouvira nada sobre o Estaleiro de Phymount.


  


   O cais não era muito convidativo. Apesar de abarrotado de embarcações dos mais variados tamanhos e funções, de cargueiros a transporte de passageiros, o estaleiro não possuía nenhuma beleza.


 


   Cada vez que se aproximavam de ancorar ao seu cais, a água tornava-se menos límpida - de aparência lodosa e turva. Phymount exalava a esgoto e combinado a gritaria e movimentação de diversos marinheiros pelo seu cais, era um lugar desagradável de se ancorar, barulhento e mal cheiroso. 


 


   Atracaram uns próximos aos outros, perto do postigo. Agatha I ocupava o espaço de quatro embarcações padrão, e claro, chamou muita atenção quando parou e fez sombra sobre o estaleiro naquele entardecer.


 


   Durham deu as instruções na ancoragem, mas logo sumiu para dentro do convés. Alguns tripulantes das três embarcações desciam para esticar as pernas em terra firme outra vez. Ogden continuou no convés, esperando a noite cair. O Capitão não saia de sua nau para dar alguma satisfação sobre os motivos de estarem em Phymount. Agatha I e II também pareciam intactas, não necessitando de reparo algum.


  


  Quando o entardecer cinzento no céu, deu lugar a uma noite fria e repleta de relampejos sem chuva, Ogden recolheu-se no seu singelo aposento. Sentou na cama e analisou as possibilidades. Ficar esperando alguma ordem gritada por Durham ou ir até Agatha I?


  


— Comandante? – uma voz abafada estilhaçou o silêncio dos seus pensamentos. Era um dos meus homens o chamando do alçapão.


 


  Ele Abriu a portinhola.


 


 — O que é?


 


 — O Capitão está te chamando no navio.


 


 — Ah, ótimo. — aliviou-se o inglês.




                                          ******


 


  Onde quer que os habitantes de Agatha I estivessem não era no deque. O navio estava um tanto silencioso, na inópia de sons ou movimentos. Ele sabia que a cabine de Durham, diferente das outras embarcações, ficava no próprio deque, sustentando o Castelo da Proa.


 


  Através da janela circular, uma luzinha bruxuleante e amarelada, escapava lá de dentro. Conde Durham só poderia estar ali. Ogden aproximou-se muito cauteloso. Vozes dialogavam do lado de dentro. Bateu na porta com suavidade. A conversa cessou e depois de alguns minutos alguém disse:



—Entre!


 


   Ao abrir a porta pesada de madeira, ele teve uma cena inesperada. Havia duas pessoas, mas nenhuma delas era Durham. A primeira, a que deu a ordem para que ele adentrasse foi reconhecida prontamente. Alan Hulse, de pé com os braços cruzados, olhando-o com superioridade. A vinte dois dias que não encarava aquele olhar vivaz e prepotente tão de perto.


 


   A outra pessoa, porém, foi a que chamou definitivamente sua atenção e prendeu seu olhar. Sentada confortavelmente numa cadeira, com os pés apoiados na mesa adiante. Botas de couro fervido, calças de lona e camisa frouxa, trabalhada em botões dourados. Cabelos negros e lisos, presos de qualquer jeito num rabo de cavalo frouxo. Selvagens olhos, azuis marinhos feito um oceano vasto, encarou-o. Suas vestes, seus modos de se portar na frente de dois cavaleiros, nada condizia com a figura de uma mulher, exceto sua aparência. Agatha, a filha do Capitão, possuía uma beleza descomunal.


 


 — Veja se não é nosso Comandante dedicado. O mais nobre, o mais bem apessoado. — guinchou Alan indo repousar uma das mãos em seu ombro — E vejo que gostou de se vestir de mim. Eu não tinha dado essas roupas para sua tripulação?


 


   Seus olhos continuavam em Agatha. Os dela sustentando o mesmo encarar. Aquele marítimo angular nada revelava enquanto lhe fitava. Nem emoção nem hostilidade. Um semblante misterioso como o do pai, mas também uma formosura fulminante, nova a ele.


  


— Alguém cortou a língua do nosso Comandante? – inquiriu Alan tentando quebrar aquele laço invisível entre Ogden e Agatha.


 


— Boa noite. –disse enfim, direcionando suas condolências a Agatha que não retribuiu ou se manifestou de nenhuma forma — Eu vim falar com o Capitão.


 


— Ele te chamou aqui? — perguntou Alan ligeiramente perturbado.


 


— Sim. Ele chamou. – respondeu, satisfeito.


 


  Alan continuou desconcertado. Agatha parecia uma estátua, petrificada na mesma posição.


 


— Ogden? — uma terceira voz, grave e arranhada o chamou. Durham finalmente havia se juntado a eles para acabar com a tensa situação – Eu estava no convés inferior.


 


— Sem problemas! – disse de prontidão – Boa noite, senhor!


 


   O Conde olhou de esgueira para seu segundo comandante parado a porta, e sua filha. Ambos, de alguma forma entenderam aquele olhar e prepararam-se para deixar a cabine livre. Ogden ainda esperou que o Capitão lhe apresentasse a Agatha, mas ela apenas passou ao seu lado, indiferente.


 


— Pois não, senhor? Algo errado com Agatha III? – o clima era diferente aquela noite. Não apenas pela chuva iminente, mas pelo comportamento ansioso que o inglês conseguiu detectar em Durham.


 


— Não, Ogden, não. – disse ele num suspiro. Seus olhos desviaram por milésimos na direção da janelinha circular a direita. A janela de onde era possível enxergar o deque escuro. — Sente-se! – pediu ele. 


 


  O rapaz obedeceu, sentando no lugar onde antes Agatha estava. Durham sentou na outra cadeira.


 


— Ogden, primeiro eu preciso me desculpar com você. Esta parada em Phymouth estava planejada há semanas, mas esqueci de avisar-te. Navegar para o Norte é algo do qual eu já me arrisquei, porém nunca desbravei de fato. Preciso adquirir mantimentos extras. Hoje repousamos aqui. Amanhã, existe uma feira que acontece ao ar livre no centro de Phymouth. Você está liberado para explorá-la com seus homens, aliás.


 


— Então não existe nenhum problema com a embarcação?


 


— Ah, não. Está tudo bem com Agatha I e com a embarcação de Alan também. — tranquilizou — E a sua?


 


  Algumas madeiras podres. Velas com cordas esganiçadas. Uma moderada infestação de ratos no convés dos mantimentos. Nada do qual ele já não tivesse sido apresentado no primeiro dia.


 


— Tudo em ordem.


 


— Fico feliz que esteja se adaptando, Ogden. Percebo que mantém um diálogo com seus tripulantes e isso é bom. Senso de liderança é bom.


 


 — Obrigado, capitão – agradeceu.


  


  Silêncio.


 


   Os pensamentos de Durham estavam muito distantes. Como se ele houvesse o chamado ali para qualquer coisa, exceto uma conversa. Isso fez Ogden pensar porque ele não apresentou-o devidamente a Agatha. Eram nobres, pertenciam a mesma estirpe, ele amigo do seu pai. Porque essa estranha falta de intimidade entre pessoas de classes equivalentes?


 


 —Eu me esqueci de dar-te isto no cais de Sturts — Durham voltou a quebrar o silêncio, pegando dois objetos que repousavam numa mesinha ao lado. Uma luneta e uma bússola dourada. — Os objetos essenciais de todo o comandante. – e passou-as para ele.


  


  Os apetrechos eram magníficos. Delicados e precisos. Obviamente a fabricação de nenhum dos dois deu-se no ocidente. Contornando a parte anterior da luneta era possível até identificar um dialeto oriental, em poucas palavras.


 


                        كل شيء يبدأ وينتهي في الأفق                           


  


 


— O que está escrito? – perguntou curioso.


 


— Tudo começa e acaba no horizonte. 


 


—Interessante.


 


  Mais silêncio. Mais pensamentos avulsos. Os dele impossível de decifrar. Os de Ogden, outra vez na beleza da única mulher daquela embarcação. A próxima pergunta do capitão o deixou chocado, como se ele tivesse lido seus pensamentos.


 


— Não vai perguntar de Agatha? — nenhum tom ameaçador foi identificado em sua pergunta.


 


— Eu... É uma honra estar usufruindo desta navegação com o senhor. Qualquer coisa além, cabe ao senhor querer me contar ou não.


 


— Ogden, não subestime minha experiência! Para um marujo maltrapilho, uma mulher é apenas uma mulher, mas para um nobre, uma dama em vestes de corsários, se misturando no meio de homens, não passa despercebida a julgamentos.


 


— Como disse, o Capitão não me deve satisfação de absolutamente nada – reforçou, sentindo-se cada vez mais constrangido, mas também curioso. 


 


— Obviamente que não. Entretanto não vejo problema em lhe dar alguma. — Durham levantou-se — Ela é minha filha, Ogden. Você já deve saber se bem conheço minha tripulação. Fui casado há muitos anos que até perdi as contas. Sou viúvo, mas pai, e nunca quis ver Agatha camuflada entre os frequentadores da corte. É uma moça de personalidade. Desculpe-me a franqueza, mas ela vale muito mais que isso.


 


   Quando Alan Hulse entrou na cabine a conversa terminou. O Capitão que antes estava melancólico e opaco voltara a ser vida e determinação. Sem mais delongas se despediu e voltou para embarcação. Nenhum sinal de Agatha pelo caminho.


 


                                              ***




  No deque frio e mal cheiroso pelas águas que os cercavam em Agatha III, Ogden parou. Ficou muitos minutos em silêncio, na escuridão, ouvindo o barulho da cidade. Phymouth era agitada a noite. Podia jurar que todos seus moradores estavam nas ruas desfrutando de alguma festa local.


 


  De dentro do alçapão Jammal surgiu. Seus olhos acercaram a escuridão e quando e encontraram o inglês;


  


— Comandante! Estava procurando-o. Como consegue sumir em um navio tão pequeno?


 


— Não estava aqui. – e apontou para Agatha I, enfadonhamente.


 


— Então foi por isso que ele veio aqui... — disse Jammal soturnamente.


 


— Ele quem?


 


— O Comandante Hulse – disse — Olha, eu não deveria estar contando isso.


 


— O que o Hulse estava fazendo aqui? –perguntou Ogden, impaciente.


 


  Jammal hesitou.


 


— Eu sou seu Comandante e estou dando-lhe uma ordem. O que o Sr. Hulse fazia na minha embarcação?


 


— Bem... Ele entrou e partiu direto para o seu aposento. Saiu minutos depois. Ele achou que ninguém o viu, mas eu estava ali, perto do timão, quieto, no escuro.


 


  Ogden disparou para seu aposento, deixando Jammal no deque. Possesso. O que fazia Alan e sua petulância acreditar que podia invadir a embarcação, seu conquistado espaço? Agora Agatha III pertencia a seu novo Comandante, não ao antigo.


 


  O aposento do comandante era quase vazio. Exceto a cama e a mesa podre, havia apenas os baús praticamente vazios. Ogden foi para eles. O tampo abriu-se com facilidade confirmando suas suspeitas. Um deles, o arrombado pelo próprio, dias antes, não possuía mais os frascos com a tal Veritaserum. O outro também se encontrava vazio, mas nele o rapaz nunca poderia saber o que existia, pois nem chegara a invadir.


 


— A noite está estranha mesmo. — comentou Jammal como uma sombra atrás dele. Havia o seguido.


 


— Eu não estou com paciência para filosofia, Jammal. — anunciou asperamente.


 — Não é filosofia. É fato. O Capitão está deixando Agatha I no meio da noite com a filha e o Comandante Hulse e uma chuva daquelas está prestes a cair.


  


  Intrigado, Ogden mirou-o.


  


— O Capitão e Alan saíram do navio?


  


— Neste exato momento – confirmou Jammal — Como disse: noite estranha!


 


                                              *** 

Este capítulo é dedicado a duas queridas leitoras, Janaína Ferreira e Neuzimar de Faria, que durante esse longo ano de hiato de AOD pediram incessantemente pela continuação. Aguardo o comentário de vocês e de quem mais estiver gostando. Voltemos as postagem aqui então!
                                           \o/ 


 


 

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Comentários: 3

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Enviado por Janaína Ferreira em 01/03/2014

Oi, Van. Tudo bem? Sei que é meio tarde para perguntar isso, mas: como foi seu Ano Novo? rs

Fico no aguardo do próximo capítulo. A Floreio e Borrões está passando por algumas mudanças e eu só consegui fazer este comentário decente somente agora.

E essa Agatha não me engana! kkkkkk

Beijos!

Nota: 5

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Enviado por Janaína Ferreira em 24/12/2013

Uau! Era disso que eu estava sentindo falta:mistério! E o que mais me deixou intrigada nem era o fato dos navios terem ido embora. Mas sim, da Agatha, que sumia em um piscar de olhos, quase a todo momento. Tem cabelo nesse ovo! kkkkkk

Ah, e fiquei lisonjeada por ter se lembrado de mim. ^^

Desejo a ti um Feliz Natal e Ano Novo. 

Beijo. 

Nota: 5

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Enviado por Neuzimar de Faria em 23/11/2013

Novo capítulo, uhuuuuuu !!! Obrigada, Van, valeu !
Agora: Ogden foi atraído por Durham para que Hulse entrasse em sua cabina e recuperasse o Veritasserum e o conteúdo do outro baú ? E saíram escondidos de seus navios e deixaram Ogdem sozinho num lugar estranho onde, aparentemente, não havia previsão de parada ? O que será que pretendem, será uma armadilha para o Ogdem ? Mega curiosa !!! Aguardando, ansiosa, o próximo capítulo. Até! 

Nota: 5

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