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3. Capítulo 3


Fic: Silêncio da Paixão - HHr/RL


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harry passou o resto do dia fazendo planos e visitas. Os planos eram tão bons quanto as circunstâncias, ou o destino, permitiam. Ao capataz de Godric's Hollow enviou instruções para executar as reformas na propriedade sobre as quais já haviam discutido. Tendo conhecido e, de certa forma, se comunicado bem com lady Hermione, era com tranquilidade que tomava a atitude. A mãe e irmãs redigiu uma missiva mais leve, pedindo-lhes que se juntassem a ele em Londres. A condessa Lílian raramente visitava a corte; não obstante, ainda consolidava o respeito e o poder clamados somente pelas mais austeras matronas da sociedade para apresentar uma jovem com sucesso, a despeito dos defeitos específicos da jovem em questão.

Se conseguisse suportar os paparicos típicos de sua mãe e irmãs, Hermione não tinha nada a temer na travessia das águas turbulentas da sociedade.

As visitas foram, no geral, mais previsíveis. Parvati e sua mãe, receberam-no como de costume, fazendo-o sentir-se um par do reino extremamente elegível, o prêmio do mercado casamenteiro daquela temporada, assim como o fora nas temporadas anteriores. Nos últimos quatro anos, haviam-lhe atirado mais donzelas do que podia se lembrar, mas conseguira escapar de qualquer compromisso, até que lhe atiraram a moça certa.

Parvati.

Era encantadora por natureza, inclusive fisicamente, e percebera, logo ao conhecê-la, que era a esposa ideal para ele. Quase chegara a fazer-lhe uma proposta. Quase. Não sabia ao certo o que o detivera. Estava bastante seguro da profundeza dos próprios sentimentos: se não a amava, com certeza a admirava e a tinha em grande afeto. Achava que Parvati sentia o mesmo por ele. Ela chegara a insinuar que, se a pedisse em casamento, sua resposta seria positiva.

Entretanto, detinha-se, aguardando algo que não conseguia definir. Algo tolo. Algo ridículo. Algo como um raio do céu quando olhasse para ela, ou uma sensação de leveza quando lhe beijasse os lábios, o que já fizera duas vezes sem sentir nada, ou algum tipo de palpitação, qualquer coisa que lhe garantisse que jamais se arrependeria de tomá-la como esposa.

Mas aquela última visita apenas confirmara quão tolo fora em hesitar. Parvati e ele eram perfeitos um para o outro, em mente e espírito, e jamais encontraria outra moça assim, tão doce, inteligente e compreensiva.

As quatro e meia, em Wilborn Place, fora informado pelo mordomo insípido que o conde desejava falar-lhe antes que saísse com lady Hermione e lady Luna para o passeio programado.

Desta vez, o conde já o aguardava no estúdio já conhecido, aquele onde ele tratava da maioria de seus negócios.

- Ei-lo aqui - grunhiu Richard, erguendo os olhos dos papéis na escrivaninha. - Ótimo. Sente-se. - Indicou-lhe a cadeira que ocupara na visita anterior. - Acho que já sabe o que quero discutir.

- Imagino - replicou Harry, de pé atrás da cadeira. - Espero que seu capanga não tenha sofrido nenhum dano irreparável. Não gostaria que fosse excluído do mercado de trabalho. Não se deve dispensar um tipo desses dos benefícios da casa de correção.

Richard sorriu sarcástico.

- Gostaria que ele ficasse sob a responsabilidade das autoridades? Nada tema. Eu cuido de todos os meus empregados, de um jeito ou de outro.

Harry não duvidava nem um pouco disso. Imaginava se o pobre sujeito que fizera de si mesmo tamanha chaga ainda respirava.

- Folgo em saber. Mande outro me seguir e prometo que não sobrará muito para você tomar conta.

Richard soltou um grunhido, divertido.

- Não será mais incomodado, dou-lhe minha palavra. Por menos que acredite, minha palavra é tão confiável quanto a morte. - Sem tirar os olhos dos papéis, os quais separava em pilhas diversas, tratava-o como a um criado desobediente: - Ofereci-lhe uma cadeira.

Harry apenas ergueu de leve o sobrolho.

- Pegue sua cadeira, meu senhor, e vá para o inferno. Se quer falar comigo, fale logo. Caso contrário, não farei lady Hermione e lady Luna esperarem mais.

Bruscamente, Richard recostou-se e fitou o visitante.

- Não tenho muito a lhe dizer, Potter - declarou, frio -, mas acredito que exista algo que você deseja dizer-me.

Harry endureceu o queixo até sentir dor, tão furioso que quase desabafou de maneira nada recomendável. Mas lembrou-se a tempo de que Richard não era homem de se tratar levianamente ou, pior, tolamente.

- Se recebeu a mensagem que passei a seu capanga, já conhece meus sentimentos. No entanto, permaneço curioso em saber por que não me contou que lady Hermione não fala, como se considerasse tal informação irrelevante.

A irritação tomou conta das feições deformadas de Richard.

- Hermione é capaz de falar. Optou por não fazê-lo por razões próprias. Conforme você mesmo disse, considero o fato irrelevante, tanto com relação a ela quanto com suas providências no sentido de que se divirta em Londres. Não obstante sua visão da situação, Hermione falar ou não falar não influencia o que lhe foi determinado.

- Falar é fácil - protestou Harry. - Graças a sua negligência, eu cheguei bem perto de humilhá-la. No Almack's. Até você, desdenhoso que é das etiquetas sociais, deve imaginar o que isso teria significado para ela.

- Teria sido uma desgraça - admitiu Richard - em especial para sua mãe e irmãs. Deve me achar um espírito de porco por colocar Hermione numa situação tão precária, mas senti-me seguro quanto a sua reação. Vocês, almofadinhas, são bem-educados demais para perderem o controle de qualquer situação. Trincam antes de quebrar, não é mesmo, Potter?

- Você arrisca demais.

- É... quase sempre, um homem na minha situação não tem muita escolha, o que explica essa necessidade extrema de ter planos para qualquer eventualidade. Se você, por acaso, houvesse magoado Hermione, a esta altura já saberia quão desgraçado pode ser um erro.

- Suas ameaças tornam-se enfadonhas, senhor. Acho cada vez mais difícil acreditar que lady Hermione tenha algum laço de sangue com a sua pessoa.

Richard riu.

- Sinto o mesmo. Hermione é linda, não é? Charmosa, fina e encantadora. É tão diferente do resto da minha família que já considerei ter sido deixada pelas fadas, ou que meu pai, principalmente, não tivesse nada a ver com ela. Tudo bobagem. - Fez um gesto vão. - Quer saber por que ela não fala, correto?

- Seria bom.

- Ela nasceu perfeitamente normal, apesar do parto complicado que causou a morte de minha mãe. Mas como era um bebê muito quieto, que raramente chorava, o cretino do meu pai achou que se tratava de uma retardada mental. Suponho que, se houvesse chorado noite e dia, como eu e meu irmão, ele a teria considerado normal. Conforme você já constatou, ela é.

Harry confirmou com um movimento de cabeça.

- Apesar de esperta e inteligente, Hermione começou a falar só aos três anos, um pouco atrasada, comparada às outras crianças, mas nada que não pudesse compensar, desde que respeitassem seu ritmo de progresso. Acontece que, justamente nessa época, uma das criadas perdeu o filho e ficou meio louca, achando que seria melhor para Hermione morrer também. Ela misturou detergente ao seu leite.

- Céus... - murmurou Harry.

- Mesmo vomitando a maior parte do veneno, Hermione quase morreu. Passou um tempo doente, com febre alta. Ao se recuperar, já não falava mais. Meu pai teimoso não acreditou no diagnóstico dos médicos de que aquela súbita incapacidade de falar se devia às sequelas de uma inflamação nas cordas vocais, fiel à antiga conclusão de que se tratava de uma retardada mental. Ela foi entregue aos cuidados dos criados, sem jamais ter contato com os familiares e sem tutor, até meu retorno à casa. Aprendeu a ler e escrever somente aos doze anos e disse a primeira palavra aos catorze.

- Mas então ela fala? - espantou-se Harry.

- Fala, mas é muito doloroso e exaustivo para ela. Além de difícil, ela não gosta do som da própria voz. Devido aos danos nas cordas vocais, não consegue atingir um tom nem remotamente feminino, se bem que eu acho sua fala encantadora. De qualquer forma, ela prefere a linguagem de sinais.

- A linguagem de sinais... - repetiu Harry, pensativo. - Hoje de manhã, no parque, ela e sua sobrinha, lady Luna, se comunicaram dessa maneira, com as mãos.

- É o método desenvolvido por Abbé Sicard no Real Instituto para Surdos-Mudos da França. Um de seus discípulos mais brilhantes, o sr. Charles Cassin, fundou uma escola aqui na Inglaterra, para ensinar o método, adaptado ao inglês, é claro, mas antes disso passou cinco anos em Granger Hall instruindo Hermione e todos os que convivem com ela. Até os criados aprenderam a linguagem de sinais em seu benefício.

Harry já tinha uma imagem totalmente diferente do conde Granger. O homem devia amar demais a irmã para se dedicar ao aprendizado de algo tão peculiar e ainda impô-lo aos empregados. Eis por que ela se sentira tão confiante quanto a passar aquela temporada em Londres. Richard, apesar de toda a ruindade, dera-lhe isso.

- A febre causou-lhe alguma deficiência no ouvido esquerdo, bem como nos pulmões, mas o ouvido direito escapou sem danos - prosseguia Richard. - Ela adoeceu várias vezes, com inflamações, sendo que por duas vezes quase morreu, mas nunca comente nada disso em sua presença. Ao contrário de muitas mulheres, que só sabem conversar sobre suas fragilidades, a ponto de nos matar de tédio, Hermione é bem capaz de lhe quebrar o nariz se desconfiar de que a considera alguém de saúde delicada.

Harry mal suprimiu o sorriso ao imaginar a doce criatura que o cativara poucas horas antes dando-lhe um soco no nariz.

- Então, vai levar Hermione e Luna num passeio?! - retomou Richard, aprovador. - Até agora, Londres lhes causou ótima impressão.

- Farei todo o possível para introduzir lady Hermione e lady Luna na sociedade, bem como para que aproveitem sua estada em Londres, mas não sob ameaças de sua parte ou de seus capangas - advertiu Harry. - Vai me deixar cumprir minha palavra de honra em paz, se não estiver de acordo, pode tomar posse de Godric's Hollow agora mesmo, e será assunto encerrado.

Fez-se uma pausa antes de Richard responder:

- Já lhe dei minha palavra de que não será mais seguido. Cumpra a sua parte, que cumprirei a minha.

- Estamos entendidos, então. - Harry fez uma breve mesura. - Boa tarde, meu senhor.

Depois que a porta se fechou, Richard passou um minuto remexendo seus papéis, até que os abandonou.

- Pode sair, Arthur.

No outro lado da sala, uma porta de armário se abriu e o homem que estivera seguindo Harry saiu.

- Satis... feito... meu... senhor? - murmurou, em frangalhos.

- Sente-se, antes que caia - ordenou Richard, indo até a janela para observar a rua abaixo. - Satisfeito? Sim, estou. Muito satisfeito, na verdade. Ele é melhor do que eu esperava. Talvez não a melhor opção para cunhado, mas ele será um bom marido para Hermione, ou viverá para se arrepender. - Abriu um sorriso ténue. - Mas duvido de que isso aconteça.

Voltou-se para o capanga, que segurava a cabeça dolorida com as duas mãos.

- Execute o planejado quanto ao sequestro. O conforto de Hermione é fundamental. Ela não pode se machucar de forma alguma. Pode fazer o que quiser com Harry, desde que não cause dano permanente. E garanta que cada um cumpra seu papel, lá no antigo covil do Saxby. Harry e Hermione não poderão saber jamais quem estava por trás de seu breve cativeiro. Não antes de estarem casados. Nada de erros. Entendeu, Arthur?

- Oh... sim... meu... senhor... - respondeu o homem, obediente.

- Acho bom! Porque se algo der errado, você terá mais a lamentar do que um queixo quebrado. Muito mais.


Nos últimos três anos, toda noite antes de dormir, Hermione sonhara acordada com todas as experiências maravilhosas que uma moça podia viver em sua primeira temporada em Londres, como passear num parque no horário mais movimentado, às cinco da tarde, na companhia de um belo cavalheiro. Realista, porém, nunca acreditara que um sonho assim pudesse acontecer.

Mas os céus deviam ter ouvido suas preces, pois lá estava ela, não só passeando no Hyde Park na mais linda caleche imaginável, como também acompanhada de um cavalheiro cuja beleza excedia em muito seus sonhos mais extravagantes.

Sentado a seu lado, lorde Potter parecia inumanamente perfeito em seu conjunto de calça amarela e casaco azul-escuro. Numa postura relaxada, quase indolente, batia os longos dedos ritmadamente no topo da bengala, sorrindo para Luna, sentada de frente para ele, que o entretinha contando algumas das trapalhadas que as duas já haviam aprontado em Granger Hall. Era difícil acreditar que ele achasse as histórias interessantes, mas seu prazer e divertimento pareciam genuínos. Então, como se sentisse que era observado, ele a olhou, o sorriso mais terno.

- Está gostando do passeio, lady Hermione? O que acha desse aperto todo? - Com um gesto, indicou o congestionamento de veículos.

Ela achava maravilhoso, embora, pensando bem, não fizesse sentido tanta gente sair para desfilar no fim da tarde, dia após dia. Desde que entraram no parque, tinham sido cumprimentados por muitas pessoas elegantes, algumas a cavalo, outras em faetontes e carruagens abertas dos mais variados tamanhos, todas querendo ser apresentadas a ela e Luna. A maioria se mostrara bastante desolada ao descobrir que ela não falava, tratando logo de inventar alguma desculpa e se afastar, mas já estava acostumada. Apenas conhecer tanta gente chique fora um acontecimento e tanto, e já se via de volta a Somerset, fascinando os amigos com as lembranças de sua estadia em Londres.

Bem, lorde Potter aguardava uma resposta, e Hermione abriu a bolsinha dourada pendente de sua pulseira. Esquecera-a ao sair para cavalgar pela manhã, mas tratara de levá-la ao parque. Tirando uma das minúsculas folhas de papel e a canetinha dourada, escreveu: Maravilhoso! Melhor do que o Circo do Hassim. Grifou a palavra circo duas vezes e estendeu-lhe o bilhete, sorrindo satisfeita ao vê-lo gargalhar.

- Céus, tenho de me esforçar para que as jovens tenham uma impressão mais favorável da corte! - concluiu Harry, passando o papel a Luna. - Digam-me, há algum lugar em Londres que gostariam de visitar em especial?

- A Torre! - exclamou Luna, enquanto Hermione escrevia sua opção.

- Vauxhall - leu ele, olhando-a de soslaio, divertido - e madame Tussaud. Amanhã, caso estejam livres, posso acompanhá-las à Torre de Londres. Seria uma honra.

- Oh, sim! - concordou Luna, extasiada. - É muita gentileza sua, meu senhor! Tenho certeza de que mamãe também vai querer ir.

- Combinado, então! Falarei com lady Isabel quando chegarmos a Wilborn Place.

Um rapaz montado num magnífico cavalo negro emparelhou com a carruagem e Harry cumprimentou-o: - Olá, Rony. Achei que o encontraríamos aqui.

Elegante de calça bege e casaco escuro, o qual realçava seu físico musculoso, lorde Weasley parecia tenso e desconfortável.

- Boa tarde, lady Hermione, lady Luna - cumprimentou, fazendo uma reverência na sela. Luna respondeu com um olhar glacial. - Harry, espero que esteja bem.

- Muito bem, obrigado. Apesar de cheio, o parque está muito agradável esta tarde, não concorda?

Rony não parecia interessado no parque. Olhou de novo para Luna e ela levantou o queixo e virou o rosto.

- Concordo.

- Se soubesse que você viria passear hoje, eu o teria convidado a vir conosco. Tenho certeza de que as moças teriam apreciado sua companhia.

Hermione confirmou e sorriu. Luna bateu a sombrinha no chão da carruagem e expressou desdém. Rony limpou a garganta.

- Eu... é... eu reconsiderei algumas das observações que fiz a lady Luna hoje de manhã e concluí que, talvez, um pedido de desculpas se faça necessário.

Luna parou de bater a sombrinha e encarou-o.

- Talvez?!

Rony estava tão constrangido que Hermione teve dó dele.

- É... Não... Eu sem dúvida lhe devo um pedido de desculpas, embora a senhorita tenha de admitir que provocou a situação e que ambos dissemos coisas de que qualquer pessoa normal se arrependeria.

- Perdão, meu senhor - interrompeu Luna -, mas não me arrependo de uma palavra sequer que lhe disse esta manhã. E eu não provoquei a situação.

- Provocou! - replicou Rony, colérico. - Ao cavalgar feito uma louca, com risco de quebrar o pescoço e aleijar o animal.

- Olá, Neville! - cumprimentou Harry, ao avistar outro cavaleiro conhecido. - Boa tarde. Por favor, junte-se à baixaria aqui! - convidou, dando a Hermione uma piscadela cúmplice que a fez cair das nuvens.

- Boa tarde, Harry. Rony. Baixaria? - Lorde Longbotton ergueu a cartola da cabeça meio calva, numa mesura às damas. - Boa tarde - disse a Luna, mal incluindo Hermione em seu sorriso.

- Boa tarde, meu senhor - respondeu Luna, polida, ignorando a carranca de Rony quando ela sorriu para o outro.

- Vai ao baile de lady Pebworth hoje à noite, lady Luna? Gostaria muito de reservar uma dança com a senhorita, se possível.

- Ha! - desdenhou Rony, como se acabasse de ouvir um absurdo.

Luna brindou lorde Longbotton com seu sorriso mais ofuscante, o mesmo que derrubara mais homens em Somerset do que Hermione conseguia se lembrar. Imediatamente enfeitiçado, o homem inclinou-se para ela na sela até esbarrar no cotovelo duro de Rony.

- Será uma honra, meu senhor. Hermione e eu teremos o máximo prazer em reservar uma dança para o senhor, se nos disser que estilo prefere.

Oh, Luna, pensou Hermione, desolada. Não sabia quem estava mais constrangido: se ela mesma ou lorde Longbotton. Para completar, viu Harry apertar a mão na bengala, como que embaraçado com tudo aquilo. Estava acostumada a ser tratada como se fosse invisível, mas para algumas pessoas, como lorde Potter com seu coração gentil, presenciar isso podia ser uma experiência muito desagradável.

- Bem, eu... - gaguejava Neville, sem saber o que dizer.

- Já reservei uma valsa com lady Hermione - declarou Harry, de repente - bem como a dança da ceia.

- E eu reservei uma valsa e uma quadrilha - informou Rony. - Vai ter que se virar com o que sobrou.

- Bem... - Lorde Longbotton olhou para Hermione constrangido.

- Poderia reservar-me a primeira música do interior, então, minha senhora? - Hermione aquiesceu de modo quase imperceptível e ele se voltou para a outra jovem. - Lady Luna, espero que ainda não tenha reservado a dança da ceia, pois não?

- Já reservou - respondeu Rony, sem dar a Luna chance de falar. - Comigo. Você fica com a quadrilha. Agora, seja um bom camarada, Neville, e caia fora.

Lorde Longbotton arregalou os olhos, apreciando a compleição maciça de Rony, e conformou-se:

- Ficarei muito satisfeito com uma quadrilha, lady Luna. Boa tarde. - Cumprimentou Hermione e Harry nervosamente. - Boa tarde a todos.

Luna ergueu a sombrinha com a óbvia intenção de batê-la na cabeça de Rony. Hermione se adiantou para detê-la, mas sentiu a mão de Harry sobre a sua.

- Ah, lady Patil e a srta. Patil! - exclamou ele, no momento em que outra caleche emparelhava com a deles na longa fila de veículos em marcha lenta. Luna baixou a sombrinha. - Que agradável surpresa!

- Lorde Potter! - cumprimentou a bela senhora de meia-idade. - Uma surpresa, de fato. Parvati e eu esperávamos vê-lo aqui. - A bela moça a seu lado sorriu para Harry e Hermione. - Não vai nos apresentar a suas companheiras?

- Com prazer - retrucou Harry.


Num prazo de quinze minutos, Hermione viu-se passeando de braço dado com a srta. Parvati Patil no paraíso colorido de Kensington Gardens. Ao lado, Harry escoltava lady Patil. Alguns passos atrás, Luna e Rony continuavam discutindo, bem baixinho.

Parvati tinha quase a mesma idade de Hermione e lembrava as amigas que ela e Luna tinham em Somerset. Extrovertida e bonita com seus cabelos morenos cacheados e doces olhos castanhos, a moça da corte encarou com naturalidade a deficiência de Hermione. Lendo as palavras escritas como se ela as pronunciasse, não pausava a conversa e logo aprendeu o significado dos principais sinais da linguagem de mãos.

- Espero que compareçam à pequena reunião que minha mãe vai promover na semana que vem, lady Hermione - comentava a srta. Patil. - Será um evento literário, mas teremos também música e jogos de cartas. E claro que não ser nada comparado ao baile que lady Pebworth vai dar esta noite. Vocês irão? Oh, que bom! Diga-me que vestido vai usar?! Estou tão feliz por não ter de usar branco nesta temporada, como no ano passado. Já não aguentava mais!

A senhorita Parvati tinha o timbre de voz que Hermione sempre admirara, clara e límpida, musical, tão feminina e agradável que mal disfarçava a inveja.

- Por favor, diga-me, qual a cor do seu vestido? - insistiu a moça Patil. - Se bem que isso não tem a menor importância, pois você é tão bonita que qualquer cor ficará perfeita. Todo homem que a vê deve se apaixonar por você.

O elogio fez Hermione corar. Sorrindo, ela balançou a cabeça.

- Mas é verdade! - confirmou Parvati, apertando-lhe o braço. - Não concorda, meu senhor?

- Plenamente - disse Harry.

Embaraçada, Hermione caminhou até uma roseira carregada de flores branco-rosadas. Após afagar uma das pétalas sedosas, passou a mão pela saia.

- Que tom lindo, uma ótima escolha! - aprovou Parvati. - Branco, mas não branco demais. Devíamos ter tido essa idéia, mamãe, na minha primeira temporada, em vez de comprarmos todos aqueles vestidos brancos.

Harry sorriu para a jovem, segurando uma de suas mãos delicadas.

- Apreciei-a deveras naqueles vestidos - murmurou, o olhar íntimo. - Você fica linda de branco. - Inclinando a cabeça, beijou-lhe a mão com delicadeza. Então, fitou-a nos olhos longamente antes de soltá-la.

A jovem ruborizou, o prazer indisfarçável, diante da mãe que sorria aprovadora.

Imóvel, Hermione assistira à cena como se fosse invisível. Eles estavam apaixonados, concluiu. Lorde Potter e a srta. Patil. Percebeu também que não podia ser coincidência aquele encontro no parque, nem a receptividade de Parvati para com ela.

Consideravam-na uma idiota?, cogitou, furiosa. Só porque era muda, achavam que era também incapaz de raciocinar? Já fora ruim ver Harry e Rony mentirem quanto às danças reservadas, mas essa, essa piedade bem-intencionada, essa gentileza forçada... odiava-as! Só odiava mais não poder dizer-lhes o quanto se ressentia por ser tratada dessa maneira, como se requeresse tratamento diferenciado em relação a todas as outras pessoas.

Mas você é diferente, disse a si mesma, destruindo sem querer as delicadas pétalas da rosa nas mãos. Você nem sequer existe a maior parte do tempo.

Devia sentir-se grata a Harry por seu esforço, mas não se sentia. Por que ele o fizera? O que o obrigara a fazê-lo?

- Você é um espírito de porco teimoso, cabeça-dura e estúpido! - Luna continuava xingando o inseparável Lorde Weasley.

- Posso até ser, mas ao menos monto sem matar meu cavalo, lady Luna! - replicou ele, tão zangado quanto ela.

Hermione nunca encarara tão bem o mau gênio da sobrinha. Quando Harry sugeriu que partissem antes que a guerra estourasse em Kensington Gardens, já estava novamente sob controle e permitiu que ele a conduzisse de volta a caleche.



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