Capítulo 2 –
Ciúmes
Vestia um vestido preto, de um tecido molinho que deixava ver suas curvas. Era comprido e esvoaçante, deixava as costa um tanto descobertas e era frente única. Usava os cabelos soltos, brincos com pedras verdes e envolta em perfume delicioso.
Antes que alguém pudesse falar qualquer coisa, Jamal se adiantou e abraçou Anya.
- Você está linda. Eu devia ter me casado com você assim que você completou 17 anos.
- Ora, me peça em casamento pro meu pai, se ele deixar, eu me caso!! Disse ela rindo.
- Pro seu pai? É capaz de ele me estuporar e me torturar antes mesmo de acabar de falar!!! Jamal respondeu rindo ainda mais.
Carlinhos fechou a cara, fitando irritado tamanha intimidade.
- Não sabia que você já a conhecia Jamal. Disse ele num tom de voz um tanto irritado.
- Chefe, eu conheço essa fedelha desde os 15 anos.
Steve muito brincalhão não deixou por menos.
- Anya, seu pai é tão ciumento assim?
- Eu sou filha única, então já viu, né!
Jamal riu e disse.
- Acredite Steve, você não irá querer enfrentá-lo.
- Sabe que isso me fez lembrar de um professor que tive em Hogwarts, Snape. O cara era sinistro, tínhamos medo até do olhar dele. Imagine um cara daqueles como sogro. Urgh!!!
Anya e Jamal riram muito da comparação. Até mesmo Carlinhos riu, pois também teve aula com o mestre de poções. O professor também era membro da ordem, um espião duplo, a serviço de Dumbledore, na horda de Comensais de Voldemort.
Aparataram num pequeno beco e seguiram para a danceteria. Um lugar trouxa, barulhento e lotado. Ocuparam um mesa, Marie e Samie, que já tinham combinado com seus namorados, foram encontrá-los na pista de dança.
Jamal levantou-se e perguntou se queriam alguma coisa do bar. Anya pediu tequila, Steve e Jack pediram cerveja , Carlinhos pediu uísque. Jamal voltou com as bebidas e sentou-se muito próximo a Anya. Ele trouxera meia garrafa de tequila, sal e alguns limões cortados em gomos. Mais uma vez Carlinhos se sentiu incomodado pela proximidade de Jamal e Anya.
Num estranho ritual Anya, lambeu delicadamente o dorso da mão espalhou sal, lambeu o sal, chupou o pedaço de limão e virou uma dose inteira de tequila. Jamal fez o mesmo. Intrigado Steve perguntou.
- Que forma estranha de beber.
- É trouxa. Respondeu Anya, com os olhos brilhando.
- Mas tem um jeito ainda mais gostoso. Disse Jamal. Ele pôs o sal da mão de Anya e fez o ritual, lambendo a pele branca da moça. Esta apenas riu.
Carlinhos apertou com força o copo que estava em suas mãos, cada vez mais incomodado. Após umas três doses, Anya levantou-se para dançar e a música que tocava era ritmada, sensual e ela movimentava o corpo sensualmente, fazendo os cabelos e o vestido esvoaçar, chamando a atenção de vários rapazes na pista.
- Fecha a boca, Jack – disse Jamal
- É difícil não admirá-la. Ela é tão solta!!
Carlinhos disse um tanto azedo.
- A srta. Romanoff é um tanto desinibida demais. Vai passar uma imagem errada àqueles rapazes.
Jamal se admoestou.
- Ora, chefe, ela é menos desinibida do que qualquer trouxa que está na pista. Além do mais, ela é jovem, bonita, livre e muito responsável. Não se preocupe.
Nisso Anya voltou para a mesa com os olhos brilhando, a pele reluzindo pela camada de suor que a cobria e as faces afogueadas pelo esforço. Tomou mais duas doses de tequila e disse.
- Vocês vão ficar sentados a noite inteira? Não vão dançar?
Antes que alguém pudesse responder, um garçom se aproximou trazendo um copo com uísque na bandeja e depositou na frente de Carlinhos. Antes que ele pudesse se manifestar o garçom disse.
- Cortesia da moça loira no balcão, senhor. Virou e saiu.
Todos olharam a moça em questão. Era bonita, de olhos azuis e sorria abertamente flertando com Carlinhos. Carlinhos retribuiu o sorriso um tanto tímido. Anya semicerrou os olhos, fechou a cara e puxou Jamal para a pista.
Jamal a seguiu rindo e disse ao seu ouvido.
- Não brinca com fogo Anya.
- Não estou brincando com ninguém Jamal.
- Eu não sou cego, já percebi o clima entre vocês. Ele é meu chefe e pode infernizar minha vida se ficar com ciúmes de mim.
- Ué, e desde quando você virou covarde?
- Não é covardia é apenas cuidado. Mas vamos dançar e nos divertir e vamos ver do que ele é feito.
Dançaram duas músicas agitadas, rindo e conversando. Quando Anya olhou para a mesa ficou possessa, a loira estava sentado conversando com os meninos, rindo e se engraçando para Carlinhos, que nesse momento sorria. A música mudou para um ritmo lento, de dançar junto. Ela imediatamente abraçou Jamal. Este olhou para a mesa e foi fulminado por um olhar de Carlinhos que assim que a música mudou tinha voltado sua atenção para a pista.
- Ele está quase cuspindo fogo em mim, Anya.
- Ele está muito ocupado com a loira atrevida.
- Você está com ciúmes!!!
- Dele? Eu? Rá rá rá, me avise quando é para parar de rir!
- Me engana que eu gosto...
Ela bufou e saiu da pista indo direto para um terraço. Jamal não teve escolha senão segui-la.
Ela se sentou num banco e cruzou os braços irritada.
- Anya, eu te conheço muito bem, sou seu melhor amigo, o que está acontecendo com você?
- Tá você venceu. Eu to a fim.
- Me diz direito, não entendi.
Ela bufou, rangeu os dentes e disse super irritada.
- Eu estou interessada no Weasley. Ainda não sei quanto e nem como vai ficar, só sei que ele mexeu comigo. Entendeu?
- E isso te deixa assim, com raiva?
- Eu não quero e não posso gostar dele, Jamal.
- E porque não?
- Ora, Weasley é membro do Ordem, cedo ou tarde ele saberá quem é meu pai e você acha que ele aceitará?
- E por que não?
- Ora, meu pai foi um comensal da morte, é diretor da Sonserina, é espião duplo e ninguém a não ser Dumbledore acredita nele. Como posso me envolver com alguém que desconfia e despreza meu pai?
- Você não sabe o que ele acha do Snape.
- Eu sei que ninguém gosta do meu pai. E também sei que os tios do Weasley que eram membros da primeira formação da Ordem morreram vítimas de comensais na época que meu pai ainda estava ao lado de Voldemort.
- Meu bem, você não tem culpa de quem é seu pai e nem das escolhas que ele fez na vida.
- Jamal, Snape é no máximo suportado pelas pessoas e isso dói em mim, pois só eu sei o que ele já passou e o que passa, para manter a salvo minha mãe, eu e Potter.
- Anya, dê uma chance ao menos para saber o que você e Carlinhos sentem.
- E não se esqueça da minha missão. Voldemort, assim que descobrir que estou viva não vai sossegar até por as mãos em mim. Eu preciso estar na batalha final para proteger o Potter, tenho sido treinada para isso desde criança. E se eu não sobreviver?
Jamal colocou as duas mãos no rosto de Anya, que tinha os olhos brilhantes pelas lágrimas não derramadas e delicadamente puxou para bem perto de si, dizendo em seu ouvido.
- Isso você não pode prever e também não é motivo para que você se feche numa ostra e deixe de viver a vida.
- Chega de assunto Jamal, vamos voltar para a mesa? Quero me despedir dos rapazes e ir dormir.
Ele a abraçou e seguiram.
Carlinhos ficou olhando irritado para onde Jamal e Anya tinham seguido. Não prestava a mínima atenção do que a moça loira falava ao seu lado, estava mais interessado em saber o que os dois estavam fazendo. Assim que conseguiu se livrar da loira, ele levantou e seguiu por onde o casal tinha ido.
Quando chegou ele viu Jamal puxando delicadamente o rosto de Anya como se fosse beijá-la, ele também reparou que ela tinha os olhos brilhantes.
Furioso, não ficou para ver o desfecho, virou as costas e apressado chegou até a mesa. Surpresos com o semblante feroz, ninguém na mesa disse nada quando ele jogou algum dinheiro trouxa na mesa e praticamente cuspiu as palavras.
- Esse lugar já deu tudo que tinha que dar para mim, já vou...e saiu pisando duro.
- O que deu nele? Perguntou Marie que tinha acabado de voltar para a mesa.
- Não sei. Até agora ele estava conversando com uma loira muito bonita, de repente largou a moça falando sozinha, saiu e voltou assim. Respondeu Steve.
- Sinceramente não entendi nada. Nunca vi o chefe assim. Ponderou Jack.
Nisso eles viram Anya e Jamal chegando rindo e abraçados.
Eles trocaram um olhar silencioso de entendimento.
- Ué cadê o chefinho? Jamal perguntou
- Já foi embora, respondeu Jack.
Anya achou que ele tinha saído com a loira, ficou triste e pediu que Jamal a levasse embora.
Carlinhos chegou à reserva, entrou no chalé e bateu a porta. “Céus, o que está acontecendo comigo? Nunca me importei com uma garota assim. Será que estou mesmo a fim dela?”
Tirou a roupa, deitou e ficou pensando...”O que será que ela tem com Jamal, será que é sério”?
Meia hora depois ele escutou barulho no lado de fora, tinha certeza que era Anya que chegava. A porta foi aberta silenciosamente, depois ele a ouviu indo para o banheiro e escutou o chuveiro sendo ligado. Seus pensamentos o traíram e ele se lembrou da sensação gostosa da pele dela roçando a sua. Deu um pequeno gemido, virou de bruços e socou o travesseiro. “Droga, saia da minha cabeça...Jamal é meu amigo e meu melhor laçador não posso ignorar isso por uma simples garota.” “ Com certeza ela estava nos braços dele até agora...”
Embaixo do chuveiro Anya brigava consigo mesma. “Sua boba, ele deve estar se divertindo nos braços daquela trouxa aguada.” “ E você se preocupando com o que ele acharia de quem é seu pai.” Bah, tola sentimental.” Desligou o chuveiro e foi para cama remoendo seus pensamentos.
Nos quartos duas pessoas se reviravam na cama perdidos em pensamentos. Ele achando que ela estivera com Jamal e ela achando que ele estava com a loira. Quantos desencontros...
No dia seguinte, um mal olhava nos olhos do outro, mas como tinham muito serviço pela frente, o tempo passou rápido.
Nos dias que se seguiram todos perceberam que os dois mal se falavam, mas Anya, que se enturmara muito rápido com todos e vivia de conversas e risos com os outros. Todos percebiam a intimidade dela com Jamal. Numa tarde enquanto tratava mais uma enorme queimadura que Carlinhos tinha no braço, Marie perguntou.
- Você vai ao jogo conosco hoje à noite?
- Jogo? Que jogo?
- No jogo de quadribol com a seleção da Romênia.
- Sério?
-– Carlinhos, em que mundo você vive? Todo mundo no acampamento só fala nisso desde ontem.
– Você sabe que eu não presto atenção em fofocas!
– Eu sempre me esqueço que você presta sempre mais atenção ao trabalho que às pessoas...
– Isso não é verdade.
– Imagina... Porque será que meu querido chefe é sempre o mais queimado daqui? Essa última bate o record, hein? – disse ela, colocando mais uma atadura mágica com poção contra dor na queimadura.
- Bom, mas, quem vai?
- Pierre, Simas, Jack, Jenifer e eu.
_ Ninguém mais? Ele perguntou tentando parecer desinteressado...
- Não, os outros estão na escala e Anya está fazendo algumas poções que precisam da atenção dela.
- Poções?
- Sim, da pesquisa dela. Às vezes ela faz três caldeirões ao mesmo tempo. Ela está finalizando a pesquisa, depois só resta esperar a coleta de sangue e estará completa.
- Hum...ela vai embora logo após a coleta?
- Sim, ela irá para Hogwarts, depois para o Saint Mungus e volta para Leningrado.
- Acho que Jamal sentirá falta de sua companhia mais freqüente.
- Tá brincando né? Ela está sempre escrevendo, fazendo poções e cozinhando. Pouco conversa conosco ou Jamal. O único tempinho livre dela, é à noite, mas ela senta lá no alto do morro e fica observando e anotando o comportamento do rabo córneo.
Sem demonstrar, Carlinhos ficou incrivelmente feliz com essa notícia e decidiu ficar no acampamento e se aproximar de Anya. Ele achava que quando ela demorava a ir deitar, estava com Jamal.
Quando a noite chegou, parecia mais uma tranqüila noite de verão. Carlinhos observava ao longe a montanha negra, onde eventualmente podia se ver pontos luminosos vermelhos, as cavernas onde os dragões faziam seus ninhos. Dentro de alguns dias os ovos começariam a abrir, e quando os filhotes estivessem num tamanho razoável, ele poderia selecionar os dragões para a coleta de sangue fresco. Num pequeno mirante de pedra ele pode ver Anya sentada olhando para onde estava um dragão rabo córneo, ele notou que seu interesse era maior por essa raça. Perdido em pensamentos não notou a chegada de Steve.
Apreciando seus protegidos? – ele falou, referindo-se aos dragões. Ele baixou a cabeça e riu.
– Por que será que todos pensam que eu acho os dragões minha família?
– Porque você vive para eles. Isso é óbvio.
– Bem... você sabe que não é isso. É responsabilidade. Nós temos que responder pela vida de cada dragão que habita a montanha. Isso ocupa um grande espaço na minha vida. Cada um deles pode viver até cem anos, e nesses cem anos, com seu sangue, pode curar pessoas, ajudar bruxos em poções e encantos... um dragão é muito valioso, em todos os sentidos. Meu dever é que cada dragão da reserva viva o máximo que puder, da melhor forma possível. Para isso eu preciso estar sempre atento. Tem sempre alguém querendo matar um dragão. Alguém que não entende que matar um dragão é como matar uma galinha dos ovos de ouro...
Steve era o membro mais novo de sua equipe, o mais fanfarrão e mais moleque, mas daria um bom tratador, apenas faltava um pouco mais de paixão.
- Mas chefe, isso não quer dizer que precisamos abrir mão das coisas boas da vida, né? Ele disse olhando para Anya, numa insinuação clara.
- Ora, vá dormir e não me enche... Carlinhos disse rindo e socando-o de brincadeira. Ele ficou feliz com o comentário, pois Steve e Jamal eram muito próximos e para fazer este comentário era porque Steve achava que nada tinha entre os dois.
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Notinha: Se tiver alguém lendo essa fic, por favor deixe um comentário, só para eu saber se tem alguém. A fic é longa e muita coisa ainda vai acontecer. O capítulo com a primeira noite dos dois está quase pronto e ficou lindo, muuiittoo quente. vale a pena continuar a ler... |